ÓRGÃOS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE

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1 ÓRGÃOS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE 1. Introdução Nos dias atuais, várias entidades trabalham internacionalmente no desenvolvimento e uniformização de normas e procedimentos para a área contábil internacional, destacando-se principalmente duas; 1. O Comitê de Normas Contábeis Internacionais (International Accounting Standards Committeee) IASC, atualmente denominado International Accounting Standards Board - IASB, que é mais detalhado nas apostilas seguintes, e 2. A Federação Internacional de Contadores (International Federation of Accountants) - IFAC. Adicionalmente, a Organização Internacional de Comissão de Valores Mobiliários (International Organization of Securities Commissions)- IOSCO trabalha na regulamentação internacional de normas para o mercado de capitais e bolsa de valores. Por outro lado, as empresas norte-americanas, por suas características, ao longo do século passado, de grandes exploradoras e investidoras em diferentes mercados, provavelmente, foram das primeiras a uniformizar os procedimentos contábeis de conversão de demonstrativos financeiros em outra moeda diferente da americana. O grande desenvolvimento de normas de contabilidade norte-americana, e sua enorme influência no mundo contábil atual, deve-se ao surgimento das gigantescas Corporations, principalmente no início do século, aliado ao formidável desenvolvimento do mercado de capitais e ao extraordinário ritmo de desenvolvimento que aquele país experimentou e ainda experimenta, o qual constitui um campo fértil para o avanço das teorias e práticas contábeis norte-americanas. A evolução da Contabilidade e os principais órgãos de contabilidade norte-americano são mais detalhados nas apostilas seguintes. A seguir outros importantes órgãos de contabilidade de âmbito internacional. 2. IFAC A Federação Internacional de Contadores (International Federation of Accountants)- IFAC, com sede em New York, USA, é uma organização congregando as organizações nacionais de diferentes países, representantes dos profissionais atuantes na área contábil para diferentes ramos de atividades, assim como, de grupos que interagem com freqüência com a profissão contábil. Fundado em 1977 (Munique, Alemanha) durante o 11º Congresso Internacional de Contadores, cuja organização passou a ser de responsabilidade do IFAC. É uma organização não governamental, sem fins lucrativos e não política, sediada em Nova York, EUA. Conceitos 07 - Contabilidade Internacional.doc 15/8/2010 Página 1 de 6

2 Em 2005, o IFAC tinha como participantes 157 organizações-membro, em 118 países, representando mais de 2 milhões de contadores. O Brasil é representado no IFAC pelo IBRACON e pelo CFC. O IFAC emite orientações em seis áreas chave, conforme a seguir: 1) Comitê de Padrões de Auditoria Normas Internacionais de Auditoria (International Standards on Auditing)-ISA Os procedimentos de auditoria variam em diferentes países. O Comitê Internacional de Auditoria e Normas de Conformidade (International Auditing and Assurance Standards Board)-IAASB toma conhecimento destes procedimentos e suas diferenças e emite as ISAs, que devem ser utilizadas com as adaptações necessárias. Relatórios de Procedimentos Internacionais de Auditoria (International Auditing Practice Statements)-IAPS Os IAPS são emitidos para dar assistência prática aos auditores na implementação das ISAs e promover sua boa aplicação. Estes relatórios não têm força normativa. Relatórios de Discussão (Discussion Papers) São emitidos periodicamente sobre assuntos de interesse dos auditores. 2) Comitê de Educação Normas Internacionais de Educação (International Education Standards) Orientações Internacionais de Educação (International Education Guidelines) 3) Comitê de Ética Código de Ética (Code of Etics) O Código de Ética para os Profissionais de Contabilidade (Code of Ethics for Professional Accountants) do IFAC pretende servir como um modelo base para as orientações nacionais (dos países). Ele estabelece normas de conduta e princípios fundamentais que devem ser observados pelos profissionais contábeis a fim de alcançarem objetivos comuns. 4) Comitê de Contadores Profissionais para o Gerenciamento de Negócios Relatórios sobre Procedimentos Internacionais de Contabilidade Gerencial (International Management Accounting Practice Statements). Estudos (Studies). Outras Publicações (Other Publications). 5) Comitê do Setor Público Orientações (Guidelines) Edita padrões contábeis internacionais do setor público, incluindo aspectos de auditoria para os governos locais, regionais e nacional. 6) Comitê de Auditores Transnacionais Atua de forma interativa entre firmas de auditoria multinacionais e reguladores internacionais com relação à qualidade dos trabalhos de auditoria e transparência dos atos. Conceitos 07 - Contabilidade Internacional.doc 15/8/2010 Página 2 de 6

3 3. IOSCO A Organização Internacional de Comissões de Valores Mobiliários (International Organization of Securities Commissions) - IOSCO é o órgão representativo das instituições mundiais de regulação de mercado de capitais. O objetivo principal da IOSCO, conforme o preâmbulo de seu estatuto é a cooperação com as comissões de valores mobiliários e/ou órgãos reguladores de mercados de capitais mundiais para assegurar a melhor regulamentação dos mercados domésticos, assim como, em nível internacional, garantir mercados justos e eficientes. Conta com a participação de mais de 115 órgãos reguladores, semelhantes a nossa CVM (que também participa regularmente de suas reuniões, através da Superintendência de Normas Contábeis), e abrange mais de 85% do movimento global do mercado de capitais do mundo. Em sua reunião anual de 1995 (Tóquio), endossou a obrigatoriedade de adoção das normas internacionais de contabilidade editadas pelo IASB pelas companhias que transacionam no mercado de capitais. Tal procedimento, aparentemente, facilitou empresas que pretendiam entrar no mercado norte-americano, cujas Bolsas têm exigido demonstrações contábeis elaboradas com base nos USGAAP ou com saldos reconciliados para adoção dos USGAAP. 4. OECD A Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica (Organization for Economic Cooperation and Development) OECD, criada em 1960, é conhecida como o Clube dos Ricos e conta atualmente com 30 países-membros. Suas publicações abrangem questões econômicas e sociais, tais como macroeconomia, comércio, educação e ciência. A OECD possui um Grupo de Trabalho de Padrões Contábeis, que apóia esforços de entidades regionais, nacionais e internacionais para promover a harmonização contábil e atua como uma espécie de fórum de debates para troca de opiniões com a ONU, no que diz respeito a matéria contábil e relatórios financeiros. Atualmente, a OECD é mais conhecida pela sua atuação na área de tributação, inclusive pela utilização de recomendações em nível de convênios e outros acordos bilaterais. Conceitos 07 - Contabilidade Internacional.doc 15/8/2010 Página 3 de 6

4 5. EU A original Comunidade Econômica Européia (European Economic Community) EEC, atualmente União Européia (European Union) EU surgiu na década de 50, após a 2ª Guerra, pela necessidade dos países europeus de maior integração e fortalecimento, tanto no campo econômico quanto no campo político, e como forma de fazer frente ao poderio econômico cada vez maior dos Estados Unidos da América. O processo de consolidação da União Européia resultou na assinatura do Tratado de Maastricht (1991), que estabeleceu um cronograma de implantação da União Monetária Européia, com a adoção do EURO como moeda de troca entre os países-membros, bem como a criação de um Banco Central próprio. A tentativa de harmonização de princípios contábeis no âmbito da Comunidade Econômica Européia e depois da União Européia foi implementada com a aprovação das diretivas com características supranacionais. Isto equivale a dizer que cada país-membro da comunidade fica obrigado a incluir na sua legislação nacional os princípios básicos de cada diretiva. A 4º e 7º diretivas (1983) trouxeram contribuições significativas para harmonização de normas contábeis na União Européia, que resultaram na recente decisão de que todas as companhias abertas (integrantes do referido bloco econômico) devem preparar, a partir de 2005, suas demonstrações contábeis consolidadas de acordo com as normas internacionais de contabilidade editadas pelo IASB. 6. BSC do BIS O Comitê de Supervisão Bancária (Banking Supervision Committee) BSC do Banco de Compensações Internacionais (International Banking Compensation) BIS, é semelhante ao IOSCO na área bancária internacional, embora funcione mais como uma voz do G-10 (dez países mais ricos) em matéria de regulamentação do sistema financeiro. É uma espécie de Banco Central dos Bancos Centrais, e não tem características especificamente contábeis. Um dos objetivos básicos do BSC é uniformizar as normas aplicáveis às instituições financeiras aplicáveis em seus respectivos países. Não existe obrigatoriedade na adoção das normas do BSC do BIS, mas se um banco do Brasil, por exemplo, quiser abrir uma agência ou subsidiária em outro país (geralmente nos países ricos ou aqueles pertencentes ao G-10, onde o mercado bancário é extremamente ativo), deverá este banco estar em consonância com as normas do BIS, sendo, portanto, obrigatória na prática, considerando-se o atual cenário de mercado globalizado. Destacam-se, entre as normas do BIS, que ditam matéria contábil, as relacionadas com a constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa, a natureza e a composição de reservas entre outras. Conceitos 07 - Contabilidade Internacional.doc 15/8/2010 Página 4 de 6

5 7. CAPA A Confederação de Contadores da Ásia e do Pacífico (The Confederation of Asian and Pacific Accountants) CAPA foi criada em Trata-se do maior organismo regional em matéria contábil. Representa uma organização que congrega 31 entidades contábeis profissionais de 21 países-membros; Austrália, Bangladesh, Canadá, China, Ilhas Fiji, França, Hong-Kong, Índia, Japão, Coréia, Malásia, Mongólia, Nepal, Nova Zelândia, Paquistão, Filipinas, Samoa, Ilhas Solomons, Sri Lanka, Tailândia e Grã-Bretanha. Sua principal missão é o desenvolvimento, aperfeiçoamento, coordenação da profissão contábil na região Ásia/Pacífico, para capacitar a profissão no oferecimento de serviços de alta qualidade e de interesse público. Um dos seus objetivos para alcançar essa missão é; aperfeiçoar os padrões e o desenvolvimento da profissão, por meio da busca de harmonização com pronunciamentos do IFAC e IASB. 8. AIC A Associação Interamericana de Contabilidade (Asociación Interamericana de Contabilidad) AIC é uma organização regional da profissão contábil nas Américas, com 23 países-membros ( Cuba em exílio ). Criada em 1949, seu objetivo é integrar contadores do continente americano e assumir a representação da profissão. Sua missão é a de alcançar uma profissão forte e coerente, no âmbito dos contadores das Américas (Norte, Central e Sul), que cumpra com sua responsabilidade perante a sociedade dentro de um sincero intercâmbio e convivência fraternal. 9. FEE A Federação dos Especialistas Contábeis da Europa (Federation des Experts Comptables Européens) FEE é uma organização profissional de contadores com sede em Bruxelas, com o objetivo de analisar e discutir divergências internacionais no âmbito contábil, de auditoria e tributação. Normalmente, suas propostas, quando aprovadas, são levadas a apreciação da União Européia. Conceitos 07 - Contabilidade Internacional.doc 15/8/2010 Página 5 de 6

6 QUESTIONÁRIO Quais os principais órgãos atuantes no desenvolvimento e uniformização de procedimentos contábeis internacionais? 2. Quais as principais áreas de atuação do IFAC? 3. O que significa IOSCO e qual o seu principal objetivo? 4. Qual a importância da OECD para a contabilidade internacional? 5. Existe semelhança entre o IOSCO e do BIS? 6. Por que a União Européia contribuiu para a harmonização de procedimentos contábeis internacionais? 7. CAPA, AIC e FEE são organismos contábeis regionais ou de âmbito mundial? Onde atuam e quais os seus objetivos? 8. O Brasil participa de algum dos órgãos mencionados anteriormente? Isto é positivo ou negativo, e em que sentido? Conceitos 07 - Contabilidade Internacional.doc 15/8/2010 Página 6 de 6

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