UM ESTUDO SOBRE AS FORMAS GEOMÉTRICAS EM NOSSO COTIDIANO. Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais

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1 UM ESTUDO SOBRE AS FORMAS GEOMÉTRICAS EM NOSSO COTIDIANO Fernanda Lima Ferreira Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais Introdução O presente relato de experiência se refere a um trabalho desenvolvido com alunos jovens e adultos de uma turma iniciante do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos 2º Segmento, também conhecido como PROEF 2, desenvolvido pelo Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional desta UFMG. É parte integrante de uma proposta coletiva de ensino desenvolvida por todos os professores dos diferentes campos do conhecimento e tendo como eixo condutor o tema Identidade. A pergunta que motivou o estudo foi por que, quando se fala em matemática na vida cotidiana, a geometria não é lembrada. A partir dessa questão, desenhou-se com os alunos uma proposta de ensino que tivesse o fim de despertar o olhar desses sobre uma outra matemática que não trata só de números, contas, pesos, horas que considera outros conteúdos, outros modos de perceber o mundo em volta, assim como distintos modos de perceber o que é ou não objeto de estudo e de ensino da matemática e como ela a matemática se faz presente no cotidiano das pessoas. Diante da surpresa dos alunos sobre as potencialidades da matemática, optou-se por trabalhar a geometria, por ser um tema que muitas vezes não é considerado prioritário de se desenvolver com turmas de ensino fundamental. Além disso, pensar a matemática pelo viés da geometria possibilitará aos Trabalho orientado pelas professoras do Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional da UFMG, Denise Araújo e Edna Maria Santana Magalhães, coordenadoras de área (Matemática) e de equipe do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos 2º Segmento/CP/EBAP/UFMG.

2 alunos vivenciar de forma reflexiva e prática os conteúdos matemáticos além de despertar um novo olhar sobre o espaço da cidade em que vivem e, assim, perceberem como a identidade social se constrói a partir de saberes múltiplos de cada pessoa que interage num dado contexto e, apesar da originalidade que caracteriza cada um dos indivíduos de um grupo, há uma pluralidade de pensamentos, de identidades que formam também a identidade de um povo como nação. Assim, IDENTIDADE individual e coletiva são partes integrantes de um indivíduo. Logo, a construção dessa identidade se faz também por elementos outros que se imbricam e se expressam através da cultura, dos saberes, da arte, do modo de ver e estar no mundo. Mas isso não significa a exclusão do único, do original, de um indivíduo. Observar, problematizar e analisar as formas geométricas que os alunos identificam no seu cotidiano possibilitará um diálogo com as outras disciplinas do currículo do ensino fundamental, contribuindo para que a percepção do tema Identidade seja compreendido como um construto que é fluído, mas também concreto e que se reveste de diferentes roupagens, de diferentes modos de ser e de ver; e podem ser traduzidas por linguagens distintas, segundo a abordagem de cada conteúdo ou disciplina escolar (geografia, ciências, história, português, teatro). Justificativa A geometria é um ramo da matemática que estuda formas, tamanho e posição relativa de figuras e suas propriedades no espaço. É uma das áreas mais antigas de estudos da matemática e surgiu da necessidade dos povos de medir terras, construir moradias, templos, monumentos, etc (Oliva, 1981). Apesar de ser uma parte da matemática, nota-se que quando se pergunta aos alunos sobre a matemática do seu dia-a-dia, eles se lembram apenas das horas, do tempo, de números, e não relacionam a geometria nessa listagem. Isso porque não consideram a geometria como matemática e as razões para isso podem ser: não a relacionam à matemática porque não conseguem mensurar a importância desse conhecimento para a realização de diversas atividades em suas vidas; ou porque não a concebem como conhecimento

3 matemático; ou ainda, por não terem um ponto de vista mais crítico sobre a aplicabilidade da geometria no cotidiano, não a enxergam. Segundo Nogueira (2009), a geometria é um dos ramos da matemática que pode estimular o interesse pelo aprendizado dessa ciência, pois pode revelar a realidade que rodeia o aluno, dando oportunidades de desenvolver habilidades criativas. A isto se deve a importância desse estudo: explicitar para os alunos que a geometria, além de ser um conhecimento matemático de fundamental importância para a realização de diferentes atividades práticas no seu cotidiano e está presente em muitos objetos, define modos como eles se movem, se colocam, se fazem sujeitos de saberes matemáticos importantes em diferentes momentos e se constituem como indivíduos. Assim, Considerando que o conhecimento básico da geometria é fundamental para os indivíduos interagirem em seu meio, e também que esse conhecimento compreende conceitos de geometria, suas propriedades e relações simples, os quais deveriam ser introduzidos nas séries iniciais, para que na sequência do ensino fundamental os alunos pudessem compreender de forma significativa seus fundamentos, os professores dessas séries precisam conhecer as ideias fundamentais da geometria e as diferentes maneiras de propiciar contextos favoráveis que levem os alunos à sua aprendizagem (PASSOS, 2000). Por se tratar de uma turma iniciante no nível fundamental II da EJA, serão abordadas apenas as formas geométricas. Espera-se que os alunos (re)conheçam a geometria como matemática e mais, aceitem esse ramo da matemática como algo presente no cotidiano, no corpo, na natureza, na vida deles em geral. Objetivos gerais Foram definidos como objetivos gerais deste projeto de ensino: desenvolver nos alunos a capacidade de observação, de problematização e de análise dos espaços em que vivem/circulam e dos diferentes momentos e ações de sua vida individual e coletiva com vistas a identificarem as diferentes formas geométricas; e desenvolver a compreensão de que a geometria, como campo de conhecimento da matemática, é fundamental para o seu ser e estar no mundo.

4 Metodologia: 1) Produção de um texto individual feito pelos alunos sobre o uso da matemática na vida e no cotidiano deles. 2) Reflexão sobre os textos e discussão sobre a ausência da geometria nesses textos, considerando o conceito geométrico deles. 3) Em grupos, os alunos deverão juntar recortes, desenhos e exemplos de formas geométricas que aparecem em suas vidas. 4) Confecção de cartazes com o material levado pelos alunos. 5) Identificação e agrupamento do material de acordo com os sólidos e figuras geométricas. 6) Estudo desses sólidos e figuras geométricas. 7) Produção de um texto individual falando sobre a geometria no cotidiano deles. Resultados Obtidos e conclusão Esse trabalho ainda está em andamento, mas espera-se com ele alcançar os seguintes produtos: apresentação no projeto de extensão UFMG Jovem 2013; apresentação no Iª FEBRAT - Feira Brasileira de Colégios de Aplicação e Escolas Técnicas na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2013 e também no XVI Semana de Extensão, integrada ao evento UFMG Conhecimento e Cultura. Além disso, pretende-se que este relato de experiência possa ser uma oportunidade de diálogo com outros docentes da área de matemática, como para outros níveis e modalidades de ensino. Para os alunos, espera-se que através desse se desenvolva: a habilidade do trabalho em grupo; a construção de uma nova noção do que é matemática; o entendimento e o questionamento sobre as formas geométricas de cada objeto; uma nova visão sobre como a matemática se faz presente no cotidiano das pessoas e integrada nos espaços construídos pelo homem. Assim, questionamentos como: há uma explicação para uma garrafa de refrigerante ser parte cilindro e parte cone? Isso é uma questão de logística? Essa garrafa poderia ser de outro jeito? A expectativa é que perguntas desse

5 tipo apareçam e crie assim discussões construtivas que estimulem o raciocínio e ainda a participação na discussão coletiva. Por último aqui citado, mas não menos importante, almeja-se o reconhecimento de que a geometria está de fato presente em nossas vidas todos os dias, em todos os lugares e em todos os momentos. Referências Bibliográficas NOGUEIRA, Vandira Loiola. Uso da Geometria no Cotidiano. Disponível em: acesso em 14 maio OLIVA, W.M. Geometria não euclidiana. Revista do professor de matemática. SBM, n.2, p PASSOS, C.M.B. Representações, interpretações e prática pedagógica: a geometria na sala de aula. Tese de doutorado (Universidade Estadual de Campinas Faculdade de educação), 2000.

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