Mudanças Climáticas e Mecanismo de REDD como isso afeta você!

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3 Mudanças Climáticas e Mecanismo de REDD como isso afeta você! 3

4 4 Apresentação As mudanças climáticas que o planeta Terra vem sofrendo é um tema que ganha a cada dia maior relevância na agenda de governos, das empresas e da sociedade como um todo. Embora ainda seja marcado por muita polêmica, o aquecimento do planeta fruto da atividade humana é, hoje, reconhecido pela comunidade científica internacional e demanda grande disposição política para sua mitigação. O clima sempre se modificou e continuará se modificando por razões naturais. Ocasionado pela associação de uma série de gases. O efeito estufa é responsável pela retenção do calor emitido pela Terra, o qual é gerado pela radiação do sol. Se esse mecanismo não existisse a temperatura média no planeta seria 30 graus abaixo dos níveis atuais. Com isso. várias espécies animais e vegetais desapareceriam e a configuração natural de inúmeras áreas habitadas pelos seres humanos seria alterada. Se por um lado o efeito estufa é benéfico, por outro a concentração excessiva de seus gases, especialmente o CO2, acaba formando uma barreira que dificulta a liberação para o espaço da energia refletida pela superfície da Terra. Esse fenômeno, provocado pelo homem, tornou-se conhecido como aquecimento global. Causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, o aquecimento global é hoje responsável por alterações drásticas no clima de todos os continentes e pelo aumento do nível dos oceanos. Segundo cientistas do IPCC concluiu que a grande parte do aquecimento observado nos últimos 50 anos se deve a atividades humanas.

5 As alterações climáticas deverão afetar os sistemas agrícolas e florestais com a subida das temperaturas, de uma elevada concentração de dióxido de carbono, de uma alteração dos regimes das chuvas ou do aumento das ervas daninhas, pragas e doenças. Em curto prazo, a frequência dos eventos meteorológicos extremos, como as secas, as vagas de calor, as inundações e as tempestades violentas, deverá aumentar. Essa cartilha é um instrumento que ajudará a desmistificar esse tema, introduzir conceitos básicos sobre meio ambiente, mudanças climáticas e os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) e Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Bem como despertar sentimentos de responsabilidade perante o meio ambiente a partir da tomada de consciência de que todos fazem parte do ecossistema global e que as ações de cada um refletem em todo o planeta, gerando impacto em toda a humanidade. Resultado de um trabalho da Rede GTA, pelo componente III: Fortalecimento da Sociedade Civil e Movimentos Sociais do Projeto BR 163: Floresta, Desenvolvimento e Participação, que conta com o apoio técnico e a gestão financeira da FAO Brasil, recursos doados pela União Européia e coordenação do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento da Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente este trabalho pretende orientar todas as lideranças e grupos dispostos a desenvolver mais com a temática de mudanças climáticas, bem como os mecanismos de REDD e PSA. 5

6 6 Sumário 8 O que é Mudança Climática? 10 Causas da crise climática 12 O desmatamento e a mudança climática 14 Impactos da mudança do clima na saúde e bem-estar da população 15 O que é IPCC? 16 Tratados e Acordos Internacionais 18 Acordo de Copenhague e Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC 20 Plano Nacional sobre Mudanças do Clima 22 Fundo Nacional de Mudança Climática (Fundo Clima) 23 Impactos das Mudanças Climáticas que podem afetar você diretamente, ou já afetam. 24 O que é mitigação? 26 O que é REDD? 27 Quando surgiu o REDD?

7 29 O que é o Fundo Amazônia? 30 REDD e populações da floresta 31 Riscos do REDD 32 Oportunidades do REDD 33 Existe um programa nacional de REDD+? 34 O que são Serviços Ambientais? 36 Categorização dos Serviços Ambientais 42 Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) 7

8 8 O que é mudança climática? Segundo cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) a mudança do clima é o resultado de um processo de acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera do planeta, que está em curso desde a revolução industrial. Como consequência desse processo a Terra vem aquecendo, estudos mostram que já houve um aumento de 0,7 graus Celsius e estimase que a temperatura média do planeta poderá elevar-se até mais de 2 graus (em alguns locais a temperatura poderá ser de mais de 5 ou 6 graus). Uma mudança na temperatura média do nosso planeta, com essa proporção, tem o potencial para causar grandes impactos sobre todas as formas de vida na Terra.

9 Intensificação do processo de mudança do clima Desde a Revolução Industrial, quando o mundo iniciou um processo acelerado de desenvolvimento o qual demanda grande consumo de fontes poluente de energia, a temperatura do planeta aumentou. Estudiosos apontam para um incremento de aproximadamente 39%. Desde então, a atmosfera tem retido calor, gerando, consequentemente, o efeito estufa, que são gases poluentes emitidos no ar como o dióxido de carbono (CO2), o metano e o óxido nitroso. 9

10 10 Causas da crise climática As principais fontes dos gases poluentes causadores do efeito estufa são a queima de combustíveis fósseis, ou seja, gás natural, carvão e petróleo, provenientes, na maioria das vezes, de termelétricas, indústrias, automóveis, aviões, carros e motos, e do desmatamento das florestas. A duração desses gases na atmosfera é longa. No mínimo cem anos, o que implica em uma alteração climática também de longo tempo.

11 Maiores emissões de gases de efeito estufa Os países desenvolvidos são, historicamente, os maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. Os Estados Unidos é o país líder no envio desses gases para a atmosfera. Porém, atualmente, países como China, Índia e Brasil, que estão em desenvolvimento ocupam também a posição dos grandes emissores. Isso se dá em função das mudanças no uso da terra, ou seja, a floresta que vai dando lugar à pastagem e agricultura, práticas que liberam uma grande quantidade de CO2 para a atmosfera contribuindo, assim, para o aquecimento global. Mesmo assim, ao calcular o total de emissões de um país dividido pelo tamanho de sua população, suas emissões continuam sendo mais baixas do que os países desenvolvidos ou industrializados. 11

12 12 O desmatamento e a mudança climática Nos últimos anos as florestas brasileiras estão sendo desmatadas para darem lugar à pastagem e ao cultivo de produtos agrícolas, especialmente a soja. A retirada da cobertura florestal causa alterações no regime de chuvas, tornando o clima mais extremo. O desmatamento, a exploração madeireira e os incêndios florestais causam o aumento das emissões de carbono oriundas das mudanças no uso do solo, diminuição da biodiversidade, alteração do ciclo hidrológico, que diminui a quantidade de água que a vegetação libera para a atmosfera (evapotranspiração) e, consequentemente, reduz o volume das chuvas, entre outras causas. Todos estes fatores potencializados pelo aquecimento global tornam mais intensos e frequentes os fenômenos de grande impacto ao meio ambiente, como seca, enchente, furacão, etc.

13 Impactos ambientais da alteração climática Os impactos previstos como consequência da mudança climática são muitos. É possível perceber essa reação nos eventos cotidianos tais como variação da temperatura do ano, frequência das chuvas e intensidade da seca e, também, em situações mais extremas, incidência de furações, enchentes, desertificação, fortes tempestades, derretimento de geleiras, aumento do nível dos oceanos e incêndios florestais. Algumas projeções indicam também que os efeitos da crise do clima afetam também a vida ecossistêmica colocando em risco a sobrevivência de várias espécies de animais, peixes, pássaros, insetos e plantas. 13

14 14 Impactos da mudança do clima na saúde e bemestar da população Além de contribuir para a proliferação de doenças respiratórias, insolação e doenças transmitidas por mosquitos da dengue e malária, a crise climática pode provocar o deslocamento populacional. Comunidades ribeirinhas podem ter suas casas alagadas, pequenos agricultores podem sofrer com a alteração do uso do solo inviabilizando a produção de alguns alimentos e povos indígenas podem ter dificuldades para a caça e a pesca.

15 O que é IPCC? Segundo o IPCC as principais causas das mudanças climáticas estão relacionadas à ação humana. A rapidez do aumento do índice de alteração dessas mudanças e as graves consequências são alertas para cuidarmos mais do nosso planeta. O relatório divulgado pelo IPCC afirma que o aumento de temperatura observado desde a metade do século 20 é resultado do aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, provocados por atividades humanas. O IPCC é a sigla para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima, ele foi criado em 1988 no âmbito das Nações Unidas, para dar início ao processo de análise e avaliação dos efeitos da mudança climática. As pesquisas no IPCC são debatidas por cientistas, representantes dos países-membros do Painel, incluindo o Brasil. 15

16 16 Tratados e acordos Internacionais A Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (em inglês UNFCCC), foi estabelecida em 1992, e teve como objetivo principal afirmar o comprometimento dos países com metas de estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera. Essa Convenção reconhece que os países desenvolvidos são os maiores responsáveis pelo aumento das emissões globais de gases de efeito estufa. Dessa forma, cabe a esse grupo de países o estabelecimento de medidas de redução de suas emissões, assim como o investimento em projetos de conservação ambiental e de captura de carbono em países em desenvolvimento, como o Brasil. O funcionamento dessa Convenção acontece por meio da sua Conferência das Partes (COP), que acontece anualmente, reunindo os grupos de apoio técnico e administrativo. Em 2012 será realizada a COP 18 no Catar. COP É o órgão supremo da Convenção que tem como uma de suas principais atribuições a elaboração de propostas para a implementação da Convenção e o acompanhamento das ações empreendidas pelos países-parte para que os objetivos da Convenção sejam alcançados.

17 Protocolo de Quioto Em 1997 foi celebrado o Protocolo de Quioto, que ganhou esse nome, pois foi firmado na cidade de Quioto no Japão, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esse documento estabeleceu metas obrigatórias de redução de 5% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), tendo como ano base as emissões de Os países desenvolvidos assumiram diferentes metas percentuais de redução dentro da meta global estabelecida. O Brasil, mesmo não fazendo desses países estabeleceu voluntariamente metas próprias para redução de emissões em território nacional, durante a COP 15 em O Protocolo de Quioto também estabeleceu três novos mecanismos, para auxiliar os países a alcançarem suas metas de redução: o Mecanismo de Implementação Conjunta, o Mecanismo de desenvolvimento Limpo (MDL) e o Comércio de Emissões. Por meio dos MDLs e do comércio de emissões, países desenvolvidos podem comprar créditos de carbono constituídos em projetos realizados em países em desenvolvimento como forma de balancear suas emissões. 17

18 18 Acordo de Copenhague e Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC Em 2009 foi realizada a 15ª Conferência das Partes (COP-15) em Copenhague, na Dinamarca, onde foi firmado esse Acordo internacional. Ele recomendou aos países que assinaram a Convenção do Clima que adotassem Ações Nacionais de Mitigação à Mudanças do Clima. Além disso, foi apresentado um guia para o desenvolvimento de atividades relacionadas à Redução de Emissões por desmatamento e Degradação Florestal e Conservação (REDD+) e para o fortalecimento dos estoques de carbono nos países em desenvolvimento.

19 Ainda em 2009 o Brasil instituiu sua Política Nacional sobre Mudança do Clima PNMC, através da Lei Federal n , de dezembro de Essa orientada pelo princípio da precaução e do desenvolvimento sustentável, ela conta com quatro fóruns de articulação institucional: a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC), o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), o grupo Executivo sobre Mudança do Clima (GEX) e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC). Essa Política possui ainda três instrumentos que auxiliam a sua execução: Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança no Clima, o Plano Nacional sobre Mudança do Clima e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. 19

20 20 Plano Nacional sobre Mudança do Clima Tem como objetivo principal incentivar o desenvolvimento e o aprimoramento de ações de mitigação no Brasil, como forma de colaborar com o esforço mundial de redução das emissões de gases de efeito estufa e desenvolver condições para que o Brasil possa gerenciar os impactos das mudanças climáticas em seu território. O Plano possui quatro eixos: Oportunidades de mitigação; Impactos, vunerabilidades e adaptação; Pesquisa e desenvolvimento; Educação,capacitação e comunicação.

21 Os diferentes setores econômicos nacionais devem desenvolver os seus planos setoriais de mitigação e adaptação às Mudanças Climáticas, para tanto esses planos devem apontar: a meta de redução de emissões até o período de 2020, para cada setor, incluindo metas com intervalo máximo de três anos. Vulnerabilidade: Significa o quanto um sistema tem de capacidade de lidar com mudanças adversas do clima (Ex: População ribeirinha vive em um local com alto grau de Vulnerabilidade as alterações climáticas, como em grandes cheias de rios e enchentes). 21

22 22 Fundo Nacional de Mudança do Clima (Fundo Clima) O Fundo Clima constitui um dos principais instrumentos de promoção e financiamento das atividades ligadas à Política Nacional sobre Mudança do Clima. Foi regulamentado pelo Decreto nº 7.343, de 26 de outubro de 2010, o Fundo tem como objetivo assegurar recursos de apoio a projetos ou estudos e financiamento para empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação aos efeitos da mudança do clima. Os recursos podem ser aplicados em apoio financeiro reembolsável e não-reembolsável. Este Fundo é gerido por um Comitê Gestor, presidido pelo Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que conta ainda com a participação de 10 representantes de ministérios, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), comunidade científica, Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, organizações não governamentais com atuação na área climática, representantes dos setores industrial, rural, dos governos estaduais e municipais e dos trabalhadores da área rural e urbana.

23 Impactos das Mudanças Climáticas que podem afetar você diretamente, ou já afetam. Na Amazônia brasileira, só nos últimos cinco anos ocorreram duas grandes secas, em 2005 e Além disso, uma das piores enchentes já vistas, no ano de 2006, ocorrendo logo após a seca extrema do ano anterior. Afetando diversas comunidades e setores da vida humana, como o transporte, agricultura, saúde pública e saneamento, esses eventos trouxeram impactos significativo na vida das pessoas e na economia. O interior da região nordeste do país também está entre as mais vulneráveis á mudança do clima. Conhecido como Semi-árido ou sertão, o alto potencial de evaporação deste local combinado com o aumento da temperatura causaria a diminuição de lagos, açudes e reservatórios, além de contribuir para a redução do nível dos rios e riachos. Dentro das zonas urbanas esses impactos também vem acontecendo cada vez mais, eventos extremos como chuvas mais intensas ocasionaram cada vez mais o risco de deslizamentos em morros desmatados, afetando as populações que moram nestes lugares. As inundações e grandes centros urbanos também se tornam mais frequentes. 23

24 24 O que é mitigação? Intervenção humana com o intuito de reduzir ou remediar um determinado impacto negativo. Como mitigar a alteração Climática As atividades de reflorestamento são exemplos de ações que promovem a diminuição da concentração desses gases na atmosfera, desempenhando um importante papel no combate à intensificação do efeito estufa, por meio da remoção ou sequestro de CO2 da atmosfera. Isso é possível graças à fotossíntese, que permite a fixação do carbono nos troncos, galhos, folhas, raízes das plantas e no solo. Conclui-se, então, que a floresta em pé é fundamental para manter o equilíbrio climático.

25 Exemplos de atividades de reflorestamento A atividade de reflorestamento foi reconhecida pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e pelo Protocolo de Quioto como medida mitigadora de grande importância no combate à mudança climática. O reflorestamento pode ser estimulado pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que é o investimento, por parte dos países, em projetos que contribuam para o desenvolvimento sustentável e para a redução ou captura de emissões de gases. As nações envolvidas com esse tipo de ação recebem certificados de redução de emissões emitidos pelo Conselho Executivo do MDL e que podem ser negociados no mercado global. Recentemente as atividades de reflorestamento foram também incorporadas no conceito de REDD+ - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, o qual prevê ações que promovam o aumento dos estoques de carbono em países em desenvolvimento. 25

26 26 O que é REDD? A sigla REDD quer dizer Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. É o mecanismo adotado para incentivar financeiramente aqueles que mantem as florestas em pé, sem desmatar, e com isso, evitar as emissões de gases de efeito estufa. O que é REDD+ É o conceito de REDD adicionado a atribuição de valores de compensação a práticas de conservação, manejo sustentável de florestas e aumento de seus estoques de carbono florestal em países em desenvolvimento.

27 Quando surgiu o REDD? A sigla REDD surgiu na COP13 em Porém, países participantes e observadores (Ex: Organizações não governamentais) da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima vêm discutindo, desde 2003, a criação de incentivos para a redução de emissões de desmatamento e degradação florestal em países em desenvolvimento. 27

28 28 REDD no Brasil O Brasil é um dos atores chaves nos debates de REDD por ser detentor da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, e por ter taxas de desmatamento cada vez maiores. Já existem hoje iniciativas de REDD apoiadas pelo Fundo Amazônia e por organizações não governamentais. Alguns projetos em fase de aprovação e outros já em fase de execução. Além disso, existem ações com financiamentos provenientes de outras fontes.

29 O que é o Fundo Amazônia? O Fundo Amazônia tem por finalidade captar doações de investimentos não-reembolsáveis, para promoção de projetos de prevenção, monitoramento, combate ao desmatamento, conservação e uso sustentável das florestas no bioma amazônico. Atualmente o Fundo Amazônia tem 28 projetos aprovados. Tais projetos têm em vista um apoio do BNDES, para ações de combate ao desmatamento, cadastramento e levantamento de dados ambientais e fundiários de propriedades rurais (especialmente em regiões com altos índices de desmatamento), recuperação de áreas degradadas, uso sustentável da floresta e promoção de atividades sustentáveis para as populações locais. 29

30 30 REDD e populações da floresta As comunidades tradicionais e os povos indígenas são os grandes responsáveis pela defesa das florestas. Essas populações vêm desempenhando um papel fundamental no sentido de evitar emissões de gases de efeito estufa por meio do desmatamento evitado em seus territórios. As áreas protegidas (AP) na Amazônia Brasileira, onde vivem os povos das florestas, possuem efeito inibidor do desmatamento dentro e fora dos seus limites.

31 Riscos do REDD As iniciativas de REDD quando realizadas de maneira indevida podem gerar impactos como: a transferência do desmatamento para outra região da floresta ou outro país que não contempla um programa ou projeto de REDD, a não garantia do envolvimento e participação dos povos da floresta na construção de políticas e projetos de REDD, a incerteza de que os recursos serão direcionados de fato aos responsáveis pela conservação da floresta - povos indígenas e comunidades tradicionais. 31

32 32 Oportunidades do REDD O mecanismo de REDD pode ser uma alternativa para manter o equilíbrio climático, frear o desmatamento, reduzir as emissões de gases de efeito estufa à atmosfera, incentivar a atividade de reflorestamento, contribuir para a proteção dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem e dependem da natureza para sobreviver, preservar a Fauna e Flora silvestres e dar subsídios para melhorar as condições socioeconômicas dos povos da floresta, valorizando seu papel de atores responsáveis pela conservação da floresta.

33 Existe um programa nacional de REDD+? O Ministério do Meio Ambiente está em processo de desenvolvimento de uma Estratégia Nacional de REDD+. Um debate com a sociedade civil, setor privado e demais atores envolvidos na temática foi iniciado em 2010 e por meio de grupos de trabalho esses atores elaboraram um documento norteador para apoiar a criação de um marco regulatório. Esse processo ainda está em andamento e a expectativa é que um marco legal seja construído para garantir o direito dos povos da floresta. 33

34 34 O que são Serviços Ambientais? Os serviços ambientais (também conhecidos como serviços ecossistêmicos) são benefícios prestados pela natureza que favorecem o homem e o funcionamento da vida no planeta como um todo. São os resultados de todas as interações existentes na natureza e que proporcionam qualidade de vida para todos os seres vivos. Estes serviços incluem produtos obtidos diretamente do meio ambiente, por exemplo, alimentos, água e remédios e serviços de regulação, como a manutenção da biodiversidade, a manutenção das chuvas, proteção do solo, da erosão, polinização, absorção de CO2, serviços culturais entre outros. Embora não tenham um preço estabelecido, os serviços ambientais são muito valiosos para o bemestar e para própria sobrevivência da humanidade, pois dos serviços ambientais, dependem a agricultura (que demanda solos férteis, polinização, chuva e outros) e a indústria (que precisa de combustível, água, matérias primas de qualidade etc.)

35 Quanto trabalho custaria para o agricultor fazer o serviço de polinização (que as abelhas fazem sem cobrar) garantindo uma boa produtividade? Quanto esforço e tempo seriam necessários para transformar toda a matéria orgânica que existe em uma floresta em nutrientes disponíveis para as plantas, se não existissem os seres da natureza (decompositores) que o fazem de graça? Quantas máquinas seriam necessárias para prestar o serviço de produzir oxigênio e purificar o ar, serviço que as plantas e as algas fazem diariamente? Quanto vale todos esses serviços que a natureza faz? 35

36 36 Categorização dos Serviços Ambientais: Tipos de Seviços Ambientais Alimentos (Cultivos, gado, pesca, alimentos silvestres) Serviços de Provisão Fibras (Madeira, algodão, seda) Recursos Genéticos Bioquímicos. remédios naturais, produtos farmacéuticos Água doce Regulação da qualidade do ar Regulação do Clima (global, regional e local) Regulação da água Serviços de Regulação Regulação da erosão Purificação da água Controle de doenças e pragas Polinização Serviços Culturais Serviços Apoiadores Controle contra desastres naturais Valor espiritual e religioso Valor estético Recreação e ecoturismo Formação dos solos e minérios Fotossíntese Ciclagem de nutrientes

37 Os serviços de provisão são produtos dos ecossistemas e incluem, por exemplo, produtos madeireiros e não-madeireiros das florestas ou frutos do mar. Exemplos de Serviços Ambientais de Provisão Alimentos Fibras Bioquímicos Água Doce 37

38 38 Exemplos de Serviço Ambientais de Regulação: Erosão Erosão é o arraste do solo e das rochas causado principalmente pela chuva. O solo sofre uma desagregação com o impacto da gota de chuva, que depois arrasta-o. Faça o teste, pegue 3 garrafas pets, faça o corte nelas conforme o ilustrado. Em uma das garrafas coloque uma terra com grama, no segundo terra com matéria orgânica (folhas, galhos, etc) e no terceiro apenas terra. Na boca da garrafa coloque um copo para que a água escora nele. Depois é só despejar um pouco de água em cima e ver o resultado. Se o terreno possui cobertura vegetal, ocorrerá diminuição do impacto da chuva e a velocidade da chuva no solo será menor devido aos obstáculos. Como consequência, temos a purificação das águas dos rios e lagos garantindo assim, uma água de qualidade.

39 Exemplos de serviços ambientais de regulação: biodiversidade O termo biodiversidade pode ser definido como a diversidade da vida, ou seja, a variedade e a variabilidade existente entre os organismos vivos e as relações ecológicas nas quais elas ocorrem. A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas, sendo maior nas regiões tropicais do que nos climas temperados. A Floresta Amazônica é muito rica em biodiversidade. Por exemplo, a Bacia Amazônica possui mais que um terço de todas as espécies vivas do planeta. Um hectare desta floresta pode conter mais do que 300 espécies de árvores! A biodiversidade fornece alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima que é utilizada por todos nós. 39

40 40 Exemplos de Serviço Ambientais de Regulação: Manutenção das Chuvas e do Clima A chuva que cai na Amazônia é, basicamente, o resultado do somatório da umidade que vem do Oceano Atlântico com a transpiração das plantas e a evaporação da água dos rios e lagos. Até 40% da precipitação na Amazônia deriva da transpiração da própria Floresta. Grande parte da umidade amazônica é levada até a região centro-oeste, sudeste e sul do Brasil, sob a forma de vapor d agua, através de correntes de ar. São verdadeiros rios voadores que fazem chover nessas regiões garantindo a produção agrícola. 1 árvore amazônica, com copa de 10m de diâmetro, pode bombear para a atmosfera cerca de 300L de água por dia.

41 3 Essa umidade avança em sentido oeste até a Cordilheira dos Andes. Durante essa trajetória, o vapor d agua sofre uma recirculação ao passar sobre a floresta. 2 A intensa evapotranspiração e condensação sobre a Amazônia produz a sucção dos alíseos, bombeando esses ventos para o interior do continente, gerando chuvas e fazendo mover os rios voadores. 4 Quando a umidade encontra a Cordilheira dos Andes, parte dela se precipitará novamente, formando as cabeceiras dos rios da Amazõnia 6 Na fase final, os rios voadores ainda podem alimentar os reservatórios de água do Sudeste e da Região Sul, se dispersando pelos países fronteiriços, como Paraguai e Argentina Na faixa equatorial do Oceano Atlântico ocorre intensa evaporação. É lá que o vento carrega-se de umidade. A umidade que atinge a região andina em parte retorna ao Brasil por meio dos rios voadores e pode precipitar em outras regiões. Segundo os dados coletados pelo pesquisador Gérard Moss, a quantidade de vapor de água transportada pelos rios voadores pode ter o mesmo volume, ou mais, que a vazão do próprio rio Amazonas ( m3/s), parte disso é realizado pelos serviços prestados da floresta! A derrubada das matas e substituição por pastos diminuem a transpiração e a umidade, podendo levar mudanças sérias no clima brasileiro

42 42 Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Colocar preço em uma determinada porção de floresta sempre levou em consideração somente os produtos que, de lá, poderiam ser extraídos. Entrava nesta conta ganhos com venda de madeira, atividade agropecuária (exercida na área desflorestada) etc. Os serviços ambientais, embora essenciais, nunca foram incluídos nos cálculos. Um exemplo disso é o fato de que propriedades rurais desmatadas são mais valorizadas do que aquelas preservadas. No entanto, já entendemos que os serviços ambientais são fundamentais para a manutenção da vida e que as florestas são muito importantes nesse processo. Então, agora podemos discutir como a preservação das florestas pode ser associada a sistema de pagamentos por serviços ambientais (PSA). Desta forma, comunidades tradicionais (índios, ribeirinhos, quilombolas, etc) que vivem da floresta podem receber incentivos para não desmatar e/ou investimentos para manejar sustentavelmente a floresta. O proprietário de uma fazenda com produção agropecuária poderia substituir sua atividade econômica pela prestação de serviços ambientais, bastando, para tanto, recuperar e conservar o ecossistema original da propriedade.

43 Mas quem paga essa conta? Uma das primeiras perguntas que vem à cabeça, quando o assunto é PSA, é quem vai pagar pelos serviços ambientais? Afinal de contas, era um custo até então inexistente. Quem deve pagar por um determinado serviço é quem usufrui do mesmo, concorda? Trata-se, portanto, de um custo que deve ser assumido por toda a sociedade. 43

44 44 Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Para que o PSA tenha sentido, evidentemente, a preservação do meio ambiente tem de ser mais lucrativa do que sua destruição. Ou seja, os ganhos recebidos pelo prestador de serviços ecológicos têm de ser mais significativos do que seria potencialmente obtido com outras atividades econômicas. Esta equação, contudo, não é tão fácil de se resolver. Para que se crie um mecanismo de pagamento por serviços ambientais pelo menos quatro condições tem que ocorrer: 1. Serviço ambiental definido (o produto): Deve existir um serviço ambiental muito bem definido (como os que discutimos na Seção 1) cuja manutenção seja de interesse para alguém. Este será o produto a ser comercializado. 2. Pagador ou comprador: Alguém (uma pessoa ou grupo de pessoas) que está disposto a pagar por este produto, no caso a conservação do serviço ambiental específico. 3. Provedor ou recebedor: Alguém (uma pessoa ou grupo de pessoas) que recebe um recurso financeiro ou benefício pelo compromisso e prática de manter determinado serviço ambiental.

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