Estudo 4 - Oportunidades de Negócios em Segmentos Produtivos Nacionais

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1 Centro de Gestão e Estudos Estratégicos Ciência, Tecnologia e Inovação Prospecção Tecnológica Mudança do Clima Estudo 4 - Oportunidades de Negócios em Segmentos Produtivos Nacionais Giselda Durigan Instituto Florestal Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo Agosto de 2004

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3 Mudança do Clima Prospecção Tecnológica ESTIMATIVAS DE ESTOQUE DE CARBONO NA VEGETAÇÃO NATURAL DO ESTADO DE SÃO PAULO Giselda Durigan Pesq. Cient. VI, Instituto Florestal, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo O Estado de São Paulo situa-se na região climática do planeta em que os processos de absorção de carbono atmosférico pela vegetação natural através da fotossíntese são mais rápidos, com taxas ao redor de 4t/ha/ano. Para efeito de comparação, no Canadá essas taxas são inferiores a 1t/ha/ano. A maior ou menor rapidez de absorção depende, acima de tudo, da temperatura, mas varia com a capacidade de suporte do meio (disponibilidade de água e nutrientes), com o tipo de vegetação (florestas homogêneas geneticamente melhoradas podem fixar até 10 vezes mais rapidamente que florestas naturais, por exemplo) e, também, segundo informações recentes, com a concentração de carbono na atmosfera (com o aumento da concentração, a fixação é mais rápida). Todavia, a quantidade total de carbono que pode ser mantida na forma de bioomassa viva por área independe da velocidade de absorção e é determinada, essencialmente, pela capacidade de suporte do meio, principalmente disponibilidade de água e, também, de nutrientes. Dentro do Estado de São Paulo, há uma grande variação na disponibilidade desses recursos entre regiões, que condiciona a existência de uma ampla gama de tipos de vegetação natural, que vai desde os campos (na região de Itararé), passando pelas diferentes fisionomias de cerrado (campo sujo, campo cerrado, cerrado típico e cerradão) e pelos diferentes sub-tipos da mata atlântica (floresta ombrófila densa, floresta ombrófila mista e floresta estacional semidecidual) e ainda há as pequenas áreas de mangue e restinga. Dentre esses tipos todos predominam hoje, em área coberta, a floresta ombrófila densa, a floresta estacional semidecidual e o cerradão. 3

4 Àquele gradiente vegetacional há um gradiente correspondente de biomassa e, portanto, de capacidade de fixação de carbono. Há, também, um gradiente de partição da biomassa entre sistema radicular e parte aérea, de modo que quanto maior a disponibilidade de água e nutrientes, menor a proporção correspondente às raízes na distribuição de biomassa nas plantas. Não bastassem esses fatores determinantes da capacidade de fixação de carbono pelos diferentes tipos de vegetação, há ainda um gradiente secundário, vinculado ao estádio sucessional da vegetação, especialmente no caso das florestas. Uma floresta em processo inicial de sucessão secundária tem menor volume de madeira e maior concentração de espécies pioneiras, cuja madeira é de baixa densidade, em comparação com florestas maduras. Assim, o estoque de carbono é muito variável entre os diferentes tipos de vegetação, mas é possível fazer algumas estimativas, a partir das informações disponíveis no momento. Com base em dados dendrométricos (DAP e altura total das árvores) obtidos em levantamentos fitossociológicos de diferentes tipos de vegetação arbórea no Estado de São Paulo, efetuaram-se algumas estimativas de biomassa e estoque de carbono. Como ferramentas auxiliares nessas estimativas, lançouse mão de equações volumétricas obtidas em plantios experimentais com essências nativas (dados não publicados), de valores médios de densidade da madeira de árvores nativas (obtidos na literatura, com uma média de 05g/cm3 para cerrado e 0,7g/cm3 para florestas) e de proporções raiz/parte aérea (também obtidos na literatura, de um mínimo de 15% para florestas a 50% em cerrado típico). Obteve-se, para floresta estacional semidecidual em bom estado de conservação e em site de qualidade superior, 234 toneladas de biomassa por hectare. Para mata ciliar em região de cerradão, 120 toneladas por hectare, para cerradão 90 e para cerrado típico 45 toneladas por hectare (dados não publicados). Após as análises destes e de outros conjuntos de dados, verificou-se que há uma correlação estreita entre o peso de biomassa seca (raízes e parte aérea), 4

5 Mudança do Clima Prospecção Tecnológica em t/ha, e a área basal da vegetação lenhosa, expressa em m 2 /ha. A menor altura das árvores em sites de pior qualidade é compensada pela maior biomassa em copa e raízes, mantendo a proporção. Para as florestas de São Paulo a biomassa gira em torno de seis vezes a área basal e para formas campestres de cerrado gira em torno de três vezes. Assim, o gradiente de biomassa dos diferentes tipos de vegetação no Estado de São Paulo varia desde 30t/ha nos campos cerrados de Itirapina, passando por cerca de 50t/ha nos cerrados típicos, 100t/ha nos cerradões do oeste do estado, cerca de 200t/ha nas florestas da Serra do Mar e ao redor de 250t/ha em alguns poucos remanescentes de floresta estacional semidecidual sobre solos de alta fertilidade e em bom estado de conservação. A maioria dos levantamentos fitossociológicos de florestas maduras no Estado de São Paulo aponta área basal entre 30 e 40m 2 /ha, que corresponderiam a valores entre 180 a 240t/ha de biomassa seca (raiz e parte aérea) por hectare e, naturalmente, à metade disso em carbono. Para cerrado típico a área basal está entre 10 e 15 m 2 /ha e para cerradão entre 18 e 23 m 2 /ha. Tomando-se 100 toneladas de carbono por hectare como um valor médio, as florestas naturais remanescentes no estado, ocupando cerca de ha (dados gerados pelo Instituto Florestal), teriam um estoque de carbono ao redor de 325 milhões de toneladas, dos quais 22,3% encontram-se protegidos na forma de unidades de conservação. Nos remanescentes de cerrado (predominantemente cerradão), que ocupam aproximadamente hectares, estariam armazenadas em torno de 30 toneladas de carbono por hectare, o que resultaria em cerca de seis milhões de toneladas de carbono (4% em unidades de conservação). Estudos de dinâmica do cerrado em regeneração e de plantios de restauração de florestas fornecem, ainda, estimativas da taxa de acúmulo de biomassa ou de fixação de carbono. Há dados para o cerradão, com o incremento de biomassa entre 2 a 4t/ha/ano (1 a 2t de carbono/ha/ano), enquanto para matas ciliares plantadas em solos férteis os valores chegam a atingir 12t/ha/ano (6t de carbono/ha/ano). 5

6 Todos esses valores são estimados e servem, nesse momento, para que se tenha uma visão panorâmica do papel dos remanescentes de vegetação natural e de plantios de restauração, no Estado, como sumidouros de carbono. A cobertura florestal do Estado de São Paulo, pela primeira vez na história, aumentou nos últimos anos e a proteção aos remanescentes tem possibilitado que florestas degradadas se recuperem e avancem no processo sucessional. Essas transformações resultam em um processo crescente de fixação de carbono, de dimensões desconhecidas, até que essas florestas atinjam o limite possível de biomassa em pé para a condição ambiental em que se encontram. Naturalmente, cálculos precisos de estoque e fixação de carbono exigiriam o mapeamento cuidadoso dos diferentes tipos de vegetação e das unidades fisionômicas ou sucessionais em cada um deles, seguido de amostragem representativa de biomassa em cada uma das unidades mapeadas. Embora se trate de um trabalho de proporções gigantescas, basta refinar o mapeamento já existente para o Estado (é preciso separar as classes sucessionais e fisionomias) e as amostragens de campo em remanescentes de vegetação natural, embora trabalhosas, podem ser feitas rapidamente se houver mobilização de recursos e esforços para sua execução. 6

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