UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE MORRINHOS LICENCIATURA PLENA EM HISTÓRIA CARMEM LUCIA CABRAL

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE MORRINHOS LICENCIATURA PLENA EM HISTÓRIA CARMEM LUCIA CABRAL HISTÓRIA, MODERNIZAÇÃO, AGRICULTURA E PECUÁRIA NO SUL DE GOIÁS: UM ESTUDO DE CASO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA EM MORRINHOS-GO 1970/2000 Morrinhos 2008

2 Cabral, Carmem Lucia. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS - UEG Biblioteca Professor Sebastião França Ficha Catalográfica na Fonte História, modernização, agricultura e pecuária no Sul de Goiás: um estudo de caso sobre o desenvolvimento da agropecuária em Morrinhos-GO 1970/2000. Carmem Lucia Cabral. Morrinhos, f. il. Trabalho de conclusão de curso apresentado à Universidade Estadual de Goiás UEG, Unidade de Morrinhos como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado no Curso de Licenciatura Plena em História. Orientador: Professor Doutor Hamilton Afonso de Oliveira. 1. Agricultura, Goiás. 2. Agropecuária, Goiás, 3. Desenvolvimento agropecuário, Goiás. 4. Trabalho de Conclusão de Curso. 5. TCC. cdu: 631/635:33(817.3) cutter: C117h

3 CARMEM LUCIA CABRAL HISTÓRIA, MODERNIZAÇÃO, AGRICULTURA E PECUÁRIA NO SUL DE GOIÁS: UM ESTUDO DE CASO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA EM MORRINHOS-GO 1970/2000 Monografia apresentada como parte dos requisitos indispensáveis à conclusão do Curso de Licenciatura Plena em História, pela Universidade Estadual de Goiás - Unidade Morrinhos. Orientador: Prof. Dr. Hamilton Afonso de Oliveira Morrinhos 2008

4 CARMEM LUCIA CABRAL A ECONOMIA NO SUL DE GOIÁS NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX: O DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO NA REGIÃO DE MORRINHOS Monografia apresentada A Universidade Estadual de Goiás Unidade Morrinhos para obtenção do título de Graduação. Área de Concentração: Econômica. Banca Examinadora: Morrinhos (GO), de de Profº. Dr. Hamilton Afonso de Oliveira. Profª. MS. Maria de Fátima Palhares Alexandre.

5 Aos meus pais Jorge Cabral e Lazara Martins Cabral (In memória) por tem me concedido o dom da vida.

6 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por estar sempre me abençoando e fazendo de mim ima fortaleza para que eu pudesse superar todas as dificuldades que ocorreram durante minha vida acadêmica. A toda minha família por estar sempre presente ao meu lado nos momentos mais difíceis. Ao meu amado esposo e cúmplice, Ricardo Jesus de Almeida, que sempre esteve ao meu lado incentivando para que eu cursasse esta faculdade, com a finalidade de me tornar uma pessoa mais preparada para encarar o mundo de uma forma mais tranqüila. Aos meus irmãos Ailton, Abadio, Fátima e Amilton que me incentivaram e colaboraram dando força e coragem para que eu pudesse concluir esta jornada. Agradeço ainda a todos os professores da instituição pertencentes ao curso de História que me ajudaram a tornar uma pessoa mais instruída e preparada para a vida e ainda por terem me ajudado no momento mais difícil de minha vida. Agradeço portanto, o carinho, a solidariedade e a amizade prestados naqueles momentos e durante todo o curso. Um agradecimento muito especial ao meu Professor Dr. Hamilton Afonso de Oliveira, por ter aceitado ser meu orientador para a elaboração deste trabalho, sendo paciente, dedicado, verdadeiro e estando sempre pronto para ajudar. Também agradeço aos meus pais Jorge Pedro Cabral e Lázara Martins Cabral (in memória) por terem me proporcionado a alegria de pertencer a uma família tão linda com alicerces construídos à base do amor, da compreensão, do carinho e da honestidade. Agradeço de forma especial e carinhosa à minha querida mamãe que me acompanhou durante uma parte da minha vida acadêmica, mas que, atendendo a vontade de nosso pai celestial não pode estar aqui neste momento para me abraçar. Espero ainda que ela esteja muito feliz ao lado de Deus, torcendo pra que o sucesso almejado seja alcançado. Por fim agradeço a todos os amigos, colegas que ajudaram durante os quatro anos, a todos meu muito obrigado.

7 A História é a êmula do tempo, depósito das ações, testemunha do passado, ávido do presente advertência do porvir. Cervantes.

8 RESUMO Este trabalho visa levar a comunidade questões relacionado ao processo de modernização que ocorreu em todo mundo e repercutiu em Goiás, sobretudo, a partir da década de Dentro desta perspectiva, o presente trabalho abordará o desenvolvimento econômico de Goiás, que foi impulsionado pelo processo de modernização da agricultura e pecuária, cujos reflexos imediatos foram à mecanização do campo e, conseqüentemente, o êxodo rural. Dessa forma, as pessoas ao deixarem o campo encontravam nas cidades alguns requisitos básicos para a sobrevivência como, saúde, educação e trabalho renumerado, mas nem sempre essa era a situação encontrada, com o acúmulo de pessoas, esses requisitos vão se tronando cada vez mais difíceis e esse sonho de uma vida moderna se torna um pesadelo. As análises empíricas do trabalho centram-se no município de Morrinhos-GO, cuja atividade econômica está centrada na agropecuária, e que, em decorrência do processo modernização do campo, projetouse neste começo de século na 10º cidade mais importante do Estado de Goiás. Palavras-chave: Goiás, Economia, Modernização e Êxodo Rural.

9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO RETROSPECTIVA HISTÓRICA ACERCA DA ECONOMIA BRASILEIRA A SOCIEDADE AGRÁRIA BRASILEIRA E SUA IMPORTÂNCIA PARA AECONOMIA DO PAÍS MORRINHOS E SUA ECONOMIA AGROPECUÁRIA CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS... 49

10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS PLADESCO Plano de Desenvolvimento do Centro-Oeste. SUDECO Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste. PMDB Partido Movimento Democrata Brasileiro. PSDB Partido Social Democrata Brasileiro. COMPLEM Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos. IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

11 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - População residente por situação do domicílio no estado de Goiás TABELA 2 - Aumento do preço do boi de TABELA 3 - A perda de peso e valor do boi segundo o destino. TABELA 4 - Produção de arroz, feijão, milho e soja do Estado de Goiás (1960, 1970, 1975, 1980, 1985). TABELA 5 - Evolução do efetivo bovino (mil cabeças). TABELA 6 - População residente na zona urbana e rural TABELA 7 - Morrinhos: utilização de terras. TABELA 8 - Morrinhos: classe da atividade econômica. TABELA 9 - Morrinhos: máquinas e instrumentos agrícolas. TABELA 10 - Morrinhos: grupos de áreas de lavouras. TABELA 11- Morrinhos: uso de fertilizantes, defensivos e práticas de conservação do solo. TABELA 12 - Morrinhos: uso de irrigação e área irrigada. TABELA 13 - Morrinhos: Total do efetivo bovino-leiteiro de

12 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil, GRÁFICO 2 Evolução da taxa de urbanização de Goiás, GRÁFICO 3 A Inflação no Brasil GRÁFICO 4 - Participação de Goiás no PIB nacional,

13 INTRODUÇÃO O trabalho em questão tem como finalidade abordar a questão agropecuária nas esferas Federal, Estadual e Municipal priorizando, porém, o município de Morrinhos que tem na agropecuária sua base econômica. Serão apresentados os incentivos proporcionados pelos Governos Federal e Estadual com a finalidade de fazer com que a agropecuária nos municípios cresçam a partir da obtenção de divisas da União e do Estado. Dessa forma podemos os salientar que o desenvolvimento agropecuário está associado a mudanças que foram impulsionadas primeiramente com construção e transferência da capital estadual de Goiás para Goiânia e, posteriormente, no final da década de 1950 com a construção e transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília. Fatos estes que foram determinantes para o desbravamento de fronteiras que trouxeram para Goiás povos e culturas diferentes. No primeiro capítulo serão discutidos aspectos como êxodo rural e suas principais características, bem como a expansão de fronteiras e ainda o desenvolvimento dos meios de comunicação que se tornaram importantíssimos para o desenvolvimento do Estado. Serão abordadas questões como a estrada de ferro, que se tornou uma das principais vias de acesso existente em Goiás com conexão com todo país, e ainda analisaremos a importância da estrada de rodagem que interligavam os municípios goianos à capital. No segundo capítulo abordará a economia de Goiás a nível nacional, apoiadas em programas de incentivo à agropecuária que acontece precisamente nas décadas de 1960 e 1980 com planos direcionados a cada região do país. Trataremos sobre as áreas de cerrado que aos poucos foram sendo ocupadas para a criação de gado aproveitando as pastagens naturais e posteriormente utilizadas para a plantação de grãos. Será abordado o desempenho da economia goiana frente à economia nacional e conseqüentemente seus reflexos internacionalmente. No terceiro capítulo será trabalhada a história de Morrinhos priorizando os anos de 1975 a 2003, onde serão apresentados os números da agropecuária local através de tabelas. Será abordada a importância do município dentro da economia goiana, onde serão apresentados os produtos de destaque, a quantidade o efetivo bovino leiteiro implantado no município morrinhense.

14 Assim pretendemos realizar um trabalho que desperte na sociedade o interesse pela história econômica do município, estado ou país que as vezes passa despercebida aos olhos de muitos. Esperamos ainda que futuramente este trabalho possa ser lido e utilizado como referência.

15 1 RETROSPECTIVA HISTÓRICA ACERCA DA ECONOMIA BRASILEIRA A partir de 1930 a economia brasileira passa por um processo de transformação, onde a industrialização da região sudeste possibilitou a criação de uma economia nacional. Com a industrialização, São Paulo se tornou o centro das transformações estruturais da sociedade brasileira. Desta forma podemos observar que: a abolição das barreiras aduaneiras interestaduais e intermunicipais, após 1930, foi o primeiro passo no sentido de operacionizar a formação do mercado interno e a integração capitalista das economias regionais. (BORGES, 2000, p. 16). Com base nas citações de Borges, a formação do mercado interno, seria a distribuição ou repasse de outras tarefas ligadas ao setor agropecuário para outras regiões que não estivessem plenamente ligadas ao setor industrial. Assim, a região paulista utiliza de fronteiras para que a economia capitalista estivesse também ligadas à agricultura. A expansão da fronteira agrícola paulista, nos moldes e na intensidade em que se deu a partir de 1930, deve ser vinculada, mais ao avanço das relações capitalistas de produção e ao novo padrão de acumulação do que a um eventual dinamismo no setor agrário (BORGES, 2000, p. 18). A expansão de fronteiras promoveu um desenvolvimento no setor urbanoindustrial, essa medida foi tomada graças à política adotada por Vargas, o qual era favorável à industrialização. Dessa forma o produtor rural seria obrigado a utilizar produtos industrializados que geraria mais capital para as indústrias. Assim podemos observar que esta expansão de fronteiras se deu até enquanto havia terras livres, sendo então utilizadas para a agricultura. No governo Dutra a agricultura era vista como um setor importante, que era responsável pela produção de alimentos para o setor urbano, mas mesmo assim se tornava uma economia secundária, que tinha como proposta principal: O lançamento de estímulos à atividade agrícola no sentido de gerar respostas adequadas em termos de extrair melhores taxas de performance produtiva sem sequer entrar na discussão da própria organização socioeconômica da produção agrária. (BORGES, 2000, p. 19). No período de ( ) época do segundo governo de Vargas, a expansão de fronteiras era um fator principal para a política do Estado, pois somente assim a industrialização adquire forças. Com base na política instalada por Vargas

16 nesse período é notório que a preocupação fundamental do governo, era fazer com que a população comprasse muitos alimentos a preços baixos, visando então reduzir os custos da reprodução da força de trabalho urbano-insdustrial. (BORGES, 200, p. 19). Diante das políticas instaladas por Vargas e Dutra há de se observar que o governo de JK tinha como meta à industrialização acelerada, enquanto que a agricultura não foi beneficiada com nenhuma política que fortalecesse o setor economicamente, pelo contrário, o programa de metas estimulou as atividades industriais enquanto estrangulava as atividades agrícolas pela política cambial, pela ação dos órgãos de controle de preços e pelos cortes nas verbas do Ministério da Agricultura. (BORGES, 2000, p. 19). Mesmo com políticas não favoráveis à agricultura instaladas pelos governos. Vargas, Dultra e JK, a agricultura manteve-se de pé e ainda mesmo na década de 1950, as áreas de lavouras se ampliaram, mesmo não acontecendo mudanças significativas nesse setor. O crescimento da agricultura se deu graças às novas áreas de fronteiras que se efetivou fortemente nos anos 70. Com a introdução do cultivo de arroz e, logo depois da soja utilizada como a propulsora da fronteira agrícola. Na pecuária ocorreu o plantio de pastagens, com o cultivo de forrageiras e capim brachiária, aumentando a produção e a produtividade do rebanho por hectare. (MENDOÇA e JUNIOR, 2003, p. 104). Diante dos pressupostos apresentados, Goiás é definido como região somente quando começou a ter relações com o centro hegemônico da economia capitalista no sudeste do país, principalmente com o Estado de São Paulo. Com a divisão do trabalho entre agricultura e indústria, Goiás se tornou não só produtor e exportador de gêneros alimentícios, mas também, importador de manufaturados, isso porque a produção industrial continua inexpressiva. Conforme o que foi apresentado sobre a economia brasileira, podemos observar que no início do século XX, Goiás era um Estado inviável no sentido de atrair grandes empreendimentos. Somente a partir da década de 1950, com a construção de Brasília e desenvolvimento do transporte rodoviário, e principalmente, com as construções de grandes rodovias federais e estaduais, cortando o Estado e interligando-o com outras regiões do Brasil, é que, começou a atrair grandes investimentos, sobretudo, no setor agropecuário através da modernização do campo e desenvolvimento da agroindústria.

17 A modernização do campo provocou profundas transformações nas relações de trabalho e na sociedade, uma vez que, estimulou a migração do homem do campo para a cidade e, já na década de 1980, a população urbana já superava em termos quantitativos a população residente no campo. Estas transformações abriram-se frestas e o leque de miséria cobriu mais espaços em face do êxodo rural provocado pela expectativa de um novo estado. (MAIA, 1986, p. 36). TABELA 1: População residente por situação do domicílio no Estado de Goiás Ano Total Urbano Rural Fonte: Anuário Estatístico de Goiás, 2003, p.102. Com base na tabela acima podemos observar o aumento gradativo da população a partir da década de Entre os anos de 1940 a 1970, a população se concentrava na zona rural, enquanto que, a partir de 1980, acompanhando a modernidade e em busca de melhores condições de vida a população deixa o campo se mudando para as cidades aumentando o índice de pessoas residentes na zona urbana. A modernização do campo contribuiu desta forma para acelerar o êxodo rural, fazendo com que milhares de famílias deixassem o campo, ou por falta de emprego, uma vez que, as máquinas estavam substituindo o trabalho humano, ou se dirigiam às cidades em busca de novas perspectivas de vida que a vida urbana poderia oferecer. É importante ressaltar que o êxodo rural não aconteceu por acaso, mas foi resultado das políticas econômicas empreendidas a partir da década de 1960, principalmente, durante o regime militar.

18 Ao entrar na fase de modernização Goiás deixa de lado aquela agricultura de sobrevivência, passando então a comercializar o excedente já que este seria a principal base econômica de subsistência. Com base nos processos de modernização observa-se que: a modernização da agricultura no Planalto Central do Brasil, alterou profundamente a dinâmica de trabalho, expressando uma nova processualidade, assim como um novo desenho societal na relação cidade campo. A tecnificação promoveu a migração compulsória de famílias que viviam do trabalho da terra para os centros urbanos e no caso em estudo com destaque para Goiânia e Brasília (MENDOÇA e JUNIOR, 2003, p. 97). Baseado nesta citação observou que a modernização se tornou um motivo pelo qual o campo é trocado pela cidade, onde o homem foi substituído pela nova tecnologia implantada no campo. As cidades que mais atraíram o homem do campo foram Brasília e Goiânia, cidades capitais que poderiam oferecer-lhes outros meios de sobrevivência. Desta forma evidencia, porém que: [...] além de perderem o meio de produção proprietários de terra e a possibilidade de acesso a terra (arrendatários, agregados etc) não dispuseram de apoio oficial para o desenvolvimento das atividades urbanas, sendo pois então, privados dos meios essenciais para a sobrevivência, amontoando-se na periferia das cidades, sem qualquer alternativa de trabalho que não fosse o trabalho temporário (bóia-fria) em algumas épocas do ano e/ou trabalho domésticos e braçais na cidade. (MENDONÇA E JUNIOR, 2003, p. 97). Diante do que foi proposto por Mendonça e Júnior com o desenvolvimento nas áreas rurais, além das pessoas perderem a terra ao se mudar para as cidades sofreram também com o desemprego. Sem a mão-de-obra especializada para se adaptar às transformações ocorridas, ficaram desempregados se sustentando apenas de trabalhos temporários. No que se refere à agricultura, Borges mostra-nos que: [...] o desenvolvimento nessa área aconteceu ou forma desigual, baseada em uma economia que favorecia aos grandes proprietários que tinham condições financeiras de implantar em suas novas técnicas agrícolas: O crescimento do índice de mecanização das lavouras ocorreu primeiro nas culturas de exportação e nos grandes e médios estabelecimentos agrícolas. (BORGES, 2000, p. 99) Borges ainda faz um comentário referente a esse pressuposto onde a tecnologia foi levada primeiro à área de exportação: essa diferenciação, na verdade refletia a dinâmica dos níveis de integração capitalista sa economia agrária regional, tornando o estado economicamente bastante heterogêneo como totalidade espacial, substituindo simultaneamente diversos processos de produção. (BORGES, 2000, p. 99).

19 Apesar das dificuldades encontradas na agricultura, como a falta de política de crédito ao produtor rural; a falta de transportes e os baixos preços dos grãos, a agricultura em Goiás se desperta conforme Borges (2000, p. 106): com o crescimento da urbanização em Goiás o que, aumentaria naturalmente o consumo interno de Gêneros alimentício. A agricultura comercial que produzia essencialmente para o mercado externo passou a se organizar, também em demanda local. Devido ao crescimento da urbanização e ao aumento do consumo de produtos ligados à agricultura, tem-se a necessidade de expandir as áreas de plantio para atender a demanda. É nesse momento que a modernização assume de vez sua influência sobre a agricultura, estimulando um crescimento de modo a expandir o capital rumo às áreas pouco explorados devido a necessidade da produção ser ampliada. (MENDONÇA e JÚNIOR, 2003, p. 109). Com o avanço de novas áreas para o plantio os efeitos da modernização apresentam seus primeiros sintomas, onde os efeitos dessa modernização sobre a força de trabalho no campo foram à ampliação da proletarização do camponês, o aumento de emprego temporário e a conseqüente deterioração das relações sociais de trabalho. (MENDONÇA e JÚNIOR, 2003, p. 109). Partindo, porém desse pressuposto, evidencia-se que a agricultura abre portas também para outros setores da economia, pois a partir do momento em que se expande a agricultura, cresce também a necessidade do produtor investir em máquinas, equipamentos, fertilizantes, defensivos e outros materiais e insumo, investindo também em outras fontes ligadas ao setor de serviços como transportes, comunicações e sistema financeiro. (NÓBREGA, 1985, p. 143). A economia agrícola assume um papel importante na solução de problemas relacionados com o programa de ajustamento, onde supri o mercado com alimentos em grande quantidade e preços, compatíveis com o objetivo da política antiinflacionária. (NÓBREGA, 1985, p. 143). Dentro do processo, cabe à agricultura aumentar as oportunidades de trabalho no campo evitando assim o crescimento indesejável do êxodo rural, que viria agravar o quadro do desemprego urbano.em relação ao êxodo rural e ao processo de industrialização tem-se a idéia de que as pessoas foram atraídas pelas cidades devido às facilidades que lá encontrariam, desta forma, a industrialização criou alternativas de emprego vantajosas em relação ao campo: melhores salários, facilidade de acesso à educação e à medicina,

20 proteção das leis trabalhistas, relacionamento impessoal entre empregado e patrão e, enfim, as luzes da cidade. (NÓBREGA, 1985, p. 139). Mediante citação acima, podemos observar que a ideologia do progresso, associado à uma vida urbana contribuíram para que o homem aos poucos fosse trocando o campo pela cidades, e que nem sempre, o avanço tecnológico chegava em todas as propriedades rurais, somente as proprietários mais abastados equiparam suas fazendas com máquinas, o que conseqüentemente, reduziu os custos de produção com mão-de-obra braçal. Fato este que foi determinante para acelerar o êxodo rural a partir da década de 1970 em Goiás. Com a migração em massa da população rural para as cidades, consta-se que: a intensidade do êxodo rural provocou aumento sensível nos índices de crescimento urbano e uma queda ou diminuição da atividade urbana, medida como população economicamente ativa e a população total. (NÓBREGA, 1985, p. 141). Com o aumento em grande número da população urbana, a quantidade de emprego oferecido pelas indústrias não foi suficiente, então, com o campo já tomado por máquinas para a realização das atividades rurais muita gente não teve onde trabalhar ficando, portanto, marginalizados. No que se refere à pecuária, podemos observar que mesmo com o desenvolvimento da agricultura, essa atividade nunca deixou de ser a principal fonte econômica do estado goiano e continuou sendo a base mais consistente da economia agrária regional. À medida que as fazendas de gado foram se expandindo, novas áreas de terras foram sendo ocupadas, principalmente, nas áreas de cerrado. O gado que adentrara o território Goiano partira dos currais nordestinos e paulistas, fazendeiros do Piauí e da Bahia conduziram suas boiadas, subindo o São Francisco e, depois de percorrer o Oeste baiano e ultrapassar a fronteira natural do Espigão Mestre alcançaram o território Goiano [...]. O gado que partiu de São Paulo e Minas Gerais, palmilhou a mesma trilha dos mineradores, após atravessar o Triângulo Mineiro, adentrou o Estado de Goiás. (BORGES, 2000, p ). Pode-se observar que com a penetração do gado vindo dessas regiões muitas fazendas passaram a dedicar à criação, o que fez com que o rebanho bovino se multiplicasse nos locais da antiga rota do ouro, e se expandiu por todo território goiano durante o século XIX.

21 O principal motivo dessa expansão se deve ao fato de que o capital utilizado para que se desenvolvesse a atividade pastoril era pouco. O clima e a vegetação eram adequados à pecuária, devido a esse fator, as pastagens do cerrado eram favoráveis à criação, reduzindo então os custos dessa atividade. Outros fatores também foram consideráveis nesse processo de expansão da pecuária, dentre estes se destaca: a abertura da fronteira agrícola e a imensa quantidade de terras de fácil acesso que não eram habitados pelo homem, com todos esses indicadores, o Estado oferecia ótimas condições para se formar grandes propriedades de criação, com uma quantidade mínima de mão-de-obra. Com isso, o proprietário gastaria pouco e a criação de gado seria expressiva e lucrativa. Além de região ser favorável à criação de gado, nos lugares propícios à agricultura o fazendeiro o cultivava produtos como arroz, milho, feijão, mandioca, que economicamente, gerava lucro ao fazendeiro, que não precisaria comprar esses produtos nas cidades ou nos lugarejos próximos de sua fazenda. Diante de todos esses indicadores, o criador de gado encontrava uma dificuldade em relação à importação do sal, que chegava caro às fazendas devido à distância e às deficiências dos meios de transportes. (BORGES, 200, p. 109). Mas as dificuldades encontradas não paravam por aí, o criador de gado encontrava também problemas com as doenças, que se tornava um agravante, além de fazer com que o gado perdesse peso, muitas vezes o levava à morte, e ainda prejudicava o aumento do rebanho. Mesmo passando por deficiências em relação ao sal e enfrentando problemas sérios como doenças a pecuária goiana se manteve de pé e alcançou um lugar de destaque, atingindo seu papel na economia goiana e ainda fazendo sua parte de contribuição dentro da receita global. Porém, observando, o que vinha sendo a pecuária, há de se concordar que do capital que girava em Goiás mais da metade era referente à criação de gado, ou seja, era propiciado pela pecuária. Com esse destaque que a pecuária atingirá não receita global há de se considerar que outros fatores contribuíram para que esse destaque fosse alcançado conforme o que nos informa Borges: o aumento das exportações brasileiras de alimentos durante a Segunda Guerra Mundial, sobretudo de proteína animal, resultou uma substancial recuperação do preço do boi produzindo em Goiás. Segundo o Boletim Estatístico do IBGE de fevereiro de 1945, a arroba da carne subiu em torno de 60% nos mercados de São Pulo, onde se encontravam instalações os grandes frigoríficos. (BORGES, 2000, p ).

22 TABELA 2: Aumento do preço do boi de Ano Cabeças Valor (CR$) % , , , , , ,00 65 Fonte: BORGES, 2000, p Observando a tabela acima, nota-se que a queda no número de animais, gradativamente aumenta o valor em moedas, isso porque, com a guerra, o número de exportações cresceu, ou seja, é necessário o aumento no abate de animais, e como a procura pela carne bovina cresce, é necessário que o preço do produto aumente, já que a demanda de animais a diminui. A predominância da pecuária em Goiás está relacionada também a outros fatores, como a falta de transportes para os produtos agrícolas e ainda o difícil acesso aos centros comerciais, esses agravantes contribuíram para o crescimento da pecuária, isso porque o gado é um produto que se auto-transportava, com isso seu comércio nunca sofreu sérias conseqüências, mesmo que na maioria das vezes, durante as viagens o gado perdesse peso, mesmo assim, o comércio e o lucro era garantido. Desse modo, podemos observar também que o comércio bovino passa a ser dirigido de outra forma onde sofreu algumas perdas. As perdas na comercialização do gado agravavam-se à medida que a pecuária goiana estava submetida a uma divisão regional do trabalho, entre criadores e invernistas. [...] Como possibilidade de eliminar a intermediação comercial dos invernistas, os criadores poderiam vender o boi diretamente à indústria frigorífica, reduzindo, assim, parte das perdas da comercialização do gado em pé. (BORGES, 2000, p. 115). Conforme o que nos é relatado Borges (2000, p.115) esses invernistas eram fazendeiros ricos que levaram seu gado para outros lugares para a engorda, assim seu rebanho estaria próximo aos frigoríficos de São Paulo e Minas que causaria mais lucros na hora do abate por terem sofrido com a perda de peso, pois não percorreriam longos caminhos, e continuariam com o peso do invernado.

23 Mas o mesmo não acontecia com outros produtores menos abastados, que transportavam seu rebanho em pé, o qual perdia peso e às vezes quando chegava aos frigoríficos tinham que ficar algum tempo recuperando seu peso para depois ser abatido, diante a essa situação o criador obtenha prejuízos, e o comércio bovino se tornava cada vez mais difícil. Para evidenciar esse fato, contamos com a tabela abaixo. TABELA 3: A perda de peso e valor do boi segundo o destino. Destino Peso Kg Valor (CR$) Uberlândia Barretos Presidente Prudente Araçatuba Fonte: BORGES, 2000, p. 117 Diante da tabela acima se observa que quanto mais longe o gado andava, mais perdia peso e, por conseguinte, seu valor tendia somente a diminuir. Com todo o processo que vinha passando a pecuária goiana, algumas providências precisariam ser tomadas, era necessário que fosse implantados frigoríficos no estado, o que geraria mais lucro para o produtor. Com a instalação do frigorífico o produtor poderia ser transformado por via rodoviária, mas só que pra isso o produtor teria alguns impostos a pagar, mas essa melhoria tinha seus objetivos, onde a indústria frigorífica estatal, projetada durante a ditadura Vargas, visava melhorar o abastecimento interno e controlar a produção no Centro-Oeste. (BORGES, 2000, p. 118). Com a modernização na pecuária exigia-se ainda um transporte eficiente para que a mercadoria chegasse a seu destino no tempo certo para não haver mais perdas. Dessa forma podemos certificar de que a trajetória da agropecuária em Goiás aconteceu de forma extraordinária assumindo o papel econômico do estado. Desde o surgimento desta atividade várias etapas foram se construindo ao longo do tempo, transformações estas que nunca pararam. No que se refere à agricultura houve mudança grandessíssimas tanto na forma do plantio como também da

24 colheita e principalmente o escoamento dos grãos. Já na pecuária as mudanças ocorridas fizeram com que o gado tivesse um melhoramento elevado no preço, devido ao fato de chegar ao seu destino sem perder peso. Todas as transformações ocorridas na agropecuária se devem ao fator modernizacional que com o avanço tecnológico foram construídas máquinas que se aliaram ao campo promovendo então a construção de estradas que favoreceram o comércio tanto do gado como dos grãos, fazendo com que os mesmos chegassem com mais rapidez aos grandes centros comerciais que se encontravam em São Paulo e Minas Gerais.

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