ASSISTÊNCIA AMBULATORIAL EM SAÚDE MENTAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 1

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1 ASSISTÊNCIA AMBULATORIAL EM SAÚDE MENTAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 1 SOUTO, Valquíria Toledo 2 ; TERRA, Marlene Gomes 3 ;SILVA, Adão Ademir da 4 ; SOCCOL, Keity Laís Siepmann 5 ; SILVA, Cristiane Trivisiol da 6 ; FERREIRA, Emanuelli Mancio 7 ; REIS, Thamiza Laureany dos 8 ; XAVIER, Mariane da Silva 9. RESUMO A Reforma Psiquiátrica evidencia a necessidade de criação de novos serviços de atenção à saúde mental¹. Surgem serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Núcleos de Assistência Psicossocial (NAPS), serviços de emergência psiquiátrica, unidades de internação em Hospital geral, ambulatórios de psiquiatria, entre outros². Dando enfoque ao serviço ambulatorial em saúde mental, tal relato de experiência tem como objetivos conhecer a realidade de um serviço de acompanhamento 1 Relato de experiência. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 2 Apresentadora. Acadêmica do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade, sublinha Saúde Mental 3 Enfermeira Docente. Doutora em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. Docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM-RS. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade sublinha Saúde Mental da UFSM/Brasil. 4 Enfermeiro. Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade, sublinha Saúde Mental da UFSM/Brasil. 5 Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade, sublinha Saúde Mental da UFSM/Brasil. 6 Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade, sublinha Saúde Mental da UFSM/Brasil. 7 Acadêmica do 7º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem da UFSM/Brasil. 8 Acadêmica do 7º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado a saúde das pessoas, famílias e sociedade da UFSM/Brasil. 9 Acadêmica do 8º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado a saúde das pessoas, famílias e sociedade da UFSM/Brasil. 1

2 terapêutico a nível ambulatorial de um Hospital Geral da região central do Rio Grande do Sul/Brasil, assim como a participação da enfermagem no cuidado, tendo como cenário um grupo de encontro de usuários de saúde mental. Tal espaço desenvolve atividades de integração entre os usuários, através de dinâmicas de leituras, confecções de tapeçarias, trabalhos didáticos e artesanais. O ambiente revelou-se inserido intimamente na vida dos usuários, evidenciando, muitas vezes, uma relação familiar de dependência desses com o serviço. Quanto à participação dos profissionais, percebeu-se a necessidade de uma maior aproximação para com as necessidades individuais dos usuários, e uma contínua reflexão da sua prática em saúde mental. Descritores: Saúde Mental; Reforma Psiquiátrica; Assistência Ambulatorial; Enfermagem. ABSTRACT The Psychiatric Reform highlights the need for creating new services to mental health care ¹. Substitute services come to the psychiatric hospital as the Caps (psychosocial care center), Naps (Center for Educational Assistance), psychiatric emergency service, inpatient units in general hospital, outpatient psychiatry, among others ². Giving focus to outpatient mental health, such an experience report aims to know the reality of a therapeutic monitoring service on an outpatient basis, as well as the participation of nursing care, against the backdrop of an encounter group of users of mental health. Such a space develops integration activities between users through dynamic readings, clothing tapestries, didactic and craft. The environment proved to be closely inserted in the lives of users, often showing a relationship of dependency with the service. With the participation of professionals, it was perceived the need for a greater approach to the needs of individual users, and a continuous reflection on their mental health practice. Keywords: Mental Health, Psychiatric Reform, Ambulatory Care, Nursing. 1. INTRODUÇÃO A partir do final dos anos setenta, irrompeu no Brasil um movimento que visava questionar o modelo de atenção em saúde mental vigente até então, onde o hospital 2

3 psiquiátrico era tido como única alternativa de tratamento e a exclusão dos pacientes com transtornos mentais era uma realidade. Esse movimento, denominado Reforma Psiquiátrica, iniciou uma luta, que existe ainda hoje, contra os velhos paradigmas da psiquiatria clássica¹. A Reforma Psiquiátrica surge trazendo consigo questionamentos ante o modelo de instituição asilar e a prática médica e, visando implantar um novo modelo com enfoque na humanização da assistência e inclusão social. Surge, então, a necessidade de criação de novos serviços de atenção à saúde mental¹. O surgimento de serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Núcleos de Assistência Psicossocial (NAPS), serviços de emergência psiquiátrica, unidades de internação em Hospital geral, ambulatórios de psiquiatria, entre outros, configurou a criação de uma rede de atenção diária, substitutiva ao hospital psiquiátrico e capaz de promover a ressocialização dos usuários². O presente relato terá como enfoque o serviço ambulatorial. Tal dispositivo existe com o intuito de, sob a ótica da reforma psiquiátrica, oferecer atendimentos individuais e grupais, atividades ressocializadoras, e de construção de possibilidades para os indivíduos². 2. OBJETIVOS Tal relato de experiência tem como objetivos conhecer a realidade de um serviço de acompanhamento terapêutico a nível ambulatorial de um Hospital Geral da região central do Rio Grande do Sul/Brasil, assim como a participação da enfermagem nesse cenário, visto que, é importante que se discuta, de maneira mais aprofundada, o funcionamento desse serviço e seu papel na atenção ao portador de transtorno mental. 3. METODOLOGIA Trata-se de um relato de experiência, o qual teve como cenário um grupo de encontro de usuários de saúde mental, sendo esse um espaço terapêutico que está vinculado ao ambulatório de saúde mental de um Hospital Geral da região central do Rio Grande do Sul/Brasil, onde pude acompanhar o trabalho desenvolvido por profissionais de enfermagem, e outras áreas, no atendimento ao usuário portador de transtorno mental. Esta experiência foi oportunizada pela disciplina de Estágio Supervisionado oferecida pelo curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e ocorreu durante o mês de março de

4 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES O Serviço de Psiquiatria da Instituição Hospitalar em estudo é composto por Ambulatório de Psiquiatria, Pronto Atendimento Psiquiátrico (PA), e as Unidades de Internação para tratamento das psicoses agudas, e para tratamento de dependentes químicos. Tais serviços atendem uma demanda de saúde mental local e demais municípos que fazem parte da 4ª Coordenadoria Regional da Saúde. O grupo de encontro de usuários de saúde mental, cenário deste relato, é um serviço de acompanhamento terapêutico, vinculado ao ambulatório, que iniciou seu trabalho na década de 90, e desenvolve atendimento para pacientes com transtornos mentais crônicos, tais como: transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, transtorno de personalidade, depressão e pessoas com necessidades educacionais especiais que realizam acompanhamento assistencial no Ambulatório de Saúde Mental do Hospital. A reforma psiquiátrica buscou reformular o tratamento psiquiátrico, tendo, na ampliação de ambulatórios, uma forma de reorganizar as atividades terapêuticas fora do âmbito hospitalar. Nesse contexto, a enfermagem precisa estar inserida de forma a propor em sua prática tais atividades, visando diminuir as dificuldades na readaptação do indivíduo ao meio social em que está inserido³. No espaço destinado ao grupo de encontro, os profissionais de enfermagem, juntamente com a equipe da residência multiprofissional, desenvolvem atividades de integração entre os usuários, através de dinâmicas de leituras, confecções de tapeçarias, trabalhos didáticos e artesanais que estimulam o raciocínio e as potencialidades dos sujeitos. A atenção a saúde mental, em nível ambulatorial, é um campo que ainda precisa de mudanças, pois, em sua maioria, apresentam um funcionamento pouco articulado com outros serviços da rede e sua resolutividade tem sido baixa, evidenciando a necessidade de se rediscutir o papel dos ambulatórios na rede de atenção em saúde mental CONCLUSÃO Ao finalizar as atividades de estágio supervisionado, foi possível perceber que o cenário do relato é um ambiente que propicia o surgimento de trocas afetivas e sociais, e está inserido intimamente na vida dos seus freqüentadores. Esses, muitas vezes, 4

5 expressam uma relação intensa de dependência com o serviço, o que evidencia a importância de uma atenção qualificada que vise a integralidade e a singularidade do sujeito. Vale ressaltar a necessidade de que os profissionais direcionem sua assistência considerando as necessidades individuais dos usuários, e incorporem uma reflexão contínua sobre os processos terapêuticos ao seu trabalho, a fim de que, não se transformem em atividades rotineiras sem tanta relevância para o cuidado. A realização do relato de experiência proporcionou uma maior aproximação com a temática do cuidado em saúde mental, assim como uma melhor percepção de como a saúde mental é articulada nesse espaço e como o se dá o cuidado pelos profissionais de saúde, em especial pela equipe de enfermagem. REFERÊNCIAS 1 Gonçalves AM, Sena RR. A reforma psiquiátrica no Brasil: contextualização e reflexos sobre o cuidado com o doente mental na família. Rev Latino-am Enfermagem 2001 março; 9 (2): Santos YF, Oliveira IMFF, Yamamoto OH. O ambulatório de saúde mental no contexto da Reforma Psiquiátrica em Natal, RN. Psicol. Argum out./dez., 27(59), Peres MAA, Figueiredo NMA. Grupo do NAP: atendimento ambulatorial ao cliente em uso de medicação depósito - uma ação diferenciada de cuidar em Psiquiatria. Texto contexto - enferm. [serial on the Internet] Dec [cited 2012 Apr 20] ; 13(4): Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Relatório de Gestão : saúde mental no SUS: acesso ao tratamento e mudança do modelo de atenção / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Brasília : Editora do Ministério da Saúde,

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