História - 7º Ano Professor Sérgio O MUNDO FEUDAL

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1 História - 7º Ano Professor Sérgio O MUNDO FEUDAL Estudar o feudalismo é conhecer a fundo o modo como viviam as pessoas no período medieval. Aqui se inicia mais uma etapa da história ocidental, e veremos detalhes sobre este sistema, suas origens, como era a vida das pessoas, o auge e porque acabou. Para aprofundar nosso estudo, editamos este material, oriundo de fontes diversas, com o intuito de que ele seja mais uma ferramenta para estimular os educandos a ler e apreender sobre esse importante período da história. Disponível em: Acesso em 16 abr

2 O que foi o sistema feudal? O sistema feudal foi uma forma de organização econômica, social e cultural baseada na posse da terra e não no comércio. Na economia feudal, a produção agrícola e artesanal tinha como objetivo principal atender ao consumo local. Não se produziam bens com o objetivo de vendê-los, ou seja, eles não eram destinados às trocas comerciais. O proprietário da terra era o senhor feudal. Ele exercia também um controle muito grande sobre os homens que trabalhavam em sua propriedade: os servos. As relações entre os servos e seu senhor eram determinadas por obrigações recíprocas. Os servos trabalhavam nos domínios do senhor, pagando com produtos a utilização da terra e a proteção militar que o senhor lhes proporcionava. Na Idade Média, dispor de proteção militar era fundamental, pois essa foi uma época marcada por constantes guerras e invasões. Organização econômica do feudo Na sociedade feudal predominou a produção de bens agrícolas e pastoris, que tinham como principal unidade produtora o senhorio (extensão de terra) e como forma de trabalho, a servidão. O feudalismo era um sistema fundamentalmente agrário. Portanto, a posse da terra era essencial. O senhor feudal exercia poder total em sua propriedade: ele fazia as leis, concedia privilégios, administrava a justiça, declarava a guerra e assinava a paz. Essa extensão de terra pertencente a um senhor recebia o nome de feudo. Num feudo, havia diferentes tipos de propriedade da terra: O feudo dividia-se em três partes básicas: a) Feudo senhorial: onde ficava o castelo com terras de uso exclusivo do senhor; b) Feudo servil: composto por vários lotes, chamados tenências, arrendados aos servos; c) Feudo comunal: composto por bosques e pastos usados tanto pelo senhor como pelos servos. Disponível em: <http://apreenderhistoria.blogspot.com.br/2011/04/feudalismo-para-o-7-ano-parte- 2.html>. Acesso em 9 abr

3 a) Feudo senhorial, ou reserva senhorial; A reserva senhorial era domínio exclusivo do nobre feudal. Abrangia aproximadamente um terço da área total do senhorio. Ali se construía o castelo, rodeado de muralhas. Além de servir como residência do nobre ou de um administrador, era também uma fortaleza. Dentro das muralhas do castelo havia várias construções: uma capela ou igreja, a casa do pároco, celeiros e oficinas. Nestas fabricavam-se armas, selas, tecidos, cerâmicas, tudo o que o senhor feudal precisava para seu consumo, bem como o de sua família e dos servidores do castelo. Ao redor do castelo se estendiam os campos de cultivo do nobre feudal, divididos em três partes: SCHMIDT, M. História Crítica. 7º Ano. São Paulo: Nova Geração, b) Feudo servil: Os lotes dos camponeses ocupavam entre 40% e 50% do senhorio, e neles também se praticava o sistema de rotação de culturas. Os três campos divididos em faixas eram cultivados pelas famílias camponesas, de modo que cada uma delas tivesse uma faixa de cada campo. Entre esses lotes, alguns eram cultivados por servos, outros por camponeses livres, os vilões. Mas todos eles estavam submetidos às taxas e aos serviços devidos ao senhor feudal. c) Feudo comunal As terras comunais eram bosques, prados e terrenos baldios, usados tanto pelos nobres como pelos camponeses. Nos bosques: A nobreza praticava a caça (uma das atividades que mais apreciavam); Os camponeses levavam seus animais para pastar nos prados e podiam retirar madeiras dos bosques, mas eram proibidos de caçar. As características do Feudalismo Descentralização política: Em geral o rei era uma figura decorativa, pois quem efetivamente mandava no feudo era o senhor feudal (barão, conde, marquês, duque); Economia Agrária: As relações sociais de produção desenvolveram-se em torno da terra, porque repousavam sobre uma economia predominantemente agrícola; Visão religiosa (teocêntrica): A mentalidade do homem medieval era marcada por grande sentimento religioso. Deus era a medida de todas as coisas. Regime de servidão: Os camponeses, em sua maioria servos, estavam proibidos de abandonar os feudos; usavam a terra e pagavam taxas aos senhores feudais; 3

4 Ruralização da sociedade: As cidades se despovoaram. A vida rural era predominante; Vínculos pessoais: O servo estava sujeito a um senhor feudal que, por sua vez, seria vassalo de um outro senhor feudal superior. Por último, estava o monarca; Supremacia de uma classe de guerreiros especializados: a partir do século X, ou um pouco mais tarde, os cavaleiros obtiveram hegemonia militar e, portanto, social. SCHMIDT, M. História Crítica. 7º Ano. São Paulo: Nova Geração,

5 Organização social A sociedade feudal se dividia em três ordens principais: nobres, membros do clero e servos: a) Nobres: (Bellatores, palavra latina que significa guerreiros ) ordem dos detentores de terra, que se dedicavam basicamente às atividades militares. Em tempos de paz, as atividades favoritas da nobreza eram a caça e os torneios esportivos, que serviam de treino para a guerra; b) Cleros: (Oratores, palavra latina que significa rezadores ) ordem dos membros da Igreja Católica, destacando-se os dirigentes superiores, como bispos, abades e cardeais; c) Servos: (Laboratores, palavra latina que significa trabalhadores ) compreendendo a maioria da população camponesa, os servos realizavam os trabalhos necessários à subsistência da sociedade. Disponível em: <http://historia7penedono.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html>. Acesso em 9 abr

6 Veja como coexistiam três ordens ou estamentos : Disponível em: <http://historia7penedono.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html>. Acesso em 9 abr A dura vida dos camponeses Os servos formavam a maioria da população camponesa. Suas obrigações eram bastante pesadas. Estavam sujeitos a um grande número de taxas: O CENSO, como pagamento pelo uso da terra; A TALHA, que era uma parte de tudo o que produziam, correspondia, em geral, a mais da metade da produção; BANALIDADES, cobradas pelo uso do forno, do moinho, celeiros e pontes e de outros equipamentos, que pertenciam ao senhor; CORVEIA, que era o trabalho obrigatório e gratuito, por três ou mais dias da semana, na reserva senhorial, para cultivar os campos e realizar várias outras tarefas: consertar caminhos, cortar e carregar madeira, construir e conservar prédios, trabalhar nas minas e pedreiras, enfim, fazer qualquer trabalho determinado pelo senhor feudal; CAPITAÇÃO, uma taxa relativa a cada pessoa da família do servo; MÃO MORTA, paga quando este morria, para que seu lote pudesse continuar a ser cultivado pelos filhos. Calcula-se que, com todas essas obrigações, cada família camponesa 6

7 acabava entregando entre um terço e metade do que produzia aos poderosos senhores feudais; FORMARIAGE, quando o nobre resolvia se casar, todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento, era também válida para quando um parente do nobre iria casar; TOSTÃO DE PEDRO ou DÍZIMO, taxa paga para manutenção da igreja existente no feudo. Organização política O poder político, na comunidade feudal, era descentralizado. O rei, de modo geral, era uma figura decorativa, com poucos poderes. Era apenas a figura central em torno da qual agrupavam os diversos domínios feudais. De modo geral, intitulava-se senhor (ou suserano) o nobre que concedia feudos a outro nobre, denominado vassalo; este, em troca, devia fidelidade e prestação de serviços (principalmente militares) ao senhor. A transmissão do feudo era realizada em uma cerimônia solene, constituída de dois atos principais: a homenagem e a investidura. Homenagem: era a cerimônia em que o vassalo (aquele que recebe) prestava juramento de fidelidade e de obediência ao suserano (aquele que concede). Investidura: consistia na entrega, ao vassalo, de um galho de árvore, uma lança ou outro objeto que simbolizasse o feudo. Disponível em: <http://senhorioefeudalidade.blogspot.com.br/>. Acesso em 9 abr

8 Pra você entender melhor como eram as relações feudo-vassálicas, observe as imagens: Disponível em: <http://historia7penedono.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html>. Acesso em 9 abr Perceba que suseranos e vassalos tinham direitos e deveres a cumprir estabelecidos entre si. Vejam os principais: Disponível em: <http://historia7penedono.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html>. Acesso em 9 abr Quanto à transmissão do feudo, é necessário esclarecer o seguinte: caso o vassalo não tivesse herdeiro, a terra enfeudada retornava ao senhor. O feudo era indivisível e só o filho mais velho tinha direito à herança. Se só existisse mulher como herdeira, o senhor, como seu tutor, indicava-lhe um marido, o qual era responsável pelo cumprimento das obrigações feudais. Na Europa Medieval, existia uma cadeia de relações vassálicas, em que quase todos os membros da aristocracia eram, ao mesmo tempo, suseranos e vassalos em relação a alguém. 8

9 Confira o infográfico: Disponível em: <http://vanildobatista.blogspot.com.br/2009/12/feudalismo.html>. Acesso em 9 abr No feudalismo houve um problema relacionado à sucessão das terras, pois sabe-se que as terras eram herdadas pelos filhos mais velhos da nobreza (primogenitude). A saída encontrada pelos outros filhos da nobreza para adquirir terras era relacionar-se com a igreja e almejar ocupar um posto de bispo, fazer casamentos rentáveis com herdeiros de quem continha terras. E era comum aos outros filhos se tornarem cavaleiros em busca de aventuras, para guerrear. Qual a importância da Igreja no Mundo Medieval? A Igreja Católica tornou-se a maior proprietária de terras na Europa medieval. Enquanto o rei e os nobres tinham suas propriedades divididas por causa de casamentos, heranças, dívidas e guerra, a Igreja só acumulou riquezas. A Igreja obtinha também grandes rendimentos por meio do dízimo, tributo obrigatório que equivalia a 1/10 (10%) de produto da terra. A Igreja era vista por muitos indivíduos como símbolo de força e resistência. Em um período de muitas doenças, fome e insegurança, o prestígio da Igreja e dos padres crescia a cada dia. Na mentalidade do homem medieval, a Igreja era o único caminho para livrar o homem do pecado e garantir a salvação da sua alma. Ser excomungado era o mesmo que ser excluído definitivamente do convívio social, um risco que corriam todos aqueles que contrariavam as determinações do clero. A Igreja, durante toda a Idade Média e até o século XVII, era algo de muito diferente daquilo a que chamamos hoje Igreja. Guiava todos os movimentos do homem, do batismo ao serviço fúnebre, e era o caminho de acesso a essa vida futura em que os homens acreditavam fervorosamente. A Igreja educava as crianças. Nas paróquias de aldeia, o sermão do pároco era a principal fonte de informação sobre os acontecimentos e os problemas comuns, e de orientação de conduta econômica. A própria paróquia constituía uma importante unidade de governo local, coletando e distribuindo esmolas que os pobres recebiam. A Igreja controlava 9

10 os sentimentos dos homens e dizia-lhes em que deviam acreditar, proporcionando-lhes distrações e espetáculos. Preenchia o valor das notícias e dos serviços de propaganda, agora cobertos por instituições muito diferentes e mais eficientes imprensa, a televisão, o cinema, etc. HILL, C.A Revolução Inglesa de Lisboa: Presença, 2001.p Para compreender o funcionamento do mundo medieval, observe esse infográfico: Disponível em: <http://historia7penedono.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html>. Acesso em 9 abr BIBLIOGRAFIA ARRUDA, J. J. História Total. Vol. 3. São Paulo: Moderna, BRAICK, P. R.; MOTA, M. História: das cavernas ao terceiro milênio. 7º Ano. São Paulo: Moderna, CAMPOS, F. de.; CLARO, R.; MIRANDA, DOLHNIKOFF R. G.Ritmos da História. 7º Ano. São Paulo: Escala Educacional COTRIM, G. História Global: Brasil e geral. 8º ed. São Paulo: Saraiva, Vol. único. HILL, C. A Revolução Inglesa de Lisboa: Presença, PILLETI, N.; ARRUDA, J. J. Toda a História - História Geral e História do Brasil. São Paulo: Ática SCHMIDT, M. História Crítica. 7º Ano. São Paulo: Nova Geração, VICENTINO, C. História, 7º Ano. Projeto Radix. São Paulo: Scipione,

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