Boletim Econômico Edição nº 23 abril de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico

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1 Boletim Econômico Edição nº 23 abril de 2014 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Perfil da economia brasileira nos governos Lula e Dilma 1

2 A economia brasileira no ciclo de governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores PT vem se caracterizando por dois vetores fundamentais: a melhoria do perfil social do país e o processo de desindustrialização da economia brasileira. 1º Governo: 2003 a 2010 Quanto ao perfil social, o Governo Lula promoveu uma valorização do salário mínimo, com constantes aumentos reais; fez crescer a massa salarial no setor privado (emprego e renda), com o aumento nos investimentos públicos; as camadas sociais menos favorecidas foram incorporadas ao mercado de consumo de classe média, através da desoneração tributária e do acesso ao crédito; e melhorou as carreiras no serviço público federal, através de concursos e de ajustes na modernização da administração fiscal e tributária. Por outro lado, permitiu uma forte entrada de produtos importados e um aumento da carga tributária. Esses fatores acarretaram a perda de competitividade da indústria nacional e engendrou um processo contínuo de desindustrialização. A contrapartida foi o fortalecimento do agronegócio, através da valorização dos preços das commodities agrícolas no mercado externo. O governo Lula colheu bem os frutos da estabilização econômica orquestrada pela equipe econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso (Plano Real), obtendo sucesso no superávit 2

3 primário (receitas despesas da União) para cumprir com o pagamento dos juros da dívida pública, obteve também superávits recorrentes no comércio internacional e crescimento significativo das reservas internacionais em dólares, lastro necessário para a chamada rolagem dessa mesma dívida pública (interna + externa). Esse período de governo ficou marcado pela falta de investimentos em infraestrutura, acarretando sérios problemas na oferta e na qualidade dos serviços públicos. A contrapartida do aumento dos gastos sociais foi o aumento do endividamento público. Entretanto, os bancos continuaram com lucros exorbitantes em todo o período. 2º Governo: 2011 a 2014 Dando continuidade ao governo anterior, o Governo Dilma herdou sérios problemas econômicos no âmbito da infraestrutura, falta de competitividade da indústria nacional, altos custos da produção e um aumento descontrolado dos gastos públicos de cunho eminentemente político. O descontrole dos gastos vem inviabilizando a política fiscal de manter superávits primários crescentes para honrar com os encargos financeiros da dívida pública As conseqüências negativas são muito visíveis. A inflação retornou de maneira perigosa; os juros voltaram a crescer; o crédito se reduziu, o consumo das famílias perdeu muita força, o 3

4 Produto Interno Bruto (PIB) caiu dois anos consecutivos e a desindustrialização continua crescendo e perdendo espaço de representatividade no PIB. Enquanto a economia mundial dá mostras que começa a sair da crise, a economia brasileira vem apresentando indicadores ruins, principalmente no setor externo, onde os contínuos superávits comerciais cederam lugar a contínuos e temerários déficits na balança comercial com o resto do mundo. A boa notícia foi o resultado do PIB em 2013, com crescimento de 2,3%. Esse resultado reduz a possibilidade de uma recessão econômica, mas não resolve a crise industrial brasileira, uma vez que o crescimento do PIB se deu graças ao avanço do setor agrícola (7% de crescimento) e ao incremento dos investimentos produtivos no final do ano. Apesar desse relativo bom desempenho em 2013, o Governo Dilma apresenta um crescimento médio de apenas 2% do PIB em sua gestão. Esse resultado é o pior desde o Governo de Fernando Collor, no qual o PIB desabou devido, sobretudo, ao confisco da caderneta poupança e demais ativos financeiros. As previsões não são nada otimistas, tendo em vista que os investimentos públicos estão travados, a desconfiança do setor empresarial é grande, os consumidores estão inseguros em relação ao crescimento da inflação e, o que é pior, há o risco de racionamento de energia. Se não bastasse tudo isso, não há previsão, no curto prazo, de redução da taxa de juros. Os principais programas sociais do Governo, quais sejam, o Bolsa família e o Minha Casa, Minha Vida não são suficientes para melhorar o desempenho da economia e, tampouco, eliminar a miséria e o enorme déficit habitacional do país. Quanto ao Programa de Aceleração do crescimento (PAC), está lento e muito mal administrado, não apresentando resultados satisfatórios de curto prazo. Um dos mais importantes instrumentos utilizados pelo Governo para incentivar a competitividade e a retomada do crescimento econômico em bases superiores e mais sólidas tem sido a desoneração tributária, principalmente sobre a folha de pagamento das empresas. Porém, os resultados concretos são insignificantes. 4

5 Anexo de Gráficos Gráfico 1: Variação do PIB (em %) País está longe de recuperar o crescimento mantido até 2010 Fonte BACEN Gráfico 2: Variação do consumo das famílias (em %) Consumo das famílias perde fôlego e é o prior em 10 anos 5

6 Gráfico 3: Evolução da desindustrialização (em % do PIB) Setor produtivo industrial perde espaço no PIB e tem menos participação desde o ano de 2000 Gráfico 4: Celeiro do mundo (em % ao ano) Agronegócio foi responsável em manter PIB em crescimento 6

7 Gráfico 5: Comportamento do Superávit primário (em % do PIB) A gastança de dinheiro público faz despencar o superávit primário e piora o endividamento do Estado Gráfico 6: Evolução da renda média anual (em US$ mil) Renda do trabalhador no Brasil ainda está longe dos países desenvolvidos 7

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