Políticas para as mulheres em Fortaleza

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1 Políticas para as mulheres em Fortaleza Desafios para a igualdade Organizadoras Maria Elaene Rodrigues Alves Raquel Viana Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres Secretaria Municipal de Assistência Social - SEMAS Prefeitura de Fortaleza

2 Políticas para as mulheres em Fortaleza Desafios para a igualdade Fortaleza 2008

3 Alves, Maria Elaene Rodrigues e Viana, Raquel (Orgs.). Políticas para as mulheres em Fortaleza: desafios para a igualdade.maria Elaene Rodrigues Alves e Raquel Viana (Orgs.). Várias autoras. Fortaleza: Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres. Secretaria Municipal de Assistência Social. Prefeitura Municipal de Fortaleza; São Paulo: Fundação Friedrich Ebert, (Caderno da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres) 156 p. 16 cm x 23 cm. ISBN Mulheres. Políticas públicas 2.Cidadania das mulheres, participação e direitos 3.Mulheres. Fortaleza (cidade) 4.Feminismo 5.Desigualdades sociais 6. Administração pública. Brasil. 7. Estado e organismos de políticas para mulheres Tiragem: exemplares

4 Prefeitura Municipal de Fortaleza Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres Secretaria Municipal de Assistência Social Políticas para as mulheres em Fortaleza Desafios para a igualdade Organizadoras Maria Elaene Rodrigues Alves Raquel Viana Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres Secretaria Municipal de Assistência Social - SEMAS

5 Políticas para as mulheres em Fortaleza Desafios para a igualdade Caderno da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres Prefeitura Municipal de Fortaleza Luizianne de Oliveira Lins Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres Maria da Penha Maia Fernandes (colaboradora de honra) Secretaria Municipal de Assistência Social Maria Elaene Rodrigues Alves Parceria Fundação Friedrich Ebert Organização Maria Elaene Rodrigues Alves e Raquel Viana Coordenação geral, preparação de textos e revisão Mione Apolinario Sales e Tatau Godinho Capa e projeto gráfico Caco Bisol Imagem da capa Material produzido pela Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Fortaleza para Comemoração do Dia Internacional da Mulher, março de Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres Prefeitura Municipal de Fortaleza Av. Luciano Carneiro, 2235, Térreo Vila União CEP Tel: (85) /8372

6 APRESENTAÇÃO A efetivação da cidadania das mulheres permanece como um desafio e uma tarefa política para os governos, gestoras e gestores das políticas públicas. Tem sido compromisso para nosso governo caminhar nessa direção. Neste primeiro mandato, um conjunto de políticas vem sendo implantado, nos diversos campos, seja da saúde, da prevenção e enfrentamento à violência, da geração de trabalho e renda, sempre incentivando a participação política das mulheres. As experiências desenvolvidas demonstram o quanto as políticas públicas são necessárias para promover a cidadania e os direitos das mulheres, com mais igualdade e participação. A Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres tem protagonizado essa nova realidade que pulsa no coração dessa imensa cidade e se reflete no cotidiano das mulheres, inspirando novas iniciativas e abrindo possibilidades de construir melhores condições de vida para nossas mulheres. Esta publicação pretende deixar registrado um investimento igualmente importante nas reflexões realizadas, ao longo desses quatro anos, a partir da experiência concreta da Coordenadoria da Mulher, trabalho que é fruto de um esforço coletivo e de muitas mãos. Espero que as discussões aqui apresentadas possam contribuir para o aprofundamento do debate que nos desafiamos a enfrentar acerca das profundas desigualdades e discriminações às quais as mulheres ainda são submetidas, mas, sobretudo, sobre as alternativas necessárias para alterar essa desigualdade. O desafio das políticas construídas e assumidas pelo poder público municipal nos convence de que é possível governar considerando as mulheres como sujeitos políticos e de direitos. 5 Luizianne Lins Prefeita

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8 INTRODUÇÃO 7 A experiência de implementação das políticas públicas para as mulheres em Fortaleza colocou-nos diante de vários desafios, dentre os quais a necessidade de refletir sobre a nossa intervenção e sobre as principais questões pautadas pelo processo de execução dessas políticas. Durante esse período, houve um esforço coletivo de manter, em nosso cotidiano de trabalho, uma visão crítica sobre os desafios da construção de políticas com uma perspectiva feminista e os limites que se apresentam na concretização da ação de governo. Mesmo pressionadas por responder ao turbilhão de demandas que caracteriza o dia-a-dia da gestão, nos colocamos o desafio de mirar um horizonte para além desses contornos, de orientar nossos passos para uma proposta global de construção da igualdade entre mulheres e homens, de ousar questionar os limites com os quais nos defrontamos. Não arrefecemos diante da contingência de refazer planejamentos, repensar propostas e readequar objetivos quando isso se mostrava como o caminho necessário. Mas nunca abrimos mão de forjar novas possibilidades e vislumbrar outras alternativas para que os objetivos traçados pudessem se concretizar. Buscamos, por um lado, nos alimentar dos debates teóricos, recorrer a reflexões já elaboradas como instrumentos que nos ajudassem a responder tais desafios. Conhecer e discutir experiências já desenvolvidas ou em andamento em outros espaços governamentais, em particular, foi outra importante fonte de inspiração e reflexão. Mas não podemos deixar de anotar que o contato cotidiano com as

9 Políticas para as mulheres em Fortaleza DESAFIOS PARA A IGUALDADE 8 mulheres de Fortaleza, as exigências e expectativas que têm expressado em relação à Prefeitura, e sua esperança de uma vida melhor têm sido nossa maior inspiração. Política para as mulheres em Fortaleza: desafios para a igualdade não poderia deixar de dar visibilidade aos múltiplos esforços de criação e operacionalização de políticas e direitos para as mulheres realizados ao longo dos últimos quatro anos. É possível perceber nos textos apresentados uma perspectiva que alinhava a reflexão sobre as distintas experiências: fortalecer as mulheres como sujeitos de sua própria história, ampliar os instrumentos e meios a seu alcance para romper com um cotidiano de subordinação e opressão. Unidade que convive com perspectivas e embasamentos teóricos distintos, como se pode ver nas opções que orientaram as várias autoras. Os textos estão organizados em dois conjuntos. Um primeiro bloco reúne os textos que discutem a experiência desenvolvida em nossa cidade. O bloco seguinte reúne textos sobre temáticas e preocupações que têm sido centrais em nossa intervenção. Inicialmente, apresentamos uma reflexão sobre desafios gerais das políticas públicas para as mulheres a partir da experiência na esfera local, ou seja em Fortaleza. O texto que aqui trazemos, de Maria Elaene Rodrigues, procura, portanto, compartilhar, com um público mais amplo, o contexto de criação da Coordenadoria Especial de Políticas para as Mulheres de Fortaleza e os pilares que orientaram nossa intervenção nas distintas áreas. Em seguida, apresentamos o trabalho das mulheres inspirado nas concepções da economia feminista e da economia solidária, em texto de Cleudes Pessoa e Raquel Viana. Visto como pilar para a construção da autonomia e da cidadania das mulheres, o acesso ao trabalho, as condições em que ele se realiza, mais as possibilidades de auto-sustentação tornam-se peça essencial para a emancipação feminina. Subjaz a isso e bem entendido uma meta e exigência fundamental, qual seja: a superação da divisão sexual do trabalho. A problemática do trabalho é retomada na segunda parte do livro, com brilhante concisão, no texto O conceito de trabalho, de Helena Hirata e Philippe Zarifian. A elaboração de uma política municipal de saúde, proporcionando condições para o livre exercício da sexualidade e o planejamento da

10 Introdução reprodução, faz-se em um contexto que a enxerga como base para uma cidadania integral. Pelas mãos de Lourdes Góes, podemos acompanhar os desafios para a construção dessa política no município de Fortaleza. O combate à violência contra a mulher foi respaldado em toda a sua especificidade e gravidade como uma política-chave da Coordenadoria, priorizando a criação de suportes institucionais capazes de prover uma assistência de qualidade às vítimas, para além da denúncia feita no espaço da Delegacia de Atendimento à Mulher. O Centro de Referência Francisca Clotilde e a Casa-abrigo vieram à luz para responder tão crucial demanda e são, também, resultado do apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Governo Federal. O caráter interdisciplinar do atendimento às mulheres, vítimas da violência sexista e patriarcal, acha-se presente em texto escrito a seis mãos, por Janaína Zaranza, Larissa Gaspar e Maria do Socorro Maciel, resguardando-se, assim, o olhar e a intervenção educativa, jurídica e psicossocial. O enfrentamento da violência sexista é retomado na reflexão sobre o Tráfico de Mulheres em Fortaleza, um tema tabu, a questionar, inclusive, os níveis de conivência entre poderes instituídos e o lucrativo comércio do turismo sexual. Além disso, o trabalho de Tatiana Raulino acena com ricos elementos de subsídios para a ação da Prefeitura, no seu amplo compromisso de apoio e defesa integral das mulheres. Tampouco poderia estar ausente um registro das experiências e desafios que pautaram a atuação da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres fortalecendo, aglutinando e impulsionando a participação política das mulheres da cidade, nestes quatro anos de governo. Resultado de uma reflexão e ação coletivas que marcaram de forma particular a atuação da Coordenadoria nesta área, e não poderia ser de outra forma, o texto de Edite Silva, Simone Holanda e Raquel Viana sintetiza os principais aspectos do trabalho desenvolvido. Ele narra a forma persistente e sistemática, combinada a dinâmicas criativas e instrumentos formais, com que buscamos construir canais para que as demandas e anseios das mulheres pudessem se expressar no debate político sobre as opções para nossa cidade e, de forma específica, nas discussões do orçamento. Todas que fazem acontecer este projeto no cotidiano da gestão estamos convencidas, assim, de que uma cidadania crítica só se constrói quando há diálogo, expressão 9

11 Políticas para as mulheres em Fortaleza DESAFIOS PARA A IGUALDADE 10 de conflitos e divergências, e construção de caminhos de participação para a mudança social. Diversas outras questões mereceriam estar presentes neste livro. Mencionamos em particular a experiência de construção do GT-Mulher, como instrumento de coordenação de políticas no interior do governo; ou, ainda, as iniciativas de formação e capacitação de gestoras e gestores sobre a desigualdade entre mulheres e homens. São temas e experiências que seguramente esperamos possam estar presentes em uma próxima publicação. Na segunda parte do livro, selecionamos textos que, de alguma forma, complementam as reflexões anteriores e aprofundam o recorte interdisciplinar tão necessário em nosso trabalho. Inicialmente, o já mencionado texto de Helena Hirata e Philippe Zarifian propõe uma conceituação crítica de trabalho apontando para a necessária reconstrução/desconstrução do conceito a partir da problemática da divisão sexual do trabalho. Em seguida, uma discussão mais geral sobre a proposta de uma política feminista, como parte da ação de governo, é desenvolvida por Tatau Godinho. Aliás, queremos registrar aqui a colaboração de Tatau Godinho em todo o projeto de trabalho que desenvolvemos na Coordenadoria nessa gestão e cuja trajetória política e profissional tem nos inspirado mesmo antes dessa caminhada. Finalmente, as temáticas da família e da educação, como esferas da socialização, da construção de valores, da reprodução social, foram priorizadas como categorias heurísticas e práticas, capazes de ensejar uma reconstrução das relações entre mulheres e homens. Os textos de Cássia Carloto e Maria Lúcia da Silveira abordam estas questões, vistas como centrais ao desenvolvimento de noções críticas à discriminação sexista, no trabalho, na escola, na comunidade e na política, rompendo com os limites que sufocam a potencialidade das mulheres. Um amplo panorama da concepção da política pública é força motriz desse livro e da experiência de gestão acumulada nos últimos quatros anos; perspectiva que enlaça em dinamismo e objetivos comuns a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres e a Secretaria de Assistência Social, não por acaso organizadoras dessa publicação.

12 Introdução Agradecemos a todas as pessoas que contribuíram para a concretização deste livro, em particular às autoras aqui representadas. Mas queremos que todas as companheiras que, em diversos momentos, colaboraram para a atuação da Coordenadoria da Mulher, diretamente junto à nossa equipe ou ao GT-Mulher, se sintam parte desta publicação. Afinal de contas, os resultados aqui apresentados são fruto de um trabalho solidário e coletivo que reuniu muitas pessoas além das que podemos registrar. Um agradecimento especial deve ser feito à Fundação Friedrich Ebert que acompanhou e colaborou com o trabalho da Coordenadoria Especial de Políticas para as Mulheres durante toda a gestão ; e insistiu, de forma companheira, para que esta publicação fosse finalizada. 11 Fortaleza, dezembro de Maria Elaene Rodrigues Alves Secretaria Municipal de Assistência Social Raquel Viana Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres

13 12 Políticas para as mulheres em Fortaleza DESAFIOS PARA A IGUALDADE

14 COMPARTILHANDO DESAFIOS A desigualdade é uma marca ainda profundamente arraigada na nossa sociedade, que impõe ao conjunto das mulheres uma condição de inferioridade e subalternidade. Implementar políticas públicas que visem à igualdade entre mulheres e homens, capazes de alterar essas relações reconhecendo as mulheres como sujeitos de direitos, é portanto um desafio a ser colocado na ordem do dia. Temos registrado avanços importantes nos últimos anos no Brasil. A institucionalização de organismos de políticas para as mulheres, no âmbito do Estado, com o papel de propor, elaborar e implementar essas políticas são um exemplo. Resultado de uma trajetória longa de lutas dos movimentos de mulheres tais organismos têm cumprido importante papel no processo de construção da cidadania das mulheres. Como colaboradora de honra da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Prefeitura da Fortaleza, tenho testemunhado essa importante experiência, que sem dúvida, se constitui num marco nas políticas para as mulheres da nossa cidade. Sei o quão desafiante tem sido mudar a lógica não somente da concepção e implementação das políticas; mas, sobretudo, de inversão de prioridades, de mudanças de cultura, de mentalidades e de valores. Quando olhamos para trás nos deparamos com um profundo vazio no campo das políticas para as mulheres em Fortaleza que, aos poucos, em um curto, mas intenso período, vem sendo alterado por meio das ações implementadas pela Coordenadoria da Mulher. Essa publicação retrata uma trajetória de avanços, de conquistas, mas, sobretudo de muitos desafios, da qual muito me orgulho de fazer parte. 13 Maria da Penha Maia Fernandes Colaboradora de honra da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres

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16 SUMÁRIO 17 Políticas públicas para as mulheres de Fortaleza: efetivando direitos e construindo sonhos Maria Elaene Rodrigues Alves O trabalho das mulheres: caminhos para a autonomia Cleudes Pessoa e Raquel Viana 43 Mulheres, participação e controle social: experiências e desafios para a gestão municipal Edite Silva, Simone Holanda e Raquel Viana 55 Direitos sexuais e reprodutivos e a cidadania das mulheres: a prevenção da mortalidade materna como alvo Lourdes Góes 71 Políticas públicas de enfrentamento da violência contra as mulheres: a experiência de Fortaleza Janaína Sampaio Zaranza, Larissa Maria Fernandes Gaspar e Maria do Socorro Camelo Maciel 89 Tráfico de mulheres: reflexões para a construção de políticas Tatiana Raulino de Sousa

17 103 O conceito de trabalho Helena Hirata e Philippe Zarifian 109 Política feminista como ação de governo Tatau Godinho 123 Família, mulheres e políticas de transferência de renda Cássia Maria Carloto 139 Relações de gênero e educação para a igualdade Maria Lucia da Silveira

18 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS MULHERES DE FORTALEZA: EFETIVANDO DIREITOS E CONSTRUINDO SONHOS MARIA ELAENE RODRIGUES ALVES 1 17 Por políticas públicas compreendemos as respostas do Estado frente às demandas da sociedade que, de forma propositiva ou não, expõe suas necessidades e expressa seu poder de pressão no sentido de publicizar tais necessidades. As políticas públicas que resultam dessa relação entre Estado e sociedade civil devem ser entendidas como processos sociais, de caráter histórico, contínuo e inacabado, constituídos por sujeitos cuja ação é responsável pela ampliação das políticas sociais. Em distintos momentos históricos, a configuração desses sujeitos e as relações que desenvolvem entre si se modificam, alterando dinâmicas na sociedade civil e no âmbito do poder público. Como sujeitos de pressão e ação com capacidade para provocar mudanças sociais, com vistas à garantia de direitos e igualdade social, podemos ressaltar a atuação dos movimentos sociais em suas diversas vertentes, dos sindicatos, dos partidos políticos etc. Na história recente do Brasil, não é possível desconsiderar a existência do movimento feminista. A ação política desencadeada por suas lutas e sua importância tanto para a conquista de cidadania como para a formulação, articulação e implementação de políticas públicas específicas para as mulheres tem deixado marcas na sociedade brasileira. É no contexto dessa história recente que este texto buscará apresentar, de forma sucinta, a proposta de políticas públicas para as mulheres em Fortaleza na gestão da Prefeita Luizianne Lins. Essa experiência ganha singularidade pelo fato de ser uma administração que tem sua origem 1 Assistente social, especialista em Violência Doméstica/USP e Secretária Municipal de Assistência Social.

19 Políticas para as mulheres em Fortaleza DESAFIOS PARA A IGUALDADE no PT, partido formado nesse contexto de história recente e, mais precisamente, por estar sendo conduzida por lideranças que se destacaram na luta das mulheres desse partido. Assim, tem sido uma experiência de administração municipal que incorpora as demandas que emergiram diretamente das lutas das mulheres da capital cearense, ampliando crescentemente o seu espaço nas políticas públicas, por meio do diálogo e interlocução permanentes com esse movimento social. 18 A luta das mulheres: conquistas e desafios no âmbito das políticas públicas Se houvesse a possibilidade de se escrever uma história completa das mulheres seria uma história milenar da opressão, tal como ela tem, desde tempos imemoriais, se inscrito na trama das relações sociais de classe e de gênero, sociedades afora, atravessando a história da humanidade até os nossos dias. Seria também a história de resistência a esta opressão, ora por meios sutis ora por meios mais diretos e políticos. Seria, com certeza, uma história de dor, mas também de conquistas e desafios. Historicamente, a relação de subordinação das mulheres em relação aos homens foi e continua a ser sustentada por uma divisão sexual e desigual do trabalho. As mulheres têm sido peça-chave no processo de reprodução social, cujo formato subjetivo e organizador do cotidiano as transforma nas principais responsáveis pelo trabalho doméstico, sendo os homens, por sua vez, considerados mola mestra do processo produtivo e, portanto, provedores econômicos da família. Trata-se da repetição incessante e automatizada de um modelo que, se em algum momento correspondeu a modelos de gestão familiar e coletiva, atualmente não deixa dúvidas do quão perversas são as práticas sociais e formas de organização coletiva que se fundamentam em uma dicotomia de um mundo público como privilégio e domínio masculinos e a manutenção de uma esfera privada que se delega às mulheres. Não obstante avanços históricos e tecnológicos, e mesmo nas práticas sociais em vários aspectos, persiste tal modelo como ideologia patriarcal: ou seja, a divisão das tarefas entre os sexos, nos marcos da sociedade capitalista, ancora-se sobretudo na desigualdade de

20 Políticas públicas para as mulheres de Fortaleza: EFETIVANDO DIREITOS E CONSTRUINDO SONHOS direitos, na manutenção de privilégios, na apropriação do trabalho e na persistência de subordinações, e não em uma repartição em face das necessidades sociais. Podemos exemplificar com a progressiva inserção massiva das mulheres no mercado de trabalho brasileiro, a partir dos anos Tal inserção tem se dado, desde então, em condições desiguais de tratamento, de tempo, de mobilidade, de espaço e de remuneração em relação aos homens, principalmente pelo fato de as mulheres serem as executoras das atividades vinculadas às esferas dos cuidados da família e da casa. Aliado a esses fatores, o trabalho profissional das mulheres é sempre visto como complementar às suas responsabilidades domésticas, ratificando-se, assim, o patriarcalismo. Essa cultura desigual entre homens e mulheres vem sendo engendrada, ao longo dos séculos, como prática e ideologia, impondo às mulheres, ainda na sociedade contemporânea, uma condição de submissão, subalternidade e dependência financeira, emocional e social em relação aos homens. No Brasil, essa história tem raízes e particularidades assentadas na colonização portuguesa, época em que as mulheres indígenas e escravas eram abusadas, violentadas e tratadas como mero objeto da luxúria dos senhores colonizadores. Essa experiência e memória do patriarcado no processo de fundação do país são ainda muito fortes nas práticas e no imaginário masculinos. Reeditam-se no cotidiano por meio de situações como as que envolvem as mulheres no contexto do tráfico de pessoas e o turismo sexual na modernidade tardia. Se nos debruçarmos, porém, sobre esse passado, perceberemos que a mulher e todas essas marcas dolorosas inscritas no seu corpo, que serve de metáfora também para a condição de nação violentada pelo colonizador foi uma presença silenciada na história, quando não totalmente excluída. Somente no século XX as mulheres brasileiras vão conseguir dar passos concretos rumo à luta e pauta de reivindicações feministas; para além da incipiente atuação pioneira de mulheres burguesas, escritoras e artistas plásticas, desde meados do século XIX à paradigmática Semana de Arte Moderna (1922), e das resistências isoladas de mulheres dos segmentos populares de escravas e libertas, de trabalhadoras, de imigrantes ainda hoje pouco desvendadas nos estudos históricos 19

21 Políticas para as mulheres em Fortaleza DESAFIOS PARA A IGUALDADE 20 entre nós. A Constituição de 1934 vai assegurar o voto feminino 2 no Brasil, logo após expressivas lutas das classes trabalhadores na Europa e Estados Unidos, no contexto das ascendentes bandeiras socialistas, comunistas e anarquistas, e de um movimento feminino pelo voto no âmbito nacional. Entre nós, a história política das mulheres vai sofrer os mesmos revezes que caracterizaram as interrupções e rupturas da ordem democrática no país, durante todo o século XX, em que disputas autoritárias e ditaduras se sucederam. As décadas de 1960 a 1980 foram marcadas pelo mais longo período de regime ditatorial implantado no Brasil. É nesse contexto que o movimento feminista ganha impulso e se organiza em nossa sociedade, especialmente a partir dos anos 1970, na esteira dos movimentos contraculturais na França e da luta por direitos civis nos Estados Unidos, nos psicodélicos anos Além de reivindicar as questões específicas das mulheres, o feminismo articula essa luta com a luta geral pelo fim da repressão política no país. Segundo Ana Maria Colling, naquela década as mulheres já organizadas, combinaram a luta contra a ditadura e por melhores condições de vida, com a discussão dos problemas específicos das mulheres sexualidade, contracepção, aborto, dupla jornada de trabalho e a discriminação econômica, social e política. A ação política das mulheres no período da ditadura militar se dá, portanto, em duas frentes na luta contra a repressão e na luta contra as desigualdades entre homens e mulheres (1997: 43-4). Compreendemos o feminismo como um movimento social e político cuja ação é responsável por mudanças conjunturais e de longo prazo, no sentido de impulsionar e contribuir para mudanças sociais, políticas e culturais na vida das mulheres e, sobretudo, por provocar mudança de valores na nossa sociedade. O movimento feminista não se esgota, assim, na tomada de consciência do ser mulher, embora seja a partir dela que sua ação 2 Não obstante o quadro populista em que se obteve tal garantia do sufrágio estendido às mulheres, o que leva a certa minimização do seu valor e importância inclusive pelo movimento de mulheres, é necessário refletir sobre seu significado e poder cultural de multiplicação a posteriori. E comparar sua aprovação no Brasil à experiência de uma nação como a França terra de Simone Beauvoir, onde paradoxalmente se assegura o voto às mulheres apenas após a Segunda Guerra Mundial.

22 Políticas públicas para as mulheres de Fortaleza: EFETIVANDO DIREITOS E CONSTRUINDO SONHOS política se faz visível, o que também tem ocorrido em diversas partes do mundo no processo de construção desse movimento social. É importante ressaltar que foi a radicalidade do feminismo que trouxe visibilidade para questões até então naturalizadas pela sociedade, dentre as quais a principal era a visão da mulher como ser dependente, submisso e inferior. Foi contra este tipo de naturalização e seus estereótipos que o feminismo levantou suas bandeiras e realizou ações políticas que muito contribuíram para trazer à agenda pública temas e problemas antes reservados ao mundo privado: a violência doméstica e sexual, a educação diferenciada, os salários desiguais, e tantas outras que se tornaram bandeiras de lutas das mulheres em todos os continentes. São visíveis as mudanças que se processaram no Brasil após a década de 1970 e 1980, tendo como articulador esse movimento. Podemos citar avanços em vários âmbitos. Como exemplo, destacaremos questões no âmbito da legislação brasileira, tendo em vista que o foco deste texto são políticas públicas e ações institucionais: a) a conquista da licença maternidade de 120 dias, na Constituição de 1988, e recentemente ampliada de forma parcial para seis meses. E a ainda extremamente limitada licença-paternidade, com o objetivo de ampliar a responsabilização masculina pelo cuidado com os filhos; b) a lei 9.100/95 que determinou aos partidos políticos o estabelecimento de quotas de participação de mulheres nos processos eleitorais, inscrevendo no mínimo 30% de candidaturas femininas em suas listas e chapas proporcionais. Embora virtualmente ineficaz nos resultados para o legislativo e a despeito da polêmica que suscita, a referida lei ampliou o nível de participação das mulheres nas instâncias partidárias e criou um fato social e político, uma vez que gerou discussões e polarizou com setores que vêem a política de forma conservadora, fundamentada em velhos modelos de representação democrática. Ainda no âmbito das conquistas em termos de legislação, podemos citar outras iniciativas importantes: 1) mudanças no Código Civil que, entre outras questões, extinguiu a noção de adultério como forma de crime; 2) normativas expedidas com interpretações da legislação 21

23 Políticas para as mulheres em Fortaleza DESAFIOS PARA A IGUALDADE 22 penal de forma a garantir a implementação do aborto na rede pública de saúde, naqueles casos já previstos em lei; embora tal aplicação ainda encontre amplas resistências para ser materializada; 3) por último, destacamos a lei , de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que representa uma conquista de 30 anos de luta do movimento no enfrentamento à violência contra as mulheres. Nesse contexto de avanços e novos desafios, as políticas públicas, as mudanças legais e os organismos criados para cuidar das questões específicas relacionadas à desigualdade entre mulheres e homens representam, sem dúvida, uma resposta do Estado às pressões e reivindicações do movimento feminista. Aspecto importante, e que não deve ser subestimado, diz respeito à ênfase dada pela agenda dos movimentos de mulheres às questões relativas aos direitos sexuais e reprodutivos e à violência de gênero, especialmente a partir dos anos 1990 quando comparada à agenda dos anos 1980, período de destaque do processo de redemocratização no Brasil. De modo geral, essas conquistas foram decisivas para influenciar as relações entre mulheres e homens, as relações de gênero, ampliando o espaço de participação das mulheres na sociedade e de reconhecimento dos seus direitos e de suas demandas por igualdade social. Foi, com certeza, o caráter contestador desse movimento que garantiu algumas bandeiras representativas da mudança nos valores culturais de brasileiros e brasileiras, ao mesmo tempo em que contribuiu para polarizar opiniões sobre sua ação e estratégias políticas. Assim, podemos afirmar que a história de luta das mulheres já percorreu um longo caminho e, considerando que todo movimento é dialético, passou por avanços e recuos. Não obstante, pode-se dizer, com o apoio de Vera Soares, que a estratégia do feminismo de tornar visível a questão da mulher, sua exclusão e desigualdade, foi vitoriosa (1998: 21). A formação de movimentos em que as mulheres reivindicam questões básicas como saúde, água, esgoto, postos de saúde, ou seja, bens públicos são diferentes daqueles que problematizam outras questões que, por serem específicas, constituem novos atores, os quais introduzem novas lentes e novas práticas sociais, formando novas identidades e novos sujeitos sociais e políticos (Souza-Lobo, 1991: 220).

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