TRANSFORMAÇÕES AGRÁRIAS, TIPOS DE PLURIATIVIDADE E DESENVOLVIMENTO RURAL: considerações a partir do Brasil

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1 SCHNEIDER, S. ; CONTERATO, Marcelo Antônio. Transformações agrárias, tipos de pluriatividade e desenvolvimento rural: considerações a partir do Brasil. In: Guillermo Neiman; Clara Craviotti. (Org.). Entre el Campo 1 y la Ciudad - Desafíos y estrategias de la pluriactividad en el agro. Buenos Aires: Ciccus, 2006, TRANSFORMAÇÕES AGRÁRIAS, TIPOS DE PLURIATIVIDADE E DESENVOLVIMENTO RURAL: considerações a partir do Brasil Introdução Sergio SCHNEIDER 1 Marcelo Antonio CONTERATO 2 Nos anos recentes, assiste-se no Brasil uma retomada do debate acerca do desenvolvimento rural. Entre os estudiosos e especialistas disseminou-se a percepção da necessidade do país rediscutir a orientação das formas de intervenção do Estado e buscar um novo enfoque para as políticas públicas. Para além dos mecanismos de estímulo ao aumento da produtividade e à inversão de tecnologias na agricultura, o debate recente vem contemplando questões de natureza social. Como exemplo, pode-se citar algumas iniciativas governamentais que emergiram ao longo da década de 1990 tais como as políticas de apoio à agricultura familiar (notadamente o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF), as ações no âmbito do Programa de Reforma Agrária e Assentamentos e, mais recentemente, o Programa Fome Zero (criado no governo Lula). É bem verdade que este processo de legitimação e implementação de um conjunto diferenciado de políticas públicas ainda é insuficiente e pouco expressivo quando comparado aos dispêndios de recursos e espaços políticos que mantêm as ações que privilegiam os resultados produtivistas da agricultura. Não se trata aqui de detalhar a separação entre as ações de desenvolvimento rural e aquelas de natureza produtivista, mas não se pode desconhecer que o Brasil é um dos poucos (senão o único) países que possui dois ministérios que se ocupam das questões relacionadas à agricultura e ao mundo rural, sendo um deles incumbido de cuidar da produção, da defesa sanitária e da regulação do abastecimento agroalimentar (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA) e o outro dos programas fundiários, do crédito para a agricultura familiar e da gestão territorial (Ministério do desenvolvimento Agrário - MDA). Além das alterações nas formas de intervenção do Estado, também está ocorrendo no Brasil uma estimulante discussão de caráter acadêmico e político sobre a própria ruralidade. Embora sejam discussões polissêmicas, parece haver consenso entre seus formuladores de que o rural brasileiro é muito mais amplo e diversificado do que a atividade agrícola stricto sensu. A reflexão sobre a ruralidade também acaba desembocando em análises sobre os mecanismos de promoção do desenvolvimento rural (Veiga, 2001; Graziano da Silva, 2001). Por conta disso, já é relativamente consensual que as mudanças a serem realizadas nos espaços rurais do Brasil são complexas e exigem bem mais do que apenas gerar ações técnicas e práticas que estimulam a produção agrícola. Ao contrário, é preciso superar a concepção estreita que associa o rural ao agrícola e o seu desenvolvimento à uma racionalidade empresarial de 1 Sociólogo, Mestre e Doutor em Sociologia. Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural e do Departamento de Sociologia da UFRGS. Pesquisador do CNPq (Bolsa Produtividade em Pesquisa). Endereço: Av. João Pessoa, 31, Centro - Porto Alegre, RS: E- mail: Este trabalho conta com o apoio do CNPq no financiamento de pesquisas sobre as dinâmicas territoriais da agricultura familiar e do desenvolvimento rural no Sul do Brasil. 2 Licenciado em Geografia, Mestre em Desenvolvimento Rural e doutorando em Desenvolvimento Rural (PGDR) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Endereço: Rua Gonçalves Dias 201/303, Bairro Menino Deus Porto Alegre/RS/BR, CEP: ou

2 2 gestão dos fatores de produção. Nestes termos, o desenvolvimento rural é entendido como um processo multi-setorial, que envolve atividades agrícolas e não-agrícolas, e multifuncional, porque cumpre, simultaneamente, funções produtivas, ambientais, ecológicas e sociais. O objetivo deste trabalho consiste em refletir sobre as potencialidades da pluriatividade para se pensar na redefinição do modelo de desenvolvimento atualmente hegemônico. O trabalho focaliza o caso brasileiro e utiliza-se de dados, ainda inéditos, de uma pesquisa recente sobre as famílias pluriativas no estado do Rio Grande do Sul, localizado na região Sul do Brasil. Busca-se indicar em que medida a combinação das atividades agrícolas e não-agrícolas por parte das famílias rurais poderia ajudar na solução de problemas corriqueiros que afetam as populações rurais tais como a instabilidade e sazonalidade das rendas, a geração de emprego no meio rural, a redução dos fluxos migratórios, entre outros. Para dar conta do objetivo proposto, o trabalho estrutura-se em sete seções, que articuladas buscam mostrar como as mudanças societárias têm possibilitado o reconhecimento da necessidade de um debate mais amplo sobre o desenvolvimento rural e como a pluriatividade pode contribuir para isso. Na primeira seção, discute-se como as mudanças que ocorrem globalmente influenciam as dinâmicas socioeconômicas no meio rural, seja modificando constantemente os aspectos tenicoprodutivos, seja por uma interdependência cada vez maior entre os setores e os agentes responsáveis pelo desenvolvimento rural. Na segunda seção busca-se uma aproximação analítica sobre a pluriatividade e suas manifestações espaciais, reconhecendo que ela se apresenta diferentemente nos espaços, dada a existência de distintas dinâmicas territoriais de desenvolvimento e de inserção mercantil da agricultura familiar. A terceira seção dedica-se a apresentar e analisar as atividades rurais não-agrícolas e a pluriatividade no Brasil, com ênfase para a região Sul, demonstrando a sua abrangência e evolução nas últimas décadas. A quarta seção busca indicar como a pluriatividade pode atuar na promoção do desenvolvimento rural, podendo ser tomada como parte integrante do modo de vida dos agricultores familiares. Na quinta seção são apresentados e analisados dados sobre dinâmicas territoriais da agricultura familiar e tipos de pluriatividade a partir de recente pesquisa realizada no estado do Rio Grande do Sul onde, em certa medida, se está pondo à prova as possibilidades da pluriatividade em potencializar o desenvolvimento rural, bem como a necessidade de trazer à tona as diferentes expressões da própria pluriatividade. A seção que antecede às conclusões faz referências a necessidade de uma nova orientação das políticas públicas através do reconhecimento e incorporação por parte destas de uma realidade que cada vez mais se desvela no meio rural: as atividades não-agrícolas e a pluriatividade. As mudanças societárias e seus impactos sobre o meio rural De uma maneira geral, considera-se que as mudanças recentes nas ações governamentais para o meio rural brasileiro assim como o amadurecimento da sociedade civil e a ampliação das discussões entre estas duas esferas, vão de encontro a um conjunto de transformações mais profundas que se operam no tecido social e econômico da sociedade contemporânea. Estas mudanças, que influenciam os espaços rurais e suas populações, estão relacionados ao processo de ampliação da interdependência nas relações sociais e econômicas em escala internacional, designado por muitos autores como a essência da globalização. A globalização traz efeitos e estabelece novos condicionantes que, sinteticamente, podem ser entendidos e caracterizados a partir da excepcional capacidade da economia capitalista de ajustar, em

3 escala planetária, a interdependência entre as condições de tempo e espaço no processo global de produção de mercadorias. No que diz respeito à agricultura e ao mundo rural, os efeitos da reestruturação econômica, produtiva e institucional podem ser percebidos através de múltiplas dimensões. Primeiro abrem-se os mercados, aceleram-se as trocas comerciais e intensifica-se a competitividade, agora tendo por base poderosas cadeias agroalimentares que monopolizam a produção e o comércio atacadista em escala global, restringindo a participação nestas relações de troca de imensas regiões produtoras, o que vale inclusive para alguns países e mesmo parcelas continentais (Reardon e Berdegué, 2003). Segundo, paralelamente ao processo contínuo de aprofundamento do progresso tecnológico (agora via biotecnologias, engenharia genética, etc), assiste-se ao aparecimento de iniciativas, dos mais variados matizes, que contestam e criticam o padrão técnico dominante (Goodman e Watts, 1997). Terceiro, as modificações nos processos de produção pós-fordistas (mais flexíveis e descentralizados) levam à diluição das diferenças setoriais (agribusiness é visto pelo encadeamento de vários setores) e espaciais. O rural deixa de ser o locus específico das atividades agrícolas e as variadas formas de complementação de renda e ocupação em atividades não-agrícolas permite que a renda de muitas famílias que residem no meio rural se estabilizem ao longo do ano e que os filhos não precisem mais deixar o meio rural para achar emprego (OCDE, 1996; Echeverría, 2001; Graziano da Silva, 1999; Schneider, 2003). Quarto, modifica-se o papel do Estado, do poder público em geral e das instituições que atuam nos espaços rurais, pois o centralismo cede espaço à parceria, às ações descentralizadas e à valorização da participação da sociedade civil (Schejtman, A. Berdegué, J., 2003; Campanhola e Graziano da Silva, 2004). Quinto, a dimensão ambiental e as práticas de uso sustentável dos recursos naturais deixa de ser vista como um aspecto secundário e marginal, tomado como um argumento restrito as minorias e passa a ser um fator de competitividade, um elemento de estímulo à ampliação do consumo, uma vantagem econômica comparativa e um pré-requisito para obtenção de créditos e acesso à fundos de investimento, especialmente os de fontes públicas (Ploeg e Renting, 2000). Em face dessas transformações, vários analistas passaram a preconizar a necessidade de repensar as abordagens analíticas e os enfoques que até então eram utilizados como referências teóricas para definir o desenvolvimento rural. Este é, em particular, o caso da abordagem das estratégias de sobrevivência familiares e a diversificação dos modos de vida rurais (household strategies and rural livelihood diversification), exposta pelo inglês Frank Ellis (2001; 2000; 1998). Segundo este autor, o desenvolvimento rural consiste em um conjunto de iniciativas pragmáticas que visam gerar impactos significativos na melhoria das condições de vida dessas populações e ampliar suas perspectivas de garantir a reprodução social e econômica. Na maioria das vezes, as oportunidades para alcançar estas ações encontram-se nas próprias localidades e territórios onde as pessoas vivem. A diversificação não implica apenas em ampliação das possibilidades de obtenção de ingressos, especialmente rendas (agrícolas, nãoagrícolas, outras) mas representa, sobretudo, uma situação em que a reprodução social, econômica e cultural é garantida mediante a combinação de um repertório variado de ações, iniciativas, escolhas, enfim, estratégias (2000, p. 25; 2001, p.443). Todo este esforço reflexivo conduziu ao entendimento de que uma interpretação mais flexível e alargada do desenvolvimento rural implicaria na superação da idéia de que há um caminho único e imperativo. O desenvolvimento agrícola, base da modernização da agricultura, refere-se exclusivamente às condições da produção agrícola e/ou agropecuária. Por conta disso, o paradigma da modernização da agricultura, que dominou a teoria, as práticas e as políticas, como a principal ferramenta 3

4 4 para elevar a renda e o desenvolvimento das comunidades rurais, vem sendo substituído pelo desenvolvimento rural (Veiga, 2002; 2004). Este novo modelo busca valorizar as economias de escopo em detrimento das economias de escala, a pluriatividade das famílias rurais, a participação dos atores sociais, entre outros. Em síntese, conforme mencionaram Van der Ploeg, et all., o desenvolvimento rural implica em uma saída para as limitações e falta de perspectivas intrínsecas ao paradigma da modernização e ao acelerado aumento de escala e industrialização que ele impõe (2000, p. 395). Mesmo reconhecendo as características multidimensionais a serem consideradas para que se possa identificar uma determinada situação ou processo segundo os princípios alinhados ao desenvolvimento rural, a preocupação com o emprego e as formas de ocupação continua a ser uma variável fundamental a ser considerada. Neste sentido, assume um interesse crescente dos estudiosos do desenvolvimento rural pela pluriatividade, que constitui-se na combinação da ocupação agrícola com outras nãoagrícolas por pessoas que residem no meio rural e pertencem a uma mesma família. Portanto, trata-se de famílias que acabam se tornando pluri ocupadas em razão da diversidade de atividades praticadas pelos membros que as compõem. Antes de desenvolver argumentos mais detalhados sobre a pluriatividade, vale a pena uma breve digressão que permita entender alguns dos fatores causais que estão na raiz da emergência das novas formas de emprego e obtenção de rendas para os agricultores. Entre as razões apontadas para explicar as mudanças nas formas de ocupação no meio rural e o crescimento da pluriatividade destacam-se os seguintes fatores: a) a própria modernização técnico-produtiva: o intenso processo de modernização tecnológica experimentado pelas atividades agropecuárias e a crescente externalização de etapas dos processos produtivos tornaram as práticas produtivas no meio rural cada vez mais individualizada, resultando, invariavelmente, em redução da utilização da mão-de-obra total das famílias rurais. Isso estaria diretamente associado ao aumento dos membros das famílias com domicílio rural ocupados em atividades não-agrícolas; b) a queda das rendas agrícolas: esta, por sua vez, seria decorrência principalmente do aumento dos custos de produção agrícola, da dependência tecnológica e das políticas protecionistas. As atividades agrícolas têm se caracterizado principalmente pela busca incessante de índices de produtividade (da terra e do trabalho), fundamentalmente a partir do incremento em capital imobilizado (maquinário e benfeitorias) e aumento da utilização de insumos industriais (adubos, defensivos, etc.). Não obstante, o incremento na capacidade instalada e produtiva na agricultura não significa maior rentabilidade da atividade, pois os agricultores tornam-se, ao mesmo tempo, cada vez mais dependentes do consumo de insumos e bens intermediários ao mesmo tempo em que perdem o controle sobre os custos de produção. Associa-se a estes fatores a total dependência do mercado em relação aos preços agrícolas recebidos, resultando em corrosão de suas rendas. Neste sentido, a busca por complementos de renda em atividades não-agrícolas tem sido uma estratégia de complemento de renda e estabilização dos ganhos mesmo naquelas unidades agrícolas mais modernizadas tecnologicamente; c) as políticas de estímulo as atividades rurais não-agrícolas e contenção das migrações: nos países desenvolvidos, embora não exclusivamente, as atividades não-agrícolas e a pluriatividade das famílias passou a contar com o apoio e o estímulo das políticas públicas para contrapor-se não apenas à queda das rendas no setor agrícola mas, sobretudo, como uma estratégia de desintensificação da

5 5 agricultura buscando-se amenizar os problemas de super produção e os impactos ambientais. Os estímulos oferecidos aos agricultores pela União Européia, introduzidos a partir da grande reforma da Política Agrícola Comum (PAC), ocorrida em 1991/92, estão relacionados a esta nova situação. Em um cenário onde o desemprego tornou-se um problema estrutural sem perspectivas de resolução imediata, a busca de geração de oportunidades de trabalho e ocupação no meio rural passou a figurar entre os objetivos das políticas públicas; d) as mudanças nos mercados de trabalho: a expansão da pluriatividade no meio rural também pode ser atribuída à dinâmica do mercado de trabalho não-agrícola. Existem vários estudos que indicam as relações entre processos de descentralização industrial ou de industrialização descentralizada em áreas não-urbanas com o crescimento de atividades não-agrícolas nos espaços rurais. Este é o caso, no Brasil de algumas áreas dos estados de Santa Catarina (Vale do Itajaí) e do Rio Grande do Sul (Encosta Inferior e Superior da Serra do Nordeste); e) o reconhecimento da importância crescente da agricultura familiar no meio rural: estudiosos das transformações contemporâneas do rural, passaram a perceber que não só a agricultura familiar tem capacidade de persistir em face à crescente mercantilização produtiva e inserção em mercados como, efetivamente, ela passou a ser a principal forma social presente nos espaços rurais dos países capitalistas mais desenvolvidos (Abramovay, 1992). E a pluriatividade passou a ser percebida como uma das estratégias fundamentais de reprodução da agricultura familiar e adaptação às transformações macro-estruturais na agricultura. Vários estudos (Schneider, 2003) começaram a demonstra que o exercício de várias atividades dentro de um mesmo estabelecimento seria uma característica intrínseca ao modo de funcionamento de unidades de trabalho que organizam-se sob a égide do trabalho familiar e não uma demonstração de fraqueza ou definhamento desta forma social. Tipos de pluriatividade: intersetorial e agrária A pluriatividade caracteriza-se pela combinação das múltiplas inserções ocupacionais das pessoas que pertencem a uma mesma família. A emergência da pluriatividade ocorre em situações em que os membros que compõem as famílias domiciliadas nos espaços rurais combinam a atividade agrícola com outras formas de ocupação em atividades não-agrícolas. Ou seja, a pluriatividade resulta da interação entre as decisões individuais e familiares com o contexto social e econômico em que estas estão inseridas. Objetivamente, a pluriatividade refere-se à um fenômeno que pressupõe a combinação de duas ou mais atividades, sendo uma delas a agricultura. Esta interação entre atividades agrícolas e não-agrícolas tende a ser mais intensa à medida que mais complexas e diversificadas forem as relações entre os agricultores e o ambiente social e econômico em que estiverem situados. Isto faz com que a pluriatividade seja um fenômeno heterogêneo e diversificado que está ligado, de um lado, as estratégias sociais e produtivas que vierem a ser adotadas pela família e por seus membros e, de outro, dependerá das características do contexto em que estiverem inseridas. Essa combinação permanente de atividades agrícolas e não-agrícolas, em uma mesma família, é que caracteriza e define o fenômeno da pluriatividade, que tanto pode ser um recurso do qual a família faz uso para garantir a reprodução social do grupo ou do coletivo que lhe corresponde como também pode representar uma estratégia individual, dos membros que constituem a unidade doméstica. A pluriatividade também

6 pode adquirir significados diversos e servir para satisfazer projetos coletivos ou como resposta às decisões individuais. Além disso, as características da pluriatividade variam de acordo com o indivíduo-membro que a exerce, pois tal processo social acarreta efeitos distintos sobre o grupo doméstico e sobre a unidade produtiva, de acordo com variáveis como o sexo ou posição na hierarquia da família de quem a pratica. O mesmo pode-se dizer das condições sociais e econômicas locais, do ambiente ou do contexto, em que ocorre a pluriatividade. Nesse caso, variáveis exógenas à unidade familiar, como o mercado de trabalho e a infra-estrutura disponível, entre outros, são fatores determinantes da evolução e tendências de tais fenômenos. A pluriatividade não ocorre de forma apenas marginal ou transitória, confinada à determinadas situações particulares, assim como também não representa um processo com tendência à generalização para todas as áreas rurais. A pluriatividade aparece em contextos e situações onde a integração dos agricultores à divisão social do trabalho passa a ocorrer não mais exclusivamente através de sua inserção nos circuitos mercantis via processos de produção agropecuários ou mesmo pelas relações de trabalho (assalariamento) em atividades exclusivamente agrícolas. A pluriatividade tende a se desenvolver como uma característica ou uma estratégia de reprodução das famílias de agricultores que residem em áreas rurais situadas em contextos onde sua articulação com o mercado se dá através de atividades não-agrícolas ou para-agrícolas. Embora não exclusivamente, a pluriatividade pode ser observada com maior proeminência entre os agricultores familiares, especialmente naquelas regiões onde esta forma social possui uma história de ocupação do espaço e do território. Isto implica em analisar como se dá a articulação entre o contexto social e econômico e as decisões dos indivíduos pertencentes a um grupo familiar. Implica em descobrir porque razão algumas famílias que são proprietárias de um pequeno pedaço de terra e trabalham na produção agropecuária, ligadas entre si por laços de parentesco e de consangüinidade, passam a estimular os seus membros a buscarem empregos e ocupações não-agrícolas, oferecidas por setores como a indústria da transformação, da construção e a prestação de serviços de toda ordem e pelo serviço público. Nos contextos em que a agricultura familiar é a forma social hegemônica, o aparecimento da pluriatividade tende a estar acompanhado de um processo de mercantilização (Ploeg, 1990;1992). Por mercantilização entende-se o processo de redução crescente da autonomia das famílias rurais e sua inserção crescente em circuitos onde predominam as trocas mercantis. Neste processo, as estratégias de reprodução social tornaram-se cada vez mais subordinadas e dependentes e se amplia a interação mercantil com o ambiente social e econômico externo. Desse modo, o reconhecimento da pluriatividade como estratégia de reprodução na agricultura familiar passa, necessariamente, pela consideração dos distintos graus de mercantilização na agricultura de base familiar. A pluriatividade manifesta-se naquelas situações em que a integração dos membros das famílias de agricultores aos mercados passa a ocorre também pela via do mercado de trabalho. Este processo pode ocorrer tanto naquelas situações em que os agricultores já estiverem inseridos em mercados de produtos (no geral ligados à agropecuária), bens e serviços ou em outros em que a integração produtiva é muito incipiente e a venda da força de trabalho passa a ser a principal mercadoria de troca dos agricultores com o mercado. Isto significa, primeiro, que este processo promove e aprofunda a inserção do agricultor familiar aos circuitos mercantis e, segundo, que esta inserção ocorre segundo as características previamente existentes nos territórios, podendo se dar concomitantemente em mercados de produtos (nas situações em que 6

7 7 vigora o sistema de integração agroindustrial, por exemplo) e de trabalho ou apenas através da venda da força de trabalho. Contudo, para compreender a ampla diversidade de formas que assume a pluriatividade em face dos condicionantes internos à unidade familiar (grau de tecnificação, número de membros da família, etc) e ao ambiente social e econômico em que se encontra, considera-se necessário e adequado recorrer à uma classificação destas famílias segundo o tipo de atividade. Até recentemente, a maior parte dos estudos, especialmente europeus, focalizou a pluriatividade apenas como aquela situação em que pessoas de uma mesma família rural combinam a ocupação nas atividades agrícolas com outras não-agrícolas vinculados à outros setores e ramos econômicos como a indústria, o comércio, os serviços, etc. Este tipo de pluriatividade configura a situação clássica de interação intersetorial da agricultura com outras atividades econômicas. Contudo, com a disseminação de estudos sobre a pluriatividade no Brasil, começaram a aparecer questionamentos e críticas baseadas no argumento de que esta situação típica da pluriatividade intersetorial somente seria encontrada em algumas regiões específicas. Basicamente, o argumento se assenta na idéia de que a pluriatividade seria um fenômeno absolutamente dependente e tributário do ambiente social em que se insere. Não havendo ali a possibilidade de integração intersetorial entre os mercado de trabalho agrícola e não-agrícola, não haveria a pluriatividade. Tendo em vista que no Brasil existem várias regiões que dependem fundamentalmente da agricultura para se desenvolver, nestes contextos a pluriatividade jamais poderia aparecer e se constituir em uma estratégia de ocupação e renda para as populações. Não obstante, apesar das ocupações agrícolas serem predominantes, isto não significa que sejam as únicas. Mesmo em regiões onde as ocupações agrícolas são maioria, a pluriatividade também pode aparecer, mesmo que distinta da sua forma empírica e analiticamente mais reconhecida, que é aquela que se caracteriza pela integração entre diferentes setores econômicos. É em face deste problema que alguns estudiosos passaram a argumentar que mesmo nas situações em que não havia a integração intersetorial poderia se encontrar formas de combinação de atividades e ocupações que caracterizariam um novo tipo, denominado de pluriatividade agrária. Os primeiros pesquisadores a referi-se à este tipo de pluriatividade foram os espanhóis, reconhecendo a combinação de atividades diretamente ligadas à agropecuária dentro e fora do estabelecimento (Sampedro Gallego, 1996; Etxezarreta, 1988:1995; Brun, 1987) 3. Trata-se, de acordo com Sampedro Gallego (1996), de uma pluriatividade interna ao setor agrário, que se expressa principalmente em sistemas agrários caracterizados por uma estrutura de posse das propriedades muito desequilibrada que acaba por desvelar, na maioria das vezes, uma realidade de intensa diferenciação social e econômica na agricultura e no meio rural, principalmente em relação à posse da terra e dos demais fatores de produção. As atividades que caracterizam a pluriatividade de base agrária, como a venda de serviços de máquina ou equipamentos agrícolas em períodos de plantio, colheita ou manejo, bem como em atividades sazonais manuais de plantio, colheita ou manejo, representam extensões do espaço laboral da exploração agropecuária, pois sua realização se dá pelo uso de fatores, meios de produção e outros recursos existentes no próprio estabelecimento agropecuário. 3 Isto não significa que outros termos como atividades complementares, prestadores de serviços e outros não tenham sido utilizadas por estudiosos para caracterizar o mesmo fenômeno. O fato é que estes tipos de atividades não eram consideradas como pluriativas pelo fato de ocorrer no setor agropecuário.

8 8 No Brasil, os estudos sobre a pluriatividade de base agrária ainda são embrionários. O primeiro trabalho que operou com esta tipificação foi Conterato (2004). Segundo este autor a pluriatividade de base agrária é uma decorrência da própria externalização do processo produtivo agrícola, porque emerge em um ambiente social e econômico onde predomina um padrão exclusivamente agrícola de desenvolvimento. A medida que se externalizam etapas do processo de produção, amplia-se o recurso à contratação de serviços de máquinas e equipamentos agrícolas 4. A contratação dos serviços de máquinas e mesmo de pessoas é uma situação típica de terceirização de fases dos processos produtivos agrícolas, o que acaba gerando o aparecimento de novas ocupações remuneradas para pessoas com domicílio no meio rural que antes só trabalhavam em seus próprios empreendimentos. Em seu estudo referencial sobre a terceirização na agricultura, Laurenti (2000) mostra que é uma prática corrente no meio rural brasileiro, principalmente naquelas regiões onde predominam os cultivos de commodities, como soja, milho e trigo, ou culturas exigentes em tecnologias e poupadoras de mão-de-obra. De uma maneira geral, esta realidade decorre da apropriação do progresso técnico pelos agricultores, mesmo que em níveis diferenciados. Trata-se de um processo que delega a agentes externos tarefas previamente realizadas no interior das unidades pelos próprios agricultores. Por ser utilizada durante curtos espaços de tempo (poucos dias ou semanas durante um ano), a terceirização através da prestação de serviços de máquinas ou equipamentos agrícolas nem sempre resulta em incrementos significativos na renda. Um aspecto comum a estes dois tipos de pluriatividade, a que chamamos de intersetorial e a de base agrária, é o fato de que ambos ampliam o processo de interação dos agricultores com os mercados, quer seja através da venda da força de trabalho ou da prestação de serviços. Como antes destacado, a mercantilização não é um processo linear, pois ocorre em graus variados e distintos, segundo o tipo de atividade, as características internas das famílias e do estabelecimento e do contexto social e econômico em que se encontra. As atividades rurais não-agrícolas e a pluriatividade no Brasil No Brasil, a discussão sobre a pluriatividade é recente. Somente em meados da década de 1990 surgiram os primeiros trabalhos sobre as alterações nos mercado de trabalho rural, com destaque para análise da emergência das atividades não-agrícolas. Embora houvesse o esforço de pesquisadores pioneiros no tema, a consolidação do tema na agenda acadêmica deve-se aos trabalhos realizados no âmbito do Projeto Rurbano sobre a dinâmica ocupacional do mercado de trabalho rural. Estes trabalhos demonstraram que, no período de 1981 a 1999, a população rural brasileira de mais de 10 anos de idade começou a mostrar uma lenta reversão, sendo que no período registrou-se inclusive um pequeno aumento de 0,9%a.a. 4 Ver também Sacco dos Anjos (2003).

9 9 Tabela 1. Brasil. População total, urbana e rural, com 10 anos ou mais, ocupada e nãoocupada, segundo o local de domicílio e o setor de atividade, (1000 pessoas). Tx. Crescimento (% a.a.) População /92 a 1992/99 b Total + de 10 anos , , ,7 2,2*** 2,0*** Urbana + de 10 anos , , ,5 3,0*** 2,3*** Rural + de 10 anos , , ,2-0,2* 0,9*** PEA rural Ocupada , , ,5 0,6*** -0,2 PEA Rural Agrícola , , ,5 0,4*** -1,7*** ocupada Não-agrícola 3.060, , ,0 1,2*** 3,7*** PEA Rural Desempregados 139,4 312,0 594,6 7,6*** 10,8*** nãoocupada Aposentados 1.240, , ,8 1,9*** 5,7*** Outros 9.057, , ,3-2,0*** 1,4*** Fonte: Tabulações Especiais do Projeto RURBANO, IE/UNICAMP. Setembro/2000. a) teste t indica se a diferença é significativa; b) estimativa do coeficiente de regressão log-linear contra o tempo. (***), (**) e (*) indicam valores significativos ao nível de 5, 10 e 20%, respectivamente. Em vista das alterações demográficas e ocupacionais, alguns estudiosos passaram a olhar com mais cuidado para o espaço rural. Logo perceberam que a relativa estabilização da população ocupada não significava que a agricultura estivesse revertendo uma tendência histórica e conseguindo reter as pessoas nos espaços rurais através da ampliação dos empregos diretos no setor agrícola. Ao contrário, quando os analistas começaram a estudar o perfil da PEA rural brasileira segundo os setores de atividades em que as pessoas estavam ocupadas (agrícola ou não-agrícola), perceberam claramente que os ativos ocupados na produção agrícola strictu sensu continuavam se reduzindo expressivamente, sobretudo na década de 1990, que registrou uma diminuição de 1,7%a.a., passando de 11,1, em 1992, para 10,2 milhões, em 1999, de pessoas ocupadas nas atividades agrícolas. Mas os estudos recentes também demonstraram que a explicação para o fenômeno da estabilização da PEA rural ocupada nas décadas recentes está no comportamento das pessoas com domicílio rural ocupadas em atividades não-agrícolas, que aumentaram de 3,06 milhão de pessoas em 1981 para 3,49 em 1992, chegando a 4,62 milhões de pessoas em Isto representa um aumento de mais de 1,5 milhão de postos de trabalho no período de duas décadas, o que não é nada desprezível quando se leva em conta o cenário das transformações recentes dos mercados de trabalho e as dificuldades com que se defrontam as economias capitalistas para gerar novos postos de trabalho. Este crescimento das ocupações em atividades não-agrícolas da população rural não é um fenômeno inteiramente novo e desconhecido. Em outro trabalho (Schneider, 2000), buscou-se demonstrar a importância destas ocupações nos países desenvolvidos. Na América Latina, os trabalhos de Klein (1992), Weller (1997) e, mais recentemente, Berdegué, Reardon e Escobar (2001, p. 192) demonstraram que as ocupações em atividades não-agrícolas na região atingiam em torno de 22% no final da década de Na década de 1990 registrou-se um crescimento em todos os países da América Latina dos empregos em atividades não-agrícolas. Este crescimento é mais expressivo no caso das mulheres, pois em nove países da região verifica-se uma variação de 65% a 93% de participação das mulheres no mercado de trabalho rural não-agrícola. 5 Dados do Censo Demográfico 2000 do IBGE [www.igbe.gov.br] mostram que a população brasileira em 2000 era formada por milhões de pessoas, registrando uma taxa de crescimento anual na década de 1990 de 1,62%a.a. (na década de 1980 o crescimento vegetativo da população foi de 1,77%a.a.).

10 10 Tabela 2. Brasil e Rio Grande do Sul Tipos de famílias rurais com domicílio nas áreas rurais não-metropolitanas 2001 (em famílias). Tipo de Família Brasil Rio Grande do Sul Agrícola 3.152,5 270,1 Pluriativa ,9 Pluriativos conta-própria¹ 867,9 58,32 Não-agrícola 786,7 120,03 Não-Ocupada 627,2 50,4 Total de Famílias 5.806,9 529,43 Fonte: Tabulações especiais da PNAD, Projeto Rurbano, junho de 2001 ¹ Refere-se aos pluriativos das famílias classificadas como ocupadas por conta-própria. A Tabela 2, acima, mostra que do total de 5,8 milhões de famílias brasileiras que em 2001 tinham seus domicílios localizados exclusivamente nas áreas rurais não metropolitanas 1,2 milhão eram pluriativas e destas, 867,9 mil famílias pluriativos ocupadas por conta-própria. Os pluriativos conta-própria constituem a parcela mais importante das famílias com pluriatividade, razão pela qual considerou-se importante destacá-las. Também cabe lembrar que a PNAD define como agricultor por contaprópria os agricultores familiares, razão pela qual é possível afirmar que os pluriativos conta-própria constituem a parte da agricultura familiar que é pluriativa. Tabela 3. Região Sul e Brasil. Ramos de atividades não-agrícolas da PEA ocupada residente em domicílios rurais (1.000 pessoas). RAMOS DE REGIÃO SUL¹ BRASIL ATIVIDADES /92a 92/99b /92a 92/99b Indústria da transformação 172,6 195,9 251,1 1,2 3,3 *** 646,4 772,9 809,4 1,6 *** 0,4 Indústria da construção 64,6 49,6 86,5-2,4 * 9,5 *** 734,6 312,0 631,4-7,5 *** 8,2 ** Outras atividades industriais 35,8 23,0 18,9-3,9 *** -1,5 126,4 114,6 115,0-0,9 0,6 Comércio de mercadorias 61,9 78,2 93,8 2,1 * 2,4 313,3 452,2 578,6 3,4 *** 4,1 *** Prestação de serviços 119,1 157,7 200,0 2,6 *** 4,7 *** 618,1 975, ,6 4,2 *** 3,9 *** Serviços auxiliar de ativ.econ. 11,8 11,0 26,4-0,6 14,0 *** 55,0 55,3 121,6 0,0 13,6 *** Transporte e comunicação 30,3 22,3 40,3-2,8 * 6,1 *** 116,6 145,9 199,4 2,1 *** 5,8 *** Social 78,7 70,4 79,3-1,0 1,5 * 309,4 468,9 587,9 3,9 *** 2,5 *** Administração pública 25,1 26,2 42,0 0,4 6,5 *** 95,8 162,2 239,3 4,9 *** 3,7 ** Outras atividades 10,4 4,9 9,6-6,6 *** 10,8 *** 45,2 37,7 60,9-1,6 7,7 *** TOTAL 610,4 639,1 847,9 0,4 4,3 *** 3.060, , ,1 1,2 *** 3,7 *** Fonte: Núcleo de Economia Agrícola do IE/UNICAMP, Projeto Rurbano (Tabulações Especiais). a) teste t indica se a diferença é significativa; b) estimativa do coeficiente de regressão log-linear contra o tempo. (***), (**) e (*) indicam valores significativos ao nível de 5, 10 e 20%, respectivamente. ¹ A região Sul do Brasil compreende os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e do Paraná. A Tabela 3, acima, apresenta informações sobre a ocupação principal da população economicamente ativa (PEA) ocupada em atividades não-agrícolas com domicílio rural. Os dados indicam variações expressivas entre as décadas de 80 e 90, mas tanto no Brasil como na região sul o crescimento mais consiste ocorreu na década de Destaca-se o ramo da prestação de serviços que mostra taxas positivas nas duas décadas. Nos anos 90, os dados para Brasil mostram que os ramos da indústria da construção, comércio de mercadorias, social e administração pública também revelaram índices expressivos de crescimento no número de pessoas com domicílio no meio rural ocupadas em atividades não-agrícolas. Também cabe ressaltar o comportamento do ramo de serviços auxiliares de atividades econômicas, cujo crescimento relativo é muito expressivo na última década, embora em termos absolutos ainda seja pequeno.

11 11 Os efeitos das transformações na formas de ocupação da força de trabalho na agricultura brasileira podem ser identificados através do comportamento das diferentes categorias sociais que compõe a estrutura ocupacional da agropecuária. Uma consulta à Tabela 4, a seguir, permite identificar que, entre 1992 e 1999, quase todas as categorias que estavam ocupadas (segundo ocupação principal) em atividades agrícolas registraram taxas negativas de crescimento, resultando em um decréscimo de 3,9% a.a. no conjunto do três Estados da região sul e de 1,7% a.a. no Brasil como um todo. Entre as categorias sociais destacam-se os trabalhadores ocupados em conta-própria e os nãoremunerados (que são as demais pessoas das famílias) que diminuíram na região sul na década de 1990, 2,7%a.a. e 5,4%a.a., respectivamente. Outra categoria importante que vem reduzindo sua participação no emprego rural brasileiro é a dos empregados (em geral, contratados em regime de assalariamento), que diminuíram a uma taxa de 1,5%a.a. na região sul e a uma taxa de 1,8% a.a. no Brasil, entre 1992 e Igualmente, vale destacar a redução dos empregadores, nas duas décadas. Tabela 4. Região Sul e Brasil. Taxas de Crescimento da População Economicamente Ativa Rural ocupada (PEA) segundo a posição na ocupação, 1981/1999 (1000 pessoas). Região Sul Brasil Posição na ocupação 1981/92 a 1992/99 b 1981/92 a 1992/99 b Ativ. Agrícolas -1,5 *** -3,9 *** 0,4 *** -1,7 *** Empregados -1,9 *** -1,5 * -0,7 *** -1,8 *** Conta Própria -1,2 *** -2,7 *** 0,3-0,5 Empregadores -1,4-5,6 1,2 ** -3,9 *** Não remunerado -1,6 *** -5,4 *** 1,3 *** -2,6 *** Ativ. Não-agrícolas 0,4 4,3 *** 1,2 *** 3,7 *** Empregados 0,5 4,1 *** 0,5 ** 4,1 *** Conta Própria 0,5 4,5 *** 2,3 *** 2,7 *** Empregadores -1,7 12,9 *** 4,2 *** 9,9 *** Não remunerado -0,9 1,4 6,4 *** 0,7 Total -1,2 *** -2,2 *** 0,6 *** -0,4 Fonte: Núcleo de Economia Agrícola do IE/UNICAMP, Projeto Rurbano (Tabulações Especiais). a) teste t indica se a diferença é significativa; b) estimativa do coeficiente de regressão log-linear contra o tempo. (***), (**) e (*) indicam valores significativos ao nível de 5, 10 e 20%, respectivamente. Em contraste com a redução do número de pessoas economicamente ativas ocupadas nas atividades agrícolas, as categorias que estavam trabalhando em ocupações não-agrícolas registraram um comportamento muito distinto. Os empregadores em atividades não-agrícolas com domicílio rural cresceram 12,9% a.a. na região sul e 9,9% a.a. no Brasil, entre 1992 e Além disso, na década de 1990 também se verifica um aumento igualmente significativo nas atividades não-agrícolas das categorias onde estão os agricultores familiares, que são as pessoas que declaram estar ocupadas por contaprópria, cujo crescimento foi de 4,5% a.a. na região sul 2,7%a.a. no Brasil. Entretanto, deve-se chamar a atenção para o fato de que o crescimento do número de pessoas e famílias ocupadas em atividades não-agrícolas no meio rural não deve ser imediatamente associado ao fenômeno da pluriatividade. Em outro trabalho (Schneider, 2003a), argumentou-se que o crescimento das atividades não-agrícolas estaria relacionado às alterações nos mercados de trabalho rurais, expressando os novos modos de ocupação da força de trabalho. A pluriatividade, por sua vez, refere-se à um fenômeno que se caracteriza pela combinação das múltiplas inserções ocupacionais das pessoas que pertencem a uma mesma família. Desse modo, a pluriatividade é, ao mesmo tempo, causa e efeito das atividades não-agrícolas. Por isso, insiste-se que não se deve confundir as atividades não-agrícolas com a pluriatividade, pois esta decorre das

12 12 decisões e das estratégias dos indivíduos e das famílias rurais que podem ou não optar pela combinação de mais de um tipo de trabalho. Este tipo de entendimento ajuda a dirimir a confusão entre o que seja a dinâmica do mercado de trabalho e o processo de transformação que ocorre na composição das famílias rurais, que passam a ter entre seus membros indivíduos que exercem mais de uma atividade produtiva sendo uma delas a agricultura. A pluriatividade é um fenômeno observável no âmbito das famílias rurais, porque pluriativas elas passam a ser à medida que ocorre a combinação de inserções profissionais por parte de algum dos indivíduos que a compõem. Já as atividades não-agrícolas são tipos de ocupações em ramos e setores de atividades econômicas e produtivas classificadas como não-agrícolas. A separação destas duas dimensões de um mesmo fenômeno permite que se analise, de um lado, a dinâmica do mercado de trabalho que é dado pelo crescimento ou diminuição das taxas de ocupação nesta ou naquela atividade econômica e, de outro, as alterações no perfil sócio-profissional e identitário das famílias rurais. Isto leva a aceitar que nem sempre o crescimento das ocupações não-agrícolas das pessoas ou famílias com domicílio rural, ocupadas neste ou naquele setor ou ramo, implica em um aumento proporcional da pluriatividade das famílias. Não se pode esquecer que os indivíduos que formam uma determinada família podem optar entre combinar duas ocupações (assumindo a condição de pluriativos) ou escolher pela troca de ocupação, deixando o trabalho agrícola e passando a ocupar-se exclusivamente em atividades nãoagrícolas, mesmo sem deixar de residir no meio rural. A pluriatividade e seu papel no desenvolvimento rural No Brasil, parece haver uma percepção que se encaminha para um consenso entre estudiosos, formuladores de políticas públicas e atores sociais no sentido de que está em andamento um processo de transformação estrutural da agricultura e do espaço rural e que já não é mais possível reduzir um ao outro. Também já é amplamente aceita a idéia de que o Estado precisa descentralizar suas iniciativas e conferir cada vez mais proeminência aos atores de base da sociedade civil, quer seja os entes federados locais (prefeituras), movimentos sociais, ONGs e demais instituições locais, valorizando sua participação nos processos de implementação e gestão das políticas. De uma maneira geral, o amadurecimento político e cognitivo a este respeito têm favorecido a emergência de novas diretrizes para orientar a formatação das políticas públicas, tanto por parte dos gestores de governo como pelos membros da sociedade civil. No que se refere ao meio rural, desde a primeira metade da década de 1990, assiste-se à uma legitimação cada vez mais forte da agricultura familiar, que assume espaço político destacado e busca afirmar-se como categoria social estratégica para um projeto de desenvolvimento rural sustentável de maior alcance. No governo atual, este espaço parece se sedimentar e ampliar-se tendo em vista o amplo apoio político que o mandatário atual colhe nos setores sindicais do meio rural ligados à agricultura familiar. Assim, considera-se que estão dadas as condições objetivas, políticas e institucionais, para que tanto os agentes de Estado como os organismos e instituições da sociedade civil iniciem um processo de discussão e concertação de interesses em torno do papel e das potencialidades que a pluriatividade poderá propiciar ao desenvolvimento ainda mais vigoroso da agricultura familiar no meio rural brasileiro. Neste sentido, é necessário perfilar argumentos em favor das potencialidades da pluriatividade como um dos caminhos para promover estratégias sustentáveis de diversificação dos modos de vivências das famílias rurais (Ellis, 2001). Acredita-se que

13 13 através da pluriatividade os agricultores familiares possam estabelecer iniciativas de diversificação das ocupações e das fontes de acesso à renda. Neste sentido, estima-se que a pluriatividade tenha um papel importante na promoção do desenvolvimento rural. O desafio em promover o desenvolvimento rural levando-se em consideração o papel da pluriatividade dar-se-ia na medida em que ela poderia apresentar alternativas a alguns dos principais problemas que afetam as populações rurais, tais como a questão do emprego, da renda, a sazonalidade, o êxodo dos mais jovens, a gestão interna da unidade familiar, entre outros. Segundo alguns estudiosos (Schneider, 2003; Graziano da Silva, 1999; Echeverría, 2001; Berdegué, et.alii. 2001; Kinsella, et alii, 2000), a pluriatividade pode apresentar alternativas à um conjunto de problemas que afetam as populações rurais, tais como: 1. Elevar a renda familiar no meio rural: a pluriatividade pode ser considerada uma estratégia de diversificação e combinação de várias fontes de renda, sendo facilmente observável que as famílias com rendimentos não-agrícolas possuem, no geral, uma renda total mais elevada que aquelas exclusivamente dependentes da renda agrícola; 2. Estabilizar a renda em face da sazonalidade dos ingressos na agricultura: devido a sazonalidade das colheitas e mesmo dos imprevistos e imponderáveis climáticos e de mercado, o acesso às rendas advindas de atividades não-agrícolas garante maior estabilidade e periodicidade nos ganhos dos agricultores, reduzindo a vulnerabilidade da família; 3. Estratégia de diversificação das fontes de ingresso: a pluriatividade amplia as oportunidades de ganhos e o portofólio de possibilidades e alternativas que podem ser acionadas pelas famílias de agricultores. Neste sentido, famílias pluriativas tendem a ter melhores condições de enfrentar crises ou imprevistos do que aqueles que dependem exclusivamente da uma única atividade e uma única fonte de renda; 4. Contribuir na geração de emprego no espaço rural: em território onde se verifica a presença maior da pluriatividade parece haver mais facilidade na alocação da força de trabalho das famílias rurais segundo o interesse dos próprios membros e as possibilidades ofertadas pelo mercado de trabalho. Cria-se, portanto, em nível local uma interação no mercado de trabalho agrícola e não-agrícola que acaba afetando positivamente a dinâmica da economia; 5. Reduzir as migrações campo-cidade: potencialmente, a pluriatividade representa uma forma de gerar oportunidades de emprego e ocupação para os membros das famílias de agricultores, especialmente as esposas de agricultores e filhos(as) jovens, que muitas vezes encontram-se sub-empregados nas unidades produtivas (ou devido ao seu pequeno tamanho, escala de produção, etc ou mesmo à incorporação crescente do progresso técnico, o que acaba dispensando a força de trabalho); 6. Estimular os mercados locais e desenvolver os territórios rurais: em locais onde a agricultura familiar se torna pluriativa a divisão social do trabalho tendo a se incrementar. Devido à complexificação e diversificação que é gerada em nível local e territorial cria-se um círculo virtuoso de ativação econômica que incrementa a produção e circulação de mercadorias e, por conseqüência, a ampliação das oportunidades de emprego. Como resultado, conclui-se que a pluriatividade tem um papel fundamental no estímulo às economias locais via diversificação do tecido social;

14 14 7. Contribuir para estimular mudanças nas relações de poder e gênero: estudos sobre os impactos micro sociológicos têm demonstrado que as famílias que combinam mais de uma forma de ocupação conheceram alterações nas relações de poder, gênero e de hierarquia familiar a partir do momento em que alguns de seus membros passaram a ter rendimentos e ocupações fora da propriedade. Neste sentido, os estudos indicam que pluriatividade pode ser considerado um fator que assemelha as características entre as famílias que residem nos espaços rurais das urbanas; 8. Modificar o sentido da terra e do rural: em famílias pluriativias, é comum se relativizar o sentido exclusivamente produtivo da terra, que deixa de ser vista apenas como um fator de produção e passa a ter um sentido patrimonial à medida que cresce sua função como local de moradia da família e não como unidade de produção. Consequentemente, modifica-se também o sentido do espaço rural para as pessoas que ali habitam. Assim, a pluriatividade pode ter um significado importante para alterar as concepções que associam, equivocadamente, como sinônimos o espaço rural e a atividade agrícola tout court. Segundo Kinsella et alii (2000), a pluriatividade se constitui em um fenômeno estrutural e central para o futuro do desenvolvimento rural. Ellis (2000; 1998), também considera que a pluriatividade fortalece as estratégias de sobrevivência familiares e contribui no processo de diversificação dos modos de vida rurais. Neste sentido, a pluriatividade pode ser considerada como parte constituinte dos modos de vida das populações rurais e não como algo efêmero ou conjuntural. O reconhecimento da importância da pluriatividade é fundamental para identificar as dinâmicas regionais de reprodução da agricultura familiar. Agricultura familiar e pluriatividade: evidências empíricas Estudo realizado pela FAO/INCRA (2000), com base em dados do último Censo Agropecuário (realizado em 1995/96), demonstra que o Brasil possui um total de estabelecimentos agropecuários, dos quais foram classificados como patronais (o que significa que contratam outros trabalhadores acima de 2 de forma permanete ao ano) e de agricultores familiares (que utilizam basicamente a força de trabalho da própria família). Na região Sul do Brasil, envolvendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, os agricultores familiares representam 90,5% do total de estabelecimentos agropecuários existentes, conforme indicado na Tabela 5. As unidades familiares de produção agropecuária ocupam, no Sul do Brasil, em média 43,8% da área total dos estabelecimentos, chegando a 60% no estado de Santa Catarina. Outro aspecto fundamental que demonstra a importância da agricultura familiar é o Valor Bruto da Produção agropecuária (VBP), que no Sul do Brasil é superior a 57% do VBP agropecuária total. Apesar de ocuparem, proporcionalmente, menos área em relação à agricultura patronal, a agricultura familiar gera mais riqueza, bem como absorve de forma mais eficiente a mão-de-obra disponível. Em relação a este aspecto, entre os estados do Sul do Brasil, destaca-se o Rio Grande do Sul, onde se tem uma pessoa ocupada para cada 7,5 hectares explorados, ficando em 6,8 para a região Sul como um todo.

15 15 Tabela 5 Brasil, Região Sul e Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Número de Estabelecimentos Familiares, Área Total (ha) e Renda Total (RT) /96. ESTADOS Total de Est. Fam. Área VBP Pessoal Área (ha) Área VBP Estabelec. s/total s/total s/total Ocupado por Pessoa (hectares) (mil R$) Familiares (%) (%) (%) Total Ocupada Paraná , , , ,5 Santa Catarina , , , ,1 Rio Grande Sul , , , ,5 Sul do Brasil , , , ,8 BRASIL , , , ,8 Fonte: Censo Agropecuário 1995/96 IBGE Nota: Dados elaborados pelo Convênio INCRA/FAO Diante da inegável importância econômica e social da agricultura familiar na estrutura agrária do Brasil, e ainda mais no Sul do Brasil e particularmente no Rio Grande do Sul, vale a pena uma análise pormenorizada acerca da presença da pluriatividade neste segmento, identificando suas semelhanças e diferenças entre microrregiões a partir do reconhecimento de que há distintas dinâmicas territoriais de desenvolvimento da agricultura de base familiar. Para compreender melhor a presença da pluriatividade na agricultura familiar vem sendo realizadas no Rio Grande do Sul um conjunto de pesquisas articuladas entorno desta temática, buscando identificar o papel da agricultura familiar e da pluriatividade no desenvolvimento rural de distintas regiões deste Estado. Os dados a seguir apresentados foram obtidos mediante uma pesquisa realizada no período 2002/2003 em quatro regiões distintas do Rio Grande do Sul, indicadas e destacadas na figura 1 abaixo. A escolha das regiões e dos municípios procurou respeitar a diversidade de dinâmicas da agricultura familiar existentes neste Estado, uma vez que o desenvolvimento rural se dá pela diversidade e não pela homogeneidade de relações estabelecidas pelos indivíduos com a sociedade na qual faz parte. A Figura 1, a seguir, indica as regiões e os respectivos municípios escolhidos: Colonial da Serra ou Microrregião de Caxias do Sul e município escolhido Veranópolis (1); Serra do Sudeste ou Microrregião de Pelotas e município de Morro Redondo (2); Missões ou Microrregião de Cerro Largo e município de Salvador das Missões (3); Alto Uruguai ou Microrregião de Frederico Westaphalen e município escolhido de Três Palmeiras (4). A metodologia utilizada foi a amostral (sistemática por comunidade rural, que são as localidades que constituem a unidade municipal) representando, aproximadamente, 11% das unidades agrícolas familiares em cada um dos quatro municípios representativos das dinâmicas territoriais 6. 6 A agricultura familiar foi definida como uma unidade de produção que se baseia na propriedade de um pedaço de terra em que são praticadas atividades econômicas de exploração animal, vegetal ou de transformação da produção primária e um grupo doméstico que compartilha entre si um mesmo espaço e está ligado por laços de parentesco e consangüinidade (filiação) entre si, podendo a ele pertencer, eventualmente, outros membros não consangüíneos (adoção). A unidade de produção e o grupo doméstico que lhe corresponde compartilham entre si uma residência, que pode estar constituída por um ou mais alojamentos, e formam uma unidade de consumo que produz e trabalha em regime de economia familiar, em que todos os membros a ela pertencentes exercem trabalhos (nas mais variadas atividades) e, com isso, ajudam a viabilizar o sustento alimentar e material do grupo. Nesta unidade de consumo que opera em regime de economia familiar os indivíduos compartilham entre si as despesas e receitas individuais e coletivas, mediante a realização de trabalhos agrícolas, não-agrícolas, realizados dentro ou fora do estabelecimento.

16 16 Figura 1: Localização das regiões de estudo sobre a agricultura familiar no estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Dentre outros aspectos, a referida pesquisa vem permitindo identificar a abrangência, a importância e os tipos de pluriatividade no meio rural do Rio Grande do Sul. A partir da análise dos resultados, constatou-se que a combinação de atividades agrícolas e não-agrícolas pelos agricultores familiares caracteriza-se por uma diversidade de situações em contextos e regiões específicas. A análise que segue buscará discutir algumas destas particularidades e destacar o papel da pluriatividade para o desenvolvimento rural. A pesquisa demonstrou que a pluriatividade está presente em 44,1% das famílias de agricultores familiares nas 4 regiões estudadas, indicando ainda a predominância das famílias monoativas na agricultura familiar, ou seja, aquelas que se ocupam exclusivamente na agricultura, representando 56% do total 7. Mesmo assim, os dados 7 A unidade de análise é a família e não o indivíduo. Considera-se pluriativa a família em que pelo menos um dos membros está ocupado em atividade estranha à agricultura (Schneider, 2003, p. 174). A pluriatividade supõe que haja combinação de atividades por indivíduos de uma mesma família, atividades estas que correspondam aos diferentes setores da economia. A pluriatividade refere-se estritamente ao tipo de ocupação dos indivíduos que integram uma unidade de produção ou grupo doméstico. Esta definição desconsidera o tempo de trabalho (part ou full time) e o tipo de renda. Considera-se família

17 17 demonstram a abrangência e a importância que assume a pluriatividade na agricultura familiar do Rio Grande do Sul. Não obstante a importância da pluriatividade no Rio Grande do Sul ainda predomina as famílias que se dedicam exclusivamente às atividades ligadas a produção agropecuária, ou monoativas. No entanto, examinando-se os dados de forma desagregada, para cada uma das quatro regiões, verifica-se que a pluriatividade assume características distintas em cada uma delas. Merece destaque que na região da Serra Gaúcha, localizada geograficamente no nordeste do Estado, quase 60% das famílias são pluriativas ao passo que no Alto Uruguai, localizado geograficamente no extremo norte do estado gaúcho, a pluriatividade está presente em menos de 29% das famílias rurais (Tabela 6). Tabela 6. Classificação das famílias na agricultura familiar em cada uma das regiões pesquisadas no Rio Grande do Sul, segundo condição de atividade (%). Tipos de famílias de agricultores familiares Total Serra Veranópolis Sul do RS Morro Redondo Missões Salvador das Missões Alto Uruguai Três Palmeiras Monoativas 55,9 40,6 58,1 53,4 71,2 Pluriativas 44,1 59,4 41,9 46,6 28,8 Total Fonte: Pesquisa AFDLP- CNPq/UFPel/UFRGS, Estas características distintas entre as regiões, no que se refere à pluriatividade, ocorrem em função do tipo de inserção mercantil estabelecido pelos agricultores familiares. Enquanto na Serra Gaúcha historicamente há a possibilidade dos indivíduos que habitam o meio rural buscarem emprego no meio urbano sem a necessidade de estabelecer fluxos migratórios, no Alto Uruguai a inserção mercantil da agricultura familiar se dá fundamentalmente através do mercado de produtos e serviços agropecuários, restringindo o exercício da pluriatividade ao serviço público e atividades sazonais, estas últimas caracterizando, como veremos a seguir, uma pluriatividade de base agrária (Conterato, 2004). Tomando-se apenas o total das famílias que são pluriativas, verificou-se através da pesquisa que 77% são de tipo pluriativas intersetorial e 23% são pluriativas de base agrária, caracterizando uma pluriatividade interna ao setor agropecuário. Esta pluriatividade interna emerge em contextos específicos, desvelando características socioeconômicas regionais que permitem o seu exercício. Estes contextos, invariavelmente, são caracterizados pela desigual posse e distribuição das terras bem como capital imobilizado em máquinas e equipamentos, o que acaba levando a situações típicas de diferenciação social entre as famílias. No que diz respeito aos tipos de pluriatividade na agricultura familiar em cada uma das regiões pesquisadas percebe-se diferenças significativas em relação às suas dimensões empíricas. Novamente aparecem como situações quase opostas as regiões da Serra e do Alto Uruguai. Na Serra, prevalece a pluriatividade de tipo intersetorial, representando mais de 91% dos casos. Esta região se caracteriza por uma forte integração laboral entre a agricultura e outros setores da economia, principalmente via indústria calçadista e no setor de serviços. A região também se caracteriza por forte monoativa aquela que se dedica exclusivamente ao trabalho agrícola na unidade de produção, comercializando apenas produtos agropecuários in natura. Podem ser famílias dedicadas exclusivamente ao autoconsumo.

18 18 presença de pequenas e médias empresas do tipo familiar, o que acaba resultando em grande oferta de postos de trabalho para aquela população sobrante do meio rural, além de atrair populações de outras regiões do estado e do país. O Alto Uruguai, além de apresentar-se como a região onde a pluriatividade tem a menor expressão em relação às demais, é aquela onde a pluriatividade de tipo agrária é mais freqüente, representando 47% das famílias (Tabela 7). Esta região, constitui-se na última fronteira agrícola do estado e apresenta alguns dos piores indicadores de qualidade de vida da população, principalmente aquela residente no meio rural (Schneider e Waquil, 2001). Em estudo recente, Conterato (2004) demonstrou que no Alto Uruguai a pluriatividade de base agrária está fortemente associada à desigual distribuição da posse da terra e ao acesso ao progresso tecnológico. Tabela 7: Tipos de pluriatividade em cada uma das regiões pesquisadas no Rio Grande do Sul, segundo condição de atividade (%). Sul do RS Missões Alto Uruguai Tipos de famílias Serra Total Morro Salvador das Três pluriativas Veranópolis Redondo Missões Palmeiras Pluriativas intersetorial 77,1 91,4 73,1 77,7 53,0 Pluriativas base agrária 22,9 8,6 26,9 22,3 47,0 Total Fonte: Pesquisa AFDLP- CNPq/UFPel/UFRGS, Igualmente interessantes são as informações sobre a composição das rendas 8 das famílias entrevistadas. No conjunto das quatro regiões do Estado do Rio Grande do Sul as Rendas Agrícolas (RA) continuam a ser decisivas para a maioria dos agricultores familiares, respondendo por praticamente 59% da Renda Total (RT), seguidas das rendas auferidas das Transferências Sociais (RTS), especialmente aposentadorias, que alcançam 19,6%. Mas as rendas de atividades não-agrícolas (RñA) estão em terceiro lugar, respondendo por 17,5% do total da renda das famílias de agricultores, o que revela a sua importância como elemento dinamizador da qualidade de vida das populações e do próprio desenvolvimento rural (Gráfico 1). 8 Renda agrícola: Esta provem das atividades agropecuárias realizadas dentro da Unidade de Produção (UP) e/ou de atividades para-agrícolas. Atividades agropecuárias são cultivos e criações de animais. As atividades para-agrícolas são beneficiamento ou transformação, em bases artesanais (matérias-primas vegetais ou animais). Renda não-agrícola: Esta renda tem como origem as atividades não-agrícolas, podendo serem realizadas fora ou dentro da UP, na condição de empregado, empregador ou contaprópria, tais como: motorista, costureiro de bolas ou calçados, pedreiro, servidor público, professor, balconista, operário, empregado doméstico, confecção de panos de pratos e outros produtos artesanais não-agrícolas, coveiro e prestação de serviços não-agrícolas. Outras rendas do trabalho: Rendas obtidas necessariamente fora da UP e de atividades inerentes ao setor agropecuário. Embora os trabalhos temporários sejam mais recorrentes, atividades permanentes também ocorrem, como a venda da força de trabalho na agricultura ou prestação de serviços agrícolas, comércio da própria produção em feiras; colheita, plantio e podas em outras UPs; prestação de serviços com máquinas agrícolas próprias, etc. Rendas de outras fontes: Provenientes de aluguéis, juros, aplicações, arrendamentos, doações. Rendas de transferências sociais: resultantes de transferências governamentais, tais como aposentadorias, pensões, programas assistenciais, como bolsa-escola, cartão-alimentação ou outros.

19 19 Gráfico 1. Composição da Renda Total (RT) na agricultura familiar do Rio Grande do Sul (%). 2,6% 1,8% Renda Agrícola 19,6% Renda Não-agrícola 17,5% 58,6% Transferências Sociais Outras Rendas do Trabalho Fonte: Pesquisa AFDLP- CNPq/UFPel/UFRGS, Renda de Outras Fontes Outra fonte de ingresso familiar importante, principalmente para as famílias pluriativas de base agrária, são as Outras Rendas do Trabalho (ORT), oriundas de atividades desenvolvidas internamente ao setor agropecuário. Apesar de no conjunto elas representarem apenas 2,6% da RT, há diferenças regionais, verificando-se que é justamente no Alto Uruguai onde ela tem a maior participação (Tabela 8). Conterato (2004) demonstrou que são as ORT que indicam a existência da pluriatividade de base agrária no meio rural, pois tratam-se de rendas obtidas fora da unidade de produção através, principalmente, da prestação de serviços de máquinas e equipamentos agrícolas em períodos de maior demanda, estabelecida pelos agricultores familiares que não conseguiram acompanhar o progresso tecnológico de forma ampliada, registrada nos períodos de plantio e colheita. Neste sentido, conforme Conterato (2004), há uma tendência de que nas regiões onde a importância da renda agrícola é maior haja condições para emergência da pluriatividade de base agrária, uma vez que esta é fortemente condicionada à desigual distribuição e acesso a fatores de produção como capital em máquinas e equipamentos e terra. Em cada um dos quatro territórios estudados o comportamento das diversas fontes de renda e o seu significado são distintos. Chama atenção, por exemplo, o fato de que enquanto na Serra Gaúcha a renda de atividades não-agrícolas representar 21% sobre a renda total e a renda agrícola 54,5%, no Alto Uruguai, esta proporção é de 6,6% e 72,9%, respectivamente, revelando que nesta região há uma dependência quase absoluta dos agricultores familiares das atividades agropecuárias. Outro aspecto a ser salientado é a importância, ainda que diferenciada, que assumem as Transferências Sociais (aposentadorias e pensões) na renda das famílias, representando, no município de Morro Redondo, localizado na Microrregião de Pelotas, praticamente 27% da RT das famílias. Para o Estado este percentual chega praticamente a 20% (Tabela 8). Tabela 8. Composição da renda total da agricultura familiar em municípios selecionados no Rio Grande do Sul (%). Renda de Outras Total e municípios Renda Renda Nãoagrícola Sociais Total Transferências Renda Outras Rendas do representativos Agrícola Fontes Trabalho Veranópolis 54,5 21,1 2,8 20,2 1,4 100 Morro Redondo 49,5 18,7 1,6 26,8 3,4 100 Salvador das Missões 62,5 17,7 1,0 16,2 2,6 100 Três Palmeiras 72,9 6,6 0,8 15,3 4,3 100 Total 58,6 17,5 1,8 19,6 2,6 100 Fonte: Pesquisa AFDLP- CNPq/UFPel/UFRGS, 2003.

20 20 A composição diferenciada da RT acaba revelando que existem distintas dinâmicas territoriais de desenvolvimento na agricultura familiar, dadas pelos distintos graus e tipos de mercantilização. Não há apenas um caminho para o desenvolvimento rural. O que há são distintas formas de inserção mercantil que podem ser mais ou menos favoráveis em função de uma séria de fatores, como o tamanho da área explorada, o tipo de cultivo predominante, o exercício de atividades não-agrícolas, o acesso a crédito, as características do entorno social e econômico, etc. Este ambiente pode ser favorável para a manutenção de estratégias estritamente agrícolas como para o exercício da pluriatividade, o que muitas vezes foge ao controle dos agricultores familiares. Analisando-se o número médio de pessoas por estabelecimento agrícola familiar por condição de atividade (Tabela 9), verifica-se que as famílias monoativas possuem em média o menor número de membros (em média 3,8). Já as famílias pluriativas possuem em média o maior número de membros (4,8). Já as famílias pluriativas de base agrária estão em posição intermediária, mas ainda assim acima das famílias monoativas, o que pode indicar que apesar de depender da atividade agropecuária, as atividades desenvolvidas pelos membros estariam permitindo a permanência dos mesmos no meio rural. Em relação às rendas agrícolas (RA) e total (RT) não se observam grandes discrepâncias, a não ser o fato das famílias pluriativas possuírem a menor RA, o que não significa fragilidade, mas uma menor dependência desta fonte de recurso. Isso se comprova quando se analisa a RT das famílias, pois é justamente entre as famílias pluriativas que se encontram as maiores rendas. Na comparação entre os tipos de famílias pluriativas verifica-se que as de base agrária são mais dependentes da RA, enquanto as pluriativas intersetoriais obtêm o maior volume de ingressos monetários de atividades fora da agricultura, aumentando a RT em quase 3 vezes em relação à RA, o que acaba reduzindo a dependência em relação ao ingresso de recursos monetários. Neste sentido, pode-se ressaltar que aí está mais uma importante contribuição da pluriatividade para o desenvolvimento rural, qual seja; o aumento da renda familiar e individual e a redução da fragilidade das famílias em relação aos imperativos climáticos e de mercado. Tabela 9: Número médio de pessoas por estabelecimento e rendimento agrícola total na agricultura familiar do Rio Grande do Sul segundo condição de atividade. Nº médio RA média RT média RA média RT média Classificação das pessoas/estab familiar* (R$) familiar* (R$) individual* individual* Famílias (A) (B) (C) B/A (R$) C/A (R$) Monoativas 3, Pluriativas intersetorial 4, Pluriativas base agrária 4, Fonte: Pesquisa AFDLP- CNPq/UFPel/UFRGS, * Valores médios anuais Na Tabela 10, a seguir, pode-se observar as diferenças em relação à participação que cada fonte de renda assume na formação da renda total das famílias, segundo condição de atividade. Em relação às famílias monoativas, além da grande dependência em relação à RA, o que as expõem à sazonalidade dos ingressos e aos imperativos climáticos e de mercado, há uma forte participação das transferências sociais. Se, por um lado, isso revela a importância das políticas públicas através da Previdência Social, por outro, desvela uma certa fragilidade já que estas famílias tornam-se reféns de apenas duas fontes de renda. Isso não ocorre em relação às demais famílias, já que estas

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