PROTOCOLO QUE ESTABELECE METAS PARA A GESTÃO DO RECIFE

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1 PROTOCOLO QUE ESTABELECE METAS PARA A GESTÃO DO RECIFE PREÂMBULO O Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de Pernambuco IAB-PE, representado por sua Presidente, Arquiteta e Urbanista Vitória Régia de Lima Andrade e o Sr , candidato ao cargo de Prefeito da Cidade do Recife, entendem que os desafios que se acumulam na cidade, ainda que revelados através de alguns setores críticos como: mobilidade; saneamento amento básico; habitação social; segurança; drenagem, destino de dejetos etc., estão mais associados à realidade urbana e à falta de planejamento que se perpetua no Município. Os gestores consideram, equivocadamente, que a cidade pode se desenvolver espontaneamente, através de empreendimentos privados, com operações imobiliárias que se concentram em áreas onde o retorno do investimento é mais garantido. Com essa política, o interesse público fica subordinado a determinados setores da sociedade e a cidade fica sujeita, apenas, a negócios imobiliários lucrativos. Áreas tornam-se destinadas a crescerem sempre, enquanto outras, mesmo quando bem localizadas e servidas de infraestrutura, se perpetuam estagnadas, com prejuízos para a população. A cidade acumula conflitos com essa política, porque não cresce homogeneamente e com o equilíbrio necessário para atender as expectativas de todas as pessoas, independentemente de condição social. Não se quer condenar a parceria do Município com a iniciativa privada, porque sem ela a cidade seria gravemente sacrificada no seu próprio dinamismo e potencial de desenvolvimento. Porém, acumular projetos privados sem base em precedente planejamento, condena o Recife e a sua região metropolitana à espontaneidade no seu crescimento urbano, opção nem sempre saudável como parece. A cidade, sem planejamento, vai se tornando refém dos impactos do seu crescimento voluntário, decididos apenas segundo interesses privados. O fator que mais contribui para tudo isto é a persistente omissão do Município pelo planejamento, sobretudo em setores urbanos mais críticos, em razões do dinamismo excessivo de determinadas áreas, ou pela própria carência desse dinamismo, em outras. Há mais de década essa omissão é notada e, sem planejamento, a Prefeitura não pode avaliar projetos privados que proliferam, porque não dispõe de referenciais sobre a cidade que se deseja, revelados em planos globais ou setoriais e numa configuração física e espacial organizada e coerente. Nenhum projeto deveria preceder ao planejamento da cidade, pois quando essa hierarquia é

2 quebrada, a iniciativa por negócios imobiliários cresce, mas a cidade perde com os previsíveis impactos resultantes. A problemática da mobilidade no Recife, por exemplo, resulta desse processo, a respeito do qual cabe ao Município correr atrás da mitigação de impactos, num processo casuístico e sempre improvisado. A arquitetura imobiliária que configura a cidade promove a utilização excessiva do automóvel, com os conseqüentes problemas de mobilidade urbana, favorece o individualismo e a exclusão social, desestimula o uso do espaço público e perpetua a degradação dos seus componentes, como calçadas, vegetação e mobiliário urbano. Além disso, facilita a violência urbana pela própria falta de usos mistos que promovem a vivência do espaço público, degrada o espaço urbano com sua configuração de muros, portões e guaritas e determina comportamentos sociais pautados pelo medo e a insegurança. Simultaneamente, as periferias carecem de projetos efetivos de integração social e urbana, situação que afasta seus habitantes de um contexto que promova o desenvolvimento de uma sociedade sadia e civilizada. Considerando a plena compreensão desta realidade, RESOLVEM celebrar este Protocolo que estabelece metas para a administração do Recife, a serem cumpridas no período de gestão do candidato, caso ele seja eleito. TÍTULO I DAS METAS A SEREM CUMPRIDAS DURANTE A GESTÃO MUNICIPAL O candidato à Prefeitura da Cidade do Recife compromete-se a adotar, se eleito, providências para a retomada do planejamento como instrumento essencial para a gestão da cidade. Do ponto de vista administrativo, esse esforço se inicia com o fortalecimento da estrutura do Município, envolvendo a Secretaria de Planejamento, a Urb-Recife, o controle urbanístico e as Regionais, tendo em vista: I. a imediata ampliação e qualificação dos quadros técnicos dessas entidades; II. a indispensável presença de profissionais da arquitetura e urbanismo nos contratos terceirizados que cubram o planejamento, obras e serviços urbanos; III. a opção por arquitetos e urbanistas, bons gestores, nos cargos de comando dessas mesmas entidades. IV. a prática do debate constante com a sociedade e as entidades de classe (IAB-PE CAU-PE) na procura e definição das políticas de planejamento urbano Além dessas providências administrativas acima, o candidato, se eleito, assume compromisso com as seguintes metas para o seu mandato:

3 META 1: TORNAR O RECIFE CENTRO METROPOLITANO DE EXCELÊNCIA Esta é a meta de qualificação da cidade e de todos os seus setores de atividades. É compromisso que exalta a centralidade que o Recife detém em relação à metrópole. Por esse compromisso, a administração pública se enriquece técnica e politicamente para perseguir níveis de excelência em todos os serviços e setores da cidade. Entretanto, essa perspectiva pode se tornar utópica com a persistência da característica monocêntrica da metrópole. Se o Recife não lutar por metrópole policêntrica, a cidade será cada vez mais sufocada por demandas externas, fato que dificultará todas as suas expectativas de excelência, pois sempre crescerão problemas na cidade, com causas importantes fora dela. O Município deverá apoiar novos polos de equilíbrio distribuídos pela metrópole e garantir, no Recife, condições de qualidade, não de quantidade, para não se perpetuar como tradicional receptáculo de excluídos, provenientes de outros centros, à procura de oportunidades que lhes são negadas nos seus locais de origem. Essas oportunidades precisam ser criadas em novos polos metropolitanos, benefício este que vem sendo exaustivamente manifestado pelo planejamento metropolitano. Considerando esses fatos, o candidato, quando eleito, se compromete: I. a administrar a cidade com a percepção plena de que o Recife é núcleo da metrópole e que com ela troca, permanentemente, influências e impactos, razão pela qual criará a Secretaria de Articulação Metropolitana,, com a finalidade de integrar as políticas do Recife à realidade metropolitana, esta reconhecidamente intermunicipal; II. a participar, intensamente, da gestão intergovernamental metropolitana, apoiando o planejamento e a busca de metrópole policêntrica equilibrada; III. a estabelecer expectativas de desenvolvimento para o Recife e adotar planejamento que persiga indicadores de excelência para: a. o espaço público, nele compreendendo as calçadas, praças e jardins, mobiliário urbano, arborização, iluminação, sinalização etc; b. o comércio diversificado; c. a mobilidade urbana no que concerne ao transporte público de qualidade, ciclovias, viagens a pé, estacionamentos dissuasivos, próximos aos núcleos de comércio e serviços etc; d. os serviços urbanos modernos; e. a valorização da cultura regional; f. a atração turística frente aos mercados nacional e internacional;

4 g. os eventos culturais e de negócios com abrangência nacional e internacional; h. a qualificação e inserção da cidade no calendário nacional e internacional dos esportes; i. a formação de pessoal em todas as categorias; j. a pesquisa aplicada em geral; k. a condição de polo médico nacional; l. a requalificação urbana dos centros de comércio e serviços; m. a oferta de saneamento ambiental a toda a população; n. a garantia de harmonia e qualidade de vida da população, não importando a condição social; IV. a instituir sistema de controle urbano sobre os indicadores de excelência perseguidos pela cidade. META 2: PLANEJAR O RECIFE PARA ORIENTAR PROJETOS URBANOS A gestão do Município abandonou o planejamento da cidade e agora aposta em projetos da iniciativa privada. No entanto, planejar é missão de Estado que tem compromisso com a cidade e as pessoas. Sem referenciais e indicadores extraídos do planejamento, o Município não pode avaliar projetos da iniciativa privada relativos a negócios imobiliários. Compreende-se, como já foi dito acima, que a iniciativa privada é boa parceira, desde que seus projetos sejam precedidos por planos e normas públicas de interesse da cidade, que lhes sirvam de referência. Normas estas, extraídas de planejamento baseado nas características urbanas e sociais da cidade, com a definição física e espacial da cidade que se deseja e que explora seus recursos e potencialidades. Nessa perspectiva, o candidato, se eleito adotará: I. o planejamento sistemático da cidade, para garantir: a. estímulos às edificações mistas, com comércio e serviços dimensionados em função da população pulação atraída pelo projeto, sobretudo quando destinado ao uso habitacional; b. maior conhecimento da capacidade de carga dos corredores urbanos, como forma de dimensionar, estimular ou congelar edificações lindeiras; c. atualizar o conhecimento sobre os deslocamentos entre origem e destino na cidade, para monitorar os adensamentos urbanos em termos de moradia e trabalho (áreas emissoras e áreas receptoras de carga populacional na mobilidade cotidiana);

5 d. a revisão e atualização da legislação urbana e dos índices urbanísticos vigentes; e. a integração dos setores sociais menos favorecidos, abrindo-lhes oportunidades de crescimento e desenvolvimento, segundo padrões de harmonia e qualidade estabelecidos para a sociedade como um todo; f. o estímulo ao desenvolvimento das centralidades de bairros; g. a preservação e valorização do patrimônio arquitetônico e urbano da cidade; h. a revitalização do centro da cidade, com usos mistos que incluam o residencial; i. a implementação de projetos urbanísticos e arquitetônicos que valorizem as periferias urbanas e estimulem a integração urbanística e social dos seus habitantes; j. a potencialização dos recursos urbanos e naturais que estimulem a qualificação ambiental da cidade; k. a definição de políticas de preservação do patrimônio vegetal da cidade, a promoção de ações de plantio de novas espécies e o estímulo à consciência social acerca do cuidado e valorização da arborização urbana; l. o compromisso político de defender o interesse geral acima do setorial, de estimular processos participativos e democráticos na definição das políticas urbanas, de favorecer a promoção e integração urbana e social dos habitantes menos favorecidos e de zelar pela sustentabilidade e preservação dos recursos naturais da cidade; II. o imediato planejamento de setores urbanos a serem ocupados ou revitalizados, a exemplo das áreas Estelita/Boa Vista, Santo Amaro e Bairro do Recife, com orientação aos empreendedores da iniciativa privada, por meio de desenho urbano, mix de atividades, volumetria, integração social e referenciais de estética, paisagismo e de valores culturais; III. o congelamento do crescimento espontâneo de áreas enquanto mantidas com: a. esgotada capacidade de carga; b. limitações em termos de infraestrutura; c. deficiência dos serviços públicos; d. precárias condições de mobilidade da população. e. riscos à preservação do patrimônio cultural e ambiental da cidade.

6 E, por estarem acordados com os termos deste Protocolo que estabelece metas para a gestão do Recife, os signatários se comprometem, ainda, a manterem mútua e permanente ente colaboração durante a gestão municipal do candidato, se eleito, no intuito de ampliar e valorizar o debate entre a autoridade municipal, os arquitetos e urbanistas do Estado. Recife, 03 de Setembro de Vitória Régia de Lima Andrade Presidente do IAB-PE Candidato a Prefeito do Recife

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