CONSTRUTIVISMO SOCIAL:

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "CONSTRUTIVISMO SOCIAL:"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO LÓGICA E METAFÍSICA Gustavo Arja Castañon CONSTRUTIVISMO SOCIAL: A CIÊNCIA SEM SUJEITO E SEM MUNDO Rio de Janeiro Agosto de 2009

2 Gustavo Arja Castañon CONSTRUTIVISMO SOCIAL: A ciência sem sujeito e sem mundo Um volume Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação Lógica e Metafísica do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Filosofia (Lógica e Metafísica). Orientador: Alberto Oliva Rio de Janeiro, II

3 Gustavo Arja Castañon CONSTRUTIVISMO SOCIAL: A ciência sem sujeito e sem mundo Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação Lógica e Metafísica do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Filosofia (Lógica e Metafísica). Aprovada por: (Alberto Oliva, Doutor, Universidade Federal do Rio de Janeiro) (Antonio Augusto Passos Videira, Doutor, Universidade do Estado do Rio de Janeiro) (Marco Antonio Caron Ruffino, Doutor, Universidade Federal do Rio de Janeiro) Rio de Janeiro, 03 de agosto de III

4 Dedico esta dissertação a Nathalie, meu amor, que ao viver ao meu lado faz com que eu me sinta em casa neste mundo insano e sem valores. IV

5 Agradeço aqui, A meu orientador Alberto Oliva, amigo mais antigo do que gostaria de confessar, que nunca se furtou ao trabalho a ele confiado e me ajudou competente e generosamente na pesquisa para esta dissertação; A meu professor Marco Ruffino, que teve sobre mim influência marcante no curso que ora completo, e que por suas ótimas aulas e estilo direto me ajudou decisivamente a desembarcar na filosofia analítica; Ao professor Antonio Augusto Passos Videira, que aceitou o convite para participar desta banca sem qualquer conhecimento prévio de meu trabalho; Ao Programa de Pós graduação em Lógica e Metafísica, que me ofereceu todas as condições necessárias para a conclusão de meu curso sem abrir mão do projeto de construção de uma pós graduação com padrões de exigência muito superiores aos usualmente encontrados na filosofia brasileira; A meus pais, sem os quais não estaria aqui hoje e com os quais tenho convivido tão pouco nos últimos seis anos de estudos interruptos; E a minha esposa Nathalie, que tem enfrentado a falta de viagens e lazer que minha sucessão de empreitadas acaba também lhe impondo, sempre com compreensão, ajuda e amor. V

6 Rien n est plus dangereux qu une idée, quand on n a qu une idée. Alain VI

7 RESUMO CASTAÑON, Gustavo Arja. Construtivismo Social: A ciência sem sujeito e sem mundo. Rio de Janeiro, Dissertação (Mestrado em Filosofia: Lógica e Metafísica) Programa de Pós graduação Lógica e Metafísica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Esta dissertação avalia o construtivismo social, abordagem filosófica associada ao strong programme da sociologia da ciência. Os problemas específicos investigados são o da validade de sua classificação como forma de construtivismo e de sua pretensão de fazer da sociologia a única metaciência legítima. A investigação é filosófica e baseia se em pesquisa bibliográfica. Para a avaliação dos problemas propostos, começa por um sucinto inventário dos principais tipos de construtivismo contemporâneo (kantiano, piagetiano, radical, lógico, construcionismo social e socioconstrutivismo), concluindo por sua definição como tese epistemológica que defende a rejeição ao objetivismo, que a mente impõe formas prévias à experiência e que nossas teorias sobre o mundo são construções hipotético dedutivas. Além disso, conclui que não há implicação necessária entre o construtivismo e o idealismo. Em seguida, avalia as teses do construtivismo social começando por idéias de seus principais precursores, Wittgenstein, Kuhn e Feyerabend. Identifica suas teses ontológicas principais reconhecendo as como a maior fonte de dispersão no movimento, que se divide acerca delas em ao menos duas correntes gerais: um ʹconstrutivismo social epistêmicoʹ e um ʹconstrutivismo social ontológicoʹ, este último, uma variante de idealismo. Já suas teses epistemológicas principais são classificadas como variantes de relativismo, objetivismo sociológico e cientificismo anti positivista. Com base nesta descrição, o construtivismo social é criticado com alguns argumentos originais em duas linhas principais. Primeiro por tratar se, a despeito de seu cientificismo, simplesmente de mais uma abordagem em filosofia da ciência totalmente dependente das teses filosóficas de seus precursores, além de não usar em nenhum momento, como propugna, métodos científicos adequados para o teste de suas hipóteses. Segundo por não ser, apesar do uso do termo, um construtivismo, uma vez que defende um sujeito passivo na relação com o objeto do conhecimento, consistindo num estranho tipo de objetivismo, no qual o mundo físico não tem papel. Conclui se que esta abordagem se afastou profundamente da tradição filosófica construtivista, uma vez que renuncia à idéia de sujeito construtor de suas cognições em prol de uma sociedade que as causa. Além disso, o construtivismo social não só não tem qualquer semelhança com a investigação científica, como sequer pode ser considerado uma teoria filosófica consistente, pois reedita antigas auto refutações relativistas e cientificistas, usa de forma descuidada a linguagem e beira em alguns momentos ao irracionalismo. DESCRITORES: CONSTRUTIVISMO SOCIAL, CONSTRUTIVISMO, FILOSOFIA DA CIÊNCIA, SOCIOLOGIA DA CIÊNCIA. VII

8 ABSTRACT CASTAÑON, Gustavo Arja. Construtivismo Social: A ciência sem sujeito e sem mundo. Rio de Janeiro, Dissertação (Mestrado em Filosofia: Lógica e Metafísica) Programa de Pós graduação Lógica e Metafísica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, This dissertation evaluates the social constructivism, a philosophical approach associated to the strong programme of sociology of science. The specific problems investigated are those about the validity of its classification as a kind of constructivism and of its pretension of making sociology the unique legitimate metascience. This is a philosophical investigation based on a bibliographical research. For the evaluation of the proposed problems, it begins with a succinct inventory of the contemporary constructivism main variants (kantian, piagetian, radical, logical, social constructionism and socioconstructivism), concluding by its definition as a epistemological thesis that defends the rejection to objectivism, that the mind imposes previous forms to the experience and that our theories on the world are hypothetical deductive constructions. Moreover, it concludes that there isnʹt necessary implication between constructivism and idealism. Soon after, evaluates the thesis of social constructivism begining with the ideas of its main precursors, Wittgenstein, Kuhn and Feyerabend. The dissertation identifies its main ontologicals thesis recognizing them as the greatest cause of division on the movement, which is divided in at least two general tendencies: a ʹepistemic social constructivismʹ and a ʹontological social constructivismʹ, this one, an variant of idealism. Its main epistemologicals thesis are classified as variants of relativism, sociological objectivism and anti positivist scientificism. Based on this description, social constructivism is criticized with some original arguments in two main lines. First for being itself, in spite of its scientificism, just one more approach in philosophy of science totally dependent of the philosophical thesis of its precursors, besides it doesn t use in any moment, as it proposes, adequate scientific methods for the test of its hypotheses. Second for not being, in spite of its use of the term, a constructivism, once it defends a passive subject in the relation with the object of knowledge, consisting in a strange kind of objectivism, in which the physical world doesnʹt have role. It concludes that this approach has moved itself away from constructivist philosophical tradition, once it renounces to the idea of a building subject of his cognitions in behalf of a society that causes them. Moreover, the social constructivism doesnʹt have any similarity with scientific investigation, as also it cannot be considered a consistent philosophical theory, because re edits old relativists and scientificists auto refutations, uses language in a neglected way and in some moments comes closer to irrationalism. KEY WORDS: SOCIAL CONSTRUCTIVISM, CONSTRUCTIVISM, PHILOSOPHY OF SCIENCE, SOCIOLOGY OF SCIENCE. VIII

9 SUMÁRIO 1. Introdução Construtivismo Construtivismo em Kant Construtivismo em Piaget Outros Construtivismos contemporâneos Construtivismo Radical Construcionismo Social Socioconstrutivismo Construtivismo Lógico Definição de Construtivismo Construtivismo Social Caracterização geral Idéias antecedentes em Filosofia da Ciência Wittgenstein e a dissolução linguística da epistemologia Kuhn e a sociologização da epistemologia Feyerabend e a anarquização da epistemologia Construtivismo Social e Ontologia O que existe para o construtivismo social? Construção social de quê? O Construtivismo Social Ontológico Construtivismo Social e Epistemologia É possivel conhecer algo sobre o mundo? O que é e como se legitima o conhecimento? O problema do relativismo Qual é a relação entre o sujeito e o objeto? Qual é o método científico de investigação da ciência? 154 IX

10 4. Avaliação crítica do Construtivismo Social Uma filosofia da ciência sem filosofia A circularidade da pretensão cientificista Não existe descritivismo puro Mais do mesmo: CS é a Nova Filosofia da Ciência Uma investigação sem método Um construtivismo sem sujeito Uma ciência sem mundo Um conhecimento sem verdade Conclusão 208 Referências Bibliográficas 217 X

11 Capítulo 1 Introdução O tema abordado aqui é o do construtivismo social contemporâneo, conjunto de teses filosóficas associadas ao strong programme da sociologia da ciência. Os problemas específicos investigados sobre o tema são o da validade de duas teses dessa abordagem. A primeira é sua alegação de que é uma abordagem construtivista, a segunda sua pretensão de fazer da sociologia não só uma disciplina metacientífica, como ainda a única reconstrução metacientífica legítima. Esta investigação é de natureza filosófica e se baseia em fontes primárias e secundárias selecionadas através de pesquisa bibliográfica conduzida principalmente nas bases de dados SSCI e Philosopherʹs Index. Sua necessidade se dá uma vez que nos últimos anos assistimos a uma proliferação da utilização do termo construtivismo, não somente na filosofia, mas também na psicologia, educação, neurociência, lógica, matemática e, particularmente, sociologia. Não há, até hoje, nenhuma pesquisa em larga escala de todas essas alegações de construtivismo (ROCKMORE, 2005), 1

12 portanto, nenhum consenso sobre a definição do termo pode ser alcançado de forma completa. No entanto, se o tomamos em seu significado tradicional posição que defende o papel ativo do sujeito na sua relação com o objeto do conhecimento e na construção de suas estruturas cognitivas e representações da realidade vemos que diversas posições autodenominadas construtivistas assumem teses que contrariam o espírito original dessa tradição filosófica. Assistimos hoje, sob o abrigo do termo construtivismo, uma multiplicação de posições que identificam essa tese com o antirealismo, atacando o pressuposto do realismo ontológico que está na base do pensamento científico moderno. Algumas dessas posições inclusive consideram o sujeito um elemento passivo do processo de construção do conhecimento. Esta dissertação realiza uma investigação dos pressupostos filosóficos de uma das mais influentes utilizações contemporâneas do termo, o Construtivismo Social de Barry Barnes e David Bloor, também denominado às vezes socioconstrutivismo ou tese forte da sociologia da ciência, assim como rastrear suas origens filosóficas. Atualmente, outras influentes utilizações do termo são efetuadas pela epistemologia genética de Jean Piaget (o construtivismo piagetiano), pelo construcionismo social (abordagem pós moderna da psicologia social), pelo construtivismo radical (tese filosófica que espalha sua influência por setores da educação, psicoterapia e neurociência), pelo socioconstrutivismo (abordagem da psicologia social e do desenvolvimento) e pelo construtivismo lógico. No entanto, estas utilizações só serão abordadas nesta investigação a título de delimitação do conceito geral de construtivismo e diferenciação em relação ao construtivismo social. 2

13 A visão tradicional do conhecimento científico o concebe como produto de uma atividade de investigação que só aceita dois tipos de veredicto: o da lógica e o da experiência. O construtivismo social representa uma aberta e radical oposição a essa visão, e questiona o pressuposto de que a ciência possui uma racionalidade intrínseca para atribuir lhe o estatuto de uma construção social como qualquer outra. Uma vez que esta espécie de relativismo exerce influência cada vez maior nos meios acadêmicos brasileiros, particularmente nos cursos de pedagogia, faz se necessária uma investigação pormenorizada de seus pressupostos. O sociologismo e o historicismo característicos do construtivismo social, que é uma variante da filosofia pós moderna, disseminam a idéia de que são as relações de poder e os interesses políticos que determinam a aceitação ou a rejeição de teorias científicas. A questão aqui é, portanto, definir se a análise filosófica pode determinar a racionalidade da investigação científica, reconstruindo a epistemicamente, ou se este papel caberia aos estudos voltados para a identificação dos aspectos políticos e sociais desta atividade. 1.1 Delimitação do Problema Os problemas específicos a serem objeto de investigação filosófica dentro do tema escolhido podem ser definidos através de duas perguntas: P1) O construtivismo social é construtivista? P2) O construtivismo social pode ser formulado como uma metaciência consistente? 3

14 Podem se ainda desmembrar os problemas acima com as perguntas: P1a) Como definir construtivismo? P1b) Qual o papel do sujeito no processo de construção do conhecimento para o construtivismo social? P1c) O que, para esta abordagem, se pode conhecer? Em segundo lugar temos que perguntar: P2a) A imagem de ciência oferecida pelo construtivismo social é consistente? P2b) A pretensão de independência em relação à filosofia da ciência que apresenta o construtivismo social é sustentável filosoficamente? Assim, a análise desses problemas passa por três questões intermediárias fundamentais, que determinarão a seqüência lógica do desenvolvimento da dissertação: Primeira, o que é construtivismo e quais são suas raízes filosóficas? Ou seja, qual é a história filosófica da elaboração deste conceito? Aqui, particularmente, se procurará estabelecer o conceito de construtivismo com o qual trabalharemos na dissertação e responder se há uma implicação necessária entre o construtivismo e o idealismo. Segunda, quais são as abordagens filosóficas ou teóricas contemporâneas que usam o termo construtivismo para se identificarem? Em que sentido elas se afirmam construtivistas? Que posições assumem frente ao realismo ontológico, à relação com o objeto do conhecimento e à atividade do sujeito? 4

15 Terceira, quais são as teses adotadas pelo construtivismo social? Quais são suas posições ontológicas e epistemológicas? Como se distingue de outras alegações de construtivismo contemporâneas? Assim, se estabelecerão as condições necessárias para a formulação de uma resposta aos dois problemas investigados pela dissertação, o do caráter construtivista e o da consistência do construtivismo social. 1.2 Hipóteses As hipóteses que serão investigadas aqui referentes aos problemas primários e secundários acima propostos são, começando pela hipótese geral, as seguintes: O construtivismo social é simplesmente mais uma abordagem em filosofia da ciência derivada de idéias surgidas da obra do segundo Wittgenstein e de Thomas Kuhn e Paul Feyerabend. Não pode ser considerada construtivista, pois defende uma imagem de sujeito passiva na relação com o objeto do conhecimento, se constituindo num tipo de objetivismo, e em suas versões mais radicais, num estranho caso de idealismo sem sujeito. A renúncia à concepção construtivista de sujeito construtor de suas cognições em prol de uma sociedade que constrói os sistemas de crenças, caracteriza uma posição que, utilizando se do termo construtivismo, se afastou profundamente dessa tradição filosófica. Esta hipótese geral é sustentada por três hipóteses auxiliares: 5

16 Primeira: Apesar de encontrarmos traços precursores do construtivismo na filosofia socrático platônica, assim como em autores como Epicteto ou ainda Vico, o construtivismo é tese característica da filosofia contemporânea, sendo derivado da obra de Kant. É um equívoco grave a construção artificial de supostas polaridades entre realismo e construtivismo e entre objetivismo e relativismo. De fato, as polaridades existentes são as estabelecidas entre objetivismo e construtivismo (em relação à questão da origem do conhecimento), realismo e idealismo (em relação à questão da natureza do objeto), e criticismo e relativismo (em relação à questão da possibilidade do conhecimento). Com base nestas posições, devem ser avaliadas todas as reivindicações de construtivismo filosófico, que se define necessariamente pela rejeição ao objetivismo, mas pode oscilar entre o realismo e o idealismo, e entre o criticismo e o relativismo. Segunda: o construtivismo depende de uma concepção ativa de sujeito do conhecimento, como construtor primeiro de intuições sensíveis e depois de hipóteses causais. Assim, considera se o construtivismo social como não construtivista, uma vez que dissolve o conceito de sujeito ativo no processo de construção do conhecimento. Assim, tanto a primeira quanto a segunda hipótese auxiliar afirmam que não há vinculação necessária entre construtivismo e idealismo. Terceira: o construtivismo social é inconsistente por tentar colocar no âmbito da sociologia as questões epistemológicas relativas à sua própria validade. Ainda, em sua vertente mais radical que rejeita o realismo ontológico, o construtivismo social faz das concepções socialmente construídas da realidade a única e própria realidade, 6

17 afastando se assim dos limites da sociologia do conhecimento tradicional e entrando no terreno do pós modernismo. Além disso, esta corrente se sustenta flagrantemente em concepções derivadas das obras de Wittgenstein, Kuhn e Feyerabend, sendo, portanto, dependente da filosofia da ciência e incapaz de erigir se como a disciplina metacientífica auto suficiente. 1.3 Estrutura da dissertação No capítulo dois, que se segue a esta introdução, serão definidas as teses ontológicas e epistemológicas centrais do construtivismo contemporâneo. Será exposta a origem das teses construtivistas contemporâneas em Kant e na abordagem que introduziu o termo no século XX, a Epistemologia Genética de Jean Piaget. Posteriormente, serão avaliados os usos contemporâneos do termo pelo construtivismo radical, construcionismo social (que não se deve confundir com o construtivismo social), socioconstrutivismo e construtivismo lógico. Finalmente, com base nas posições investigadas, será estabelecido o que há de comum entre as correntes e que, desse modo, poderia caracterizar de um modo menos controverso o construtivismo como um todo. No capítulo três serão apresentadas as principais teses do construtivismo social, com especial ênfase nas ontológicas e epistemológicas. Começa com uma sumária contextualização e apresentação conceitual do construtivismo social, para 7

18 logo depois abordar algumas idéias de Wittgenstein, Kuhn e Feyerabend que tiveram influência fundamental na configuração filosófica da corrente. Os dois últimos itens do capítulo serão dedicados a uma avaliação cuidadosa das teses ontológicas e epistemológicas do construtivismo social, buscando estabelecer o que pode ser dito de consensual e o que há de divergência entre as correntes e principais proponentes do autodenominado strong programme. No quarto capítulo apresentarei cinco críticas gerais ao construtivismo social, das quais duas pretendem ter o caráter de críticas originais. A primeira diz respeito ao fato de que, apesar de se apresentar como ciência da ciência e crítico da filosofia, o construtivismo social nada mais é que outra filosofia da ciência; só que inconsistente e praticada sem rigor algum. A segunda diz respeito ao fato de que os métodos usados pelo construtivismo social para investigar cientificamente a ciência não são científicos e são incapazes de testar alegações acerca de relações de causa e efeito, fato este que aparentemente nunca foi abordado na literatura sobre o strong programme. A terceira é a de que o construtivismo social não é estrito senso uma variante de construtivismo, não faz parte dessa tradição do pensamento ocidental, pois não existe, para esta abordagem, um sujeito ativo. A quarta, é que ela defende uma das teses mais descabidas da história da filosofia da ciência, a de que o mundo não faz diferença na obtenção de conhecimento científico. Por fim, abordarei novamente o problema do relativismo e da definição de conhecimento adotada por essa vertente, criticando as consequências de se rejeitar a verdade como ideal normativo. 8

19 Por fim concluo a dissertação recapitulando os motivos que me levam a acreditar que as hipóteses expostas nesta introdução foram bem fundamentadas, além de chamar a atenção para os potenciais efeitos práticos danosos do construtivismo social. 9

20 Capítulo 2 Construtivismo Neste capítulo serão definidas as teses centrais do construtivismo contemporâneo, com o objetivo de estabelecer o quanto o Construtivismo Social as assume. Para tal, serão avaliados os principais usos contemporâneos do termo a fim de esclarecer como se posicionam em relação a três questões. A primeira é ontológica: Q1) Existem objetos independentes da mente humana? À posição que dá uma resposta afirmativa a esta questão chamaremos realismo ontológico, e uma resposta negativa, idealismo. A segunda e terceira a se averiguar é como as abordagens construtivistas se posicionam quanto às questões epistemológicas: Q2) É possível conhecer algo sobre os objetos que existem independentemente da mente?; Q3) Qual é a relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento? Quanto à Q2, as respostas serão classificadas em três posições: dogmatismo (é possível conhecer o objeto em si mesmo), criticismo (é possível conhecer o modo como os objetos afetam nossas representações sensíveis) e 10

21 ceticismo (não é possível conhecer nada sobre os objetos reais). As respostas à Q3 serão classificadas como objetivistas (o objeto determina em nós as representações que temos dele) ou construtivistas (nós construímos nossas representações do objeto). Será evitado durante a dissertação, na construção de argumentos próprios, o uso dos termos realismo e idealismo para quaisquer outras posições que não as ontológicas, sejam epistemológicas, semânticas ou axiológicas. Procurarei fundamentar a hipótese de que grande parte da confusão que cerca a utilização do termo construtivismo é devida a utilização dos termos realismo e idealismo em sentido epistemológico (é possível ou não o conhecimento acerca de objetos reais) e semântico (a verdade é ou não uma relação objetiva entre o mundo e a linguagem). Começaremos pela exposição da origem das teses construtivistas contemporâneas em Kant e pela abordagem que introduziu o termo no século XX, a Epistemologia Genética de Jean Piaget. Posteriormente, avaliaremos os usos contemporâneos do termo sucessivamente na abordagem do construtivismo radical, construcionismo social (que não se deve confundir com a tese forte da sociologia da ciência, o construtivismo social, objeto desta dissertação que não será abordado neste capítulo), socioconstrutivismo e construtivismo lógico. Finalmente, com base nas posições investigadas, será estabelecido o que há de comum entre as correntes e que portanto poderia caracterizar de um modo menos controverso o construtivismo como um todo. 11

22 2.1 Construtivismo em Kant O termo construtivismo tem origem no verbo latino struere, que significa organizar, dar estrutura. Assim, desde sua origem esta palavra assume implicitamente a existência de um sujeito que organiza. A diferença é clara quando a comparamos com o verbo formar, ou quando comparamos o termo construção com o termo formação. Uma estrutura que se forma, não pressupõe um sujeito que a organiza. Uma estrutura que se constrói, pressupõe a atividade de um sujeito. Ainda que muitas vezes encontremos referências ao suposto caráter precursor da filosofia de Sócrates em relação ao construtivismo, ou ainda de Epicteto, de Vico, ou até da teoria platônica da hipótese superior, para uma correta compreensão desta corrente de pensamento na filosofia contemporânea é necessário recorrer à obra de Immanuel Kant. A inversão do sentido da relação entre sujeito e objeto presente na obra de Kant é usualmente (BROUWER, 1983; HACKING, 1999; MAHONEY, 2004; PHILLIPS, 1995; RYCHLAK, 1999; ROCKMORE, 2005; VON GLASERSFELD, 1984;) considerada a raiz do construtivismo contemporâneo. Tradicionalmente, a filosofia ocidental pensava o conhecimento como uma determinação do sujeito cognoscente pelo objeto conhecido. Kant (2001) apresenta o processo de conhecimento como a organização ativa por parte do sujeito do material disperso e fragmentário que nos é fornecido pelos sentidos, impondo a este as formas da sensibilidade e as categorias do entendimento. Ou seja, para o construtivismo, o sujeito constrói suas 12

23 representações dos objetos, e não recebe passivamente impressões causadas por estes. O sujeito para o construtivismo é proativo, é foco de atividade do universo, e não um recipiente passivo de estímulos do ambiente. O construtivismo só pode ser adequadamente compreendido a partir da idéia que Kant chamou de grande luz e que de fato condicionou toda produção filosófica posterior à sua obra. Esta é a distinção entre fenômeno e númeno. Para Kant, o conhecimento sensível não nos revela as coisas como são, e sim, como aparecem para o sujeito. Por isso nos dão acesso a fenômenos. Já o conhecimento intelectivo é faculdade de representar aqueles aspectos das coisas que, por sua própria natureza, não podem ser captados por meio dos sentidos, os númenos. São conceitos do intelecto, por exemplo, os de possibilidade, existência, necessidade e semelhança, que não derivam dos sentidos. Assim, o que conhecemos do mundo são fenômenos, não númenos. Conhecemos o aparecer das coisas para nossa consciência, não a essência daquilo que acreditamos estar fora de nós: fenômeno, ordinariamente, significa aparição. Isso não implica, obviamente, que não há um mundo lá fora, mas somente que não temos acesso ao que este mundo é em si mesmo. As classificações corriqueiras de Kant como idealista são equivocadas e foram de resto contestadas pelo próprio. Nos Prolegômenos ele reapresenta sua posição sobre a questão do idealismo de forma inequívoca: O idealismo consiste na afirmação de que não existem outros seres excepto os seres pensantes; as restantes coisas, que julgamos perceber na intuição, seriam apenas representações nos seres pensantes a que não corresponderia, na realidade, nenhum objecto exterior. Eu, pelo 13

24 contrário, afirmo: são nos dadas coisas como objectos dos nossos sentidos e a nós exteriores, mas nada sabemos do que elas possam ser em si mesmas; conhecemos unicamente os seus fenômenos, isto é, as representações que em nós produzem, ao afectarem os nossos sentidos. Por conseguinte, admito que fora de nós há corpos, isto é, coisas que, embora nos sejam totalmente desconhecidas quanto ao que possam ser em si mesmas, conhecemos mediante as representações que o seu efeito sobre a nossa sensibilidade nos procura, coisas a que damos o nome de um corpo, palavra essa que indica apenas o fenômeno deste objecto que nos é desconhecido, mas nem por isso, menos real. Pode a isto chamar se idealismo? É precisamente o seu oposto. (KANT, 2003, p.58) Para Kant (2001), nossa mente tem uma estrutura dada, que enquadra os dados da experiência em suas formas e categorias a priori. Desta forma, só podemos conhecer em si mesmos aqueles conceitos que são resultado de uma especulação racional. E é na busca pela condição de possibilidade da ciência matemática que o termo construção começa a ser utilizado em Kant. Para ele, a ciência em geral se basearia num tipo de juízo que a um só tempo acrescenta algo de novo ao sujeito (sintético) e também não depende da experiência, ou seja, é universal e necessário (a priori): este é o juízo sintético a priori. Todo Prolegômenos e toda Crítica da Razão Pura gravitam em torno deste problema central. Encontrar o fundamento do conhecimento, para Kant, é explicar como são possíveis juízos sintéticos a priori. Os juízos sintéticos a priori unem a aprioridade, ou seja, universalidade e necessidade, com a fecundidade, ou seja, a sinteticidade. Exemplos seriam as operações aritméticas, os juízos da geometria (como por exemplo, todo triângulo tem sua área calculada em função de sua base multiplicada por sua altura e dividida por 14

25 dois) e os juízos da física (em todas as mudanças do mundo físico a quantidade de matéria permanece invariada). Nestes conceitos, ultrapassamos o conceito de triângulo ou de matéria para acrescentar lhes a priori algo que não pensávamos nele. Assim temos três tipos de juízos, e três fundamentos diferentes para eles. A verdade ou falsidade de um juízo analítico a priori é determinada pelo princípio da identidade e da não contradição uma vez que o sujeito e o predicado se equivalem, ou seja, pela lógica. A verdade ou falsidade de um juízo sintético a posteriori é determinada pela experiência sensível. Por fim, temos que responder qual é o fundamento do juízo sintético a priori. Para Kant (2003), é a capacidade de construção que torna possível o juízo sintético a priori, e portanto, a matemática. Esta precisa ter como fundamento uma intuição pura, na qual ela possa representar todos os seus conceitos in concreto e, no entanto, a priori, ou, como se diz, construí los (KANT, 2003, p. 48). Quando demonstramos um teorema em geometria, compreendemos que não devemos seguir passo a passo aquilo que se vê na figura nem nos apegarmos ao simples conceito desta para apreender suas propriedades. O que devemos fazer é pensar e representar, por nossos próprios conceitos, o objeto geométrico em questão, ou seja, construí lo. Construindo este objeto, podemos saber com segurança alguma coisa a priori (independentemente da experiência), pois sabemos não atribuir a este objeto senão aquilo que nós próprios colocamos nele: 15

O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA

O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA Gilberto do Nascimento Lima Brito* 1. INTRODUÇÃO Nossa pesquisa consistirá em analisar o conceito de matéria na filosofia da natureza de Immanuel

Leia mais

AS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA PIAGETIANA PARA O PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM.

AS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA PIAGETIANA PARA O PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM. AS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA PIAGETIANA PARA O PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM. Maria Rafaela de Oliveira Graduanda FECLESC/UECE Géssica Cryslânia da Silva Graduanda FECLESC/UECE Janete Rodrigues de Lima

Leia mais

IACR ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PARA O REALISMO CRÍTICO XII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL da IACR Texto de Priscila Silva Araújo.

IACR ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PARA O REALISMO CRÍTICO XII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL da IACR Texto de Priscila Silva Araújo. IACR ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PARA O REALISMO CRÍTICO XII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL da IACR Texto de Priscila Silva Araújo. Rorty e o realismo como instrumento da emancipação humana Alguns filósofos 1

Leia mais

Conhecimento - Kant e Númeno Teresa Simões FBAUL, 2006

Conhecimento - Kant e Númeno Teresa Simões FBAUL, 2006 Conhecimento - Kant e Númeno Teresa Simões FBAUL, 2006 Sumário Introdução 1 Desenvolvimento. 1 1. O Conhecimento.. 2 2. A sensação e percepção... 3 3. Kant e o conhecimento como actividade construtiva

Leia mais

RESENHAS. BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003, 116 p.

RESENHAS. BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003, 116 p. Linguagem & Ensino, Vol. 8, Nº 2, 2005 (275-285) RESENHAS BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003, 116 p. Resenhado por Márcia Cristina Greco OHUSCHI

Leia mais

Titulo do Trabalho: Fundamentação da metodologia de pesquisa teórica em

Titulo do Trabalho: Fundamentação da metodologia de pesquisa teórica em Titulo do Trabalho: Fundamentação da metodologia de pesquisa teórica em psicanálise Autor: Érico Campos RESUMO Este trabalho discute questões gerais envolvidas na leitura de textos e discursos nas ciências

Leia mais

dóxa e epistéme. sensível e inteligível. fé e razaão.

dóxa e epistéme. sensível e inteligível. fé e razaão. dóxa e epistéme. sensível e inteligível. fé e razaão. Senso comum... aranha caranguejeira ou aranha-marrom? Epistemologia Moderna e Contemporânea EPISTEMOLOGIA investiga o conhecimento. limites. possibilidades.

Leia mais

Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências

Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências ESPECIALIZAÇAO EM CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências Prof. Nelson Luiz Reyes Marques O que é ciência afinal? O que é educação em ciências? A melhor maneira

Leia mais

George Kelly (1905-1967) 11 - Kelly. Ponto de Partida. Kelly. O Realismo de Kelly. Universo de Kelly. Estágio Curricular Supervisionado em Física I

George Kelly (1905-1967) 11 - Kelly. Ponto de Partida. Kelly. O Realismo de Kelly. Universo de Kelly. Estágio Curricular Supervisionado em Física I 11 - Kelly George Kelly (1905-1967) Estágio Curricular Supervisionado em Física I www.fisica-interessante.com 1/33 www.fisica-interessante.com 2/33 Kelly Ponto de Partida formou-se em Matemática e Física

Leia mais

Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico:

Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico: 1 Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico: Uma breve aproximação Clodoveo Ghidolin 1 Um tema de constante debate na história do direito é a caracterização e distinção entre jusnaturalismo e positivismo

Leia mais

FILOSOFIA. Fernando Pessoa FILOSOFIA

FILOSOFIA. Fernando Pessoa FILOSOFIA Fernando Pessoa FILOSOFIA FILOSOFIA Se há um assunto eminentemente filosófico é a classificação das ciências. Pertence à filosofia e a nenhuma outra ciência. É só no ponto de vista mais genérico que podemos

Leia mais

Filosofia - Introdução à Reflexão Filosófica

Filosofia - Introdução à Reflexão Filosófica Filosofia - Introdução à Reflexão Filosófica 0 O que é Filosofia? Essa pergunta permite muitas respostas... Alguns podem apontar que a Filosofia é o estudo de tudo ou o nada que pretende abarcar tudo.

Leia mais

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO.

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. Duarte, Karina. Rossi, Karla. Discentes da faculdade de ciências Humanas/FAHU. Rodrigues, Fabiana. Docente da faculdade de ciências Humanas/FAHU.

Leia mais

Desenvolvimento moral da criança: semelhanças e distinções entre o pensamento de Kant e Piaget. Pôster

Desenvolvimento moral da criança: semelhanças e distinções entre o pensamento de Kant e Piaget. Pôster Desenvolvimento moral da criança: semelhanças e distinções entre o pensamento de Kant e Piaget Camila Costa Soufen Universidade Sagrado Coração, Bauru/SP e-mail: camilasoufen@gmail.com Cleiton José Senem

Leia mais

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. AULA: 2.1 Conteúdo: Dogmatismo Ceticismo

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. AULA: 2.1 Conteúdo: Dogmatismo Ceticismo : 2.1 Conteúdo: Dogmatismo Ceticismo : 2.1 Habilidade: Problematizar quais as possibilidades do conhecimento verdadeiro. REVISÃO Conhecimento = Relação SUJEITO e OBJETO Fontes do conhecimento Racionalismo

Leia mais

PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO

PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO Toda teoria pedagógica pressupõe uma teoria epistemológica, da qual o professor faz uso, mesmo que ele não tenha consciência disso. Ou seja, mesmo que o professor

Leia mais

INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA E OPERATÓRIA FORMAL

INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA E OPERATÓRIA FORMAL INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA E OPERATÓRIA FORMAL Prof. Dr. Wilson da Silva 1 A INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA (± de 7 a 11/12 anos) Por volta dos sete anos ocorre um fato decisivo no desenvolvimento

Leia mais

Perguntas e Concepções presentes sobre a natureza do Psicológico e da Psicologia. I Natureza Humana

Perguntas e Concepções presentes sobre a natureza do Psicológico e da Psicologia. I Natureza Humana Perguntas e Concepções presentes sobre a natureza do Psicológico e da Psicologia I Natureza Humana * Qual a natureza humana? Ou seja, qual é a ontologia humana? - Uma teoria da natureza humana busca especificar

Leia mais

PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL A preparação de um projeto de tese: indagações preliminares 1. Que conhecimento se tem sobre o estado da questão? 1.1. O que quero saber? Tema Problema geral da

Leia mais

O Desenvolvimento Moral na Educação Infantil

O Desenvolvimento Moral na Educação Infantil Andressa Ranzani Nora Mello Keila Maria Ramazotti O Desenvolvimento Moral na Educação Infantil Primeira Edição São Paulo 2013 Agradecimentos A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram

Leia mais

Como Eu Começo meu A3?

Como Eu Começo meu A3? Como Eu Começo meu A3? David Verble O pensamento A3 é um pensamento lento. Você está tendo problemas para começar seu A3? Quando ministro treinamentos sobre o pensamento, criação e uso do A3, este assunto

Leia mais

John Locke (1632-1704) Colégio Anglo de Sete Lagoas - Professor: Ronaldo - (31) 2106-1750

John Locke (1632-1704) Colégio Anglo de Sete Lagoas - Professor: Ronaldo - (31) 2106-1750 John Locke (1632-1704) Biografia Estudou na Westminster School; Na Universidade de Oxford obteve o diploma de médico; Entre 1675 e 1679 esteve na França onde estudou Descartes (1596-1650); Na Holanda escreveu

Leia mais

Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento. UNESP de Marília.

Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento. UNESP de Marília. 1 Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento UNESP de Marília. Pontos principais do texto: HJØRLAND, B. Towards a Theory of Aboutness, Subject, Topicality, Theme, Domain, Field,

Leia mais

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO FILOSOFIA

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO FILOSOFIA PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO FILOSOFIA P á g i n a 1 QUESTÃO 1 - Assinalar a alternativa correta: A) Com seu giro linguístico hermenêutico, Gadamer mostra que o processo hermenêutico é unitário,

Leia mais

Fundamentos teóricos das Ciências Naturais

Fundamentos teóricos das Ciências Naturais Fundamentos teóricos das Ciências Naturais Autores Christiane Gioppo Marques da Cruz Lia Kucera Roseli Machado Vilma Maria Mascarenhas 2.ª edição 2009 2004-2009 IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução,

Leia mais

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA Cleide Nunes Miranda 1 Taís Batista 2 Thamires Sampaio 3 RESUMO: O presente estudo discute a relevância do ensino de leitura e principalmente, da escrita, trazendo em especial

Leia mais

CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET E DE LEV. S. VYGOTSKY PARA A PSICOLOGIA EDUCACIONAL E PARA O PROFESSOR

CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET E DE LEV. S. VYGOTSKY PARA A PSICOLOGIA EDUCACIONAL E PARA O PROFESSOR 1 CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET E DE LEV. S. VYGOTSKY PARA A PSICOLOGIA EDUCACIONAL E PARA O PROFESSOR Paulo Gomes Lima Prof. Adjunto da FAED/UFGD MS. Área Fundamentos da Educação A Psicologia Educacional,

Leia mais

1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação

1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação 1 1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação O objetivo principal de Introdução Filosofia é despertar no aluno a percepção que a análise, reflexão

Leia mais

O que é Ética? Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado.

O que é Ética? Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado. 1 O que é Ética? Definição de Ética O termo ética, deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade.

Leia mais

RÉPLICA A JORGE J. E. GRACIA 1

RÉPLICA A JORGE J. E. GRACIA 1 TRADUÇÃO DOI: 10.5216/PHI.V17I2.18751 RÉPLICA A JORGE J. E. GRACIA 1 Autor: Peter F. Strawson Tradutor: Itamar Luís Gelain(Centro Universitário Católica de Santa Catarina) 2,3 itamarluis@gmail.com Em seu

Leia mais

Prova Escrita de Filosofia

Prova Escrita de Filosofia Exame Final Nacional do Ensino Secundário Prova Escrita de Filosofia 11.º Ano de Escolaridade Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova 714/Época Especial 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

Considerações acerca da Fundamentação da Metafísica dos Costumes de I. Kant Liberdade, Dever e Moralidade

Considerações acerca da Fundamentação da Metafísica dos Costumes de I. Kant Liberdade, Dever e Moralidade Notandum 14 http://www.hottopos.com CEMOrOC Feusp / IJI Univ. do Porto 2007 Considerações acerca da Fundamentação da Metafísica dos Costumes de I. Kant Liberdade, Dever e Moralidade Marcos Sidnei Pagotto

Leia mais

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE Terezinha Losada Resumo: A obra Fonte de Marcel Duchamp é normalmente apontada pela crítica de arte como a síntese e a expressão mais radical da ruptura com a tradição

Leia mais

Os fundamentos do juízo: a faculdade do juízo e a conformidade a fins

Os fundamentos do juízo: a faculdade do juízo e a conformidade a fins 2. Os fundamentos do juízo: a faculdade do juízo e a conformidade a fins As considerações iniciais deste capítulo dizem respeito à faculdade do juízo, elemento sem o qual não é possível entender o fundamento

Leia mais

Principais correntes e seus representantes

Principais correntes e seus representantes Teoria do Conhecimento A necessidade de procurar explicar o mundo dando-lhe um sentido e descobrindo-lhe as leis ocultas é tão antiga como o próprio Homem, que tem recorrido para isso quer ao auxílio da

Leia mais

É necessário (re)ler Ferdinand de Saussure nos manuscritos originais. Entrevista de Laurent Wolf com Simon BOUQUET

É necessário (re)ler Ferdinand de Saussure nos manuscritos originais. Entrevista de Laurent Wolf com Simon BOUQUET É necessário (re)ler Ferdinand de Saussure nos manuscritos originais Entrevista de Laurent Wolf com Simon BOUQUET Nessa entrevista Simon Bouquet fala da importância de se retornar aos escritos originais

Leia mais

A Teoria de Campo Gestalt

A Teoria de Campo Gestalt A Teoria de Campo Gestalt MARIA APPARECIDA MAMEDE NEVES A Teoria de Campo Gestalt foi inicialmente desenvolvida de modo formal no início da década de 20, pelo filósofo e psicólogo alemão Max Wertheimer

Leia mais

CATHIANI MARA BELLÉ EM KANT, É POSSÍVEL O HOMEM RACIONAL SER FELIZ?

CATHIANI MARA BELLÉ EM KANT, É POSSÍVEL O HOMEM RACIONAL SER FELIZ? CATHIANI MARA BELLÉ EM KANT, É POSSÍVEL O HOMEM RACIONAL SER FELIZ? CURITIBA 2011 CATHIANI MARA BELLÉ EM KANT, É POSSÍVEL O HOMEM RACIONAL SER FELIZ? Projeto de pesquisa apresentado à Universidade Federal

Leia mais

Exercícios Teóricos Resolvidos

Exercícios Teóricos Resolvidos Universidade Federal de Minas Gerais Instituto de Ciências Exatas Departamento de Matemática Exercícios Teóricos Resolvidos O propósito deste texto é tentar mostrar aos alunos várias maneiras de raciocinar

Leia mais

> Folha Dirigida, 18/08/2011 Rio de Janeiro RJ Enem começa a mudar as escolas Thiago Lopes

> Folha Dirigida, 18/08/2011 Rio de Janeiro RJ Enem começa a mudar as escolas Thiago Lopes > Folha Dirigida, 18/08/2011 Rio de Janeiro RJ Enem começa a mudar as escolas Thiago Lopes Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), inicialmente, tinha como objetivo avaliar o desempenho

Leia mais

Metodologia do Trabalho Científico

Metodologia do Trabalho Científico Metodologia do Trabalho Científico Diretrizes para elaboração de projetos de pesquisa, monografias, dissertações, teses Cassandra Ribeiro O. Silva, Dr.Eng. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA Porque escrever

Leia mais

PROJETO DE PESQUISA. Antonio Joaquim Severino 1. Um projeto de bem elaborado desempenha várias funções:

PROJETO DE PESQUISA. Antonio Joaquim Severino 1. Um projeto de bem elaborado desempenha várias funções: PROJETO DE PESQUISA Antonio Joaquim Severino 1 Um projeto de bem elaborado desempenha várias funções: 1. Define e planeja para o próprio orientando o caminho a ser seguido no desenvolvimento do trabalho

Leia mais

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos:

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos: A CONTRIBUIÇÃO DE MAX WEBER (1864 1920) Max Weber foi o grande sistematizador da sociologia na Alemanha por volta do século XIX, um pouco mais tarde do que a França, que foi impulsionada pelo positivismo.

Leia mais

Algumas vantagens da Teoria das Descrições Definidas (Russel 1905)

Algumas vantagens da Teoria das Descrições Definidas (Russel 1905) Textos / Seminário de Orientação - 12 de Março de 2005 - Fernando Janeiro Algumas vantagens da Teoria das Descrições Definidas (Russel 1905) Assume-se que o objecto de uma teoria semântica é constituído

Leia mais

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO Unidade I PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO EDAAPRENDIZAGEM APRENDIZAGEM Prof. Wanderlei Sergio da Silva Conceito PDA estudo sobre o crescimento mental do indivíduo, desde o nascimento até a adolescência;

Leia mais

Palavras-chaves: paradoxos sorites; vagueza; ambiguidade; relatividade; teoria epistêmica.

Palavras-chaves: paradoxos sorites; vagueza; ambiguidade; relatividade; teoria epistêmica. OBSERVAÇÕES INTRODUTÓRIAS SOBRE OS PARADOXOS SORITES E O FENÔMENO DA VAGUEZA NA LINGUAGEM NATURAL Eduardo Dayrell de Andrade Goulart Universidade Federal de Minas Gerais Resumo: O objetivo deste artigo

Leia mais

O ATO DE ESTUDAR 1. (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire.)

O ATO DE ESTUDAR 1. (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire.) O ATO DE ESTUDAR 1 (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire.) Paulo Freire, educador da atualidade, aponta a necessidade de se fazer uma prévia reflexão sobre o sentido do estudo. Segundo suas palavras:

Leia mais

8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM CORRENTES DO PENSAMENTO DIDÁTICO 8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM Se você procurar no dicionário Aurélio, didática, encontrará o termo como feminino substantivado de didático.

Leia mais

Título: Observações introdutórias sobre os paradoxos sorites e o fenômeno da vagueza na linguagem natural

Título: Observações introdutórias sobre os paradoxos sorites e o fenômeno da vagueza na linguagem natural Título: Observações introdutórias sobre os paradoxos sorites e o fenômeno da vagueza na linguagem natural Conceitos-chaves: Paradoxo sorites, Vagueza, Casos-fronteira, Teoria Epistêmica. 1. Introdução

Leia mais

O Paradigma da nova liderança

O Paradigma da nova liderança O Paradigma da nova liderança Robert B. Dilts Um dos mais importantes conjuntos de habilidades Um dos mais importantes conjuntos de habilidades necessárias num mundo em transformação são as habilidades

Leia mais

A Computação e as Classificações da Ciência

A Computação e as Classificações da Ciência A Computação e as Classificações da Ciência Ricardo de Almeida Falbo Metodologia de Pesquisa Departamento de Informática Universidade Federal do Espírito Santo Agenda Classificações da Ciência A Computação

Leia mais

MAPAS CONCEITUAIS E APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA. MOREIRA, Marco Antonio. Mapas Conceituais e Aprendizagem Significativa. São Paulo: Centauro, 2010.

MAPAS CONCEITUAIS E APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA. MOREIRA, Marco Antonio. Mapas Conceituais e Aprendizagem Significativa. São Paulo: Centauro, 2010. MAPAS CONCEITUAIS E APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA MOREIRA, Marco Antonio. Mapas Conceituais e Aprendizagem Significativa. São Paulo: Centauro, 2010. OBJETIVO Abordar mapas conceituais essencialmente como

Leia mais

INDIVIDUALISMO ÉMILE DURKHEIM. * Os fatos sociais são regras jurídicas, morais e sistemas financeiros.

INDIVIDUALISMO ÉMILE DURKHEIM. * Os fatos sociais são regras jurídicas, morais e sistemas financeiros. INDIVIDUALISMO ÉMILE DURKHEIM Fato Social - Exterioridade (o fato social é exterior ao indivíduo). - Coercitividade. - Generalidade (o fato social é geral). * Os fatos sociais são regras jurídicas, morais

Leia mais

FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA

FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA Fabiana de Jesus Oliveira União de Ensino do Sudoeste do Paraná fabiana@unisep.edu.br Diversas são as pesquisas que têm mostrado que o ensino encontra-se

Leia mais

Resumo. 1. Introdução

Resumo. 1. Introdução O SIGNIFICADO DE TERMOS RELATIVOS À ORDENAÇÃO NO TEMPO: A INFLUÊNCIA DO USO COTIDIANO EM UM CONHECIMENTO MATEMÁTICO. IGLIORI, S.; MARANHÃO, C. e SENTELHAS, S. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,

Leia mais

Uma Propedêutica para uma Discussão sobre Pesquisa em História e Filosofia da Matemática

Uma Propedêutica para uma Discussão sobre Pesquisa em História e Filosofia da Matemática Uma Propedêutica para uma Discussão sobre Pesquisa em História e Filosofia da Matemática John A. Fossa As presentes linhas pretendem ser uma espécie de propedêutica para a discussão do grupo temático sobre

Leia mais

A MODELAÇÃO DE LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS

A MODELAÇÃO DE LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS A MODELAÇÃO DE LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS O ESPÍRITO HUMANO PROCURA LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS AO MENOS POR DOIS MOTIVOS Porque lhe dão um certo tipo de compreensão do real Porque lhe oferecem esquemas

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Departamento de Ciência Política Programa de Pós-Graduação em Ciência Política Área de Concentração: Teoria Política e Interpretações do Brasil Título da Disciplina: Ceticismo

Leia mais

Donald Davidson e a objetividade dos valores

Donald Davidson e a objetividade dos valores Donald Davidson e a objetividade dos valores Paulo Ghiraldelli Jr. 1 Os positivistas erigiram sobre a distinção entre fato e valor o seu castelo. Os pragmatistas atacaram esse castelo advogando uma fronteira

Leia mais

Marta Kohl de Oliveira Algumas Contribuições da Psicologia Cognitiva

Marta Kohl de Oliveira Algumas Contribuições da Psicologia Cognitiva Marta Kohl de Oliveira Algumas Contribuições da Psicologia Cognitiva A criança que chega à escola é um indivíduo que sabe coisas e que opera intelectualmente de acordo com os mecanismos de funcionamento

Leia mais

Uma Hipótese Empírica para o Problema Mente-Corpo

Uma Hipótese Empírica para o Problema Mente-Corpo Uma Hipótese Empírica para o Problema Mente-Corpo Este texto é uma síntese da posição de Thomas Nagel da hipótese empírica da necessidade da identidade entre estados mentais e estado cerebrais. Se a aparência

Leia mais

Resenha de Fundamentação Existencial da Pedagogia

Resenha de Fundamentação Existencial da Pedagogia 1 Resenha de Fundamentação Existencial da Pedagogia Luís Washington Vita (1955) DELFIM SANTOS, Fundamentação Existencial da Pedagogia, Limeira, Letras da Província, 1951-115; Revista Brasileira de Filosofia

Leia mais

1. Investigação Filosófica construir o sentido da experiência

1. Investigação Filosófica construir o sentido da experiência FILOSOFIA PARA CRIANÇAS 1. Investigação Filosófica construir o sentido da experiência O Prof. Dr. Matthew Lipman, filósofo e educador norte-americano, criou o Programa Filosofia para Crianças no final

Leia mais

Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL Ano Lectivo 2014/2015

Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL Ano Lectivo 2014/2015 Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL Ano Lectivo 2014/2015 QUESTÕES DE REVISÃO NOTA PRÉVIA: POR FAVOR LEIA COM ATENÇÃO A listagem seguinte constitui uma primeira versão,

Leia mais

Sociologia. Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira

Sociologia. Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira Sociologia Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira [...] tudo o que é real tem uma natureza definida que se impõe, com a qual é preciso contar,

Leia mais

:: Cuidados na Elaboração de uma Redação Científica

:: Cuidados na Elaboração de uma Redação Científica :: Cuidados na Elaboração de uma Redação Científica José Mauricio Santos Pinheiro em 21/04/2005 Os princípios indispensáveis à redação científica podem ser resumidos em quatro pontos fundamentais: clareza,

Leia mais

Hume, Kant, Schulze e a relação entre ceticismo e filosofia

Hume, Kant, Schulze e a relação entre ceticismo e filosofia Hume, Kant, Schulze e a relação entre ceticismo e filosofia Lucas Nascimento Machado RESUMO Em nosso artigo, discutiremos a relação entre ceticismo e filosofia tal como ela se daria na conexão entre Hume,

Leia mais

PROJETO DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA E A IMPOSSIBILIDADE DA ONTOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA

PROJETO DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA E A IMPOSSIBILIDADE DA ONTOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA O PROJETO DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA E A IMPOSSIBILIDADE DA ONTOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA Regenaldo da Costa * RESUMO Conforme a Crítica da Razão Pura de Kant, o conhecimento humano é mediado pela subjetividade

Leia mais

A Parte I, denominada Desenvolvimento e Educação, integra textos sobre o desenvolvimento humano e as implicações educativas de teorias e resultados

A Parte I, denominada Desenvolvimento e Educação, integra textos sobre o desenvolvimento humano e as implicações educativas de teorias e resultados Introdução Reunimos aqui, num único volume, os contributos de vários psicólogos e investigadores nacionais que desenvolvem trabalho teórico e empírico nos domínios da aprendizagem e do desenvolvimento

Leia mais

161 FILOSOFIA Prova escrita

161 FILOSOFIA Prova escrita 161 FILOSOFIA Prova escrita PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA Duração: 120 min Ano: 2014 1ª fase - Junho 10º/11º anos Grupo I Selecione a alternativa correta: 1. Uma não ação é algo que A. Nos acontece.

Leia mais

Universidade Federal de Alfenas

Universidade Federal de Alfenas Universidade Federal de Alfenas Projeto e Análise de Algoritmos Aula 02 Um pouco da história da computação humberto@bcc.unifal-mg.edu.br Última aula... Fundamentos de Matemática; Medida do Tempo de Execução

Leia mais

11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na segunda coluna:

11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na segunda coluna: TÉCNICO EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS 4 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS QUESTÕES DE 11 A 25 11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na

Leia mais

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita;

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita; MÉTODO CIENTÍFICO CONCEITO: palavra de origem grega, significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação da verdade; IMPORTÃNCIA DO MÉTODO: pode validar ou invalidar

Leia mais

1 Um guia para este livro

1 Um guia para este livro PARTE 1 A estrutura A Parte I constitui-se de uma estrutura para o procedimento da pesquisa qualitativa e para a compreensão dos capítulos posteriores. O Capítulo 1 serve como um guia para o livro, apresentando

Leia mais

12 Teoria de Vigotsky - Conteúdo

12 Teoria de Vigotsky - Conteúdo Introdução Funções psicológicas superiores Pilares da teoria de Vigotsky Mediação Desenvolvimento e aprendizagem Processo de internalização Níveis de desenvolvimento Esquema da aprendizagem na teoria de

Leia mais

Índice. 1. Metodologia na Educação de Jovens e Adultos...3

Índice. 1. Metodologia na Educação de Jovens e Adultos...3 GRUPO 6.1 MÓDULO 4 Índice 1. Metodologia na Educação de Jovens e Adultos...3 1.1. Desenvolvimento e Aprendizagem de Jovens e Adultos... 4 1.1.1. Educar na Diversidade... 5 1.2. Os Efeitos da Escolarização/Alfabetização

Leia mais

UMA ESTÉTICA PARA A ESTÉTICA

UMA ESTÉTICA PARA A ESTÉTICA UMA ESTÉTICA PARA A ESTÉTICA Por Homero Alves Schlichting Doutorando no PPGE UFSM homero.a.s@gmail.com Quando falares, procura que tuas palavras sejam melhores que teus silêncios. (Provérbio da cultura

Leia mais

EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA

EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA Q U E S T Õ E S E R E F L E X Õ E S Suraya Cristina Dar ido Mestrado em Educação Física, na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo, SP, 1987 1991 Doutorado em

Leia mais

Teologia e Prática da Espiritualidade. Unidade 01: Espiritualidade e espiritualidades. Introdução

Teologia e Prática da Espiritualidade. Unidade 01: Espiritualidade e espiritualidades. Introdução Teologia e Prática da Espiritualidade Unidade 01: Espiritualidade e espiritualidades Introdução Esta primeira unidade se trata de uma tentativa de encontrar definições possíveis para a espiritualidade,

Leia mais

VI Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar 20 a 24 de setembro de 2010

VI Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar 20 a 24 de setembro de 2010 Fundamentos metodológicos da teoria piagetiana: uma psicologia em função de uma epistemologia Rafael dos Reis Ferreira Universidade Estadual Paulista (UNESP)/Programa de Pós-Graduação em Filosofia FAPESP

Leia mais

PRÁTICA EDUCATIVA EM EDUCAÇÃO FÍSICA: A CONTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO E SUAS RELAÇÕES COM O TRABALHO DOCENTE

PRÁTICA EDUCATIVA EM EDUCAÇÃO FÍSICA: A CONTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO E SUAS RELAÇÕES COM O TRABALHO DOCENTE PRÁTICA EDUCATIVA EM EDUCAÇÃO FÍSICA: A CONTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO E SUAS RELAÇÕES COM O TRABALHO DOCENTE RESUMO Leandro Pedro de Oliveira José Rubens de Lima Jardilino (orientador) Este trabalho

Leia mais

ORIGENS E POSSIBILIDADES DO CONHECIMENTO

ORIGENS E POSSIBILIDADES DO CONHECIMENTO ORIGENS E POSSIBILIDADES DO CONHECIMENTO Ao longo da aventura em busca do conhecimento, vamos nos deparar com diferentes correntes de pensamento. Conhece-las é o caminho para podermos conhecer o mundo

Leia mais

CAPÍTULO 1. A FACULDADE DE PERCEBER, A PERCEPÇÃO E OS OBJETOS DA PERCEPÇÃO

CAPÍTULO 1. A FACULDADE DE PERCEBER, A PERCEPÇÃO E OS OBJETOS DA PERCEPÇÃO CAPÍTULO 1. A FACULDADE DE PERCEBER, A PERCEPÇÃO E OS OBJETOS DA PERCEPÇÃO Muito antigo e pouco alterado no longo transcurso que teve dentro da história da filosofia, o sentido do termo latino facultas

Leia mais

Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade

Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade Pensar na realidade é pensar em transformações sociais. Atualmente, temos observado os avanços com relação à

Leia mais

Desenvolvimento Cognitivo

Desenvolvimento Cognitivo Desenvolvimento Cognitivo Psicologia do Desenvolvimento Jean Piaget elaborou uma teoria do desenvolvimento a partir do estudo da inteligência da criança e do adolescente. A sua teoria permitiu que se acabasse

Leia mais

Um exemplo prático. Como exemplo, suponha que você é um recémcontratado

Um exemplo prático. Como exemplo, suponha que você é um recémcontratado pessoas do grupo. Não basta simplesmente analisar cada interpretação possível, é preciso analisar quais as conseqüências de nossas possíveis respostas, e é isso que proponho que façamos de forma racional.

Leia mais

2 O tempo e o espaço na filosofia moderna e a origem do argumento kantiano

2 O tempo e o espaço na filosofia moderna e a origem do argumento kantiano 2 O tempo e o espaço na filosofia moderna e a origem do argumento kantiano Spinoza nos Pensamentos Metafísicos estabelece a distinção entre duração e tempo, isto é, do ente em ente cuja essência envolve

Leia mais

Guia de livros didáticos PNLD 2012

Guia de livros didáticos PNLD 2012 Guia de livros didáticos PNLD 2012 Veja nas páginas a seguir um excerto do documento publicado pela FNDE contendo uma resenha da coleção Quanta Física recentemente aprovada como uma das obras didáticas

Leia mais

ALTERIDADE - IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DO ALUNO

ALTERIDADE - IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DO ALUNO ALTERIDADE - IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DO ALUNO Hélio de Moraes e Marques 1 Resumo: O ensino da filosofia possui características muito peculiares quanto ao seu método. Refiro-me à exposição pelo professor

Leia mais

A Psicologia de Vendas: Por Que as Pessoas Compram

A Psicologia de Vendas: Por Que as Pessoas Compram A Psicologia de Vendas: Por Que as Pessoas Compram Esquema de Palestra I. Por Que As Pessoas Compram A Abordagem da Caixa Preta A. Caixa preta os processos mentais internos que atravessamos ao tomar uma

Leia mais

MODELO PARA A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA MODEL FOR THE CONSTRUCTION OF A RESEARCH PROJECT

MODELO PARA A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA MODEL FOR THE CONSTRUCTION OF A RESEARCH PROJECT 29 MODELO PARA A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA MODEL FOR THE CONSTRUCTION OF A RESEARCH PROJECT Andrei Venturini Martins Não basta ter bom espírito, o principal é aplicá-lo bem. 1 RESUMO: Neste

Leia mais

Leis, causas e explicação em Biologia

Leis, causas e explicação em Biologia Leis, causas e explicação em Biologia Felipe Faria * Resenha do livro de Gustavo Caponi: Leyes sin causa y causas sin ley en la explicación biológica. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia-Rectoria,

Leia mais

Pesquisa e método científicos

Pesquisa e método científicos Pesquisa e método científicos Cláudia Dias e Denise Fernandes Brasília, março 2000. Resumo Apresenta conceitos de ciência, pesquisa e método científicos e traça paralelos entre conhecimento científico

Leia mais

MANUAL DE OBSERVAÇÃO PARA O EDUCADOR: CONHECENDO MELHOR A PRÁTICA PROFISSIONAL E MEUS ALUNOS

MANUAL DE OBSERVAÇÃO PARA O EDUCADOR: CONHECENDO MELHOR A PRÁTICA PROFISSIONAL E MEUS ALUNOS MANUAL DE OBSERVAÇÃO PARA O EDUCADOR: CONHECENDO MELHOR A PRÁTICA PROFISSIONAL E MEUS ALUNOS Caro leitor: O objetivo principal deste Manual de Observação para o Educador: conhecendo melhor a prática profissional

Leia mais

MATEMÁTICA E ENEM. Luiz Henrique Almeida de Souza do Nascimento UFMS luiz_g4@hotmail.com. Nathalia Teixeira Larrea UFMS nathalia_tl@hotmail.

MATEMÁTICA E ENEM. Luiz Henrique Almeida de Souza do Nascimento UFMS luiz_g4@hotmail.com. Nathalia Teixeira Larrea UFMS nathalia_tl@hotmail. MATEMÁTICA E ENEM Luiz Henrique Almeida de Souza do Nascimento UFMS luiz_g4@hotmail.com Nathalia Teixeira Larrea UFMS nathalia_tl@hotmail.com Luzia Aparecida de Souza UFMS luzia.souza@ufms.br Resumo Este

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA/UFSC/SC RELATÓRIO SUCINTO: MÊS JUNHO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA/UFSC/SC RELATÓRIO SUCINTO: MÊS JUNHO 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA/UFSC/SC 1. Dados do Município ou GERED a) Município: FLORIANÓPOLIS b)município/gered: SECRETARIA MUNICIPAL RELATÓRIO

Leia mais

A Sociologia de Weber

A Sociologia de Weber Material de apoio para Monitoria 1. (UFU 2011) A questão do método nas ciências humanas (também denominadas ciências históricas, ciências sociais, ciências do espírito, ciências da cultura) foi objeto

Leia mais

KANT E AS GEOMETRIAS NÃO-EUCLIDIANAS

KANT E AS GEOMETRIAS NÃO-EUCLIDIANAS KANT E AS GEOMETRIAS NÃO-EUCLIDIANAS Gustavo Leal - Toledo 1 RESUMO Pretende-se mostrar, neste trabalho, que a Exposição Metafísica não depende da Exposição Transcendental nem da geometria euclidiana.

Leia mais

com níveis ótimos de Brand Equity, os interesses organizacionais são compatíveis com as expectativas dos consumidores.

com níveis ótimos de Brand Equity, os interesses organizacionais são compatíveis com as expectativas dos consumidores. Brand Equity O conceito de Brand Equity surgiu na década de 1980. Este conceito contribuiu muito para o aumento da importância da marca na estratégia de marketing das empresas, embora devemos ressaltar

Leia mais