CONSTRUTIVISMO SOCIAL:

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "CONSTRUTIVISMO SOCIAL:"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO LÓGICA E METAFÍSICA Gustavo Arja Castañon CONSTRUTIVISMO SOCIAL: A CIÊNCIA SEM SUJEITO E SEM MUNDO Rio de Janeiro Agosto de 2009

2 Gustavo Arja Castañon CONSTRUTIVISMO SOCIAL: A ciência sem sujeito e sem mundo Um volume Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação Lógica e Metafísica do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Filosofia (Lógica e Metafísica). Orientador: Alberto Oliva Rio de Janeiro, II

3 Gustavo Arja Castañon CONSTRUTIVISMO SOCIAL: A ciência sem sujeito e sem mundo Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação Lógica e Metafísica do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Filosofia (Lógica e Metafísica). Aprovada por: (Alberto Oliva, Doutor, Universidade Federal do Rio de Janeiro) (Antonio Augusto Passos Videira, Doutor, Universidade do Estado do Rio de Janeiro) (Marco Antonio Caron Ruffino, Doutor, Universidade Federal do Rio de Janeiro) Rio de Janeiro, 03 de agosto de III

4 Dedico esta dissertação a Nathalie, meu amor, que ao viver ao meu lado faz com que eu me sinta em casa neste mundo insano e sem valores. IV

5 Agradeço aqui, A meu orientador Alberto Oliva, amigo mais antigo do que gostaria de confessar, que nunca se furtou ao trabalho a ele confiado e me ajudou competente e generosamente na pesquisa para esta dissertação; A meu professor Marco Ruffino, que teve sobre mim influência marcante no curso que ora completo, e que por suas ótimas aulas e estilo direto me ajudou decisivamente a desembarcar na filosofia analítica; Ao professor Antonio Augusto Passos Videira, que aceitou o convite para participar desta banca sem qualquer conhecimento prévio de meu trabalho; Ao Programa de Pós graduação em Lógica e Metafísica, que me ofereceu todas as condições necessárias para a conclusão de meu curso sem abrir mão do projeto de construção de uma pós graduação com padrões de exigência muito superiores aos usualmente encontrados na filosofia brasileira; A meus pais, sem os quais não estaria aqui hoje e com os quais tenho convivido tão pouco nos últimos seis anos de estudos interruptos; E a minha esposa Nathalie, que tem enfrentado a falta de viagens e lazer que minha sucessão de empreitadas acaba também lhe impondo, sempre com compreensão, ajuda e amor. V

6 Rien n est plus dangereux qu une idée, quand on n a qu une idée. Alain VI

7 RESUMO CASTAÑON, Gustavo Arja. Construtivismo Social: A ciência sem sujeito e sem mundo. Rio de Janeiro, Dissertação (Mestrado em Filosofia: Lógica e Metafísica) Programa de Pós graduação Lógica e Metafísica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Esta dissertação avalia o construtivismo social, abordagem filosófica associada ao strong programme da sociologia da ciência. Os problemas específicos investigados são o da validade de sua classificação como forma de construtivismo e de sua pretensão de fazer da sociologia a única metaciência legítima. A investigação é filosófica e baseia se em pesquisa bibliográfica. Para a avaliação dos problemas propostos, começa por um sucinto inventário dos principais tipos de construtivismo contemporâneo (kantiano, piagetiano, radical, lógico, construcionismo social e socioconstrutivismo), concluindo por sua definição como tese epistemológica que defende a rejeição ao objetivismo, que a mente impõe formas prévias à experiência e que nossas teorias sobre o mundo são construções hipotético dedutivas. Além disso, conclui que não há implicação necessária entre o construtivismo e o idealismo. Em seguida, avalia as teses do construtivismo social começando por idéias de seus principais precursores, Wittgenstein, Kuhn e Feyerabend. Identifica suas teses ontológicas principais reconhecendo as como a maior fonte de dispersão no movimento, que se divide acerca delas em ao menos duas correntes gerais: um ʹconstrutivismo social epistêmicoʹ e um ʹconstrutivismo social ontológicoʹ, este último, uma variante de idealismo. Já suas teses epistemológicas principais são classificadas como variantes de relativismo, objetivismo sociológico e cientificismo anti positivista. Com base nesta descrição, o construtivismo social é criticado com alguns argumentos originais em duas linhas principais. Primeiro por tratar se, a despeito de seu cientificismo, simplesmente de mais uma abordagem em filosofia da ciência totalmente dependente das teses filosóficas de seus precursores, além de não usar em nenhum momento, como propugna, métodos científicos adequados para o teste de suas hipóteses. Segundo por não ser, apesar do uso do termo, um construtivismo, uma vez que defende um sujeito passivo na relação com o objeto do conhecimento, consistindo num estranho tipo de objetivismo, no qual o mundo físico não tem papel. Conclui se que esta abordagem se afastou profundamente da tradição filosófica construtivista, uma vez que renuncia à idéia de sujeito construtor de suas cognições em prol de uma sociedade que as causa. Além disso, o construtivismo social não só não tem qualquer semelhança com a investigação científica, como sequer pode ser considerado uma teoria filosófica consistente, pois reedita antigas auto refutações relativistas e cientificistas, usa de forma descuidada a linguagem e beira em alguns momentos ao irracionalismo. DESCRITORES: CONSTRUTIVISMO SOCIAL, CONSTRUTIVISMO, FILOSOFIA DA CIÊNCIA, SOCIOLOGIA DA CIÊNCIA. VII

8 ABSTRACT CASTAÑON, Gustavo Arja. Construtivismo Social: A ciência sem sujeito e sem mundo. Rio de Janeiro, Dissertação (Mestrado em Filosofia: Lógica e Metafísica) Programa de Pós graduação Lógica e Metafísica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, This dissertation evaluates the social constructivism, a philosophical approach associated to the strong programme of sociology of science. The specific problems investigated are those about the validity of its classification as a kind of constructivism and of its pretension of making sociology the unique legitimate metascience. This is a philosophical investigation based on a bibliographical research. For the evaluation of the proposed problems, it begins with a succinct inventory of the contemporary constructivism main variants (kantian, piagetian, radical, logical, social constructionism and socioconstructivism), concluding by its definition as a epistemological thesis that defends the rejection to objectivism, that the mind imposes previous forms to the experience and that our theories on the world are hypothetical deductive constructions. Moreover, it concludes that there isnʹt necessary implication between constructivism and idealism. Soon after, evaluates the thesis of social constructivism begining with the ideas of its main precursors, Wittgenstein, Kuhn and Feyerabend. The dissertation identifies its main ontologicals thesis recognizing them as the greatest cause of division on the movement, which is divided in at least two general tendencies: a ʹepistemic social constructivismʹ and a ʹontological social constructivismʹ, this one, an variant of idealism. Its main epistemologicals thesis are classified as variants of relativism, sociological objectivism and anti positivist scientificism. Based on this description, social constructivism is criticized with some original arguments in two main lines. First for being itself, in spite of its scientificism, just one more approach in philosophy of science totally dependent of the philosophical thesis of its precursors, besides it doesn t use in any moment, as it proposes, adequate scientific methods for the test of its hypotheses. Second for not being, in spite of its use of the term, a constructivism, once it defends a passive subject in the relation with the object of knowledge, consisting in a strange kind of objectivism, in which the physical world doesnʹt have role. It concludes that this approach has moved itself away from constructivist philosophical tradition, once it renounces to the idea of a building subject of his cognitions in behalf of a society that causes them. Moreover, the social constructivism doesnʹt have any similarity with scientific investigation, as also it cannot be considered a consistent philosophical theory, because re edits old relativists and scientificists auto refutations, uses language in a neglected way and in some moments comes closer to irrationalism. KEY WORDS: SOCIAL CONSTRUCTIVISM, CONSTRUCTIVISM, PHILOSOPHY OF SCIENCE, SOCIOLOGY OF SCIENCE. VIII

9 SUMÁRIO 1. Introdução Construtivismo Construtivismo em Kant Construtivismo em Piaget Outros Construtivismos contemporâneos Construtivismo Radical Construcionismo Social Socioconstrutivismo Construtivismo Lógico Definição de Construtivismo Construtivismo Social Caracterização geral Idéias antecedentes em Filosofia da Ciência Wittgenstein e a dissolução linguística da epistemologia Kuhn e a sociologização da epistemologia Feyerabend e a anarquização da epistemologia Construtivismo Social e Ontologia O que existe para o construtivismo social? Construção social de quê? O Construtivismo Social Ontológico Construtivismo Social e Epistemologia É possivel conhecer algo sobre o mundo? O que é e como se legitima o conhecimento? O problema do relativismo Qual é a relação entre o sujeito e o objeto? Qual é o método científico de investigação da ciência? 154 IX

10 4. Avaliação crítica do Construtivismo Social Uma filosofia da ciência sem filosofia A circularidade da pretensão cientificista Não existe descritivismo puro Mais do mesmo: CS é a Nova Filosofia da Ciência Uma investigação sem método Um construtivismo sem sujeito Uma ciência sem mundo Um conhecimento sem verdade Conclusão 208 Referências Bibliográficas 217 X

11 Capítulo 1 Introdução O tema abordado aqui é o do construtivismo social contemporâneo, conjunto de teses filosóficas associadas ao strong programme da sociologia da ciência. Os problemas específicos investigados sobre o tema são o da validade de duas teses dessa abordagem. A primeira é sua alegação de que é uma abordagem construtivista, a segunda sua pretensão de fazer da sociologia não só uma disciplina metacientífica, como ainda a única reconstrução metacientífica legítima. Esta investigação é de natureza filosófica e se baseia em fontes primárias e secundárias selecionadas através de pesquisa bibliográfica conduzida principalmente nas bases de dados SSCI e Philosopherʹs Index. Sua necessidade se dá uma vez que nos últimos anos assistimos a uma proliferação da utilização do termo construtivismo, não somente na filosofia, mas também na psicologia, educação, neurociência, lógica, matemática e, particularmente, sociologia. Não há, até hoje, nenhuma pesquisa em larga escala de todas essas alegações de construtivismo (ROCKMORE, 2005), 1

12 portanto, nenhum consenso sobre a definição do termo pode ser alcançado de forma completa. No entanto, se o tomamos em seu significado tradicional posição que defende o papel ativo do sujeito na sua relação com o objeto do conhecimento e na construção de suas estruturas cognitivas e representações da realidade vemos que diversas posições autodenominadas construtivistas assumem teses que contrariam o espírito original dessa tradição filosófica. Assistimos hoje, sob o abrigo do termo construtivismo, uma multiplicação de posições que identificam essa tese com o antirealismo, atacando o pressuposto do realismo ontológico que está na base do pensamento científico moderno. Algumas dessas posições inclusive consideram o sujeito um elemento passivo do processo de construção do conhecimento. Esta dissertação realiza uma investigação dos pressupostos filosóficos de uma das mais influentes utilizações contemporâneas do termo, o Construtivismo Social de Barry Barnes e David Bloor, também denominado às vezes socioconstrutivismo ou tese forte da sociologia da ciência, assim como rastrear suas origens filosóficas. Atualmente, outras influentes utilizações do termo são efetuadas pela epistemologia genética de Jean Piaget (o construtivismo piagetiano), pelo construcionismo social (abordagem pós moderna da psicologia social), pelo construtivismo radical (tese filosófica que espalha sua influência por setores da educação, psicoterapia e neurociência), pelo socioconstrutivismo (abordagem da psicologia social e do desenvolvimento) e pelo construtivismo lógico. No entanto, estas utilizações só serão abordadas nesta investigação a título de delimitação do conceito geral de construtivismo e diferenciação em relação ao construtivismo social. 2

13 A visão tradicional do conhecimento científico o concebe como produto de uma atividade de investigação que só aceita dois tipos de veredicto: o da lógica e o da experiência. O construtivismo social representa uma aberta e radical oposição a essa visão, e questiona o pressuposto de que a ciência possui uma racionalidade intrínseca para atribuir lhe o estatuto de uma construção social como qualquer outra. Uma vez que esta espécie de relativismo exerce influência cada vez maior nos meios acadêmicos brasileiros, particularmente nos cursos de pedagogia, faz se necessária uma investigação pormenorizada de seus pressupostos. O sociologismo e o historicismo característicos do construtivismo social, que é uma variante da filosofia pós moderna, disseminam a idéia de que são as relações de poder e os interesses políticos que determinam a aceitação ou a rejeição de teorias científicas. A questão aqui é, portanto, definir se a análise filosófica pode determinar a racionalidade da investigação científica, reconstruindo a epistemicamente, ou se este papel caberia aos estudos voltados para a identificação dos aspectos políticos e sociais desta atividade. 1.1 Delimitação do Problema Os problemas específicos a serem objeto de investigação filosófica dentro do tema escolhido podem ser definidos através de duas perguntas: P1) O construtivismo social é construtivista? P2) O construtivismo social pode ser formulado como uma metaciência consistente? 3

14 Podem se ainda desmembrar os problemas acima com as perguntas: P1a) Como definir construtivismo? P1b) Qual o papel do sujeito no processo de construção do conhecimento para o construtivismo social? P1c) O que, para esta abordagem, se pode conhecer? Em segundo lugar temos que perguntar: P2a) A imagem de ciência oferecida pelo construtivismo social é consistente? P2b) A pretensão de independência em relação à filosofia da ciência que apresenta o construtivismo social é sustentável filosoficamente? Assim, a análise desses problemas passa por três questões intermediárias fundamentais, que determinarão a seqüência lógica do desenvolvimento da dissertação: Primeira, o que é construtivismo e quais são suas raízes filosóficas? Ou seja, qual é a história filosófica da elaboração deste conceito? Aqui, particularmente, se procurará estabelecer o conceito de construtivismo com o qual trabalharemos na dissertação e responder se há uma implicação necessária entre o construtivismo e o idealismo. Segunda, quais são as abordagens filosóficas ou teóricas contemporâneas que usam o termo construtivismo para se identificarem? Em que sentido elas se afirmam construtivistas? Que posições assumem frente ao realismo ontológico, à relação com o objeto do conhecimento e à atividade do sujeito? 4

15 Terceira, quais são as teses adotadas pelo construtivismo social? Quais são suas posições ontológicas e epistemológicas? Como se distingue de outras alegações de construtivismo contemporâneas? Assim, se estabelecerão as condições necessárias para a formulação de uma resposta aos dois problemas investigados pela dissertação, o do caráter construtivista e o da consistência do construtivismo social. 1.2 Hipóteses As hipóteses que serão investigadas aqui referentes aos problemas primários e secundários acima propostos são, começando pela hipótese geral, as seguintes: O construtivismo social é simplesmente mais uma abordagem em filosofia da ciência derivada de idéias surgidas da obra do segundo Wittgenstein e de Thomas Kuhn e Paul Feyerabend. Não pode ser considerada construtivista, pois defende uma imagem de sujeito passiva na relação com o objeto do conhecimento, se constituindo num tipo de objetivismo, e em suas versões mais radicais, num estranho caso de idealismo sem sujeito. A renúncia à concepção construtivista de sujeito construtor de suas cognições em prol de uma sociedade que constrói os sistemas de crenças, caracteriza uma posição que, utilizando se do termo construtivismo, se afastou profundamente dessa tradição filosófica. Esta hipótese geral é sustentada por três hipóteses auxiliares: 5

16 Primeira: Apesar de encontrarmos traços precursores do construtivismo na filosofia socrático platônica, assim como em autores como Epicteto ou ainda Vico, o construtivismo é tese característica da filosofia contemporânea, sendo derivado da obra de Kant. É um equívoco grave a construção artificial de supostas polaridades entre realismo e construtivismo e entre objetivismo e relativismo. De fato, as polaridades existentes são as estabelecidas entre objetivismo e construtivismo (em relação à questão da origem do conhecimento), realismo e idealismo (em relação à questão da natureza do objeto), e criticismo e relativismo (em relação à questão da possibilidade do conhecimento). Com base nestas posições, devem ser avaliadas todas as reivindicações de construtivismo filosófico, que se define necessariamente pela rejeição ao objetivismo, mas pode oscilar entre o realismo e o idealismo, e entre o criticismo e o relativismo. Segunda: o construtivismo depende de uma concepção ativa de sujeito do conhecimento, como construtor primeiro de intuições sensíveis e depois de hipóteses causais. Assim, considera se o construtivismo social como não construtivista, uma vez que dissolve o conceito de sujeito ativo no processo de construção do conhecimento. Assim, tanto a primeira quanto a segunda hipótese auxiliar afirmam que não há vinculação necessária entre construtivismo e idealismo. Terceira: o construtivismo social é inconsistente por tentar colocar no âmbito da sociologia as questões epistemológicas relativas à sua própria validade. Ainda, em sua vertente mais radical que rejeita o realismo ontológico, o construtivismo social faz das concepções socialmente construídas da realidade a única e própria realidade, 6

17 afastando se assim dos limites da sociologia do conhecimento tradicional e entrando no terreno do pós modernismo. Além disso, esta corrente se sustenta flagrantemente em concepções derivadas das obras de Wittgenstein, Kuhn e Feyerabend, sendo, portanto, dependente da filosofia da ciência e incapaz de erigir se como a disciplina metacientífica auto suficiente. 1.3 Estrutura da dissertação No capítulo dois, que se segue a esta introdução, serão definidas as teses ontológicas e epistemológicas centrais do construtivismo contemporâneo. Será exposta a origem das teses construtivistas contemporâneas em Kant e na abordagem que introduziu o termo no século XX, a Epistemologia Genética de Jean Piaget. Posteriormente, serão avaliados os usos contemporâneos do termo pelo construtivismo radical, construcionismo social (que não se deve confundir com o construtivismo social), socioconstrutivismo e construtivismo lógico. Finalmente, com base nas posições investigadas, será estabelecido o que há de comum entre as correntes e que, desse modo, poderia caracterizar de um modo menos controverso o construtivismo como um todo. No capítulo três serão apresentadas as principais teses do construtivismo social, com especial ênfase nas ontológicas e epistemológicas. Começa com uma sumária contextualização e apresentação conceitual do construtivismo social, para 7

18 logo depois abordar algumas idéias de Wittgenstein, Kuhn e Feyerabend que tiveram influência fundamental na configuração filosófica da corrente. Os dois últimos itens do capítulo serão dedicados a uma avaliação cuidadosa das teses ontológicas e epistemológicas do construtivismo social, buscando estabelecer o que pode ser dito de consensual e o que há de divergência entre as correntes e principais proponentes do autodenominado strong programme. No quarto capítulo apresentarei cinco críticas gerais ao construtivismo social, das quais duas pretendem ter o caráter de críticas originais. A primeira diz respeito ao fato de que, apesar de se apresentar como ciência da ciência e crítico da filosofia, o construtivismo social nada mais é que outra filosofia da ciência; só que inconsistente e praticada sem rigor algum. A segunda diz respeito ao fato de que os métodos usados pelo construtivismo social para investigar cientificamente a ciência não são científicos e são incapazes de testar alegações acerca de relações de causa e efeito, fato este que aparentemente nunca foi abordado na literatura sobre o strong programme. A terceira é a de que o construtivismo social não é estrito senso uma variante de construtivismo, não faz parte dessa tradição do pensamento ocidental, pois não existe, para esta abordagem, um sujeito ativo. A quarta, é que ela defende uma das teses mais descabidas da história da filosofia da ciência, a de que o mundo não faz diferença na obtenção de conhecimento científico. Por fim, abordarei novamente o problema do relativismo e da definição de conhecimento adotada por essa vertente, criticando as consequências de se rejeitar a verdade como ideal normativo. 8

19 Por fim concluo a dissertação recapitulando os motivos que me levam a acreditar que as hipóteses expostas nesta introdução foram bem fundamentadas, além de chamar a atenção para os potenciais efeitos práticos danosos do construtivismo social. 9

20 Capítulo 2 Construtivismo Neste capítulo serão definidas as teses centrais do construtivismo contemporâneo, com o objetivo de estabelecer o quanto o Construtivismo Social as assume. Para tal, serão avaliados os principais usos contemporâneos do termo a fim de esclarecer como se posicionam em relação a três questões. A primeira é ontológica: Q1) Existem objetos independentes da mente humana? À posição que dá uma resposta afirmativa a esta questão chamaremos realismo ontológico, e uma resposta negativa, idealismo. A segunda e terceira a se averiguar é como as abordagens construtivistas se posicionam quanto às questões epistemológicas: Q2) É possível conhecer algo sobre os objetos que existem independentemente da mente?; Q3) Qual é a relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento? Quanto à Q2, as respostas serão classificadas em três posições: dogmatismo (é possível conhecer o objeto em si mesmo), criticismo (é possível conhecer o modo como os objetos afetam nossas representações sensíveis) e 10

21 ceticismo (não é possível conhecer nada sobre os objetos reais). As respostas à Q3 serão classificadas como objetivistas (o objeto determina em nós as representações que temos dele) ou construtivistas (nós construímos nossas representações do objeto). Será evitado durante a dissertação, na construção de argumentos próprios, o uso dos termos realismo e idealismo para quaisquer outras posições que não as ontológicas, sejam epistemológicas, semânticas ou axiológicas. Procurarei fundamentar a hipótese de que grande parte da confusão que cerca a utilização do termo construtivismo é devida a utilização dos termos realismo e idealismo em sentido epistemológico (é possível ou não o conhecimento acerca de objetos reais) e semântico (a verdade é ou não uma relação objetiva entre o mundo e a linguagem). Começaremos pela exposição da origem das teses construtivistas contemporâneas em Kant e pela abordagem que introduziu o termo no século XX, a Epistemologia Genética de Jean Piaget. Posteriormente, avaliaremos os usos contemporâneos do termo sucessivamente na abordagem do construtivismo radical, construcionismo social (que não se deve confundir com a tese forte da sociologia da ciência, o construtivismo social, objeto desta dissertação que não será abordado neste capítulo), socioconstrutivismo e construtivismo lógico. Finalmente, com base nas posições investigadas, será estabelecido o que há de comum entre as correntes e que portanto poderia caracterizar de um modo menos controverso o construtivismo como um todo. 11

22 2.1 Construtivismo em Kant O termo construtivismo tem origem no verbo latino struere, que significa organizar, dar estrutura. Assim, desde sua origem esta palavra assume implicitamente a existência de um sujeito que organiza. A diferença é clara quando a comparamos com o verbo formar, ou quando comparamos o termo construção com o termo formação. Uma estrutura que se forma, não pressupõe um sujeito que a organiza. Uma estrutura que se constrói, pressupõe a atividade de um sujeito. Ainda que muitas vezes encontremos referências ao suposto caráter precursor da filosofia de Sócrates em relação ao construtivismo, ou ainda de Epicteto, de Vico, ou até da teoria platônica da hipótese superior, para uma correta compreensão desta corrente de pensamento na filosofia contemporânea é necessário recorrer à obra de Immanuel Kant. A inversão do sentido da relação entre sujeito e objeto presente na obra de Kant é usualmente (BROUWER, 1983; HACKING, 1999; MAHONEY, 2004; PHILLIPS, 1995; RYCHLAK, 1999; ROCKMORE, 2005; VON GLASERSFELD, 1984;) considerada a raiz do construtivismo contemporâneo. Tradicionalmente, a filosofia ocidental pensava o conhecimento como uma determinação do sujeito cognoscente pelo objeto conhecido. Kant (2001) apresenta o processo de conhecimento como a organização ativa por parte do sujeito do material disperso e fragmentário que nos é fornecido pelos sentidos, impondo a este as formas da sensibilidade e as categorias do entendimento. Ou seja, para o construtivismo, o sujeito constrói suas 12

23 representações dos objetos, e não recebe passivamente impressões causadas por estes. O sujeito para o construtivismo é proativo, é foco de atividade do universo, e não um recipiente passivo de estímulos do ambiente. O construtivismo só pode ser adequadamente compreendido a partir da idéia que Kant chamou de grande luz e que de fato condicionou toda produção filosófica posterior à sua obra. Esta é a distinção entre fenômeno e númeno. Para Kant, o conhecimento sensível não nos revela as coisas como são, e sim, como aparecem para o sujeito. Por isso nos dão acesso a fenômenos. Já o conhecimento intelectivo é faculdade de representar aqueles aspectos das coisas que, por sua própria natureza, não podem ser captados por meio dos sentidos, os númenos. São conceitos do intelecto, por exemplo, os de possibilidade, existência, necessidade e semelhança, que não derivam dos sentidos. Assim, o que conhecemos do mundo são fenômenos, não númenos. Conhecemos o aparecer das coisas para nossa consciência, não a essência daquilo que acreditamos estar fora de nós: fenômeno, ordinariamente, significa aparição. Isso não implica, obviamente, que não há um mundo lá fora, mas somente que não temos acesso ao que este mundo é em si mesmo. As classificações corriqueiras de Kant como idealista são equivocadas e foram de resto contestadas pelo próprio. Nos Prolegômenos ele reapresenta sua posição sobre a questão do idealismo de forma inequívoca: O idealismo consiste na afirmação de que não existem outros seres excepto os seres pensantes; as restantes coisas, que julgamos perceber na intuição, seriam apenas representações nos seres pensantes a que não corresponderia, na realidade, nenhum objecto exterior. Eu, pelo 13

24 contrário, afirmo: são nos dadas coisas como objectos dos nossos sentidos e a nós exteriores, mas nada sabemos do que elas possam ser em si mesmas; conhecemos unicamente os seus fenômenos, isto é, as representações que em nós produzem, ao afectarem os nossos sentidos. Por conseguinte, admito que fora de nós há corpos, isto é, coisas que, embora nos sejam totalmente desconhecidas quanto ao que possam ser em si mesmas, conhecemos mediante as representações que o seu efeito sobre a nossa sensibilidade nos procura, coisas a que damos o nome de um corpo, palavra essa que indica apenas o fenômeno deste objecto que nos é desconhecido, mas nem por isso, menos real. Pode a isto chamar se idealismo? É precisamente o seu oposto. (KANT, 2003, p.58) Para Kant (2001), nossa mente tem uma estrutura dada, que enquadra os dados da experiência em suas formas e categorias a priori. Desta forma, só podemos conhecer em si mesmos aqueles conceitos que são resultado de uma especulação racional. E é na busca pela condição de possibilidade da ciência matemática que o termo construção começa a ser utilizado em Kant. Para ele, a ciência em geral se basearia num tipo de juízo que a um só tempo acrescenta algo de novo ao sujeito (sintético) e também não depende da experiência, ou seja, é universal e necessário (a priori): este é o juízo sintético a priori. Todo Prolegômenos e toda Crítica da Razão Pura gravitam em torno deste problema central. Encontrar o fundamento do conhecimento, para Kant, é explicar como são possíveis juízos sintéticos a priori. Os juízos sintéticos a priori unem a aprioridade, ou seja, universalidade e necessidade, com a fecundidade, ou seja, a sinteticidade. Exemplos seriam as operações aritméticas, os juízos da geometria (como por exemplo, todo triângulo tem sua área calculada em função de sua base multiplicada por sua altura e dividida por 14

25 dois) e os juízos da física (em todas as mudanças do mundo físico a quantidade de matéria permanece invariada). Nestes conceitos, ultrapassamos o conceito de triângulo ou de matéria para acrescentar lhes a priori algo que não pensávamos nele. Assim temos três tipos de juízos, e três fundamentos diferentes para eles. A verdade ou falsidade de um juízo analítico a priori é determinada pelo princípio da identidade e da não contradição uma vez que o sujeito e o predicado se equivalem, ou seja, pela lógica. A verdade ou falsidade de um juízo sintético a posteriori é determinada pela experiência sensível. Por fim, temos que responder qual é o fundamento do juízo sintético a priori. Para Kant (2003), é a capacidade de construção que torna possível o juízo sintético a priori, e portanto, a matemática. Esta precisa ter como fundamento uma intuição pura, na qual ela possa representar todos os seus conceitos in concreto e, no entanto, a priori, ou, como se diz, construí los (KANT, 2003, p. 48). Quando demonstramos um teorema em geometria, compreendemos que não devemos seguir passo a passo aquilo que se vê na figura nem nos apegarmos ao simples conceito desta para apreender suas propriedades. O que devemos fazer é pensar e representar, por nossos próprios conceitos, o objeto geométrico em questão, ou seja, construí lo. Construindo este objeto, podemos saber com segurança alguma coisa a priori (independentemente da experiência), pois sabemos não atribuir a este objeto senão aquilo que nós próprios colocamos nele: 15

O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA

O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA O CONCEITO DE MATÉRIA NA FILOSOFIA KANTIANA DA NATUREZA Gilberto do Nascimento Lima Brito* 1. INTRODUÇÃO Nossa pesquisa consistirá em analisar o conceito de matéria na filosofia da natureza de Immanuel

Leia mais

dóxa e epistéme. sensível e inteligível. fé e razaão.

dóxa e epistéme. sensível e inteligível. fé e razaão. dóxa e epistéme. sensível e inteligível. fé e razaão. Senso comum... aranha caranguejeira ou aranha-marrom? Epistemologia Moderna e Contemporânea EPISTEMOLOGIA investiga o conhecimento. limites. possibilidades.

Leia mais

O Desenvolvimento Moral na Educação Infantil

O Desenvolvimento Moral na Educação Infantil Andressa Ranzani Nora Mello Keila Maria Ramazotti O Desenvolvimento Moral na Educação Infantil Primeira Edição São Paulo 2013 Agradecimentos A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram

Leia mais

IACR ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PARA O REALISMO CRÍTICO XII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL da IACR Texto de Priscila Silva Araújo.

IACR ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PARA O REALISMO CRÍTICO XII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL da IACR Texto de Priscila Silva Araújo. IACR ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PARA O REALISMO CRÍTICO XII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL da IACR Texto de Priscila Silva Araújo. Rorty e o realismo como instrumento da emancipação humana Alguns filósofos 1

Leia mais

George Kelly (1905-1967) 11 - Kelly. Ponto de Partida. Kelly. O Realismo de Kelly. Universo de Kelly. Estágio Curricular Supervisionado em Física I

George Kelly (1905-1967) 11 - Kelly. Ponto de Partida. Kelly. O Realismo de Kelly. Universo de Kelly. Estágio Curricular Supervisionado em Física I 11 - Kelly George Kelly (1905-1967) Estágio Curricular Supervisionado em Física I www.fisica-interessante.com 1/33 www.fisica-interessante.com 2/33 Kelly Ponto de Partida formou-se em Matemática e Física

Leia mais

RESENHAS. BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003, 116 p.

RESENHAS. BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003, 116 p. Linguagem & Ensino, Vol. 8, Nº 2, 2005 (275-285) RESENHAS BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003, 116 p. Resenhado por Márcia Cristina Greco OHUSCHI

Leia mais

Titulo do Trabalho: Fundamentação da metodologia de pesquisa teórica em

Titulo do Trabalho: Fundamentação da metodologia de pesquisa teórica em Titulo do Trabalho: Fundamentação da metodologia de pesquisa teórica em psicanálise Autor: Érico Campos RESUMO Este trabalho discute questões gerais envolvidas na leitura de textos e discursos nas ciências

Leia mais

Desenvolvimento moral da criança: semelhanças e distinções entre o pensamento de Kant e Piaget. Pôster

Desenvolvimento moral da criança: semelhanças e distinções entre o pensamento de Kant e Piaget. Pôster Desenvolvimento moral da criança: semelhanças e distinções entre o pensamento de Kant e Piaget Camila Costa Soufen Universidade Sagrado Coração, Bauru/SP e-mail: camilasoufen@gmail.com Cleiton José Senem

Leia mais

Perguntas e Concepções presentes sobre a natureza do Psicológico e da Psicologia. I Natureza Humana

Perguntas e Concepções presentes sobre a natureza do Psicológico e da Psicologia. I Natureza Humana Perguntas e Concepções presentes sobre a natureza do Psicológico e da Psicologia I Natureza Humana * Qual a natureza humana? Ou seja, qual é a ontologia humana? - Uma teoria da natureza humana busca especificar

Leia mais

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos:

Idealismo - corrente sociológica de Max Weber, se distingui do Positivismo em razão de alguns aspectos: A CONTRIBUIÇÃO DE MAX WEBER (1864 1920) Max Weber foi o grande sistematizador da sociologia na Alemanha por volta do século XIX, um pouco mais tarde do que a França, que foi impulsionada pelo positivismo.

Leia mais

Conhecimento - Kant e Númeno Teresa Simões FBAUL, 2006

Conhecimento - Kant e Númeno Teresa Simões FBAUL, 2006 Conhecimento - Kant e Númeno Teresa Simões FBAUL, 2006 Sumário Introdução 1 Desenvolvimento. 1 1. O Conhecimento.. 2 2. A sensação e percepção... 3 3. Kant e o conhecimento como actividade construtiva

Leia mais

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA Cleide Nunes Miranda 1 Taís Batista 2 Thamires Sampaio 3 RESUMO: O presente estudo discute a relevância do ensino de leitura e principalmente, da escrita, trazendo em especial

Leia mais

John Locke (1632-1704) Colégio Anglo de Sete Lagoas - Professor: Ronaldo - (31) 2106-1750

John Locke (1632-1704) Colégio Anglo de Sete Lagoas - Professor: Ronaldo - (31) 2106-1750 John Locke (1632-1704) Biografia Estudou na Westminster School; Na Universidade de Oxford obteve o diploma de médico; Entre 1675 e 1679 esteve na França onde estudou Descartes (1596-1650); Na Holanda escreveu

Leia mais

Como Eu Começo meu A3?

Como Eu Começo meu A3? Como Eu Começo meu A3? David Verble O pensamento A3 é um pensamento lento. Você está tendo problemas para começar seu A3? Quando ministro treinamentos sobre o pensamento, criação e uso do A3, este assunto

Leia mais

Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico:

Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico: 1 Jusnaturalismo ou Positivismo Jurídico: Uma breve aproximação Clodoveo Ghidolin 1 Um tema de constante debate na história do direito é a caracterização e distinção entre jusnaturalismo e positivismo

Leia mais

FILOSOFIA. Fernando Pessoa FILOSOFIA

FILOSOFIA. Fernando Pessoa FILOSOFIA Fernando Pessoa FILOSOFIA FILOSOFIA Se há um assunto eminentemente filosófico é a classificação das ciências. Pertence à filosofia e a nenhuma outra ciência. É só no ponto de vista mais genérico que podemos

Leia mais

RÉPLICA A JORGE J. E. GRACIA 1

RÉPLICA A JORGE J. E. GRACIA 1 TRADUÇÃO DOI: 10.5216/PHI.V17I2.18751 RÉPLICA A JORGE J. E. GRACIA 1 Autor: Peter F. Strawson Tradutor: Itamar Luís Gelain(Centro Universitário Católica de Santa Catarina) 2,3 itamarluis@gmail.com Em seu

Leia mais

Exercícios Teóricos Resolvidos

Exercícios Teóricos Resolvidos Universidade Federal de Minas Gerais Instituto de Ciências Exatas Departamento de Matemática Exercícios Teóricos Resolvidos O propósito deste texto é tentar mostrar aos alunos várias maneiras de raciocinar

Leia mais

8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM CORRENTES DO PENSAMENTO DIDÁTICO 8. O OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM Se você procurar no dicionário Aurélio, didática, encontrará o termo como feminino substantivado de didático.

Leia mais

Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências

Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências ESPECIALIZAÇAO EM CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências Prof. Nelson Luiz Reyes Marques O que é ciência afinal? O que é educação em ciências? A melhor maneira

Leia mais

Filosofia - Introdução à Reflexão Filosófica

Filosofia - Introdução à Reflexão Filosófica Filosofia - Introdução à Reflexão Filosófica 0 O que é Filosofia? Essa pergunta permite muitas respostas... Alguns podem apontar que a Filosofia é o estudo de tudo ou o nada que pretende abarcar tudo.

Leia mais

PROJETO DE PESQUISA. Antonio Joaquim Severino 1. Um projeto de bem elaborado desempenha várias funções:

PROJETO DE PESQUISA. Antonio Joaquim Severino 1. Um projeto de bem elaborado desempenha várias funções: PROJETO DE PESQUISA Antonio Joaquim Severino 1 Um projeto de bem elaborado desempenha várias funções: 1. Define e planeja para o próprio orientando o caminho a ser seguido no desenvolvimento do trabalho

Leia mais

PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL A preparação de um projeto de tese: indagações preliminares 1. Que conhecimento se tem sobre o estado da questão? 1.1. O que quero saber? Tema Problema geral da

Leia mais

KANT E AS GEOMETRIAS NÃO-EUCLIDIANAS

KANT E AS GEOMETRIAS NÃO-EUCLIDIANAS KANT E AS GEOMETRIAS NÃO-EUCLIDIANAS Gustavo Leal - Toledo 1 RESUMO Pretende-se mostrar, neste trabalho, que a Exposição Metafísica não depende da Exposição Transcendental nem da geometria euclidiana.

Leia mais

Sociologia. Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira

Sociologia. Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira Sociologia Professor: Matheus Bortoleto Rodrigues E-mail: bortoletomatheus@yahoo.com.br Escola: Dr. José Ferreira [...] tudo o que é real tem uma natureza definida que se impõe, com a qual é preciso contar,

Leia mais

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola Brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar

Leia mais

INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA E OPERATÓRIA FORMAL

INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA E OPERATÓRIA FORMAL INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA E OPERATÓRIA FORMAL Prof. Dr. Wilson da Silva 1 A INTELIGÊNCIA OPERATÓRIA CONCRETA (± de 7 a 11/12 anos) Por volta dos sete anos ocorre um fato decisivo no desenvolvimento

Leia mais

AS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA PIAGETIANA PARA O PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM.

AS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA PIAGETIANA PARA O PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM. AS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA PIAGETIANA PARA O PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM. Maria Rafaela de Oliveira Graduanda FECLESC/UECE Géssica Cryslânia da Silva Graduanda FECLESC/UECE Janete Rodrigues de Lima

Leia mais

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO FILOSOFIA

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO FILOSOFIA PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO FILOSOFIA P á g i n a 1 QUESTÃO 1 - Assinalar a alternativa correta: A) Com seu giro linguístico hermenêutico, Gadamer mostra que o processo hermenêutico é unitário,

Leia mais

TENDÊNCIAS RECENTES DOS ESTUDOS E DAS PRÁTICAS CURRICULARES

TENDÊNCIAS RECENTES DOS ESTUDOS E DAS PRÁTICAS CURRICULARES TENDÊNCIAS RECENTES DOS ESTUDOS E DAS PRÁTICAS CURRICULARES Inês Barbosa de Oliveira O desafio de discutir os estudos e as práticas curriculares, sejam elas ligadas à educação de jovens e adultos ou ao

Leia mais

EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA

EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA Q U E S T Õ E S E R E F L E X Õ E S Suraya Cristina Dar ido Mestrado em Educação Física, na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo, SP, 1987 1991 Doutorado em

Leia mais

OS SABERES DOS PROFESSORES

OS SABERES DOS PROFESSORES OS SABERES DOS PROFESSORES Marcos históricos e sociais: Antes mesmo de serem um objeto científico, os saberes dos professores representam um fenômeno social. Em que contexto social nos interessamos por

Leia mais

LIDERANÇA, ÉTICA, RESPEITO, CONFIANÇA

LIDERANÇA, ÉTICA, RESPEITO, CONFIANÇA Dado nos últimos tempos ter constatado que determinado sector da Comunidade Surda vem falando muito DE LIDERANÇA, DE ÉTICA, DE RESPEITO E DE CONFIANÇA, deixo aqui uma opinião pessoal sobre o que são estes

Leia mais

Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento. UNESP de Marília.

Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento. UNESP de Marília. 1 Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento UNESP de Marília. Pontos principais do texto: HJØRLAND, B. Towards a Theory of Aboutness, Subject, Topicality, Theme, Domain, Field,

Leia mais

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE Terezinha Losada Resumo: A obra Fonte de Marcel Duchamp é normalmente apontada pela crítica de arte como a síntese e a expressão mais radical da ruptura com a tradição

Leia mais

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita;

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita; MÉTODO CIENTÍFICO CONCEITO: palavra de origem grega, significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação da verdade; IMPORTÃNCIA DO MÉTODO: pode validar ou invalidar

Leia mais

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: domínio e/ou desenvolvimento? Cipriano Carlos Luckesi 1

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: domínio e/ou desenvolvimento? Cipriano Carlos Luckesi 1 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: domínio e/ou desenvolvimento? Cipriano Carlos Luckesi 1 A partir do texto que publiquei na revista ABC EDUCTIO, nº 54, de março do corrente ano, tratando das armadilhas que são

Leia mais

A Sociologia de Weber

A Sociologia de Weber Material de apoio para Monitoria 1. (UFU 2011) A questão do método nas ciências humanas (também denominadas ciências históricas, ciências sociais, ciências do espírito, ciências da cultura) foi objeto

Leia mais

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO Unidade I PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO EDAAPRENDIZAGEM APRENDIZAGEM Prof. Wanderlei Sergio da Silva Conceito PDA estudo sobre o crescimento mental do indivíduo, desde o nascimento até a adolescência;

Leia mais

4. Conceito de Paralisia Cerebral construído pelos Professores

4. Conceito de Paralisia Cerebral construído pelos Professores 4. Conceito de Paralisia Cerebral construído pelos Professores Como descrevemos no capitulo II, a Paralisia Cerebral é uma lesão neurológica que ocorre num período em que o cérebro ainda não completou

Leia mais

Universidade Federal de Alfenas

Universidade Federal de Alfenas Universidade Federal de Alfenas Projeto e Análise de Algoritmos Aula 02 Um pouco da história da computação humberto@bcc.unifal-mg.edu.br Última aula... Fundamentos de Matemática; Medida do Tempo de Execução

Leia mais

Algumas vantagens da Teoria das Descrições Definidas (Russel 1905)

Algumas vantagens da Teoria das Descrições Definidas (Russel 1905) Textos / Seminário de Orientação - 12 de Março de 2005 - Fernando Janeiro Algumas vantagens da Teoria das Descrições Definidas (Russel 1905) Assume-se que o objecto de uma teoria semântica é constituído

Leia mais

1. Investigação Filosófica construir o sentido da experiência

1. Investigação Filosófica construir o sentido da experiência FILOSOFIA PARA CRIANÇAS 1. Investigação Filosófica construir o sentido da experiência O Prof. Dr. Matthew Lipman, filósofo e educador norte-americano, criou o Programa Filosofia para Crianças no final

Leia mais

Teologia e Prática da Espiritualidade. Unidade 01: Espiritualidade e espiritualidades. Introdução

Teologia e Prática da Espiritualidade. Unidade 01: Espiritualidade e espiritualidades. Introdução Teologia e Prática da Espiritualidade Unidade 01: Espiritualidade e espiritualidades Introdução Esta primeira unidade se trata de uma tentativa de encontrar definições possíveis para a espiritualidade,

Leia mais

CONTEXTUALIZANDO AS OPERAÇÕES COM SINAIS DOS NÚMEROS INTEIROS RELATO DE EXPERIÊNCIA.

CONTEXTUALIZANDO AS OPERAÇÕES COM SINAIS DOS NÚMEROS INTEIROS RELATO DE EXPERIÊNCIA. 9 CONTEXTUALIZANDO AS OPERAÇÕES COM SINAIS DOS NÚMEROS INTEIROS RELATO DE EXPERIÊNCIA. Adriana A. Silva Éderson O. Passos INTRODUÇÃO Vergnaud (1982) propôs, em sua Teoria dos Campos Conceituais, que o

Leia mais

Os sindicatos de professores habituaram-se a batalhar por melhores salários e condições de ensino. Também são caminhos trilhados pelas lideranças.

Os sindicatos de professores habituaram-se a batalhar por melhores salários e condições de ensino. Também são caminhos trilhados pelas lideranças. TEXTOS PARA O PROGRAMA EDUCAR SOBRE A APRESENTAÇÃO DA PEADS A IMPORTÂNCIA SOBRE O PAPEL DA ESCOLA Texto escrito para o primeiro caderno de formação do Programa Educar em 2004. Trata do papel exercido pela

Leia mais

Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade

Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade Pensar na realidade é pensar em transformações sociais. Atualmente, temos observado os avanços com relação à

Leia mais

FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA

FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA Fabiana de Jesus Oliveira União de Ensino do Sudoeste do Paraná fabiana@unisep.edu.br Diversas são as pesquisas que têm mostrado que o ensino encontra-se

Leia mais

O que é Ética? Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado.

O que é Ética? Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado. 1 O que é Ética? Definição de Ética O termo ética, deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade.

Leia mais

Metodologia do Trabalho Científico

Metodologia do Trabalho Científico Metodologia do Trabalho Científico Diretrizes para elaboração de projetos de pesquisa, monografias, dissertações, teses Cassandra Ribeiro O. Silva, Dr.Eng. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA Porque escrever

Leia mais

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO.

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. Duarte, Karina. Rossi, Karla. Discentes da faculdade de ciências Humanas/FAHU. Rodrigues, Fabiana. Docente da faculdade de ciências Humanas/FAHU.

Leia mais

1 Um guia para este livro

1 Um guia para este livro PARTE 1 A estrutura A Parte I constitui-se de uma estrutura para o procedimento da pesquisa qualitativa e para a compreensão dos capítulos posteriores. O Capítulo 1 serve como um guia para o livro, apresentando

Leia mais

Caracterização Cronológica

Caracterização Cronológica Caracterização Cronológica Filosofia Medieval Século V ao XV Ano 0 (zero) Nascimento do Cristo Plotino (204-270) Neoplatônicos Patrística: Os grandes padres da igreja Santo Agostinho ( 354-430) Escolástica:

Leia mais

Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL Ano Lectivo 2014/2015

Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL Ano Lectivo 2014/2015 Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL Ano Lectivo 2014/2015 QUESTÕES DE REVISÃO NOTA PRÉVIA: POR FAVOR LEIA COM ATENÇÃO A listagem seguinte constitui uma primeira versão,

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Departamento de Ciência Política Programa de Pós-Graduação em Ciência Política Área de Concentração: Teoria Política e Interpretações do Brasil Título da Disciplina: Ceticismo

Leia mais

Questão (1) - Questão (2) - A origem da palavra FILOSOFIA é: Questão (3) -

Questão (1) - Questão (2) - A origem da palavra FILOSOFIA é: Questão (3) - EXERCICÍOS DE FILOSOFIA I O QUE É FILOSOFIA, ETIMOLOGIA, ONDE SURGIU, QUANDO, PARA QUE SERVE.( 1º ASSUNTO ) Questão (1) - Analise os itens abaixo e marque a alternativa CORRETA em relação ao significado

Leia mais

Donald Davidson e a objetividade dos valores

Donald Davidson e a objetividade dos valores Donald Davidson e a objetividade dos valores Paulo Ghiraldelli Jr. 1 Os positivistas erigiram sobre a distinção entre fato e valor o seu castelo. Os pragmatistas atacaram esse castelo advogando uma fronteira

Leia mais

PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO

PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO Toda teoria pedagógica pressupõe uma teoria epistemológica, da qual o professor faz uso, mesmo que ele não tenha consciência disso. Ou seja, mesmo que o professor

Leia mais

CAMPO CONCEITUAL E REPRESENTAÇÕES SEMIÓTICAS DO CONCEITO DE FUNÇÃO: ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA DO ENSINO FUNDAMENTAL

CAMPO CONCEITUAL E REPRESENTAÇÕES SEMIÓTICAS DO CONCEITO DE FUNÇÃO: ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA DO ENSINO FUNDAMENTAL ISSN 2316-7785 CAMPO CONCEITUAL E REPRESENTAÇÕES SEMIÓTICAS DO CONCEITO DE FUNÇÃO: ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA DO ENSINO FUNDAMENTAL Jéssica Goulart da Silva Universidade Federal do Pampa

Leia mais

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. AULA: 2.1 Conteúdo: Dogmatismo Ceticismo

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. AULA: 2.1 Conteúdo: Dogmatismo Ceticismo : 2.1 Conteúdo: Dogmatismo Ceticismo : 2.1 Habilidade: Problematizar quais as possibilidades do conhecimento verdadeiro. REVISÃO Conhecimento = Relação SUJEITO e OBJETO Fontes do conhecimento Racionalismo

Leia mais

161 FILOSOFIA Prova escrita

161 FILOSOFIA Prova escrita 161 FILOSOFIA Prova escrita PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA Duração: 120 min Ano: 2014 1ª fase - Junho 10º/11º anos Grupo I Selecione a alternativa correta: 1. Uma não ação é algo que A. Nos acontece.

Leia mais

Orientações para a elaboração dos projetos de pesquisa (Iniciação científica)

Orientações para a elaboração dos projetos de pesquisa (Iniciação científica) GRUPO PAIDÉIA FE/UNICAMP Linha: Episteduc Coordenador: Prof. Dr. Silvio Sánchez Gamboa Orientações para a elaboração dos projetos de pesquisa (Iniciação científica) Os projetos de pesquisa se caracterizam

Leia mais

PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA

PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA O que é o Projeto de Intervenção Pedagógica? O significado de projeto encontrado comumente nos dicionários da Língua Portuguesa está associado a plano de realizar,

Leia mais

> Folha Dirigida, 18/08/2011 Rio de Janeiro RJ Enem começa a mudar as escolas Thiago Lopes

> Folha Dirigida, 18/08/2011 Rio de Janeiro RJ Enem começa a mudar as escolas Thiago Lopes > Folha Dirigida, 18/08/2011 Rio de Janeiro RJ Enem começa a mudar as escolas Thiago Lopes Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), inicialmente, tinha como objetivo avaliar o desempenho

Leia mais

COMO FORMATAR MONOGRAFIA E TCC

COMO FORMATAR MONOGRAFIA E TCC TEXTO COMPLEMENTAR AULA 2 (15/08/2011) CURSO: Serviço Social DISCIPLINA: ORIENTAÇÕES DE TCC II - 8º Período - Turma 2008 PROFESSORA: Eva Ferreira de Carvalho Caro acadêmico, na Aula 2, você estudará Áreas

Leia mais

Transcrição de Entrevista n º 24

Transcrição de Entrevista n º 24 Transcrição de Entrevista n º 24 E Entrevistador E24 Entrevistado 24 Sexo Feminino Idade 47 anos Área de Formação Engenharia Sistemas Decisionais E - Acredita que a educação de uma criança é diferente

Leia mais

A Computação e as Classificações da Ciência

A Computação e as Classificações da Ciência A Computação e as Classificações da Ciência Ricardo de Almeida Falbo Metodologia de Pesquisa Departamento de Informática Universidade Federal do Espírito Santo Agenda Classificações da Ciência A Computação

Leia mais

determinam o comportamento e as consequências do comportamento no contexto de interação, ou seja, na relação funcional dos comportamentos.

determinam o comportamento e as consequências do comportamento no contexto de interação, ou seja, na relação funcional dos comportamentos. Psicoterapia comportamental infantil Eliane Belloni 1 A psicoterapia comportamental infantil é uma modalidade de atendimento clínico que visa propiciar mudanças no comportamento da criança a partir de

Leia mais

universidade de Santa Cruz do Sul Faculdade de Serviço Social Pesquisa em Serviço Social I

universidade de Santa Cruz do Sul Faculdade de Serviço Social Pesquisa em Serviço Social I universidade de Santa Cruz do Sul Faculdade de Serviço Social Pesquisa em Serviço Social I ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA: a escolha do tema. Delimitação, justificativa e reflexões a cerca do tema.

Leia mais

Conceitos de Identidade Relação "eu" e "outro" Para Vygotsky

Conceitos de Identidade Relação eu e outro Para Vygotsky FAMOSP - FACULDADE MOZARTEUM DE SÃO PAULO PEDAGOGIA - 1 o SEMESTRE PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO Conceitos de Identidade Relação "eu" e "outro" Para Vygotsky Deyse Maria Souza Almeida Eliete Pereira Nunes

Leia mais

A MODELAÇÃO DE LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS

A MODELAÇÃO DE LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS A MODELAÇÃO DE LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS O ESPÍRITO HUMANO PROCURA LEIS E TEORIAS CIENTÍFICAS AO MENOS POR DOIS MOTIVOS Porque lhe dão um certo tipo de compreensão do real Porque lhe oferecem esquemas

Leia mais

VI Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar 20 a 24 de setembro de 2010

VI Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar 20 a 24 de setembro de 2010 Fundamentos metodológicos da teoria piagetiana: uma psicologia em função de uma epistemologia Rafael dos Reis Ferreira Universidade Estadual Paulista (UNESP)/Programa de Pós-Graduação em Filosofia FAPESP

Leia mais

FORMAÇÃO PLENA PARA OS PROFESSORES

FORMAÇÃO PLENA PARA OS PROFESSORES Fundação Carlos Chagas Difusão de Idéias dezembro/2006 página 1 FORMAÇÃO PLENA PARA OS PROFESSORES Bernardete Gatti: o país enfrenta uma grande crise na formação de seus professores em especial, de alfabetizadores.

Leia mais

A importância dos Registros de Representação Semiótica no Ensino da Matemática

A importância dos Registros de Representação Semiótica no Ensino da Matemática A importância dos Registros de Representação Semiótica no Ensino da Matemática PROF. MS. JOSÉ JOÃO DE MELO (josejoaomelo@gmail.com) PROF ESP. AUGUSTO RATTI FILHO (gutoratti@outlook.com.br) PROF DR. ROGERIO

Leia mais

GT Psicologia da Educação Trabalho encomendado. A pesquisa e o tema da subjetividade em educação

GT Psicologia da Educação Trabalho encomendado. A pesquisa e o tema da subjetividade em educação GT Psicologia da Educação Trabalho encomendado A pesquisa e o tema da subjetividade em educação Fernando Luis González Rey 1 A subjetividade representa um macroconceito orientado à compreensão da psique

Leia mais

Resumo Aula-tema 02: Fontes, princípios, renúncia e transação do Direito do Trabalho.

Resumo Aula-tema 02: Fontes, princípios, renúncia e transação do Direito do Trabalho. Resumo Aula-tema 02: Fontes, princípios, renúncia e transação do Direito do Trabalho. O propósito dessa aula é reconhecer quais os lugares de onde se originam os direitos trabalhistas, onde procurá-los

Leia mais

HUMANOS: QUEM SOMOS NÓS?

HUMANOS: QUEM SOMOS NÓS? HUMANOS: QUEM SOMOS NÓS? Nível de Ensino/Faixa Etária: Série indicada para o Ensino Fundamental Final Áreas Conexas: Biologia, Linguística, Sociologia, Geografia, História, Artes, Gramática, Filosofia.

Leia mais

Proposta Curricular do Estado de São Paulo para a Disciplina de Sociologia

Proposta Curricular do Estado de São Paulo para a Disciplina de Sociologia Proposta Curricular do Estado de São Paulo para a Disciplina de Ensino Médio Elaborar uma proposta curricular para implica considerar as concepções anteriores que orientaram, em diferentes momentos, os

Leia mais

ORIENTAÇÃO SOBRE COMO DEVE SER FEITO O TCC DENTRO DO CURSO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

ORIENTAÇÃO SOBRE COMO DEVE SER FEITO O TCC DENTRO DO CURSO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO ORIENTAÇÃO SOBRE COMO DEVE SER FEITO O TCC DENTRO DO CURSO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO Ministrantes: Anita Maria da Rocha Fernandes César Albenes Zeferino Maria Cristina Kumm Pontes Rafael Luiz Cancian Itajaí,

Leia mais

O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO: AUGUSTO COMTE RESUMO. sociologia. Comte, como pai da sociologia positivista adquiriu conhecimento dedicando ao

O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO: AUGUSTO COMTE RESUMO. sociologia. Comte, como pai da sociologia positivista adquiriu conhecimento dedicando ao 1 O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO: AUGUSTO COMTE Rosemary Dias Ribeiro Rodrigues 1 RESUMO Desenvolveu o Positivismo corrente sociológico, é um dos fundadores da sociologia. Comte, como pai da sociologia positivista

Leia mais

CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET E DE LEV. S. VYGOTSKY PARA A PSICOLOGIA EDUCACIONAL E PARA O PROFESSOR

CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET E DE LEV. S. VYGOTSKY PARA A PSICOLOGIA EDUCACIONAL E PARA O PROFESSOR 1 CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET E DE LEV. S. VYGOTSKY PARA A PSICOLOGIA EDUCACIONAL E PARA O PROFESSOR Paulo Gomes Lima Prof. Adjunto da FAED/UFGD MS. Área Fundamentos da Educação A Psicologia Educacional,

Leia mais

SOBRE UM PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA COM MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

SOBRE UM PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA COM MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA SOBRE UM PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA COM MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA Susana Lazzaretti Padilha Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) Campus Cascavel susana.lap@hotmail.com

Leia mais

Kant Uma Filosofia de Educação Atual?

Kant Uma Filosofia de Educação Atual? juliana_bel@hotmail.com O presente trabalho retoma as principais ideias sobre a pedagogia do filósofo Immanuel Kant dentro de sua Filosofia da Educação, através dos olhos de Robert B. Louden, professor

Leia mais

Considerações acerca da Fundamentação da Metafísica dos Costumes de I. Kant Liberdade, Dever e Moralidade

Considerações acerca da Fundamentação da Metafísica dos Costumes de I. Kant Liberdade, Dever e Moralidade Notandum 14 http://www.hottopos.com CEMOrOC Feusp / IJI Univ. do Porto 2007 Considerações acerca da Fundamentação da Metafísica dos Costumes de I. Kant Liberdade, Dever e Moralidade Marcos Sidnei Pagotto

Leia mais

Resenha de livro. Por Camila Munerato 1 Camila Rodrigues dos Santos 2 Eunice Pereira Cardoso 3

Resenha de livro. Por Camila Munerato 1 Camila Rodrigues dos Santos 2 Eunice Pereira Cardoso 3 Resenha de livro Por Camila Munerato 1 Camila Rodrigues dos Santos 2 Eunice Pereira Cardoso 3 A presente resenha do livro de Moretto, (2007) em sua 2 edição tem o intuito de mostrar que a avaliação é um

Leia mais

O Determinismo na Educação hoje Lino de Macedo

O Determinismo na Educação hoje Lino de Macedo O Determinismo na Educação hoje Lino de Macedo 2010 Parece, a muitos de nós, que apenas, ou principalmente, o construtivismo seja a ideia dominante na Educação Básica, hoje. Penso, ao contrário, que, sempre

Leia mais

Tecnologia. < Questões conceituais >

Tecnologia. < Questões conceituais > Tecnologia < Questões conceituais > Pressupostos tradicionais (últimos 5 séc.): "tecnologia é a simples aplicação da ciência"; "a tecnologia é sempre benéfica" ou "a tecnologia é sempre maléfica"; Pelo

Leia mais

SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL

SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL INTRODUÇÃO O conceito de ação social está presente em diversas fontes, porém, no que se refere aos materiais desta disciplina o mesmo será esclarecido com base nas idéias

Leia mais

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO - IED AULAS ABRIL E MAIO

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO - IED AULAS ABRIL E MAIO INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO - IED AULAS ABRIL E MAIO Docente: TIAGO CLEMENTE SOUZA E-mail: tiago_csouza@hotmail.com 2. Direito como objeto de conhecimento. Conforme pudemos observar nas aulas iniciais

Leia mais

INDIVIDUALISMO ÉMILE DURKHEIM. * Os fatos sociais são regras jurídicas, morais e sistemas financeiros.

INDIVIDUALISMO ÉMILE DURKHEIM. * Os fatos sociais são regras jurídicas, morais e sistemas financeiros. INDIVIDUALISMO ÉMILE DURKHEIM Fato Social - Exterioridade (o fato social é exterior ao indivíduo). - Coercitividade. - Generalidade (o fato social é geral). * Os fatos sociais são regras jurídicas, morais

Leia mais

INSTITUTO LONG TAO METODOLOGIA CIENTÍFICA

INSTITUTO LONG TAO METODOLOGIA CIENTÍFICA INSTITUTO LONG TAO METODOLOGIA CIENTÍFICA Profa. Ms. Rose Romano Caveiro CONCEITO E DEFINIÇÃO É um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas

Leia mais

Preparação do Trabalho de Pesquisa

Preparação do Trabalho de Pesquisa Preparação do Trabalho de Pesquisa Ricardo de Almeida Falbo Metodologia de Pesquisa Departamento de Informática Universidade Federal do Espírito Santo Pesquisa Bibliográfica Etapas do Trabalho de Pesquisa

Leia mais

ENTREVISTA. COM o Dr. Rildo Cosson. POR Begma Tavares Barbosa* begma@acessa.com

ENTREVISTA. COM o Dr. Rildo Cosson. POR Begma Tavares Barbosa* begma@acessa.com Entrevista ENTREVISTA 146 COM o Dr. Rildo Cosson. POR Begma Tavares Barbosa* begma@acessa.com * Dra. em Letras pela PUC/RJ e professora do Colégio de Aplicação João XXIII/UFJF. Rildo Cosson Mestre em Teoria

Leia mais

A FUNÇÃO DO DOGMA NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA (1963) THOMAS KUHN (1922-1996)

A FUNÇÃO DO DOGMA NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA (1963) THOMAS KUHN (1922-1996) A FUNÇÃO DO DOGMA NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA (1963) THOMAS KUHN (1922-1996) Embora a atividade científica possa ter um espírito aberto (...) o cientista individual muito frequentemente não o tem. Quer

Leia mais

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA ESPÍRITA E ESPIRITISMO

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA ESPÍRITA E ESPIRITISMO INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA 1 ESPÍRITA E ESPIRITISMO Para designar coisas novas, são necessárias palavras novas. A clareza de uma língua assim exige, a fim de evitar que uma mesma palavra

Leia mais

Prova Escrita de Filosofia

Prova Escrita de Filosofia Exame Final Nacional do Ensino Secundário Prova Escrita de Filosofia 11.º Ano de Escolaridade Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova 714/Época Especial 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

PRAXIS. EscoladeGestoresdaEducaçãoBásica

PRAXIS. EscoladeGestoresdaEducaçãoBásica PRAXIS A palavra práxis é comumente utilizada como sinônimo ou equivalente ao termo prático. Todavia, se recorrermos à acepção marxista de práxis, observaremos que práxis e prática são conceitos diferentes.

Leia mais

Universidade Estadual Paulista Faculdade de Filosofia e Ciências Campus de Marília Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento

Universidade Estadual Paulista Faculdade de Filosofia e Ciências Campus de Marília Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento 1 Universidade Estadual Paulista Faculdade de Filosofia e Ciências Campus de Marília Grupo de Estudos sobre Organização e Representação do Conhecimento Referência do texto para discussão: BRASCHER, Marisa;

Leia mais

ESTRUTURALISMO 1. DEFINIÇÃO

ESTRUTURALISMO 1. DEFINIÇÃO ESTRUTURALISMO 1. DEFINIÇÃO Considera-se como fundador da psicologia moderna Wilhelm Wundt, por ter criado, em 1879, o primeiro laboratório de psicologia na universidade de Leipzig, Alemanha. A psicologia

Leia mais