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1 Nada disto. Sabemos hoje que a Perturbação de Hiperactividade com Défice da Atenção tem uma base essencialmente neuropsicológica. Assim, compreendemos que o comportamento destas crianças resulta das suas experiências com o meio, dos factores genéticos e da interacção entre estes. Neste sentido, facilmente percebemos que a origem desta perturbação não está relacionada com a forma como as crianças são educadas, do estatuto social dos pais ou da sua formação. Logo, comentários como: a culpa é dos pais que não lhe dão educação isso é mania com rédea curta isso passava,, são desprovidos de sentido. Na verdade, esta problemática surge independentemente do sexo, raça ou religião, gerando dificuldades no processo de aprendizagem da criança, no seu relacionamento interpessoal e na sua adaptação ao meio. De igual forma, prolonga-se, na maioria dos casos, pela vida adulta não desaparecendo com a idade ou na adolescência, ao contrário do que muitos pensam. Sintomas característicos: Como todos nós sabemos a atenção é um requisito fundamental para um processo de aprendizagem bem sucedido. No entanto, enquanto que a maioria das crianças consegue orientá-la para um estímulo relevante de entre outros e manter-se concentrada por um período de tempo alargado, a atenção de uma criança com esta problemática dispersa-se facilmente, na maioria das vezes, com estímulos irrelevantes para a tarefa que está a realizar. Na verdade, os cadernos e as canetas dos colegas, o professor a falar, o barulho do corredor, as nuvens do 1 / 5

2 lado de fora da janela, a zanga com o irmão de manhã, o passeio que se realiza no próximo fim de semana, tudo isto concorre para a desatenção da criança. De facto, para ela, todos estes estímulos são igualmente persuasivos. Assim, é de esperar que se sinta confusa e com dificuldade em escolher de entre estes, apenas um. Igualmente, estas crianças quase sempre têm dificuldades em controlar os movimentos do corpo, caracterizando-se por uma actividade motora excessiva e uma necessidade constante de estar em movimento, pelo que ouvimos expressões como ele não pára nem um só segundo vira tudo está sempre a correr de um lado para o outro, nunca esta satisfeito. Ainda a nível emocional e cognitivo, frequentemente agem sem reflectir, bem como não avaliam as consequências dos seus actos, pelo contrário, procuram imediata satisfação. Assim, em termos académicos, uma vez que respondem muitas vezes sem analisar a informação, o seu desempenho é inferior às suas capacidades cognitivas. Neste sentido, tarefas como a leitura, a escrita e a matemática podem revelar-se muito difíceis e geradoras de ansiedade/angústia. Então o meu filho não pára está sempre distraído, responde sem pensar Será Hiperactivo?!?!?! Importa salientar que muitos destes sintomas podem ser observados em qualquer criança, não significando por tal que são hiperactivas. De facto, para se poder realizar o diagnóstico desta perturbação tem que se considerar um conjunto de sintomas de hiperactividade, impulsividade e. De igual forma, os sintomas têm que obedecer a diversos critérios como: ter início antes da idade escolar; estar presentes em determinado número; persistir por um determinado período de tempo, com uma intensidade que é simultaneamente desadaptativa e inconsistente com o nível de desenvolvimento da criança; acontecerem em, pelo menos, dois contextos diferentes; existirem provas claras de um défice claramente significativo do funcionamento social e académico; não serem devidos a outra perturbação mental. Deve estar atento quando a criança apresentar: 2 / 5

3 - Dificuldade em manter a atenção em tarefas ou actividades; - Não ouvir quando se lhe dirigem directamente; - Não seguir as instruções e não terminar os trabalhos escolares; - Ter dificuldade em organizar-se; - Evitar tarefas que requerem esforço mental persistente; - Perder objectos necessários a tarefas ou actividades que terá de realizar; - Distrair-se facilmente com estímulos irrelevantes; - Esquecer-se com frequência de actividades quotidianas ou de algumas rotinas; - Movimentar excessivamente as mãos e os pés e mover-se quando está sentado; - Levantar-se na sala ou noutras situações em que se espera que esteja sentado; 3 / 5

4 - Correr ou saltar excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo; - Agir como se estivesse ligado a um motor; - Falar em excesso; - Precipitar-se nas respostas antes que as perguntas tenham acabado; - Ter dificuldade em esperar pela sua vez; - Interromper ou interferir nas actividades dos outros (intrometer-se nas conversas ou nos jogos); Como ajudar? O tratamento passa por um plano combinado. De facto, o tratamento combinado produz resultados superiores a qualquer outro tipo de tratamento. Assim sendo, sempre que possível, este deverá incluir tratamento médico, planeamento educacional e aconselhamento psicológico. No que concerne à família é sabido que a criança com esta perturbação terá mais facilidade de adaptação em ambientes familiares bem estruturados e baseados em rotinas e regras 4 / 5

5 claras, onde as expectativas dos adultos sejam consistentes e as consequências do comportamento estabelecidas com clareza e aplicadas de imediato. Assim, comentários depreciativos do género ele é burro, não aprende porque não quer, para o que ele gosta tem atenção é teimoso não devem ser proferidos a qualquer criança inclusivê às crianças com esta problemática porque apenas contribuem para uma auto-estima negativa e mantêm o comportamento disfuncional, não o alterando. Por tal é muito importante a compreensão que as pessoas com quem a criança convive têm desta perturbação, pois vão contribuir para a maior ou menor expressão dos sintomas de hiperactividade, de impulsividade e de desatenção. Teresa Sousa (Terapeuta da Fala) Tatiana Louro (Psicóloga Clínica) 5 / 5

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