Biodiversidade e Carbono Social

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Biodiversidade e Carbono Social"

Transcrição

1 Universidade de Aveiro Ano 2009 Departamento de Biologia Divaldo Jose da Costa Rezende Biodiversidade e Carbono Social

2 Divaldo José da Costa Rezende Universidade de Aveiro Ano2009 Departamento de Biologia Biodiversidade e Carbono Social Dissertação apresentada à Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor, realizada sob a orientação científica do Prof. Doutor Amadeu Mortagua Velho da Maia Soares, Professor Catedratico do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e co-orientação do Prof. Doutor Carlos Manuel Martins Santos Fonseca, Professor Auxiliar do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

3 Dedico este trabalho a todos que acompanharam o desenvolvimento do Carbono Social, em especial ao meu amigo e também criador do conceito do Carbono Social, Stefano Merlin e a minha familia.

4 o júri Presidente Prof. Doutor Amadeu Soares professor Catedratico do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro Prof. Doutor Carlos Fonseca Professor Auxiliar do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. Prof. Doutor Jose Vingada professor Auxiliar do Departamento de Biologia da Universidade do Minho. Prof. Doutor professor associado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Prof. Doutor João Antunes da Silva professor associado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Prof. Doutor João Antunes da Silva professor associado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Prof. Doutor João Antunes da Silva professor associado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

5 Agradecimentos O meu agradecimento a todos os amigos que contribuiram para esta obra e, sobretudo, tiveram muita paciência comigo. Agradecimentos especiais a Francine Hakin, Cecilia Michelis, Naomi Kawasaki, Flavia Takeuchi, Luis Macedo, Ricardo Gabrili e Cinthia Caetano que contribuíram de forma significativa para que pudesse alcançar os resultados apresentados neste trabalho.

6 palavras-chave Biodiversidade, carbono social, mudanças climáticas, mercado de carbono, sustentabilidade, comunidade, desenvolvimento sustentável. Resumo Durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, em 1992, dois importantes instrumentos foram assinados: a Convenção- Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica. O primeiro trouxe avanços e resultados práticos mais rápidos no que respeita à definição de metas e resultados. Este fato deveu-se, principalmente, ao caráter económico resguardado à Convenção Quadro e ao Protocolo de Quioto dela resultante, criando-se um mecanismo de mercado. Todavia, o segundo ainda não conseguiu mostrar avanços e a perda da biodiversidade é um dos maiores problemas desta década, com perda de milhares de hectares de florestas e de espécies ainda desconhecidas. Este trabalho de pesquisa discute a relação entre biodiversidade, mudanca climatica e carbono social, reforçando a sinergia e a interrelação entre mudancas climaticas e biodiversidade. O carbono social é uma ferramenta criada para monitorar a sustentabilidade em projetos de redução de emissões, podendo agregar valor aos recursos de biodiversidade, utilizando assim o beneficio económico do mercado de carbono. A aplicação prática da metodologia e os seus resultados são apresentados para projetos de conservação da biodiversidade, industrias cerâmicas e energias renovaveis. Discute-se também as oportunidades e desafios enfrentados pela sinergia entre carbono social e biodiversidade.

7 Keywords Biodiversity, social carbon, climate change, carbon market, sustentability, community, sustainable development. Abstract Climate change is currently a highly debated topic throughout the world. In order to discuss effective actions for the purpose of enhancing climate change efforts tailored to diminish greenhouse gas (GHG) emissions, it must be considered activities such as carbon sequestration, forest conservation amongst others. Regulatory documents present other aims and principles which must be included due to their materiality to the matter. During the course of the Rio Summit in 1992 two important treaties were signed: the United Nations Framework Convention on Climate Change and the Convention on Biological Diversity. The first being noticeably faster in bringing about goal definitions as result of its economical appeal within the ensuing Climate Framework and Kyoto Protocol. The latter, on the other hand, did not managed to evolve being biodiversity loss engendered by the loss of millions of hectares of forest cover and unknown species which could be considered one of the biggest deficits of our decade. This research discusses the relationship between biodiversity, climate change and Social Carbon and how the carbon market could have a strong influence on those interactions, reinforcing the synergy and interrelationship between biodiversity and climate change with implications on the conservation arena around the world. This study also approaches how social carbon methodology could contribute to enhancing biodiversity. Examples from monitoring data of the Social Carbon methodologies application on biodiversity conservation, ceramics industries, and renewable energy sector are presented. Opportunities, perspectives and challenges faced by the Social Carbon methodology associated with biodiversity are discussed.

8 Índice Introdução Geral Capítulo Mudanças Climáticas e seus Efeitos sobre a Biodiversidade Brasileira As fontes de pressão sobre a biodiversidade Mudanças climáticas e biodiversidade Capítulo A metodologia do Carbono Social O conceito metodológico Diretrizes Básicas da Metodologia Estrutura Conceitual da Metodologia Recursos do Carbono Social Carbono Social e a Conservação da Biodiversidade O Carbono Social e a Indústria Ceramista Carbono Social e Energias Renováveis Capítulo Aplicação da Metodologia do Carbono Social Conservação da Biodiversidade Desafios Enfrentados Relação Comunidade e Floresta Coleta de Sementes Implantação de Sistemas Agro florestais Viveiros Comunitários Criação do Centro de Pesquisas Canguçu Histórico de Desenvolvimento da metodologia do Carbono Social Aplicação do carbono social O projeto União II Projeto Assentamento Barranco do Mundo Projeto Pericatu Outras Aplicações Projeto Carbono Florestal Substituição de Combustível na Indústria Cerâmica Indicadores... 79

9 3.2.2 O Projeto da Cerâmica São Judas Tadeu Projeto Luara Energia Renovável Indicadores para a aplicação do carbono social referente aos projetos Indicadores para a aplicação do carbono social nas comunidades O Projeto Mascarenhas Resultados da Avaliação do Projeto O Projeto Paraíso Resultados da Avaliação do Projeto Desempenho por Recurso Resultados da Avaliação da Comunidade Desempenho por Recurso Conclusão Capítulo O Crédito de Carbono e os Mecanismos de Mercado Mercados de Carbono e Desenvolvimento Sustentável O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo MDL e o Princípio do Desenvolvimento Sustentável Institucionalidade e Etapas de Desenvolvimento do MDL Principais Atores Aspectos Regulatórios Etapas de Desenvolvimento de Projetos MDL Mercado Voluntário de Carbono Mercado Voluntário de Carbono e a Valorização do Desenvolvimento Sustentável Principais Atores Etapas de Desenvolvimento de Projetos no Mercado Voluntário de Carbono Aspectos Regulatórios do Mercado Voluntário de Carbono Capítulo Discussão e conclusões Considerações finais Referências Bibliográficas

10 Índice Tabelas Tabela 1. Resultados da aplicação do Carbono Social no Projeto União II Tabela 2. Resultados da aplicação do Carbono Social no Projeto Assentamento Barranco do Mundo Tabela 3. Depoimentos sobre a metodologia do Carbono Social dos moradores do Projeto de Assentamento Pericatu Tabela 4. Situação atual (antes do projeto) e esperada (pós-projeto) dos apicultores do Assentamento do Barranco do Mundo Tabela 5. Impactos e benchmarking no setor ceramista Tabela 6. Melhorias Através da Aplicação da Metodologia do Carbono Social na Cerâmica São Judas Tadeu Tabela 7. Mudanças Através da Aplicação do Carbono Social na Cerâmica Luara Tabela 8. Estatísticas do MDL Tabela 9. Critérios de Sustentabilidade para Projetos MDL Tabela 10. Principais Considerações sobre MDL do Plano Nacional sobre Mudança do Clima Tabela 11. Valores de transações 2006, 2007 e Tabela 12. Standards do Mercado Voluntário que possuem abordagens (critérios) relacionadas aos benefícios sociais e ambientais (co-benefícios)

11 Índice Figuras Figura 1. Hexágono do Carbono Social, mostrando os seis diferentes recursos e a forma de visualização a partir da isolinha dos indicadores conectando a cada recurso Figura 2. Interações com os diferentes atores e partes envolvidas no ambiente interno e externo da Metodologia do Carbono Social Figura 3. Localização regional e Nacional da Ilha do Bananal Figura 4. Resultados obtidos no projeto de assentamento União II no diagnostico inicial e na aplicação em Figura 5. Resultados obtidos no Assentamento Barranco do Mundo no diagnostico inicial em 2008 e na aplicação do em Figura 6. Resultados obtidos no Assentamento Pericatu no diagnostico inicial em 2008 e na aplicação do em Figura 7. Abrangência dos indicadores para a aplicação do carbono social na industria cerâmica Figura 8. Recursos do carbono Social em 2006 e 2007 na industria Cerâmica São Judas Tadeu Figura 9. Recursos do carbono Social em 2007 e 2008, na industria Cerâmica Luara Figura 10. Resultados na UHE Mascarenhas Projeto Figura 11. Recursos do carbono Social UHE Mascarenhas Comunidade Figura 12. Recursos do carbono Social UHE Mascarenhas Comunidade Figura 13. Recursos do carbono Social UHE Mascarenhas Comunidade Figura 14. Recursos do carbono Social UHE Mascarenhas Comunidade Figura 15. Recursos do Carbono Social na UHE Mascarenhas Desempenho Geral das Comunidades Figura 16. Recursos do carbono Social PCH Paraíso Projeto Figura 17. Recursos do carbono Social PCH Paraíso - Comunidade Figura 18. Evolução da Certificação da Exploração Florestal no Brasil de 1993 a Figura 19. Existência de critérios sobre benefícios sociais e ambientais considerando os tipos de Standard utilizados Figura 20. Comparação entre as etapas de desenvolvimento do projeto no MDL e mercado voluntário de Carbono

12 Figura 21. Apresenta a receita gerada pelos diferentes mercados de carbono de Fonte: Point Carbon Report Figura 22. Projeções de crescimento esperada-nos diferentes mercados de 2004 a Fonte: Point Carbon Report

13 Introdução Geral Durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, em 1992, foram assinados dois importantes instrumentos: a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica. O primeiro trouxe avanços e resultados práticos mais rápidos no que respeita à definição de metas e resultados. Este fato deveu-se, principalmente, pelo caráter econômico resguardado à Convenção Quadro e ao Protocolo de Quioto dela resultante, criando-se um mecanismo de mercado. Todavia, o segundo ainda não conseguiu mostrar avanços e a perda da biodiversidade é um dos maiores problemas desta década, com perda de milhares de hectares de florestas e de espécies ainda desconhecidas. O clima, a biosfera e o ciclo do carbono De acordo com Salati et al. (2001) a distribuição e estrutura básicas dos ecossistemas têm uma história antiga onde as variáveis abióticas se associam a variáveis bióticas para produzir o padrão natural de distribuição da biodiversidade. A composição da biosfera resulta de um longo processo co-evoluído entre a parte viva do planeta e seu suporte físico, sendo que, segundo Sigman e Boyle. (2000), o clima surge como a principal variável na distribuição da vegetação e o seu papel seja reconhecido desde o início do século XVII. No século XIX o físico Arrhenius ( ) demonstrou que o gás carbônico (CO 2 ) possui a propriedade de capturar e armazenar calor. A concentração atmosférica dos gases de efeito estufa, dióxido de carbono (CO 2 ), metano (CH 4 ) e óxido nitroso (N 2 O), associados ao vapor de água, condicionam o balanço de energia planetária. Este efeito estufa natural atua como um cobertor térmico, impedindo o arrefecimento da terra. O aumento das concentrações antrópicas desses gases provoca o efeito estufa antrópico, objeto das preocupações ambientais mundiais. Várias mudanças climáticas globais ocorreram ao longo da história evolutiva da Terra, induzindo novas organizações nos ecossistemas. As mudanças climáticas estão intimamente associadas ao ciclo do carbono. Atualmente, os gases de efeito estufa estão presentes na atmosfera aos maiores níveis registrados nos últimos anos, de acordo 13

14 com o IPCC 1. (IPPC, 2006). Segundo Salati et al. (2001) e Nobre et al. (2001), vários estudos demonstram a relação entre o aquecimento atmosférico, as mudanças climáticas globais e seus efeitos na distribuição dos ecossistemas, conduzindo a profundas alterações na atual composição da biodiversidade. Este assunto já tinha sido anteriormente levantado por Malcon et al. (2000), em seu estudo sobre os ecossistemas e as mudanças globais do Clima. Não restam dúvidas quanto ao aquecimento global causado pela acumulação de gases de efeito estufa provenientes de emissões antrópicas, nos últimos 150 anos. Os resultados aceites pelo IPCC no seu relatório sobre as bases cientificas do grupo de trabalho I (IPCC, 2001), desmentem qualquer afirmativa que as mudanças globais do clima seriam uma concepção teórica, de interesse acadêmico, superdimensionada por pressões políticas de grupos ambientalistas. Este, conclui definitivamente que: O aquecimento global é devido sobretudo às atividades humanas, que aumentam a concentração de Gases de Efeito Estufa e de aerossóis na atmosfera; a composição química da atmosfera continuará se alterando, ao longo do século XXI, de forma acentuada, gerando efeitos persistentes por vários séculos, alterando a temperatura média do planeta (medidas obtidas na superfície terrestre e marítima) que, desde 1861 e ao longo do século XX, aumentou 0,6ºC; os modelos climáticos estimam que a temperatura global irá aumentar de 1,4 a 5,8ºC neste século (até 2100), dependendo do esforço das nações para implementar políticas de mitigação de gases de efeito estufa; a década de 90 foi a mais quente do século XX, talvez do milênio, sendo o ano de 1988 o que apresentou o maior pico de temperaturas globais; a média do nível de todo o mar aumentou entre 0,1 a 0,2 m durante o século XX, com continuada tendência de aumento; os glaciares, as calotas polares e a neve das montanhas continuam a derreter e diminuir suas áreas de cobertura. Vários episódios relacionam as Mudanças Climáticas Globais com alterações na Biodiversidade. No Ártico, a temperatura subiu 5ºC nos últimos 100 anos e desde 1978 seus glaciares diminuem a uma taxa de 3% por década (WWF, 2002). Os modelos 1 IPCC - do inglês Intergovernamental Painel on Climate Change. 14

15 climáticos prevêem que, em 2080, não haverá mais gelo durante os meses de verão, levando à extinção os ursos polares por fome, de acordo com relatório do World Wildlife Fund (WWF, 2002). Ainda segundo este relatório, os glaciares alpinos perderam metade de seu volume desde 1850 e espécies características das baixas montanhas suíças migraram para alta montanha. Os estoques do salmão do Atlântico Norte serão destruídos quando a temperatura regional do oceano aumentar de 6ºC da média histórica. A diminuição no estoque de peixes levou à morte centenas de milhares de aves marinhas nas costas da Califórnia. O branqueamento dos recifes de corais, que ocasionam a sua morte, está ampliando a cada ano e os estudos mostram uma correlação entre o aumento da temperatura local dos oceanos e o branqueamento dos corais. (O'Neill e Oppenheimer, 2002). Daszak et al. (2002), num estudo referente às doenças infecciosas dos anfíbios, indica que o declínio de populações de anfíbios por todo o globo surge como um dos mais dramáticos eventos de destruição maciça da fauna. Respostas da biologia destes animais relacionadas com a respiração cutânea e a fase aquática do seu ciclo reprodutivo, fazem dos anfíbios um bom indicador de mudanças climáticas. O pequeno sapo dourado (Bufo periglenes), exclusivo das montanhas da Costa Rica, foi declarado extinto (Daszak et AL, 2002). De fato, esta espécie reproduz-se somente numa janela climática especifica, pelo que se constatou que indivíduos não se reproduziram devido à ausência de poças ocasionada pela estação muito seca de 1987, e tendo sobrevivido somente 29 indivíduos. Desde 1991 nenhum indivíduo foi encontrado em estado selvagem. O aumento das temperaturas do planeta previsto pelos cientistas para os próximos dois séculos representará uma ameaça para várias espécies (Nobre et al, 2003). As temperaturas previstas correspondem aproximadamente a outras fases características do efeito estufa, nas quais 95% das plantas e animais que povoavam o planeta foram extintos. Estudando a relação entre o clima e a diversidade da flora e da fauna ao longo de 520 milhões de anos, concluí-se que os cinco períodos da história do planeta, nos quais foram registrados os maiores níveis de extinção de espécies, estavam associados a mudanças climáticas. O aumento das temperaturas associado a quatro das extinções em massa, conhecidas através do estudo dos fósseis, corresponde aos níveis que se prevêem que a Terra deve alcançar nos próximos 100 ou 200 anos (Mayhew et al, 2008). A biodiversidade global é alta durante os períodos de arrefecimento do clima do planeta e muito baixa nas de 15

16 temperaturas altas e com maior umidade. A maior extinção de espécies foi registrada há 251 milhões de anos, quando aproximadamente 95% de todas as espécies desapareceram. Segundo o mesmo estudo, os cálculos sobre o efeito que o aquecimento global pode ter na flora e na fauna indicam que entre 20% e 30% das espécies desaparecerão se as temperaturas subirem entre 1,5 e 2,5ºC. Este aumento de temperatura pode ocorrer até meados do presente século, e o ritmo de extinção das espécies aumentará com o aquecimento do planeta. Até ao final do século XXI, os cientistas prevêem que a temperatura média subirá até 6,4ºC, a não ser que os países diminuam as emissões de dióxido de carbono, consideradas um dos maiores responsáveis pela mudança climática (Mayhew et al, 2008) Os pesquisadores que analisaram os fósseis do planeta descobriram que variações de temperatura semelhantes foram observadas em todas as extinções préhistóricas em massa. Das cinco registradas, a mais recente é a do Cretáceo-Terciário, ocorrida há 65 milhões de anos, quando as temperaturas do planeta eram 4ºC superiores às atuais (Mayhew et al, (2008). Acredita-se que um clima quente, provavelmente aliado ao impacto de um meteoro, teria contribuído para a extinção dos dinossauros (Mayehw, Jenkins e Benton, 2008). Quatro das cinco extinções em massa foram causadas durante climas quentes e úmidos, enquanto só a primeira teve relação com temperaturas mais baixas: naquela época formaram-se vários glaciares e o nível do mar diminuiu. Segundo Mayehw (2008), o que ocorre atualmente com o clima esboça um futuro negro para muitas espécies, mas é possível que novas apareçam. Desta forma, as borboletas podem desenvolver músculos mais fortes que permitam bater as asas e alcançar lugares onde não tenham concorrentes, e talvez o processo torne estes insetos tão diferentes que seja preciso classificá-los como um novo grupo taxonômico. Mercado de Carbono: Conceito, Formação e Funcionamento O Protocolo de Quioto surgiu na COP3 (3.ª Conferência das Partes, Órgão Supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima - CQNUMC 2 ), ocorrida em Quioto, Japão, em Este Protocolo estabelece metas às Partes, que compõem os países industrializados (Anexo I ) da Convenção, para que as suas emissões 2 Em inglês, United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC 16

17 totais de gases de efeito estufa sejam reduzidas em pelo menos 5% abaixo dos níveis de Essas metas são diferenciadas entre as Partes (países), de acordo com o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, adotado pela CQNUMC para o período de 2008 a A partir de Quioto, ficou evidente que o mercado poderia ajudar no processo de redução dos Gases do Efeito Estufa (GEE) e que para se efetivar essa ideia seria necessária a criação de um mercado transacionável para essas reduções. A fim de atingir os objetivos de redução da forma mais eficiente, do ponto de vista econômico de cada país, sem no entanto prejudicar o objetivo ambiental em questão, foram adotados três mecanismos de mercado, também chamados mecanismos de flexibilização, a saber: Comércio de Emissões (CE); Art. 17.º do Protocolo., Implementação Conjunta (IC); Art. 6.º do Protocolo; e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), Art. 12.º do Protocolo, sendo este último, o único aplicável para países em desenvolvimento. Estabeleceu-se, desde então, o mercado de carbono que prevê a criação de um valor financeiro para a redução de emissões de gases (pelo princípio, cada tonelada de gás carbônico que deixar de ser emitida ou que for removida da atmosfera por um país, poderá ser negociada no mercado mundial), semelhante a mecanismos já existentes na Europa e nos Estados Unidos para alguns gases poluidores (Rocha, 2005). A criação de mecanismos de mercado que valorizam os recursos naturais teve seu início nos Estados Unidos, com a emenda de 1990 ao Clean Air Act de Nesta emenda foram criadas cotas comercializáveis de poluição nas bacias aéreas regionais norte-americanas, diminuindo cerca de 40% a poluição de enxofre do ar entre 1991 e O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) fruto de uma proposta brasileira, está definido no Art. 12.º do Protocolo de Quioto, cujo objetivo é assistir às partes do Não Anexo-1 da Convenção (basicamente, países em desenvolvimento) mediante fornecimento de capital para financiamento de projetos que visem à redução de Gases do Efeito Estufa (GEE). Nessa modalidade, países desenvolvidos que não atinjam as metas de redução consentidas entre as partes, podem financiar projetos em países em desenvolvimento como forma de cumprir parte de seus compromissos. Assim, os países do Anexo-1 (países industrializados) podem utilizar as Reduções Certificadas de Emissão (RCE), ou créditos 17

18 de carbono de projetos aprovados, como contribuição à conformidade com a parcela do compromisso que lhe compete. Segundo o Relatório do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS, 2005) o Protocolo estimula os países a cooperarem entre si através de duas linhas de ação: reformar os setores de energia e transportes; promover o uso de fontes energéticas renováveis, eliminando ou reduzindo drasticamente a utilização de combustíveis fósseis; eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção; limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos; proteger florestas; promover o resgate de emissões (sequestro de carbono) através de sumidouros e da estocagem dos gases de Efeito-Estufa retirados da atmosfera, injeção de CO 2 em reservatórios geológicos ou atividades relacionadas ao uso da terra, como o aflorestamento e reflorestamento. Essa segunda modalidade de MDL, o sequestro de carbono, normalmente envolve a ideia de conservação de estoques de carbono nos solos, florestas e outros tipos de coberto vegetal, onde ocorre um perigo iminente de perda dos ecossistemas; o fortalecimento de sumidouros de carbono, preservando áreas florestais e estabelecendo novas plantações florestais e sistemas agro florestais; e a recuperação de florestas degradadas, conservando a biodiversidade existente. Os resultados do efeito do Sequestro de Carbono podem ser quantificados através da estimativa da biomassa da planta acima e abaixo do solo, e do cálculo de carbono estocado nos produtos madeireiros. É conhecido que as florestas tropicais úmidas são caracterizadas por uma alta taxa de produtividade primária, retendo um considerável estoque de carbono, principalmente na sua fase de crescimento, quando as árvores removem quantidades significativas de carbono da atmosfera, que é reduzido gradativamente a taxas quase insignificantes quando já formadas. O Protocolo de Quioto foi ratificado pela Rússia em 05/11/2004. Desde 1997 esperava-se por isso, pois o protocolo só poderia entrar em vigor com a ratificação de um número de países que correspondesse a 55% das emissões das Partes incluídas no Anexo I. 18

19 Com a ratificação da Rússia, o Protocolo entrou em vigor no dia 16 de Fevereiro de 2005 (CIMGC, 2005). O Brasil, que possui uma matriz energética considerada limpa (90% da energia elétrica é gerada por hidrelétricas), pode desenvolver projetos de MDL baseados no aumento do uso de fontes renováveis, em eficiência energética, na substituição dos combustíveis por outros com menor taxa de emissão de gases de efeito estufa, também considerados mais limpos. Durante as negociações do Protocolo de Quioto, o Brasil desempenhou um papel de destaque, liderando várias negociações importantes, sempre buscando em sua estratégia de negociação garantir a integridade ambiental do Protocolo e o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada. O país mostrou que deseja reduzir suas emissões, seja através do MDL, seja através de programas de combate ao desmatamento (Rocha, 2005). Foi registrado um saldo positivo para o país, particularmente para o setor empresarial, representando um marco para assegurar a posição de liderança internacional no promissor mercado de carbono, que entra em operação com excelentes perspectivas de gerar negócios sustentáveis. Estima-se que até 2012, quando termina a primeira fase de compromisso com metas de redução de emissões de GEE para os países desenvolvidos, previstas pelo Protocolo de Quioto, segundo Banco Mundial haverá um investimento na ordem de US$ 100 bilhões nos países em desenvolvimento. Foram destacadas também, ações e iniciativas do governo brasileiro, visando fomentar e apoiar os projetos MDL (CEBDS, 2005). Os benefícios econômicos auferidos com os chamados Projetos de Carbono são extremamente necessários para o cumprimento de seus objetivos e o desenvolvimento dos países mais pobres, bem como para garantir o comprometimento de todas as Partes. Mas faz-se necessário também o cumprimento dos princípios declarados e o alcance de todos os objetivos definidos na Convenção e regulamentações subsequentes, em especial o Protocolo de Quioto. Para que o Projeto MDL contribua para o desenvolvimento sustentável, deve atender diversos critérios, entre eles o envolvimento de todas as Partes Interessadas, critério obrigatório para aprovação do Projeto. No Brasil, as orientações são definidas pela Entidade Nacional Designada (END), representada pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC). O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo tem como 19

20 objetivos: reduzir emissões de GEE; propiciar a transferência de tecnologia e contribuir para o desenvolvimento sustentável em países subdesenvolvidos. Entre seus princípios está a permissão para que países desenvolvidos invistam em projetos de redução de emissão em países subdesenvolvidos e utilizem os créditos para reduzir suas obrigações, que são os CERs (Redução de emissões certificadas). Esta prática acontece através de projetos de redução de emissão de GEE e de projetos de Sequestro de Carbono. Os critérios de elegibilidade envolvem a participação voluntária, a redução das emissões de GEE de forma adicional ao que ocorreria na ausência da atividade do projeto de MDL. É necessário que também proporcionem benefícios reais e mensuráveis - de longo prazo, relacionados com a mitigação da mudança do clima, que levem em consideração a opinião de todos os atores que venham a sofrer os impactos das atividades de projeto e atinjam os objetivos de desenvolvimento sustentável do país onde são implementados (CIMGC, 2005). O Mercado Voluntário surgiu paralelo ao Protocolo de Quioto e outras iniciativas como o sistema europeu, trazendo como características diferenciais o fato de seus participantes geralmente não possuírem metas de redução. A decisão em participar do mercado se configura numa iniciativa voluntária. Sem regulamentação e com regras menos rigorosas que o Protocolo de Quioto, o mercado voluntário apresenta mais alternativas em termos de metodologias, com uma demanda promissora, um mercado competitivo, com possibilidade de conscientização ambiental e de neutralização de emissões, o chamado carbono neutro. Dentre as premissas do carbono neutro está a redução de emissões para compensar corporações como um todo, produtos, serviços ou eventos. No Mercado Voluntário, os compradores procuram recursos locais ou em países em desenvolvimento, mais voltados para a comercialização, com fortes atributos sustentáveis e sociais e na maioria das vezes querendo projetos para que possam se desdobrar em outros negócios. Ajudar projetos pequenos é muito atraente para muitos no Mercado Voluntário, ajudando a atrair ações de desenvolvimento sustentável que antes não seriam viáveis. Trata-se de uma oportunidade para corporações e indivíduos contribuírem para o desenvolvimento sustentável. No Mercado Voluntário, os indivíduos podem reduzir seus próprios impactos ambientais, usando menos energias renováveis. Esta é uma demanda que está crescendo exponencialmente com a atenção mundial para o aquecimento global e a aceitação de que a 20

Resumo Aula-tema 02: Panorama mundial e nacional mudanças climáticas e políticas públicas emergentes.

Resumo Aula-tema 02: Panorama mundial e nacional mudanças climáticas e políticas públicas emergentes. Resumo Aula-tema 02: Panorama mundial e nacional mudanças climáticas e políticas públicas emergentes. As mudanças nos ecossistemas, causadas pelo modelo de desenvolvimento econômico atual, trazem impactos

Leia mais

COP 21 INDC BRASILEIRA

COP 21 INDC BRASILEIRA COP 21 Vinte e três anos após a assinatura da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a 21 a Conferência das Partes (COP21), que será realizada em Paris (entre os dias 30 novembro

Leia mais

Capítulo 21 Meio Ambiente Global. Geografia - 1ª Série. O Tratado de Kyoto

Capítulo 21 Meio Ambiente Global. Geografia - 1ª Série. O Tratado de Kyoto Capítulo 21 Meio Ambiente Global Geografia - 1ª Série O Tratado de Kyoto Acordo na Cidade de Kyoto - Japão (Dezembro 1997): Redução global de emissões de 6 Gases do Efeito Estufa em 5,2% no período de

Leia mais

Mudança do clima: Principais conclusões do 5º Relatório do IPCC

Mudança do clima: Principais conclusões do 5º Relatório do IPCC Mudança do clima: Principais conclusões do 5º Relatório do IPCC ILIDIA DA ASCENÇÃO GARRIDO MARTINS JURAS Consultora Legislativa da Área XI Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organização Territorial, Desenvolvimento

Leia mais

MÓDULO I: Mudança do Clima e Acordos Internacionais. Efeito Estufa. Fontes de Emissões. Impactos. Acordos Internacionais

MÓDULO I: Mudança do Clima e Acordos Internacionais. Efeito Estufa. Fontes de Emissões. Impactos. Acordos Internacionais MÓDULO I: Mudança do Clima e Acordos Internacionais Efeito Estufa Fontes de Emissões Impactos Acordos Internacionais Fontes de Emissões Antropogênicas Fonte: Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, 2007.

Leia mais

Recuperação energética de gás de aterro & Créditos de carbono. Fórum Permanente "Meio Ambiente e Sociedade"

Recuperação energética de gás de aterro & Créditos de carbono. Fórum Permanente Meio Ambiente e Sociedade Recuperação energética de gás de aterro & Créditos de carbono Fórum Permanente "Meio Ambiente e Sociedade" São Paulo, Brasil 15 de Outubro de 2013 Sumário MDL & Créditos de Carbono Panorama do Mercado

Leia mais

Tratados internacionais sobre o meio ambiente

Tratados internacionais sobre o meio ambiente Tratados internacionais sobre o meio ambiente Conferência de Estocolmo 1972 Preservação ambiental X Crescimento econômico Desencadeou outras conferências e tratados Criou o Programa das Nações Unidas para

Leia mais

A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro publica a seguinte lei: Capítulo I Das Disposições Preliminares

A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro publica a seguinte lei: Capítulo I Das Disposições Preliminares Projeto de lei n. Institui a Política Estadual sobre Mudança do Clima e fixa seus princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos. A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro publica a seguinte

Leia mais

Dia Mundial do Meio Ambiente 2007

Dia Mundial do Meio Ambiente 2007 Dia Mundial do Meio Ambiente 2007 Haroldo Mattos de Lemos Presidente, Instituto Brasil PNUMA Vice Presidente, ISO TC 207 (ISO 14000) Presidente, Conselho Técnico da ABNT Presidente, Conselho Empresarial

Leia mais

O Protocolo de Kyoto e o Mandato de Bali:

O Protocolo de Kyoto e o Mandato de Bali: Briefing A Caminho de Bali Brasília, 21 de Novembro 2007 O Protocolo de Kyoto e o Mandato de Bali: O que o mundo precisa fazer para combater as mudanças climáticas As mudanças climáticas são, sem dúvida,

Leia mais

CAPÍTULO 3 PROTOCOLO DE KIOTO

CAPÍTULO 3 PROTOCOLO DE KIOTO CAPÍTULO 3 PROTOCOLO DE KIOTO Medidas estão sendo tomadas... Serão suficientes? Estaremos, nós, seres pensantes, usando nossa casa, com consciência? O Protocolo de Kioto é um acordo internacional, proposto

Leia mais

Create PDF with GO2PDF for free, if you wish to remove this line, click here to buy Virtual PDF Printer

Create PDF with GO2PDF for free, if you wish to remove this line, click here to buy Virtual PDF Printer AGRICULTURA E AQUECIMENTO GLOBAL Carlos Clemente Cerri Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) Fone: (19) 34294727 E-mail: cerri@cena.usp.br Carlos Eduardo P. Cerri Escola Superior de Agricultura

Leia mais

O Aquecimento Global se caracteriza pela modificação, intensificação do efeito estufa.

O Aquecimento Global se caracteriza pela modificação, intensificação do efeito estufa. O que é o Aquecimento Global? O Aquecimento Global se caracteriza pela modificação, intensificação do efeito estufa. O efeito estufa é um fenômeno natural e consiste na retenção de calor irradiado pela

Leia mais

ESTUDO CRÉDITOS DE CARBONO

ESTUDO CRÉDITOS DE CARBONO ESTUDO CRÉDITOS DE CARBONO Ilidia da Ascenção Garrido Martins Juras Consultora Legislativa da Área XI Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organização Territorial e Desenvolvimento Urbano e Regional ESTUDO

Leia mais

Aquecimento Global e Protocolo de Kyoto. Professor Thiago Espindula Disciplina de Geografia

Aquecimento Global e Protocolo de Kyoto. Professor Thiago Espindula Disciplina de Geografia Aquecimento Global e Protocolo de Kyoto Professor Thiago Espindula Disciplina de Geografia Exercícios (ENEM 2006) Com base em projeções realizadas por especialistas, teve, para o fim do século

Leia mais

Fenômenos e mudanças climáticos

Fenômenos e mudanças climáticos Fenômenos e mudanças climáticos A maioria dos fenômenos climáticos acontecem na TROPOSFERA. Camada inferior da atmosfera que vai do nível do mar até cerca de 10 a 15 quilômetros de altitude. Nuvens, poluição,

Leia mais

Geografia. Professor: Jonas Rocha

Geografia. Professor: Jonas Rocha Geografia Professor: Jonas Rocha Questões Ambientais Consciência Ambiental Conferências Internacionais Problemas Ambientais Consciência Ambiental Até a década de 1970 o homem acreditava que os recursos

Leia mais

MANIFESTO SOBRE PRINCÍPIOS E SALVAGUARDAS PARA O REDD

MANIFESTO SOBRE PRINCÍPIOS E SALVAGUARDAS PARA O REDD MANIFESTO SOBRE PRINCÍPIOS E SALVAGUARDAS PARA O REDD INTRODUÇÃO O REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) é o mecanismo que possibilitará países detentores de florestas tropicais poderem

Leia mais

AGENDA 21: Imagine... FUTURO... AGENDA 21: 1. É o principal documento da Rio-92 (Conferência ONU: Meio Ambiente e desenvolvimento Humano); 2. É a proposta mais consistente que existe de como alcançar

Leia mais

O desmatamento das florestas tropicais responde por 25% das emissões globais de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa.

O desmatamento das florestas tropicais responde por 25% das emissões globais de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa. Biodiversidade Introdução Na Estratégia Nacional para a Biodiversidade, desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente, acordou-se que o Brasil deve dar ênfase para seis questões básicas: conhecimento da

Leia mais

Institui a Política Estadual Sobre Mudança do Clima - PEMC e dá outras providências.

Institui a Política Estadual Sobre Mudança do Clima - PEMC e dá outras providências. Projeto de Indicação Nº 36/2014 Institui a Política Estadual Sobre Mudança do Clima - PEMC e dá outras providências. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ DECRETA: Art. 1º. Esta Lei institui a Política

Leia mais

Junho, 2015. Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Brasileira

Junho, 2015. Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Brasileira Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida do Brasil Junho, 2015 Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Brasileira

Leia mais

Perguntas Frequentes Mudanças Climáticas

Perguntas Frequentes Mudanças Climáticas Perguntas Frequentes Mudanças Climáticas 1) O que é Mudança do Clima? A Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima (em inglês: United Nations Framework Convention on Climate Change UNFCCC),

Leia mais

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E BIODIVERSIDADE

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E BIODIVERSIDADE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E BIODIVERSIDADE Mudanças Climáticas Temperatura Precipitação Nível do Mar Saúde Agricultura Florestas Recursos Hídricos Áreas Costeiras Espécies e Áreas Naturais Mudanças Climáticas

Leia mais

CRÉDITOS DE CARBONO (FINANCIAMENTO)

CRÉDITOS DE CARBONO (FINANCIAMENTO) CRÉDITOS DE CARBONO (FINANCIAMENTO) ILÍDIA DA A. G. MARTINS JURAS Consultora Legislativa da Área XI Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organização Territorial, Desenvolvimento Urbano e Regional JANEIRO/2001

Leia mais

A intensificação da degradação se deu a partir da Revolução Industrial;

A intensificação da degradação se deu a partir da Revolução Industrial; AMBIENTALISMO NO MUNDO GLOBALIZADO 1 O Ano Passado 2 Degradação do meio ambiente A intensificação da degradação se deu a partir da Revolução Industrial; A mobilização da sociedade com objetivo de conter

Leia mais

OS PROJETOS FLORESTAIS NO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO / FORESTRY PROJECTS IN THE CLEAN DEVELOPMENT MECHANISM

OS PROJETOS FLORESTAIS NO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO / FORESTRY PROJECTS IN THE CLEAN DEVELOPMENT MECHANISM Artigos 9 ARTIGOS TÉCNICOS / ARTICLES OS PROJETOS FLORESTAIS NO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO / FORESTRY PROJECTS IN THE CLEAN DEVELOPMENT MECHANISM MARCELO THEOTO ROCHA Engenheiro Agrônomo Doutor

Leia mais

PROTEGENDO AS FLORESTAS DO PLANETA Biodiversidade & Clima

PROTEGENDO AS FLORESTAS DO PLANETA Biodiversidade & Clima UNEP/CBD/COP/9/3: Relatório da SBSTTA13 XIII/2. Revisão da implementação do programa de trabalho sobre Biodiversidade e Florestas PROTEGENDO AS FLORESTAS DO PLANETA Biodiversidade & Clima As mudanças climáticas

Leia mais

Gestão de Serviços Ambientais nas Empresas. Uma questão estratégica

Gestão de Serviços Ambientais nas Empresas. Uma questão estratégica Gestão de Serviços Ambientais nas Empresas Uma questão estratégica Ética Ambiental ÉTICA. Do grego ETHOS, que significa modo de ser, caráter. Forma de agir do Homem em seu meio social. O comportamento

Leia mais

AULA 4 FLORESTAS. O desmatamento

AULA 4 FLORESTAS. O desmatamento AULA 4 FLORESTAS As florestas cobriam metade da superfície da Terra antes dos seres humanos começarem a plantar. Hoje, metade das florestas da época em que recebemos os visitantes do Planeta Uno não existem

Leia mais

Como o efeito estufa pode render dinheiro para o Brasil. A Amazônia e o seqüestro de carbono e o protocolo de kyoto

Como o efeito estufa pode render dinheiro para o Brasil. A Amazônia e o seqüestro de carbono e o protocolo de kyoto Como o efeito estufa pode render dinheiro para o Brasil A Amazônia e o seqüestro de carbono e o protocolo de kyoto Histórico das reuniões 1992 - assinam a Convenção Marco sobre Mudança Climática na ECO-92.

Leia mais

Proposta de 20 Metas Brasileiras de Biodiversidade para 2020

Proposta de 20 Metas Brasileiras de Biodiversidade para 2020 Proposta de 20 Metas Brasileiras de Biodiversidade para 2020 Propostas encaminhadas pela sociedade brasileira após consulta envolvendo cerca de 280 instituições dos setores: privado, ONGs, academia, governos

Leia mais

Problemas Ambientais

Problemas Ambientais Problemas Ambientais Deflorestação e perda da Biodiversidade Aquecimento Global Buraco na camada de ozono Aquecimento Global - Efeito de Estufa Certos gases ficam na atmosfera (Troposfera) e aumentam

Leia mais

Clima e mudanças climáticas na Amazônia

Clima e mudanças climáticas na Amazônia Diligência Pública ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAZONAS Manaus-AM, 18 de maio de 2009 Comissão Mista de Mudanças Climáticas Clima e mudanças climáticas na Amazônia Antonio Ocimar Manzi manzi@inpa.gov.br

Leia mais

Status dos projetos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Brasil e no mundo

Status dos projetos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Brasil e no mundo Status dos projetos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Brasil e no mundo 1º Período de compromisso do Protocolo de Quioto (2008-2012) (Data final de coleta de dados: 12/02/2014) O

Leia mais

M ERCADO DE C A R. de captação de investimentos para os países em desenvolvimento.

M ERCADO DE C A R. de captação de investimentos para os países em desenvolvimento. MERCADO DE CARBONO M ERCADO DE C A R O mercado de carbono representa uma alternativa para os países que têm a obrigação de reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa e uma oportunidade

Leia mais

Inventário de Gases de Efeito Estufa

Inventário de Gases de Efeito Estufa Inventário de Gases de Efeito Estufa Gerenciamento de Informações e Ações Dirigidas Nicole Celupi - Three Phase Gerenciamento de Informações e Ações Dirigidas Institucional A Three Phase foi criada em

Leia mais

Carta de Apresentação Documento Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura 11/06/15

Carta de Apresentação Documento Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura 11/06/15 Carta de Apresentação Documento Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura 11/06/15 Formada por associações empresariais, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduos interessados na construção

Leia mais

Efeitos da economia do carbono na economia nacional e europeia. Luís Fernão Souto

Efeitos da economia do carbono na economia nacional e europeia. Luís Fernão Souto Efeitos da economia do carbono na economia nacional e europeia Luís Fernão Souto As alterações climáticas são uma evidência Os 10 anos mais quentes desde sempre ocorreram após o ano de 1990! O dióxido

Leia mais

Centro de Conhecimento em Biodiversidade Tropical - Ecotropical

Centro de Conhecimento em Biodiversidade Tropical - Ecotropical Centro de Conhecimento em Biodiversidade Tropical - Ecotropical Realização: Instituto Energias do Brasil Endereço: Rua Bandeira Paulista, 530 11º andar CEP: 04532-001 São Paulo São Paulo, Brasil. Responsável:

Leia mais

Presidência da República

Presidência da República Presidência da República LEI Nº 12.187, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2009. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1 o Esta Lei institui a Política

Leia mais

01- O que é tempo atmosférico? R.: 02- O que é clima? R.:

01- O que é tempo atmosférico? R.: 02- O que é clima? R.: PROFESSOR: EQUIPE DE GEOGRAFIA BANCO DE QUESTÕES - GEOGRAFIA - 6º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================= TEMPO ATMOSFÉRICO

Leia mais

Mudanças climáticas globais e recursos hídricos com enfoque para as bacias hidrográficas

Mudanças climáticas globais e recursos hídricos com enfoque para as bacias hidrográficas Mudanças climáticas globais e recursos hídricos com enfoque para as bacias hidrográficas Emília Hamada Pesquisador, Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna - SP A mudança climática global começou a ser discutida

Leia mais

Notas sobre mudanças climáticas

Notas sobre mudanças climáticas Notas sobre mudanças climáticas ILIDIA DA ASCENÇÃO GARRIDO MARTINS JURAS Consultora Legislativa da Área XI Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organização Territorial e Desenvolvimento Urbano e Regional

Leia mais

Unidade IV Ser Humano e saúde. Aula 17.1

Unidade IV Ser Humano e saúde. Aula 17.1 Unidade IV Ser Humano e saúde. Aula 17.1 Conteúdo: O efeito estufa. Habilidade: Demonstrar uma postura crítica diante do uso do petróleo. REVISÃO Reações de aldeídos e cetonas. A redução de um composto

Leia mais

Instituição executora do projeto: Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) Coordenador Geral: Felipe Pimentel Lopes de Melo Coordenador

Instituição executora do projeto: Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) Coordenador Geral: Felipe Pimentel Lopes de Melo Coordenador Instituição executora do projeto: Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) Coordenador Geral: Felipe Pimentel Lopes de Melo Coordenador Técnico: Maria das Dores de V. C. Melo Coordenação Administrativa-Financeira:

Leia mais

Conceito e Evolução da utilização da Energia

Conceito e Evolução da utilização da Energia Energia Limpa Agenda O que é energia limpa? Tipos de energia limpa Energia Hídrica Energia Eólica Energia Geotérmica Biomassa Energia Solar Energia do Mar O Brasil neste cenário Protocolo de Kyoto Conceito

Leia mais

E C O L O G I A. Incluindo todos os organismos e todos os processos funcionais que a tornam habitável

E C O L O G I A. Incluindo todos os organismos e todos os processos funcionais que a tornam habitável E C O L O G I A Deriva do grego oikos, com sentido de casa e logos com sentido de estudo Portanto, trata-se do estudo do ambiente da casa Incluindo todos os organismos e todos os processos funcionais que

Leia mais

Declaração Conjunta Brasil-Alemanha sobre Mudança do Clima Brasília, 20 de agosto de 2015

Declaração Conjunta Brasil-Alemanha sobre Mudança do Clima Brasília, 20 de agosto de 2015 Declaração Conjunta Brasil-Alemanha sobre Mudança do Clima Brasília, 20 de agosto de 2015 1. A Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, e a Chanceler da República Federal da Alemanha,

Leia mais

Climate Change, Energy and Food Security 13 de novembro de 2008 Rio de Janeiro

Climate Change, Energy and Food Security 13 de novembro de 2008 Rio de Janeiro Climate Change, Energy and Food Security Rio de Janeiro Mudanças Climáticas Amazônia, Problemas Ambientais e Proteção da Biomassa Israel Klabin F U N D A Ç Ã O B R A S I L E I R A P A R A O D E S E N V

Leia mais

2 Documento de Referência CarbonOk

2 Documento de Referência CarbonOk 2 Documento de Referência CarbonOk SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO... 5 2 PROGRAMA CARBONOK... 6 2.1 Missão... 6 2.2 Objetivos... 6 2.3 Valores... 7 2.4 Metodologia... 7 2.5 Atuação... 8 2.6 Responsável... 9 3

Leia mais

O clima está diferente. O que muda na nossa vida?

O clima está diferente. O que muda na nossa vida? O clima está diferente. O que muda na nossa vida? 06/2011 Esta obra foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. 2 SUMÁRIO

Leia mais

AÇÃO DO HOMEM NO MEIO AMBIENTE

AÇÃO DO HOMEM NO MEIO AMBIENTE AÇÃO DO HOMEM NO MEIO AMBIENTE NEVES, Daniela 1 TEIXEIRA, Flávia 2 RESUMO: O Meio Ambiente está sendo destruído, o que acabou ocasionando o aquecimento global que tem sido provocado pela destruição de

Leia mais

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL 4ª CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO SUB-GRUPO DE TRABALHO DE TRATADOS INTERNACIONAIS

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL 4ª CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO SUB-GRUPO DE TRABALHO DE TRATADOS INTERNACIONAIS FORMULÁRIO DESCRITIVO DA NORMA INTERNACIONAL Norma Internacional: Protocolo de Quioto à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas Assunto: Diminuição da emissão de gases de efeito estufa

Leia mais

Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa. Fabio Abdala Gerente de Sustentabilidade, ALCOA

Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa. Fabio Abdala Gerente de Sustentabilidade, ALCOA Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa Fabio Abdala Gerente de Sustentabilidade, ALCOA 2º. DEBATE SOBRE MINERAÇÃO TJ/PA e PUC/SP Tribunal de Justiça do Pará - Belém, 30/09/2011 Gestão Estratégica

Leia mais

The text that follows is a REPRINT O texto que segue é um REPRINT. Please cite as: Favor citar como:

The text that follows is a REPRINT O texto que segue é um REPRINT. Please cite as: Favor citar como: The text that follows is a REPRINT O texto que segue é um REPRINT. Please cite as: Favor citar como: Fearnside, P.M. 2008. O papel da floresta amazônica no aquecimento global. pp. 41-46 In: A.L. Val &

Leia mais

O DESAFIO ENERGÉTICO NOS GRANDES CENTROS:

O DESAFIO ENERGÉTICO NOS GRANDES CENTROS: O DESAFIO ENERGÉTICO NOS GRANDES CENTROS: CIDADES SUSTENTÁVEIS OU COLAPSO ANUNCIADO? Mudanças Climáticas e o Papel das Cidades Mudanças Climáticas e o Papel das Cidades Cidades são parte do Problema Atividades

Leia mais

Meio Ambiente Global Conteúdo Complementar

Meio Ambiente Global Conteúdo Complementar GEOGRAFIA 1ª Série Meio Ambiente Global Conteúdo Complementar http://karlacunha.com.br/tag/charges Geografia - 1ª Série Prof. Márcio Luiz Conferência do Clube de Roma Considero que um dos documentos mais

Leia mais

PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS. Eduardo de Araujo Rodrigues

PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS. Eduardo de Araujo Rodrigues PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS Eduardo de Araujo Rodrigues Nos últimos 50 anos, os ecossistemas do mundo foram agredidos e modificados pela ação do homem, mais rápido e profundamente que em qualquer

Leia mais

O projeto de Neutralização das Emissões de Carbono do Camarote Expresso 2222 envolve as seguintes etapas:

O projeto de Neutralização das Emissões de Carbono do Camarote Expresso 2222 envolve as seguintes etapas: Relatório de Emissões de Carbono Camarote Expresso 2222 Carnaval Salvador 2010 Introdução As atividades da humanidade têm aumentado como nunca visto a concentração de gases poluidores na atmosfera. Alguns

Leia mais

Biomas Brasileiros I. Floresta Amazônica Caatinga Cerrado. Mata Atlântica Pantanal Campos Sulinos ou Pampas Gaúchos

Biomas Brasileiros I. Floresta Amazônica Caatinga Cerrado. Mata Atlântica Pantanal Campos Sulinos ou Pampas Gaúchos Biomas Brasileiros I Floresta Amazônica Caatinga Cerrado Mata Atlântica Pantanal Campos Sulinos ou Pampas Gaúchos Floresta Amazônica Localizada na região norte e parte das regiões centro-oeste e nordeste;

Leia mais

Capítulo 21 Meio Ambiente Global

Capítulo 21 Meio Ambiente Global Capítulo 21 Meio Ambiente Global http://karlacunha.com.br/tag/charges Geografia - 1ª Série Prof. Márcio Luiz Conferência do Clube de Roma Considero que um dos documentos mais importantes, em termos de

Leia mais

O aquecimento global e a extinção de espécies

O aquecimento global e a extinção de espécies Maiara Cecchin O aquecimento global e a extinção de espécies Resumo: Nas últimas décadas houve a aceleração do processo de aquecimento global, ligado fortemente às atividades antropogênicas insustentáveis,

Leia mais

B I O G E O G R A F I A

B I O G E O G R A F I A B I O G E O G R A F I A FLORESTA AMAZÔNICA 2011 Aula XII O bioma Amazônia representa aproximadamente 30% de todas as florestas tropicais remanescentes do mundo e nele se concentra a maioria das florestas

Leia mais

Confederação Nacional da Indústria

Confederação Nacional da Indústria Confederação Nacional da Indústria Brasília, novembro de 2010 mudança do clima COP 16: A Contribuição da Indústria Brasileira As Principais Mensagens Os esforços da indústria brasileira são uma importante

Leia mais

AQUECIMENTO GLOBAL. Ações que o setor hortifrutícola deve realizar para se proteger das mudanças climáticas CAPA

AQUECIMENTO GLOBAL. Ações que o setor hortifrutícola deve realizar para se proteger das mudanças climáticas CAPA CAPA AQUECIMENTO GLOBAL Ações que o setor hortifrutícola deve realizar para se proteger das mudanças climáticas Por Mônica Georgino Um dos maiores desafios da humanidade no século 21 é aprender a lidar

Leia mais

Resumo do artigo: O Protocolo de Quito e o reflorestamento da Mata Atlântica: possibilidades para a bacia do Rio São João.

Resumo do artigo: O Protocolo de Quito e o reflorestamento da Mata Atlântica: possibilidades para a bacia do Rio São João. Resumo do artigo: O Protocolo de Quito e o reflorestamento da Mata Atlântica: possibilidades para a bacia do Rio São João. Seção 2: Políticas públicas e instrumentos econômicos para o desenvolvimento sustentável

Leia mais

Convenção sobre Diversidade Biológica: O Plano de Ação de São Paulo 2011/2020. São Paulo, 06 de março de 2.012 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Convenção sobre Diversidade Biológica: O Plano de Ação de São Paulo 2011/2020. São Paulo, 06 de março de 2.012 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Convenção sobre Diversidade Biológica: O Plano de Ação de São Paulo 2011/2020 SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE São Paulo, 06 de março de 2.012 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Contexto Convenção sobre Diversidade

Leia mais

O MCTI e ações relacionadas à mudança do clima

O MCTI e ações relacionadas à mudança do clima O MCTI e ações relacionadas à mudança do clima Dr. Osvaldo Moraes Diretor DEPPT/MCTI Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima Protocolo de Quioto O regime diferencia obrigações de países

Leia mais

Seminário Soluções Técnicas e Financeiras para Cidades Sustentáveis Banco Mundial Brasília. 08 e 09 de Junho 2010

Seminário Soluções Técnicas e Financeiras para Cidades Sustentáveis Banco Mundial Brasília. 08 e 09 de Junho 2010 Seminário Soluções Técnicas e Financeiras para Cidades Sustentáveis Banco Mundial Brasília 08 e 09 de Junho 2010 No Programa de Governo Gestão 2009-2012 está previsto o Programa Biocidade e neste o Plano

Leia mais

Contribuição da Atividade de Projeto para o Desenvolvimento Sustentável

Contribuição da Atividade de Projeto para o Desenvolvimento Sustentável Anexo III da Resolução n o 1 da CIMGC Contribuição da Atividade de Projeto para o Desenvolvimento Sustentável I Introdução A atividade de projeto do Projeto de MDL das Usinas Eólicas Seabra, Novo Horizonte

Leia mais

NOTA DE IMPRENSA. Embargado até 27/11/2007, às 10h (horário de Brasília) Aquecimento global vai ampliar as desigualdades na América Latina

NOTA DE IMPRENSA. Embargado até 27/11/2007, às 10h (horário de Brasília) Aquecimento global vai ampliar as desigualdades na América Latina NOTA DE IMPRENSA Embargado até 27/11/2007, às 10h (horário de Brasília) Aquecimento global vai ampliar as desigualdades na América Latina Relatório de desenvolvimento humano 2007/2008 estabelece o caminho

Leia mais

Aquecimento Global, Mudanças Climáticas e impactos no Brasil Jose A. Marengo CPTEC/INPE

Aquecimento Global, Mudanças Climáticas e impactos no Brasil Jose A. Marengo CPTEC/INPE Aquecimento Global, Mudanças Climáticas e impactos no Brasil Jose A. Marengo CPTEC/INPE Foreign & Commonwealth Office Desastre climático e midiático. Uma coisa é produzir dados, outra é torná-los inteligíveis

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos 1 de 5 27/04/2012 15:33 Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 12.187, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2009. Mensagem de veto. (Vide Decreto de 15 de setembro de 2010) Institui

Leia mais

Ministério das Relações Exteriores. Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima Washington, D.C., 30 de junho de 2015

Ministério das Relações Exteriores. Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima Washington, D.C., 30 de junho de 2015 Ministério das Relações Exteriores Assessoria de Imprensa do Gabinete Nota nº 259 30 de junho de 2015 Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima Washington, D.C., 30 de junho de 2015

Leia mais

INSTITUTO BRASIL SOLIDÁRIO INSTITUTO BRASIL SOLIDÁRIO. Programa de Desenvolvimento da Educação - PDE Programa de Desenvolvimento da Educação - PDE

INSTITUTO BRASIL SOLIDÁRIO INSTITUTO BRASIL SOLIDÁRIO. Programa de Desenvolvimento da Educação - PDE Programa de Desenvolvimento da Educação - PDE INSTITUTO BRASIL SOLIDÁRIO Mudanças Climáticas Rodrigo Valle Cezar O que é o Clima O clima compreende os diversos fenômenos que ocorrem na atmosfera da Terra. Atmosfera é a região gasosa que envolve toda

Leia mais

Posição da indústria química brasileira em relação ao tema de mudança climática

Posição da indústria química brasileira em relação ao tema de mudança climática Posição da indústria química brasileira em relação ao tema de mudança climática A Abiquim e suas ações de mitigação das mudanças climáticas As empresas químicas associadas à Abiquim, que representam cerca

Leia mais

Protocolo de Quioto e MDL: Breve Introdução Histórico-Jurídica ao tema

Protocolo de Quioto e MDL: Breve Introdução Histórico-Jurídica ao tema De Rosa, Siqueira, Almeida, Mello, Barros Barreto e Advogados Associados Protocolo de Quioto e MDL: Breve Introdução Histórico-Jurídica ao tema EMBRAPA - Jaguariúna, 18.08.2003 1 Background... (Conferência

Leia mais

O DIREITO AMBIENTAL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O MERCADO DE CARBONO

O DIREITO AMBIENTAL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O MERCADO DE CARBONO O DIREITO AMBIENTAL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O MERCADO DE CARBONO UNESP-S.J do Rio Preto RAFAEL AZEREDO DE OLIVEIRA Mudanças Climáticas e Aquecimento Global FORMAÇÃO DO IPCC Criado pela ONU Organização

Leia mais

POLITICAS PARA AS MUDANÇAS CLIMATICAS

POLITICAS PARA AS MUDANÇAS CLIMATICAS IV FORUM DA TERRA POLITICAS PARA AS MUDANÇAS CLIMATICAS Denise de Mattos Gaudard SABER GLOBAL / IIDEL FIRJAN Rio de Janeiro Novembro 2011 O QUE ESTA ACONTECENDO COM NOSSO PLANETA? Demanda de Consumo de

Leia mais

Introdução a Mercados de Carbono. Ben Vitale Brasília, Brasil Maio 2008

Introdução a Mercados de Carbono. Ben Vitale Brasília, Brasil Maio 2008 Introdução a Mercados de Carbono Ben Vitale Brasília, Brasil Maio 2008 Resumo da apresentação 1. Comércio de emissões - conhecimento básico 2. Tipos de crédito de carbono 3. Conectando compradores e vendedores

Leia mais

PROJETO DE LEI. III - emissões: liberação de gases de efeito estufa ou seus precursores na atmosfera numa área específica e num período determinado;

PROJETO DE LEI. III - emissões: liberação de gases de efeito estufa ou seus precursores na atmosfera numa área específica e num período determinado; PROJETO DE LEI Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima e dá outras providências. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1 o Esta Lei institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, fixa seus

Leia mais

COMPRAS PÚBLICAS E O PLANO DE AÇÃO PARA PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEIS 6o Fórum da A3P Brasília, 10 de novembro de 2011

COMPRAS PÚBLICAS E O PLANO DE AÇÃO PARA PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEIS 6o Fórum da A3P Brasília, 10 de novembro de 2011 COMPRAS PÚBLICAS E O PLANO DE AÇÃO PARA PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEIS 6o Fórum da A3P Brasília, 10 de novembro de 2011 Ministério do Meio Ambiente Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania

Leia mais

A Importância da Elaboração dos Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa nas Capitais Brasileiras

A Importância da Elaboração dos Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa nas Capitais Brasileiras A Importância da Elaboração dos Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa nas Capitais Brasileiras Emilio Lèbre La Rovere Coordenador, CentroClima/LIMA/PPE/COPPE/UFRJ 2º Encontro dos Secretários

Leia mais

Inventário de Emissão de Gases de Efeito Estufa

Inventário de Emissão de Gases de Efeito Estufa Inventário de de Gases de Efeito Estufa Projeto Coral Vivo Priscila G. C. Sette Moreira CREA 49.354/D Inventário de de Gases de Efeito Estufa 1 Introduça o A variação do clima é um fenômeno natural que

Leia mais

Participação dos Setores Socioeconômicos nas Emissões Totais do Setor Energia

Participação dos Setores Socioeconômicos nas Emissões Totais do Setor Energia INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ANO BASE 2005 O Governo do Estado, por meio da Fundação Estadual de Meio Ambiente FEAM, entidade da Secretaria Estadual de Meio

Leia mais

Visão. Brasil precisa inovar mais em tecnologias de redução de emissões de carbono. do Desenvolvimento. nº 97 4 ago 2011

Visão. Brasil precisa inovar mais em tecnologias de redução de emissões de carbono. do Desenvolvimento. nº 97 4 ago 2011 Visão do Desenvolvimento nº 97 4 ago 2011 Brasil precisa inovar mais em tecnologias de redução de emissões de carbono Por André Albuquerque Sant Anna (APE) e Frederico Costa Carvalho (AMA) Economistas

Leia mais

AQUECIMENTO GLOBAL: ATÉ ONDE É ALARMANTE? Angela Maria Magosso Takayanagui Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto USP 2015

AQUECIMENTO GLOBAL: ATÉ ONDE É ALARMANTE? Angela Maria Magosso Takayanagui Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto USP 2015 AQUECIMENTO GLOBAL: ATÉ ONDE É ALARMANTE? Angela Maria Magosso Takayanagui Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto USP 2015 Principais Questões Ambientais - Séc. XXI Superaquecimento da Terra Extinção da

Leia mais

O que é o mercado de carbono e como ele opera no Brasil?

O que é o mercado de carbono e como ele opera no Brasil? O que é o mercado de carbono e como ele opera no Brasil? Fernando B. Meneguin 1 O crédito de carbono é um certificado eletrônico que é emitido quando há diminuição de emissão de gases que provocam o efeito

Leia mais

Fundado em 2003, o Instituto Totum conta com profissionais com grande experiência e altamente qualificados em projetos de créditos de carbono.

Fundado em 2003, o Instituto Totum conta com profissionais com grande experiência e altamente qualificados em projetos de créditos de carbono. Fundado em 2003, o Instituto Totum conta com profissionais com grande experiência e altamente qualificados em projetos de créditos de carbono. Os serviços envolvem uma ampla faixa de consultoria, desde

Leia mais

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O PROTOCOLO DE QUIOTO: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA E APLICABILIDADE DOS MECANISMOS DE DESENVOLVIMENTO LIMPO

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O PROTOCOLO DE QUIOTO: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA E APLICABILIDADE DOS MECANISMOS DE DESENVOLVIMENTO LIMPO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O PROTOCOLO DE QUIOTO: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA E APLICABILIDADE DOS MECANISMOS DE DESENVOLVIMENTO LIMPO Letícia Hoppe Ms. Economia do Desenvolvimento Síntese do Mini curso

Leia mais

MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE Sustentabilidade significa permanecer vivo. Somos mais de 7 bilhões de habitantes e chegaremos a 9 bilhões em 2050, segundo a ONU. O ambiente tem limites e é preciso fazer

Leia mais

O USO DA BIODIVERSIDADE COMO PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

O USO DA BIODIVERSIDADE COMO PRESERVAÇÃO AMBIENTAL O USO DA BIODIVERSIDADE COMO PRESERVAÇÃO AMBIENTAL Stefani de Souza Patricia de Freitas Co-autor - Prof. MSc. Cristian Coelho Silva cristian_coelho@yahoo.com.br luscheuer@hotmail.com Palavras-chave: sustentabilidade,

Leia mais

NOSSA ASPIRAÇÃO JUNHO/2015. Visão Somos uma coalizão formada por associações

NOSSA ASPIRAÇÃO JUNHO/2015. Visão Somos uma coalizão formada por associações JUNHO/2015 NOSSA ASPIRAÇÃO Visão Somos uma coalizão formada por associações empresariais, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduos interessados em contribuir para a promoção de uma nova economia

Leia mais

Veja algumas das principais observações

Veja algumas das principais observações MUDANÇAS CLIMÁTICAS ANTÁRTICAS E O MEIO AMBIENTE Principais conclusões do Grupo de Especialistas do Scientific Committee on Antarctic Research (versão completa da publicação em http://www.scar.org/publications/occasionals/acce_25_nov_2009.pdf)

Leia mais

Mineração e Sustentabilidade Ambiental. Ricardo Santana Biólogo, MSc

Mineração e Sustentabilidade Ambiental. Ricardo Santana Biólogo, MSc Mineração e Sustentabilidade Ambiental Ricardo Santana Biólogo, MSc Itinga, setembro de 2010 Itinga Mineração - Missão Transformar recursos minerais em riquezas e desenvolvimento sustentável Para nossos

Leia mais

Critérios de Sustentabilidade para Projetos de MDL no Brasil

Critérios de Sustentabilidade para Projetos de MDL no Brasil Critérios de Sustentabilidade para Projetos de MDL no Brasil Adaptado de Paper escrito por Silvia Llosa para o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e o Observatório do Clima I - Objetivos

Leia mais

Aula 16 DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO

Aula 16 DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO Aula 16 DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO I Ocorre de maneira natural; Atividade humana; Década de 1970 preocupação com a biodiversidade e poluição; Esforço global... Substituir civilização

Leia mais

Inventários e monitoramento das emissões e remoções de GEE. Gustavo Luedemann Coordenação-Geral de Mudanças Globais de Clima

Inventários e monitoramento das emissões e remoções de GEE. Gustavo Luedemann Coordenação-Geral de Mudanças Globais de Clima Inventários e monitoramento das emissões e remoções de GEE Gustavo Luedemann Coordenação-Geral de Mudanças Globais de Clima HISTÓRICO UNFCCC IPCC Comunicação Nacional do Brasil Política Nacional sobre

Leia mais