PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA GABINETE DO DESEMBARGADOR JOSÉ RICARDO PORTO

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1 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA GABINETE DO DESEMBARGADOR JOSÉ RICARDO PORTO DECISÃO MONOCRÁTICA APELAÇÃO CÍVEL N /001 Campina Grande Relator : Des. José Ricardo Porto. Apelante : Bompreço Supermercado do Nordeste SIA. Advogados : Veruska Maciel e outro. Apelada : Clenia Vanise Nunes de Oliveira. Advogados : Patrícia Araújo Nunes e outro. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE RETIRADA DO LACRE DE SEGURANÇA. DISPARO DE ALARME ANTIFURTO. PROCEDÊNCIA DA AÇÃO. CONSTRANGIMENTO A CLIENTE HONESTO. RAZOABILIDADE NO VALOR ARBITRADO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. NEGATIVA DE SEGUIMENTO AO RECURSO. - Fere a honra do cidadão honesto o constrangimento indevido por suposta prática de ato delituoso, quando o dispositivo antifurto de estabelecimento comercial é injustificadamente disparado. - O valor da indenização por danos morais não deve sofrer modificação quando arbitrado com razoabilidade pelo juiz a quo. - "Na fixação da indenização por danos morais, recomendável que o arbitramento seja feito com moderação, proporcionalmente ao grau de culpa e ao nível sócio econômico das partes. - O Superior Tribunal de Justiça, por essa razão, consolidou entendimento no sentido de que a revisão do valor da indenização somente é possível quando exorbitante ou insignificante a importância arbitrada, em flagrante violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade." (TJPB, Apelação Cível n , Rel.: Des. Saulo Henriques de Sá e Benevides, D.J.: 13/05/2010, 3.a Câmara eive» VISTO S. Clenia Vanise Nunes de Oliveira ingressou com Ação de Indenização por Danos Morais contra o Bompreço Supermercado do Nordeste S/A, requerendo, em síntese, a condenação da demandada em danos morais ocorridos em razão do disparo de alarme antifurto, no momento em que se retirava do estabelecimento com suas mercadorias.

2 Alega que, no dia 11 de outubro de 2007, efetuou compras junto a empresa promovida e ao passar pelos detectores de seguranças, foi surpreendida por um aviso sonoro do alarme, vindo a ter suas sacolas,revistadas, chamando a atenção dos presentes. Constatou-se que a operadora de caixa não havia retirado o dispositivo de segurança de uma sandália honestamente adquirida. Informou que houve inegável ofensa à sua honra objetiva, tendo sua imagem publicamente denegrida, por falsa afirmação da reclamada, bem como aduz que foi desrespeitada sua intimidade ao ter suas bolsas inspecionadas. Às fls. 117/119, o juiz julgou procedente o pedido, condenando a requerida ao pagamento de indenização no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Custas e honorários pela parte promovida, sendo estes arbitrados em 15% (vinte por cento) do valor da condenação. Irresignado, o Bompreço apelou, fls. 121/142, sustentando que agiu no exercício regular de um direito reconhecido, não constituindo ato ilícito que ensejasse a pretensão indenizatória, não passando o ocorrido de mero aborrecimento. Ao final, requereu a total reforma do julgado ou a minoração do quantum arbitrado a título de ressarcimento extrapatrimonial. Contrarrazões (fls. 148/153). É o relatório. DECIDO Cuida-se de ação de indenização por danos morais, em razão de constrangimento sofrido pela parte autora, ora recorrida, que ao sair da loja vivenciou situação vexatória ao disparar o sinal sonoro, decorrente exclusivamente da imprudência da suplicante, uma vez que já havia pago todos os produtos adquiridos. Sustenta a recorrente que não restou comprovado a ofensa psiquica, uma vez que teria agido no exercício do seu legítimo direito de defesa contra furtos, não havendo qualquer conduta desrespeitosa à apelada. O entendimento jurisprudencial é categórico no sentido de que nos casos em que soaram falso alarme indicando furto de mercadorias do estabelecimento, o dano moral é presumido, ou seja, não há necessidade de prova da abordagem desrespeitosa, basta a ofendida comprovar que houve constrangimento ao ser vítima da atenção pública por negligência da funcionária da loja, o que ocorreu no caso em análise. A seguir destacamos trecho da sentença que conclui pela ilegalidade da conduta da apelante (fls. 118). "Sem motivo justificável a promovida provocou com sua atitude, situação vexatória, ensejando danos morais. Errou na prestação do serviço devendo arcar com ônus da responsabilidade. Caracterizada a falha na prestação do serviço pela promovida é de impor a indenização por danos morais." APELAÇÃO

3 Nesse sentido, já decidiu esta Corte de Justiça por reiteradas vezes: "APELAÇÃO dl/el - DANO MORAL. DISPARO DE ALARME ANTI- FURTO. CONSTRANGIMENTO A CLIENTE HONESTO. DEVER DE INDENIZAR. QUANTUM DEBEATUR. ADOÇÃO DE PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. DESPROVIMENTO DO RECURSO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. - Ofende a honra de cidadão honesto o constrangimento indevido por suposta prática de ato delituoso, se o dispositivo antifurto de estabelecimento comercial é injustificadamente disparado. - É devida a indenização por danos morais ao cliente de' estabelecimento comercial que, ao deixar suas dependências, em razão do acionamento injustificado de alarme anti-furtos, é abordado por segurança. - Para fixação do quantum indenizatório o julgador deve levar em conta, além da extensão da Tesão e da posição social e econômica das partes, o fato de que a indenização não pode ser ínfima a ponto de que nada represente para o ofensor, em termos de dissuadi-lo de outro igual atentado, nem, tampouco, ser elevada a ponto de proporcionar enriquecimento sem causa do ofendido." Grifo nosso. APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PRODUTO ADQUIRIDO EM ESTABELECIMENTO COMERCIAL. AUSÊNCIA DE RETIRADA DO LACRE DE SEGURANÇA. DISPARO DO ALARME ANTIFURTO. ABORDAGEM GROSSEIRA SEM AS CAUTELAS NECESSÁRIAS. DANO MORAL CARACTERIZADO E PASSÍVEL DE INDENIZAÇÃO. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DESPROVIMENTO. - Deixando o funcionário do estabelecimento comercial de retirar o lacre de segurança do produto adquirido, fato que ensejou o disparo do alarme antifurto, bem como, de ter imputado à consumidora possível prática de ilícito penal, resta sobejamente caracterizado o dano moral passível de indenização.' Grifo nosso APELAÇÃO dl/el. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. DISPARO DE ALARME NA PORTA DA LOJA. CONSTRANGIMENTO. CONFIGURAÇÃO. ARBITRA MENTO DA INDENIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. MINORAÇÃO DA MONTANTE INDENIZA TÓRIO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. - Provada a existência de falha no serviço, consistente no fato de não ter sido provada culpa da cliente no disparo do alarme, deve ser reconhecida a existência de constrangimento ilegal causado a consumidor, existindo o dever de reparar o dano moral decorrente. - O valor não poderá ser fixado em importância assaz exorbitante, que leve ao cometimento de enriquecimento ilícito, tendo em vista que o escopo maior da ação de reparação por danos morais é exatamente uma compensação, um consolo, sem mensurar a dor. 3 Grifo nosso Nesse diapasão, não restam dúvidas quanto à necessidade da reparação pecuniária c respondente ao constrangimento suportado pela promovente. 1 Apelação ave Rel. Juiz Conv. Marcos William de Oliveira DJPB Apelação Cível Rei Juiz Conv. Ricardo Vital de Almeida DJPB Apelação Cível O Rei Juiz Conv. Miguel de Britto Lyra Filho DJPB APELAÇÃO CÍVEL

4 Por outro lado, também não há que ser modificado o quantum arbitrado pelo juiz "a quo", eis que fixado de acordo com os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, igualmente levando em consideração a condição econômica das partes. Além disso, resguardou a função amenizatória para a lesada, e pedagógica para o causador do dano. A doutrina e a jurisprudência recomendam que para a fixação do valor da indenização por danos morais, deve o magistrado levar em conta um conjunto de fatores, como a condição social da vítima, a gravidade do dano, a natureza e a repercussão da ofensa, bem ainda proceder a um exame do grau de reprovabilidade da conduta do ofensor e de eventual contribuição do ofendido ao evento danoso. A razoabilidade deve servir ao julgador como "bússola" à mensuração do dano e sua reparação. A esse respeito: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PROTESTO DE TÍTULO. COMUNICAÇÃO PRÉVIA ENVIADA A ENDEREÇO ERRADO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. APELAÇÃO CÍVEL. MAJORAÇÃO DO MONTANTE INDENIZA TÓRIO. VALOR ADEQUADO. MANUTENÇAO. DESPROVIMENTO DO RECURSO. Respeitados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade na fixação do valor da condenação, e atendendo tal quantia às funções compensatória e punitiva, impõe-se a (desloque nosso) manutenção do montante indeniza tório arbitrado.' AÇÃO INDENIZA TÓRIA POR DANOS MORAIS -INSCRIÇÃO NO CADASTRO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO - DÍVIDA NÃO COMPROVADA - DANO MORAL RECONHECIDO - IRRESIGNAÇÃO DO PROMOVENTE -. QUANTUM INDENIZA TORIO -MAJORAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE -ARBITRAMENTO DE ACORDO COM OS PRINCÍPIOS DA RAZOABIL IDADE E PROPORCIONALIDADE -ELEVAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATíCIOS -NÃO CABIMENTO - CONFORMIDADE COM O ART. 20, 3 0 DO CPC - DESPROVIMENTO. - Na fixação da indenização por danos morais, recomendável que o arbitramento seja feito com moderação, proporcionalmente ao grau de culpa e ao nível sócio econômico das partes. - O Superior Tribunal de Justiça, por essa razão, consolidou entendimento no sentido de que a revisão do valor da indenização somente é possível quando exorbitante ou insignificante a importância arbitrada, em flagrante violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - A razoabilidade, aliada aos princípios da equidade e proporcionalidade, deve pautar o arbitramento dos honorários., A verba honorária deve representar um quantum que valore a dignidade do trabalho do advogado e não locupletamento ilícito. 5 (negritei) Pode-se concluir, destarte, que o juiz sentenciante analisou acuradamente o caso, quantificando o dano com moderação, diante da situação fática. 'Apelação Cível n /001, Rel(a): Maria das Graças Morais Guedes, Juiza Convocada para substituir a Des. (a) Maria Fátima Moraes Bezerra Cavalcanti, D.J.: 20/04/2009, la Câmara Cível. 5Apelação Cível n I079542OO1, Rel. DES. SAULO HENRIQUES DE SA E BENEVIDES, D.J.: 13/05/2010, 3.a Câmara Cível. APELAÇÃO CÍVEL 1V

5 .1 Nesses termos, compete ao relator, monocraticamente, conforme dispõe do art. 557 do Código de Processo Civil, obstar o processamento dos recursos manifestamente contrários a jurisprudência do respectivo Tribunal ou de Corte Superior, como forma de prestigiar os princípios da economia e celeridade processuais. Desse modo, NEGO SEGUIMENTO À APELAÇÃO CÍVEL. Publique-se. Intime-se. Cumpra-se. João Pessoa, 21 de janekrc de Desembargador JOS Relator O PORTO J/12 R/05 APELAÇÃO CÍVEL N'

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