Eduardo Roberto Junqueira Guirnaraes (POC- Campinas & Faculdades Integr~ das Santo Tanas de Aquino- Uberaba) 1- Definisrao de Litotes

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1 Eduardo Roberto Junqueira Guirnaraes (POC- Campinas & Faculdades Integr~ das Santo Tanas de Aquino- Uberaba) 1- Definisrao de Litotes Podem::>scbservar que 0 estudo das figuras tern side, caracteristicamente, descritivoo au seja, a preocupac;:ooe, no.rmal.irente, arrolar e definir as figuras. Isto e, descrever cada fato visto caro figura. Asslln ~ finiu-se t.arnb6n a litotes, caro sendo a figura que co.!! siste em dizer nenos para significar mais do que se di~ 2- A AbordagemConversacional 2.1- ConsideracrOesgerais Atual.Irente, uma abordagem que podemjs chamar de conversacional, para usar 0 tenro de Grice, tern indi cade a possibilidade de verern-se as figuras caro efeitos de sentide, interpretados de acordo cnn estas leis I que dirigem 0 a:mportairento lingtllstico I em relacrao cx::rn as situac;:oes Particulares de discurso. Cc:mJse sabe, e~ ta e uma posic;:aoque aborda 0 sentide de urnponto de vista intencional, ou seja, todo discurso e produzido cx::rnurnaintenc;:ao que 0 ouvinte procura depreender e, as

2 sim, encantra 0 sentido do IreSIIDo Grice (1975, po 71) d.3.alguns exemplos de cane sac produzidos efeitos de sentido (que ele chama irnplicaturas canversacionais) que tern sido chamadosde figuras 0 Por esta via Parece poder-se fazer, entao, urnest.l! do explicativo das figuras, ou seja, qual 0 Irecanism::> que as produz 0 Ducrot em Dire et ne pas Dire (1972) considera o problema dos efeitos de sentido no que ele charrouca.!! ponente retorica. Este elemento derivaria os diversos sentidos de urnenunciado a Partir de certas leis de di2., curso considerando-se suas si tua<;oesparticulares 0 A maneira ccm::>aborda 0 que se tern chamadc figuras e, no entanto, diversa da de Grice. Ele se caloca na posic;ao de quem fonnula leis especificas para as figuras que se quer explicar 0 Assim formula una lei de discurso que denanina litotes. Ducrot diz que a litotes "leva a interpretar urn enunciado cx:rrodizendo mais do que sua signifi~ao li teral" 0 Na verdade, quando se diz que a litotes "leva a interpretar 000 " fica urnvazioo Que lei e esta que "leva a interpretar "? Afinal, Ducrot nao fonnula a lei, ~ bora diga que esta seja sua fonnula!iaoo 0 que deverrosdi zer e que ha uma lei, nao fonnulada, que Ducrot chama de litotes, que leva a interpretar 0 sentido de urnenu!}, ciade c.c:irodizendo mais que seu sentide literal (que l~

3 va a uma.interpretar;ao Ii totica), Un outro aspecto a considerar na posir;ao Ducrot e que para ele a litotes seria 0 resultado da ar;ao desta lei, que ele charroude litotes, nuna situar;ao tal em que existam certas convenr;oessociais que l!:, verna interpretar;ao de acordo cerna lei de Ii totes. Entao, de acordo cern0 proprio Ducrot, ha oortas condir;oesgerais que estao presentes na interpretar;ao ca, mas que nao estao na lei da Ii totes. fonnular;ao da litotes leis tais de 1itOt! Seria interessante, tambem, observar caro a destoa. cernrelar;ao as outras duas fonnuladas por Ducrot. Para isso relent>remos aqui leis: a- lei da infonnatividade: "Charnarroslei da infonnati vidade umacondir;ao a qual esta submetida, por definir;ao, qualquer enunciar;ao que tenha por objetivo infonnar 0 ouvinte. Nao se pode, can efei to, alcanr;ar e~ se resultado a menos que 0 ouvinte desconher;a 0 fato que se The aponta" (Ducrot, 1977, p. 144). b- lei da exaustividade: "00. exige que 0 10 cutor de, sobre 0 terna de que fala, as inforrnar;oosmais fortes que possuir, e que sejam suscetiveis de interes sar 0 destinatario" (Ducrot, 1977, po 145)0 c- Litotes: "leva a interpretar urnemmciado cane dizendo mais do que sua significar;ao literal" (Ducrot, 1977, po 148). Nota-se, de inicio que a Ii totes e formulada

4 para urntipo de caso, enquanto que as duas pri.ireiras leis gerais sabre 0 canportairento linguisticoo Sac leis que dizem respei to a todas as enunciac;:ees0 Isto m::>s tra que ha, enta~, urndeslize t,earico de Ducrot, dando ao que chamoulei da litotes 0 rresmoestatuto que as outras duas leis 0 Esse cara:t.er Particularizador da formulac;:aoda Ii totes per Ducrot carrbina cxma considerac;:aoda li totces reo carro umalei, mas caro resultado da rela<;;ao de umalei em oontato can as s1tua<;;oesparticulares de dis Notarros, entao, que a maneira cano Ducrot tra ta a litotes apresenta problemas de tres ordens 0 19) Nao mega, de fate, a forroular a litotes 00 m::> lei, pois dizer que a Ii totes "leva a interpretar 0 0 0" e cane se ele estivesse dizendo que a litotes e umalei L i tal que leva a interpretar (a lei nao fica definida) 0 29) A pretensa lei deve contar can certas con di<i>es socials, que, estas siln, dirigem a interpretac;:ac litoticao 39) Ele formula 0 que seria a lei comolei ~ ticularizadora no oonjunto de leis gerais, deixando oo!!. sequenteroonte, corro valida, a hipetese de que cada fate considerado carro figura tern uma lei propria"

5 descartar tal posicrao porque: 19) Nao se trata, na verdade, de urnalei, ja que a propria fonnulac;ao de Ducrot desliza nessa que. ta~; 29) 0 que seria a lei da Ii totes e formulada CCIOC> lei. particularizadora no oonjunto de leis gerais sobre 0 CCl!p)rtamentoling(1istioo em geral; 39) Una posicrao explicativa deve fonnular urn ni3irerorestrito de leis sobre 0 carp:>rtamento linguist,!. co em geral que sejam capazes de explicar a infinidade de fatos que se e obrigado a abordar, ou seja, as dive, sas figuras devemser resul tado de urnni3m:!ropequeno de leis 0 Fonnular uma lei para cada figura e negar a poss.!. bilidade de se explicar 0 problema da variac;ao de senti doo Pelo que acabaridsde dizer, parece que a P sicrao entrevista em Grice Cleveser urncarninho a explo - rar no estudo das figuras. Tarem:>s,entao, sua formulacraodas leis conversacionais (rm.x:imas) e vejamos se ela e capaz de explicar a litotes tal ccm:> se sugeriu para outras figuras (Grice, 1975, po 71) 0 Assirn podemos ver tal sol~ao CXII10 generalizadora e explicativa, e nao, meramente, taxioncmica e descritiva. Leis Conversacionais: a- principios de Cooperac;ao: "Facrasua C'.oll

6 tribuis;:a.o oonversacional tal cx:m:> e requerida, no es~ gio ernque ela ocorre, pelo proposito acei to ou dire~ao da troca de fala na qual esta engajado" (po 67) 0 b- Lei da Quantidade: bol- "Fas;:asua contribui~ ta~ infonnativa quanta requerida (pelos pr0p5sitos presentes da troca) " b a 2- e possi velmante "nao fac;;:asua contri - buis;:aomais infonnativa que 0 requerldo" (po 67) c c- Lei da Qualidade: "procure fazer uma contribuis;:ao que seja verdadeira" col- "Nao diga 0 que voce acredita falso" 0 c.2- "Nao diga aquilo Para 0 qual voce precisa de evio.encia adequada ll (p0 67). d- Lei da Relas;:ao~"Seja re1evante" (po 67) 0 e- lei do rrodo: "Nao diz respeito ao que e di to (caro as categorias anteriores), mas, antes, caw 0 que e duo Cleveser dito" 0 e.l- Seja perspicuo (claro, mtido, lucido, breve, ordenado) II uma Exp1ica.<;:aoPossivel Conside:rareIIDsque 0 Quvinte e guiado na sua intel:pretas;:oo dos di versos enunciados pelas leis conver sacionais 0 Ele interpreta urnenunciado figuradamente quando ve, no loc:ut,or, 0 desrespeito, intencional, a urnadas leis.

7 Dirercos, entao, inicialrrente, que a Ii totes e urnefei to de sentido resul tante do desrespei to a lei da quantidade 0 0 ouvinte interpreta urnenunciado Ii toti carcente se reconhece no locutor 0 desrespeito a tal lel no dizendo Tarerros agora dois enlidciados. lac Seu fitho nao e inteligente. lb:- Seu filho nao e nada inteligente. Os dois enunciados podemser interpretados c 1'. - Seu fitho e retardado. Podemosdizer que ~ tern caro sentido lite teligente/ SuponhaIrosumasit~ao tal caro Sl: Sl: Una mae (x) c::onversacan outra (y).ambas consideram seus fithos ccm::>os nelhores do mundo, e sa hem as opinioes uma.da outra. EmSl' ao dizer lac ou lb., a mae estara di zenda, exp1icitarnente, rrenos do que de fato quereria d! zero E a mae (y) entendera lac e lb. caro dizendo 0 pior scbre seu fillio.

8 cio: lao pede ser interpretado, ern outras situa~s,s~ plesment.e 9 cx::m::> negando a int~ligencia, mas sem afir ~ roar 0 retardamentoo No entanto, isto nao acontere can 1b0' que sera sempre vista oaro afinnando 0 re'ta-xdam:mtoo Mas ist-e nao parece empecilho a que considererros 0 efeito litotico C<m) resultante da existencia de certas leis COIOC:l as que aciroa colocarros a o ouvinte interpreta. litoticarrente urn enunciado, cano ja disset!1os, ql1.andove desrespei to a lei. quantidadeo Assim inte:rpreta lao cano la~ se a relaetao da guant.idade can a situa.c;ao part,icular da 0 leva a pensar que 0 locutor;' des:respei tou tal lei 0 Assim jnr.erpret;a 0 enunciado caw dizendo mais do que fol di to explici~ teo Para 0 caso de lb 0' podenos dizer que ha cerms elerrentos na propria sintaxe de urnpnunciado que leva 0 ouvint~ a ver 0 desrespei to a \mjalei, neste ca so, a da quantidade, e, desta for.ma, ele inter.preta 0 enunciado pelo sentido figurado resultante de tal desres pei to, e nao pelo sentido literal 0 Poderros ver, t.airibem, que a rresma fun<;:ao que tern 0 ~ em ~ pede ser exereida par uma a=rta enton~ao (E l ) 0 Assim Ie '.~l)(e ~ ~ seu'. f'lh 10 0 nao ~ e~, m,.blgen ~ l' te sera entendido, necessariamant.e, cano afinnando 0 retar darrento da crian9aa Entao, tal entona9ao deve ser t.r.at~ da CcmJ 0 nadao Assim a enrona9ao E l e vista pelo ouv41

9 te caoo indicando que ele deve interpretar 0 enunciado a:m:.:> desrespei tando a lei da quantidade 0 Pelo que dissemos, podeiros afi!:mar que a litotes e uma figura que consiste em clizer rrenos do que reaj.irente se quer dizer 0 E a interpretac;ao do ~is e explicada pelas leis que dirigem 0 ccmportairento lingflistico em geral (leis conversacionais) 0 Especificando nethor, 0 ouvinte intexpreta. 0 enunciado cane dizendo ~ pois, ou a situa~ao, ou umarnarca sintatica gua!. quer, ou umarnarca entnnacional 0 leva a considerar que o locutor desrespei tou a lei da quantidade 0 Ha, no entanto, urnoutro problema a enfrent.ar 0 Tanem::>s os enunciados tos e certos prancos c 2a. CE;rt.DSpretos nao sac inteligentes 2bc Certos brancos nao sac inteligentes Obs: nossa at-en~ao agora e scb~e certos pr~ 2ao pede ser interpretado litoticamente c::aoc> 2a'~ Todos os pretos nao sac inteligentes de que, por exerrplo, 0 ouvinte da 2ao des sailia que seu locutor (urnbranco) e racistao No entanto, interpreta~ao semelhante nao parece ser possi vel para 2bc, nesmo que seu locutor seja urnnegro racista. Un enunciado cx:m::> ~ tern aparencia de afinna~ao baseada em observa~oes estatisticas. E podem::>s ver que isto nao e urnproblema so

10 da Ii totes 0 Observe-se que 3ao Todo preto e burro, embora nao respei te a lei da qualidade, pede ser di to e e interpretado caro umahipemole, enquant.o que 3b0 Todo branoo e burro e inacei tavel em qualquer si tua~o, pois nao pede ser vista CaID hiperboleo o problema para nos e que nao vernoscano <Jar as leis conversacionais capacidade explicati va sabre e., tes fatos 0 E nao se trata t.amt>emde certos trac;;:ossinta ticos ou entonacionais que rrostram a necessidade de se ver desrespei to a uma certa lel Considerarerros que ha na linguagem 0 que chamarerrosaqui certos trac;;:osideolo gicos que devem ser, tarrlbsn, ronsiderados no estudo das figuraso PodeIros concluir que uma abordagem oonversaci2, nal (logo intencional, nao formal) parece urn caminho poss! vel para ex:plicar, e nao siroplesrrente descrever, a litotes e por extensao as figuras em geral poclemjs di zer, cluir tarnl:>t?m, que a explicac;:ao de tais fenanenos deve i!!, a considerac;:ao do que chamanos trac;;:osideologioos:, E ooncluir mais: nao se pede, entao, estudar a lin~ gem sem considerar tais tra<;oso Resta, no entanto,o pr blema de caro enfrentar e tratar estes aspectos ideolo gicos 0

11 De outro lado, pu.clerrosver ca:ro as leis CO!!, versacionais podemexplicar fencrnenossintaticos e ent2 nacionaiso Mas 0 que aqui dissemjs nao e mais que 0 es bo<;:ode urntrabalho que deve ver a Ii totes entre as cli versas figuras e estas no conjunto da construc;rao geral de uma gramatica: fonologia (entonac;rao), sintaxe, seman tica (tratada do ponto de vista intencional) que preci sa alargar-se para inclulr aspectos ideologicos c Ducrot, 00 - Dire et ne pas Dire c Paris, Hermann, 1972 (Trad\J9aobrasi1eira: PrincIplos de semant.ica Ldngtllsticao Sao Paulo, Cultrix, 1977)c Grice, HoPe- "Logic and COnversation" 0 The Logic of Grarrmare California, Dickenson Publishing canpany -, 1975, po xx 8eminario do GEL Bauru, 1978

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