Pedologia. Antonio Soares da Silva

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1 Pedologia Antonio Soares da Silva

2 Origem da descrição dos solos Importância: Alimentação Sustentação das florestas Armazenamento da água da chuva Fornecimento de materiais

3 Origem da descrição dos solos Objetivo da ciência Pedologia: Estudar os solos considerando sua constituição, sua origem, sua morfologia, suas classificações e seus mapas, formando base para as indicações do seu melhor uso, dentro dos princípios da proteção ambiental.

4 Origem da descrição dos solos Estudos relacionados: Erosão e conservação dos solos;

5 Origem da descrição dos solos Profissionais que lidam com a ciência do solo: Agrônomos; Geólogos; Geomorfólogos; Geógrafos; Biólogos; Engenheiros e outros profissionais.

6 O Solo Homens primitivos: Confecção de objetos; Pigmentos para pinturas; Suporte para os vegetais que eram coletados.

7 O Solo A partir de anos atrás: Agricultura (terras mais produtivas) Solos mais improdutivos eram abandonados Grandes civilizações: Tigres e Eufrates (Mesopotâmia, atual Síria e Iraque); Nilo (Egito); Planície Indo-Gangética (Índia, Paquistão e Bangladesh).

8 Tigres e Eufrates

9 Nilo

10 Planície Indo-Gangética

11 A Pedologia Moderna Dokouchaiev: A diversidade de solos era motivada pelas diferenças no clima; Identificação de camadas do solo (horizontes); Estabelecimento das bases da pedologia moderna.

12 A Pedologia e Ciência do Solo Edafologia desenvolvimento dos vegetais (agronomia) Subdivisões: Fertilidade; Química; Física; Microbiologia; Manejo Agrícola, etc.

13 A Pedologia e Ciência do Solo Pedologia: Estudo do conceito total do solo; Estudo da pedogênese; Solo como um corpo dinâmico

14 A Pedologia e Ciência do Solo Funções do solo: Geólogo: ciclo de evolução das rochas; Eng. de Minas: material solto que recobre os minérios; Eng. civil: matéria-prima e suporte para construções; Químicos: análise dos constituintes; Ecólogos: ambiente condicionado e condicionador de organismos; Arqueólogo: guarda as marcas do passado

15 A Pedologia e Ciência do Solo Para o pedólogo: Coleção de corpos naturais dinâmicos, que contém matéria viva e é resultante da ação do clima e da biosfera sobre a rocha, cuja transformação se processa em certo intervalo de tempo e é influenciada pelo relevo.

16 A Pedologia e Ciência do Solo Funções ecológicas: Suporte para os vegetais; Filtragem da água da infiltração; Fornecimento de nutrientes; Macronutrientes: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre; Micronutrientes: boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio, níquel, cobalto e zinco.

17 Os processos de formação dos solos Rocha intemperismo (físico e químico) Regolito pedogênese e formação dos solos Intemperismo físico fragmentação mecânica das rochas (variação de temperatura, alívio de tensão, vegetais, etc.) Intemperismo químico ação da água e gases dissolvidos (e temperatura) produção de minerais secundários Reações químicas Hidrólise ataque, pela acidez da água, nas estruturas dos minerais

18 Os processos de formação dos solos Intemperismo químico Reações químicas Oxidação desintegração de minerais com ferro mais solúvel (Fe 2+ ) e móvel, transformando em óxidos pouco solúveis Redução o oposto da oxidação; o ferro menos solúvel é dissolvido Solubilização dissolução completa dos elementos solúveis dos minerais Liberação de bases (sódio, potássio, cálcio e magnésio) que ficam adsorvidas, por ligações fracas, às superfícies dos minerais secundários

19 Os Horizontes do solo Estudo do solo através de perfis Perfis organizados através de camadas sobrepostas de aspecto e constituição distintas, denominadas de HORIZONTES

20 Os Horizontes do solo Horizontes principais: O horizonte ou camada orgânica superficial (litter) H horizonte ou camada orgânica superficial ou não em condições de encharcamento (várzeas, brejos, turfas) A horizonte mineral de superficial ou sob horizonte O ou H E horizonte mineral de perda de argila e/ou ferro, alumínio, matéria orgânica; álbico; iluvial

21 Os Horizontes do solo Horizontes principais: B: características horizonte mineral superficial; Transformações (alteração e decomposição do material de origem) e ganhos Neoformação de argilas silicatadas e produção de óxidos Cores brunadas Ação coloidal aglutinando o material mineral decomposto, formando estrutura Pode haver iluviação (argila, óxidos e matéria orgânica) Posição mais protegida Valor diagnóstico

22 Os Horizontes do solo Horizontes principais: C material inconsolidado sob o solum; pouco afetado pelos processos pedogenéticos; e presença de litorrelíquias F ocorre sob A, E ou B, rico em ferro e/ou alumínio com endurecimento irreversível; acúmulo de óxidos de ferro e ou alumínio R substrato rochoso, embasamento ou rocha sã.

23 Os Horizontes do solo

24 Os Horizontes do solo

25 Descrição e estudo dos solos

26 Morfologia do solo Estudo da anatomia do solo: feita a olho nu, no campo. Características morfológicas observadas em campo: Cor Textura Estrutura Consistência Espessura dos horizontes Utilização de manuais para padronização das descrições feitas em campo

27 Morfologia do solo: cor Principal característica de distinção do solo Geralmente escura no topo, tornando-se mais clara em profundidade Varia em função da presença de certos constituintes no solo Matéria orgânica solos mais escuros Ferro oxidado vermelho Ferro hidratado amarelo (solos mal drenados e/ou elevados teores de alumínio) Carbonato de cálcio esbranquiçado ou cinzento Drenagem imperfeita mosqueamento

28 Morfologia do solo: cor

29 Morfologia do solo: cor

30 Morfologia do solo: cor Tabela de cores (Tabela de Münsell) Organização da Tabela de Münsell Matiz cor pura ou fundamental, determinada pelos comprimentos da onda da luz, refletida pela amostra (vermelho, amarelo, etc.) Valor medida do grau de claridade da luz ou tons de cinza (entre o preto e o branco); varia de 0 (preto absoluto) a 10 (branco puro) Croma proporção da cor fundamental com a tonalidade de cinza, também variando de 0 a 10 Matizes utilizados: R (Red=vermelho) 100%; Y (Yellow=amarelo) 100%; YR (Yellow-Red=vermelho-amarelo), mistura das duas cores

31 Morfologia do solo: cor Exemplo: 10R 3/4 = vermelho escuro 10R significa matiz fundamental na cor vermelha 3/4 significa que o valor 3 está misturado em 3 partes de preto e 7 partes de branco; e o croma 4 indica que o cinza contribui com 6 partes e o vermelho com 4 partes

32 Morfologia do solo: textura Distribuição quantitativa das partículas que compõe o solo (utilizase as partículas com diâmetro inferior a 2 mm) Fração Areia grossa Areia fina Silte Argila Diâmetro 2mm - 0,2mm 0,2mm - 0,05mm 0,05mm -,002mm < 0,002mm Silte + areia fração grosseira circulação rápida de água Argila troca catiônica (adsorção de cátions)

33 Morfologia do solo: textura Classificação granulométrica (textura do solo) é a proporção das frações do solo (areia, silte e argila) Variação dos diferentes percentuais diferem os diversos tipos de textura (arenosa, franco arenosa, siltosa, franco-siltosa, franco, argilosa, etc.) Textura fina dominância de partículas pequenas (argila) Textura grossa dominância de partículas grossas (areia)

34 Morfologia do solo: textura (triângulo simplificado)

35 Morfologia do solo: textura Solos arenosos em geral soltos e de baixa resistência a penetração das raízes Elevada diferenciação entre os horizontes A e B maior risco à erosão Solos com textura fina Em geral maior produtividade que os solos arenosos Maior capacidade de retenção de umidade Se apresentam baixa aeração, possuem menor produtividade Se apresentam boa agregação e grandes espaços porosos, possuem maior produtividade A textura auxilia na definição da suscetibilidade à erosão

36 Morfologia do solo: estrutura Estrutura é forma como se organizam as partículas elementares do solo Determina a permeabilidade da água, a resistência à erosão e as condições de desenvolvimento das raízes e plantas É classificada de acordo com a forma, o tamanho e o grau de desenvolvimento das unidade estruturais Forma: laminar, prismática, em blocos (poliédrica), granular e grumosa Tamanho: muito pequena, pequena, média, grande e muito grande Grau: é determinado com base na adesão, coesão e estabilidade dos agregados

37 Morfologia do solo: estrutura Tipos de estrutura presente no solo

38 Morfologia do solo: estrutura Pode ser modificada pelas práticas de manejo, tais como trabalho mecânico, redução do teor de matéria orgânica, drenagens, rotação de cultura, etc Boa estrutura: espaços porosos bastante volumosos Estabilidade dos agregados: permite maior infiltração e maior resistência à erosão Descontinuidades estruturais: horizontes B com estrutura adensada apresentam problemas de absorção de água

39 Morfologia do solo: estrutura agregados arredondados circulação mais rápida de ar, água e vida animal e vegetal agregados angulosos mais compactos e menor circulação de ar e água agregados laminares impedimento à circulação vertical de água

40 Solos: estrutura (2) O horizonte pardo com microagregados

41 Morfologia do solo: estrutura sem agregados estruturas contínuas particular grãos soltos não existe aderência entre as partículas maciça partículas cimentadas sem formar agregados (áreas deprimidas)

42 Morfologia do solo: estrutura Estrutura particular Estrutura maciça

43 Morfologia do solo: consistência Correlacionada com o grau de adesão das partículas de areia, silte e argila A consistência varia em função da textura, estrutura, agentes cimentantes, teor de umidade, etc. É determinada em três estados: Molhado: para estimar a plasticidade e pegajosidade Úmido: para estimar a friabilidade Seco: para estimar a dureza ou tenacidade

44 Morfologia do solo: consistência Molhado: Não plástico; ligeiramente plástico; plástico, muito plástico; Não pegajoso, ligeiramente pegajoso, pegajoso, muito pegajoso; Úmido: Friável: se desfaz com leve pressão; Firme: se desfaz com pressão moderada; Muito firme: dificilmente esmagável entre o indicador e o polegar Seco: Solto: completamente incoerente; Macio: quebra-se facilmente em grãos soltos sob leve pressão das mãos; Ligeiramente duro: necessita de forte pressão do polegar e do indicador; Muito duro: só pode ser quebrado com as mãos; Extremamente duro: não se consegue quebrar com as mãos

45 Morfologia do solo: outros características São anotadas informações sobre o perfil de solo: Nódulos endurecidos e concreções (normalmente óxidos de ferro) Cerosidade: películas de argila revestindo os agregados Espessura e nitidez: contraste da transição entre os horizontes

46 Morfologia do solo: identificação dos horizontes Exame feito na face exposta do perfil de solo Transição dos horizontes: Abrupta: faixa de transição inferior a 2,5 cm Clara: entre 2,5 e 6,5 cm Gradual ou difusa: maior que 6,5 cm São anotadas também informações sobre a paisagem Inclinação do terreno, vegetação natural, uso do solo, ocorrência de pedras da superfície, grau de erosão e drenagem do local

47 Morfologia do solo: identificação dos horizontes Pontos de observação: Trincheiras Cortes de morro (devem ser limpos) Trado (limitação das observações, pois destrói algumas características morfológicas)

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