O Regime Jurídico de algumas medidas de segurança - Implicações Práticas -

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1 Lisboa, O Regime Jurídico de algumas medidas de segurança - Implicações Práticas -

2 Enquadramento, Conceitos & Formalidades 2

3 Enquadramento Algumas medidas de segurança envolvem o tratamento de dados pessoais Videovigilância de edifícios/locais (Outras) formas de controlo de acessos a edifícios/locais Sistemas de localização Controlo das comunicações electrónicas 3

4 Enquadramento As medidas de segurança podem ser consideradas no contexto da : Segurança individual dos cidadãos Segurança pública Segurança interna Regime específico (em particular Lei da Segurança Interna ) 4

5 Enquadramento Enquadramento Legal Artigo 35º da Constituição Directiva 95/46/CE Lei n.º 67/98 (Lei de Protecção de Dados Pessoais LPDP) Lei n.º 41/2004 (Sector das Comunicações Electrónicas) Deliberações da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) Legislação específica de Segurança (em particular o DL 35/2004) 5

6 Conceitos O que são Dados Pessoais? Todo ou qualquer tipo de informação em qualquer tipo de suporte (e.g. informático, papel, som, imagem) Referente a uma pessoa singular (titular dos dados) Identificada ou Identificável e.g. nome, morada, endereço electrónico, fotografias, etc. e.g. n.º do BI, endereço IP (Internet Protocol), etc. 6

7 Conceitos O que é o tratamento de dados pessoais? Qualquer tipo de operação que incida sobre dados pessoais utilizando ou não meios automatizados Recolha, registo, organização, conservação, adaptação, alteração, recuperação, consulta, utilização, comunicação por transmissão, difusão ou qualquer outra forma de colocação à disposição, com comparação ou interconexão, bloqueio, apagamento ou destruição 7

8 Formalidades O tipo de dados determina as formalidades a cumprir Dados Não Sensíveis Dados Sensíveis Saúde, vida privada, vida sexual, origem racial, étnica, etc. Consentimento Notificação prévia à CNPD Regra: proibição Excepção: disposição legal ou autorização prévia da CNPD Isenções de notificação Medidas especiais de segurança Interesse público importante/ autorização do titular 8

9 Formalidades Algumas excepções à regra do consentimento relevantes em matéria de segurança Dados Não Sensíveis Dados Sensíveis Execução de missão de interesse publico ou exercício de autoridade pública Prossecução de interesses legítimos do responsável, desde que não devam prevalecer os interesses ou os direitos, liberdades e garantias do titular dos dados Quando por motivos de interesse público o tratamento for indispensável ao exercício das atribuições legais ou estatutárias do responsável MAS Carece de disposição legal específica ou autorização da CNPD Têm que ser dadas determinadas garantias 9

10 Conceitos Sempre que as medidas de segurança envolvam o tratamento de dados relativos a uma pessoa identificada ou identificável estão sujeitas ao regime jurídico da protecção de dados pessoais Tratamento Prestadores de serviços de segurança Obrigações Empresas que pretendem implementar medidas de segurança 10

11 Responsável pelo tratamento & subcontratante - obrigações - 11

12 Responsável & Subcontratante Quem é o responsável pelo tratamento? Qualquer pessoa, singular ou colectiva, que individualmente ou em conjunto com outrem determine as finalidades e os meios de tratamento dos dados pessoais 12

13 Responsável & Subcontratante O que deve assegurar antes da recolha? Obrigação de informação ao titular Identificação do responsável pelo tratamento Identificação das finalidades do tratamento Identificação dos destinatários dos dados Carácter obrigatório ou facultativo da resposta Existência de direitos de acesso, rectificação ou eliminação Outras eventualmente necessárias Obrigação de notificação prévia (ou obtenção de autorização) à CNPD 13

14 Responsável & Subcontratante Durante quanto tempo pode conservar os dados? Regra: Apenas podem ser conservados pelo período necessário à prossecução das finalidades da recolha Deliberações/Recomendações da CNPD 14

15 Responsável & Subcontratante empresas de segurança privada actuam como responsáveis pelo tratamento ou como subcontratantes? As Pessoa singular ou colectiva, autoridade pública, o serviço ou qualquer outro organismo que trate os dados pessoais por conta do responsável Subcontratante Respons. conjunta Partilha da posição de responsável pelo tratamento 15

16 Responsável & Subcontratante Quando o responsável contratar um subcontratante deve: Terceiros Escolher uma entidade que ofereça garantias quanto à segurança técnica e organização do tratamento de dados Celebrar de um contrato (actuação só mediante instruções do responsável) Prestar informação ao titular Notificar a CNPD 16

17 Algumas medidas de segurança 17

18 Sistemas de videovigilância de edifícios/locais 18

19 Sistemas de videovigilância Lei nº 67/98 (Artigo 4º/4) Videovigilância Qualquer forma de captação, tratamento e difusão de sons e imagens que permitam identificar pessoas Sempre que o responsável pelo tratamento esteja domiciliado em Portugal São dados sensíveis dados relativos à vida privada 19

20 Sistemas de videovigilância Utilização de meios de videovigilância Com base em disposição legal As entidades de segurança privada podem usar equipamentos de videovigilância para proteger pessoas e bens (DL n.º 35/2004) Mediante autorização da CNPD Algumas empresas estão obrigadas a instalar estes equipamentos (banca, casinos, etc.) Após ponderação entre os interesses legítimos do responsável pelo tratamento e os direitos, liberdades e garantias dos titulares dos dados 20

21 Sistemas de videovigilância Regime do DL 35/2004 (segurança privada) A gravação de som e imagem feita por entidades de segurança privada deve ser conservada pelo prazo de 30 dias, findo o qual será destruída (coima até ) As gravações só podem ser utilizadas nos termos da legislação processual penal (coima até ) É obrigatória a afixação de uma aviso com o seguinte teor Para sua protecção, este lugar encontra-se sob vigilância de um circuito fechado de televisão, [procedendose à gravação de imagem e de som] (coima até ) O aviso deve ser seguido de símbolo identificativo (coima até ) 21

22 Sistemas de videovigilância Utilização de meios de videovigilância Ainda que feita no âmbito do DL 35/2004, o uso de meios de videovigilância não prejudica a aplicação da LPDP, nomeadamente em matéria de direito de acesso aos dados, informação, oposição e regime sancionatório Fora do âmbito de aplicação do DL 35/2004, a CNPD em regra só autoriza o uso de meios de videovigilância quando se fundamente na necessidade de assegurar a prevenção criminal e num contexto da finalidade de protecção de pessoas e bens. 22

23 Sistemas de videovigilância A videovigilância fora do âmbito de aplicação do DL 35/2004 Ausência de legislação geral sobre a utilização de sistemas de videovigilância Aplicação do regime geral da LPDP 23

24 Sistemas de videovigilância CNPD - Princípios sobre o tratamento de dados por videovigilância (Deliberação ) Idoneidade Necessidade A medida é adequada para atingir o o objectivo proposto? Existe outra medida capaz de assegurar o objectivo com igual grau de eficácia que seja menos intrusiva? Proporcionalidade Os benefícios obtidos são superiores aos prejuizos causados? 24

25 Sistemas de videovigilância Acordão do STJ de Fevereito de 2006 O STJ ordenou que fossem retiradas câmaras de vídeo do local de laboração As câmaras só podem ser instaldas nos locais onde exista um razoável risco de ocorrência de delitos contra pessoas ou contra o património (conceito da Lei 1/2005 aplicável aos serviços de segurança em locais públicos e de utilização comum ) 25

26 Sistemas de videovigilância Alguns alertas CNPD vem intensificando as acções de fiscalização no âmbito da videovigilância Número de queixas (por falta de afixação de aviso, por falta de legalização) tem aumentado consideravelmente CNPD vem definindo uma série de regras sobre o uso de sistemas de videovigilância (localização das câmaras, tratamento de imagens, acesso e divulgação das imagens, medidas de segurança, etc.) CNPD tem aplicado diversas coimas neste domínio 26

27 Sistemas de videovigilância Legalização de sistemas de videovigilância Responsável pelo tratamento tem de obter uma autorização prévia junto da CNPD Formulário disponível no site Com o formulário, deverão ser enviados (1) Planta com localização das câmaras e locais abrangidos (2) Cópia do aviso informativo (3) Indicação da actividade da entidade requerente 27

28 Sistemas de videovigilância A videovigilância no âmbito da relação laboral (art. 20º do Código do Trabalho) Os meios de vigilância à distância não podem, em caso algum, ser utilizados para vigiar / controlar o desempenho profissional do trabalhador Mas Podem ser utilizados, no âmbito da empresa, para protecção e segurança de pessoas e bens OU em actividades especiais (e.g. transportes públicos, outros) Os trabalhadores têm de ser sempre informados sobre a existência e finalidade dos meios de vigilância utilizados 28

29 Outras formas de controlo de acesso a edíficos/locais 29

30 Controlo de acesso a edifícios/locais Registo de entradas e saídas de pessoas em edifícios/locais Sistemas biométricos 30

31 Controlo de acesso a edifícios/locais Registo de entradas e saídas de pessoas em edifícios/locais Dispensa de consentimento do titular do titular dos dados Isenção de Notificação à CNPD Nº Objecto Dados Prazo de conservação Destinatários 5/99 Registo de Entradas e Saídas de Pessoas em Edifícios (não abrange registo de câmaras de vídeo) Identificação Hora de entrada e saída Motivo da visita Pessoa a contactar 6 meses Os dados não podem ser comunicados a terceiros, salvo autorização legal 31

32 Controlo de acesso a edifícios/locais Controlo através de dados biométricos Recolha de dados biométricos (e.g. impressão digital, geometria da mão ou da face, padrão da íris ou reconhecimento da retina ) Assiduidade (no âmbito da relação laboral) O empregador deve manter um registo que permita apurar as horas de trabalho prestadas pelo trabalhador, por dia e por semana, com indicação da hora de início e termo do trabalho (Art.162ª do Cód. do Trabalho) Segurança 32

33 Controlo de acesso a edifícios/locais CNPD - Princípios de tratamento de dados biométricos (Deliberação ) O tratamento de dados biométricos no âmbito da relação contratual/laboral não envolve em si mesmo uma violação do direito à privacidade MAS Deve ser cuidadosamente avaliado à luz dos princípios aplicáveis ao tratamento de dados pessoais (proporcionalidade/finalidade legítima) Por princípio não é admissível o relacionamento destes dados dados de outro tipo de tecnologias destinadas a garantir a segurança (v.g. videovigilância) Os sistemas biométricos devem apresentar um elevado grau de desempenho (velocidade da verificação e taxa de precisão/erros) 33

34 Controlo de acesso a edifícios/locais Controlo através de dados biométricos Notificação à CNPD É fundamental ter alguns cuidados na selecção do sistema Capacidade do sistema Forma de gravação/armazenamento Taxas de falsas rejeições/aceitações Direito à informação Declaração dos fabricantes dos sistemas Poderá ser dispensado o consentimento do titular caso exista interesse legítimo do responsável e não devam prevalecer direitos do titular (avaliação casuística) É fundamental justificar detalhadamente o pedido de notificação à CNPD 34

35 Sistemas de localização 35

36 Sistemas de localização Dados de localização Quaisquer dados que indiquem a posição geográfica de uma pessoa identificada ou identificável Algumas situações: Profissionais de segurança VIP (very important persons) Crianças cujos pais queiram monitorizar as suas deslocações Pessoas que pratiquem desportos radicais Pessoas com limitações de saúde Segurança nas deslocações em veículo motorizado 36

37 Sistemas de localização Os dados de localização são dados sensíveis Algumas finalidades admitidas pela CNPD Segurança de pessoas e bens (e.g prevenção de roubo de veículos e cargas) Gestão de pânicos e pedidos de socorro 37

38 Sistemas de localização Serviços de localização Localização através de GPS e comunicação dos dados através de comunicações electrónicas (e.g. SMS, Internet) A empresa prestadora do serviço deve cumprir as formalidades da LPDP (autorização do titular e da CNPD) 38

39 Sistemas de localização Serviços de localização Através de dados de localização das comunicações electrónicas (quaisquer dados tratados numa rede de comunicações electrónicas que indiquem a posição geográfica do equipamento terminal de um assinante/utilizador de um serviço de comun. electrónicas) Em regra: Regime da Lei 41/2004 O tratamento de dados de localização no âmbito da prestação de serviços de comunicações electrónicas só é permitido se os mesmos forem tornados anónimos... 39

40 Sistemas de localização Mas o tratamento de dados de localização é permitido para: A transmissão às entidades com competência legal para receber chamadas de emergência Prestação de serviços de valor acrescentado, desde que seja obtido o consentimento prévio por parte dos assinantes ou utilizadores 40

41 Sistemas de localização As empresas de comunicações electrónicas devem: Informar os seus clientes antes de obterem o seu consentimento sobre o tipo de dados de localização a tratar, a duração e os fins do tratamento e a eventual transmissão a terceiros para prestação de serviços de valor acresentado Garantir aos assinantes/utilizadores a possibilidade, através de um meio simples e gratuito: Retirar a qualquer momento o consentimento Recusar temporariamente o tratamento dos dados (cada ligação à rede/transmissão de uma comunicação) 41

42 Controlo das Comunicações 42

43 Controlo das comunicações Controlo da utilização de telefones e de / acesso à Internet É proibida a escuta, instalação de dispositivos de escuta, armazenamento ou outros meios de intercepção ou vigilância de comunicações/dados de tráfego sem o consentimento prévio e expresso dos utilizadores, excepto nos casos previstos na lei 43

44 Controlo das comunicações No âmbito da relação laboral poderá ser admitido o controlo das comunicações designadamente por questões de segurança A empresa deve adoptar um regulamento interno com regras claras e precisas e notificar a CNPD CNPD - Princípios sobre a privacidade no trabalho (Deliberação ) 44

45 Sanções 45

46 Sanções A violação das regras Responsabilidade civil pelos prejuízos causados Responsabilidade criminal (pena de prisão até 2 anos ou pena de multa até 240 dias) Responsabilidade contra-ordenacional (coimas até ) Sanções acessórias (proibição temporária ou definitiva de tratamento, bloqueio, apagamento ou destruição dos dados; publicidade da sentença) 46

47 Sanções Pode ser crime... Omitir as notificações ou os pedidos de autorização à CNPD previstos a lei Utilizar dados pessoais de forma incompatível com a finalidade da recolha ou com o instrumento de legalização Aceder indevidamente ou facultar acesso indevido a dados pessoais Promover ou efectuar interconexão ilegal de dados... 47

48 Novas medidas de segurança - Desafios à privacidade - 48

49 Novas medidas de segurança O efeito bin laden A utilização de dados biométricos nos passaportes, bilhetes de identidade, documentos de viagem Instalação de câmaras de videovigilância na via pública Novos prazos de conservação dos dados de tráfego e localização para fins de segurança (Directiva 2006/24/CE de 16 de Março) Investigação, detecção e repressão de crimes graves 49

50 MUITO OBRIGADA 50

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