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1 RSO MATRIX

2 RSO MATRIX PROJECTO RSO MATRIX Este documento proposto pelo projecto RSO Matrix tem como meta facilitar a integração dos princípios de responsabilidade social permitindo, que esta se torne numa realidade dentro das organizações. Trata-se de um documento aberto em que o leitor, poderá contribuir para a sua melhoria contínua enviando sugestões para a seguinte endereço de Internet: O PROJECTO O projecto RSO Matrix partiu da iniciativa comunitária EQUAL, cujo objectivo é a sensibilização e implementação do conceito de Responsabilidade Social em Portugal. Através do envolvimento de TODOS, este assume um estatuto mais abrangente de Responsabilidade Social das Organizações (RSO). A MISSÃO O RSO Matrix tem como missão a criação de um modelo nacional de RSO capaz de responder ao desafio europeu. Para isso pretende desenvolver uma rede nacional de RSO representativa de políticas dinâmicas económicas e sociais a nível nacional; criar um observatório de RSO com a finalidade de monitorizar e disseminar indicadores, práticas e resultados; conceber ferramentas que auxiliem as PME a incorporar e manter práticas de RSO (ferramenta de auto-avaliação); formar um Consultor/Auditor Social para facilitar a incorporação da RSO nas Organizações, através da gestão da mudança e dos impactos; alinhar estratégias de Marketing e envolver e sensibilizar Gestão e trabalhadores para o processo de RSO. PARCEIROS: ISQ Instituto de Soldadura e Qualidade (coordenador) AIP- CE Associação Industrial Portuguesa Confederação Empresarial Markinfar Associação Portuguesa de Marketing Farmacêutico UGT União Geral de Trabalhadores APG Associação Portuguesa dos Gestores e Técnicos dos Recursos Humanos

3 NAVEGAÇÃO Neste documento encontra 4 partes distintas que formam a linhas orientadores para a operacionalização do projecto RSO Matrix. Enquadramento: É dada a contextualização dos principais marcos que levaram à construção da responsabilidade social das organizações, partindo do conceito do desenvolvimento sustentável cujos objectivos se pretendem enquadrar dentro da gestão das organizações. Modelo: Tem como finalidade apresentar uma estrutura integrada dos objectivos e etapas de um modelo de RSO de acordo com o ciclo PDCA (planear, realizar, verificar, actuar). Integra um conjunto de requisitos orientadores para a aplicação do modelo proposto pelo RSO Matrix. Guia: Apresenta um conjunto de requisitos para pôr em prática o modelo definido e assim integrar na gestão da organizações a responsabilidade social. Juntamente com os requisitos identificados em cada etapa do modelo são apresentadas sugestões de Como Fazer para aplicar os requisitos e indicadores e monitorizar a aplicação dos mesmos. Ferramenta de Autoavaliação: Formada por uma tabela de perguntas com respostas Sim ou Não, tem como função auxiliar a verificação de conformidade, das acções na gestão das organizações, com os requisitos propostos pelo modelo.

4 RSO MATRIX ENQUADRAMENTO

5 ENQUADRAMENTO 1. ENQUADRAMENTO Do Desenvolvimento Sustentável à Responsabilidade Social: Enquadramento Histórico Desenvolvimento Sustentável, Responsabilidade Social das Organizações, Ética e Cidadania Empresarial Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social das Organizações Ética Cidadania Empresarial A responsabilidade social em Portugal Associações Vantagens da responsabilidade social O Projecto RSO Matrix Enquadramento Missão e Objectivos Parceiros do RSO Matrix Definição de RSO Matriz

6 DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL À RESPONSABILIDADE SOCIAL: ENQUADRAMENTO HISTÓRICO A degradação ambiental que caracteriza as sociedades actuais desde a segunda metade do século XIX foi acompanhada por uma consciencialização crescente por parte de diferentes agentes económicos sobre a urgência de alterar os elevados padrões de consumo dos recursos naturais. A urgência da mudança, proclamada pelo poder político, agências internacionais e, mais tarde, pelo sector privado e por movimentos de cidadania, foi traduzido, entre outros factos, pela elaboração de um conjunto de estudos realizados com o objectivo de perceber e minimizar os efeitos provocados pelo elevado desenvolvimento industrial e pela sociedade de consumo. Em 1972, o Clube de Roma, liderado por Dennis Meadows, publica o famoso relatório Limites do O RELATÓRIO LIMITES DO CRESCIMENTO MARCA Crescimento (The Limits to Growth), que marca a origem do A ORIGEM DO DEBATE EM TORNO DO DESENVOLVI- debate em torno do desenvolvimento sustentável. A marca que MENTO SUSTENTÁVEL. este relatório deixou, instituindo-se como o primeiro marco histórico da sustentabilidade está associado com a sua principal conclusão: a insustentabilidade do modelo económico vigente, consequência da exploração exaustiva dos recursos naturais, prevendo mesmo a extinção da raça humana caso os diferentes agentes económicos não alterassem o seu comportamento, de forma a controlar os níveis de poluição e as elevadas taxas de consumo dos recursos ecológicos, entre outros factores. Nesse mesmo ano, a História da Sustentabilidade fica ainda marcada pela Conferência de Estocolmo, que introduz na agenda da política internacional as preocupações ambientais. Quatro anos mais tarde, a OCDE publica as Directrizes da OCDE para as empresas multinacionais (revista em 2000): um conjunto de recomendações dirigidas às empresas sob a forma de um manual de boas práticas empresariais voluntárias. Tem, como objectivo, harmonizar a actividade empresarial com as políticas governamentais e as expectativas da sociedade civil. A perspectiva social da sustentabilidade é abordada, anos mais tarde, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) que desenvolve, em 1977, a Declaração Tripartite (posteriormente revista em 2000). Nela estabelece um conjunto de recomendações de conduta para empresas multinacionais, trabalhadores(as) e gover- 2

7 ENQUADRAMENTO nos, incidindo em temáticas como a promoção do emprego, igualdade de oportunidades, condições de trabalho, saúde e segurança e relações de trabalho. Mas é apenas em 1987 que o conceito de Desenvolvimento Sustentável é definido no relatório elaborado pela Comissão Brundtland como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Em 1992, na chamada Cimeira da Terra, o conceito de desenvolvimento sustentável é integrado nas políticas mundiais, sendo, no entanto, sobretudo salientada a dimensão económica e ambiental. Só na Cimeira Social em Copenhaga (1995) é incluída a dimensão social. Resultantes da Cimeira da Terra surgem posteriormente dois documentos relevantes: a Agenda 21 e a Declaração do Rio, que são orientadores a nível internacional das políticas dos países relativas a estas temáticas. A assumpção do contributo do sector privado para o alcance dos objectivos do desenvolvimento sustentável é materializado, em 1995, com a criação do World Business Council for Sustainable Development, uma instituição que reúne centenas de empresas internacionais de 30 países com o objectivo de promover o debate e partilhar experiências sobre a mudança de gestão tradicional para o modelo de gestão sustentável, ie, aquele que conduz a actividade da empresa gerindo, de forma equilibrada, os aspectos económicos, ambientais e sociais da actividade empresarial. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL É O DESEN- VOLVIMENTO QUE SATISFAZ AS NECESSIDADES DO PRESENTE, SEM COMPROMETER A CAPACIDADE DAS GERAÇÕES FUTURAS SATISFAZEREM AS SUAS PRÓPRIAS NECESSIDADES. A União Europeia tem assumido um papel relevante à promoção do desenvolvimento sustentável, assumida, em 1997, no Tratado de Amesterdão. Um ano importante para a sustentabilidade ambiental da Terra, se considerarmos que foi nesse ano assinado o Protocolo de Quioto, um importante marco histórico onde foram fixadas metas a atingir pelos países industrializados no que respeita à redução da emissão de gases que provocam o efeito de estufa. Dois anos depois, em 1999, Kofi Annan, então Secretário-Geral da ONU, desafiou as empresas, no Fórum Económico Mundial, a abranger e praticar, na gestão dos seus negócios, dez princípios universais relacionado com os direitos humanos, relações laborais, meio ambiente e combate à corrupção Pacto Global. 3

8 Hoje, empresas e organizações de diversos sectores, áreas de actividade e dimensões assinaram o compromisso público com os 10 princípios do pacto global, através da sua subscrição. Um acto que compromete as organizações a: 1. Apoiar e respeitar a protecção dos Direitos Humanos, reconhecidos internacionalmente dentro da sua esfera de influência; 2. Assegurar que a própria empresa não é cúmplice ou não participa em violações dos Direitos Humanos; 3. Promover a liberdade de associação e o reconhecimento efectivo de negociação colectiva; 4. Apoiar a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório; 5. Garantir a abolição efectiva do trabalho infantil; 6. Apoiar a eliminação da discriminação no emprego; 7. As empresas devem adoptar uma abordagem preventiva no que diz respeito aos desafios ambientais; 8. Desenvolver iniciativas que promovam maior responsabilidade social; 9. Encorajar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias amigas do ambiente ; 10. Combater a corrupção em todas as suas formas, incluindo a extorsão e o suborno. Um ano depois, em Março de 2000, a Cimeira da Comissão Europeia - conhecida como a Estratégia de Lisboa, por ter sido realizada nesta cidade lançou o apelo para a integração e consideração da responsabilidade social no seio empresarial, nomeadamente no que se refere à igualdade de oportunidades, aprendizagem ao longo da vida, in- NA ESTRATÉGIA DE LISBOA, É LANÇADO O APELO PARA A INTEGRAÇÃO E CONSIDERAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL NO SEIO EMPRESARIAL. clusão social e desenvolvimento sustentável. Num documento intitulado Emprego, reformas económicas e Coesão Social para uma Europa da inovação e do conhecimento o Conselho da União Europeia definiu um novo objectivo estratégico para os próximos dez anos: fazer da União Europeia, à escala mundial, o espaço económico baseado na inovação e no conhecimento mais dinâmico e competitivo, capaz de elevar os níveis de crescimento económico, com mais e melhores empregos, e com mais coesão social. Nesse mesmo ano é elaborada e aprovada a Declaração do Milénio das Nações Unidas pela Cúpula do Milénio, reflectindo a preocupação de 147 chefes de Estado que subscreveram o tratado na maior reunião de dirigentes mundiais de todos os tempos. O combate entre as desigualdades verificadas entre o Norte e o Sul, e os desequilíbrios sociais existentes são o fundamento dos 8 objectivos principais identificados e denominados como as Metas de Desenvolvimento do Milénio, que devem ser atingidas até ao ano de 2015: 1. Erradicação da extrema pobreza e da fome; 2. Alcançar a educação primária universal; 3. Promover a igualdade de género e a autonomia das mulheres; 4

9 ENQUADRAMENTO 4. Reduzir a mortalidade infantil; 5. Melhorar a saúde materna; 6. Combater o VHS/SIDA, Malária e outras doenças; 7. Garantir a sustentabilidade ambiental; 8. Promover uma parceria mundial para o desenvolvimento. Em 2001, o Conselho de Gotemburgo da Comissão Europeia aprova a Estratégia de Desenvolvimento Sustentável, assente nos três pilares de desenvolvimento: económico, social e ambiental. Assim, a Comissão Europeia retracta a sua preocupação relativamente à responsabilidade social basicamente em três documentos chave: Agenda da Política Social - Decorrente das conclusões do Conselho Europeu de Nice (2000); Emprego e políticas sociais: um quadro para investir na qualidade - Decorrente das conclusões de dos Conselhos Europeus de Nice, Lisboa e Estocolmo (2001); O Livro Verde Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas (2001). O Livro Verde centra-se, essencialmente na promoção da responsabilidade social das empresas por parte da União Europeia. A Comissão Europeia (...) apela à comunidade empresarial europeia para que demonstre publicamente o seu compromisso com os objectivos de desenvolvimento sustentável, crescimento económico e mais e melhor emprego, bem como que avance no seu TRÊS PILARES DE DESENVOLVIMENTO: ECONÓMICO, SOCIAL E AMBIENTAL. compromisso com a RSE, incluindo a cooperação com as outras partes interessadas. Sendo um conceito cada vez mais generalizado no seio das pequenas e médias empresas (PME) e das grandes empresas, o Livro Verde reflecte a urgência da responsabilidade social ser adoptada pelas micro empresas. As grandes opções e políticas da União Europeia para o período 2007/2013 foram definidas numa comunicação em 2004 (Building our Commom Future), onde o desenvolvimento sustentável surge como a prioridade. Têm sido levadas a cabo algumas iniciativas por parte da União Europeia no âmbito da Responsabilidade Social, nomeadamente a criação do Fórum Multilateral Europeu sobre RSE. Este fórum pretende que os empresários, as organizações, os sindicatos e a sociedade civil possam desenvolver algumas recomendações através da discussão e debate de questões relacionadas com a responsabilidade social. 5

10 Para alcançar os Objectivos de Lisboa e o desenvolvimento sustentável, a Aliança Europeia para a RSE visa (...) reforçar a transparência, visibilidade e credibilidade das práticas de RSE através da disponibilização de informações sobre responsabilidade social a todas as partes interessadas. QUADRO 1 Resumo de algumas das iniciativas desenvolvidas que contextualizam o conceito e a história do Desenvolvimento Sustentável e da Sustentabilidade Empresarial. ANOS INICIATIVAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA RSO Relatório Meadows: sobre os limites do crescimento Conferência de Estocolmo: primeira reflexão conjunta dos diferentes Estados sobre a relação entre a protecção do ambiente e o desenvolvimento humano Directrizes da OCDE para as empresas multinacionais: subscrita por 37 países em 2003 Declaração Tripartite sobre as Empresas Multinacionais e a Política Social Relatório Brundland Assembleia Geral das Nações Unidas: o termo «Desenvolvimento Sustentável» é adoptado pelas Nações Unidas Cimeira do Rio, ou Cimeira da Terra: nesta cimeira foi adoptada a Agenda 21, um plano global de acção para ser posto em prática por todos os governos e três convenções: a convenção sobre as mudanças climáticas, a convenção sobre a diversidade biológica e a convenção sobre a desertificação Declaração Europeia das Empresas Contra a Exclusão Criação do World Business Council for Sustainable Development Cimeira de Copenhaga: onde foram validados à escala europeia os três pilares do Desenvolvimento Sustentável Tratado de Amesterdão Conferência de Quioto 10 Princípios do Global Compact Cimeira de Lisboa: os 15 países da União Europeia desenvolvem uma estratégia para reforçar a coesão social Declaração do Milénio das Nações Unidas Lançamento pela Comissão Europeia do Livro Verde: para promover um quadro europeu para a Responsabilidade Social das empresas Cimeira de Joanesburgo: onde foi acordado o tratamento equilibrado e de uma forma integrada dos três pilares do Desenvolvimento Sustentável. Foi também definido um plano de acção de onde se destaca entre outros o combate à pobreza e a gestão dos recursos naturais 6

11 ENQUADRAMENTO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES, ÉTICA E CIDADANIA EMPRESARIAL DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES Os conceitos de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável são muitas vezes confundidos. Importa, por isso, diferenciá-los. O conceito de Desenvolvimento Sustentável foi definido em 1987 pela Comissão Brundtland como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Por outro lado, a responsabilidade social das organizações relaciona-se com o contributo voluntário das organizações para o alcance dos objectivos do desenvolvimento sustentável. Manifesta-se quando as organizações se preocupam em desenvolver a sua actividade promovendo, simultaneamente, A RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES MANIFESTA-SE QUANDO AS ORGANIZAÇÕES SE PREOCU- PAM EM DESENVOLVER A SUA ACTIVIDADE PROMOVENDO, SIMULTANEAMENTE, UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E UM AMBIENTE MAIS LIMPO. uma sociedade mais justa e um ambiente mais limpo. A contribuição das organizações é muitas vezes realizada através da adopção de uma política de responsabilidade social e de um conjunto de instrumentos de gestão que permitem que a organização seja gerida tendo em consideração os seus aspectos económico-financeiros, sociais e ambientais. Esta nova filosofia de gestão das organizações pressupõe um alargamento das responsabilidades, tradicionalmente centradas na vertente económico-financeira, e agora alargadas para as dimensões sociais e ambientais. A compreensão do conceito de responsabilidade social das organizações pressupõe o entendimento dos 2 pressupostos que a fundamenta: O primeiro diz respeito à natureza voluntária da Responsabilidade Social, ou seja, à inexistência de obrigatoriedade legal para a adopção de um sistema de responsabilidade social. Neste âmbito, as organizações empresas, administração pública central, regional e local, ONG s, associações que decidem integrar a responsabilidade social nas suas práticas de gestão e em todas as suas actividades, fazem-no de forma voluntária, como forma de contribuírem para uma sociedade mais justa e mais equilibrada e para uma gestão mais adequada às exigências e aos riscos que as organizações estão hoje expostas. A implementação destas práticas conduz, frequentemente, à criação de mais valias económicas para a própria organização, podendo ainda ser um foco de diferenciação face a outras organizações, transformando-se, por isso, numa vantagem competitiva. O segundo princípio fundamental a Responsabilidade Social não substitui o 7

12 cumprimento da legislação antes a completa e desenvolve, é, um acréscimo ao acervo legal existente e, portanto, nunca o poderá substituir. Outra das clarificações que se torna necessário realizar, pela confusão que frequentemente se estabelece com a responsabilidade social das organizações, é a definição de ética e cidadania empresarial. ÉTICA A ética refere-se ao conjunto de princípios morais que regem a conduta humana a nível pessoal ou profissional. Segundo Moreira (1999), a ética empresarial é o comportamento da empresa entidade lucrativa quando ela age em conformidade com os princípios morais e as regras do bem proceder pela colectividade (regras éticas). 1 Assim, a ética é um conceito subjacente à responsabilidade social. Não é possível implementar os critérios de responsabilidade social, sem que haja ética nos negócios. Nesse sentido, observa-se a existência de um número relativamente considerável de organizações que adoptaram um código de ética, que visa ser um instrumento orientador da sua conduta tanto a nível interno como na relação e interacção com o seu público e parceiros. CIDADANIA EMPRESARIAL O conceito de cidadania empresarial expressa a ligação entre uma organização, a sociedade e as políticas públicas. Assim, (...) o conceito de cidadania empresarial para não ter a sua prática limitada a projectos específicos, precisa de ser desenvolvida num espectro mais amplo, incorporando a performance social e corporativa, tendo, como pano de fundo, o desenvolvimento sustentável. A RESPONSABILIDADE SOCIAL EM PORTUGAL Na qualidade de Estado Membro da União Europeia, Portugal tem vindo a incorporar a responsabilidade social de uma forma crescente. Para além da integração nas políticas públicas conduzidos pelo poder central e local, o sector privado e a sociedade civil têm também desempenhado um papel relevante através de diversas iniciativas que têm vindo a transformar a responsabilidade social num conceito partilhado e vivido por um cada vez maior número de portugueses. Os marcos mais importantes que registam o percurso de Portugal em direcção ao processo Europeu, bem como Global, de internalização do Desenvolvimento Sustentável devem-se sobretudo às iniciativas políticas tomadas. 8 1 Moreira, J. M. (1999). A ética empresarial no Brasil. São Paulo: Pioneira.

13 ENQUADRAMENTO Em 1976 o ambiente é consagrado no texto originário da Constituição da República Portuguesa onde Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender (artigo 66º). Por esta via o ambiente é elevado à categoria de direitos e deveres fundamentais dos cidadãos. O Estado é assim responsável pela sua protecção e defesa. Em 1979 é criada a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE). Esta é constituida por representantes governamentais e os seguintes parceiros sociais: Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP); Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses Intersindical Nacional (CGTP-IN); Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT). O CITE visa promover no sector público e privado: A igualdade e a não discriminação entre mulheres e homens no trabalho, no emprego e na formação profissional; A protecçao da maternidade e da paternidade; A conciliação da actividade profissional com a vida familiar. Nos anos 80 é aprovada a Lei de Bases do Ambiente (1987) a qual aponta para um desenvolvimento integrado, harmonioso e sustentável. Num único documento legislativo foram reunidas e sistematizadas as principais disposições sobre a protecção do Ambiente. Após a Cimeira do Rio, em 1992, a adopção da Agenda 21 Local, pelo poder local juntamente com os vários sectores da comunidade, pretende atingir os objectivos da Agenda 21 ao nível local através da preparação e implementação de um Plano de Acção estratégico, de longo prazo, direccionado para as prioridades locais no processo de desenvolvimento sustentável. TANTO O SECTOR PÚBLICO COMO PRIVADO TÊM DESEMPENHADO UM PAPEL RELEVANTE, ATRAVÉS DE INICIATIVAS, QUE TÊM VINDO A TRANSFORMAR A RESPONSABILIDADE SOCIAL NUM CONCEITO PARTILHADO E VIVIDO POR UM CADA VEZ MAIOR NÚMERO DE PORTUGUESES. Em 1995 com a Resolução do Conselho de Ministros nº 38/95 sobre o Plano Nacional de Política de Ambiente (PNPA) o desenvolvimento sustentável é mencionado como um objectivo não sendo, no entanto, implementado. Decorridos 2 anos é consagrado na Revisão da Constituição da República Portuguesa (1997) o Desenvolvimento Sustentável (artigos 66º e 81º). O Estado é incumbido de Promover o aumento do bem-estar social e económico e da qualidade de vida das pessoas, em especial das mais desfavorecidas, no quadro de uma estratégia de desenvolvimento sustentável. 9

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15 ENQUADRAMENTO No mesmo ano é criado o Conselho Nacional para o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável (CNADS). A sua atenção recai sobre quatro grandes áreas temáticas: Ambiente; Ordenamento do Território; Desenvolvimento Sustentável e Participação nos processos decisórios (quer à escala nacional quer internacional). Para corresponder aos compromissos assumidos na Cimeira da Terra relativamente ao desenvolvimento sustentável, através da resolução do Conselho de Ministros nº 39/2002, em 2002, foi definido o enquadramento de elaboração e coordenação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS). Em 2007 é aprovado em Conselho de Ministros (resolução nº 109/2007) a ENDS e o respectivo plano de implementação (PIENDS). Segundo a própria estratégia Este in- HORIZONTE DE 2015, NUM DOS PAÍSES MAIS COMPETI- A ENDS TEM COMO META (...) TORNAR PORTUGAL, NO strumento de orientação estratégica, para o horizonte TIVOS E ATRACTIVOS DA UNIÃO EUROPEIA, NUM QUADRO de 2015, visa nortear o processo de desenvolvimento DE ELEVADO NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO, do País, numa perspectiva de sustentabilidade, em articulação coerente com os demais instrumentos, planos SOCIAL E AMBIENTAL E DE RESPONSABILIDADE SOCIAL. e programas de acção em vigor ou em preparação (...). A ENDS assume ainda como desígnio mobilizador (...) tornar Portugal, no horizonte de 2015, num dos países mais competitivos e atractivos da União Europeia, num quadro de elevado nível de desenvolvimento económico, social e ambiental e de responsabilidade social. Para a concretização deste desígnio, a ENDS elege sete objectivos estratégicos: 1. Preparar Portugal para a Sociedade do Conhecimento ; 2. Crescimento sustentado, competitividade à escala global e eficiência energética; 3. Melhor ambiente e valorização do património; 4. Mais equidade, igualdade de oportunidades e coesão social; 5. Melhor conectividade internacional do país e valorização equilibrada do território; 6. Um papel activo de Portugal na construção europeia e na cooperação internacional; 7. Uma administração pública mais eficiente e modernizada. No cumprimento da Política Integrada de Produtos da Comissão Europeia, em 2007 o estado aprovou a Estratégia Nacional Para as Compras Públicas Ecológicas. Esta estratégia tem como objectivo a integração progressiva de critérios ambientais nos processos de contratação pública de aquisição de bens, prestação de serviços e empreitadas. Deste modo tem em vista a identificação e possível escolha de produtos ou serviços com um melhor desempenho ambiental, garantindo a redução dos impactes ambientais associados ao consumo de bens e serviços pelas entidades públicas. 11

16 QUADRO 2 Resumo de algumas das iniciativas desenvolvidas que contextualizam o conceito e a história do Desenvolvimento Sustentável e da Sustentabilidade Empresarial em Portugal. ANOS INICIATIVAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA RSO Constituição da República Portuguesa: no artigo 66º o ambiente é assumido como um direito e um dever de todos os cidadãos Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego: formada por representantes do governo e parceiros sociais, tem como meta promover a igualdade no trabalho e no emprego no sector privado e público Lei de Bases do Ambiente: são reunidas as principais disposições sobre a protecção do ambiente Agenda 21 Local: processo segundo do qual as autoridades trabalham em parceria com os vários sectores da comunidade na elaboração de um Plano de Acção para implementar a sustentabilidade ao nível local Resolução do Conselho de Ministros nº 38/95: criação do Plano Nacional de Política de Ambiente Revisão da Constituição da República Portuguesa: nos artigos 66º e 81º o Desenvolvimento Sustentável é mencionado como uma meta a atingir Conselho Nacional para o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável: A entrada em vigor da ENDS pretende transformar Portugal num dos países mais competitivos da União Europeia, numa perpectiva de qualidade ambiental, coesão e responsabilidade social. Estratégia Nacional Para as Compras Públicas Ecológicas: procura integrar os critérios ambientais processos de contratação pública de aquisição de bens, prestação de serviços e empreitadas 12

17 ENQUADRAMENTO ASSOCIAÇÕES Em Portugal já existem algumas entidades que se dedicam à responsabilidade social. Em 1997 a Talentum, S.A. e com o apoio da EBNSC (Rede Europeia para a Coesão Social) iniciou a coordenação da Rede de Empresas Portuguesas para a Coesão Social. Esta rede pretende não só debater as questões relacionadas com a coesão social bem como apresentar e divulgar casos práticos desenvolvidos na União Europeia. O Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (Grace), criado em 2000 tem como principal objectivo aprofundar e disseminar a temática, e ajudar as empresas na sua gestão da responsabilidade social. O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD), criado em 2001, é uma associação que tem como principal objectivo transpor para as empresas portuguesas os princípios de orientação do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), promovendo a eco-eficiência, a inovação e a responsabilidade social. O Instituto Português de Corporate Governance, constituído por 130 empresários, gestores, juristas e o meio académico, é uma associação sem fins lucrativos criada em 2004, que visa a investigação e a divulgação EM PORTUGAL JÁ EXISTEM ALGUMAS ENTIDADES QUE SE DEDICAM À RESPONSABILIDADE SOCIAL, NOMEADAMENTE O CONSELHO EMPRESARIAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (BCSD), dos princípios de Corporate Governance através da promoção de debates e iniciativas sobre as práticas de governação no meio empresarial português. A Associação Portuguesa para a Responsabilidade Social das Empresas (RSE Portugal), é uma associação sem fins lucrativos, com associados ligados ao meio empresarial e académico, representante da Corporate Social Responsability (CSR) que visa promover e divulgar projectos a área da responsabilidade social. VANTAGENS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Uma organização socialmente responsável tem a capacidade de adquirir uma diferenciação face à sua concorrência, passível de ser traduzida em vantagens para a organização. Pode, por um lado, conduzir a uma maior fidelização dos clientes, ou atrair novos segmentos. Por outro lado, e decorrente da gestão dos riscos sociais e ambientais, a incorporação da sustentabilidade pode também contribuir para aumentar a atractividade do capital da empresa a novos investidores. 13

18 Em termos organizacionais, os benefícios estão centrados na potencialidade de melhorar o clima organizacional, elevando níveis de satisfação e motivação dos trabalhadores/as, ou reduzindo o absentismo. Consequentemente, a organização poderá ver melhorados os seus níveis de produtividade, e tornar-se numa mais atractiva para potenciais novos trabalhadores/as, para além de deter uma maior capacidade de retenção de talentos profissionais. A Aliança Europeia para a RSE salienta ainda a importância da responsabilidade junto de stakeholders não financeiros, como a comunidade ou organizações do terceiro sector, que reforçarão junto da organização responsável a licença para operar. Em termos ambientais a redução na exploração de recursos, nas emissões poluentes ou na produção de resíduos contribui para atenuar o impacto ambiental. Isto poderá igualmente ser vantajoso para as empresas, na medida em que possibilita uma redução das despesas energéticas e de eliminação de resíduos, bem como dos custos de matéria-prima e despoluição. UMA ORGANIZAÇÃO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL TEM A CAPACIDADE DE ADQUIRIR UMA DIFERENCIAÇÃO FACE À SUA CONCORRÊNCIA, PASSÍVEL DE SER TRADUZIDA EM VANTAGENS PARA A ORGANIZAÇÃO. Ao afirmarem a sua Responsabilidade Social (RS) e assumirem voluntariamente compromissos que vão para além dos requisitos reguladores convencionais, estas organizações estão a dar sinais de apostarem no desenvolvimento social, na protecção ambiental, no respeito pelos direitos fundamentais, numa nova abordagem global da qualidade e no desenvolvimento sustentável. À semelhança do que já acontece com a Gestão da Qualidade, também a Responsabilidade Social acabará por constituir uma marca diferenciadora para as Empresas e outras Organizações que a adoptarem. Assim, o impacto económico da Responsabilidade Social, pode manifestar-se em: Melhor ambiente de trabalho Maior produtividade e lealdade por parte dos trabalhadores/as Preferência como entidade empregadora Gestão mais eficiente dos recursos disponíveis Imagem de marca com maior credibilidade Produtos ou serviços mais competitivos Maior confiança transmitida aos investidores Surgimento de oportunidades de negócio Estabelecimento de contactos vantajosos com a comunidade local Inscrição em índice bolsista de valores éticos (o que melhora a sua cotação face às instituições financeiras) 14

19 ENQUADRAMENTO O PROJECTO RSO MATRIX ENQUADRAMENTO O projecto RSO Matrix parte da iniciativa comunitária EQUAL, objectivando a sensibilização e implementação da Responsabilidade Social em Portugal, privilegiando os actores que mais dificuldade têm tido em alcançar este fenómeno, no sentido de criarmos uma VOZ COESA. O nosso objectivo primário fundamenta-se na criação de uma Rede Nacional de RSO, alimentada de produtos socialmente responsáveis criadores de real utilidade e eficiência para os nossos utilizadores aderentes. O PROJECTO RSO MATRIX PARTE DA INICIATIVA COMUNITÁRIA EQUAL, OBJECTIVANDO A SENSIBILIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EM PORTUGAL Queremos envolver as PESSOAS e dar a conhecer às ORGANIZAÇÕES a importância da RSO como ferramenta de gestão económica e social, trazendo valor acrescentado aos seus produtos e melhoria de qualidade de vida aos seus trabalhadores/as e à comunidade que as rodeia. MISSÃO E OBJECTIVOS O projecto visa o desenvolvimento de um modelo de Responsabilidade Social das Organizações, num quadro nacional de desenvolvimento sustentável, no âmbito do qual se promove a adopção gradual pelas diversas organizações nacionais de princípios, práticas e mecanismos internos que respondam aos desafios de uma Nova Europa Socialmente Responsável e às necessidades emergentes de coesão social e melhoria da qualidade de vida e competitividade empresarial O RSO Matrix tem por missão: Criar um modelo nacional de RSO capaz de responder ao desafio europeu; Desenvolver uma rede nacional de RSO, representativa de dinâmicas políticas, económicas, sociais e de trabalhadores/as a nível nacional; criar um observatório de RSO, com a finalidade de monitorizar e disseminar indicadores, práticas e resultados; Conceber ferramentas que auxiliem as PME s a incorporar e manter práticas de RSO (software de self-assessment); Formar um Consultor Social para mediar e gerir a mudança e os impactos; Alinhar estratégias de Marketing, envolver trabalhadores para o processo de RSO. 15

20 A sua missão operacionaliza-se pela prossecução dos seguintes objectivos: Desenvolvimento da consciência pública e da percepção das actividades das organizações em termos de RSO; Promoção da conscientização da RSO nas organizações, contribuindo para a sua compreensão e desenvolvimento, através de conferências, apresentações e instituições de negócio; Investigação e estudos sobre RSO em Portugal; Recolha e Divulgação das melhores práticas/ instrumentos RSO das organizações portuguesas e internacionais facilitando o acesso a informações relevantes para as entidades interessadas ou envolvidas; Promoção da relação entre os diferentes actores/agentes que trabalham com o tema, colaborando activamente com universidades, Organizações, Governo e outras instituições; Promoção de uma cultura de trabalho em rede e em cooperação com as organizações aderentes, a todos os níveis, para a troca e divulgação de informação; Apoio e consultoria dos facilitadores RSO Matrix na identificação, levantamento e implementação de modelos e boas práticas de RSO às organizações aderentes; Formação de profissionais na área da RSO que possam ajudar as organizações na identificação, levantamento e implementação de modelos, políticas e boas práticas de RSO. PARCEIROS DO RSO MATRIX ISQ Instituto de Soldadura e Qualidade O Instituto de Soldadura e Qualidade é uma entidade tecnológica, privada e independente fundada em 1965, com vasta experiência na União Europeia, Europa de Leste, África, Américas e China, oferecendo serviços de inspecção, ensaios e calibrações, formação, certificação, estudos de engenharia, consultoria e auditorias da qualidade, e investigação e desenvolvimento que conta actualmente com 684 colaboradores. O ISQ tem uma larga experiência de actuação em todas áreas do ciclo formativo, com recurso a metodologias flexíveis de formação assentes nas novas tecnologias, sendo um dos principais players nacionais no domínio do e-learning e da gestão de conhecimento, com presença nos principais fóruns e grupos de investigação nacionais. Conta com uma experiência de mais de 10 anos na gestão de projectos de I&D na área da Formação, a nível Nacional e Comunitário. A área da qualidade é uma das áreas fortes do ISQ tendo sido impulsionador e dinamizador de uma série de sistemas de gestão empresarial e de certificação que visem a melhoria da qualidade dos serviços e produtos e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. A Responsabilidade Social das Organizações tem vindo 16

ÍNDICE APRESENTAÇÃO DO PROJECTO E PRODUTOS RSO MATRIX ENQUADRAMENTO MODELO GUIA FERRAMENTA DE AUTO-AVALIAÇÃO GLOSSÁRIO E REFERÊNCIAS

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