Estratégias de colheita e beneficiamento para fibra de alta qualidade Engº Agrônomo Édio Brunetta Dir. Agroindustrial Grupo Itaquerê

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1 Estratégias de colheita e beneficiamento para fibra de alta qualidade Engº Agrônomo Édio Brunetta Dir. Agroindustrial Grupo Itaquerê Introdução: A qualidade da fibra do algodão é influenciada direta e indiretamente por diversos fatores, dentre os quais, destacam-se: fatores genéticos e morfológicos das plantas, fatores climáticos, aspectos agronômicos (nutricionais, fitossanitários e condução de lavoura). Além desses fatores, a colheita e o beneficiamento têm papel fundamental na manutenção da qualidade da fibra obtida no campo, tendo em vista o propósito de minimizar os danos à fibra e conseqüentemente o valor do produto na comercialização. A produção de fibra de alta qualidade inicia antes mesmo do plantio da lavoura, com a escolha das variedades a serem cultivadas, considerando-se o padrão de qualidade de fibra e estruturas morfológicas (arquitetura compacta, tamanho e ciclo homogêneo das plantas para proporcionar amadurecimento uniforme na época da colheita.) dos cultivares. Após o plantio, faz-se necessário o acompanhamento periódico dos aspectos agronômicos da lavoura, tais como: i) Adubação balanceada A adubação deve ser baseada nas exigências nutricionais do algodoeiro e na análise de fertilidade do solo, tendo em vista a obtenção de plantas saudáveis, produtivas, boa maturação e qualidade de fibra; ii) Plantio Esta etapa é fundamental para o bom desenvolvimento de todas as etapas subseqüentes do processo produtivo. O bom plantio minimiza o desenvolvimento de ervas daninhas, além de favorecer diversos tratos culturais no decorrer da safra, contribuindo para reduzir as impurezas e melhoria da qualidade de fibra. iii) Controle fitossanitário - Os danos causados por pragas e doenças, são fatores de comprometimento direto da qualidade final da fibra produzida. O controle de ervas daninhas deve ser eficiente em função das dificuldades que elas impõem ao bom desempenho das colheitadeiras além de depreciar a qualidade da fibra pela impureza. iv) Cortinas vegetais - De importância fundamental para a contenção da poeira e outros tipos de sujeira gerados nas estradas e carreadores, as cortinas vegetais devem ser

2 planejadas na época que antecede o plantio e conforme o sentido do vento, para contribuir com a obtenção de pluma limpa. v) Manutenção das áreas livres de polipropileno durante todo o ciclo da cultura e 0% de contaminação na colheita e beneficiamento Colheita: A colheita manual é empregada nos casos de bordaduras dos talhões, onde normalmente ocorre a contaminação da pluma com poeira e sujeira, a fim de separar este produto do restante do talhão que apresenta-se mais limpo. A colheita mecânica é empregada no restante das áreas, porém áreas com problemas de infestação de ervas e/ou doenças, devem ser colhidas separadamente a fim de se evitar o comprometimento da qualidade da fibra do restante do talhão. Este algodão deverá ser manuseado, prensado, identificado e beneficiado separadamente, com o propósito de evitar a contaminação do algodão limpo. A colheitadeira de algodão é uma máquina de funcionamento complexo e delicado, devendo portanto ser operada por pessoa capacitada e responsável. A regulam da colheitadeira é essencial para o bom desempenho do processo. Diversos aspectos devem ser considerados, dentre eles: i) Distância dos fusos, escovas e desfibradores (para evitar o encarneiramento da pluma), ii) placas de pressão (estas, devem ser bem reguladas a ponto permitir a máxima remoção da pluma e evitar a retirada de galhos e cascas do caule que contaminam a pluma), etc. Outros fatores envolvidos na qualidade do processo de colheita são: i) velocidade de colheita (6 Km/h em 1ª marcha), ii) porcentagem de água e detergente e quantidade aplicada nos fusos ( a relação ideal entre estes dois produtos dever ser empregada para evitar o encarneiramento da pluma e a sujeira), iii) umidade da pluma no momento da colheita ( a umidade ideal para se proceder a colheita é de 12% ou menos, com mais de 95% dos capulhos abertos este é o índice ideal para evitar o encarneiramento e impurezas na fibra e para não aumentar a quantidade de Nep s), iv) limpeza das máquinas: A parte da frente da máquina (fusos, escovas e dutos) deve ser limpa periodicamente para não impregnar a fibra de impurezas e para evitar o encarneiramento e aumento do Nep s por sujeira; a parte traseira da máquina, por sua

3 vez, consiste na limpeza dos cestos com o propósito de manter a tela sempre limpa a fim de que o ar possa retirar o máximo de impurezas oriundas da lavoura. O local onde será feita a prensagem do algodão na lavoura, deve ser preparado com a colocação somente de casquinha de algodão, em uma camada de 3-5 cm, a fim de evitar o contato direto da pluma com a terra e absorção de umidade e para evitar a contaminação da pluma com outros materiais. No processo de prensagem, cuidados deverão ser tomados no sentido de evitar vazamentos de óleo nas mangueiras e conexões e conseqüente contaminação da pluma. Utiliza-se uma lona ao lado da prensa para coletar o algodão que cair, evitando que o mesmo se suje no solo. Após a prensagem o fardão deve ser elonado. A lona deverá ser bem fixa, para que a mesma não voe deixando o fardão exposto a chuva e poeira. A umidade dos fardões deve ser acompanhada periodicamente, os fardões que apresentarem mais que 12% de umidade, devem ser beneficiados prioritariamente, para evitar fermentação e amarelecimento da pluma. Os fardões deverão ser transportados e movimentados por um caminhão especial chamado transmódulo. Nesta etapa do processo, é importante levantar a lona para que a mesma não se prenda nas correntes do transmódulo e possa assim se rasgar e contaminar a pluma com pedaços de plástico. O trasmódulo deve ser regulado para que o mesmo não pegue terra e impurezas ao carregar o fardão. Antes de entrar para o beneficiamento, eventualmente os fardões ficam armazenados em pátios próximos da algodoeira. O local usado para esta finalidade deve ser preparado para que os fardões fiquem mais altos que o solo e com a cama de casquinha sob eles. Os demais procedimentos com os fardões devem ser os mesmos usados na lavoura.

4 Beneficiamento: Nesta etapa, todas as partes da máquina devem ser reguladas criteriosamente de acordo com os manuais de instrução de cada equipamento para que se tenha a melhor limpeza da fibra possível e se evitem danos a ela. Um dos principais fatores que interferem na qualidade do processo de beneficiamento é a umidade do algodão. Nesta etapa, todas as partes da máquina que fazem a limpeza do algodão (batedores, HL e Mitchell), precisam que a fibra esteja com baixa umidade (6-8%), para que possa ser retirado o máximo possível de impurezas, evitando o encarneiramento e a formação de Nep s, caso a umidade seja superior a este percentual, deve se proceder a secagem. Na etapa de separação da pluma do caroço e limpeza das fibras, é necessário que o algodão esteja com 8% de umidade, para evitar danos (umidade menor que 8% causa quebra da fibra e aumenta o índice de fibra curta e desuniformidade no tamanho das fibras, por outro lado, umidade superior a 8% causa o aumento do Nep s). Todo o benefício deve ser acompanhado periodicamente através de análises de HVI, a fim de se identificar as possíveis etapas do processo que estejam comprometendo a qualidade da fibra (Figura 1). Fig1 Tabela de acompanhamento do beneficiamento (Modelo)

5 Considerações: Toda a fibra de algodão tem mercado para a comercialização, porém, seu valor varia de acordo com sua qualidade e grau de impurezas. Com os devidos cuidados sitados anteriormente, pode-se obter um melhor resultado na qualidade e conseqüentemente um valor agregado maior.

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