SAÚDE MENTAL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA:

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1 SAÚDE MENTAL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: CRENÇAS DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE ACERCA DO CUIDADO DA PESSOA EM SOFRIMENTO MENTAL. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto USP Mestranda: Mara Soares Frateschi Orientadora: Profª. Drª. Carmen Lúcia Cardoso

2 Introdução Transformações do Modelo Assistencial em Saúde A Assistência à Saúde Mental no Brasil Estratégia Saúde da Família (ESF) Reabilitação Psicossocial (AMARANTE; GIOVANELLA, 1994; CAMURI; DIMENSTEIN, 2010; SARACENO, 2001; SOUZA et al, 2007)

3 Objetivo O objetivo desse trabalho é identificar e c ompreender as crenças/sentidos/valores que atravessam a prática do Agente Comunitário de Saúde ( A CS), quanto ao cuidado d a saúde m ental.

4 Justificativa As transformações ocorridas na área da saúde mental implicam uma mudança de paradigma, uma mudança de mentalidade. Elucidar, compreender e analisar como se desenvolvem as práticas, conhecendo as potências e limites, pode ser um caminho para contribuir para a consolidação de um cuidado integral à pessoa em sofrimento mental.

5 Métodos Coleta de dados: Entrevistas individuais e abertas Participantes: Seis ACS de uma Unidade de Saúde da Família de Ribeirão Preto. Questão disparadora: Você pode me contar como é o seu trabalho com relação aos usuários com queixa de sofrimento mental? Análise dos dados: As entrevistas foram áudio-gravadas e transcritas. O material foi submetido à análise seguindo a abordagem qualitativa em pesquisa e utilizou-se como ferramenta a Análise de Conteúdo Temática. (BARDIN, 2004; MINAYO, 2012; REY, 2005)

6 Resultados e Discussão Categorias Temáticas: 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estar junto.

7 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar Resultados da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estando junto. M:...você teve algum preparo para atender essas pessoas em sofrimento mental? L: Não tive. Não tivemos e a gente sempre cobrou desde o comecinho do Núcleo, quando a gente começou a sair pra rua e fazer visita e vinha essas demandas, a gente sempre cobrou que a gente precisava de ter um suporte, tanto pra nós, quanto pra gente poder, também, ajudar. O nosso suporte é assim, a gente chega da rua, dependendo do caso, a gente desabafa uma com a outra. E traz na discussão de família aquele caso, então, todo mundo discute, vê o que cada um pode estar ajudando. M: E você sente falta de um preparo para esse contato? R: Sim. Sinto. Eu falo que a gente não ta... a gente não tem... a gente não ta preparado, não tem nenhuma estrutura... porque... é o caso... O que eu posso fazer? É trazer pra equipe. Porque eu vou falar o quê? Vou fazer o quê? Não posso. Então, eu acho assim, que a gente não tem preparo algum, não.

8 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar Resultados da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estando junto. Os Agentes apontaram que falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental, enfatizando a necessidade de treinamento específico. Os agentes descreveram estratégias as quais recorrem visando facilitar o enfrentamento do sofrimento mental (desabafar com a equipe; levar o caso em reunião de equipe). Como se prepara para o contato com o sofrimento mental? O que é estar preparado para esse contato? Porque a doença física é, aparentemente, mais fácil de cuidar? O que falta saber sobre a saúde mental?

9 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estando junto. O meu trabalho, se eu for fazer meu trabalho como deve ser feito, a impressão que dá é que eu não posso ajudar muito. Eu tento trabalhar em conjunto com a psicóloga, né, (...) Eu tento a gente sentar com elas e ver o que eu posso ser útil para a pessoa, mas se eu for fazer a minha visita como agente comunitário, porque a gente tem um problema sério de tempo. E eu acho que precisaria mais mesmo de psicólogo na rede, pra ta podendo estudar os casos, ajudar as pessoas... Tem aquelas pessoas que, talvez, as primeiras consultam tenham que ser em casa, até ela se animar de sair de casa e vir até a unidade, que é o certo, né? Ela precisa sair de casa. Ela não pode ficar trancada.

10 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar Resultados da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estando junto. A crença de que são necessários profissionais especializados para o efetivo cuidado da saúde mental, reforça a lógica da medicalização, do assistencialismo, do encaminhamento. Trata-se de uma lógica inversa à da ESF, a qual propõe ações de promoção e prevenção, através de estratégias mais comunitárias, tentando criar espaços de troca, fortalecendo as redes de apoio. O que se espera que o especialista faça? Porque as estratégias não medicamentosas, fora de protocolos e procedimentos são tão pouco valorizadas?

11 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar Resultados da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estando junto. Então, a minha ajuda é mais nesse sentido, mais de conversa. (...) E acaba ficando, assim, a gente tenta fazer o máximo, sem ser psicóloga, sem ter formação, dá o ombro pra eles chorarem, pra eles desabafarem. A gente sempre tenta valorizar a vida deles, mostrar pra eles coisas boas que eles fizeram, que valeram a pena. Sempre pegar coisa positiva. (...) A única coisa que eu acho é que a gente aqui fica muito atrás de números. A gente tem metas. E aí, o número de famílias que a gente precisava trabalhar um pouco mais, mais junto, não dá, porque você tem que ir atrás de números. (...). Porque você vê que cada vez que você vai lá, que você conversa um pouquinho, que você dá um abraço, que você toca, faz diferença. Não é só o remédio que cura. Fazer a pessoa se sentir alguém.

12 1. Falta preparo técnico e emocional para lidar com o sofrimento mental. 2. São necessários especialistas para cuidar Resultados da saúde mental. 3. Fatores de ajuda: Ouvir, conversar, estando junto. Os ACS apontam que são desenvolvidas práticas de aproximação das pessoas em sofrimento mental, referem agir com afeto e solidariedade, respondendo às necessidades da pessoa humana, se dispondo a estar junto e a pensar alternativas. Os agentes referem que a pessoa em sofrimento mental demanda muito tempo, o que impede que eles dêem a atenção que gostariam de dar. Entretanto, não foram relatadas estratégias mais comunitárias, conjuntas, de promoção de espaços de trocas e encontros. Como criar uma perspectiva de comunidade? Que recursos o território dispõe para acolher a pessoa em sofrimento mental?

13 Conclusões Os ACS se posicionaram diante do tema proposto, expondo suas experiências, avaliações e sugestões. O cuidado em saúde mental pauta-se ainda numa lógica centrada na consulta médica, no diagnóstico e no encaminhamento para especialistas. As estratégias mais comunitárias, conjuntas, de promoção de espaços de trocas ainda são pouco valorizadas. Compreender como são pensadas e executadas as ações em saúde mental, conhecendo as potencialidade e dificuldades encontradas, contribui para que sejam consolidadas alternativas de cuidado, pautadas numa perspectiva psicossocial, objetivando a efetiva viabilização da Reabilitação Psicossocial.

14 Referências Bibliográficas AMARANTE, P.D.C.; GIOVANELLA, L. O enfoque estratégico do planejamento em saúde mental. In Amarante, P.D.C. (org.). Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3ª ed. Lisboa: Edições 70, CAMURI, D.; DIMENSTEIN, M. Processos de trabalho em saúde: práticas de cuidado em saúde mental na Esratégia Saúde da Família. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, MINAYO, M.C.S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, SARACENO, B. Reabilitação psicossocial: Uma estratégia para a passagem do milênio. In Pitta, A.M.F. Reabilitação psicossocial no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, SOUZA, A.J.F., MATIAS, G.N., GOMES, K.F.A.; PARENTE, A.C.M. A Saúde Mental no Programa de Saúde da Família. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 60, n. 4, p , REY, F.G. Pesquisa qualitativa e Subjetividade. Os processos de construção da informação. São Paulo: Thomson, 2005.

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