DOCUMENTOS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS

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1 DOCUMENTOS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS 2010

2 ORGÃOS SOCIAIS Mesa da Assembleia Geral Dr. Pedro António Pereira Rodrigues Felício Presidente Dra. Maria Luísa da Silva Rilho Secretário Conselho de Administração Joaquim José de Oliveira Reis Presidente Carlos Manuel Durães da Conceição Administrador Executivo José Manuel Pereira Mendes de Barros Administrador Executivo Fernanda Maria Mouro Pereira Administradora não Executiva, Presidente da Comissão de Auditoria e membro da Comissão de Avaliação Pedro Miguel Rodrigues Soares Vasquez Administrador não Executivo, Membro das Comissões de Auditoria e de Avaliação Mário Alberto Duarte Donas Administrador não Executivo, Presidente da Comissão de Avaliação ROC ROC Efectivo Grant Thornton & Associados, SROC representada pelo Prof. Doutor Victor Franco (ROC 432) ROC Suplente Leopoldo Alves & Associado, SROC representada pelo Dr. Leopoldo de Assunção Dias (ROC 319)

3 DOCUMENTOS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS EXERCÍCIO DE 2010 CADERNO I - RELATÓRIO FINANCEIRO 2010 ANO DE INCERTEZAS PERSPECTIVAS PARA 2011 PERSPECTIVAS MACRO PERSPECTIVAS DE EVOLUÇÃO DA PARPÚBLICA FINANCIAMENTO E GESTÃO DO RISCO ESTRUTURA E MATURIDADE DO FINANCIAMENTO GESTÃO DO RISCO FINANCEIRO POSIÇÃO FINANCEIRA E DESEMPENHO DA SGPS ACTIVOS E RENDIBILIDADE ESTRUTURA E CUSTO DOS CAPITAIS CRIAÇÃO DE VALOR FINANCEIRO FLUXOS DE CAIXA SITUAÇÃO FINANCEIRA E RESULTADOS CONSOLIDADOS DO GRUPO SITUAÇÃO FINANCEIRA RESULTADOS CONSOLIDADOS

4 ANÁLISE POR SEGMENTOS GESTÃO DE OUTRAS PARTICIPAÇÕES E DIVERSOS GESTÃO IMOBILIÁRIA ACTIVIDADES AERONÁUTICAS PRODUÇÃO DE MOEDA, PUBLICAÇÕES E PRODUTOS DE SEGURANÇA PRODUÇÃO AGRÍCOLA ÁGUAS E RESÍDUOS SÍNTESE E AGRADECIMENTOS PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS Caderno II - RELATÓRIO DO GOVERNO SOCIETÁRIO MISSÃO E ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS PARA O MANDATO MISSÃO ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS POLÍTICAS DA EMPRESA CÓDIGO DE ÉTICA POLÍTICAS DE GESTÃO DO RISCO, DESIGNADAMENTE DO RISCO DE FRAUDE E CORRUPÇÃO POLÍTICA E MODELO DE GOVERNANCE POLÍTICA DE QUALIFICAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS REGULAMENTOS INTERNOS E EXTERNOS A QUE A EMPRESA ESTÁ SUJEITA POLÍTICA DE REMUNERAÇÃO DOS ÓRGÃOS SOCIAIS

5 SUSTENTABILIDADE E CUMPRIMENTO DE OBJECTIVOS ANÁLISE DE SUSTENTABILIDADE DA EMPRESA NOS DOMÍNIOS ECONÓMICO, SOCIAL E AMBIENTAL AVALIAÇÃO SOBRE O CUMPRIMENTO DOS PRINCÍPIOS DE BOM GOVERNO OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE O MODELO DE GESTÃO IDENTIFICAÇÃO DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS SOCIAIS INFORMAÇÃO OBRIGATÓRIA - ACUMULAÇÃO DE FUNÇÕES, CURRICULA E REMUNERAÇÕES DOS ADMINISTRADORES E ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO INFORMAÇÕES SOBRE TRANSACÇÕES RELEVANTES CADERNO III - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SEPARADAS DECLARAÇÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO (NOS TERMOS DO ARTº 245 DO CÓDIGO DE VALORES MOBILIÁRIOS) DOCUMENTOS DE CERTIFICAÇÃO E AUDITORIA CERTIFICAÇÃO LEGAL DAS CONTAS E RELATÓRIO DE AUDITORIA DAS CONTAS CONSOLIDADAS CERTIFICAÇÃO LEGAL DAS CONTAS E RELATÓRIO DE AUDITORIA DAS CONTAS SEPARADAS PARECERES E RELATÓRIOS DA COMISSÃO DE AUDITORIA

6 CADERNO I RELATÓRIO FINANCEIRO

7 2010 ANO DE INCERTEZAS A ECONOMIA E AS FINANÇAS EM 2010 A economia Portuguesa sofreu em 2010 um choque financeiro provocado pela desconfiança dos mercados internacionais de crédito na capacidade de cumprimento do serviço da divida por parte dos países do Sul da Europa e a Irlanda. Desde Novembro de 2009, com a possibilidade de uma empresa detida pelo governo do Dubai, a Dubai World ligada ao enorme esforço de investimento imobiliário da região, não conseguir cumprir os reembolsos escalonados, assistiu-se ao deslocamento dessa desconfiança para um País da zona Euro, a Grécia, e logo após ao contágio a outros Países da mesma zona marcados por alguma fragilidade económica estrutural, elevada divida externa, pública e privada, e sobretudo com uma atividade económica baseada em bens não transacionáveis, ou com elevada exposição a Dívida de suporte ao (sobre) investimento no setor imobiliário. As sucessivas revisões em baixa pelas empresas internacionais de rating levaram inclusive ao pedido de apoio do Fundo de Estabilização Europeu, com o apoio do FMI, como tentativa de resgate de liquidez de curto e médio prazo face à impossibilidade de efetuar o rollover dos créditos programados, na Grécia, primeiro, e na Irlanda em Outubro de A fragilidade do tecido produtivo destes países, incluindo Portugal, obrigou à intervenção dos Estados respetivos ao apoio ao setor bancário em vias de colapso (caso da Irlanda), ao financiamento à economia (caso da Grécia, que já mantinha uma elevada divida, na sequência dos elevados investimentos relacionados com a Olimpíada do início do século, e na Defesa), ao apoio ao setor imobiliário e à Banca (caso de Espanha), e a medidas de apoio à economia e a setores sociais mais fragilizados pela crise do sub prime de 2008 (caso de Portugal). Estas intervenções foram efetuadas todas com recurso a endividamento, direto ou indireto, pelos Estados Europeus que as desenvolveram. O elevado acréscimo do stock de divida conjugado com a recessão de 2009 e a respetiva quebra na recoleção de impostos e aumento de 1

8 despesas governamentais relacionadas com despesas sociais face ao aumento do desemprego, conduziram ao recrudescimento dos deficits orçamentais a níveis históricos. A baixa do rating à divida soberana destes países, incluindo Portugal, conduziu a um agravamento nas condições de financiamento expressa nas elevadas taxas de juros exigidas pelo mercado ao rollover da Divida Soberana e ao encurtamento dos prazos de maturidade da nova divida adquirida. Assim, o conjunto de medidas de política monetária e orçamental e de apoio ao sistema financeiro que contribuíram para moderar a forte quebra da atividade económica global em 2009, procurando evitar a degradação do sistema financeiro, gerou níveis elevados de divida, degradação nos deficits orçamentais e portanto uma maior instabilidade e incerteza quanto à solvabilidade dos Países e, nalguns casos, do próprio sistema financeiro. A quebra na fluidez dos mecanismos de financiamento, provocada pela tensão nas Dividas Soberanas, levou a falhas e dificuldades no acesso aos mercados pelos bancos europeus e Americanos, obrigando no caso do BCE ao recurso de injeção monetária por via da compra a prazo alargado de divida pública e privada, tomada pelos bancos com forma de refinanciamento dos mesmos, para além dos leilões de taxa fixa com garantia de tomada firme e dos acordos de swap de câmbios entre o BCE e a Reserva Federal Americana. Nos Estados Unidos, a tomada de obrigações bancárias por parte do Tesouro, e diversos mecanismos de injeção monetária na economia evitou o pior. Em Portugal, assistimos a uma retoma relativamente importante do crescimento com o PIB a crescer 1,4% (depois de uma quebra de 2,7% no ano anterior), contra a média dos países da zona Euro a crescer de 1,7% (após contração de 4,3% em 2009). A inflação média na área do euro acelerou para os 1,6% (de 0.3 % em 2009 e 3.3 % em 2008), enquanto em Portugal o mesmo indicador atingiu os 1,4% (de -0,9% em 2009), explicada sobretudo pela subida dos preços dos combustíveis, matérias-primas e bens agrícolas nos mercados mundiais. 2

9 Esta subida foi em muito explicada pela procura interna sobretudo do consumo privado - e pelo andamento das exportações. De fato, a contribuição da procura interna para o crescimento do PIB cifrou-se em 0,9% e o das exportações em 0,5%. A Formação Bruta de Capital Fixo continuou a registar um decréscimo, assinalável, de 4,8%. Acompanhando a crise das Dívidas Soberanas dos países do Sul da Europa, a bolsa nacional registou, ainda assim, uma subida ligeira apesar de ficar muito aquém do movimento em alta das congéneres Europeias e Americana. O Reflexo da avaliação do risco à economia Portuguesa pelos mercados refletiu-se nos spreads exigidos pela colocação da Divida Pública em mercado primário que logrou a que a sua colocação nas últimas semanas do ano atingisse os 5,2 % para prazos curtos (12 meses). Nos últimos tempos tem sido praticamente impossível o financiamento a prazos mais alargados, evidenciando o nível crítico de risco que os mercados atribuem a Portugal. Os spreads de mercado secundário e o custo dos seguros de crédito a Portugal atingiram mesmo, nos primeiros dias de Abril de 2011, uns inconcebíveis 10%. Não existindo ainda segurança sobre os números finais da conta do Estado para 2010, numa altura em que os técnicos do Eurostat, conjugados com os do BCE, Comissão Europeia e FMI, avaliam ainda o seu resultado final, é seguro afirmar que a Divida Pública atingirá um número em torno dos 93% do PIB. À falta de elementos mais seguros e finais, é no entanto lícito afirmar com bastante certeza que parte deste valor resulta da consolidação da dívida de empresas e organismos autónomos que até agora não contribuíam para o apuramento dessa Dívida. Pelo menos desde há dez anos. O caso exemplar é o da dívida do setor empresarial do Estado relativo ao transporte público de passageiros, sendo, talvez, de registar e seguir o exemplo de congéneres europeias, nomeadamente Espanholas, Francesas e Belgas. De qualquer modo, os níveis de Divida, Pública mas também Privada, que têm permitido o financiamento do nosso modelo económico estão esgotados, continuando o défice acumulado da balança corrente a ser demasiado elevado, de 8,7% do PIB, ainda assim melhor que os 9,4% em 2009 e os 10,3 em Para esta melhoria 3

10 contribuiu o andamento da balança de bens e serviços que passou de -9,6% do PIB, em 2008 e -7,6% do PIB, em 2009, para -6,5% no ano transato. PRINCIPAIS FACTOS OCORRIDOS EM 2010 O ano de 2010 confirmou as expetativas adversas que se anteviam, não obstante as medidas tomadas pelos governos e bancos centrais no sentido de reestabelecer a confiança dos mercados, sobretudo por via da injecção de liquidez no sistema. A melhor percepção do risco pelos mercados determinou o aumento do preço do dinheiro, o que no caso Português apresentou como efeito imediato uma rápida subida dos spreads e, consequentemente, das yields da dívida pública, tanto em mercado secundários, como em primário. A subida da taxa de juro exigida a Portugal pelos investidores teve efeitos adversos ao nível da liquidez disponível no sistema, que afectou não só o financiamento do Estado, como também o próprio sistema bancário nacional com as consequências conhecidas também ao nível das empresas públicas e no financiamento da actividade económica. Com efeito, o acesso aos mercados de dívida mostrou-se já muito difícil na parte final do ano para as empresas do Sector Empresarial do Estado. As revisões em baixa do rating da República reflectiu-se imediatamente na degradação da qualidade creditícia da generalidade das empresas, movimento ao qual a Parpública não deixou de estar imune, tendo descido de uma notação de A (S&P) / Aa2 (Moody s) no início do ano para BBB (S&P)/ A1 (Moody s) no final do mesmo. No caso específico da Parpública, o recurso ao mercado de dívida foi utilizado para proceder à 5ª fase de reprivatização da GALP, tendo sido emitidos 885,65 Milhões de Euros de obrigações permutáveis em finais de Setembro, que tinham subjacentes acções representativas de 7% do capital da empresa. Atendendo às condições de mercado, esta foi a única operação de reprivatização concluída no exercício. Em Dezembro, a Parpública procedeu à amortização integral do empréstimo por obrigações permutáveis de 2004 no montante total de 572,8 Milhões de Euros, relativa 4

11 à 5ª fase de reprivatização da EDP, cuja recompra de títulos havia já sido iniciada em 2008 e prosseguida ao longo de todo o ano de No demais, o endividamento da Parpública sofreu um aumento induzido, na sua totalidade, pela operação de reprivatização da GALP atrás mencionada, traduzindo também um acréscimo no endividamento de curto prazo, via que permitiu compensar a degradação das condições de acesso aos mercados obrigacionistas. Este aumento reflete as necessidades de financiamento das operações com que a Parpública se viu confrontada no exercício, com especial ênfase na aquisição de imobiliário. Neste aspecto, releva a imposição de um objectivo plurianual de limite ao aumento do endividamento das empresas do sector empresarial do Estado, que foi fixado em 6% para o exercício ora findo. O ano de 2010 saldou-se por resultados individuais e consolidados que se podem considerar bastante positivos, pese embora se tenha registado uma redução em termos de montante em consequência directa da conjuntura económica extremamente adversa, mas também decorrente das alterações no referencial contabilístico com a adopção das IFRS na globalidade do Grupo Parpública. Os ganhos nas acções e opções associadas às emissões de permutáveis e em outros instrumentos derivados contribuíram significativamente para o resultado obtido, destacando-se a emissão de obrigações permutáveis associada à 5ª fase de reprivatização do capital da GALP. O exercício de 2010 foi também marcado por algumas iniciativas legislativas significativas ao nível do governo e funcionamento das empresas que integram o sector empresarial do Estado. Destacam-se, pelo seu simbolismo, as medidas de redução salarial dos gestores públicos, com efeitos a partir de Junho, a que se juntaram medidas de implementação em 2011, tais como, a redução salarial de todos os trabalhadores das empresas de capitais maioritariamente públicos e a redução dos custos operacionais, incluindo os FSE, em 15%. Prosseguiu igualmente a implementação das orientações e medidas legislativas que impedem o pagamento de 5

12 remunerações variáveis à gestão e aos colaboradores das empresas de capitais maioritariamente públicos. No plano organizacional, para além do reforço e consolidação dos mecanismos de controlo interno, foi dado corpo a um departamento de auditoria interna, reforçando desta forma a estrutura de governo da sociedade e do Grupo. Por último, referência para o facto da actual Administração ter assumido funções em 17 de Maio, após ter sido eleita para um mandato de 3 anos na Assembleia-Geral que teve lugar na mesma data. PERSPETIVAS PARA 2011 PERSPETIVAS MACRO De acordo com as previsões mais recentes do BdP a economia portuguesa em 2011 deverá contrair-se 1,4% em resultado das medidas de consolidação fiscal e orçamental que estão previstas para este ano, sendo de esperar um agravamento das mesmas por via do programa que o Fundo Europeu de auxílio, conjugado com o FMI, certamente exigirá como contrapartida para o financiamento intercalar nos próximos 2 anos. Neste capítulo, a forte contração do consumo privado interno e do consumo e investimento públicos, poderá ser amenizada pelo aumento das exportações líquidas e a diminuição das importações que resultem da recessão que está, já, em curso. O período de ajustamento que antevemos, pelo menos nos próximos 2 anos, equivalerá a uma redução dos níveis de procura interna, com o consumo privado a diminuir menos que o consumo público, sendo de esperar também uma redução ao nível do investimento público, substituída (espera-se) pelo investimento privado. O ajustamento nos preços de alguns bens públicos, fornecidos por empresas públicas ou de caráter privado, e nos de alguns bens de caráter privado mas fornecidos por entidades públicas, a par do ajustamento esperado em baixa da curva de salários, 6

13 terão um impato importante nos níveis de consumo, de importações, mantendo-se nos próximos 12 meses uma baixa taxa de poupança. A subida esperada das taxas de juros diretoras, e a evolução de subida concomitante das taxas euribor manterá o setor imobiliário sobre enorme pressão neste contexto, produzindo resultados depressivos nos preços do principal ativo detido pelas famílias, com consequências potencialmente desastrosas no setor imobiliário. O fato do rácio Loan to Book deste tipo de empréstimos vendidos pelos bancos ser relativamente baixo (cerca de 60%), comparado com os restantes países europeus, constitui uma válvula de segurança que permite a sua recolocação em mercado, em caso de retoma de colateral face a crédito malparado, a preços suficientemente baixos para a libertação de créditos mas à custa da baixa de preços no setor. Num contexto de ponderação muito elevada dos fatores de risco associados à Divida Soberana e à sustentabilidade na recuperação das economias, merece destaque a evolução dos preços de mercado das matérias primas, nomeadamente o do petróleo, dos bens e matérias agrícolas e dos metais primários básicos à atividade industrial. A subida da procura mundial provocada pelo muito forte e rápido crescimento de economias ditas emergentes densamente povoadas implica um crescimento sustentado no preço daqueles bens com impato negativo nas economias ocidentais sobretudo as menos dependentes das exportações. O impato em países pequenos, com economias abertas, mas pouco dinâmicas, como Portugal, conduzirá a efeitos ainda mais restritivos. O diferencial de crescimento entre as economias da OCDE e a de países como os BRIC (mas não só), introduz fatores de distorção políticos, sociais, financeiros e monetários com reflexos ao nível da chamada taxa de pleno emprego, desemprego de longa duração, capacidade e nível de endividamento das economias ocidentais com reflexos de incerteza ao nível das taxas de câmbio. O preço do ouro autêntica moeda e valor de reserva psicológica é o reflexo disso mesmo. 7

14 Portugal não está imune a estes fatores estruturantes. Bem pelo contrário. O ajustamento necessário só terá sentido se caminharmos para um superavit sistemático e sustentável ao nível das contas primárias do Estado. Num cenário de forte ameaça por parte de países com grande dinamismo social, baixos custos de produção e ambientes regulatório e legal permissivos, o fato de estarmos em presença de uma potencial deslocação dos elementos dinâmicos da procura mundial para esses países obriga a uma redobrada atenção à manutenção de fatores de competitividade baseados em elementos de qualidade e não de quantidade. A revisão em baixa do crescimento do PIB nos Países da OCDE e manutenção em níveis elevados nos países emergentes, pelo 4º ano consecutivo, é demonstrativo. E já não é coincidência. É expetável que em 2011 os mercados bolsistas denotem maior volatilidade e tendência incerta, não sendo seguro que a sua evolução seja globalmente correlacionada. Por outro lado, o processo de consolidação orçamental e fiscal por que a economia e a sociedade Portuguesa passarão, deverá ser acompanhado pela proposição de uma Agenda para o crescimento, nos limites que um processo de restrição fiscal permita. O modelo de financiamento da economia, esse, estará sujeito às vicissitudes do andamento da consolidação em curso, a ser monitorizada por entidades externas. PERSPETIVAS DE EVOLUÇÃO DA PARPÚBLICA É num contexto de profunda crise financeira que a atividade da Parpública se terá de desenvolver. A previsível aceleração dos processos de reprivatização e privatização como forma de acorrer ao financiamento da economia e à redução da divida será uma das traves fundamentais da atuação do Grupo. O prosseguimento da venda das participações ainda não privatizadas detidas pela Parpública, permite libertar meios financeiros para abate à divida existente. O 8

15 lançamento dos respetivos processos de privatização será desenvolvido conforme as condições e exigências de mercado o permitam, atento a urgência e necessidades que o acionista determine em cada momento. A par do encaixe financeiro que proporcionam globalmente, as privatizações previstas para alguns dos ativos empresariais permitem uma reorientação dos seus modelos de gestão e negócio libertando-as dos constrangimentos dos Passivos que atualmente impendem sobre elas. A par, será necessária a definição legal do reforço dos poderes do Estado e da República em setores em que se inserem algumas das empresas públicas a privatizar, como forma de manter sobre controlo a capacidade, qualidade e disponibilidade de acesso a alguns bens essenciais à economia, embora fornecidos por entidades privadas, como é, por exemplo, o caso da energia e dos combustíveis ou da manutenção de um hub de transportes aéreos no País. As privatizações anunciadas em sede de Programa de Estabilidade e Crescimento e nos pressupostos da Lei do Orçamento de Estado para 2011, serão conduzidas no âmbito legal de acordo com os Decretos-Leis que os suportem casuisticamente. Estarão nesse caso, a TAP, a REN, a ANA e mesmo a EDP, entre outras. Os projetos imobiliários continuarão a merecer uma atenção particular, agora redobrada pela situação de apatia que o mercado vive, acoplada às restrições na capacidade e no custo de financiamento aos projetos em carteira e particularmente em relação a novos projetos. Num ambiente restritivo, causado pela quebra nos fluxos de liquidez, será necessário utilizar outras soluções, mais realistas, procurando parcerias, com entidades públicas (como as Autarquias) ou privadas que aduzam valor e exequibilidade na realização dos projetos. A baixa taxa de execução e venda dos projetos face à rigidez e custo do financiamento assim o obrigam. 9

16 A preocupação com a Divida existente obrigará a uma atenção redobrada na tentativa de valorização e venda de alguns ativos com liquidez quase imediata como forma de, na altura própria, reduzir o stock de divida. A prazo mais dilatado, e após o cumprimento integral do plano de privatizações em carteira, colocar-se-á mesmo a necessidade de reequacionar o papel da Parpública enquanto empresa do Estado vocacionada para a gestão e acompanhamento profissionalizado das empresas com participação Estatal, à semelhança de algumas congéneres europeias. Entretanto, apesar de um novo modelo desenhado por Decreto-Lei para o acompanhamento das PPP s, a unidade da Parpública que efetua a gestão dos estudos, modelos e renegociação eventual das mesmas prosseguirá o seu trabalho, sobretudo em tempos que irão exigir monitorização e rigor acrescidos na defesa dos interesses do Estado e dos contribuintes, a par da reserva de valor que essas infra-estruturas merecem. FINANCIAMENTO E GESTÃO DO RISCO Estrutura e Maturidade do Financiamento No exercício de 2010, o Passivo de Financiamento da Parpública, considerado em valores nominais, registou um aumento de 1.080,7 Milhões (M ), equivalente, em termos relativos, a cerca de 29%. Este acréscimo consubstanciou-se através (i) da emissão de Obrigações Permutáveis GALP no âmbito da sua 5ª fase de reprivatização, no montante de 885,7 M, (ii) da emissão de 710 M de Papel Comercial, e (iii) da amortização do empréstimo de Obrigações Permutáveis EDP 2005, no montante de 514,9 M. O Passivo de Financiamento da Parpública, em termos nominais, registou a seguinte evolução: 10

17 Passivo de Financiamento Nominal Em milhões de Euros Curto Prazo 500,0 780,0 710,0 Eurobonds 2.090, , , , ,0 Obrigações Permutáveis EDP 1.588, , , ,2 Obrigações Permutáveis GALP 885,7 Total 2.590, , , , ,8 Considerando as disponibilidades no final do ano, verifica-se que o Passivo de Financiamento Nominal Líquido se situava no final de ano em M, o que representa um crescimento de 38% face a 2009, devido à ação conjugada do aumento do passivo e da redução das disponibilidades. Passivo de Financiamento Nominal Líquido de Disponibilidades (Em milhões de Euros) 6.000, , , , , , , ,0 0, No que respeita ao plano de reembolsos no final de 2010, o Passivo de Financiamento Nominal da Parpública apresentava a seguinte calendarização: Plano de Reembolsos do Passivo de Financiamento Nominal (Em milhões de Euros) Eurobonds Obrigações Permutáveis EDP Obrigações Permutáveis GALP 11

18 Deste modo, verifica-se que a maturidade média do Financiamento Nominal no final de 2010 era de 5 anos, sendo que para as Obrigações Permutáveis a sua maturidade era de 5,3 anos e para as Eurobonds era de 6,5 anos. Evolução da Taxa Média Em 2010 a Taxa Média Ponderada do Passivo da Parpública foi de 3,5% tendo registado um ligeiro aumento relativamente a 2009 (3,3%) como consequência do agravamento das condições de mercado. Esta análise considerou os juros suportados, os fluxos associados a operações de swap e a anualização das despesas na montagem das operações de financiamento. Apesar do agravamento dos mercados financeiros ao longo do ano de 2010, o acréscimo na Taxa Média Ponderada da dívida não foi mais significativo pelo fato da dívida de médio e longo prazo ser constituída essencialmente por taxa fixa. (Por maturidade) Taxa Média Ponderada do Passivo de Financiamento 5,0% 4,5% 4,0% 3,5% 3,0% 2,5% 2,0% Curto Prazo Médio e Longo Prazos Total No que se refere às Taxas Médias Ponderadas, ventiladas por tipo de instrumento, a sua evolução de 2009 para 2010 carateriza-se essencialmente por um ligeiro acréscimo nas taxas médias associadas ao Papel Comercial de 2,5% para 2,6%, e pelo acréscimo nas taxas médias das Obrigações Permutáveis devido à nova emissão em Os Eurobonds apresentam uma ligeira redução de 3,6% para 3,5%. 12

19 (Por tipo de instrumento) Taxa Média Ponderada do Passivo de Financiamento 5,0% 4,5% 4,0% 3,5% 3,0% 2,5% 2,0% Papel Comercial Eurobonds Obrigações Permutáveis Os swaps de taxa de juro, contratados com o objetivo de diversificar o risco de taxa de juro, representam no final de ,43% do total da dívida. Os seus cash flow ascenderam neste ano a 5 M. Acresce que no exercício os swaps apresentaram uma evolução negativa no seu justo valor o que se traduziu numa perda de 0,8 M. Evolução dos Fluxos associados na óptica financeira Os juros pagos e corridos no exercício de 2010, incluindo a anualização de outras despesas ocorridas na montagem das operações de financiamento e os fluxos dos swaps associados, ascenderam, em termos absolutos, a cerca de 137 M, quando no exercício de 2009 se tinham situado em cerca de 123 M. Este acréscimo, entre os dois exercícios, que se situa percentualmente em cerca de 12%, é o reflexo do aumento da dívida média do período, que registou entre os dois anos um acréscimo equivalente a 5%, passando de M para M, conforme se verifica pela evolução do Passivo Médio Ponderado de Financiamento e os respetivos encargos totais. Evolução do Passivo Médio Ponderado de Financiamento e Encargos Em milhões de euros e em percentagem (base 2009) Passivo Médio de Financiamento (valor) 3.762, ,01 Passivo Médio de Financiamento (evolução) 100,0% 104,9% Juros e Encargos (valor) 123,42 137,62 Juros e Encargos (evolução) 100,0% 111,5% 13

20 Sendo a Parpública uma sociedade gestora de participações sociais, a fonte principal dos seus rendimentos são os dividendos recebidos das participadas, e os juros dos suprimentos que concede às mesmas. Origem marginal de proveitos consiste nos juros de aplicações de excedentes de tesouraria, quando ocorrem. Em 2010 a evolução dos fluxos financeiros associados ao financiamento e à carteira de participações, permite concluir que a Parpública continua a gerar fluxos financeiros significativos mantendo níveis confortáveis face às responsabilidades existentes, sendo imperativo que continue a monitorizar a relação entre Juros Suportados e Dividendos a Receber. Fluxos Financeiros associados ao Financiamento e à Carteira Em milhões de euros Variação Dividendos 202,96 215,13 6% Juros de Empréstimos Concedidos 25,01 13,87-45% Juros de Aplicações 1,08 1,98 84% Total 229,05 230,99 1% Juros e Encargos (1) 123,42 137,62 12% Saldo 105,63 93,37-12% (1) Juros pagos e corridos e outros encargos suportados anualizados Custo Líquido dos Instrumentos de Dívida e Subjacentes No ponto de vista económico, para além dos fluxos financeiros, o custo líquido dos Instrumentos Financeiros de Dívida e Subjacentes, contempla as suas variações de justo valor, nomeadamente associados às Obrigações Permutáveis em circulação. O custo total líquido da dívida apurado na óptica económica apresenta uma componente importante de variáveis que não são controladas pela Parpública e que estão relacionadas com a cotação das ações EDP e da GALP, que constituem o Ativo Subjacente das duas emissões de Obrigações Permutáveis, com reflexo no respetivo valor das Opções e dos Ativos. 14

21 Gestão do Risco Financeiro No exercício da sua atividade a Parpública identifica as seguintes áreas de riscos financeiros que podem afetar o seu valor patrimonial: (i) risco de crédito, (ii) risco de liquidez, e (iii) risco de mercado, no qual se identificam o risco de margem dos investidores, o risco de taxa de juro, o risco de capital e o risco associado às obrigações permutáveis em circulação. I. Risco de crédito O Risco de Crédito a que a Parpública está exposta está relacionado com as aplicações financeiras dos seus excedentes de tesouraria, com as contrapartes dos swaps contratados e com os suprimentos concedidos às suas participadas. Os suprimentos concedidos pela Parpública são sempre a favor de participadas cuja gestão é por si controlada e em que a aplicação dos fundos é orientada para investimentos que demonstrem um retorno adequado. A remuneração dos suprimentos é igual ou ligeiramente superior ao custo médio da dívida da Parpública. A aprovação dos suprimentos é da responsabilidade da Comissão Executiva da Parpública. II. Risco de Liquidez O Risco de Liquidez da Parpública está coberto com a existência de quatro programas de Papel Comercial no montante total de M, os quais estão contratados com instituições financeiras de reconhecida solidez. O downgrade operado pelas Agências de rating internacionais, Moody s e Standard & Poor s, pode colocar restrições ao pleno cumprimento dos programas contratados. III. Risco de Mercado Risco de Margem dos Investidores Para minimizar o Risco de Margem dos Investidores com o consequente aumento de spreads, os Contratos de Papel Comercial contratados tinham fixado, em 31/12/2010, até ao limite de M, um spread fixo que vigora até à data da sua renovação. 15

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