As primeiras concessões para saneamento e abastecimento de água

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1 Sede Monárquica Água e Esgoto As primeiras concessões para saneamento e abastecimento de água Em 12 de agosto de 1834, o Rio de Janeiro foi designado município neutro, por ato adicional à Constituição de 1824, e separou-se da província fluminense, ganhando uma situação administrativa própria como município da corte. Em 12 de março de 1840, pelo decreto nº 44, foi criada a Inspetoria Geral das Obras Públicas do Município da Corte, ligada ao Ministério do Império. Em razão do precário estado sanitário da cidade, médicos e membros do Parlamento começaram a firmar a convicção de que somente uma rede de esgotos poderia resolver o problema. Em virtude disso, foi editada a Lei nº 719, de 28 de setembro de 1853, que autorizou o Imperador d. Pedro II a contratar a execução dos serviços de esgotos sanitários e pluviais com João Frederico Russel ou outro qualquer. Somente em 1855, no entanto, após uma epidemia de cólera morbus que provocou quase 5 mil mortes, chegou-se à conclusão de que não se poderia mais adiar a decisão. A Lei nº 884, de 1º de outubro de 1856, reiterou a necessidade de contratação de serviços a terceiros e, em 25 de abril de 1857, foi assinado o contrato com João Frederico Russel e Joaquim Francisco de Lima Júnior, a quem caberia esgotar as ruas e os prédios compreendidos na zona delimitada. O contrato dava exclusividade de 90 anos aos dois concessionários. A condição era que adotassem um sistema de esgotamento misto ou parcial inglês, à semelhança do que havia na cidade de Leicester, na Inglaterra. Por esse sistema, seriam construídas duas redes, uma para os esgotos sanitários e outra para águas pluviais, sendo que a última era completada pela primeira, que receberia, além das águas das chuvas que caíssem nos pátios e telhados, as águas servidas dos prédios. Antes da assinatura do contrato, o serviço foi testado na casa de detenção da cidade e, com o sucesso da iniciativa, foi feito em seguida um plano pelo engenheiro inglês Eduardo Gotto, que propôs a sua implantação em três distritos da cidade: o primeiro, compreendendo todo o centro até o Campo de Santana; o segundo estendendo-se da Saúde ao Estácio e Catumbi; e o terceiro incluindo os bairros da Glória, do Catete e do Flamengo, na zona sul. O contrato ainda estabelecia que o sistema deveria estar em funcionamento dentro do prazo de 18 meses, o qual, devido à falta de recursos financeiros, foi adiado duas vezes. O Governo Imperial tinha dificuldades para custear suas

2 obrigações contratuais com as arrecadações das taxas urbanas: a décima urbana, que seria elevada, e uma taxa de saneamento a ser paga pelos proprietários beneficiados. Em 20 de fevereiro de 1862 os dois contratantes conseguiram transferir o privilégio adquirido para a companhia The Rio de Janeiro City Improvements Company Limited, que se constituiu na Inglaterra com este fim, tendo como presidente Eduardo Gotto. A City, como a empresa ficou conhecida, começou seus trabalhos pelo terceiro distrito, construindo, até o final de 1863, 16 mil metros de coletores e terminando a estação de tratamento de esgotos (ETE) e elevatória da Glória em fevereiro de Em seguida, deu início aos trabalhos nos outros dois distritos, os quais começaram a funcionar em 1865 (segundo distrito, na Gamboa) e em 1866 (primeiro distrito, na rua D. Gerardo). Para o escoamento das águas pluviais previu-se a construção de três grandes valas de tijolo e cimento com ramais e declives. Nos dias de chuva as águas servidas iam diretamente para o mar, mas nos dias secos passavam por processo químico. Elas eram depositadas em tanques com alumem e cal, a fim de permitir a floculação e a sedimentação de lamas, para depois serem retiradas. Somente então eram lançadas ao mar. O primeiro distrito descarregava suas águas no cais do Arsenal da Marinha, o segundo, no cais do porto, entre a Gambôa e o Santo Cristo, e o terceiro, no cais da Glória. Até 1867 a companhia também canalizaria diversos rios e valas em São Cristóvão e em Botafogo. Em 1870 já estavam ligados ao sistema prédios. A extensão do sistema continuou pelos bairros de Laranjeiras e Catumbi, os dois incluídos até Glória

3 Gamboa D. Gerardo 3 Fonte: Acervo Seaerj. Em 1875 um novo contrato foi firmado com a City, e a rede de esgotos alcançou a Praia Vermelha e Botafogo até o Largo dos Leões, que constituíram o quinto distrito. O quarto distrito compreendia os bairros do Engenho Velho, com São Cristóvão, onde ficava a elevatória da Alegria, e Tijuca (até a rua Uruguai), e entrou em funcionamento em Quatro anos depois a rede alcançava a Quinta da Boavista e o Cajú, para chegar em 1885 a Vila Isabel, Andaraí e a alguns subúrbios da Estação de Ferro D. Pedro II até a estação do Riachuelo, e em 1887 ao Engenho Novo.

4 Botafogo 4 Alegria Fonte: Acervo Seaerj.

5 De início, o esgotamento era feito em grupos. Os coletores passavam pelos fundos dos imóveis e se juntavam a um único coletor, que conduzia até as estações de tratamento. Com o novo contrato, o número de prédios que podiam ser esgotados pelos fundos por um mesmo cano foi limitado a quatro. Só mais tarde cada prédio passaria a ter o seu próprio cano. O novo contrato marcou a introdução de um novo tipo de vaso sanitário nas residências e prédios comerciais, já com o sifão embutido e uma bomba como acessório. Os vasos eram obrigados a ter 10 litros de caixa e passaram a contar também com depósitos de água. O novo artefato, porém, ainda demoraria a tornar-se padrão. A fiscalização dos serviços da City era feita por um engenheiro designado pelo Governo Imperial, conforme o decreto nº 4.487, de 12 de março de Cabia a ele assistir a empresa nas dificuldades que esta encontrasse, especialmente no que dizia respeito ao acesso às habitações para executar serviços ou realizar vistorias. A construção da rede de saneamento era subsidiada, sendo a remuneração da empresa calculada pelo número de prédios esgotados por ano, de acordo com um número fixo inicial. O cálculo era feito em libras esterlinas até 1933, quando o decreto nº , de 27 de novembro daquele ano, modificou esta regra. Só havia cobrança direta aos consumidores quando houvesse modificações, acréscimos ou obras de expansão. 5

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