ESTUDO DA PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO MUNICÍPIO DE CAMPINAS DO PIAUÍ

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1 ESTUDO DA PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NO MUNICÍPIO DE CAMPINAS DO PIAUÍ Medeiros, R.M. (1) ; Santos, D.C. (1) ; Correia, D. S, (1) ; Oliveira, V.G (1) ; Rafael, A. R. (1) (1) Universidade Federal de Campina Grande UFCG, Campina Grande PB, Brasil. RESUMO O estudo da precipitação é de suma importância para o dimensionamento de projetos na agricultura e na irrigação, engenharia civil, engenharia florestal e hidrologia. Este trabalho tem como objetivo verificar a distribuição mensal e a frequência de precipitação durante um período de 26 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño e La Niña na precipitação anual no município de Campinas do Piauí, Brasil. Para estimar a distribuição de precipitação ao longo do ano, empregou-se uma série histórica pluviométrica das médias mensais e sazonais da precipitação, para o período de 1984 a Além disso, foram analisadas as influências de fenômenos meteorológicos El Niño, La Niña e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) na distribuição das precipitações na cidade de Campinas do Piauí. Observou-se que o mês mais chuvoso foi o mês de março apresentando cerca de 22,8% de toda precipitação anual, e o ano de maior índice pluviométrico foi 1989, com uma precipitação de 1.387,5 mm, enquanto que o ano de menor índice foi o de 1993 com uma precipitação 399,6 mm. A distribuição da precipitação pluviométrica interanual ocorre de forma irregular e com grande variabilidade, mesmo com presença dos fenômenos de larga escala. Palavras chave: Eventos extremos, Climatologia, Polígono da Seca.

2 INTRODUÇÃO A precipitação é uma das variáveis meteorológicas mais importantes para os estudos climáticos das diversas regiões do Brasil. Tal importância deve-se as consequências do que elas podem ocasionar, quando em excesso ou em deficiência para os setores produtivos da sociedade, tanto do ponto de vista econômico quanto social (agricultura, irrigação, transporte, hidrologia, etc.), causando enchentes, secas, inundações, assoreamento dos rios, quedas de barreiras, etc (CALBETE et al., 2003). Historicamente a região Nordeste sempre foi afetada por grandes secas ou grandes cheias. Relatos de secas na região podem ser encontrados desde o século XVII, quando os portugueses chegaram à região. Ocorrem com uma frequência de 18 a 20 anos de seca a cada 100 anos (MARENGO; VALVERDE, 2007). Eventos como La Niña têm sido associados à ocorrência de estações chuvosas mais úmidas que o normal na Região Nordeste do Brasil e El Niño tem sido associados às ocorrências de estações mais secas que o normal na Região Nordeste do Brasil. A partir das informações da pluviosidade, é interessante efetivar-se um estudo sobre a variação dessa variável climatológica relacionando-a com fenômenos de grande escala El Niño e La Ninã para se aprimorar 2

3 informações a respeito das características climáticas da região central do estado do Piauí. O monitoramento do regime pluviométrico dessa região nos últimos anos tem mostrado que a falta de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular, no final de anos com totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região (MARENGO & SILVA DIAS, 2006). A partir das informações da pluviosidade, este trabalho teve como objetivo verificar mensalmente a frequência de precipitação durante um período de 26 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño e La Niña no munícipio em estudo. MATERIAL E MÉTODOS Tem-se como referência o município de Campinas do Piauí, localizado na parte central do estado do Piauí (Figura 1), O município está localizado na microrregião do Alto Médio Canindé, compreendendo uma área de 821,12 km 2, tendo como limites ao norte os municípios de Santo Inácio do Piauí e Itainópolis, ao sul Simplício Mendes e Isaías Coelho, a leste Isaías Coelho e Vera Mendes, e a oeste Simplício Mendes. A sede do município tem coordenada geográfica de 07 o de latitude sul e 41 o de longitude oeste de Greenwich, com altitude de 230 metros e distam 414 km de Teresina. Devido à variabilidade pluviométrica sua média histórica é 813,0 mm. 3

4 A área de estudo apresenta clima semiúmido e quente, com chuvas intensas, em curtos intervalos de tempo, temperatura média de 27,2 ºC, temperaturas máximas e mínimas anuais por volta de 33,3 e 21,6 ºC, respectivamente e umidade relativa do ar anual de 61,1%, Medeiros (2007). Foram utilizados dados provenientes do posto pluviométrico da área em estudo para o período de 1984 a 2010, para caracterizar a precipitação pluviométrica e sua relação com fenômenos meteorológicos, como El Niño e La Niña. A partir dos dados foram obtidos gráficos de variações anuais, médias mensais e sazonais da precipitação, em planilhas eletrônicas do software Excel, para representar de forma satisfatória o regime pluviométrico da região. 4

5 Figura 1. Localização do município de Campinas do Piauí. Fonte: CPRN, RESULTADOS E DISCUSSÃO Observa-se nas Figuras 2 e 3, que o mês mais chuvoso é o mês de março apresentando cerca de 22,8% de toda precipitação anual; e o mês menos chuvoso é agosto, o qual apresenta apenas 0% precipitação. O período chuvoso (novembro a março) representa 80,63% da 5

6 precipitação anual, no mês de abril representa 12,01% da precipitação esperada anual e no período seco 6,35% da precipitação anual. Figura 2. Distribuição mensal da precipitação no município de Campinas do Piauí. Andrade (2011), estudando a variabilidade da precipitação pluviométrica de um município do estado do Pará, observou para chuva média mensal, maiores índices no período de dezembro a maio e menores de Junho a Novembro, coincidindo com os resultados obtidos nesse estudo, mesmo sendo em uma região diferente. De acordo com Molion e Bernardo (2002), isso ocorre devido a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) migrar de uma posição mais ao norte, cerca de 14ºN em agosto-setembro, para a posição mais ao sul, cerca de 4ºS, durante março-abril, sendo este o principal mecanismo responsável 6

7 pelas chuvas que ocorrem no norte do Nordeste do Brasil (NNE), durante sua estação chuvosa principal, entre fevereiro e maio. Figura 3. Distribuição mensal da precipitação no município de Campinas do Piauí. Na Tabela 1, são apresentados os anos que ocorrem os eventos de El Niño e o La Niña, observa-se que o ano de 1989 houve maior precipitação sendo um ano de ocorrência de La Niña, e o de menor índice pluviométrico foi o ano de 1993 que foi um ano de El Niño, esta flutuabilidade estar relacionado aos eventos de La Niña (anos com tendências de precipitações acima da média) e os eventos de El Niño (anos com tendências de precipitações abaixo da média) para região do Nordeste Brasileiro. Segundo Medeiros (2007), em todos os anos de acontecimento de El Niño cerca de 50% a 65% dos mesmos apresentaram chuvas abaixo da média para área estudada. 7

8 A Figura 4 mostra a distribuição anual de precipitação pluviométrica e a média histórica para o município de Campinas do Piauí, onde observarse, que o ano de maior índice pluviométrico foi o ano de 1980 com uma precipitação anual de 1.387,5 mm, enquanto que o ano de menor índice foi o de 1993 com uma precipitação anual de 399,6 mm. Figura 4. Variação da precipitação ao longo dos anos no município de Campinas do Piauí. Em estudo realizado por Bezerra (2003), nas últimas duas décadas (80-90), vários cientistas demonstraram que as variações climáticas do fenômeno El Niño não ocorrem sozinho. 8

9 Tabela 1. Intensidade de eventos El Niño e LaNiña baseada no padrão e magnitude das anomalias da TSM do Pacífico Tropical. Ocorrência de El Niño Intensidade Ocorrência do La Niña Intensidade Forte Moderada Fraco Forte Fraco Fraco Fraco Fraco Forte Forte Moderada Fraco Forte Moderada Moderada Forte Forte Moderada Fraco Fraco Fraco Fonte: CPTEC/INPE, CONCLUSÃO A influência dos fenômenos El Niño e La Niña sobre a ocorrência de secas ou enchentes no Nordeste Brasileiro ainda não está bem compreendida, onde se tem anos com atuação dos fenômenos atuantes e precipitação acima ou abaixo das climatológicas. 9

10 A distribuição da precipitação pluviométrica em Campinas do Piauí ocorre de forma irregular e com grande variação durante todo o ano, demonstrando que mesmo em anos de El Niño as chuvas ocorrem praticamente entre a normalidade. REFERÊNCIAS ANDRADE, F. S. Variabilidade da precipitação pluviométrica de um município do estado do Pará. Revista de Engenharia Ambiental, Espírito Santo do Pinhal, v. 8, n. 4, p , out./dez BELTRÃO, B. A; MASCARENHAS, J. C.; JUNIOR, L. C. S.; PIRES, S. T. M; CARVALHO V. G. D.; Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea estado do Rio Grande do Norte. Relatório do município de Caicó. Caicó. Setembro, Digitado. BEZERRA, A. C. N., ROCHA, E. J. P., ROLIM, P. A. M. Identificação da região do El Niño que influencia com maior intensidade o regime de precipitação no litoral leste da Amazônia através das anomalias de TSM do Oceano Pacífico. Anais. In: XIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 2003, Santa Maria - RS. Situação atual e perspectivas da Agrometeorologia, V. 2, p CALBETE, N. O.; CALBETE, S. R.; ROZANTE, J. R.; LEMOS, C. F. Precipitações intensas ocorridas no período de 1986 a 1996 no Brasil, Disponível em: Acesso em: 29 abr CARVALHO V. G. D.; Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea estado do Rio Grande do Norte. Relatório do município de Caicó. Caicó. Setembro, Digitado. MARENGO, J. A.; VALVERDE, M. C.; Revista Multiciência, v. 8, MARENGO, J., SILVA DIAS, P.,: Mudanças climáticas globais e seus impactos nos recursos hídricos. Capitulo 3 em Águas Doces do Brasil: Capital Ecológico, Uso 10

11 e Conservação, 2006, pp , Eds. A. Rebouças, B., Braga e J. Tundisi. Editora Escrituras, SP. MEDEIROS, R. M. Estudo agrometeorológico para o Estado do Piauí. P MOLION, L. C. B.; BERNARDO, S. O.; Revista Brasileira de Meteorologia, v.17, n.1,1-10, PEREIRA, V. C.; SOBRINHO, J. E.; OLIVEIRA, A. D.; MELO, T. K.; VIEIRA, R. Y. M. Influência dos eventos El Niño e La Niña na precipitação pluviométrica de Mossoró - RN, v. 7, n. 12, SAMPAIO, E.V. S. B.; Sampaio, Y.; Vital, T.; Araújo, M.S. B. & Sampaio, G. R Desertificação no Brasil. Recife, Ed. Universitária UFPE. 11

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