TIPOS DE TEXTOS E ARGUMENTAÇÃO LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS prof. ALEMAR RENA

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1 TIPOS DE TEXTOS E ARGUMENTAÇÃO LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS prof. ALEMAR RENA

2 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO REFERENCIAL: RESUMO RESUMO DESCRITIVO > Resume estrutura temática > Inclui sumário de títulos, subtítulo, tópico e subtópicos de um artigo, livro, etc. > Feito após a leitura efetiva RESUMO INFORMATIVO > Seleciona informações de relevância, essenciais > Pode ter citações ou paráfrase > Iniciado após a primeira leitura > Deve conter a idéia central de cada parágrafo importante > Pode conter citações livres e palavras-chave > Pode incluir métodos e técnicas quando se tratar de pesquisas

3 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO REFERENCIAL: RESUMO RESUMO CRÍTICO > Organiza o julgamento pessoal e apreciativo da obra > Fornece elementos para a resenha crítica > Julgamento pessoal, situa a relevância das informações > Mostra a metodologia e lógica das análises FICHA DE LEITURA (FICHAMENTO) > Sistematiza dados sobre a documentação para fins de arquivamento e consulta > Contém: bibliografia, tópicos importantes, citações, resumo, palavras-chave O QUE É DIFÍCIL NO RESUMO > Definir o que é essencial > Manter fidelidade ao conteúdo original > Pode facilmente virar uma colagem enfadonha de idéias

4 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO REFERENCIAL: RESENHA RESENHA > Propõe prestar informações sobre elementos mais complexos e mais numerosos do que um informe > Pode remeter a fatos reais (sessões, reuniões, etc.) ou textuais (romances, artigos, filmes, etc.) RESENHA DESCRITIVA > Apresenta com precisão e fidelidade os elementos referentes e suas inter-relações (fato, atividade, objetos, etc.) > Abstem-se a analisar ou julgar, não criticando ou louvando

5 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO A FUNÇÃO EXPRESSIVA intervém numa mensagem toda vez que o destinador manifesta seus pensamentos, opiniões ou reações relativamente ao conteúdo desta mensagem. Os elementos indicam a presença, a existência do destinador. A subjetividade pode se estender por toda a mensagem ou intervir de maneira disfarçada. CARTA ÍNTIMA Quando essa expressividade e subjetividade toma conta de toda a mensagem, nos aproximamos do conceito de carta. Ela pode possuir caráter estético e com freqüência é bastante redundante. RESENHA CRÍTICA Ao contrário da resenha objetiva, a resenha crítica abarca as reações e opiniões do destinador a respeito do assunto de sua mensagem. Não é suficiente descrever, é preciso julgar.

6 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO Mas é preciso distinguir graus de subjetividade no julgamento. Certos julgamentos são inteiramente pessoais e só exprimem o sentimento de seu autor. São julgamentos do tipo eu gosto ou eu não gosto. Outras críticas podem ser feitas em relação a um certo número de elementos objetivos. De uma maneira geral, uma crítica, ainda que expressa de modo pessoal, deve ser apoiada em argumentos sólidos. Em princípio, a resenha crítica deve aliar a descrição à crítica. Os elementos críticos subjetivos podem se seguir aos elementos descritivos ou estar interligados a eles.

7 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO O RELATÓRIO O Relatório difere da resenha objetiva na medida em que ele acrescenta um certo número de elementos pessoais: análise crítica, proposições, comentários, etc. Poder ter como objetivo conduzir a uma decisão e, daí, a uma ação. Ele tem uma utilização freqüente na vida profissional: relatório de estágio, relatório de um funcionário ao seu superior, de um executivo ao conselho administrativo, de uma comissão de estudo a um ministério, etc.

8 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO Relatório é a exposição escrita na qual se descrevem fatos verificados mediante pesquisas ou se documenta a execução de serviços ou de experiências. Pode ser acompanhado de documentos demonstrativos, tais como tabelas, gráficos, estatísticas e outros.

9 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO De um modo geral, podemos dizer que os relatórios são escritos com os objetivos: divulgar os dados obtidos e analisados; registrá-los em caráter permanente.

10 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO Geralmente a elaboração do relatório passa pelas seguintes fases: a) plano inicial: programa de seu desenvolvimento; b) coleta e organização do material: durante a execução do trabalho, é feita a coleta, a ordenção e o armazenamento do material necessário ao desenvolvimento do relatório. c) redação: recomenda-se uma revisão crítica do relatório, considerando-se os seguintes aspectos: redação (conteúdo e estilo), seqüência das informações, apresentação gráfica e física.

11 TIPOS RELACIONADOS À FUNÇÃO EXPRESSIVA: CARTA, RESENHA CRÍTICA E RELATÓRIO Sobre o texto, conforme sua finalidade o relatório é estruturado de maneira distinta. O texto dos relatórios geralmente contém as seguintes seções fundamentais: a) introdução: parte em que o assunto é apresentado como um todo, sem detalhes. b) desenvolvimento: parte mais extensa e visa a comunicar os resultados obtidos, cronogramas e processos, visitas, obstáculos. c) resultados e conclusões: consistem na recapitulação sintética dos resultados obtidos, ressaltando o alcance e as conseqüências do estudo. d) recomendações (opcional): contêm as ações a serem adotadas, as modificações a serem feitas, os acréscimos ou supressões de etapas nas atividades.

12 O DISCURSO E A ARGUMENTAÇÃO

13 A interação social por intermédio da língua caracterizase, fundamentalmente, pela argumentatividade. Como ser dotado de razão e vontade, o homem constantemente avalia, julga, critica, isto é, forma juízos de valor. Por outro lado, por meio do discurso ação verbal dotada de intencionalidade tenta influir sobre o comportamento do outro ou fazer com que compartilhe determinadas de suas opiniões....pois a todo e qualquer discurso subjaz uma ideologia... A neutralidade é apenas um mito: o discurso que se pretende neutro, ingênuo, contém também uma ideologia a da sua própria objetividade.

14 Ao produzir um discurso, o homem se apropria da língua, não só com o fim de veicular mensagens, mas, principalmente, com o objetivo de atuar, interagir socialmente, instituindo-se como EU e constituindo, ao mesmo tempo, como interlocutor, o outro, que é por sua vez constitutivo do próprio EU, por meio do jogo de representações e de imagens recíprocas que entre eles se estabelecem.

15 A origem da palavra argumentação vem do latim argumentum, que tem tema argu, cujo sentido é fazer brilhar, iluminar. Pela sua origem, podemos dizer que argumento é tudo aquilo que faz brilhar, cintilar uma idéia. Assim, chamamos argumento a todo procedimento lingüístico que visa a persuadir, a fazer o receptor aceitar o que lhe foi comunicado, a levá-lo a crer no que foi dito e a fazer o que foi proposto.

16 Há uma diferença bem marcada entre comunicação recebida e comunicação assumida. Comunicar é agir sobre o outro, quando se comunica não se visa somente a que o receptor receba e compreenda a mensagem, mas também a que a aceite, ou seja, a que creia nela e a que faça o que nela se propõe.

17 Comunicar não é, pois, somente um fazer saber, mas também um fazer crer e um fazer fazer. A aceitação depende de uma série de fatores: emoções, sentimentos, valores, ideologia, visão de mundo, convicções políticas etc. A persuasão é então o ato de levar o outro a aceitar o que está sendo dito, pois só quando ele o fizer a comunicação será eficaz.

18 ...todo texto é argumentativo, porque todos são, de certa maneira, persuasivos. Alguns se apresentam explicitamente como discursos persuasivos, como a publicidade, outros se colocam como discursos de busca e comunicação do conhecimento, como o científico.

19 ARGUMENTAÇÃO DEMONSTRATIVA Argumentos lógicos Raciocínios lógicos Regras explicativas FATOS E VERDADES > Textos acadêmicos, textos científicos, textos jornalísticos informativos objetivos, textos técnicos RETÓRICA Argumentos retóricos Tipos de raciocínios retóricos Regras de identificação VALORES E CRENÇAS > Textos publicitários e de marketing, textos político-eleitorais, textos religiosos e de intenção moral, textos de opinião

20 ALGUNS TIPOS DE ARGUMENTOS > Argumento de autoridade: é a citação de autores renomados, autoridades num certo domínio do saber, numa área de atividade humana, para corroborar uma tese, um ponto de vista.

21 O uso de citações, de um lado, cria a imagem de que o falante conhece bem o assunto que está discutindo, porque já leu o que sobre ele pensaram outros autores; de outro, torna os autores citados fiadores da veracidade de um dado ponto de vista.

22 > Argumento baseado no consenso: máximas e proposições evidentes, universalmente aceitas como verdadeiras, numa certa época, e que, portanto, prescindem de demonstração, a menos que o objetivo do texto seja demonstrá-las. Ex. A educação é a base do desenvolvimento.

23 > Argumentos baseados em provas concretas: o argumento terá muito mais peso se a opinião estiver embasada em fatos comprobatórios. Os fatos apresentados devem ser pertinentes, suficientes, adequados, fidedignos. É preciso tomar muito cuidado com argumentos que fazem apelo a uma totalidade indeterminada, pois basta um único caso em contrário, para derrubá-los.

24 > Argumentos com base no raciocínio lógico: diz respeito às próprias relações entre proposições e não à adeqüação entre proposições e provas, como visto no item acima.

25 > Argumento da competência lingüística: Em muitas situações de comunicação deve-se usar a variante culta da língua. O modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz. Utilizar também vocabulário adequado à situação de interlocução dá credibilidade às informações veiculadas. Se um médico não se vale de termos científicos ao fazer uma exposição sobre suas experiências, desconfiamos da validade delas. Se um professor não é capaz de usar a norma culta, achamos que ele não conhece sua disciplina.

26 > Argumento de recorrência histórica: diz respeito ao uso de fatos históricos para sugerir tendências futuras para o desenvolvimento social, econômico, etc.

27 > Argumento pragmático (ad consequentiam): tipo de argumentação que, ao analisar as relações entre a causa e a conseqüência, interessa-se primordialmente pela conseqüência. Uma das mais comuns argumentações contra a pena de morte se sustenta nesse tipo de argumento, alegando que, onde a pena de morte foi adotada (nos EUA, por exemplo) não se obteve, como conseqüência, a diminuição dos homicídios. De maneira análoga, argumenta-se que a pena de morte torna impossível a reparação e erros judiciais.

28 > Argumento com definições: definir é colocar uma relação de equação ou de equivalência com o objetivo de dar um sentido a um conceito. Serve como um tipo de introdução à argumentação já que se busca, com a definição de um conceito, um entendimento com o seu auditório sobre suas bases comuns, ou seja, um tipo de acordo sobre o conceito.

29 Definição descritiva: a definição descritiva carece de força argumentativa ou informativa, pois se limita quase sempre a substituir ao termo ou conceito. Assim, pode-se definir o Congresso Nacional como aquele prédio comportando dois pratos, um para cima, outro para baixo. Definição operatória: não se busca as propriedades constitutivas do objeto, mas seus efeitos sintomáticos. A noção é assim definida pelo que ela tem de operatória, ou seja, pelo que se pode adquirir a partir dela. Ex.: A escola é um lugar onde se aprende coisas úteis para a vida.

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