PORTUGUÊS DO DIA-A-DIA

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1 PORTUGUÊS DO DIA-A-DIA Módulo A Arlindo J. N. Castanho UNIVERSIDADE DE BÉRGAMO ANO ACADÉMICO DE 2006/07 1

2 PROGRAMMA DEL CORSO A.A Codice: 3043 Denominazione insegnamento: Lingua portoghese A Settore scientifico-disciplinare: L - LIN/09 Numero totale di crediti: 5 Prerequisiti: nessuno. Obiettivi formativi: 1. Acquisizione di una visione sincronica, riferita all'attualità, dell'espansione della lingua, e dei più importanti tratti distintivi delle due norme del portoghese: quella europea e quella brasiliana. 2. Acquisizione di capacità mediane di comprensione dell'orale e dello scritto e di lettura ad alta voce. 3. Acquisizione di capacità minime di espressione libera, orale e scritta: presentazione personale; saluti iniziali e terminali; domande riguardanti l'orientamento e l'acquisto dei più elementari beni di consumo. 4. Padronanza della lettura dei modelli più correnti, in Portogallo, di trascrizione fonetica, e capacità di impiego attivo della trascrizione fonetica nei casi segnalati in II. 2. Contenuto del corso: I. Il portoghese nel mondo: espansione geografica (con speciale riguardo alla situazione attuale) e varianti linguistiche. II. Formazione linguistica di base: 1. L'alfabeto; digrammi consonantici, digrammi vocalici, la lettera composita aggiuntiva ç. Segni di punteggiatura e notações léxicas. 2. Nozioni basiche di fonetica e fonologia. Trascrizione fonetica: oltre alla capacità di lettura dei modelli di trascrizione più correnti in Portogallo, sarà richiesta la capacità di ricorrere attivamente alla trascrizione fonetica nei casi in cui si pretende che, attravverso la trascrizione, lo studente faccia prova di capire la differenza fonetica tra ovo e ovos, ele e ela ecc. 3. L'impiego dell'articolo coi nomi di persona. Uso delle diverse formule di allocuzione. Allocuzione diretta e allocuzione inversa. 4. Pronomi: personali, possessivi, dimostrativi. 2

3 5. Preposizioni e regenze preposizionali dei verbi più correnti. 6. Uso contrastivo di ser e estar. 7. Flessione dei principali verbi irregolari (ser, estar, ter, haver, pôr, trazer, perder, ir, vir...) e dei verbi regolari delle tre coniugazioni: Indicativo: presente, imperfetto, perfeito simples, futuro. Modi indefiniti o "forme nominali". 8. La formazione del futuro nelle lingue romanze in generale e nel portoghese in particolare. Il futuro perifrastico con haver de. 9. L espressione del tempo: periodi fissi (v. g., dalle due alle quattro); periodi trascorsi da un punto nel passato fino al momento dell enunciazione (v. g., «sono qui da due anni»); i nomi dei giorni della settimana; luogo e data completa del giorno, per esteso e senza ciffre. 10. Numerali cardinali fino alle migliaia, numerali ordinali fino alle centinaia. 11. I colori in portoghese. Testi di riferimento per i frequentanti Testo di riferimento 1: Português do dia-a-dia (dispensa). Pagine: 53. Testo di riferimento 2: A. J. Nicau Castanho, As cores em português (dispensa). Pagine: 6. Testi di riferimento per i non frequentanti Testi di riferimento 1 e 2 (vedi supra). Testo di riferimento 3: Arlindo José Nicau Castanho/Valeria Tocco, Esercizi di portoghese con tutte le soluzioni, Milano, A.Vallardi, 1999: tutti gli appunti grammaticali e tutti gli esercizi soltanto quelli di livello inferiore e medio, però che riguardano i contenuti programmatici. 3

4 Testo di riferimento 4: tutto il 1 volume di Isabel Coimbra Leite/Olga Mata Coimbra, Português Sem Fronteiras, con le due audiocassette. Struttura della verifica del profitto: scritto + orale. Lingua di insegnamento: italiano + portoghese. Altre informazioni: Non frequentanti I non frequentanti sono soggetti alle stesse verifiche del profitto dei frequentanti e si dovranno rivolgere direttamente al docente, in modo da potersi preparare adeguatamente alle prove finali. Studenti del Vecchio ordinamento Gli studenti del Vecchio ordinamento hanno lo stesso programma e le stesse verifiche di quelli del Nuovo ordinamento. Devono inoltre dare prova, agli orali, della lettura integrale di uno dei testi (o gruppi di testi) letterari contemporanei portoghesi, brasiliani o africani di lingua portoghese in traduzione italiana, scelti dalla lista che segue: José Saramago, Memoriale del convento, Milano, Feltrinelli, José Saramago, Il Vangelo secondo Gesù, in José Saramago, Romanzi e racconti, Milano, Mondadori ("I Meridiani"), 1999, vol. II. Nella biblioteca di Lingue e Lettere, coll. COLL. IT. 2/143; o allora Torino, Einaudi, Da non usare la prima edizione italiana, stesso titolo, Milano, Bompiani, Antonio Tabucchi, Requiem, Milano, Feltrinelli, Fernando Pessoa, Il banchiere anarchico (Parma, Guanda, 1988) e L'ora del diavolo (Roma, Biblioteca del Vascello, 1992). António Lobo Antunes, In culo al mondo, Torino, Einaudi,

5 Considerações prévias Este pequeno manual de língua é destinado aos estudantes universitários italianos, tomando como base o ensino da língua num só módulo de 30 horas de lições frontais, como o que actualmente lecciono na Universidade de Bérgamo. Um tão exíguo número de horas de lição faz com que os elementos necessários à aquisição de capacidades mínimas de compreensão e de expressão em português, por parte dos estudantes, alcancem no manual um grau de concentração superior ao que seria normalmente de esperar ainda que se tenha procurado evitar cair em exageros de superabundância informativa. Perante a feliz circunstância de o português escrito não oferecer grandes dificuldades interpretativas a um italiano, e fortalecido nessa certeza por largos anos de experiência do ensino da língua portuguesa nas universidades italianas, decidi redigir todo o manual na língua a aprender, sem a menor referência à língua-mãe dos discentes: esta última não deixará de ser empregue, porém, nas lições frontais. É claro que esta estratégia de ensino implica o recurso sistemático, por parte do estudante, a um dicionário (monolíngue ou bilíngue) e a uma gramática de base. Estes são os instrumentos de que o estudante não poderá de modo algum prescindir. O professor lhe facultará depois, ao longo das lições, uma variada documentação suplementar constituída por artigos de jornais e de revistas, filmes, gravações de canções, etc. Os textos e as noções gramaticais apresentados espelham a norma portuguesa da língua isto é, o português falado e escrito em Portugal e nos restantes territórios de língua portuguesa, com a excepção do Brasil. Não se dão exemplos sistemáticos dos casos em que o português do Brasil preconiza soluções diversas das que são aqui propostas, apenas para não complicar excessivamente estas fases iniciais da aprendizagem da língua. Após ter adquirido um domínio satisfatório da norma do português de Portugal, será fácil ao estudante dar-se conta das circunstâncias em que a norma brasileira difere daquela. Isso não quer dizer que se não dê notícia de algumas realizações paralelas ou divergentes nas duas normas referidas, sempre que tal se demonstrar oportuno. 5

6 Unidades de aprendizagem meramente expositivas I. O Mundo Lusófono A língua portuguesa é falada, em todo o mundo, por quase duzentos milhões de pessoas; o que faz dela a sétima língua mais falada no planeta, após (e por esta ordem decrescente) o chinês mandarim, o inglês, o hindi, o espanhol, o russo e o bengali 1. Regiões onde se fala português 2 Todas as regiões consideradas no mapa equivalem a unidades políticas independentes a países, em suma, excepto Goa. Na verdade, as colónias portuguesas na Península Indiana compreendiam ainda, até aos anos 60 do século passado, os territórios de Damão e de Diu; mas o uso do português quase desapareceu, nestes dois últimos. Também em Goa o português estava seguindo pelo mesmo caminho: mas recentemente, graças à progressiva melhoria das relações entre o estado português e a União Indiana, algumas eficazes iniciativas culturais portuguesas in loco parecem estar produzindo bons frutos, no sentido da revivificação da lusofonia nessa ex-colónia. 1 Esta escala obedece ao critério de contar apenas os falantes que se servem de uma língua como língua-mãe, ou como segunda língua que funcione como "língua franca", dentro de algum ou alguns dos países envolvidos no cômputo. O árabe não foi incluído neste escalonamento, por causa das profundas diferenças observáveis entre as suas diversas variedades regionais. 2 Não se toma em consideração o território de Macau, há pouco restituído à administração chinesa. O português sempre aí foi falado apenas por uma escassa minoria da população e, compreensivelmente, mesmo esse pequeno número de lusofalantes tende a diminuir cada vez mais ainda que a (mais ou menos) recente notícia, reproduzida como Anexo 1, 6

7 O quadro seguinte tem a finalidade de proporcionar-vos uma visão sintética das dimensões territoriais e demográficas de cada um dos países de língua oficial portuguesa. A Itália vem aí considerada, por último, para facilitar as comparações. Países Área (aprox.) em População km 2 (aproximada) BRASIL ANGOLA MOÇAMBIQUE PORTUGAL GUINÉ-BISSAU TIMOR-LESTE CABO VERDE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE ITÁLIA Tenha-se ainda em consideração que só uma certa percentagem variável de país para país e, de qualquer modo, dificilmente quantificável da população dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e de Timor-Leste fala efectivamente português. Exercício: Escolha um de entre os países lusófonos e redija, em italiano, uma pequena pesquisa sobre a sua história, os aspectos antropológicos mais salientes, o sistema político vigente, etc. (cerca de uma página). II. Discriminações prévias ao nível sincrónico: língua, variedades da mesma língua, dialectos Separar claramente as noções de língua e dialecto é tarefa altamente problemática. O único elemento distintivo que parece impor-se, a um nível global, não é inerente à estrutura das línguas ou dos chamados dialectos de cada uma delas, mas externo e, por assim dizer, contextual: são testemunhe uma actual tendência à inversão dessa progressão: tendência de que será necessário, porém, conhecer bem as causas e verificar, a médio prazo, a eventual "longevidade". 7

8 avaliações que têm por pano de fundo o poderio político e o prestígio cultural, a nível internacional, alcançado pelas comunidades que através dessas variantes linguísticas se exprimem. Creio, pois, que haverá sérias dificuldades em estabelecer se o mirandês é uma língua ou um dialecto da mesma maneira que, em Itália, tanto as correntes da opinão pública como as preferências classificativas dos especialistas se digladiam em torno à pertinência, ou não, da atribuição do "estatuto" de língua ao bergamasco, ao piemontês, ao véneto, etc. Um caso de indefinição isento de actualidade política e, até por isso mesmo, ainda mais emblemático é o representado pelo problema da colocação do sardo no quadro das línguas românicas: muitos textos de referência, quer no campo da dita Filologia Românica quer no da Linguística do Italiano, isolam o sardo como língua à parte; enquanto outros, igualmente abalizados e prestigiosos, o confinam ao âmbito dialectal e isto, sem que uns ou outros forneçam indicadores ou parâmetros precisos, que possam justificar o recorte taxonómico a que dão preferência. Existe um critério distintivo entre as línguas e os seus respectivos dialectos, a que muitos estudiosos recorrem de forma mais ou menos explícita o qual, porém, não incide directamente sobre as realidades linguísticas passíveis deste tipo de discriminação, mas apenas sobre um aspecto secundário das mesmas (ainda que não propriamente marginal): é o que se centra na existência, ou não, de um código linguístico substitutivo ou de segundo grau em suma, de um sistema de escrita consolidado, homogeneizado e amplamente difundido. Este persistente preconceito, que faz com que se atribua uma importância prioritária ao que constitui, no fundo, um aspecto secundário, é amplamente exemplificado pelos esforços tendentes a criar rupturas artificiais no seio de línguas unitárias: é o que sucede no caso das tentativas, actualmente em curso, para cindir o servo-croata em sérvio e croata quando se trata, afinal, da mesma língua, ainda que escrita em caracteres cirílicos pelos sérvios, e em caracteres latinos pelos croatas; e deparar-nos-emos com outro esforço "cisionista" semelhante, se nos debruçarmos sobre a insistência com que as autoridades (políticas e académicas) da República Socialista da Moldávia procuram impor o "moldavo" como língua distinta do romeno ainda que a diferença de fundo resida, mais uma vez, na oposição superficial entre o recurso ao alfabeto latino ou ao alfabeto cirílico. Existem ainda casos em que uma língua apresenta variações significativas, ao nível sincrónico, consoante a diversidade do espaço geográfico em que a mesma se manifesta, sem que por isso se sinta a necessidade, ou sequer a pertinência, de considerar uma dessas variedades como "hierarquicamente superior" às restantes isto é, uma como língua propriamente dita, e as outras como seus dialectos: é o que sucede com o inglês da Grã-Bretanha, em relação ao dos Estados Unidos; e o mesmo se passa com o português de Portugal, em relação ao do Brasil. Em casos do género, face à paridade de prestígio das variedades em apreço, é preferível falar de padrões (fixados 8

9 ulteriormente como normas) da língua ou, simplesmente, de variedades da língua. O português contemporâneo apresenta, assim, duas grandes variedades, ou padrões, ou normas: o português do Brasil e o português de Portugal. No lugar desta dicotomia, talvez se possa revelar ainda mais correcta uma tricotomia que inclua o galego contemporâneo abstraindo, como convém, das vicissitudes históricas que têm marcado o desenvolvimento de tal variedade; e ignorando voluntariamente, sobretudo, as persistentes polémicas em torno à normalização da sua escrita. Em relação a estes padrões, o português normalizado de cada um dos países africanos de língua portuguesa (isto é, o português dos discursos e dos documentos oficiais destes países) deve ser considerado como adscrito ao menos, por agora à norma do português de Portugal. Para concluir, tenho a impressão de que talvez se pudesse obter uma sistematização mais apropriada e abrangente se se estabelecesse um quadro "hierárquico" ordenado, do mais geral para o mais particular, nos seguintes termos: (1) língua o português, tout court; (2) macro-sistemas diatópicos norma galega, norma portuguesa, norma brasileira; (3) sistemas diatópicos o português angolano, moçambicano, etc.; (4) subsistemas diatópicos os dialectos dos Açores, da Madeira, do Alentejo ou do Minho, etc.; (5) micro-sistemas diatópicos os "falares" característicos, por exemplo, de dadas sub-regiões ou micro-regiões do Portugal Continental ou do Brasil; como, por exemplo, o "falar" dos Fortios, que se apresenta como uma subunidade dentro do subsistema do "dialecto" alentejano. Os macro-sistemas e os sistemas diatópicos considerados viriam, até, a unificar-se sob a etiqueta única de sistemas diatópicos, a partir do momento em que os países africanos possuíssem (ou cada um deles possuísse) uma norma própria, estruturada de modo coerente e de patente originalidade. 9

10 III. O alfabeto português 1. O ALFABETO PROPRIAMENTE DITO 1. A o á /u a/ 2. B o bê /u be/ 3. C o cê /u se/ 4. D o dê /u de/ 5. E o é /u / 6. F o efe /u f / 7. G o guê /u e/ 8. H o agá /u a/ 9. I o i /u i/ 10. J o jota /u t / L o ele /u l / 12. M o eme /u m / 13. N o ene /u n / 14. O o ó /u / 15. P o pê /u pe/ 16. Q o quê /u ke/ 17. R o erre /u r / 18. S o esse /u s / 19. T o tê /u te/ 20. U o u /u u/ 21. V o vê /u ve/ 22. X o xis /u i / 3 Para não se enganarem na pronúncia desta letra, lembrem-se de Rio de Janeiro! 10

11 23. Z o zê /u ze/ 2. LETRA COMPÓSITA ACESSÓRIA: Ç o cê cedilhado 3. LETRAS ESTRANGEIRAS K o capa W o dâblio Y o ípsilon/o i grego 4. DIGRAMAS (DÍGRAFOS) CONSONÂNTICOS: rr, ss (correspondência, assassino) ch, lh, nh (e, excepcionalmente, nn e mm: connosco; comummente, ruimmente, virgemmente) 5. DIGRAMAS VOCÁLICOS 1. (...) VOGAL + CONS. NASAL (+ OUTRA CONS.) (...): anterior, pentagrama, recinto, também 2. DITONGOS, CASOS ESPECIAIS Ditongos nasais decrescentes / w / ão (em final de palavra aguda): concepção, comprarão, etc. am (em final de palavra grave): compram, compraram, etc. / j / realização ortográfica ãe: mãe, pães... e também, excepcionalmente, ãi: cãibra(s). 11

12 /e j / realização ortográfica em: levem, bem, também... /o j / realização ortográfica õe: põe, concepções... / uj /, / u j / realização ortográfica ui, na palavra muito 6. SOLETRAR, COM "AJUDAS" Com os nomes próprios (ainda que eventualmente se possa recorrer a nomes de cidades, países, continentes, quando os nomes de pessoa são excessivamente raros ou abstrusos): A de António B de Beatriz C de Carlos D de Daniel E de Evaristo F de Francisco G de Guilherme H de Helena I de Irene J de José L de Luís M de Maria N de Natália O de Óscar P de Pedro Q de Quirino (mas o nome é pouco corrente, e prefere-se em geral um topónimo Quarteira, por exemplo ou um nome comum, como quarto) R de Raul S de Serafim T de Teodora U de Ulisses V de Vítor X de Xavier 12

13 Z de Zacarias 7. NOTAÇÕES LÉXICAS acentos (o falso acento grave*, o acento agudo, o acento circunflexo) * Só se pode encontrar sobre um a, isolado (caso do primeiro dos exemplos que se seguem) ou constituindo a primeira sílaba duma palavra. Nunca recobre a função de um verdadeiro acento, mas a de diacrítico de contracção e de abertura vocálica: à, àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo. o til que, na ausência de acentos gráficos sobre a palavra, serve de acento, indicando a sílaba tónica. Ex.s: cristão, correrão... Se a palavra tem o acento noutra sílaba que não a do til, o acento gráfico é obrigatório: bênção, órfão, órgão... Atenção: o til surge sempre em sílaba final, com a única excepção (que eu saiba) de cãibra. o trema Só no Brasil: agüentar, lingüística... o apóstrofo usa-se em poucos casos: na representação gráfica de pronúncias populares, aferéticas ou sincopadas: 'tou, 'tamos por estou, estamos; p'ra, por para; no encontro entre uma preposição e o artigo definido com que se inicia um título: «o autor d'os Lusíadas», «é um episódio que se encontra n'os Três Mosqueteiros» (mas tende a desaparecer: «o autor dos Lusíadas», «nos Três Mosqueteiros») a cedilha: só sob c antes de a, o ou u, para fazer /s/: caçar, laço, alcaçuz 13

14 o hífen, que se usa: na conjugação pronominal (vi-o, chama-se); com muitas das formas do futuro perifrástico, conjugado com o auxiliar haver (eu hei-de fazer, tu hás-de comprar, etc.); na translineação 4 ; em palavras compostas por justaposição (guarda-chuva), ou nalgumas das derivadas por prefixação (pré-escolar, ex-director, recém-nascido). Nota ao último caso considerado (palavras derivadas por prefixação): Na maior parte das palavras derivadas por prefixação, o prefixo funde-se completamente com a forma-base. Mas há casos em que o prefixo se mantém separado daquela por um hífen: quando o recurso à aglutinação repugnar aos hábitos ortográficos vigentes (é o caso, por exemplo, de super-homem e de sub-humano mas já não de desumano); quando a ausência do hífen induzir a uma leitura errada: é essa a razão que nos impõe o emprego do hífen em, por exemplo, ab-rogar, circum-navegação, inter-relação, sub-região, subreptício, sub-rogar. 8. SINAIS DE PONTUAÇÃO Vírgula (,), ponto (.), ponto e vírgula (;), dois pontos (:), ponto de interrogação (?), ponto de exclamação (!), reticências (...), aspas () 5, parênteses ( ), colchetes (= parênteses rectos) [ ], chavetas { }, barra / 6, travessão / (a não confundir com o hífen!). 9. OUTROS ARTIFÍCIOS GRÁFICOS O sublinhado, o negrito 7, os versaletes, o itálico, o parágrafo, o asterisco 8. 4 Translineação que só não coincide com a italiana nos seguintes casos: nas sequências de c ou g + outra consoante que não seja c ou t: té-/cnico, paradi-/gma; nas sequências de m + outra consoante: ana-/mnese; nas sequências de s + outra consoante: des-/travar, es-/colher; nas sequências de t + outra consoante: ari-/tmética, Eri-/treia. Outras sequências que podem levantar dúvidas: adop-/tar, bap-/tizar; reac-/ção, convic-/ção; reac-/tor, convic-/to. 5 Estas são as aspas duplas, baixas as únicas tomadas em consideração na Nova Gramática do Português Contemporâneo de Lindley Cintra e Celso Cunha (Lisboa, Sá da Costa, , pp ); mas também as há simples, baixas; e altas, tanto simples como duplas. 14

15 IV. Aspectos fonológicos básicos IV.1. Classificação articulatória dos fonemas do português 6 Sinal gráfico que, se não me engano, a referida Gramática de Cunha/Cintra nem sequer toma em consideração e que, pelo contrário, em La lingua italiana de Maurizio Dardano e Pietro Trifone é inserido entre os sinais de pontuação (Bologna, Zanichelli, 1985, p. 399). 7 Termo brasileiro com que se designa o bold (it. grassetto) e que prefiro ao negro do português de Portugal, porque mais claro. Informação relativamente recente: Só em Fevereiro de 2005 tive acesso ao «Diário da República (Portuguesa)» de 24 de Dezembro de 2004, que publica uma portaria dedicada à Nomenclatura Gramatical Portuguesa. Nesta finalmente, é adoptado o termo negrito que há já vários anos venho privilegiando. 15

16 IV.2. Modelos correntes de transcrição fonética Giuseppe Mea, Dicionário Português-Italiano, Porto, Porto Editora, É igualmente válido, para este caso, tudo quanto se referiu na nota 4. 16

17 AA. VV., Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Lisboa, Editorial Verbo,

18 IV.3. Transcrição de traços prosódicos (ou suprassegmentais) IV.3.1. Acento (na dimensão palavra, portanto) Quanto ao acento, sinalizá-lo-emos apenas com o diacrítico ', antes da sílaba tónica. Exemplo: assassino s 'sinu IV.3.2. Entoação (o que já implica a dimensão frase) Prescidir-se-á de qualquer sinal distintivo para a entoação das palavras terminais das frases de tom neutro (mas, a empregá-lo, seria ou.., no fim da frase) 9. Nas frases interrogativas marcar-se-á apenas a subida de tom na última sílaba da palavra final, com ou.. após a mesma. Nas frases exclamativas marcar-se-á apenas o aumento da intensidade na última sílaba tónica da frase precedida de '' ou no final da frase, com. Exemplos: Saímos. s imu s imu.. Saímos? s imu s imu.. Saímos! s imu s imu Nota sobre as transcrições fonéticas presentes neste manual Só em casos excepcionais, quando se tornar necessário marcar o limite das sílabas na transcrição fonética duma palavra, introduziremos um ponto (. ) entre elas como sucederá, por exemplo, a pp. 31 e A dupla possibilidade de representação reflecte, seja no caso anterior seja nos seguintes, a lição de Henrique Barroso (Forma e Expressão da Substância da Língua Portuguesa, Coimbra, Almedina, 1999, pp ), na representação 18

19 V. Unidades de aprendizagem (textos, gramática, exercícios) introduzidas pela simulação de uma situação comunicativa Unidade 1: Chegada a Portugal A Anna chega a Portugal, de avião. Desembarca no aeroporto lisboeta da Portela. Apanha um táxi. O taxista mete a mala no porta-bagagens e, depois de partirem, dá-se o diálogo: Boa tarde. Leve-me ao Largo do Rato, por favor. Boa tarde. Com certeza, é para já!... A menina não é portuguesa, pois não? Não, sou italiana. Mas venho a Portugal muitas vezes, tenho cá muitos amigos. Parabéns, fala muito bem a nossa língua. Se não apanhamos muito trânsito pelo caminho, dentro de dez minutos já está no Rato. Óptimo 10!... Cá estamos. São 12 euros, se faz favor. Aqui estão 15, guarde o troco. Obrigado e boa estada em Lisboa! Mas espere aí, ainda tenho que lhe dar a mala! Ah, é verdade, estava mesmo distraída de todo! Conteúdos gramaticais A. Presente do indicativo dos verbos regulares da 1.a, da 2.a conjugação e da 3.a conjugação: chegar 11, meter, partir Eu chego Tu chegas Ele chega do primeiro diacrítico para cada situação, e a de Luciano Canepari (Introduzione alla fonetica, Torino, Einaudi, 1979, pp ), para o segundo. 10 V. pronúncia de adoptar, baptismo/baptista, Egipto mas egípcio = /e' ipsju/: v. pp. 22 e 24, contrastante com a de adaptar, apto, optar. 11 De plicare [(recolher e) dobrar as velas]. 19

20 Nós chegamos Vós chegais Eles chegam Eu meto Tu metes Ele mete Nós metemos Vós meteis Eles metem Eu parto Tu partes Ele parte Nós partimos Vós partis Eles partem partir. Exercício de transcrição fonética: Transcrição fonética da conjugação, integral, do presente do indicativo de chegar, meter e Nota sobre os critérios subjacentes à classificação dos verbos no rol dos regulares: Basta a transcrição fonética da conjugação do presente do indicativo de chegar, meter e partir, que acabámos 12 de fazer, para que nos apercebamos de que, em rigor, tais verbos não deveriam ser incluídos na lista dos verbos regulares; mas a gramática tradicional dava mais importância à escrita do que à oralidade e com efeito, do ponto de vista ortográfico, as formas conjugadas atrás transcritas não apresentam qualquer irregularidade. Se seguíssemos critérios mais rigorosos, os únicos verbos regulares seriam aqueles em que a última vogal do radical 13 é nasalada ou se reduz a /i/ ou /u/: cantar, viver, unir 14. B. O artigo definido Masculino, singular e plural: o, os Feminino, singular e plural: a, as O uso do artigo definido antes dos nomes próprios de pessoa É normal fazer preceder o nome de uma pessoa do artigo definido: A Luísa acaba de chegar, O João chega amanhã. A ausência de artigo em frases como as precedentes Luísa acaba de chegar, João chega amanhã só ocorre em textos escritos que se pretendam distinguir por uma pseudo-marca de literariedade. 12 Note-se que esta forma do perfeito seria, tanto no Brasil como na África lusófona, simplesmente acabamos. 13 Atenção ao facto de que em Pilar Vásquez Cuesta/Maria Albertina Mendes da Luz, Gramática portuguesa (2 vol.s), Madrid, Editorial Gredos, (3.a reimpressão, 1987), II, p. 63, é a última vogal do radical isto é, a vogal da sílaba precedente à da vogal temática que acaba por ser designada, estranhamente, como vogal temática. Para que não haja dúvidas sobre o uso mais apropriado destas designações, consulte-se o Anexo 1, ponto Vásquez Cuesta/Mendes da Luz, cit., ibid. 20

21 O uso (ou não) do artigo definido antes dos nomes de países Para explicitar os casos em que o nome de um país é, ou não, precedido de artigo, servirnos-emos do exemplo de tais nomes após a construção chegar a: C. Regência preposicional de chegar (complemento circunstancial 15 de lugar aonde) 1. Chegar a Andorra e, em geral, com todos os países cujo nome se inicia com S. (São), S.to (Santo) Angola Cabo Verde Cuba Israel Marrocos Moçambique Portugal S. Marino S. Salvador S. Tomé e Príncipe Timor Leste 2. Chegar a/à Espanha França Inglaterra Itália Nota 1: Para os quatro países da lista precedente (assinalada com 2), a possibilidade de prescindir do artigo está limitada à construção de frases em que o nome do país figure como 15 Atenção à diferença terminológica entre a gramática portuguesa e a italiana: o italiano complemento oggetto é, em português, o complemento directo; ao italiano complemento indiretto di termine corresponde, em português, o complemento indirecto; todos os outros complementi indiretti do italiano são chamados, em português, complementos circunstanciais (complemento circunstancial de lugar onde/donde/aonde, complemento circunstancial de companhia, etc.) 21

22 complemento circunstancial do verbo: Estar em/na Espanha, Ir a/à França, Viver em/na Inglaterra. Quando o nome do país figura na frase como sujeito, como predicativo do sujeito ou como complemento directo (mas não como vocativo 16 ), o artigo antes do nome do país revela-se indispensável: A Itália é comprida e estreita, O meu país preferido é a Inglaterra, De Gaulle governou a França. Para os países da lista inicial, assinalada com 1, prescinde-se do artigo em todas as circunstâncias: Estar em Portugal, Viver em Marrocos, Ir a Cabo Verde, A Indonésia invadiu Timor Leste. Nota 2: Tudo quanto se disse sobre o uso (ou não) do artigo em relação aos países considerados em 2 é igualmente válido para um (e só um) continente, a África: Chegar a/à África, Estar em/na África, Ir para (/para a) África, etc. 3. Chegar à* Alemanha Argélia Bélgica China Dinamarca Índia Irlanda Jamaica Noruega Holanda 17 Polónia Rússia Serra Leoa Síria Suécia Suíça Tunísia Ucrânia 16 Itália/Ó Itália, quanto és complexa!; Desperta, Portugal/ó Portugal! 22

23 *a (prep.) + a (art. fem. sing.) 4. Chegar ao** Brasil Butão Egipto Irão Iraque Nepal Paquistão Sri Lanka ** a (prep.) + o (art. masc. sing.) 5. Chegar às*** Baamas Honduras Filipinas Comores *** a (prep.) + as (art. fem. pl.) 6. Chegar aos**** Camarões Estados Unidos Países Baixos 18 **** a (prep.) + os (art. masc. pl.) Nota: para a anteposição ou não do artigo aos topónimos de localidade, v. Unidade V. Países Baixos, p. 21, nota Este é o nome correcto do país que habitualmente designamos como Holanda (a qual mais não é do que uma sua região). No entanto, para os habitantes dos Países Baixos, o português não tem outro gentílico senão o de holandeses. 23

24 Exercícios sobre a declinação de alguns etnónimos (ou gentílicos) Exemplos: Português portuguesa Portugueses portuguesas Francês francesa Franceses francesas Complete: Inglês Chinês Dinamarquês Escocês Tailandês Mas: Alemão alemã catalão catalã húngaro húngara alemães alemãs catalães catalãs húngaros húngaras 24

25 indonésio indonésia Suíço suíça Palestiniano indonésios indonésias suíços suíças Sueco Iraquiano - Outros adjectivos indicadores de nacionalidade: angolano, argelino, belga (invariável, quanto ao género), bósnio, brasileiro, caboverdiano, croata (invariável, quanto ao género), egípcio, estónio, guineense (invariável, quanto ao género), indiano, iraniano, letónio, libanês, lituano, marroquino, moçambicano, paquistanês, são-tomense (invariável, quanto ao género), sérvio, sírio, timorense (invariável, quanto ao género), ucraniano... 25

Olá! Como está? ser / ser de ter / em chamar-se; morar (em); falar

Olá! Como está? ser / ser de ter / em chamar-se; morar (em); falar Olá! Como está? 1 Apresentar-se Cumprimentar Despedir-se Dar informações de carácter pessoal Nome Morada Estado civil Nacionalidades Países / Cidades Profissões Números (até 20) Adjetivos Pronomes pessoais

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