LEI Nº 9.504, DE 30 DE SETEMBRO DE Estabelece normas para as eleições.

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1 LEI Nº 9.504, DE 30 DE SETEMBRO DE Estabelece normas para as eleições.

2 O grande mérito desta lei é o de, a princípio, tornar permanentes as regras para todas as eleições,pois, até sua edição, o que se tinha era uma norma diferente estabelecendo regras diferentes a cada pleito, atendendo, obviamente, aos interesses de quem ora ocupava o poder. Dissemos a princípio porque esta lei vem sofrendo alterações ao longo do tempo. Contudo, não devemos entender estas modificações como a imposição de fórmulas eleitorais novas, e sim o aperfeiçoamento daquelas originalmente elaboradas.

3 Art 1º, Lei 9.504/97 - As eleições para Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Prefeito e Vice-Prefeito, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual, Deputado Distrital e Vereador dar-se-ão, em todo o País, no primeiro domingo de outubro do ano respectivo.

4 Art. 1º, parágrafo único, Lei 9.504/97 - Serão realizadas simultaneamente as eleições: I - para Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Deputado Distrital; II - para Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador

5 Este dispositivo estabelece a realização de dois tipos de eleições: 1) As eleições gerais para Presidente e Vice- Presidente da República, Governador e Vice- Governador de Estado e do Distrito Federal, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Deputado Distrital; e 2) as eleições municipais para Prefeito, Vice- Prefeito e Vereador.

6 Art. 2º, Lei 9.504/97 - Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a Governador que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos. 1º - Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição no último domingo de outubro, concorrendo os dois candidatos mais votados, e considerando-se eleito o que obtiver a maioria dos votos válidos.

7 Tem-se aqui a adoção do sistema majoritário de maioria absoluta e, consequentemente, a possibilidade de haver 2 turno ; Também informa a não contabilização dos votos brancos e nulos como votos válidos ;

8 Qual a diferença entre voto em branco e voto nulo? Tecnicamente, o voto em branco é a ausência de manifestação de vontade por parte do eleitor,seja por não entender como apto nenhum dos candidatos apresentados, seja como forma de protesto por descontentamento com a classe política em geral, seja por outro motivo qualquer. Já o voto nulo pode ser fruto de um erro (digitação de número inexistente e sua confirmação, por exemplo), ou também uma forma de protesto ou não adesão a nenhuma das candidaturas apresentadas.

9 Qual a diferença entre voto em branco e voto nulo? Na prática, porém, não há diferença alguma, pois ambos são considerados votos inválidos e, portanto, não serão contabilizados para efeito de apuração do mais votado.

10 É preciso que, durante as campanhas eleitorais, os eleitores sejam alertados quanto a impropriedade do uso do voto em branco ou nulo como forma de protesto seja por que razão for. A maioria dos cidadãos tem a idéia de que se metade mais um dos votos apurados forem inválidos, a respectiva eleição será anulada e,mais ainda, em uma nova eleição feita em substituição à anulada, aqueles que se apresentaram como candidatos no pleito cancelado não poderiam se candidatar novamente. Estas conclusões são todas incorretas.

11 Primeiro, de acordo com o TSE não se vislumbra a anulação de uma eleição pelo fato de metade mais um dos votos apurados serem inválidos. A eleição será aceita e os poucos votos válidos (ainda que menos da metade do total) é que determinaram o vencedor. Segundo, participação em uma eleição anulada pela razão acima exposta não é causa de inelegibilidade,pois isto não está previsto em nenhuma norma eleitoral ou em resolução do TSE.

12 Logo,ainda que fosse possível a anulação do pleito, na nova votação teríamos os mesmos candidatos da eleição anulada. Conclui-se,portanto, que o voto em branco ou nulo não se configuram como uma boa forma de protesto, mas apenas servem para diminuir o total de votos válidos e,assim, reduzir o universo de pessoas que efetivamente escolherá aqueles ocuparão os cargos eletivos.

13 Art. 2º, 2º, Lei 9.504/97 - Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.

14 Perceba que a lei não fala em convocação do terceiro colocado, e sim daquele de maior votação dentre os remanescentes. Isto quer dizer que se o um dos dois mais votados morrer, desistir ou sofrer impedimento legal, e o terceiro colocado, por exemplo, recusar a convocação, deverá então a justiça eleitoral convocar o quarto colocado. Se este também recusar-se, convocar-se-á o quinto, e assim por diante.

15 Pelo texto acima é possível depreender que a convocação aqui tratada não tem o mesmo sentido de convocação dado, por exemplo, na prestação do serviço militar. Enquanto esta tem caráter obrigatório, a modalidade de convocação para a disputa de segundo turno de uma eleição tem a forma de uma opção, ou seja, cabe ao candidato convocado decidir se aceita ou não participar do pleito.

16 Quanto às hipóteses em que haverá convocação, temos: a)morte: fato natural com repercussão no mundo jurídico ; b)desistência: fato estritamente jurídico, já que decorre da declaração formal de desistência do candidato perante a justiça eleitoral. Entende-se que se configura com a mera entrega da declaração ao órgão competente desta justiça, visto que não cabe ao mesmo aprová-la ou não ; c)impedimento legal: são os casos de declaração de inelegibilidade em decorrência, por exemplo, de impugnação do pedido de registro de candidatura, investigação judicial eleitoral, expulsão do candidato do partido político ao qual estava registrado etc.

17 Art. 2º, 3º, Lei 9.504/97 - Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer em segundo lugar mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso. Tem-se aqui o critério de desempate determinado pela lei.

18 Art. 2º, 4º, Lei 9.504/97 - A eleição do Presidente importará a do candidato a Vice- Presidente com ele registrado, o mesmo se aplicando à eleição de Governador. Aqui, a simultaneidade da eleição do titular do cargo e de seu respectivo vice. Alguns autores denominam esta regra de princípio da unicidade das chapas. Importante observar, neste aspecto, que apesar de a chapa ser uma e indivisível,uma eventual inelegibilidade pode atingir apenas um dos integrantes.

19 Quer dizer, se a inelegibilidade for de ordem pessoal, somente o componente por ela atingido é que deverá ser retirado da disputa. Por exemplo, se no curso do processo eleitoral o candidato a Presidente sofrer condenação transitada em julgado em uma impugnação do pedido de registro de candidatura, apenas este deverá ser substituído. O postulante à vice-presidência permanecerá o mesmo.

20 Art. 3º, Lei 9.504/97 - Será considerado eleito Prefeito o candidato que obtiver a maioria dos votos, não computados os em branco e os nulos. 1º - A eleição do Prefeito importará a do candidato a Vice-Prefeito com ele registrado. 2º - Nos Municípios com mais de duzentos mil eleitores, aplicar-se-ão as regras estabelecidas nos 1º a 3º do artigo anterior.

21 Art. 5º, Lei 9.504/97 - Nas eleições proporcionais, contam-se como válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias. Eleições proporcionais: deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereadores.

22 Nas eleições majoritárias, contam-se como válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos. Eleições majoritárias: Presidente da República, governador, prefeito e senador.

23 Art 4º, Lei 9.504/97 - Poderá participar das eleições o partido que, até um ano antes do pleito, tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral, conforme o disposto em lei, e tenha, até a data da convenção, órgão de direção constituído na circunscrição, de acordo com o respectivo estatuto.

24 O primeiro cuidado que se deve tomar quando da análise deste artigo é não confundir participação com registro de candidatos. As regras aqui impostas são exigidas para que o partido possa participar do pleito e,segundo Marcos Ramayana, a participação destas agremiações no processo eleitoral se dá, dentre outras formas,pela: a) Propositura de ações ; b) Fiscalização da propaganda política eleitoral ; c) Exercício do direito de resposta ; d) Produção e veiculação de propaganda eleitoral ; e) Participação em coligações, ainda que sem candidatos próprios ; f) Registro de candidatos.

25 Das Coligações Art. 6º, Lei 9.504/97 - É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional, ou para ambas, podendo, neste último caso, formar-se mais de uma coligação para a eleição proporcional dentre os partidos que integram a coligação para o pleito majoritário.

26 A coligação partidária consiste em uma relação de colaboração estabelecida entre dois ou mais partidos políticos com o objetivo de apresentar candidato ou candidatos em comum às eleições e, em razão disso, compartilhar recursos e o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

27 Art. 6º, 1º, Lei 9.504/97 - A coligação terá denominação própria, que poderá ser a junção de todas as siglas dos partidos que a integram, sendo a ela atribuídas as prerrogativas e obrigações de partido político no que se refere ao processo eleitoral, e devendo funcionar como um só partido no relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato dos interesses interpartidários. Art. 35, 4º, Res /09 - As coligações sempre serão tratadas como um único partido político.

28 Art. 6º, 4 o, O partido político coligado somente possui legitimidade para atuar de forma isolada no processo eleitoral quando questionar a validade da própria coligação, durante o período compreendido entre a data da convenção e o termo final do prazo para a impugnação do registro de candidatos.

29 Art. 6º, 1º - A, Lei 9.504/97 - A denominação da coligação não poderá coincidir, incluir ou fazer referência a nome ou número de candidato, nem conter pedido de voto para partido político.

30 Art. 6º, 5º, Lei 9.504/97 - A responsabilidade pelo pagamento de multas decorrentes de propaganda eleitoral é solidária entre os candidatos e os respectivos partidos, não alcançando outros partidos mesmo quando integrantes de uma mesma coligação. (Incluído pela Lei nº , de 2013)

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