CEMIG DISTRIBUIÇÃO. Autores. Alex Antonio Costa Carlos Miguel Trevisan Noal Eustáquio do Nascimento Amorim Jorge Pereira de Souza Renato Claro Martins

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1 A INTEGRAÇÃO DO SESMT COM A ENGENHARIA CIVIL NA ADEQUAÇÃO DAS INSTALAÇÕES VISANDO REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA EXECUTADAS EM DIFERENÇA DE NÍVEL Autores Alex Antonio Costa Carlos Miguel Trevisan Noal Eustáquio do Nascimento Amorim Jorge Pereira de Souza Renato Claro Martins CEMIG DISTRIBUIÇÃO

2 RESUMO Durante a investigação das causas de acidente ocorrido em uma subestação, no dia 26/05/2008, foi constituído um Grupo de Trabalho para propor as adequações necessárias às instalações e metodologia para a realização das atividades de conservação e limpeza realizadas em diferença de nível. Visando propiciar condições seguras, foram desenvolvidos e testados suportes para fixação de escada e para ancoragem nos taludes. Foram dotadas 32 subestações com dispositivos de ancoragem para roçada nos taludes, instalados suportes para fixação de escada extensível em 28 subestações, possibilitando o uso da linha de vida, trava-quedas e cinto pára-quedista e estabelecidos procedimentos operacionais. As soluções adotadas foram encaminhadas para a gerência responsável pela construção de novas subestações, para serem utilizadas nos projetos futuros integrando, assim, o SESMT com a engenharia civil.

3 INTRODUÇÃO No dia 26/05/2008 um funcionário de empreiteira realizava a limpeza da caixa d água da subestação Lambari, posicionado sobre o telhado da casa de controle, quando a telha de fibrocimento do beiral quebrou-se, acarretando a queda do trabalhador de uma altura aproximada de 2,80 metros. O Grupo de Trabalho constituído para a investigação das causas deste acidente constatou a inadequação das instalações e ausência de método para a realização segura de atividades de conservação e limpeza realizadas em diferença de nível, como a roçada de taludes e a limpeza de vidros. Com o objetivo de proporcionar condições seguras para a realização destas atividades, foram avaliadas 45 subestações e desenvolvido sistema de ancoragem para a roçada de taludes, suporte para a fixação de escada e metodologia adequada ao controle do risco de queda. DESENVOLVIMENTO Embora o acidente que motivou a realização deste trabalho tenha acontecido durante a limpeza de caixa d água, foram identificadas e contempladas outras atividades correlatas que apresentam risco de queda: 1. Roçada em taludes 2. Limpeza de vidros 3. Limpeza de caixa d água 4. Limpeza de calhas e manutenção em telhado Foram mapeadas as condições físicas das instalações para a realização destas atividades e desenvolvidas as adequações necessárias para proporcionar condições seguras para a realização destas atividades, como detalhado a seguir:

4 1. ROÇADA EM TALUDES No mapeamento dos taludes de 45 subestações verificou-se que havia taludes que apresentavam condições distintas para roçada, evidenciando-se a necessidade de dividi-los em duas categorias: a) taludes de alto risco b) taludes de baixo risco Os taludes de alto risco são aqueles que possuem as três características abaixo: I. Taludes nos quais a manutenção da grama é feita com o uso de roçadeira. II. Taludes com comprimento da rampa (parte inclinada do talude) igual ou maior que 5 metros. III. Inclinação do talude igual ou superior a 45 (comprimento da rampa menor que 1,4 vezes a altura do mesmo). A adequação dos taludes de alto risco consiste de dispositivos que permitem a fixação de linha de vida para impedir a queda do operador da roçadeira. A linha de vida é fixada em uma haste, presa no topo do talude. O operador da roçadeira utiliza cinto de segurança do tipo pára-quedista com trava-quedas fixado na linha de vida, conforme fotos:

5 Adequação dos taludes de alto risco: Foram padronizados três dispositivos: a. Tubos fixos (onde será colocada a haste móvel) b. Tampão para os tubos fixos (para impedir a entrada de água) c. Haste móvel (onde será fixada a linha de vida do operador da roçadeira): Testes realizados Testados dois tipos de materiais para os tubos fixos: Tubo de aço, espessura 1,5 mm e tubo de PVC soldável (marrom), espessura 3,3 mm; ambos com diâmetro de 50 mm e comprimento de 1 metro. Os tubos foram fixados através de um orifício aberto diretamente no talude, sem utilização de concreto ou massa de cimento. O orifício foi preenchido com terra compactada em camadas de 25 cm com ferramenta manual. O conjunto tubo fixo e haste móvel foi testado com o uso de um dinamômetro conectado a uma catraca, que simulava o esforço aplicado pelo operador da roçadeira. O dinamômetro media o esforço que estava sendo aplicado.

6 Não ocorreu o rompimento da haste nem do tubo fixo. Os ensaios foram interrompidos quando o deslocamento do tubo fixo chegou a 3 cm, neste momento a tração exercida era de 400 kgf. Conclusão dos ensaios: Sendo a compactação do solo a parte frágil da adequação proposta para os taludes, esta poderia ser melhorada aumentando-se o comprimento do tubo fixo ou utilizando concreto. Porém, como a ruptura do solo foi considerável quando o carregamento atingiu 300 kgf e o esforço aplicado pelo operador da roçadeira será inferior à metade deste valor (aproximadamente 100 kgf), concluiu-se que: I. Não será necessário concretar o tubo fixo nem aumentar o seu comprimento. II. O tubo de PVC e o tubo de aço suportaram bem os esforços, não apresentando ao final dos ensaios qualquer sinal de avaria ou trinca em suas paredes, nem

7 mesmo no trecho do tubo que fica acima do terreno. Portanto, quanto à resistência à tração, os dois tipos de tubos podem ser utilizados. Custos: A barra com 6 metros do tubo de PVC com 50 mm de diâmetro, espessura de 3,3 mm, custou R$ 36,00 em dezembro/08. A barra com 6 metros do tubo de aço com 50 mm de diâmetro, chapa 16 (espessura 1,5 mm), custou R$ 48,00 em dezembro/08. Durabilidade prevista: Como os tubos fixos ficarão em contato direto com terra e água a previsão é que ocorrerá a corrosão (ferrugem) dos tubos de aço, enquanto que os tubos de PVC não sofrerão este desgaste. Conclusão dos testes: Diante dos resultados dos ensaios realizados, considerando o custo e a durabilidade prevista, fizemos a opção pelo tubo de PVC. Especificação dos dispositivos Tubos fixos: Tubo de PVC soldável (marrom fabricado para encanamento de água fria) com 1 metro de comprimento e diâmetro de 50 mm, espessura mínima de 3,3 mm. Haste móvel: Tubo de aço com diâmetro de 38 mm (1 ½ polegadas), chapa 13 (espessura 2,25 mm) com comprimento de 1 metro e 10 centímetros. Na ponta da haste devem ser soldadas duas alças para possibilitar a amarração da linha de vida. Tampão para os tubos fixos: Tampão para tubos de PVC de 50 mm. Instalação dos tubos fixos Os tubos fixos deverão ser instalados na parte mais alta do talude com espaçamento de 10 metros entre os tubos fixos. Aproximadamente 2 cm do tubo fixo devem ficar sobre a superfície do terreno para possibilitar o encaixe do tampão, visando impedir a entrada d água.

8 2. LIMPEZA DE VIDROS As casas de controle das subestações são térreas, a altura máxima dos vidros em relação ao solo é inferior a 2,90 metros. A limpeza é realizada com a utilização de uma escada TIPO A com duas pessoas, sendo que uma delas deve segurar a escada durante a execução da tarefa. Os executantes são treinados nesta metodologia ficando, assim controlado o risco de queda. 3. LIMPEZA DE CAIXA D ÁGUA Houve necessidade de adequação nas casas de controle em que a caixa d água está instalada entre o telhado e a laje com acesso por alçapão externo e quando a caixa d água está sobre o telhado: Foi desenvolvido um suporte metálico a ser afixado na parede para suportar e impedir a movimentação da escada extensível. A fixação do dispositivo foi submetida a teste de resistência com o dinamômetro, igual ao realizado nos testes de padrão de entrada. O suporte desenvolvido possui regulagem para apoiar a escada por um degrau, permitindo a aplicação nas diferentes alturas de casas de controle. Completa o conjunto de segurança o uso da linha de vida presa à escada e a utilização de cinto pára-quedista e trava quedas. Nos casos em que a caixa d água fica sobre o telhado, além do conjunto referido, foi construída uma passarela em alvenaria, sobre a viga de sustentação do telhado, para possibilitar o acesso à caixa d água.

9 Nas subestações em que a caixa d água fica instalada em um pilar separado da casa de controle, o acesso se dá através de andaime montado próximo: Nas subestações em que a caixa d água fica instalada entre a laje e o telhado com alçapão interno o acesso é realizado com a utilização de uma escada TIPO A, segura por uma pessoa durante a subida e a descida. Os executantes são treinados nesta metodologia ficando, assim controlado o risco de queda. 4. LIMPEZA DE CALHA E MANUTENÇÃO EM TELHADO A segurança para a realização destas atividades seguirá basicamente os mesmos princípios mencionados no que diz respeito ao controle do risco de queda, observadas as particularidades de cada uma.

10 CONCLUSÃO As atividades contempladas neste trabalho são acessórias às atividades que envolvem a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, portanto, não são objetos de estabelecimento de metodologias para controle dos riscos com o mesmo rigor das atividades diretamente relacionadas ao Sistema Elétrico de Potência. Porém, os riscos presentes nestas atividades, especialmente queda com diferença de nível, têm potencial de acarretar acidentes com gravidade. As adequações e metodologias desenvolvidas visam exatamente prevenir a ocorrência de acidentes semelhantes àquele que motivou os estudos que culminaram com as soluções implementadas através deste trabalho. O projeto piloto aconteceu em uma regional e foi encaminhado ao órgão central responsável pela padronização em toda a empresa objetivando ser uma solução abrangente no âmbito de atuação da companhia. Inclusive para que as futuras construções sejam planejadas de modo a contemplar sistema de segurança para as tarefas mencionadas.

11 Assim, se efetivará A integração do SESMT com a engenharia civil na adequação das instalações visando realização de atividades de conservação e limpeza executadas em diferença de nível. REFERÊNCIAS Procedimento Operacional Padrão CEMIG Amarração de escadas extensíveis. Procedimento Operacional Padrão CEMIG Trabalho em altura em Rede de Distribuição Aérea. Procedimento Operacional Padrão CEMIG Utilização de cinto pára-quedista Portaria nº de 08/06/1.978 do Ministério do Trabalho e Emprego

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