AULA 3 03/03/11 AS FORMAS DE PROCEDIMENTO E A COMPETÊNCIA

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1 AULA 3 03/03/11 AS FORMAS DE PROCEDIMENTO E A COMPETÊNCIA 1 AS FORMAS DE PROCEDIMENTO 1.1 QUANTO AO LUGAR Os atos processuais são praticados na sede do juízo, que é o fórum competente para julgar o processo penal quando se leva em consideração o local do fato. Há comarcas com mais de uma sede. Ocorrendo deslocamento de competência advém alteração da sede do juízo. Excepcionalmente, os atos processuais são praticados fora da sede de juízo. Na situação de cartas os atos são praticados em uma espécie de cooperação administrativa: carta precatória (comarcas diferentes), carta rogatória (soberanias diferentes) e carta de ordem (instâncias diferentes). Assim, exemplificando, o juiz deprecante solicita ao deprecado, dentro do território nacional, que intime determinado réu; ou o tribunal determina que o juiz de primeira instância promova a oitiva de uma certa testemunha que julga necessária. Há outras exceções. O juiz deixa o fórum a fim de praticar atos processuais em ambiente alheio. Exemplificando, comenta-se que caso de oitiva do Presidente da República, a mesma ocorrerá em local, data e hora pelo chefe do Executivo determinados. Evidencie-se que, há relação absoluta entre a sede do juízo e a competência. Neste norte, a sede do juízo varia segundo a competência. Exemplos: delito estadual sede do juízo na Barra Funda; e delito federal sede do juízo na Paulista.

2 10 DIREITO PROCESSUAL PENAL 1.2 QUANTO AO TEMPO O ato processual é praticado quando a lei ou quando o magistrado assim o quiser. Nesta tangente, podemos perceber que o ato processual é realizado em conformidade com a legislação ou com o despacho do juiz ou do desembargador. Muitos eventos podem dar causa a um ato processual. Vai ocorrer um ato quando provocado por um despacho, uma publicação etc.. Cada vez que surgir uma causa haverá um intervalo de tempo para que se dê o ato, é o chamado prazo processual. Destaque-se que, o ato processual é oportunidade e, desta forma, pode ocorrer ou não. Caso o ato processual não ocorra, disto pode não decorrer ônus qualquer (este prazo é dito impróprio), ou, diferentemente, pode advir ônus (este prazo é dito obrigatório). O Ministério Público também tem prazos para praticar os atos processuais. O descumprimento desses prazos não gera sanção, mas pode fazer nascer direitos para os ofendidos e seus representantes legais. Exemplo: ação penal privada subsidiária à pública. Chamamos de preclusão a perda do direito de ação. É gênero de três espécies: temporal (ato praticado fora do prazo), consumativa (ato praticado novamente ou completando ato anterior) e lógica (ato praticado em sentido diverso de outro que lhe antecede). 1.3 QUANTO AO MODO DE EXECUÇÃO O ato processual deve ser praticado em língua portuguesa e, neste norte, fonte outra de comunicação deverá ser traduzida, tal qual ocorre com um documento redigido em inglês e que é juntado aos autos ou um depoimento colhido em libras. Pode o ato processual ser praticado de modo oral ou escrito. Prega-se, desde logo, o princípio da oralidade mediante o qual se privilegia aqueles em relação a estes. O projeto do novo Código de processo Civil favorece, ainda mais, os atos orais; aproxima-nos do sistema alemão. Anote-se que, há relação direta entre o modo de produção das provas e o convencimento do magistrado. Quando oral (ex. oitiva) o juiz observa o tom de voz, os gestos, todo um corpo mentindo ou falando a verdade. Quanto escrita: Perguntado se matou fulano, respondeu que não..

3 11 AULA 3 AS FORMAS DE PROCEDIMENTO E A COMPETÊNCIA O princípio da identidade física do juiz roga que o julgador que coletar a prova deverá ser o responsável por prolatar a sentença. Atenção: tal não vigora no processo penal, salvo no rito do júri, eventualidade na qual o jurado está obrigado a manifestar seu parecer. A atividade processual é a somatória de três princípios, quais sejam: o princípio da inércia jurisdicional (o legítimo deve provocar o Estado); o princípio da iniciativa das partes (as partes devem provocar o Judiciário); e o princípio do impulso oficial (iniciada a ação, ela segue). O rito processual pode ser percebido como a somatória de dois elementos: o ritmo (velocidade de andamento) e a amplitude (profundidade de apreciação). Nesta fórmula generalista podemos aplicar os diversos ritos, tais como o ordinário e o sumário. O rito ordinário: ritmo pequeno (lento) e amplitude grande (profundo aprecia muito). O rito sumário: ritmo grande (rápido) e amplitude pequena (superficial aprecia pouco). O rito sumaríssimo: ritmo imenso (instantâneo) e amplitude minúscula (risível aprecia quase nada). O rito do júri: ritmo minúsculo (parando) e amplitude imensa (denso aprecia assaz). Velocidade está associada a concentração de atos; e profundidade à quantidade de pedidos. Percebe-se que, quanto mais rápido passamos por um lugar, menos o apreciamos. 2 A COMPETÊNCIA 2.1 A JURISDIÇÃO A jurisdição etimologicamente, dizer o direito foi assim conceituada por Manzini: é função soberana que tem por escopo estabelecer por provocação de quem tem o dever ou interesse respectivo, se, no caso concreto, é aplicável uma determinada norma jurídica. Admirável pautar que, a jurisdição é uma porquanto a função do Estado de responder a dúvida em relação à implantação do direito seja uma só. Entretanto observa-se limitação administrativa da jurisdição, trata-se da competência.

4 12 DIREITO PROCESSUAL PENAL 2.2 A COMPETÊNCIA A competência nada mais é, senão, a medida de extensão do poder de exercer a jurisdição, ou seja, de dizer o direito no caso concreto. Existem três espécies dela: ratione loci (em razão do lugar), ratione materiae (em razão das matérias) e ratione personae (em razão das pessoas). Em razão do lugar: o Código Penal 1 abraça a teoria da atividade (considera-se o local do crime o lugar no qual se deu a ação ou omissão); o Código de Processo Penal 2, a teoria do resultado (considerase o local do crime o lugar no qual se deu o resultado). Em razão das matérias: no tocante às matérias, observa-se a existência de duas espécies de jurisdição a jurisdição comum (estadual e federal); e a jurisdição especial (militar, eleitoral e trabalhista a militar existe exclusivamente no âmbito penal e a trabalhista no civil). 1 Código Penal do Brasil (1940): Lugar do crime (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) 2 Código de Processo Penal do Brasil (1941): Art A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. 1 o Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. 2 o Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. 3 o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

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