AS INTERFACES ENTRE O MEIO AMBIENTE E O COMÉRCIO INTERNACIONAL

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "AS INTERFACES ENTRE O MEIO AMBIENTE E O COMÉRCIO INTERNACIONAL"

Transcrição

1 AS INTERFACES ENTRE O MEIO AMBIENTE E O COMÉRCIO INTERNACIONAL Janis Elisa Ruppenthal PPGEP UFSM / Campus Santa Maria/RS Nilton José Zanini Junior PPGEP UFSM / Campus Santa Maria/RS Alessandro de Franceschi PPGEP UFSM / Campus Santa Maria/RS Abstract The globalization and the commercial liberalism impose reflection and actions of companies and nations about the possible effects of international trading in the environment degradation, as well as about the manger on which the adoption of national environment policies interferes in the equity of international commercial relations. The subjects related to international trading and to the direct foreign investment dominated the discussions about national and international environment policies until the end of the 90 s (the nineties). When such matters are raised, these are some questions like: Does the process of the economy internationalization threaten the environment it is just an opportunity to preserve it? Don t the national environmental policies distiguise the commercial relations affecting, in heterogeneous manner, the competitiveness of all countries? How can the commercial restrictions be used to achieve environment goals? Will the environment preservation be compatible to the commercial liberalism? Key-words: environmental degradation, international trading, commercial liberalism. 1 INTRODUÇÃO O tema das relações entre o meio ambiente e o comércio internacional é bastante controverso, tornando-se ainda mais relevante quando se considera o avanço recente do processo de liberalização comercial e sua influência determinante na competitividade internacional das empresas e nações. Os problemas ambientais estão dispersos, possuindo efeitos presentes e futuros, são locais e globais, estão associados a agentes públicos e privados, grandes e pequenos, ao crescimento econômico ou à estagnação, as falhas de mercado ou do governo, ao protecionismo comercial ou a liberalização, possuem uma dimensão global, como é o caso da camada de ozônio, fazendo com que as soluções passem por acordos internacionais através do Comitê do Comércio e Meio Ambiente da OMC (Organização Mundial do Comércio). A primeira reunião ministerial ocorrida em Cingapura, em dezembro de 1996, consolidou o compromisso dos membros da OMC em aprofundarem e ampliarem a agenda de questões ambientais relativas ao comércio internacional. Na visão de Gonçalves (2000), as cláusulas ambientais de comércio internacional tratam de regulamentações, normas ENEGEP 2002 ABEPRO 1

2 práticas e mecanismos orientados para a proteção e melhoria das condições do meio ambiente. O autor destaca, que as regulamentações e normas podem ser derivadas de decisões na esfera nacional e, existir como parte de acordos multilaterais sendo incluídas em tratados ou convenções internacionais. A questão central nas relações entre o meio ambiente e o comércio internacional reside no processo de dumping ambiental, a partir do qual os países obtêm competitividade espúria com base na degradação ambiental. Países com regulamentações, normas e práticas de controle ambiental menos rígidas beneficiam-se ou geram vantagem comparativa no sistema mundial de comércio que não existiriam, caso os custos de implementação das normas ou padrões internacionais fossem internalizados, o que provoca, em função das diferenças significativas quanto à regulamentação do meio ambiente, um deslocamento de investimentos para países negligentes em detrimento dos países conscientes quanto à preservação do meio ambiente. 2 A ABERTURA DO COMÉRCIO INTERNACIONAL Paralelamente a emergência e disseminação das questões ambientais no plano internacional, em especial a partir da década de 90, surge uma pressão muito forte pela liberalização comercial internacional. A abertura de novos mercados imposta pela crise de superprodução que elevou a oferta e aumentou a concorrência de produtos em níveis superiores à demanda após os anos 70, a crise financeira do estado que limitou a capacidade de proteger setores nacionais e de dar continuidade ao estado de bem estar social e o ingresso do Japão e de outros países asiáticos no comércio internacional, fez com que vários países, inclusive os Estados Unidos, acumulassem déficits comerciais, o que motivou e pressionou uma maior abertura comercial nesse final de século. O protecionismo, que vem diminuindo desde a criação do GATT, provém tanto de barreiras tarifárias, como de barreiras técnicas e sanitárias, ou de sistemas de garantia de preços internos. É consenso atualmente que as principais barreiras comerciais no presente (e no futuro) não são tarifárias, como é o caso das barreiras técnicas, sanitárias e ambientais. Essa é uma importante interface entre o meio ambiente e o comércio internacional, qual seja, o papel do primeiro na imposição de barreiras comerciais. Por mais que existam resistências, a liberalização comercial parece ser irreversível, pode-se acreditar que a tendência é a redução das barreiras ao comércio internacional. A criação da OMC foi um passo importante na direção de uma maior disciplina no cumprimento dos acordos, uma vez que essa possui maiores poderes que o GATT para solucionar disputas no mercado internacional e impor o cumprimento desses acordos. Pode-se refletir a respeito da interface existente entre a questão ambiental no âmbito do comércio internacional e a evolução da liberalização comercial, visto que esses temas emergiram e evoluíram de forma intensa em um mesmo período de tempo. 3 A QUESTÃO AMBIENTAL NO ÂMBITO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL A análise da cronologia das discussões a respeito desse tema demonstra uma estrita relação com condições históricas específicas, visto que tais discussões se acirram nos momentos em que a integração comercial assume um papel importante nas pautas políticas dos países, como ocorreu com o Brasil no período que antecedeu a efetivação do MERCOSUL, e com os Estados Unidos nas vésperas da consolidação do NAFTA (North American Free Trade Agreement). As barreiras ambientais ao comércio têm como finalidade primeira proteger o ambiente, o que faz parte da soberania nacional dos países, ou de criar um protecionismo comercial que contraria os acordos que o próprio país possivelmente assinou no GATT. ENEGEP 2002 ABEPRO 2

3 No caso das restrições ambientais, verifica-se ainda, o uso discricionário e discriminatório de barreiras comerciais restritivas relacionadas ao meio ambiente. Os países desenvolvidos poderão usá-las não como um mecanismo para alcançar objetivos reconhecidamente de melhoria do meio ambiente, mas sim para legitimar o uso de medidas protecionistas, com fins especificamente relacionados ao comércio internacional. Contudo, deve-se reconhecer que a melhoria das condições ambientais, principalmente nos países em desenvolvimento, depende da interação de fatores tais como: a vontade política dos governos, pressão da sociedade, pressão internacional, disponibilidade de recursos técnicos e financeiros, e institucionalidade adequada. Nesse sentido, Gonçalves (2000), salienta que mesmo os governos dos países desenvolvidos adotando medidas protecionistas orientadas principalmente para interesses comerciais, e não com objetivo de melhoria ambiental, os custos derivados da perda de mercado internacional poderão ter um impacto positivo na luta realizada pelos grupos ambientalistas em cada país. A imposição de barreiras comerciais relativas ao meio ambiente, certamente afetaria a competitividade internacional dos países em desenvolvimento, todavia, os custos no curto prazo seriam mais do que compensados pelos benefícios em longo prazo, tanto no que se refere à melhoria do meio ambiente quanto ao upgrade das condições gerais de desenvolvimento econômico. No processo de ajuste, é imprescindível que os países em desenvolvimento tenham acesso a tecnologias ambientalmente mais apropriadas, a recursos técnicos e recursos financeiros. Poderia também ser desenvolvida via um processo de certificação que premiasse os países que exportam produtos ambientalmente corretos. Todavia, deve-se considerar no que diz respeito às barreiras de acesso às tecnologias apropriadas em termos de meio ambiente, que essas tecnologias podem não estar acessíveis por razões comerciais, financeiras e técnicas. Assim, haveria, dificuldades significativas para a obtenção das chamadas tecnologias limpas. Uma diferença importante entre os defensores do meio ambiente e os defensores do livre comércio reside no fato de que para os ambientalistas, as normas ambientais usadas nos acordos comerciais deveriam ser as mais elevadas, o que permitiria um processo generalizado de melhoria das condições ambientais, ao passo que para livre-cambistas, tais normas deveriam ser mais baixas, de tal maneira que não comprometesse a liberalização comercial com restrições indevidas associadas ao meio ambiente. Assim os ambientalistas compartilham uma visão maximalista e os livre-cambistas uma visão minimalista no que se refere ao nível de rigor das normas ambientais. Os governos dos países comprometidos com a questão ambiental responderão prontamente às pressões internacionais e, portanto, ficarão livres das sanções impostas pelo GATT. No entanto, essas pressões poderão ser utilizadas para acelerar reformas e projetos que estão sendo impedidos por interesses domésticos vinculados a forças políticas e econômicas que defendem a manutenção de práticas de degradação ambiental. As restrições impostas internacionalmente tenderão a afetar a correlação das forças políticas internas em detrimento dos segmentos predadores, permitindo a denúncia da negligência de governos com relação aos nocivos efeitos sociais e econômicos de normas ambientais condenáveis internacionalmente. No front externo, ocorre uma perda de projeção internacional do país decorrente da violação de cláusulas ambientais incorporadas em acordos internacionais. Muitos são os mecanismos pelos quais as exigências das políticas ambientais oneram os custos de produção afetando a competitividade das empresas no front interno e externo. Alguns estudos argumentam que o efeito das políticas ambientais sobre os custos empresariais não é significativo a ponto de comprometer a competitividade de um país no mercado internacional. Procópio Filho et alii (1994) estima que o impacto da regulamentação ambiental sobre os custos de produção representa, em média, algo em ENEGEP 2002 ABEPRO 3

4 torno de 1,75%. Dean (1991), afirma que a tentativa de impor barreiras ambientais com base nesse argumento de perda de competitividade por parte dos países mais regulamentados não corresponde à realidade, visto que o custo do controle ambiental é pouco significativo quando adicionado aos demais custos empresariais. Ferrantino (1997), analisando o caso dos Estados Unidos conclui de modo semelhante, evidenciando que o efeito das regulamentações ambientais sobre os custos operacionais das empresas americanas encontra-se em torno de 2% a 3%. O que demonstra que caso fossem eliminadas todas as regulamentações ambientais, os preços dos produtos americanos no mercado internacional cairiam em torno de 2% a 3%, o que não traria um efeito significativo sobre a economia americana. Contudo, que esses custos podem ser bastante elevados em alguns setores, como é o caso de indústrias que produzem rejeitos tóxicos. No Brasil, segundo Souza (2000), 93% das empresas têm custos com gestão ambiental inferiores a 5% dos custos totais. As exigências dos mercados mundiais em termos de sanidade ambiental são crescentes e tendem a acentuar-se com a difusão de inúmeros sistemas de rotulagem ambiental como a ISO As empresas situadas em países com padrões ambientais mais rígidos tenderiam mais rapidamente e com menores custos a se adequarem aos novos padrões impostos pelo mercado internacional. Dessa maneira, na medida em que os mercados se tornarem mais exigentes quanto aos aspectos ambientais dos produtos, políticas ambientais mais rígidas podem não significar só aumento de custos para as empresas, mas também oportunidades comerciais. Em termos genéricos, constata-se que o efeito das regulamentações ambientais sobre os custos das empresas é, em média pequeno, com baixo potencial para afetar a competitividade global do país. Todavia, tanto em nível setorial, como empresarial, os efeitos negativos dependerão do nível das regulamentações e das disparidades existentes entre os países competidores. Países com políticas ambientais mais restritivas podem beneficiar-se no comércio internacional na medida em que ele se torne mais exigente, por permitir uma adequação mais rápida e menos dispendiosa por parte das empresas. 4 A QUALIDADE DO MEIO AMBIENTE E A LIBERALIZAÇÃO COMERCIAL Uma das interfaces mais polêmicas entre o comércio internacional e o meio ambiente consiste na relação existente entre a qualidade ambiental e o comércio internacional. A questão parece residir em saber se a liberalização do comércio internacional representa uma oportunidade de preservação ambiental ou uma ameaça para o meio ambiente, isto é, qual seria o efeito da liberalização comercial sobre a qualidade ambiental? Esse assunto tem gerado grandes controvérsias, apresentando muitas opiniões divergentes, e em determinados pontos, até mesmo antagônicas. Segundo Gutierrez (1995), as posições básicas são as seguintes: Em um extremo, encontrar-se-ia o argumento de que o livre comércio contribui para a degradação ambiental. Os defensores dessa idéia geralmente sugerem a redução da liberdade de mercado como maneira de garantir a preservação ambiental. Em outro extremo estariam os defensores incondicionais do livre comércio, que contrariam a posição anterior, afirmando que a proteção dos mercados domésticos é que contribui para a degradação ambiental, ao passo que a liberalização representa uma oportunidade de preservação. Nesse caso, a liberalização dos mercados deveria ser promovida também com fins de preservação ambiental. Uma posição intermediária, afirma que a liberalização comercial é benéfica para os países que compõe uma determinada zona de livre comércio, mas que esta deveria ser reduzida quando fosse detectada degradação ambiental associada a fluxos comerciais específicos. Essa concepção se recusa a associar linearmente a liberalização comercial com a degradação ambiental, destacando que existem diferentes interfaces entre o comércio internacional e a degradação ambiental, ora utilizando argumentos do primeiro grupo, ora ENEGEP 2002 ABEPRO 4

5 argumentos do segundo grupo, concordando que ambos estão parcialmente corretos, não podendo dessa maneira ser excludentes do ponto de vista analítico. Essas diferentes concepções possuem argumentos que representam posições ideológicas diferenciadas, que extrapolam as questões ambientais. A primeira corrente esta relacionada a posições ideológicas nacionalistas que apresentam um grau de prioridade bem maior relacionado à preservação ambiental e soberania nacional, responsabilizando as atividades privadas, o crescimento econômico e os mecanismos de mercado como os principais responsáveis pela degradação ambiental. A segunda posição, por sua vez, está associada às argumentações liberais, de defesa da livre iniciativa e do livre trânsito de mercadorias com o mínimo de regulamentação governamental. Normalmente estando vinculadas aos princípios de organismos multilaterais como o GATT, o Banco Mundial e o Fundo monetário Internacional, que atuam na defesa do livre mercado, da livre iniciativa e da desregulamentação. Essa posição também é defendida por um grupo que Colby (1991), chamou de paradigma do frontier economics, que geralmente, negligenciam as questões ambientais por acreditarem que os mecanismos de mercado, através de sinalizações dos preços relativos para a melhoria da eficiência e para a substituição de produtos e recursos, seriam capazes de superarem automaticamente os impasses ambientais, bem como seriam a melhor e a mais eficiente alternativa para a alocação dos recursos naturais. Os problemas ambientais parecem estar muito mais associados às falhas de governo e a problemas com o direito de propriedade dos recursos ambientais, do que propriamente a falhas no regime de funcionamento dos mercados. Desta maneira, minimizar o estado, liberalizar os mercados e assegurar direitos de propriedade aos recursos ambientais seria a melhor forma de solucionar esses problemas. A argumentação intermediária que oscila entre a prudência e o interesse em não assumir posições a priori, é formada por um grande número de intelectuais e pesquisadores da questão ambiental que preferem não estar atrelados a ortodoxias ou tornarem-se prisioneiros de idéias pré-concebidas, defendem que o comércio internacional possui interfaces positivas e negativas com o meio ambiente. 5 A LIBERALIZAÇÃO COMERCIAL COMO UMA OPORTUNIDADE DE PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE Os defensores dessa tese entendem a liberalização comercial como sendo uma medida não apenas específica para o meio ambiente, mas também como necessária para a garantia da preservação ambiental do planeta. Além de todos os economistas liberais e os defensores do chamado ambientalismo de mercado, o principal defensor dessa tese é o próprio GATT, seguido também por alguns setores do Banco Mundial e por relatórios oficiais das Nações Unidas sobre o meio ambiente. Segundo os relatórios do Banco Mundial (1992), o meio ambiente é, sobretudo um problema da pobreza e das populações pobres. Os países ricos não possuem apenas melhores padrões ambientais, fruto de maiores demandas por qualidade ambiental e de políticas de regulamentação mais rígidas, como também possuem mais recursos para financiar políticas de proteção ambiental. Segundo o referido relatório, as políticas de liberalização comercial não só promoveriam o desenvolvimento econômico nos países pobres, como também incrementariam a demanda pública por qualidade ambiental. Da mesma forma, mais recursos para o meio ambiente, promoveriam também eficiência maior e uma produtividade mais elevada, reduzindo também a poluição através do estímulo ao desenvolvimento de indústrias menos poluentes e do incentivo a adoção e difusão de tecnologias menos poluentes. O protecionismo, sobretudo dos países industrializados consiste em um impedimento para o desenvolvimento sustentável, fazendo-se necessário à remoção de todas as barreiras ENEGEP 2002 ABEPRO 5

6 do comércio internacional como forma de possibilitar aos países pobres desenvolverem-se e engajarem-se no esforço mundial pela preservação ambiental. O meio ambiente como qualquer outro bem seria beneficiado pelo livre comércio, visto que seria protegido indiretamente através de um maior crescimento, o que aumentaria a demanda pela proteção ambiental. Por outro lado, além de disponibilizar aos consumidores uma maior quantidade de produtos verdes, o livre comércio se constitui em um importante instrumento de difusão de tecnologias menos poluidoras. Finalmente, dentro das argumentações desenvolvidas pelo GATT, a cooperação multilateral seria fundamental para a resolução de vários problemas ambientais, em um contexto de livre comércio, que por sua vez seria o melhor cenário para que tal cooperação ocorresse. As conclusões do GATT apontam no sentido de que não existem razões para se reduzir o livre comércio a partir de restrições comerciais motivadas por razões ambientais, bem como não existe risco da questão ambiental vir a ser usada como pretexto para protecionismo. O que na verdade, está acontecendo. Por outro lado, para Silva & Bravo (1994), o fato de que agir de maneira ambientalmente correta, limitando o consumo de matérias-primas e energia, elevando a eficiência e reduzindo os desperdícios, não só contribui decisivamente para a preservação do meio ambiente, como também para a redução dos custos e aumento da qualidade e a produtividade nas indústrias, fatores indispensáveis na busca da competitividade internacional. Dessa forma, a proteção do meio ambiente deixa de ser apenas uma exigência de regulamentações governamentais, significando também, principalmente a partir da difusão dos selos ambientais, das auditorias ambientais e da série ISO 14000, condições de permanência, ampliação ou mesmo perda de mercado. Motivada pela liberalização comercial, estaria ocorrendo uma espécie de autorregulamentação por parte das empresas no sentido de se adequarem aos padrões e exigências ambientais crescentes, não necessariamente dos governos, mas sim dos mercados consumidores. Assim, o aumento da competição provocada pelo incremento do comércio internacional estaria atuando sobre três fatores que estão intimamente associados à melhoria da qualidade ambiental no processo de produção: a necessidade de reduzir custos via a melhoria da eficiência energética e redução do consumo de materiais e do aproveitamento de rejeitos produtivos; e a necessidade de melhorar a performance ambiental da produção como forma de melhorar a imagem dos produtos e da empresa, inclusive por meio de rotulagem ambiental, frente a um consumidor cada vez mais exigente e consciente em termos ambientais. Uma vez que a liberalização comercial acentua a concorrência, disponibilizando um número maior de produtos, existe a tendência de ocorrer uma acentuação desses fatores de pressão sobre a performance ambiental das empresas. Os fatores que fariam da liberalização comercial um instrumento de melhoria de qualidade ambiental são: 1) A liberalização comercial estimula a concorrência e, conseqüentemente, a eficiência produtiva permitindo uma redução no consumo de energia e materiais por unidade de produto. 2) Uma vez que reduz as barreiras comerciais, a liberalização comercial possibilita a disseminação de tecnologias limpas e/ou limpadoras e de serviços de proteção ambiental. 3) Visto que pressupõe a eliminação de políticas de garantia de preços que gerem distorções no comércio internacional, como no caso dos subsídios à exportação de produtos agrícolas na União Européia, a liberalização comercial reduz o que muitos autores qualificam como falhas do governo, isto é incentivos econômicos a degradação ambiental. Cabe salientar que no caso da Política Agrícola Comum (PAC) da União Européia, o sistema de garantia de preços internos representa um substancial incentivo à intensificação da agricultura, ao uso de fertilizantes e agrotóxicos, e à ocupação crescente de terras propícias para a agricultura, com reconhecidos prejuízos ao meio-ambiente daquela região. 4) A liberalização comercial estimula a concorrência, ENEGEP 2002 ABEPRO 6

7 aumentando a disponibilidade de produtos e de empresas nos mercados, permitindo aos consumidores maior seletividade em termos de qualidade. Isso representa um incentivo de mercado para que as empresas busquem diferenciação por meio de sua performance ambiental e da qualidade ambiental de seus produtos. Estimula também a criação de sistemas de rotulagem ambiental que significam a elevação do nível de exigência de qualidade ambiental por parte dos mercados. 5) Finalmente, a liberalização comercial estimula o crescimento econômico, elevando a renda das pessoas e proporciona maior demanda por qualidade ambiental e por produtos ambientalmente mais adequados. O crescimento econômico, por sua vez, também proporciona maiores recursos financeiros para serem investidos em proteção ambiental. 6 CONCLUSÃO Existem posições bastante divergentes a respeito dos efeitos da liberalização comercial sobre o meio ambiente. A relação entre a liberalização comercial e a degradação é um tema bastante complexo. Existem diferentes ângulos que podem ser observados e avaliados, fazendo com que as generalizações sejam a pior conduta a ser adotada, visto que derivam mais de posições ideológicas do que de reflexões consistentes. Os defensores do liberalismo comercial acreditam que o livre comércio estimula o desenvolvimento econômico, aumenta a renda das populações e assim contribui para a preservação ambiental. Visto que a renda possui uma relação positiva com a demanda por qualidade ambiental, o liberalismo torna-se insustentável em seus próprios pressupostos. Em primeiro lugar, não existe garantia de que a liberalização comercial proporcione um desenvolvimento econômico equilibrado entre os países. Ao contrário, com a liberalização comercial alguns países saem fortalecidos economicamente (aqueles com maior capacidade de atrair novos investimentos), enquanto os outros ficam totalmente marginalizados. A economia de mercado distribui de forma desigual os benefícios e os custos da liberalização comercial. Ainda, é inegável que o desenvolvimento econômico e a elevação do consumo a que esse corresponde, possui uma relação direta e positiva com a degradação ambiental. É verdade que para a solução de muitos problemas ambientais mais importantes, as sociedades desenvolvidas, não só têm mais recursos para tratá-los, como possuem uma forte presença da opinião pública a demandar uma melhor qualidade ambiental, o que implica maiores investimentos e regulamentações mais rígidas. De maneira geral, percebese que os países desenvolvidos são extremamente eficazes em defender a qualidade ambiental naqueles aspectos que atingem as populações locais e são sentidas por elas, como é o caso da poluição das águas e do ar, contudo, são reticentes em contribuir para a solução de problemas que, mesmo não tendo efeitos locais sensíveis, são importantes em nível global, como é o caso das emissões de dióxido de carbono. Da mesma maneira, cabe salientar, que o aumento das exportações dos países em desenvolvimento seria extremamente benéfico para o progresso e desenvolvimento dos mesmos, e que a liberalização de alguns dos mais importantes mercados internacionais, como o da Comunidade Econômica Européia contribuiria para isso. Mas como o comércio internacional não é uma via de uma única mão, não se pode afirmar que os aumentos das importações oriundos de um processo de liberalização comercial não anulariam esses efeitos positivos comprometendo determinados setores que não fossem competitivos internacionalmente, ou ainda, se o processo de adequação das empresas aos padrões internacionais de competitividade não traria efeitos sociais negativos que superariam os possíveis benefícios gerados pelo aumento das exportações. Existe também uma forte correlação entre o aumento de competitividade ocasionado pela liberalização comercial, e o desenvolvimento de estratégias empresariais que privilegiam a performance ambiental das empresas, a partir da racionalização de custos de ENEGEP 2002 ABEPRO 7

8 materiais e energia, pelo reaproveitamento de resíduos da produção, e pela busca de ampliação ou garantia de mercados através de auditorias e atestados (Eco-label e ISO 14000) que comprovem a sua produção ambientalmente sustentável. Para Beghin et al (1994), esse fator é chamado de autorregulamentação das empresas em contraste com as regulamentações derivadas da ação do estado que não pode garantir por si só uma produção e um consumo em harmonia com o meio ambiente. Por outro lado, existe o risco de que a institucionalização de selos ambientais e de sistemas de certificação como a ISO distancie-se do seu objetivo de preservar o meio ambiente, e passem a ser utilizadas como barreiras não tarifárias no comércio internacional. Nesse sentido, a liberalização tarifária poderia estar sendo neutralizada por poderosos instrumentos de discriminação de importações não tarifários, que poderiam acabar sendo utilizados para o propósito de proteção comercial, deixando para segundo plano o efetivo ambiental dessas normatizações. Por outro lado, frente ao desemprego crescente e a necessidade de proporcionar condições de competitividade as empresas que se encontram inseridas em ambientes com condições diferenciadas e, sobretudo, com políticas e padrões ambientais com variados níveis de regulamentação, os governos acabam por relaxar em suas exigências ambientais. Devido a existência do livre transito de capital e de mercadorias, as empresas podem se instalar em qualquer lugar do mundo, as políticas públicas de modo geral, e as políticas ambientais em particular, transformam-se em um importante elemento de barganha em que os governos acabam geralmente por ceder em suas exigências ambientais. O livre trânsito de capital e de mercadorias, aliado a possibilidade das empresas se instalarem em qualquer parte do mundo faz com que as políticas públicas de modo geral, e as políticas ambientais em particular, constituam-se num importante elemento de barganha que geralmente, faz com que os governos cedam em suas exigências ambientais. BIBLIOGRAFIA BANCO MUNDIAL. Relatório Sobre Desenvolvimento Mundial 1992: desenvolvimento e meio ambiente. Rio de Janeiro: FGV, BEGHIN, J. et al.. A survey of the trade and environment nexus: global dimensions. In: OCDE Economic Studies, n. 23, winter COLBY, M. E.. Environmental Management in Development: the evolution of paradigms. In: Ecological Economics. Amsterdan, Elsevier Science Publishers, 3. ed., 3. v., DEAN, J.. Trade and environment: a review of the literature. In: LOW, P.. International Trade and Environment. Washington, World Bank, 1991 (World Bank Discussion Paper n. 159). FERRANTINO, M. J.. International Trade, Environmental Quality and Public Policy. World-economy, v. 20. n. 1, january GONÇALVES, Reinaldo. O Brasil e o Comércio Internacional: transformações e perspectivas. São Paulo : Contexto, GUTIERREZ, M. B. S.. Comércio e Meio Ambiente: os custos ambientais dos produtos comercializados pelo mercosul. In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, 23., 1995, Salvador-BA. Anais... Salvador-BA : ANPEC, PROCÓPIO FILHO, A. et al.. Ecoprotecionismo: comércio internacional, agricultura e meio ambiente. Brasília : IPEA, SILVA, R. & BRAVO, M. A. M. P.. Comércio Exterior e Meio Ambiente. In: Revista do BNDES. Rio de Janeiro : BNDES, junho de SOUZA, R. S. de. Entendendo a Questão Ambiental: temas de economia, política e gestão do meio ambiente. Santa Cruz do Sul : EDUNISC, ENEGEP 2002 ABEPRO 8

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente Prof. Claudimar Fontinele Em dois momentos a ONU reuniu nações para debater

Leia mais

Prefeitura Municipal de Jaboticabal

Prefeitura Municipal de Jaboticabal LEI Nº 4.715, DE 22 DE SETEMBRO DE 2015 Institui a Política Municipal de estímulo à produção e ao consumo sustentáveis. RAUL JOSÉ SILVA GIRIO, Prefeito Municipal de Jaboticabal, Estado de São Paulo, no

Leia mais

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 30 FORTALECIMENTO DO PAPEL DO COMÉRCIO E DA INDÚSTRIA INTRODUÇÃO

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 30 FORTALECIMENTO DO PAPEL DO COMÉRCIO E DA INDÚSTRIA INTRODUÇÃO CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 30 FORTALECIMENTO DO PAPEL DO COMÉRCIO E DA INDÚSTRIA INTRODUÇÃO 30.1. O comércio e a indústria, inclusive as empresas transnacionais,

Leia mais

Negócios Internacionais

Negócios Internacionais International Business 10e Daniels/Radebaugh/Sullivan Negócios Internacionais Capítulo 3.2 Influencia Governamental no Comércio 2004 Prentice Hall, Inc Objectivos do Capítulo Compreender a racionalidade

Leia mais

Ingrid Maria Furlan Öberg

Ingrid Maria Furlan Öberg Desenvolvimento Sustentável Gestão Ambiental Ingrid Maria Furlan Öberg Relação Homem x Ambiente no modelo de desenvolvimento da sociedade moderna NATUREZA Fonte de recursos ilimitados Depósito de resíduos

Leia mais

UIPES/ORLA Sub-Região Brasil

UIPES/ORLA Sub-Região Brasil 1 A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE NO MUNDO GLOBALIZADO 1 Introdução Área de atuação. A Carta de Bangkok (CB) identifica ações, compromissos e garantias requeridos para atingir os determinantes

Leia mais

CESA Comitê de Apoio ao Comércio Exterior

CESA Comitê de Apoio ao Comércio Exterior A ALCA E OS INTERESSES BRASILEIROS Thomas Benes Felsberg Agnes Borges O Brasil no Mercado Internacional Respondemos hoje por menos de 1% do comércio mundial. Exportações brasileiras não superam a marca

Leia mais

Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites

Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites Organização Mundial do Comércio: Possibilidades e Limites Análise Integração Regional / Economia e Comércio Bernardo Erhardt de Andrade Guaracy 15 de outubro de 2003 Organização Mundial do Comércio: Possibilidades

Leia mais

órgão nacional interveniente no comércio internacional

órgão nacional interveniente no comércio internacional MDIC órgão nacional interveniente no comércio internacional CURSO: Administração DISCIPLINA: Comércio Exterior FONTES: KEEDI, Samir. ABC DO COMÉRCIO EXTERIOR. São Paulo: Aduaneiras, 2007. www.desenvolvimento.gov.br

Leia mais

1. United Nations Conference on Environment and Development UNCED (ECO-92) DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO

1. United Nations Conference on Environment and Development UNCED (ECO-92) DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO VEJA RIO+20 1. United Nations Conference on Environment and Development UNCED (ECO-92) DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO Abstract: A declaração final da ECO-92 acenou para

Leia mais

TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO

TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO TRATADO ALTERNATIVO SOBRE COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL [12] PREÂMBULO 1. O comércio internacional deve ser conduzido de forma a melhorar o bem estar social, respeitando a necessidade de promover

Leia mais

EVOLUÇÃO RECENTE DOS MECANISMOS DE PROTEÇÃO NA SIDERURGIA MUNDIAL. Germano Mendes de Paula *

EVOLUÇÃO RECENTE DOS MECANISMOS DE PROTEÇÃO NA SIDERURGIA MUNDIAL. Germano Mendes de Paula * EVOLUÇÃO RECENTE DOS MECANISMOS DE PROTEÇÃO NA SIDERURGIA MUNDIAL Germano Mendes de Paula * No dia 5 de março de 2002, o Presidente George W. Bush anunciou a adoção de medidas de salvaguardas, com vistas

Leia mais

2º Encontro Empresarial Brasil-União Européia. Declaração Conjunta

2º Encontro Empresarial Brasil-União Européia. Declaração Conjunta 2º Encontro Empresarial Brasil-União Européia Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2008. Declaração Conjunta Sumário Os empresários europeus e brasileiros apóiam com entusiasmo a Parceria Estratégica Brasil-

Leia mais

Declaração sobre meio ambiente e desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992)

Declaração sobre meio ambiente e desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992) Declaração sobre meio ambiente e desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992) A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e desenvolvimento, Tendo-se reunido no Rio de Janeiro, de 3 a 21 de junho de

Leia mais

COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS

COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS Bruxelas, 8.10.2007 SEC(2007)907 DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO documento de acompanhamento da Comunicação da Comissão sobre um programa para ajudar as

Leia mais

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1 PRINCÍPIOS DO RIO António Gonçalves Henriques Princípio 1 Os seres humanos são o centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia

Leia mais

TRATADO SOBRE AS ZONAS ÁRIDAS E SEMI-ÁRIDAS PREÂMBULO

TRATADO SOBRE AS ZONAS ÁRIDAS E SEMI-ÁRIDAS PREÂMBULO [30] TRATADO SOBRE AS ZONAS ÁRIDAS E SEMI-ÁRIDAS PREÂMBULO 1. As zonas áridas e semi-áridas constituem um conjunto de formações naturais complexas, dispersas em vários pontos do planeta e muito diferenciadas

Leia mais

A POLÍTICA AMBIENTAL NAS EMPRESAS

A POLÍTICA AMBIENTAL NAS EMPRESAS SEMANA AMBIENTAL NA BRASIMET 2006 CIDADANIA E EDUCAÇÃO PARA UM PLANETA MELHOR A POLÍTICA AMBIENTAL NAS EMPRESAS A atual conjuntura econômica e os novos cenários sócio-ambientais nacionais e internacionais

Leia mais

A Escalada Protecionista nos BRICS no contexto pós Crise financeira Internacional - Monitoramento de Medidas de Política Comercial

A Escalada Protecionista nos BRICS no contexto pós Crise financeira Internacional - Monitoramento de Medidas de Política Comercial BRICS Monitor A Escalada Protecionista nos BRICS no contexto pós Crise financeira Internacional - Monitoramento de Medidas de Política Comercial Outubro de 2011 Núcleo de Desenvolvimento, Comércio, Finanças

Leia mais

Fórum de Diálogo IBAS

Fórum de Diálogo IBAS Fórum de Diálogo IBAS, e do Sul Integração SUL-SUL Fórum de Mulheres FÓRUM De DIÁLOGO IBAS, e do Sul O Fórum IBAS é uma iniciativa trilateral entre, e do Sul, desenvolvida para promover a cooperação Sul-

Leia mais

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES O modelo tradicional do setor elétrico estruturado através de monopólios naturais verticalizados foi a principal forma de provisionamento de energia elétrica no mundo

Leia mais

Visão. Brasil precisa inovar mais em tecnologias de redução de emissões de carbono. do Desenvolvimento. nº 97 4 ago 2011

Visão. Brasil precisa inovar mais em tecnologias de redução de emissões de carbono. do Desenvolvimento. nº 97 4 ago 2011 Visão do Desenvolvimento nº 97 4 ago 2011 Brasil precisa inovar mais em tecnologias de redução de emissões de carbono Por André Albuquerque Sant Anna (APE) e Frederico Costa Carvalho (AMA) Economistas

Leia mais

Bali e pós-bali: Tendências nas negociações comerciais

Bali e pós-bali: Tendências nas negociações comerciais Bali e pós-bali: Tendências nas negociações comerciais Sandra Polónia Rios 20 de maio de 2014 Roteiro 1. Antecedentes 2. O Pacote de Bali: agricultura, questões de desenvolvimento e facilitação de comércio

Leia mais

COMÉRCIO INTERNACIONAL Políticas Comerciais. Políticas Comerciais, Barreiras e Medidas de Defesa Comercial

COMÉRCIO INTERNACIONAL Políticas Comerciais. Políticas Comerciais, Barreiras e Medidas de Defesa Comercial Políticas Comerciais, Barreiras e Medidas de Defesa Comercial Prof.Nelson Guerra Políticas Comerciais Conceito: São formas e instrumentos de intervenção governamental sobre o comércio exterior, e sempre

Leia mais

Curso Agenda 21. Resumo da Agenda 21. Seção I - DIMENSÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS

Curso Agenda 21. Resumo da Agenda 21. Seção I - DIMENSÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS Resumo da Agenda 21 CAPÍTULO 1 - Preâmbulo Seção I - DIMENSÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS CAPÍTULO 2 - Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento e políticas

Leia mais

Como obter produção e consumo sustentáveis?

Como obter produção e consumo sustentáveis? Como obter produção e consumo sustentáveis? Meiriane Nunes Amaro 1 O conceito de produção e consumo sustentáveis (PCS) 2 vem sendo construído há duas décadas, embora resulte de um processo evolutivo iniciado

Leia mais

CAPÍTULO VI - AVALIAÇÃO DE RISCOS, PROCESSOS DECISÓRIOS E GERENCIAMENTO DE RISCOS

CAPÍTULO VI - AVALIAÇÃO DE RISCOS, PROCESSOS DECISÓRIOS E GERENCIAMENTO DE RISCOS CAPÍTULO VI - AVALIAÇÃO DE RISCOS, PROCESSOS DECISÓRIOS E GERENCIAMENTO DE RISCOS VI.1. Introdução A avaliação de riscos inclui um amplo espectro de disciplinas e perspectivas que vão desde as preocupações

Leia mais

Política Nacional de Meio Ambiente

Política Nacional de Meio Ambiente Política Nacional de Meio Ambiente O Brasil, maior país da América Latina e quinto do mundo em área territorial, compreendendo 8.511.996 km 2, com zonas climáticas variando do trópico úmido a áreas temperadas

Leia mais

A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições

A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições A preparação do Brasil para a Conferência Rio+20 Sugestões para contribuições I. Informações preliminares sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ( Rio+20 ) De 28 de maio

Leia mais

ESTUDO DE CASO MÓDULO XI. Sistema Monetário Internacional. Padrão Ouro 1870 1914

ESTUDO DE CASO MÓDULO XI. Sistema Monetário Internacional. Padrão Ouro 1870 1914 ESTUDO DE CASO MÓDULO XI Sistema Monetário Internacional Padrão Ouro 1870 1914 Durante muito tempo o ouro desempenhou o papel de moeda internacional, principalmente por sua aceitabilidade e confiança.

Leia mais

Acordo-Quadro de Associação entre o MERCOSUL e a República do Suriname

Acordo-Quadro de Associação entre o MERCOSUL e a República do Suriname Acordo-Quadro de Associação entre o MERCOSUL e a República do Suriname A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai, a República Oriental do Uruguai, a República Bolivariana

Leia mais

Posição da indústria química brasileira em relação ao tema de mudança climática

Posição da indústria química brasileira em relação ao tema de mudança climática Posição da indústria química brasileira em relação ao tema de mudança climática A Abiquim e suas ações de mitigação das mudanças climáticas As empresas químicas associadas à Abiquim, que representam cerca

Leia mais

ENSINO DE QUÍMICA: VIVÊNCIA DOCENTE E ESTUDO DA RECICLAGEM COMO TEMA TRANSVERSAL

ENSINO DE QUÍMICA: VIVÊNCIA DOCENTE E ESTUDO DA RECICLAGEM COMO TEMA TRANSVERSAL ENSINO DE QUÍMICA: VIVÊNCIA DOCENTE E ESTUDO DA RECICLAGEM COMO TEMA TRANSVERSAL MENDONÇA, Ana Maria Gonçalves Duarte. Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: Ana.duartemendonca@gmail.com RESUMO

Leia mais

Sistema de Gestão Ambiental & Certificação SGA - ISO 14.000

Sistema de Gestão Ambiental & Certificação SGA - ISO 14.000 ZOOTECNIA/UFG DISCIPLINA DE GPA Sistema de Gestão Ambiental & Certificação SGA - ISO 14.000 Introdução EVOLUÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL Passou por três grandes etapas: 1ª. Os problemas ambientais são localizados

Leia mais

A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO

A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO A CARTA DE BANGKOK PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM MUNDO GLOBALIZADO Introdução Escopo A Carta de Bangkok identifica ações, compromissos e promessas necessários para abordar os determinantes da saúde em

Leia mais

BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007

BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007 BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007 O Acordo Internacional do Café (AIC) de 2007 é um instrumento chave para a cooperação internacional em matéria de café, e participar dele

Leia mais

Política de Sustentabilidade das empresas Eletrobras

Política de Sustentabilidade das empresas Eletrobras Política de Sustentabilidade das empresas Eletrobras 1. DECLARAÇÃO Nós, das empresas Eletrobras, comprometemo-nos a contribuir efetivamente para o desenvolvimento sustentável, das áreas onde atuamos e

Leia mais

Competitividade e Tecnologias Limpas

Competitividade e Tecnologias Limpas Competitividade e Tecnologias Limpas Carlos Eduardo Frickmann Young Instituto de Economia/UFRJ Email: young@ie.ufrj.br A grande vantagem das tecnologias limpas está na possibilidade de reverter um custo

Leia mais

Declaração de Santa Cruz de la Sierra

Declaração de Santa Cruz de la Sierra Reunião de Cúpula das Américas sobre o Desenvolvimiento Sustentável Santa Cruz de la Sierra, Bolivia, 7 ao 8 de Dezembro de 1996 Declaração de Santa Cruz de la Sierra O seguinte documento é o texto completo

Leia mais

OMC: estrutura institucional

OMC: estrutura institucional OMC: estrutura institucional Especial Perfil Wesley Robert Pereira 06 de outubro de 2005 OMC: estrutura institucional Especial Perfil Wesley Robert Pereira 06 de outubro de 2005 Enquanto o GATT foi apenas

Leia mais

ENCONTRO DE MINISTROS DA AGRICULTURA DAS AMÉRICAS 2011 Semeando inovação para colher prosperidade

ENCONTRO DE MINISTROS DA AGRICULTURA DAS AMÉRICAS 2011 Semeando inovação para colher prosperidade ENCONTRO DE MINISTROS DA AGRICULTURA DAS AMÉRICAS 2011 Semeando inovação para colher prosperidade DECLARAÇÃO DOS MINISTROS DA AGRICULTURA, SÃO JOSÉ 2011 1. Nós, os Ministros e os Secretários de Agricultura

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE DE 2011 (Do Sr. Júlio Delgado) O Congresso Nacional decreta:

PROJETO DE LEI Nº, DE DE 2011 (Do Sr. Júlio Delgado) O Congresso Nacional decreta: PROJETO DE LEI Nº, DE DE 2011 (Do Sr. Júlio Delgado) Dispõe sobre a criação do Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Compostos Orgânicos de Origem Vegetal para Redução das Emissões de Gases

Leia mais

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO GESTAO AMBIENTAL LUCAS SAMUEL MACHADO RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Doverlandia 2014 LUCAS SAMUEL MACHADO RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Trabalho de Gestão Ambiental

Leia mais

O COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL

O COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL International Seminar & Book Launch of "Surmounting Middle Income Trap: the Main Issues for Brazil" Institute of Latin American Studies (ILAS, CASS) Brazilian Institute of Economics at Getulio Vargas Foundation

Leia mais

OS PRINCÍPIOS DO EQUADOR

OS PRINCÍPIOS DO EQUADOR OS PRINCÍPIOS DO EQUADOR UMA ABORDAGEM DO SETOR PARA INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS SOBRE DETERMINAÇÃO, AVALIAÇÃO E GERENCIAMENTO DE RISCO AMBIENTAL E SOCIAL EM FINANCIAMENTO DE PROJETOS Florianópolis Junho/2004

Leia mais

Nota de trabalho. Estado actual das negociações comerciais multilaterais sobre os produtos agrícolas REPRESENTAÇÃO COMERCIAL

Nota de trabalho. Estado actual das negociações comerciais multilaterais sobre os produtos agrícolas REPRESENTAÇÃO COMERCIAL MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS REPRESENTAÇÃO COMERCIAL GENEBRA - SUÍÇA Estado actual das negociações comerciais multilaterais sobre os produtos agrícolas

Leia mais

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS ADVINDOS DA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO ISO 14000 PELAS EMPRESAS

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS ADVINDOS DA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO ISO 14000 PELAS EMPRESAS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS ADVINDOS DA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO ISO 14000 PELAS EMPRESAS Valdir Frigo Denardin * Glaucia Vinter ** Resumo A preocupação

Leia mais

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS ADVINDOS DA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO ISO 14000 PELAS EMPRESAS

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS ADVINDOS DA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO ISO 14000 PELAS EMPRESAS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS ADVINDOS DA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO ISO 14000 PELAS EMPRESAS Valdir Frigo Denardin * Glaucia Vinter ** Resumo A preocupação

Leia mais

Normas ISO 14000. Jonas Lucio Maia

Normas ISO 14000. Jonas Lucio Maia Jonas Lucio Maia Agenda Origem das normas Normas ISO 14000 Similaridades GQ e GA Benefícios Críticas Bibliografia Origens das normas Quatro origens relacionadas: Padrões do Business Council for Sustainable

Leia mais

Sistema de Gestão Ambiental

Sistema de Gestão Ambiental Objetivos da Aula Sistema de Gestão Ambiental 1. Sistemas de gestão ambiental em pequenas empresas Universidade Federal do Espírito Santo UFES Centro Tecnológico Curso de Especialização em Gestão Ambiental

Leia mais

Formação em Gestão da Qualidade e Higiene dos Alimentos Praia 7, 8 e 9 Novembro 2011

Formação em Gestão da Qualidade e Higiene dos Alimentos Praia 7, 8 e 9 Novembro 2011 Formação em Gestão da Qualidade e Higiene dos Alimentos Praia 7, 8 e 9 Novembro 2011 Breve referência aos acordos da OMC OTC e SPS Sumário GATT Origem dos acordos OTC e SPS OMC funções e acordos Propósitos

Leia mais

18/06/2009. Quando cuidar do meio-ambiente é um bom negócio. Blog: www.tudibao.com.br E-mail: silvia@tudibao.com.br.

18/06/2009. Quando cuidar do meio-ambiente é um bom negócio. Blog: www.tudibao.com.br E-mail: silvia@tudibao.com.br. Marketing Ambiental Quando cuidar do meio-ambiente é um bom negócio. O que temos visto e ouvido falar das empresas ou associado a elas? Blog: www.tudibao.com.br E-mail: silvia@tudibao.com.br 2 3 Sílvia

Leia mais

MEIO AMBIENTE COMO UMA QUESTÃO DE NEGÓCIOS OBJETIVOS

MEIO AMBIENTE COMO UMA QUESTÃO DE NEGÓCIOS OBJETIVOS MEIO AMBIENTE COMO UMA QUESTÃO DE NEGÓCIOS OBJETIVOS Prover uma compreensão básica : do desenvolvimento da abordagem das empresas com relação às questões ambientais, dos benefícios provenientes de melhorias

Leia mais

Copyright Proibida Reprodução. Prof. Éder Clementino dos Santos

Copyright Proibida Reprodução. Prof. Éder Clementino dos Santos SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL SGA ISO 14.001:2004 O que é ISO? A ISO - International Organization for Standardization é uma organização sediada em Genebra, na Suíça. Foi fundada em 1946; A sigla ISO foi

Leia mais

2- FUNDAMENTOS DO CONTROLE 2.1 - CONCEITO DE CONTROLE:

2- FUNDAMENTOS DO CONTROLE 2.1 - CONCEITO DE CONTROLE: 1 - INTRODUÇÃO Neste trabalho iremos enfocar a função do controle na administração. Trataremos do controle como a quarta função administrativa, a qual depende do planejamento, da Organização e da Direção

Leia mais

Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, tendo se reunido no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992, reafirmando

Leia mais

Tratados internacionais sobre o meio ambiente

Tratados internacionais sobre o meio ambiente Tratados internacionais sobre o meio ambiente Conferência de Estocolmo 1972 Preservação ambiental X Crescimento econômico Desencadeou outras conferências e tratados Criou o Programa das Nações Unidas para

Leia mais

ISO 14000 GESTÃO AMBIENTAL

ISO 14000 GESTÃO AMBIENTAL ISO 14000 GESTÃO AMBIENTAL JOSÉ, Clodoaldo SILVA, Gabriel de Oliveira da PROENÇA, Leandro Gomes JUNIOR, Luiz Antonio Martins RESUMO ISO 14000 é uma norma desenvolvida pela ISO e que estabelece diretrizes

Leia mais

TERMO DE REFERÊNCIA. Código: CONS AI01/2008. Nº de vagas: 01

TERMO DE REFERÊNCIA. Código: CONS AI01/2008. Nº de vagas: 01 TERMO DE REFERÊNCIA Denominação: Consultor(a) para atuação na área de desenvolvimento, aprofundamento e ampliação de ações e estudos relacionados à análise de tratados de direito econômico internacional

Leia mais

(Do Sr. Wellington Fagundes) Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de Bens e Serviços Ambientais e Ecossistêmicos PNBSAE.

(Do Sr. Wellington Fagundes) Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de Bens e Serviços Ambientais e Ecossistêmicos PNBSAE. PROJETO DE LEI N o, DE 2011 (Do Sr. Wellington Fagundes) Institui a Política Nacional de Bens e Serviços Ambientais e Ecossistêmicos PNBASAE, e dá outras providências. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art.

Leia mais

O processo de abertura comercial da China: impactos e perspectivas

O processo de abertura comercial da China: impactos e perspectivas O processo de abertura comercial da China: impactos e perspectivas Análise Economia e Comércio / Desenvolvimento Carolina Dantas Nogueira 20 de abril de 2006 O processo de abertura comercial da China:

Leia mais

TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO

TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO [25] TRATADO SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL PREÂMBULO Entendendo que: 1. O sistema sócio-econômico e político internacionalmente dominante, ao qual se articula o modelo industrial de produção agrícola e

Leia mais

A ASSOCIAÇÃO DAS NAÇÕES DO SUDESTE ASIÁTICO E SEU AMBIENTE DE NEGÓCIOS

A ASSOCIAÇÃO DAS NAÇÕES DO SUDESTE ASIÁTICO E SEU AMBIENTE DE NEGÓCIOS www.observatorioasiapacifico.org A ASSOCIAÇÃO DAS NAÇÕES DO SUDESTE ASIÁTICO E SEU AMBIENTE DE NEGÓCIOS Ignacio Bartesaghi 1 O debate na América Latina costuma focar-se no sucesso ou no fracasso dos processos

Leia mais

Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO

Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO 21 de novembro de 1978 SHS/2012/PI/H/1 Preâmbulo A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,

Leia mais

LINEAMENTOS PARA MELHORAR A GESTÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS E FAZER MAIS SUSTENTÁVEL A PROTEÇÃO DA SAÚDE

LINEAMENTOS PARA MELHORAR A GESTÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS E FAZER MAIS SUSTENTÁVEL A PROTEÇÃO DA SAÚDE Primeiro lineamento geral: O TRATAMENTO E USO ADEQUADOS DAS ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS CONTRIBUEM A PROTEGER A QUALIDADE DOS CORPOS DE ÁGUA E DEVERIAM SER PARTE DE UMA GESTÃO MAIS EFICIENTE DOS RECURSOS

Leia mais

PRÁTICAS AMBIENTAIS EM UMA INDÚSTRIA DE FERTILIZANTES

PRÁTICAS AMBIENTAIS EM UMA INDÚSTRIA DE FERTILIZANTES PRÁTICAS AMBIENTAIS EM UMA INDÚSTRIA DE FERTILIZANTES BAIOTTO, Alexandre 1 ; COSTA, Augusto Cesar da 1 ; SCHMIDT, Alberto 2 Palavras-Chave: Gestão ambiental. Empresa. Produção sustentável. Introdução Agregados

Leia mais

A importância dos Bancos de Desenvolvimento

A importância dos Bancos de Desenvolvimento MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO AO OFÍCIO DAS NAÇÕES UNIDAS REPRESENTAÇÃO COMERCIAL GENEBRA - SUÍÇA NOTA DE TRABALHO A importância dos Bancos de Desenvolvimento G E NEBRA A OS 5 DE Segundo

Leia mais

DOCUMENTO DE TRABALHO

DOCUMENTO DE TRABALHO Euro-Latin American Parliamentary Assembly Assemblée Parlementaire Euro-Latino Américaine Asamblea Parlamentaria Euro-Latinoamericana Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana ASSEMBLEIA PARLAMENTAR

Leia mais

Moção relativa à próxima negociação sobre o comércio. internacional de produtos do sector têxtil e da

Moção relativa à próxima negociação sobre o comércio. internacional de produtos do sector têxtil e da Moção relativa à próxima negociação sobre o comércio internacional de produtos do sector têxtil e da Moção relativa à próxima negociação sobre o comércio internacional de produtos do sector têxtil e da

Leia mais

A REORIENTAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO IBGC 26/3/2015

A REORIENTAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO IBGC 26/3/2015 A REORIENTAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO IBGC 26/3/2015 1 A Situação Industrial A etapa muito negativa que a indústria brasileira está atravessando vem desde a crise mundial. A produção

Leia mais

Os desafios do desenvolvimento brasileiro e a Política Industrial

Os desafios do desenvolvimento brasileiro e a Política Industrial 4o. Congresso Internacional de Inovação FIERGS Política Industrial em Mercados Emergentes Porto Alegre, 17 de novembro de 2011 Os desafios do desenvolvimento brasileiro e a Política Industrial João Carlos

Leia mais

ISO 9001. As três primeiras seções fornecem informações gerais sobre a norma, enquanto as cinco últimas centram-se na sua implementação.

ISO 9001. As três primeiras seções fornecem informações gerais sobre a norma, enquanto as cinco últimas centram-se na sua implementação. ISO 9001 A ISO 9001 é um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) standard que exige que uma dada organização satisfaça as suas próprias exigências e as dos seus clientes e reguladores. Baseia-se numa metodologia

Leia mais

CERTIFICAÇAO AMBIENTAL

CERTIFICAÇAO AMBIENTAL ISO 14000 - A NOVA NORMA GERENCIAMENTO E -- CERTIFICAÇAO AMBIENTAL DE AMBIENTAL *Francesco De Cicco A futura norma internacional para o meio ambiente - a série ISO 14000 - e a importância para as empresas

Leia mais

Cesar Lima - Gerdau Açominas.

Cesar Lima - Gerdau Açominas. Cesar Lima - Gerdau Açominas. A Gerdau Açominas. - Usina siderúrgica integrada. - Capacidade instalada de 3.000.000 t./ano de aço liquido. - Produz 2.750.000 t./ano de acabados em forma de blocos, placas,

Leia mais

Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil

Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil Fevereiro/2014 A taxa de câmbio é um dos principais preços relativos da economia, com influência direta no desempenho macroeconômico do país e na composição de

Leia mais

A indústria de máquinas-ferramenta. Mauro Thomaz de Oliveira Gomes, Mary Lessa Alvim Ayres, Geraldo Andrade da Silva Filho

A indústria de máquinas-ferramenta. Mauro Thomaz de Oliveira Gomes, Mary Lessa Alvim Ayres, Geraldo Andrade da Silva Filho A indústria de máquinas-ferramenta Mauro Thomaz de Oliveira Gomes, Mary Lessa Alvim Ayres, Geraldo Andrade da Silva Filho FERRAMENTA Mauro Thomaz de Oliveira Gomes Mary Lessa Alvim Ayres Geraldo Andrade

Leia mais

Legislação Territorial Agenda 21. Alunos: Allan Gomes Murian Rafael Di Cicco Clauber Rogério da Costa Leandro Benicio de Souza

Legislação Territorial Agenda 21. Alunos: Allan Gomes Murian Rafael Di Cicco Clauber Rogério da Costa Leandro Benicio de Souza Legislação Territorial Agenda 21 Alunos: Allan Gomes Murian Rafael Di Cicco Clauber Rogério da Costa Leandro Benicio de Souza O que é Agenda 21? Agenda 21 é um conjunto de resoluções tomadas Eco-92, que

Leia mais

Política de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras

Política de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras Política de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras Setembro de 2010 Política de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras DECLARAÇÃO Nós, das empresas Eletrobras, comprometemo-nos a contribuir efetivamente

Leia mais

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO PROGRAMAÇÃO DO EVENTO Dia 08/08 // 09h00 12h00 PLENÁRIA Nova economia: includente, verde e responsável Nesta plenária faremos uma ampla abordagem dos temas que serão discutidos ao longo de toda a conferência.

Leia mais

A Presença da Siderurgia Brasileira no Mercado Internacional: Desafios para Novos Avanços

A Presença da Siderurgia Brasileira no Mercado Internacional: Desafios para Novos Avanços A Presença da Siderurgia Brasileira no Mercado Internacional: Desafios para Novos Avanços Fernando Rezende 1 As importantes transformações ocorridas na siderurgia brasileira após a privatização promovida

Leia mais

Resumo dos resultados da enquete CNI

Resumo dos resultados da enquete CNI Resumo dos resultados da enquete CNI Brasil - México: Interesse empresarial para ampliação do acordo bilateral Março 2015 Amostra da pesquisa No total foram recebidos 45 questionários de associações sendo

Leia mais

Declaração de Pequim adotada pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres: Ação para Igualdade, Desenvolvimento e Paz (1995)

Declaração de Pequim adotada pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres: Ação para Igualdade, Desenvolvimento e Paz (1995) Declaração de Pequim adotada pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres: Ação para Igualdade, Desenvolvimento e Paz (1995) 1. Nós, os Governos, participante da Quarta Conferência Mundial sobre as

Leia mais

Síntese Trabalhando Conjuntamente para um Desenvolvimento Sustentável

Síntese Trabalhando Conjuntamente para um Desenvolvimento Sustentável Síntese Trabalhando Conjuntamente para um Desenvolvimento Sustentável A Experiência da OCDE Overview Working Together Towards Sustainable Development The OECD Experience As Sínteses constituem-se em excertos

Leia mais

Segunda Cúpula das Américas Declaração de Santiago

Segunda Cúpula das Américas Declaração de Santiago Segunda Cúpula das Américas Santiago, Chile, 18 e 19 de abril de 1998 Segunda Cúpula das Américas Declaração de Santiago O seguinte documento é o texto completo da Declaração de Santiago assinada pelos

Leia mais

Brasil em Ação (Investimentos Básicos para o Desenvolvimento)

Brasil em Ação (Investimentos Básicos para o Desenvolvimento) Brasil em Ação (Investimentos Básicos para o Desenvolvimento) Nos dois últimos anos, vimos construindo as bases de um crescimento sustentável e socialmente benéfico para a grande maioria dos brasileiros.

Leia mais

Agriculture, Trade and the Environment The Arable Crops Sector. Agricultura, Comércio e Meio Ambiente O Setor da Cultura Arvense DESTAQUES

Agriculture, Trade and the Environment The Arable Crops Sector. Agricultura, Comércio e Meio Ambiente O Setor da Cultura Arvense DESTAQUES Agriculture, Trade and the Environment The Arable Crops Sector Summary in Portuguese Agricultura, Comércio e Meio Ambiente O Setor da Cultura Arvense Sumário em Português DESTAQUES As questões políticas

Leia mais

Desafio mundial. Paralelamente a questões

Desafio mundial. Paralelamente a questões KPMG Business Magazine 31 Getty Images/Alexander Bryljaev Muitas tendências apontadas pelo estudo já são evidentes, e a lentidão na busca de soluções para mitigá-las trará sérias consequências para a população

Leia mais

Master em Regulação do Comércio Global. Master in International Trade Regulation (MITRE)

Master em Regulação do Comércio Global. Master in International Trade Regulation (MITRE) Proposta de curso de pós-graduação Escola de Economia de São Paulo da FGV Master em Regulação do Comércio Global Master in International Trade Regulation (MITRE) OU Coordenadores: Vera Thorstensen (EESP)

Leia mais

Aspectos fundamentais para uma posição da FSESP sobre os desenvolvimentos no sector europeu dos resíduos

Aspectos fundamentais para uma posição da FSESP sobre os desenvolvimentos no sector europeu dos resíduos Aspectos fundamentais para uma posição da FSESP sobre os desenvolvimentos no sector europeu Documento final conforme adoptado pelo Comité Executivo, 25-26/05/1998 Aspectos fundamentais para uma posição

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 3 DE OUTUBRO DE 1975 ABERTURA DO

Leia mais

01/12/2012 MEIO AMBIENTE E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Guarantã do Norte/MT A SOCIEDADE ESTÁ EM TRANSFORMAÇÃO

01/12/2012 MEIO AMBIENTE E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Guarantã do Norte/MT A SOCIEDADE ESTÁ EM TRANSFORMAÇÃO MEIO AMBIENTE E RESPONSABILIDADE SOCIAL Guarantã do Norte/MT A SOCIEDADE ESTÁ EM TRANSFORMAÇÃO TAREFAS ESTRUTURA PESSOAS AMBIENTE TECNOLOGIA ÊNFASE NAS TAREFAS Novos mercados e novos conhecimentos ÊNFASE

Leia mais

Práticas Sustentáveis em Cadeia de Suprimentos

Práticas Sustentáveis em Cadeia de Suprimentos Práticas Sustentáveis em Cadeia de Suprimentos Certificações em cadeias de fornecimento Profa. Dra. Patricia C. Berardi Agenda Certificações Histórico Importância para cadeia Gestão de Risco Cadeia de

Leia mais

OS BIOCOMBUSTÍVEIS E A

OS BIOCOMBUSTÍVEIS E A OS BIOCOMBUSTÍVEIS E A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO Ricardo de Gusmão Dornelles Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis Jun/2009 MATRIZ ENERGÉTICA MUNDIAL E NACIONAL - 2008 54,9 45,1 Brasil (2008)

Leia mais

O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 Oportunidades e Desafios

O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 Oportunidades e Desafios O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 Oportunidades e Desafios Português Resumo Executivo Esta é a segunda edição revista e ampliada da publicação: O Setor Elétrico Brasileiro e

Leia mais

VIII-003 PREPARO DE RECURSOS HUMANOS PARA A IMPLANTAÇÃO DA ISO 14001 EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS

VIII-003 PREPARO DE RECURSOS HUMANOS PARA A IMPLANTAÇÃO DA ISO 14001 EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS VIII-003 PREPARO DE RECURSOS HUMANOS PARA A IMPLANTAÇÃO DA ISO 14001 EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS Andréia Guaracho Ramos (1) Bacharel em Química e Pós Graduada em Química Industrial pela Fundação

Leia mais

Seminário A economia argentina e as perspectivas das relações com o Brasil e o Mercosul Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2008

Seminário A economia argentina e as perspectivas das relações com o Brasil e o Mercosul Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2008 Seminário A economia argentina e as perspectivas das relações com o Brasil e o Mercosul Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2008 Os interesses empresariais brasileiros na América do Sul Os interesses empresariais

Leia mais

Conjunto de pessoas que formam a força de trabalho das empresas.

Conjunto de pessoas que formam a força de trabalho das empresas. 1. OBJETIVOS Estabelecer diretrizes que norteiem as ações das Empresas Eletrobras quanto à promoção do desenvolvimento sustentável, buscando equilibrar oportunidades de negócio com responsabilidade social,

Leia mais

índice AUTONOMIA, NÃO-INDIFERENÇA E PRAGMATISMO: VETORES CONCEITUAIS DA POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO LULA Maria

índice AUTONOMIA, NÃO-INDIFERENÇA E PRAGMATISMO: VETORES CONCEITUAIS DA POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO LULA Maria índice Apresentação Pedro da Motta Veiga... 7 Política Comerciale Política Externa do Brasil AUTONOMIA, NÃO-INDIFERENÇA E PRAGMATISMO: VETORES CONCEITUAIS DA POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO LULA Maria Regina

Leia mais

Declaração de Brasília sobre Trabalho Infantil

Declaração de Brasília sobre Trabalho Infantil Declaração de Brasília sobre Trabalho Infantil Nós, representantes de governos, organizações de empregadores e trabalhadores que participaram da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, reunidos

Leia mais

GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES RESUMO

GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES RESUMO GESTÃO AMBIENTAL COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES Alessandra Aparecida da Silva, Unisalesiano de Lins e-mail: alessandrasilvamig@yahoo.com.br Renata Angélica Freitas, Unisalesiano de Lins

Leia mais