OS HIGIENISTAS E A EDUCAÇÃO FÍSICA: A HISTÓRIA DOS SEUS IDEAIS. por. Edivaldo Gois Junior

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1 OS HIGIENISTAS E A EDUCAÇÃO FÍSICA: A HISTÓRIA DOS SEUS IDEAIS por Edivaldo Gois Junior Dissertação de Mestrado Apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Gama Filho Como Requisito Parcial à obtenção do Título de Mestre em Educação Física Rio de Janeiro, Março de 2000 Dedico a Soraya e à minha família

2 Homenagem ao professor Primeiramente eu gostaria de declarar meu amor a esta profissão. Algumas vezes desacreditada, outras creditada, não importa, o que interessa é que escolhi este ofício, e tenho muito orgulho dele. Contudo este amor não é por acaso, pois teve origem no trabalho daqueles outros, que um dia foram e são meus professores. Foram eles que ensinaram-me a gostar e optar pelo magistério. Eram e são tão talentosos, que me despertaram admiração. Então perguntei a mim mesmo: por que não? E estou aqui hoje escrevendo este texto cafona que antecede minha dissertação de mestrado. Pensei, desta forma, que seria justo homenagear aqueles que me ajudaram no caminho da Educação. Aos sete anos eu entrei em uma escola para até hoje, dezessete anos depois, nunca mais sair. Naquele ano, 1983, eu observava com certa preocupação aquelas crianças chorando copiosamente, não querendo de forma alguma deixar a mãe e ficar com uma senhora desconhecida. Esta senhora era uma professora, a primeira que tinha visto em toda minha vida, pelo menos que me lembre. Passado algum tempo, estávamos todos nós, chorões ou não, em uma sala de aula. Dentro daquele ambiente, aquela senhora, que me lembro o nome, era Yolanda, nos ensinava as coisas mais simples como escrever, ler, desenhar. Porém o mais simples é o mais complicado, que talento e paciência tinha aquela senhora, que por inúmeras vezes pegava na mão de cada um, sem excluir ninguém, mesmo aqueles que não tinham interesse. Eu tenho muitas lembranças para contar da Professora Yolanda, que certamente já faleceu, pena que o espaço e tempo sejam pequenos agora. Outro professor importante era o Joel. Sua disciplina era Educação Física, sua pedagogia era tecnicista, como era comum. Contudo o tecnicismo não o desqualificava, pois valores como cooperação, amizade, eram muito valorizados em sua aula. Lembro que quando disputávamos os campeonatos escolares, e um parceiro errava um passe, ou uma jogada simples, ele exigia que nós déssemos apoio ao menino. Ele foi um professor muito importante na formação de seus alunos, ensinando valores como a solidariedade. Já na faculdade, eu conheci um professor um pouco louco, um maluco beleza. Seu nome: Antônio Geraldo Magalhães Gomes Pires. Eu devo muito a este professor, pois ele acreditou mais do que ninguém em meu potencial. Fora este aspecto, que didática ele possui. É impossível não prestar atenção, não entender o tema mais complicado se ele está na frente do quadro-negro. Sua aula é um espetáculo, gestos, bocas e caras, andando o tempo todo para lá e pra cá. Transparências nem pensar, só o giz basta. Para ele, transparência sofisticada é estratégia de professor sem talento. Eu tento seguir seu exemplo, mas não é todo mundo que tem seu carisma. Na faculdade no interior de São Paulo, também, eu tive o prazer de ser orientado por um tal de Pedro Pagni. Quantas histórias eu tenho para contar desse cara. O fato é que em 1995, eu buscava, destemperadamente, alguém que me pudesse orientar em História da Educação Física, então me indicaram o Pedro, que não era meu professor. Então fui procurar o tal do Pedro, entrei no restaurante universitário, sentei na mesa do professor, e fiz todo um discurso e perguntei: e então, Professor? Ele respondeu: Acho interessante, por que você não procura o Pedro? Eu tinha me enganado de pessoa, o cara do cavanhaque era o Geraldo, que mais tarde foi meu professor e que já homenageei neste texto. O engano foi uma gafe, contudo ele me indicou que o Pedro ia palestrar naquele dia, foi quando o conheci. Disse ao Pedro que queria estudar a Educação Física na Grécia Antiga. Minha primeira leitura indicada por um orientador foi o Paidéia, umas mil páginas, acho que ele queria que eu desistisse, isto não aconteceu. Nos três anos em que ele me orientou eu aprendi muito. Existe muito do Pedro nesta dissertação. No mestrado, eu conheci melhor uma cidade e uma pessoa maravilhosa. Um sotaque muito reconhecível, jeito latino, um argentino meio desconfiado, fumando sem parar, me entrevistava na seleção do mestrado. Achava que ele não tinha ido com minha cara. Acho que me enganei, além de ter passado na seleção, acabei sendo seu orientando, e que sorte a minha. Não só pelo intelectual que ele é, pelo professor dedicado, pelo profissionalismo, qualidades que divide com o Antônio Jorge Soares, mas pelo amigo que se revelou. Eu só tenho palavras carinhosas para este amigo. Obrigado Hugo Lovisolo. Foi esta maneira muito simples que encontrei para dizer obrigado a estes profissionais, que piegas não? GOIS JUNIOR, E (2000). Os higienistas e a Educação Física: a história de seus ideais. (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: PPGEF, Universidade Gama Filho. 2

3 Orientador: Prof. Dr. Hugo Lovisolo RESUMO Esta dissertação tem como objetivo refletir sobre a homogeneidade ou heterogeneidade do discurso do movimento higienista e sua influência sobre a Educação Física. Para isto, enfatizamos a análise de discursos teóricos e propostas de intervenção dos higienistas. Chegamos à conclusão que havia uma mentalidade heterogênea e difusa entre os mesmos. Sendo que suas propostas iam da regulamentação dos casamentos entre indivíduos mais aptos, esterilização, até a democratização da saúde e da educação, ambas estratégias divulgadas por periódicos da Educação Física. Assim sendo, o que pode caracterizar os higienistas é o interesse comum na divulgação de hábitos higiênicos, normas profiláticas e cuidados com o corpo. Seus objetivos não eram simplesmente atender os interesses de determinada classe social, mas sim, fazer que seus conhecimentos científicos pudessem melhorar a vida de todos. Isto ficou claro a partir da análise de documentos que despertam a atenção pelo caráter reivindicatório do discurso de vários higienistas, que apontam a necessidade urgente da intervenção nos problemas sociais da sociedade em voga. 3

4 GOIS JÚNIOR, E (2000). The higienistas and the Physical Education: the history of its ideals. (Master Dissertation ). Rio de Janeiro: PPGEF, Gama Filho University. Adviser : Prof. Dr. Hugo Lovisolo ABSTRACT This dissertation has as objective to contemplate on the homogeneity or heterogeneity of the speech of the " movement higienist" and its influence on the Physical Education. For this, we emphasized the theoretical and proposed of intervention of the higienists analysis of speeches. We reached the conclusion that there was a heterogeneous and diffuse mentality among the same ones. And its proposals went of the regulation of the marriages among more capable individuals, sterilization, until the democratization of the health and of the education, both strategies disclosed by newspapers of the Physical Education. Like this being, what can characterize the higienistas it is the common interest in the popularization of hygienic habits, medics norms and cares with the body. Its objectives were not simply to assist the interests certain social class, but yes, to do that its scientific knowledge could improve the life of everybody. This was clear starting from the analysis of documents that you/they wake up the attention for the character chritical of the speech of several higienists, that aim the urgent need of the intervention in the social problems of the society in vogue. 4

5 ÍNDICE CAPÍTULO INTRODUÇÃO... - Problema e posição - Delimitando o objeto - Caminhando para uma hipótese - Metodologia - Relevância e Justificativa - Revisitando a historiografia da Educação Física - O que o leitor pode esperar desta dissertação 1 O MOVIMENTO HIGIENISTA NA EUROPA... - Do contexto - Industrialização - A urbanização e as epidemias - Uma nova filantropia - O paradoxo do Liberalismo - O idealismo do movimento higienista - O motor humano - Desenvolvimento e debates da Medicina 2 OS HIGIENISTAS DO BRASIL... - Brasil : início do século XX - Abandono do povo: as epidemias - Pessimismo em relação à raça e ao povo - A resposta nacionalista - Discussão intelectual sobre os problemas do Brasil - Os higienistas: crítica da sociedade e polêmica racial - O movimento higienista : seus contrastes e suas complexidade - Como mudar? A intervenção higienista Página A EDUCAÇÃO FÍSICA E OS HIGIENISTAS O exemplo francês - Os intelectuais brasileiros, os higienistas e os métodos ginásticos no Brasil - O melhor método - Outras propostas, os mesmos objetivos - A Educação Física e as teorias higienistas - Precisamos nos legitimar CONSIDERAÇÕES FINAIS BIBLIOGRAFIA BÁSICA

6 INTRODUÇÃO " enquanto houver historiadores, suas explicações serão incompletas, pois nunca poderão ser uma regressão ao infinito (Veyne, 1995, p.56.). Problema e posição Em meados do fim do século XIX e início do século XX, surgia um novo discurso. Suas propostas residiam na defesa da Saúde Pública, na Educação, e no ensino de novos hábitos. Convencionou-se chamá-lo de movimento higienista. O movimento tem uma idéia central que é a de valorizar a população como um bem, com capital, com recurso talvez principal da Nação (Rabinbach, 1992). O movimento se expandiu pelo mundo e chegou ao Brasil, embora mediante reapropriações e reinterpretações. Preconizando normas, hábitos, que colaborariam com o aprimoramento da saúde coletiva, do povo, da raça. Nas últimas décadas, a interpretação do movimento higienista foi abertamente crítica, sobretudo nas obras de história da Educação Física geradas a partir dos anos oitenta. O argumento central dos críticos baseou-se um duas operações: mediante a primeira o movimento higienista foi homogeneizado, considerado como um discurso e uma prática de caráter unitário; pela segunda, foi considerado como agindo em bloco a serviço dos interesses das 6

7 classes dominantes. De fato, a homogeneização estaria a serviço da segunda operação, de sua consideração em bloco como sendo funcional para os interesses das classes dominantes. A crítica depende da homogeneização, ela é seu pressuposto lógico. Esta dissertação pretende mostrar que o movimento higienista era altamente heterogêneo sob o ponto de vista teórico (fundamentos biológicos e raciais), ideológico (liberalismo e anti-liberalismo). Já no campo das medidas ou das políticas públicas de educação, saúde, habitação e trabalho, entre outras, encontramos uma maior unidade. Isto não é de se estranhar. É bem conhecido o fato que embora contrapostos em termos de adesão, as teorias bacteriológica e dos miasmas, na própria Europa, propuseram as mesmas medidas profiláticas. Sobre este exemplo voltaremos adiante, aqui apenas pretendemos indicar para o leitor que teorias explicativas diferentes podem levar a práticas de intervenção semelhantes. Outra preocupação nossa, mediante a descrição desse objeto de estudo, foi a questão do posicionamento. Embora sejamos críticos dos críticos, ou seja, reelaboremos as críticas, tentamos evitar as predefinições partidárias e ideológicas. Não porque as excluamos, mas porque tentamos controla-las metodologicamente. O envolvimento com o objeto de estudo não significa a assunção da parcialidade. As leituras de, entre outros, Eric Hobsbawn e Quentin Skinner fortaleceram em nós a confiança em podermos orientar-nos pela procura da imparcialidade, embora ela jamais seja absoluta. Autores, que se não nos deram um modelo metodológico, nos deram indicações de como realizar a tarefa de contar a História. Nosso orientador Hugo Lovisolo, por exemplo, sempre cita o argumento de Thomas Merton: se de fato é impossível um ambiente estéril, poderíamos fazer cirurgias nos esgotos. Contudo, 7

8 sábia e praticamente procuramos os ambientes cirúrgicos mais estéreis possíveis. Não acreditamos que as coisas sejam diferentes no campo da história e das ciências sociais Em Hobsbawn, primeiramente, percebemos a importância da imparcialidade ou isenção 1. Este autor recomenda: É muito importante que os historiadores se lembrem de sua responsabilidade, que é, acima de tudo, a de se isentar das paixões de identidade política - mesmo se também as sentirmos. (Hobsbawn, 1998, p.20). O que ele nos quer ensinar é que uma história deve ter universalidade, e não identidade de um grupo político, racial. Por exemplo, uma história pode ser contada para os que pretendem revolucionar o mundo, outra para quem pretende reformar, outra para quem é conservador. Uma história para os judeus, outra para os alemães. Hobsbawn pensa que a construção dessas histórias de identidades (políticas, nacionais, raciais) podem fazer com que a História perca sua universalidade, tornando-se uma história de identidade. Muitos pesquisadores voltam-se ao passado procurando uma legitimação para seus atos no presente. Eles utilizam a história para justificar suas posições (Hobsbawn, 1998). Ensina-nos, também Quentin Skinner: Quando digo que a tarefa do historiador é a do anjo registrador quero dizer que sua aspiração deve ser a de recapturar o passado nos seus próprios termos deixando de lado, no possível, as dúvidas pós-modernistas quanto à total viabilidade disso. (...) O que quero dizer é que nossos valores devem nos motivar a escolher os assuntos que queremos 1 Da mesma forma nos orientou Antônio Jorge nas suas aulas sobre Popper. 8

9 estudar. Mas, uma vez feita a escolha, a recuperação do passado exige grande imparcialidade. (Skinner, 1998, p.7) Com esta passagem podemos entender que a escrita da história exige imparcialidade. Deste modo, ao descrevermos o discurso do movimento higienista brasileiro, optamos nem por defendê-lo, nem por atacá-lo, mas sim, vislumbrar sua complexidade, seus próprios termos no seio da sociedade que se formou entre as últimas décadas do século passado e as primeiras deste, ou seja, no seu próprio contexto. À medida que o trabalho se intensificava, percebíamos que havia matizes de valores da época que eram diversos dos da sociedade atual, o que ocasionou mais obstáculos na sua caracterização. Vimos que o discurso higienista, também era fruto de uma sociedade em processo de industrialização, o que acarretou certas ênfases na questão do preparação do trabalhador, na urbanização, no controle de novas doenças epidêmicas e ocupacionais. Ou seja, o discurso higienista voltava-se para questões pertinentes ao seu tempo, aos valores da época como trabalho, disciplina, intervenção. Como qualquer discurso é datado, por isso, sua interpretação descontextualizada apenas pode produzir anacronismos. Descobrimos que ignorar este contexto e valores da época, comprometeria esta narrativa. Segundo Gramsci, devemos ter historicidade, que é ter a consciência da fase de desenvolvimento de nossos tempos e do fato de que ela está em contradição com outras concepções de outros tempos." (Gramsci, 1978, p.13) Enfim, nós não poderíamos julgar pensamentos e atitudes envolvidas por valores que às vezes são contrários aos valores de hoje. Tentamos olhar para o passado sem pré julgá-lo. 9

10 À partir destas dificuldades encontradas por nós, tentamos desenrolar nosso objeto de estudo. Vimos que os problemas estavam apenas começando. Delimitando o objeto A primeira dificuldade revelou-se na delimitação do recorte histórico. Seria muito difícil determinar uma data que fosse considerada como a inicial e a terminal na vigência do discurso higienista, estabelecendo sua periodização. Poderíamos ter adotado uma periodização determinada pela história política, isto seria possível caso considerássemos este discurso como específico das tendências ideológicas do século XIX e, menos ainda, como Ghirardelli entendeu, como específico produto do liberalismo (Ghiraldelli, 1988). Contudo, quando examinamos as fontes, esta prerrogativa não se manteve pois, no caso brasileiro, sua consolidação se deu em plena Ditadura Vargas, momento brasileiro caracterizado pelo domínio ideológico das tendências centralizadoras, não-liberais. Nos parece mais coerente, determinar um marco inicial baseado em ocorrências que tornaram possível a demanda do movimento higienista europeu, como a industrialização, a urbanização, a bacteriologia e a fisiologia, a filantropia e as diversas ideologias que militam na segunda metade do século XIX, como o liberalismo mas, também, o socialismo. Com isto, podemos adotar este recorte temporal inicial na segunda metade do século XIX e o corte final, por decisão da dinâmica da pesquisa, corte por certo arbitrário, em Pretendemos, no futuro, alongar a pesquisa para o nosso presente. 10

11 A segunda dificuldade foi definir o que era um higienista. As definições enciclopédicas eram muito restritas, definindo-os como estudiosos da Higiene, como médicos sanitaristas. Porém o movimento higienista era muito mais amplo. Contava com apoio de educadores, políticos, advogados, engenheiros, instrutores de ginástica. Enfim, uma gama bastante diversa de profissões foi influenciada pelos pressupostos higienistas. Assim, não entendemos os higienistas como apenas médicos. Então, pensamos em caracterizá-los como intelectuais que tinham em comum o desejo de melhorar as condições de saúde coletiva da população brasileira. Somente dentro deste modelo podemos dar uma certa unidade aos higienistas. Contudo a tarefa não era tão simples, pois o que é um intelectual? Em Gramsci é encontrada a definição mais usual de intelectual. Em sua obra Os intelectuais e a organização da cultura, ele defende a existência de dois tipos específicos de intelectuais: os intelectuais tradicionais e os orgânicos. Os primeiros teriam o papel de manter e justificar o constituído. Já os intelectuais orgânicos, defenderiam determinadas classes sociais, organizando seus interesses, aumentando seu poder.(gramsci, 1978a) Esta tipologia acaba criando duas polarizações, uma entre o orgânico e tradicional, e outra entre os defensores das classes dominantes e das classes dominadas. Dentro desta lógica, um intelectual está à favor ou contra os interesses dos trabalhadores ou empregadores. Contudo, percebemos que seria muito difícil caracterizar o movimento higienista e seus intelectuais dentro desta perspectiva. Não poderíamos caracterizá-los como intelectuais orgânicos favoráveis ou contrários aos interesses dos trabalhadores, sem imputar-lhes uma homogeneidade de discurso inexistente. Em outras palavras, esta história não poderia ser narrada com vilões e mocinhos. 11

12 Neste sentido, tornou-se mais interessante o uso da definição de Hugo Lovisolo. Segundo ele, o que caracteriza um intelectual é seu desejo de formar mais intelectuais, ou seja, tornar a sociedade mais crítica e intelectualizada. Com esta definição, podemos considerar os higienistas como intelectuais, e muitos outros que não se adaptam à tipologia gramsciana. Deste modo, para Lovisolo, podemos compreender porque os educadores físicos, que também se consideram intelectuais, procuram que o atleta seja criticamente consciente de seus movimentos físicos e dos jogos sociais e políticos que participam. Na verdade, eles estão tentando intelectualizar aquela prática. Em seus termos, do mesmo modo: Os médicos que insistem para que conheçamos e administremos criticamente nosso próprio organismo para crescermos em autonomia. Em todos os casos, o pensar por si mesmo, o ser intelectualmente adulto está presente. Pareceme que é este o bojo da tradição na qual os intelectuais são emotivamente formados e talvez seja esta a grande ligação com o cotidiano e com os diferentes segmentos da sociedade. Em definitiva, autores críticos dos intelectuais, como Foucault, Bourdieu ou Habermas procuram, nem sempre explicitamente, que pensemos por nós mesmos, autonomamente, de forma emancipada. Eles também querem reproduzir intelectuais. (Lovisolo, 1998a, p.7) Se os intelectuais tem em comum o desejo de formar outros, seria difícil não considerar os higienistas como tal. Eles tinham um discurso heterogêneo, e às vezes oposto, contudo tinham algo em comum: o desejo de educar a população nas 12

13 normas higiênicas. Eles tinham a missão de convencer e racionalizar muitas práticas, por exemplo a Educação Física, a classe dirigente, da importância da Educação Higiênica. Fora esta caracterização, Lovisolo, ainda identifica outras categorias dentro do termo intelectual. Segundo ele, existem os intelectuais academicistas e os intervencionistas/cientificistas (Lovisolo, 1997). Os primeiros são aqueles interessados no saber pelo saber, não se preocupando imediatamente com a aplicação de suas descobertas teóricas, separando o político do científico. Já os intervencionistas propõem a reestruturação do mundo à partir da ciência, postulando a necessidade de um conhecimento útil para a sociedade. Estabelece formas de interação com o povo, tentando conduzi-lo, educálo, conscientizá-lo (Lovisolo, 1997). Os higienistas se definem como intervencionistas na medida que usam suas pesquisas para indicar as melhores formas de evitar a doença, quando procuram explicações econômicas, sociais, biológicas, para o estado de doença do povo. Quando propõe estratégias, ainda que de forma difusa, para o equacionamento de problemas da Saúde Pública. Podemos, então, desta forma, encarar os higienistas como intelectuais cientificistas que tinham como ideal o melhoramento das condições da Saúde coletiva e individual, através do encaminhamento de propostas de intervenção, que por muitas vezes iam em direções opostas, mas queriam alcançar este mesmo objetivo. 13

14 Caminhando para uma hipótese Se tivéssemos o intuito de analisar os higienistas como intelectuais dentro da tipologia gramsciana, teríamos que defini-los como intelectuais orgânicos, e então teríamos que enfrentar o problema de definir a favor de qual classe social teriam atuado. A historiografia dos anos oitenta optou por esse modelo e também optou, com argumentos pouco sólidos, em defini-los como intelectuais a serviço das classes dominantes. Nesta visão, os higienistas seriam defensores do capital. Seu discurso e ação, homogêneo ou unitário, seria determinado pelos interesses das elites sociais. Ainda em uma perspectiva gramsciana, poderiam ser montados argumentos que salientassem sua participação como defensores dos trabalhadores e opositores do Capital. Ou seja, a tipologia de Gramsci levaria na direção de um jogo no qual estamos obrigados a distinguir e agrupar os defensores de um e outros, opressores e oprimidos. Consideramos, a partir da leitura de seus escritos e da avaliação de suas ações, que a tipologia cria uma polarização que se torna difícil conceber na análise do discurso dos higienistas. Seria mais preciso caracterizá-lo como um discurso heterogêneo, que por muitas vezes, mediava os interesses entre as classes sociais, sem necessariamente assumir os interesses dos opressores ou dos oprimidos. Se as coisas ocorreram desse modo, teríamos, então, que pensar a possibilidade que além dos interesses dos oprimidos e opressores podiam também estar em jogo os interesses dos próprios intelectuais. Assim, os interventores intelectuais estariam interessados em construir uma sociedade que favoreça aos intelectuais. Acredito que seja esta a hipótese que pode ser derivada do trabalho de Lovisolo citado anteriormente. 14

15 Em termos concretos partiremos da hipótese de que os ideais do movimento higienista não eram determinados pelos interesses da camada dominante, embora em sua função de mediadores os levassem em conta. Desta forma, a hipótese central que será defendida neste estudo é que o discurso de vários higienistas, que influenciaram a mentalidade da época, chegando até nossos dias 2, e de modo particular aos discursos e a intervenção da Educação Física, partilhavam do intuito de cuidar melhor da população através de uma intervenção estatal, melhorando sua saúde, tendo como estratégias às vezes a esterilização, regulamentação dos casamentos e, em outras, a conquista de direitos trabalhistas, a defesa da democratização da Saúde e da Educação, enfim, constituindo um ideário heterogêneo, que atingiu diversos setores da sociedade, como a Educação Física. No fundo, tratava-se de fazer uma população mais sadia, mais disciplinada, mais educada e, porque não, física e intelectualmente mais preparada. Metodologia Esta pesquisa qualitativa, de modelo bibliográfico, tem por objetivo estudar fontes primárias e secundárias sobre o tema. As técnicas de pesquisa consistem na análise de documentos do período: Adotamos como fontes primárias, trabalhos de intelectuais brasileiros da primeira metade do século XX, como Monteiro Lobato (1961, 1961a, 1961b), Fernando de Azevedo (1920, 1933, 1950, s.d.) Affonso Celso (1943), Manoel Bonfim (1905, 1926, 1996), Alberto Torres (1982, 1990), Oliveira Vianna (1959), 2 Nos dias de hoje o próprio movimento das saúde pode ser considerado como derivado do discurso higienista do início do século. 15

16 Pena Belisário (1923), Afrânio Peixoto (1913, 1938), Miguel Couto (1932, 1933), e outros. Assim como, atas de congressos de Higiene, manuais de Higiene, periódicos da época, traduções de Inezil Penna Marinho (s.d, s.da,) dos métodos ginásticos. Do mesmo modo adotamos, diversas fontes secundárias que deram suporte às nossas interpretações, principalmente na descrição do movimento higienista na Europa, onde tivemos como base principal, os trabalhos de Anson Rabinbach (1992), Jacques Donzelot (1980), Georges Vigarello (1985), George Rosen (1994). No caso brasileiro, nos interessaram, principalmente, trabalhos de Gilberto Hochman & Nízia Trindade (1996), de Thomas Skidmore (1989, 1998), Vera Marques (1997), Dante Moreira Leite (1976), e outros. Relevância e Justificativa Esta pesquisa torna-se justificável e relevante na medida que contrapõe a idéia dominante em nosso campo sobre o movimento higienista, que algumas vezes considera a Educação Física dita higienista como uma prática autoritária ligada ao militarismo e aos médicos. Tendo a idéia de progresso em mente, julgam que a Educação Física hoje e o movimento de saúde são melhores, progrediram. Ou seja, acredita-se que as orientações da Educação Física progrediram e ainda progridem. Há, no entanto, aqueles que quando escrevem a história da Educação Física, passam a idéia de que o movimento higienista representou um mal e, que o mal ainda persiste, embora possam postular que o progresso ainda deve ser alcançado no desenvolvimento, por exemplo, de uma consciência crítica. 16

17 Diferentemente dessas perspectivas, queremos entender o movimento higienista destacando seus ideais, motivações, interações sociais. Para, então, observarmos até que ponto esta idéia de progresso se sustenta. Nosso trabalho busca a crítica do que já foi contado na historiografia da Educação Física, respaldando outras interpretações para sua a história. Revisitando a historiografia da Educação Física Na década de noventa algumas críticas foram elaboradas com o intuito de relativizar muitas das teses da historiografia da Educação Física da década de oitenta. Pedro Ângelo Pagni (1995), Alberto Pillati (1994), Ademir Gebara (1994), e mais recentemente, na ocasião da orientação deste trabalho, Hugo Lovisolo (1998) 3 apontaram muitas lacunas na produção da História crítica (como ficou conhecida a historiografia da década de oitenta). A tese principal desta historiografia representada, principalmente, por Lino Castellani Filho (1988), Paulo Ghiraldelli Júnior (1988) e Carmem Lúcia Soares (1990), com os seguintes textos: Educação Física no Brasil: uma história que não se conta ; Educação Física Progressista ; O pensamento médico higienista e a Educação Física no Brasil: , é que a teoria e a prática dos higienistas e dos professores/instrutores de Ginástica/Educação Física era 3 Ademir Gebara (1994) e Luís Alberto Pillati (1994) questionaram a questão da periodização política adotada pela História Crítica. Pedro Ângelo Pagni no História da Educação Física no Brasil: notas para uma avaliação (In: FERREIRA NETO, As Ciências do Esporte no Brasil) faz uma crítica sobre a produção de Fernando de Azevedo, Inezil Penna Marinho e Lino Castellanni Filho sobre história da Educação Física, ressaltando lacunas na historiografia destes autores. Hugo Lovisolo no História Oficial e história crítica: pela autonomia do campo ( In: Coletânea do VI Congresso Nacional de História da Educação Física, Rio de Janeiro, UGF, 1998) vê semelhantes essas duas formas de escrever história na Educação Física Brasileira, pois estiveram da mesma forma preocupadas mais com a legitimação de uma pedagogia do que com a reconstrução da história. 17

18 determinada pelos interesses das classes dirigentes. A este respeito Francisco Caparroz, afirma, com propriedade que, "Não que as condições a este respeito estivessem totalmente equivocadas ou que não se devessem operar análises neste sentido, não se trata disso, mas sim de mostrar que operar análises única e exclusivamente nesta perspectiva pode levar fatalmente a certos reducionismos, como acreditar que o processo histórico é totalmente determinado pela macroestrutura, o que levaria então a crer, que não há espaços para as contradições e conflitos, já que há apenas e tão somente um movimento (paradoxalmente) estático e linear de reprodução da ideologia dominante." (Caparroz, 1997, p.74-5) Concordamos com a análise de Caparroz. Não precisamos desconsiderar as interpretações desses autores, mas devemos testa-las, não simplesmente, aceitá-las como verdades absolutas. Por exemplo, Castellani considerou, baseado em um livro de Jurandir Freire Costa, que os higienistas colaboravam em um projeto racista de supremacia da raça branca e, também, de opressão da classe trabalhadora. Com comprovamos nesta passagem: Os médicos higienistas, então, através da disciplinarização do físico, do intelecto, da moral, e da sexualidade, visavam...multiplicar os indivíduos brancos politicamente adeptos da ideologia nacionalista... É por isso 18

19 que nos cumpre dizia o Dr. Joaquim José dos Remédios Monteiro, citado por Jurandir envidar todos os esforços para o melhoramento da geração atual pela garantia da procriação, pela educação física... Educação Física associada à Educação Sexual, a qual segundo os higienistas deveria transformar homens e mulheres em reprodutores e guardiões de proles e raças puras... 4 Castellani baseado nesta citação considerou o movimento higienista unido na questão da superioridade da raça branca, atribuindo a este movimento um discurso unívoco e homogêneo. Demonstraremos nesta dissertação, que por muitas vezes, higienistas como Fernando de Azevedo, Miguel Couto e outros, teceram duras críticas a esta ideologia. Outra crítica, desta vez da autoria de Hugo Lovisolo, caminha no mesmo sentido à medida que considera que uma história narrada sem uma maior imparcialidade, como foi feito na década de oitenta, está sujeita a acreditar que questões como: de que lado está a história narrada? a quem defende? quais são seus heróis? qual sua moralidade ou sua política? tem mais importância, enquanto critérios de aceitabilidade, do que a consistência da narrativa, das provas fatuais, da originalidade no tratamento dos materiais da história. O problema, então, não é porque ou com qual intencionalidade se pensa que os ideais higienistas alienavam o povo ou eram funcionais ao liberalismo. O problema é como se demonstra essa convicção. Não se trata de expulsar as convicções, trata-se de afinar o como. Nos termos de Lovisolo: 4 CASTELLANI FILHO. Op. cit., p.44. COSTA, Jurandir Freire. Ordem médica e norma familiar. 19

20 Os autores e as produções da "história crítica" da educação física tornaram-se parte dos dogmas e seus autores, citados e recitados, por vezes contra sua vontade, parece que estão além da crítica teórica e empírica. A citação dogmática pode ser resultado de que estamos, alguns dos de dentro, com disposições favoráveis para aceitar como válida e boa sua narrativa da história dos esportes e da educação física. Uma narrativa altamente ideologizada pelas preocupações de denunciar "projetos" e "ações" de dominação e de justificar os contraprojetos, por vezes supostos, de emancipação dos grupos historicamente subordinados ou dominados. Esta é sem dúvida uma dimensão da história, contudo, não é a única nem sempre a mais relevante. Assim, a história crítica inventa sua própria redução histórica para se contrapor a outros reducionismos. Reproduz, em espelho deformado, aquilo que pretende combater. (Lovisolo, 1998, p.57) Esta historiografia, segundo Lovisolo, preocupou-se mais em revisar trabalhos da historiografia da Educação 5 que fossem de encontro às suas interpretações, do que a reconstrução da história de uma forma consistente. Assim, por exemplo, ainda segundo Lovisolo, a história crítica não poderia ter ignorado que os fisiologistas e higienistas, no século passado na Europa e no Brasil, foram aliados importantes da classe trabalhadora (Lovisolo, 1998). Pois, despertaram o público para a idéia de que um povo sadio e educado é um capital de inestimável valor para o país, dando fundamento a reivindicações dos trabalhadores, ajudando-lhes a Rio de Janeiro, Graal, 1983, p

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