Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva em foco

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1 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva em foco Prof.ª Fernanda Chagas Schneider O texto a seguir destaca momentos que remontam a história da educação especial no Brasil e enfoca os pressupostos da Política Inclusiva vigente Para pensar ao longo do texto: As políticas inclusivas se refletem em sua realidade escolar? As primeiras ações voltadas para a atenção de pessoas com deficiência no país remontam à época do Brasil Império, quando o Instituto dos Meninos Cegos foi fundado no Rio de Janeiro, seguida da criação do Instituto de Surdos-Mudos. Criação do Instituto de Surdos-Mudos Criação da Sociedade Pestalozzi para atendimento de crianças com deficiência mental Criação do Instituto dos Meninos Cegos (atualmente conhecido como Instituto Benjamin Constant) Criação do Pavilhão-Escola Bourneville - primeiro espaço destinado apenas a crianças com deficiência Criação das primeiras Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAES Nesta época, as poucas iniciativas direcionadas ao público alvo da educação especial ficavam restritas as pessoas surdas ou cegas, panorama que só sofreu modificações após a Proclamação da República quando foi criada, conforme Muller (1998), a primeira escola especial para crianças anormais O pavilhão Bouneville - originado da separação entre crianças e adultos do Hospicio Nacional de Alienados (que por ainda atuar na perspectiva da institucionalização de pacientes pouco trabalhava a dimensão pedagógica). Somente 30 anos mais tarde, com a criação da Sociedade Pestalozzi inovou-se o campo da assistência, da educação e da institucionalização das pessoas com deficiência no Brasil, ampliando a

2 abrangência de atendimento também para pessoas com deficiência intelectual. Outra instituição que ganhou força nesse período, foi a Associação de Pais e Amigos dos Exepcionais APAE. Conforme Lanna Jr (2010), o associativismo constituiu-se como uma importante etapa para a conquista de direitos das pessoas com deficiência. Para saber mais: Leia o texto: História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil disponível como material de apoio da oficina Todas as iniciativas, desde o Império até a década de 1970, são parte de uma história na qual as pessoas com deficiência ainda não tinham autonomia para decidir o que fazer da própria vida. Todavia, entre as pessoas com deficiência, esse foi um período de gestação da necessidade de organização de movimentos afirmativos dispostos a lutar por seus direitos humanos e autonomia. ( Lanna Jr,2010:30) Tais movimentos deflagraram debates acerca das responsabilidades civis e governamentais sobre a questão, além de originar diferentes normativas que observavam os diretos das pessoas com deficência nos diversos campos sociais. Em termos de legislação na área da Educação? Podemos identificar que em 1961, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB nº. 4024/1961 trazia, em seu artigo 88, algumas determinações sobre como proceder com alunos especiais. Nele observamos a garantia de que esse público teria acesso ao sistema geral de educação dentro do possível. Esta lei veio a ser alterada em 1971 pela nova LDB 5.692/71, quando se define que este público alvo deveria receber tratamento especial. Já em 1973, é criado o Centro Nacional de Educação Especial CENESP que, balizado no caráter integrador vigente, por muitas vezes impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência, mas embasado por forte cunho assistencialista, não modificou o panorama instituído. Passados os anos de chumbo com o declínio do regime militar, já podemos observar na Constituição Federal de 1988, a definição de educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, o texto estabelece a igualdade de condições de acesso e permanência na escola. Em 1994 formula-se a Política Nacional de Educação Especial, ainda pautada na visualização do potencial da criança. Esta orienta o processo de integração somente daqueles alunos que possam acompanhar as classes regulares. Com a revisão da LDB nº 9394/1996 observa-se no capitulo V que a criança com deficiência passa a ter seu direito de frequentar a rede regular, além disso, desta

3 vez garante-se por lei um apoio especializado sempre que não seja possível a integração na escola. Alguns anos depois o CENESP sofre modificações, dando lugar para a Secretaria de Educação Especial - SEESP 1, vinculada ao Ministério da Educação. Esta secretaria, fortemente influenciada pelos documentos internacionais inclusivos, propõe-se a desenvolver programas, projetos e ações a fim de implementar no país uma política na perspectiva inclusiva. Nasce então a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A política precursora a esta reafirmava os pressupostos construídos a partir dos padrões homogêneos, já nova por sua vez, salienta em sua apresentação que: Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superálas, a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos, a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada, implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas (BRASIL 2008:05) Sob esta ótica a política pretende assegurar a inclusão de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Tendo por objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem destes alunos, orientando os sistemas de ensino a promoverem respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: - A Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; - O Atendimento educacional especializado; - A Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; 1 Atualmente parte integrante da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI

4 - A Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; - A Participação da família e da comunidade; - A Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e - A Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. (BRASIL, 2008:14) Algumas diretrizes são elencadas na tentativa de atingir tais objetivos. No que tange a transversalidade, a política esclarece que a educação especial é uma modalidade que deve perpassar todos os níveis de ensino. Já no tocante a oferta de um Atendimento Educacional Especializado AEE, as diretrizes estabelecem que este: identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela (BRASIL 2008:16) Cabe a este atendimento organizar recursos que propiciem a participação dos alunos em aula, considerando as especificidades de cada um. Ressalta-se que ele não deve substituir as atividades de escolarização, mas sim suplementar suas atividades. Já a continuidade da escolarização nos níveis elevados do ensino deve se efetivar por meio de ações que proporcionem o acesso, a permanência e a participação dos alunos, disponibilizando desde processos seletivos até o desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. (BRASIL 2008:24) Os profissionais de educação que passam a atuar junto à educação especial devem ter como base de sua formação, conhecimentos específicos sobre o sistema educacional de educação especial, devendo agir de forma interdisciplinar nos diversos espaços

5 inclusivos, articulando com os diferentes atores envolvidos no processo, promovendo assim a parceria com outras áreas do conhecimento. O texto da política ainda prevê a imbricada participação da família e da comunidade no processo inclusivo, além da promoção de acesso aos diferentes espaços escolares, cabendo aos sistemas de ensino eliminar quaisquer barreiras e: organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. (BRASIL 2008:24) Por fim, a normativa orienta que se efetivem articulações intersetoriais visando à promoção de políticas públicas que observem o sujeito em sua complexidade e que percebam a escola comum como o espaço legítimo para a inclusão social do aluno com deficiência. Todas essas ações são respostas a uma demanda social que surge em consonância com o pensamento mundial vigente. A sociedade brasileira passa a ser responsável por fomentar um debate democrático acerca do tema, analisando seus reflexos e equacionando possíveis avanços ou retrocessos. No entanto, se observarmos que, não há muitos anos, os protagonistas desta discussão eram pessoas jogadas à própria sorte, ou segregadas a espaços não sociais, estar hoje discutindo qual a melhor forma de garantir qualidade a sua escolarização pode, certamente, já ser encarado como uma conquista rumo ao respeito da diversidade humana. Referências: BRASIL, Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, Brasília Disponível em: Lanna Jr, Mário Cléber Martins (Comp.). História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil. - Brasília: Secretaria de Direitos Humanos. Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2010 MULLER, TMP, A primeira escola Especial para creanças anormaes no Distrito Federal: O pavilhão Bourneville, UFRJ, 1998 Disponível em: 6numero1pdf/r6_art05.pdf

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