ALIANÇA ESTRATÉGICA DA SAÚDE E AMBIENTE PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE LIBREVILLE

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1 ALIANÇA ESTRATÉGICA DA SAÚDE E AMBIENTE PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE LIBREVILLE Adoptada pelos Ministros da Saúde e Ministros do Ambiente na Segunda Conferência Interministerial sobre Saúde e Ambiente em África Luanda, Angola, 25 e 26 de Novembro de 2010 ANTECEDENTES 1. A Declaração de Libreville sobre Saúde e Ambiente em África foi adoptada em 29 de Agosto de 2008 pelos ministros da saúde e ministros que tutelam o ambiente de 52 países africanos. Nesta Declaração, os ministros comprometem os países africanos na criação de uma aliança estratégica entre a saúde e o ambiente, para enfrentar os problemas da saúde e do ambiente em África. 2. A OMS e o PNUA (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) reuniram-se com parceiros e peritos representando países seleccionados em Windhoek, Namíbia, de 25 a 27 de Fevereiro de 2009 para, entre outros aspectos, discutir a Declaração de Libreville e as suas implicações nas actividades dos parceiros, e para obter consenso em torno de um roteiro para a Segunda Conferência Interministerial da Saúde e Ambiente, em Os parceiros emitiram um comunicado de Windhoek sobre a implementação da Declaração de Libreville, no qual se comprometem a dar todo o apoio à criação de uma aliança estratégica entre a saúde e o ambiente e a manter o apoio às suas actividades, tanto a nível nacional como internacional. Este documento tem por objectivo propor modalidades para a formalização da Aliança Estratégica da Saúde e Ambiente. MISSÃO 3. A missão da Aliança Estratégica da Saúde e Ambiente (HESA) consiste em implementar a Declaração de Libreville, a nível nacional e internacional. Visa desenvolver e coordenar as acções dos sectores da saúde e do ambiente nos processos de formulação de um plano, de modo a valorizar e utilizar com eficácia as ligações entre a saúde e o ambiente na protecção e promoção da saúde pública e da integridade dos ecossistemas, tendo em vista a consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. MANDATO 4. A nível de país: O mandato fundamental da HESA consiste em apoiar a implementação conjunta da Declaração de Libreville dos seguintes modos: i) orientando e executando um processo iterativo de análise da situação e de avaliação das necessidades; ii) facilitando a identificação das prioridades nacionais; iii) formulando planos nacionais de acção conjunta (NPJA); orientando a formulação de actividades trans-sectoriais decorrentes dos planos nacionais de acção conjunta e envolvendo uma vasta gama de parceiros; iv) monitorizando e avaliando os progressos; v) e procedendo a acções de advocacia e de mobilização de recursos. 5. A nível internacional: O mandato fundamental da HESA consiste em apoiar os esforços dos países através de advocacia, colaboração, mobilização de recursos, desenvolvimento de capacidades, apoio técnico e monitorização dos progressos. ASPECTOS ORGANIZATIVOS 6. Os aspectos organizativos envolvem quatro entidades principais: a Conferência Interministerial sobre Saúde e Ambiente em África, os Comités Nacionais de Coordenação (CNC), a Reunião dos Parceiros e o Secretariado. 1

2 7. A Conferência Interministerial sobre Saúde e Ambiente em África é um fórum político que pretende facilitar o diálogo intersectorial e criar oportunidades para a tomada de decisões que contribuam para um melhor alinhamento das resoluções adoptadas nas reuniões do Comité Regional Africano da OMS às da Conferência Ministerial Africana para o Ambiente, as Cimeiras dos Chefes de Estado da União Africana bem como em outros fóruns ministeriais pertinentes, sobre temas relacionados com as interligações entre a saúde e o ambiente na África. A CISA realiza-se de dois em dois anos e é precedida pela Reunião de Peritos. Peritos nas áreas da saúde e do ambiente deverão também organizar reuniões aos níveis sub-regionais, em colaboração e com o apoio das comunidades económicas regionais e outras entidades regionais, sobre os problemas relacionados com a saúde e o ambiente. 8. A Reunião dos Parceiros: a OMS, o PNUA, outras agências especializadas das Nações Unidas, agrupamentos económicos regionais, bancos de desenvolvimento e países doadores reunirão anualmente com os países africanos, para analisar os progressos na implementação da Declaração de Libreville. Estas reuniões de parceiros irão orientar a implementação das resoluções adoptadas pela Conferência Interministerial e aprovarão planos de acção conjunta, de nível internacional, preparados pelo Secretariado. 9. Os Comités Nacionais de Coordenação funcionarão como o Secretariado da HESA ao nível nacional. Serão responsáveis, inter alia, pela preparação, monitorização e avaliação dos NPJA. Por conseguinte, os Governos devem criar CNC que sejam multissectoriais e multidisciplinares. Os CNC devem incluir representantes de todos os ministérios relevantes e serão coordenados por uma instância ministerial superior. O CNC irá nortear a implementação da Declaração de Libreville e será supervisionado a nível político por Comissões Interagências, compostas por representantes do Governo, dos parceiros de desenvolvimento e da sociedade civil. Os CNC deverão reunir-se regularmente. O formato concreto das disposições mencionadas será decidido pelos próprios governos, segundo as suas situações específicas. 10. O Secretariado da HESA a nível internacional será assumido pela Equipa de Acção Conjunta (JTT), segundo as recomendações da primeira Reunião dos Parceiros. Presentemente, a JTT é composta por funcionários da OMS e do PNUA. Em caso de necessidade, outras agências das Nações Unidas, comunidades económicas regionais e bancos de desenvolvimento serão convidados a designar representantes na JTT. Esta formulará planos de acção bienais (Planos Internacionais de Acção Conjunta - IPJA) com base nos Planos Nacionais (NPJA) e em harmonia com os planos de acção da OMS, PNUA e outros parceiros. Participarão no JTT países seleccionados num sistema rotativo, segundo critérios acordados na Conferência Interministerial. 11. As funções gerais do Secretariado são as seguintes: a. preparar as sessões da Conferência Interministerial; b. garantir a implementação das resoluções, decisões e declarações adoptadas pela Conferência Interministerial; c. coordenar o apoio técnico aos países; d. proceder a acções de advocacia e mobilização de recursos; e. facilitar a troca de experiências entre os países; f. apoiar as actividades das redes de vigilância das doenças transmissíveis e não transmissíveis; g. apoiar a monitorização dos progressos; h. efectuar avaliações periódicas; i. facilitar a criação de redes. 12. O Secretariado irá criar uma rede de peritos nas áreas da saúde e do ambiente a fim de: 2

3 a. facilitar a partilha de experiências e a troca de informações entre os países; b. apoiar os países na implementação dos planos nacionais de acção; c. prestar apoio na monitorização e avaliação. ACÇÃO DO SECRETARIADO A NÍVEL INTERNACIONAL 13. As grandes áreas de acção do JTT são: mobilização e coordenação dos recursos; advocacia e comunicação; apoio técnico e reforço de capacidades; e monitorização e avaliação. 14. Mobilização e coordenação dos recursos: A Declaração de Libreville solicita à OMS, ao PNUA e a outros parceiros que intensifiquem os seus esforços de advocacia, mobilização de recursos e obtenção de investimentos novos e adicionais, para reforçar a aliança estratégica entre a saúde e o ambiente. A primeira Reunião de Parceiros aprovou um quadro geral para o mecanismo de mobilização e coordenação de recursos (RMC). Os parceiros acordaram em que o RMC seja concebido para dar apoio técnico aos países na formulação de propostas pertinentes e tecnicamente válidas, que melhorem substancialmente a qualidade e aumentem o número dos projectos aprovados pelos doadores e por outros mecanismos de financiamento. O mecanismo deve procurar que os governos assumam a direcção dos projectos. Deve ainda ter capacidade para proceder à avaliação dos recursos a nível global, regional e nacional. Facilitar o acesso aos recursos financeiros e técnicos suficientes para que os países possam atingir os objectivos e metas definidos nos Planos Nacionais de Acção Conunta (NPJA). b) Objectivos: i) Identificar, a nível nacional, regional e global, os recursos existentes na saúde, no ambiente e em outros sectores pertinentes, aos quais os países possam aceder e que possam usar nos programas e projectos oriundos dos PJA; ii) Facilitar a colaboração dos doadores para que dinamizem o financiamento existente, de modo a corresponder melhor às prioridades nacionais; iii) Dar apoio técnico aos países na formulação de propostas de financiamento em linha com as prioridades e que respondam melhor às exigências dos doadores; iv) Aconselhar os países nas áreas da gestão e governação dos projectos; v) Facilitar a mobilização de recursos adicionais; vi) Promover parcerias orientadas para a mobilização de recursos. c) Funções: i) Identificação e mapeamento de recursos; ii) Identificação e mapeamento de doadores; iii) Identificação e mapeamento de projectos; iv) Apoio técnico à elaboração de propostas; v) Monitorização e avaliação de projectos para o uso adequado dos recursos; vi) Apoio técnico à orientação de projectos e à resolução de problemas; vii) Angariação de recursos novos e adicionais; viii) Gestão das subvenções. 3

4 d) Principais produtos e serviços: i) grupo especializado de peritos familiarizados com os processos e exigências dos principais instrumentos de financiamento, para apoiar os países na mobilização de recursos; ii) disponibilização aos países de instrumentos e metodologias para avaliação de doadores e gestão das subvenções; iii) relatórios periódicos de previsões de fluxos financeiros potencialmente acessíveis aos países para a implementação da Declaração de Libreville; iv) criação de mecanismos de reforço da gestão e governação dos projectos; v) criação de um mecanismo para gerir fundos especiais. 15. Advocacia e comunicações Zelar para que as acções prioritárias consignadas na Declaração de Libreville se mantenham no topo da agenda política e estratégica dos países e dos seus parceiros e contactar e colaborar com outros intervenientes a nível internacional. b) Objectivos: i) apoiar os países na formulação de estratégias de advocacia e comunicação, com especial relevo para advocacia dirigida e específica junto de instituições e comunidades, incluindo jovens, parlamentares, governos locais, ministros da educação, sociedade civil e sector privado; ii) apoiar a documentação, publicação e divulgação das experiências, progressos e problemas dos países e dos parceiros na implementação da Declaração de Libreville. c) Funções i) promoção da Declaração de Libreville; ii) promoção da Aliança Estratégica para a Saúde e o Ambiente; iii) apoio aos países na advocacia e nas comunicações; iv) promoção da partilha de saberes e da troca de informações; v) desenvolvimento e divulgação de informações e de materiais e publicações. d) Principais produtos e serviços: i) página na Internet como principal veículo para fornecer informação, ligações e local de visionamento, função de descarregamento de dados e oferta de instrumentos de apoio; ii) publicações; iii) mensagens claras e coerentes sobre questões relacionadas com a HESA (Aliança Estratégica para a Saúde e o Ambiente) suscitadas pelos países e, eventualmente, por parceiros; iv) fichas informativas/materiais de divulgação e promoção para vários grupos-alvo: brochuras/boletim informativo; v) conjunto de recursos para Comunicação e Advocacia, para os países; vi) base de dados de fácil consulta on-line sobre as experiências dos países e sobre os perfis sanitários e ambientais dos países; 4

5 vii) iniciativas de divulgação: exposições, eventos paralelos, seminários, esclarecimentos, etc.; viii) produtos da Internet: podcasts, videos, etc. e plataformas interactivas on-line para troca de informações, experiências e melhores práticas. 16. Apoio técnico e desenvolvimento de capacidades Orientar e apoiar os países na avaliação e gestão dos factores de risco ambiental para a saúde humana e a degradação do ecossistema. b) Objectivo: Apoiar os países na formulação e implementação de Planos Nacionais de Acção Conjunta. c) Funções: i) revisão e formulação da política; ii) formulação de programas multissectoriais nacionais prioritários; iii) reforço das instituições das áreas da saúde e do ambiente; iv) gestão dos conhecimentos; v) quantificação dos impactos interligados na saúde e no ambiente; vi) apoio à implementação de acordos internacionais vinculativos e não vinculativos; vii) preparação de relatórios nacionais de observação da saúde e do ambiente; viii) afectação de recursos. d) Principais produtos e serviços: i) rede operacional de peritos com competência na análise e formulação de políticas, na concepção de programas e no desenvolvimento de capacidades, com relação específica às ligações entre a saúde e o ambiente; ii) grupo especial de peritos em tecnologias para aconselhar os países quanto às opções tecnológicas; iii) programas de formação para todos os níveis, nas principais áreas das interligações entre a saúde e o ambiente; iv) quadros para a criação/reforço de serviços de saúde e ambiente, no contexto do reforço dos sistemas de saúde. 17. Monitorização e avaliação Facilitar a implementação eficaz da Declaração de Libreville. b) Objectivo: Avaliar, documentar e divulgar os progressos na implementação da Declaração de Libreville e do seu impacto e, onde necessário, recomendar alterações. c) Funções: 5

6 i) concepção, harmonização e divulgação de instrumentos e indicadores para a monitorização e avaliação; ii) apoio aos países na monitorização e avaliação dos projectos e planos de acção; iii) concepção e implementação de actividades de avaliação a nível regional; iv) preparação de relatórios dos progressos para a análise da Conferência Interministerial; v) facilitação de redes de apoio técnico e científico. d) Principais produtos e serviços: i) base de dados sobre saúde e ambiente, incluindo um sistema de gestão dos dados, disponível no domínio público; ii) instrumentos de apoio à tomada de decisões sobre saúde e ambiente para decisores e implementadores das políticas; iii) parcerias para a investigação sobre avaliação do impacto, opções tecnológicas e transferência de tecnologia; iv) relatórios nacionais e regionais sobre as perspectivas da saúde e do ambiente. 6

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