56% DO PODER EXECUTIVO. é KIMBUNDU COMPOSIÇÃO ÉTNICA DO GOVERNO CONTINUA DESEQUILIBRADA. Pedro Mutindi não aceita autoridade de Idalina Valente

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1 DIRECTOR GERAL GRAÇA CAMPOS DIRECTOR ADJUNTO SILVA CANDEMBO Kz 250,00 EDIÇÃO 356 ANO VII SÁBADO 27 De FevereirO De 2010 IDEOLOGIA É «COISA» QUE VAI FICANDO PARA TRÁS MPLA, uma formidável máquina de fazer ricos CRISE NO MINISTÉRIO DO COMÉRCIO Pedro Mutindi não aceita autoridade de Idalina Valente COMPOSIÇÃO ÉTNICA DO GOVERNO CONTINUA DESEQUILIBRADA 56% DO PODER EXECUTIVO é KIMBUNDU

2 2 Sábado, 27 de Fevereiro de em Foco É só paranóia? Graça Campos Não seria exagero nenhum se a bem da nação também se «atacasse» o problema do temor que as pessoas têm em conversar ao telefone. Neste país os jornalistas são provavelmente das poucas pessoas, que, conversando entre si, o fazem sem se preocuparem se há alguém na linha 1. Aplicada a rigor, a tolerância zero, advogada pelo presidente da República, deveria ir para lá do afastamento de figuras, que, no entendimento de José Eduardo dos Santos, comprometam a reputação dos políticos. Mas neste aspecto, convenhamos, a tolerância zero ainda não fez nenhuma vítima a sério. Há por aí muita prisão, mas, como se sabe, é tudo peixe-miúdo. Além de, até agora, nenhum peixe-graúdo ter caído na rede, há também da parte de quem de direito o cuidado de logo se ir dizeendo que fulano de tal não é suspeito, que o seu filho é um santinho. Estamos de acordo em como se deve respeitar o princípio da presunção da inocência, incluindo para aqueles que se viam arrolados pela justiça. Mas há que convir, também, que se a justiça se ficar pela raia miúda - e pelos casos de fim de ano, quando os cofres do país já estavam abaixo do meio - não haverá moralização. Apresentados com um drama típico de filme indiano, estes casos representam, não há dúvidas, desafios à justiça, mas não correspondem, nem de perto nem de longe, ao que motivou o presidente da República a dizer-se incomodado como os ministros, assistentes e outros que se lambuzam com o dinheiro que pertence a todos nós. Há, ainda, outras coisas que os políticos podem fazer, para não parecer que desafiam a tolerância zero. Não fica bem, como se viu esta semana num anúncio publicado no «Jornal de Angola», que um membro do Governo, no caso o novo ministro dos Antigos Combatentes, assine como presidente da mesa da assembleia-geral a convocação de uma reunião de um banco privado. Todos sabemos, e isso ele não esconde, que o ministro Kundi Pahiama é accionista do BANC, mas - vamos e venhamos - será que ele não pode abdicar do título de presidente da mesa da AG? Comparado com o que Carlos Fernandes fez enquanto presidente da Agência Nacional do Investimento Privado o gesto do ministro dos Antigos Combatentes é apenas um arranhão à lei e ao bom senso. Como alguns leitores saberão, uma investigação conduzida por Rafael Marques concluiu que o antigo responsável da ANIP avalizou o investimento de uma cervejeira portuguesa, num sociedade em que ele era grande accionista. Como dizem os brasileiros..será que isso pode? 2. Como se vê, tolerância zero não é só uma questão de levar à justiça quem mexe no que não deve. Ao fim e ao cabo, tolerância zero mexe com a forma como evoluímos como país, como preparamos esta terra para outras gerações. Isto quer queiramos quer não faz parte dos compromissos de quem governa. Por isso, não seria exagero nenhum se a bem da nação também se «atacasse» o problema do temor que as pessoas têm em conversar ao telefone. Neste país os jornalistas são provavelmente das poucas pessoas, que, conversando entre si, o fazem sem se preocuparem se há alguém na linha. A lista morre aqui. Por causa do temor dos grampos telefónicos políticos há e aqui incluem-se até aqueles que ocupam cargos no topo que não falam com jornalistas; há políticos que se recusam a falar com políticos ao telefone; médicos recusam-se a debitar opinião ao telefone se o assunto for política, empresários recusam-se a acertar preços ou pagamentos ao telefone. Enfim.. a paranóia faz um pouco de sentido. Atentemos a algumas coisas: os tribunais são independentes? Não! Os juízes assumem em juízo aquilo que subscrevem publicamente? Já vimos que não! Perante tudo isso, e mesmo que a lei faça depender as escutas à autorização de um juiz, quem vive desconfiado terá as suas razões. Por isso, também está na hora de se estripar o bicho, seja fictício, seja verdadeiro. QUi 18 Fev SeX 19 Fev SÁB 20 Fev DOM 21 Fev SeG 22 Fev Ter 23 Fev CASO BNA O caso BNA continua em lusco-fusco e ainda sem rostos visíveis, sobretudo do peixe graúdo. Mas, quanto a números, a fasquia tende a subir. Ao todo, são 27 pessoas detidas, das quais 18 são funcionários do Ministério das Finanças, do BNA e empresários envolvidos no desvio de mais de USD 130 milhões. JORNALISMO INVESTIGATIVO Longe das matérias quotidianas e das redacções, 18 jornalistas discutiram sobre jornalismo investigativo no workshop sobre «Pesquisa e jornalismo» organizado pela British Council. Munir os jornalistas de técnicas de investigação foi o objectivo da formação. Que venham mais formações do género. NOVO NÚNCIO APOSTÓLICO D. Ângelo Becciu já tem substituto. O novo Núncio Apostólico de Angola e São Tomé e Príncipe é o Reverendo Monsenhor Novatus Rugambwa que já representou o Vaticano no Panamá, no Congo, Paquistão, Nova Zelândia e Indonésia. Muito não falta para o termos entre nós. EIA, MENINAS DE OURO! Pode-se dizer, sem temor, que as atletas da selecção nacional sénior feminina de andebol estão habituadas ao «ouro». Erguer taças já virou rotina para elas. Nesse sábado, o troféu foi erguido no Egipto pela décima vez na final do XIX Campeonato Africano das Nações frente à Tunísia (31-30). CAN 2012 JÁ NO PRELO Foram já anunciados os adversários que a selecção nacional de futebol defrontará para marcar presença no próximo CAN. Angola está no grupo 10 com as selecções do Uganda, Quénia e Guiné-Bissau. Pelo que se sabe das outras selecções, Angola reúne grandes probabilidades de conseguir apurar-se. POPULAÇÃO SEM ENERGIA Grande parte da população angolana não tem acesso a energia eléctrica. É facto mais do que sabido. O director nacional de Energia e Águas, Paulo Matos, reforça dizendo que apenas 32 por cento da população tem esse privilégio. Custa assim tanto proporcionar ao povo um bem vital? Director: Graça Campos Director-Adjunto: Silva Candembo Editores Editor Chefe: Severino Carlos; Política: Severino Carlos; Economia: Cristóvão de Sousa Neto; Sociedade: Salas Neto; Cultura: Salas Neto; Desporto: Silva Candembo Redacção: Rui Albino, Baldino Miranda, Adriano de Sousa e Pascoal Mukuna Colaborades: Sousa Jamba, Fernando Macedo, Kanzala Filho, Manuel Rui, Luís Kandjimbo, Kenneth Muanji, Anastácio Ndunduma, Josué Sapalo, Kajim-Bangala, Peter James, Maurílio Luiele, Adriano Botelho de Vasconcelos e Celso Malavoloneke Paginação e Design: Sónia Júnior (Chefe) e Patrick Ferreira Fotografia: Nunes Ambriz e Virgílio Pinto Impressão: Lito Tipo Secretária de Redacção: Antónia de Almeida Adminstracção e Vendas: Marta Pisaterra Publicidade e Marketing: Antónia de Almeida (Chefe) e Oswaldo Graça António Feliciano de Castilho n. o 103 Telf Luanda Registro MCS337/B/03 Contribuinte n. o Propriedade: Semanário Angolense, Ltda. República de Angola Direcção: Edição: Política: Economia: Sociedade: Cultura: Desporto: Redacção: Administracção e Vendas: Publicidade e Marketing: sítio: As opiniões expressas pelos colunistas e colaboradores do SA não engajam o Jornal. QUA 24 Fev QUi 25 Fev PETRO VC ASA O jogo inaugural da segunda jornada do Girabola 2010 levou à Cidadela Desportiva adeptos do Petro de Luanda e do ASA. Apesar de não ter tido a espectacularidade que se pretendia, a partida serviu para marcar o regresso em grande do atacante Santana, autor do único golo a favor da equipa petrolífera. SONANGOL EM SÃO TOMÉ A Sonangol está interessada na exploração de petróleo em São Tomé e Príncipe, assim disse Manuel Vicente. O PCA da petrolífera nacional adiantou ainda que o formato mais provável para a entrada da Sonangol no «north stream» são-tomense é um investimento conjunto entre as companhias de petróleo da CPLP.

3 Sábado, 27 de Fevereiro de em Foco Pelos vistos, o comentário do novo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, segundo o qual há um número excessivo de chefes de secção naquele ministério teve ressonância noutros sectores. No acto da sua apresentação ao «staff» com quem vai trabalhar, no que se fez acompanhar de Virgílio de Fontes Pereira, ministro cessante, Bornito de Sousa confessou-se horrorizado com a quantidade de chefes de secção em serviço naquele ministério. «Fiquei pessoalmente escandalizado ao ver que o Ministério tem organicamente previstos 54 chefes de secção», disparou o novo governante. Embora se diga que Bornito de Sousa acertou na mosca ao referir que muitos dos chefes de secção do MAT teriam mais serventia servindo instituições municipais, poucos ou ninguém lhe perdoa a deselegância para com o seu antecessor. Aliás, os «disparos» de Bornito de Sousa não atingiram apenas Virgílio de Fontes Pereira. Também Pitra Neto, ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, acabou apanhado pelos estilhaços, já que é por ele que passam os estatutos orgânicos das instituições públicas. Provavelmente sem o querer, o novo MAT acabou, ainda, por visar igualmente o Conselho de Ministros, que é o órgão que sanciona os referidos diplomas. Além do mal-estar que o seu comentário suscitou entre «camaradas de armas», Bornito de Sousa deu um tiro no próprio pé: é que ele mostrou que enquanto chefe da bancada parlamentar do MPLA não estava nem aí para os actos do governo. Na verdade, se Bornito de Sousa e seus pares fiscalizassem os actos do governo não teria ficado «escandalizado» com a quantidade de chefes de secções que encontrou no MAT. Atingiu vários alvos Bornito dispara indistintamente Aquela é a «quota» que existe em todos os ministérios. Com essa «balda», ninguém pode negar razão ao presidente José Eduardo dos Santos quando, recentemente, criticou a bancada parlamentar do MPLA por não fiscalizar a actividade do governo da maneira como se impunha. Angola será destaque na revista Smart Money A dimensão económica de Angola vai ser destaque nos próximos tempos na revista norte-americana Smart Money- The Wall Street Journal Magazine, uma publicação de periodicidade mensal e eminentemente económica com grande pendor para o sector da banca e das finanças. Para o efeito, há sensivelmente um mês estão em Angola dois jornalistas da firma norte-americana Economy Survey Corporation, entidade que produz conteúdos jornalísticos para a citada revista. No nosso país, esses profissionais vão reportar o estado da economia, com especial realce para o sector financeiro e produtivo, além de abordar também questões de natureza política e histórica. Um desses jornalistas, Gonzalo Portas, explicou ao Semanário Angolense os propósitos da sua vinda ao nosso país. «Como todo o mundo sabe, Angola está em foco. Por isso, pretendemos fazer uma descrição global da economia e da história do país, que precisa ser mais conhecido. Desse modo, trataremos de falar não só com os protagonistas do sector económico, mas também com governantes. Porém, e porque o sector bancário e financeiro tem uma percepção mais abrangente da economia, é aqui que vamos concentrar parte substancial dos nossos esforços». Gonzalo Portas disse que para corporizar o trabalho a que a publicação se propôs dará vez e voz aos principais actores da economia angolana, tanto do sector público como do privado, destacando um aspecto que no seu entendimento é positivo e vai certamente ajudar a que o mundo olhe para Angola com outros olhos. Trata-se do grande esforço que tem sido feito para a diversificação da economia do nosso país, que ainda depende em 85% da indústria extractiva, principalmente a do petróleo. «O que nos moveu a fazer esse trabalho, que visa essencialmente promover em todo o mundo a imagem do país, é o facto de acreditarmos que, apesar de algum pessimismo no Ocidente, Angola tem hipóteses de singrar. Há uma infra-estruturas boas e vontade suficiente para se fazer de Angola uma economia pujante». Ele acredita que a reportagem que está a ser feita pode servir também para elucidar potenciais investidores que ainda não demandaram Angola por falta de informação credível e clara. Segundo Gonzalo Portas, a Smart Money The Wall Street Magazine é uma publicação dirigida essencialmente a executivos de ponta, CEO de companhias fortíssimas, políticos e banqueiros, num total de mais de 3,7 milhões de leitores, o que pode ser bom para os negócios da classe empresarial angolana. «Não é sem razão que nessa reportagem vamos dar espaço aos homólogos angolanos dos nossos leitores», justificou. Instado a pronunciar-se sobre o acesso às fontes neste trabalho, que persegue também a divulgação de muita informação em primeira mão, o nosso interlocutor disse que tem sido muito difícil, por causa da burocracia e porque «as pessoas com as quais queremos falar são extremamente assoberbadas. Mas uma vez que o contacto se concretiza, temos tido muito boa receptividade, são bastante flexíveis e em alguns casos até chegam a ser mais abertos do que os seus homólogos ocidentais», revelou. Cuba assume número de baixas em Angola O governo cubano fixou em 2106 o número de baixas que teve em Angola entre 1975 e 1990, ao abrigo da «missão internacionalista» que trouxe ao nosso país milhares de soldos daquela ilha. Este número foi primeiramente apontado pelo líder cubano, Fidel Castro, em 2005, numa cerimónia que marcou o trigésimo aniversário do envio de militares para Angola. A cifra foi agora incluída num livro escrito por Peter Polack, um historiador que vive nas Ilhas Cayman e que dedicou anos a fio a estudar o caso cubano em África, particularmente em Angola. Em Dezembro de 1989 os jornais regionais cubanos publicaram listas correspondentes às vitimas de cada uma das regiões. Na mesma altura, Havana realizou funerais em simultâneo durante os quais foram enterrados todos os corpos até então em câmara ardente. A lista completa dos cubanos caídos em Angola foi confirmada por Havana o mês passado, quando Peter Polack obteve a versão oficial junto do Freedom Park, monumento que as autoridades sul-africanas ergueram em memória dos que tombaram na luta contra o apartheid Um documento entregue às autoridades sul-africanas pela embaixadora cubana em Pretória, Esther Armenteros, fixa em 2289 o número de cubanos que perderam a vida em Angola, na Etiópia e noutros países durante mais de 30 anos. Da lista constam figuras notáveis como o comandante Argueles, e outros militares cubanos. Polack tem no prelo a obra «Black Stalinegrado», uma alusão à vila do Kuito Kuanavale, onde se decidiu o curso da guerra em Angola. Peter Polack começou a interessar-se por Angola em 1992, aquando de uma visita à Jamaica, onde se cruzou com dois refugiados cubanos que tinham combatido em Angola. «Contaram-me estórias fascinantes», disse ele. Cuba enviou os primeiros soldados para Angola em Ao todo estima-se que tenham passado por aqui cerca de 300 mil cubanos, que começaram a sair do nosso país em 1989, ao abrigo do acordo «tripartido» entre Angola, a África do Sul e Cuba, que resultou na independência da Namíbia. Os últimos 119 soldados cubanos saíram de Angola em 1991.

4 4 Sábado, 27 de Fevereiro de em Foco Arguidos já detidos continuam a ser procurados... Que balbúrdia é essa? Em algum lado, na Procuradoria-Geral da República (PGR) ou no Jornal de Angola, começam a aparecer sinais de desorientação em relação ao tratamento que aí se está a dar ao processo de detenções no âmbito do que já é conhecido como «caso BNA». Na quinta-feira, 18, o Jornal de Angola publicou uma nota de imprensa em que a PGR agradecia «as pessoas que directa ou indirectamente prestaram informações valiosas que tornaram possível a captura de vários arguidos» do «caso BNA». O documento, assinado pelo adjunto do PGR, Salvador André Baxe, dizia estar o «caso BNA» relacionado «com as transferências fraudulentas operadas no Banco Nacional de Angola, com o concurso de funcionários do Ministério das Finanças». No domingo, 21, o mesmo Jornal de Angola, que publicou essa nota de agradecimentos, voltou a inserir nas suas páginas de publicidade cinco mandatos de captura contra outros tantos arguidos. O problema é que dois dos homens já tinham sido capturados e as respectivas detenções legalizadas pela PGR. Francisco Gomes Mangumbala (na foto), antigo arquivista do Departamento de Gestão de Reserva do BNA, foi detido na segundafeira, 15, em plena via pública, nas imediações do Aeroporto Internacional de Luanda, quando circulava a bordo de uma viatura conduzida por um amigo. Quando soube da instauração do processo-crime, Mangumbala deixou de comparecer ao serviço, tal como abandonou a casa onde vivia com uma das esposas e os filhos e foi refugiar-se na casa de um amigo no Município da Maianga, depois de ter passado pelo Kilamba Kiaxi. Com a colaboração da população que, entretanto, forneceu informações sobre os seus movimentos, foi capturado naquela segunda-feira por operacionais do Departamento de Buscas e Capturas da DNIC. Ouvido em Interrogatório de arguido na PGR, onde foi apresentado, viu a sua prisão ser legalizada. Francisco Mangumbala é, entretanto, o primeiro na lista de procurados publicada no jornal de Angola de domingo, quase uma semana depois da sua detenção, havendo três explicações possíveis para isso. Primeiro: os serviços de publicidade do Jornal de Angola terão relutado em afastar das inserções um anúncio que sabiam de antemão estar solucionado e não mais necessitar de publicação. Segundo: a PGR, apesar de ter conhecimento da detenção de parte dos arguidos, não ordenou que a lista dos mandatos de captura que estava no Jornal de Angola fosse reduzida, provavelmente por não haver uma «ordem superior» para o fazer. Terceiro: até os quadros do Jornal de Angola não lêem a publicação que dão aos outros a ler (o que deve ter um significado qualquer), donde não se puderam aperceber que a PGR tinha executado parcialmente os mandatos e até agradeceu ao público por ter ajudado. Em resultado disso, o que aconteceu é que, na verdade, o público ficou sem saber se acreditava no Procurador-Geral do República, João Maria de Sousa, que dias antes havia anunciado a detenção de Francisco Mangumbala e um comparsa seu, ou se fazia fé no Jornal de Angola, que insistiu na publicação de um mandato de captura sobre alguém oficialmente já dado como preso. Com isso, a palavra do Procurador-Geral da República foi posta em causa, como também ficou chamuscada a credibilidade de uma publicação que não é a quinta de ninguém, senão património e erário da Nação, devendo, por isso, ser preservada por aqueles que estão como fiéis depositários. O MALANJINO FRANCISCO Mangumbala foi detido a 15 de Fevereiro, nas imediações do aeroporto internacional de Luanda... Proximamente «Café da Manhã» em CD Muitas das mais de 850 entrevistas feitas pelo jornalista José Rodrigues no «Café da Manhã», da estação radiofónica Luanda Antena Comercial (LAC), serão editadas em CD ainda durante o primeiro semestre do corrente ano, soube o Semanário Angolense junto do realizador do referido programa. De acordo com o também director de informação da LAC, as entrevistas serão publicadas faseadamente em formato de colectâneas. Cada colectânea trará quatro CD s, com entrevistas de quatro figuras distintas, em compactos de 80 minutos, apesar de os programas terem todos a duração de uma hora. Cada volume terá mil cópias. «Depois de já ter feito a selecção das mais significativas entrevistas, nesta altura estou em estúdio a trabalhar o material para posterior masterização e acabamentos», disse o jornalista, que dirige o programa há quase 17 anos, praticamente desde a criação da rádio, a primeira comercial surgida após a independência do país. José Rodrigues disse que para já é impossível publicar todas as entrevistas, pois passam das 850. Numa primeira fase lançará 10 volumes (com quatro discos cada), totalizando 40 entrevistas e 40 mil discos. A sua apresentação pública dos mesmos será faseada. Depois do primeiro lançamento, seguir-se-ão outros, embora nem todas serão publicadas. Por isso, vai optar por priorizar a de pessoas já falecidas e alguns vivos, cujos depoimentos tiveram grande impacto. Nomes como os de António Cardoso, Alioune Blondin Beye, Belli Bello, Anália de Vitória Pereira, Teta Lando, André Passy, Mário Alcântara Monteiro e Mfulumpinga Landu Victor surgirão a título póstumo, ao lado de figuras como Kundi Payhama, Rui Mingas, Maria Eugénia Neto, Adelino Marques de Almeida, António Monteiro, Paulo Jorge e Isaías Samakuva, entre outros. Segundo palavras do «pai» do projecto, esta é uma forma de fazer luz sobre a história recente de Angola, por via dos próprios protagonistas.

5 Sábado, 27 de Fevereiro de em Foco Primeira crise no governo de «iniciativa presidencial» Mutindi não aceita subordinar-se a Idalina De 2 a 3 de Março, em Roma Os temores sobre um eventual choque entre a ministra do Comércio, Idalina Valente, e um dos seus secretários de Estado, confirmaram-se. Porém, não foi com Archer Mangueira, antigo assessor económico do Presidente da República, que o caldo entornou. Em determinados sectores admitiu-se que, em virtude da sua «origem», isto é, a passagem pelo palácio presidencial, Archer Mangueira poderia sentir-se tentado a «debitar» na execução do PRESILD, a galinha de ovos de ouro do sector, o que poderia ameaçar o ascendente reservado à titular da pasta. Mas a surpresa foi geral. Não foi Archer Mangueira quem provocou perturbações. O choque no Ministério do Comércio deu-se noutro corredor. A ministra «bateu de frente» com o secretário de Estado para o Turismo, Pedro Mutindi, que até à remodelação operada recentemente ocupava o posto de ministro com responsabilidades que cobriram aquele pelouro. Fontes familiares ao caso disseram ao Semanário Angolense que além de não ter «engolido» a despromoção a que foi sujeito, pois passou de ministro a secretário de Estado colocado debaixo da alçada de um ministro, Pedro Mutindi não aceita a ideia de se subordinar a uma mulher. PEDRO MUTINDI: ou eu ou ela? Educado à moda das famílias tradicionais do Cunene, onde, à semelhança de muitos outros pontos de Angola, o homem é a primeira figura, Pedro Mutindi mantém-se irredutível neste ponto. Durante anos a fio, Mutindi foi fio governador da província do Cunene, sendo que nesta condição teve sempre como único «chefe» o presidente da República. Segundo o que apurou o Semanário Angolense, a crise poderá levar o presidente José Eduardo dos Santos a fazer uma pequena remodelação a contra-gosto. Não podendo exonerar Idalina Valente, que não tem culpa de ser mulher e nem dos «valores» de Mutindi, o presidente da República poderá ter que «partir» o Ministério do Comércio em dois. Cara a cara Em comum Pedro Mutindi e Idalina Valente apenas têm o facto de terem aderido ao MPLA em 1974 e de constarem da lista de candidatos a deputados nas eleições de Ele era o cabeça de pelo círculo provincial do Cunene, ela era a 81 ª dos candidatos do MPLA pelo círculo nacional. Tudo o resto difere da mesma maneira como o azeite difere da água. Pedro Mutindi chegou ao Comité Central do MPLA há mais de 20 anos, quando substituiu Kundi Pahiama no cargo de governador do Cunene, posto onde se quedou durante anos a fio. Subiu ao BP do MPLA há 10 anos. Idalina Valante, formada em Economia, foi entre outros, vicegovernadora da Huíla e vice ministra do Plano. Subiu ao CC do MPLA no congresso de Dezembro passado. É ministra do Comércio desde Outubro de A confirmar-se a pequena remodelação, Idalina Valente e Pedro Mutindi continuarão como estavam até à formação do novo governo: ela ocupar-se-á exclusivamente do Comércio, enquanto que ele recuperaria o controlo do Turismo e da Hotelaria, novamente na condição de ministro. Pedro Mutindi não foi o único membro do governo a quem a nova ossatura «roubou» autoridade. Makenda Ambroise passou de ministro da Geologia e Minas para secretário de Estado de Geologia e Minas, colocado sob a alçada do ministro da Indústria, Geologia e Minas, Joaquim Duarte David. Luís Filipe da Silva e Adão do Nascimento mantêm-se como secretários de Estado. O primeiro ocupa-se das Águas tendo como primeira autoridade do sector a controversa ministra da Energia e Águas, Emanuela Vieira Lopes; o segundo continua como secretário de Estado para o Ensino Superior, sendo que aí presta conta à ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Teixeira. No sector da Agricultura vivese situação similar. Depois de ter sido sucessivamente governador de Cabinda e do Bié, logo autoridade máxima, o engenheiro Amaro Tati regressou ao ministério para voltar a ser o primeiro vice-ministro, e agora secretário de Estado. Jinga Mbandi em colóquio Um colóquio internacional sobre a rainha Jinga Mbandi, uma das maiores figuras da história de Angola, realiza-se terça e quarta-feira próximas, na capital da Itália, Roma, numa iniciativa da embaixada de Angola naquele país europeu. Coordenado pelo historiador Simão Sioundula, membro do Comité Científico Internacional do projecto UNESCO «Rota dos Escravos», o evento conta com a colaboração da Associação Jinga Mbandi, Associação dos Angolanos Residentes na Itália, Associação Ngola Mbandi, bem como as universidades italianas Studi di Bari, La Sapienza e Viterbo. O colóquio será subdivido em vários painéis e no fim de cada jornada realiza-se-á uma mesa redonda sobre os temas debatidos. Além de conhecidas figuras do círculo académico angolano, professores universitários italianos vão igualmente dirigir painéis, já que a Itália é dos país do mundo com o mais rico arquivo sobre a rainha Jinga Mbandi.

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7 Sábado, 27 de Fevereiro de em Foco Jornada em cheio no 27 de Maio deste ano Data será assinalada com simpósio internacional sobre direitos humanos No quadro das comemorações do trigésimo terceiro aniversário do levantamento de 27 de Maio de 1977, um Simpósio Internacional sobre Direitos Humanos vai realizar-se nos dias 25, 26 e 27 de Maio próximo, dá a conhecer um comunicado de imprensa da Fundação 27 de Maio chegado à nossa redacção. A fim de participarem no evento, que se realizará em Luanda e em local a indicar oportunamente, estão convidados os sobreviventes filiados e não filiados, familiares das vítimas (pais, filhos, irmãos e viúvas), estudantes e a sociedade civil de uma forma geral. Os painéis e os prelectores serão conhecidos em tempo oportuno. Também tomarão parte três membros da Associação 27 de Maio, em Lisboa, nomeadamente José Reis, José Fusco e Edgar Valles, luso-angolanos naturais de Benguela, que na altura estiveram presos e posteriormente expulsos de Angola, por decreto do Presidente Agostinho Neto. Para o simpósio, a Fundação 27 de Maio solicita apoio material ou financeiro a entidades públicas e privadas, organizações congéneres e outras «de boa fé», lê-se ainda no comunicado, podendo quaisquer informações ser obtidas através dos terminais telefónicos / / / Falando ao Semanário Angolense, o presidente da Fundação, Silva Mateus, anunciou que a organização prevê lançar a primeira pedra para a construção definitiva do memorial das vítimas no Cemitério do 14, com vista a proceder-se ao enterro simbólico dos assassinados. A associação vai ainda decretar um luto nacional com duração de um ano, ou seja, até ao 27 de Maio de Recorde-se que em 27 de Maio de 1977, um movimento, liderado por Nito Alves, na altura ministro da Administração do Território, que tentou tomar o poder, fracassou, tendo-se seguido uma violenta caça às bruxas perpetrada pela Disa, a então polícia política do regime, que resultou na morte de dezenas de milhar de pessoas. Refinaria de Luanda vai parar No mês de Maio, a Refinaria de Luanda, onde se produz um terço de todos os combustíveis consumidos no país, vai paralisar por um mês e meio, para cumprir um processo de manutenção a que está tecnicamente obrigada a observar em cada quatro anos, anunciou a companhia na última Quinta-feira. A paralisação, tecnicamente chamada «shut down» obrigará a Sonangol a cobrir o défice que se gerar por via da importação, algo para o que a companhia disse ter estado a preparar-se para fazer para evitar a ocorrência de uma penúria de carburantes químicos no país. A companhia anunciou a programação do «shut down» com base numa calendarização dos prazoa da chegada de equipamentos, no reforço da capacidade de logística, algo em que esteve empenhada durante todo o ano passado e também da capacidade de distribuição.

8 8 Sábado, 27 de Fevereiro de Capa Na composição étnica do Governo Porquê a supremacia dos Kimbundu? Não adianta persistir na «lei do mais forte» e descurar a importância do equilíbrio étnico. Formar um Governo com base na velha lógica que tem privilegiado a escolha de personalidades de origem étnica kimbundu, não só em número como também no acesso a pastas e pelouros mais importantes, apenas contribui para acirrar velhos ódios e recalcamentos que ainda existem a nível étnico O primeiro Governo da III República não parece ter marcado uma ruptura histórica com o passado num quesito muito importante para o estágio em que se encontra a sociedade angolana: o equilíbrio regional e étnico. Observando-se atentamente a sua composição, constata-se que há uma nítida supremacia numérica de ministros de matriz kimbundu. Contas feitas por este jornal, das 32 pessoas que integram o executivo (em que se incluem os Presidente e vice-presidente da República), há um total de 18 kimbundus, contra apenas sete de origem ovimbundu, dois bakongos, dois tchokwes, dois crioulos (*) e um cabinda ou fiote. Em termos percentuais, a supremacia kimbundu traduz-se nuns esmagadores 56%, contra 22% dos ovimbundu, 6% para os tchokwes, bakongos e crioulos respectivamente, e apenas 3% para o grupo fiote. No fundo da tabela classificativa, ficam vários grupos étnicos sem representação no governo central, o que também significa, mais perturbadoramente ainda, que não têm palavra nem influência no poder executivo do país. Mas, indo e vindo, a conclusão mais perversa mesmo é a que remete, afinal, para a inexistência de equilíbrio étnico na nossa estrutura governativa central. É que embora a muito boa gente isso possa parecer um factor despiciendo e acessório, na verdade ele tem uma grande importância. Tanto tem que importará recordar, por

9 Sábado, 27 de Fevereiro de Capa exemplo, que no seu manifesto eleitoral apresentado à sociedade durante a campanha para as eleições legislativas de Setembro de 2008, o MPLA fez promessas de que em caso de vitória procuraria estruturar um governo o mais equilibrado possível aos mais distintos níveis. Ou seja, em termos mais concretos, a principal força política do país prometia formar um Governo que sem prejuízo de princípios basilares que persigam a eficiência e eficácia reflectisse também na sua composição os equilíbrios introduzidos na renovação da direcção do partido, nomeadamente mais mulheres, mais jovens e uma representatividade étnica e regional em proporção com o quadro apresentado pelos diferentes grupos etnolinguísticos. Isto é, um elenco governativo o mais inclusivo possível também a nível étnico. Não significa isto que para ser entendido como equilibrado o executivo devesse ter forçosamente um ministro kamusekele, bosquímano ou khoi-sun. Não radicalizemos. Mas é verdade que o actual Governo está longe do equilíbrio que, de acordo com os postulados da moderna Ciência Política, se recomenda aos Estados recém-saídos de uma prolongada guerra civil como é o caso de Angola, cujo conflito, para mais, teve também uma relativa componente de natureza étnica na sua génese. Terminado o quadro de estruturação dos governos que eram feitos em obediência às cláusulas do Protocolo de Lusaka rubricado entre o Governo e a UNITA, sente-se que por mais algum tempo seria conveniente e prudente não se perder de vista o critério do equilíbrio étnico. Ainda se afigura uma boa forma de atenuar as rivalidades regionais e étnico-tribais. Não foi o Presidente José Eduardo dos Santos que num dos seus pronunciamentos no último Congresso do MPLA fez menção aos «Akwakwisas», deixando assim subentendida a ideia de que as disfunções tribais (**) continuam a ser uma realidade latente no interior do seu partido e na sociedade em geral? Pois bem, é politicamente perigoso esconder a cabeça na areia e fingir que as diferenças do foro étnico estão totalmente esbatidas na sociedade angolana. Não estão nada! E formar um Governo com base na velha lógica que tem privilegiado a escolha de personalidades de origem étnica kimbundu, não só em número como também no acesso a pastas e pelouros mais importantes, apenas contribui para acirrar os recalcamentos que ainda existem a esse nível. (*) O termo «crioulo» é aqui usado numa certa acepção antropológica para definir alguém cuja condição cultural, étnica e/ou tribal seja de certo modo híbrida. Embora tenham nascido em Luanda, os ministros das Relações Exteriores e da Administração Pública e Segurança Social, Assunção dos Anjos e Pitra Neto, não são propriamente kimbundu. Dizemos «numa certa acepção», porque o conceito é bastante mais lato. Pode referir-se a países em que houve escravatura negra, caso das ilhas caribenhas, como pode dizer respeito a uma língua de contacto entre colonizadores e povos autóctones. Ou ainda ser aplicado a indivíduo que embora descendente de europeus, nasceu em país originário da colonização europeia. É evidente que Jonas Malheiro Savimbi usava a expressão nesta última acepção. Mas, em conformidade com os seus interesses políticos, orientava-a incisivamente para certo espaço do litoral de Angola, onde a mescla entre a cultura autóctone e a do colonizador português foi mais marcante. (**) Remete para a palavra «tribalismo», que deriva de «tribo». Obviamente, encerra em si uma carga emotiva em confronto com as mudanças políticas. Como diz Bernardo Bernardi em «Introdução aos Estudos Etno-Antropológicos», de facto, usa-se para indicar uma atitude mental e política de conservação e não de progresso, de visão parcial e não de visão unitária da comunidade política, de abuso e concussão para proveito pessoal ou de clientela e, em todos os casos, de atraso e barbárie. Mas importa esclarecer que, de um modo geral, para o escopo da presente matéria, os termos «tribo» e «etnia» são usados nas suas acepções mais benignas, embora sempre em contraste com os conceitos de «Estado» e «Nação». Isto é, em que os grupos étnicos se concebem não como unidades estáticas, mas etnias dinâmicas e abertas a toda a relação possível, podendo conduzir a novos tipos de reagrupamentos sociais e culturais.

10 10 Sábado, 27 de Fevereiro de Capa Há muito que não se via uma «décalage» tão acentuada Se nos atermos ao curso histórico do país, a predominância de ministros kimbundu no Governo chegou a fazer sentido. Olhando para a matriz étnica dos partidos históricos MPLA, UNITA e FNLA, compreende-se que nas condições turbulentas em que a Independência foi obtida, a lógica do mais forte acabasse por prevalecer na formação dos governos. Mas também é sabido que o MPLA foi capaz de ir corrigindo o rumo do tiro. Fazendo jus à sua condição de organização política angolana de carácter mais nacional e mais aglutinadora do mosaico multiétnico do país, foi concedendo maior espaço aos demais grupos etnolinguísticos, não obstante o facto de aos kimbundu ter estado sempre reservada a parte leonina do bolo. É isto que explica que a dado momento se tenha assistido a um maior e relativo equilíbrio, que transpondo o nível estritamente étnico verificou-se igualmente no plano das raças. Toda a década de noventa representa o corolário deste tipo de pensamento, altura em que o governo do país chegou a ganhar uma imagem próxima de um arco-íris. Integrando ministros de vários grupos étnicos e raças. É sintomático, aliás, que se tenha vencido uma barreira histórica quando o cargo de primeiro-ministro foi entregue a um ovimbundu, Marcolino Moco. Há que ter a coragem de admitir que esse passo só foi dado exactamente pela necessidade de se fazer uma importante concessão ao maior grupo étnico do país, tacada com a qual se foi procurando, simultaneamente, retirar a Jonas Savimbi o seu principal argumento para sustentar a guerra. Foi igualmente sobre a lógica étnica muito mais do que a necessidade de se premiar algum «savoir-faire» - que se estribou a nomeação de Paulo Kassoma no cargo de primeiro-ministro do Governo saído das eleições legislativas de Setembro de Todavia, quando se compara o governo formado depois das eleições de 2008 com o executivo recém-instituído, o que se verifica é uma completa retracção em todos os passos já dados no sentido do equilíbrio. Há muito que não se via uma «décalage» tão acentuada na composição étnica do Governo. Foi sobre a lógica étnica muito mais do que a necessidade de se premiar algum «savoir-faire» - que se estribou a nomeação de Paulo Kassoma no cargo de primeiro-ministro do Governo saído das eleições legislativas de Setembro de Enquanto o número de ministros kimbundu subiu de 14 para 18, o de origem ovimbundu decresceu abruptamente de 10 para somente sete membros. A diferença entre os dois grupos, que era apenas de quatro membros, passou a ser de onze. Em termos hierárquicos, também se tornou mais residual a importância e influência dos ovimbundu. O ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, é o que mais alto está quarta posição da orgânica governativa, onde há claramente uma ordem de precedência. A supremacia kimbundu é ainda mais avassaladora quando se olha para os secretários de Estado e vice-ministros, que não cabem no escopo desta matéria. Resta dizer que decresceu igualmente o número de ministros mestiços, ao passo que não há presentemente um só branco.

11 Sábado, 27 de Fevereiro de Capa Corrigir o rumo de tiro Seria cretinice esperar que os governos não se formem sob uma ou várias lógicas de dominância, que podem reflectir não apenas interesses étnicos como outros de natureza classista, parental e económico-financeira. Assim acontece nos domínios da «realpolitik». Todavia, para o caso em análise, o que se pede é um pouco mais de flexibilidade, de modo a satisfazer-se o todo e não a parte. Esta é, seguramente, uma preocupação para ser colocada ao presidente da República, por iniciativa de quem se formou o presente elenco governamental. Só ele saberá, cabal e taxativamente, explicar os critérios que presidiram a escolha individual dos membros do Governo, resultando na predominância de um só grupo étnico. É claro que a confiança política e a competência técnica não foram descuradas. Mas também é visível o critério da etnicidade como fio condutor de todo o processo de escolha que resultou no actual elenco governativo. E este é o busílis da coisa, porquanto a competência pela competência pode ser encontrada na generalidade dos grupos etnolinguísticos do país. Está-se a falar, igualmente, da necessidade destas coisas serem feitas com alguma razoabilidade e tino, pois é perfeitamente possível compatibilizar competência com proveniência étnica. Não é difícil, por exemplo, acreditar que a opção por Manuel Nunes Júnior tenha sido ditada por critérios de competência técnica, mas seguramente que não se dirá o mesmo da escolha de Pedro Mutinde para ministro da Hotelaria e Turismo. Há no Cunene gente que faria melhor o papel. Por tudo isso é que incumbe ao presidente da República repor o comboio nos carris. Trata-se de um quesito importante em matéria de política governativa, principalmente nas condições sociopolíticas do nosso país. Não vale a pena pensar-se que se está a agitar falsos problemas. Afinal, um dos receios que muitos manifestavam em relação a Jonas Savimbi era de que com ele no poder o governo do país fosse transformado num feudo dos ovimbundu. Uma «Jambolândia», como então se dizia. Mesmo com Savimbi fora de cena, até hoje este receio persiste em relação ao partido que ele criou. Ora: os fundamentos desse temor é que deveriam, por maioria de razão, levar o actual regime a dar o exemplo. O Semanário Angolense não fecha esta matéria sem dizer que há plena consciência de que as virgens ofendidas do costume irão certamente saltar das cadeiras, como se exercícios destes fossem profanos. Só quem tenha uma visão idílica do Mundo descura os perigos que geralmente espreitam os países cujos governos assentem em estruturas etnicamente desajustadas. Angola ainda não é um Estado-Nação devidamente consolidado. Não tem a estrutura sócio-antropológica que têm, por exemplo, nações como Cabo-Verde e Portugal. Todos vimos como depois de anos a fio de aparente calma, a União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas ruiu como um castelo de cartas. O Estado unitário que se apregoava aos quatro ventos estava, afinal, fundado em bases falsas e inconsistentes. As repúblicas que o constituíam fragmentaram-se tendo como linhas de cisão as profundas diferenças culturais e étnicas existentes entre umas e outras. Atente-se também para o que se passou na antiga Jugoslávia (Kosovos, Bósnias e quejando) e veja-se por que está a ser difícil a adesão da Turquia à União Europeia, um Estado que praticamente separa as civilizações do Oriente e do Ocidente. Enfim, não é fechando os olhos aos problemas decorrentes das relações inter-étnicas que eles subitamente deixarão de existir. O SA conta voltar ao tema na próxima edição, dissecando-o com a opinão de distintas personalidades do universo político e da sociedade civil do país. O equilíbrio étnico é, seguramente, uma preocupação para ser colocada ao presidente da República, por iniciativa de quem se formou o presente elenco governamental. Só ele saberá, cabal e taxativamente, explicar os critérios que presidiram a escolha individual dos membros do Governo, resultando na predominância de um só grupo étnico O Semanário Angolense não fecha esta matéria sem dizer que há plena consciência de que as virgens ofendidas do costume irão certamente saltar das cadeiras, como se exercícios destes fossem profanos.

12 12 Sábado, 27 de Fevereiro de Política O inventário de uma investigação de Rafael Marques Conexões económicas que convertem MPLA ao capitalismo puro e duro Uma investigação das conexões económicofinanceiras do MPLA, recentemente publicada por Rafael Marques, um antigo activista dos direitos humanos, aponta ao partido governamental angolano a titularidade ou participação em 64 empreendimentos empresariais, geralmente possibilitada por favorecimentos decorrentes da condição dominante dessa organização política sobre o Estado angolano. O investigador aponta ao MPLA negócios nos sectores da aviação, hotelaria, cervejeiro, comércio, comunicação social, propaganda e telecomunicações, banca e finanças, indústria, automóvel, pescas, materiais de construção e até numa conexão de comércio informal. De acordo com Rafael Marques, tudo começou em Setembro de 1992, quando Francisco Magalhães Paiva «Nvunda», José Adelino Peixoto, António «Toninho» Van-Dúnem, Augusto Lopes Teixeira e Carlos Alberto Ferreira Pinto, todos eles com funções directivas nesse partido ou na Presidência da República, juntamente com a Fundação Sagrada Esperança, subscreveram a criação da Sociedade de Gestão e Participações Financeiras (GEFI). Daí para cá, diz Rafael Marques, tem ocorrido um processo de «transferência de património do Estado para a GEFI» que «deve ser entendido no contexto institucional de divisão dos recursos do Estado entre certas figuras, famílias da elite dominante e seus associados nacionais e estrangeiros». Rafael Marques diz ter notado durante a sua investigação que «o modelo de gestão e de participação em negócios funciona de acordo com uma lógica de suposta lealdade partidária dos seus membros [o que] cria uma grande confusão na hora de distinguir os negócios partidários, do Estado e privados dos dirigentes do MPLA e do Governo». A investigação de Rafael Marques passa, então, a ser um inventário de provas que descrevem conexões financeiras e patrimoniais em que o Estado e o partido se confundem com os nomes mais sonantes do aparelho. Aviação A Segundo o investigador, em Abril de 2009 as autoridades angolanas concederam permissão a uma companhia designada Fly 540 para iniciar operações, com voos que inicialmente cobririam as províncias de Cabinda, Luanda, Zaire (Soyo), Benguela, Huambo e Malanje. A GEFI detém 51 por cento do capital da Fly 540 por via da Planar, inicialmente, o braço empresarial do MPLA para a aviação comercial, que passou a contribuir para o consórcio com activos como a sua licença de serviço aéreo e um hangar de mil metros quadrados alienado pelo Estado no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro. Os restantes 49 por cento pertencem à companhia britânica cotada nas bolsas de valores de Joanesburgo e Londres, Lonrho. Sessenta por cento dos lucros estão contratualmente destinados à companhia britânica. Reis Júnior, secretário do Conselho de Ministros afastado em Fevereiro, e outras quatro figuras do MPLA repartem entre si 80 por cento do capital da Planar, mas, diz Rafael Marques, apenas na qualidade de testas-de-ferro. Rafael Marques afirma que o MPLA e sua GEFI foram os principais beneficiários da criação das primeiras rádios comerciais criadas em Angola depois da independência. Constituídas «integralmente por fundos públicos», nota o investigador, a propriedade das quatro estações foi transferida para a GEFI, que passou a controlar, por intermédio da sua subsidiária A FOTO, 60 por cento da LAC - Luanda Antena Comercial, sendo os restantes 40 por cento repartidos por quatro jornalistas da emissora. A rádio Morena, de Benguela, foi em 80 por cento abocanhada pela Sopol, outro apêndice da GEFI, que deixou as restantes acções ao cuidado de um cidadão local. O braço da GEFI na Huíla, a Pontual SA, controla por cento da Rádio 2000, com dois jornalistas locais que mantêm 25 por cento da sociedade. A Rádio Comercial de Cabinda, por sua vez, pertence em 60 por cento à Orion, outra subsidiária da GEFI. Dois gestores locais dividem entre si os restantes 40 por cento. A Orion é apresentada por Rafael Marques como «um caso interessante na demarcação de fronteiras entre o Estado e o partido no poder». O capital da empresa é detido pela GEFI (70%), em 11% pelo antigo ministro da Comunicação Social (na foto) e actual embaixador no Egipto, Hendrick Vaal Neto, pela ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço (cinco por cento) e outras figuras do Hotelaria GEFI detém participações ou mesmo titularidade sobre pelo menos dez empreendimentos hoteleiros, diz Rafael Marques, apontando à empresa do MPLA a «propriedade» do hotel Tivoli, tal como uma participação de 20 por cento no Hotel Presidente Le Meridien e outra de igual percentagem no Hotel Trópico, todos localizados em Luanda, onde, aliás, este partido possui a titularidade integral de unidades paralisadas como Farol Velho, destruído para dar lugar a um novo empreendimento, ou o Hotel Turismo, destruído quando nos confrontos de 1992 alojava um número importante de efectivos militares da UNITA. A GEFI e a sua subsidiária SOGEC detêm partes iguais de 25 por cento dos escombros do local que dará lugar a um novo hotel com a mesma designação. Num só dia, em 20 de Maio de 2009, o Governo cedeu a venda integral do Hotel Zimbo, em Luanda, à GEFI, por uma quantia «simbólica» equivalente a 527 mil dólares e de uma outra unidade ao preço de 260 mil dólares. O Estado também alienou a favor da GEFI o controlo de 51 por cento da unidade hoteleira de Cabinda Hotel Mayombe, bem como de 80 por cento do Hotel Central e 100 por cento do Hotel Grão Tosco, em Benguela. Comunicação Social, propaganda e telecomunicações MPLA que subscrevem 14 por cento da sociedade. A Orion, nota Rafael Marques, tem sido o pivô da propaganda oficial do Governo e do MPLA, sendo assistida pela empresa brasileira M Link, uma entidade que nos últimos dez anos recebeu do Ministério da Comunicação Social uma média anual de 24 milhões de dólares pelos serviços de propaganda prestados ao Governo e ao MPLA. O acordo que proporcionou tão frugais desembolsos governamentais foi assinado nada mais, nada menos do que por Hendrick Vaal Neto, segundo o investigador, «um beneficiário directo dos lucros da empreitada». A Pontual, por sua vez, é detida em 70 por cento pela GEFI, mas cinco por cento do seu capital pertencem ao secretário-geral do MPLA, Dino Matross e ao presidente do Conselho de Administração da GEFI, Mário António, pertence igual percentagem. Os restantes 20 por cento repartem-se entre os antigos gestores da empresa e militantes desse partido. Outras empresas estatais do sector alienadas a favor da GEFI são a A FOTO (73 por cento), Gráficas Impresso (de Benguela - 41 por cento), e Edigráfica (27 por cento).

13 Sábado, 27 de Fevereiro de Política Indústria cervejeira Em Setembro de 2005, uma resolução do Conselho de Ministros determinou a privatização da mais importante cervejeira do país, a Cuca, numa decisão em que o Estado transferiu 51 por cento das acções do empreendimento para a Soba, uma sociedade que Rafael Marques atribui a uma «joint-venture» entre a holding do MPLA, a GEFI, e a Brasseries Internationales Holding (BIH), do grupo francês Castel, que detém 13 por cento do capital. Porém anos mais tarde e numa surpreendente reviravolta, a empresa francesa passou a titular 75 por cento do capital da Soba, contra os 25 por cento que a GEFI detém nessa sociedade. Banca e Finanças Um 55 por cento do Banco Sol é detido pela GEFI por intermédio da sua subsidiária Sansul, onde o apêndice empresarial do MPLA titula 99 por cento das acções. Quatro militantes desse partido subscrevem, em conjunto, o percentual remanescente, um por cento. Rafael Marques nota que a primeira-dama, Ana Paula dos Santos, o vice-presidente da Assembleia Nacional e membro do «Bureau» Político do MPLA, João Lourenço, e o antigo ministro das Finanças Júlio Bessa, são accionistas directos desse banco, onde cada um deles detém uma participação de cinco por cento. No Banco Comercial Angola, por outro lado, a GEFI possui uma participação de apenas 1,8 por cento, mas, diz o investigador, destacados «membros do regime», como o secretáriogeral do MPLA, Dino Matross, o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, bem como o seu colega do Governo afastado do Ministério das Pescas neste mês de Fevereiro Salomão Xirimbimbi, assim como o governador da Huíla, Isaac dos Anjos, e os depurados França Van- Dúnem e Dumilde Rangel figuram na estrutura accionista deste banco. A GEFI também diversifica os seus investimentos por meio de duas empresas «offshore», a Faerden, onde detém 100 por cento do capital, e a Invest, na qual tem 20 por cento. Estas duas empresas estão registadas no Panamá, não havendo informação disponível sobre o tipo de aplicações financeiras que fazem ou outros negócios em que se envolvam. Indústria Rafael Marques denuncia o facto de o Governo ter estado a transferir a titularidade das principais moageiras do país para a GEFI. O negócio das moageiras, nota, tem grande importância política, económica e social, pois significa, em parte, o controlo do principal alimento básico do país, o pão, assim como da farinha de milho, que se constitui no prato básico das populações do Sul da Angola. Desde Julho de 2008, a GEFI abocanhou a totalidade dos activos da Moagem Cimor, na Matala (Huíla), através da Seipo, onde a holding do MPLA representa 55 por cento das acções. Importantes figuras desse partido partilham o restante capital. Já em 1998, a GEFI havia beneficiado da privatização da Moagem Heróis da Kangamba, na qual divide as quotas com a Sengoservice em percentagens respectivas de 60 e 40 por cento. A moagem foi rebaptizada, recebendo a designação de Moagem Kwaba. No entanto, a GEFI atraiu um investidor estrangeiro, a empresa americana Seabord, com a qual negociou a transferência de 45 por cento das acções. A GEFI, por meio da sua subsidiária Sogepang, beneficiou de 20 por cento das acções da Cerangola, a segunda maior fábrica de transformação de cereais do país, localizada em Benguela. Como também lançou mãos sobre a Sociedade dos Industriais de Panificação de Luanda (Sopão), onde possui uma participação de 20 por cento. Outros negócios O investigador atribui à GEFI uma participação maioritária no Jumbo, um dos principais, senão o principal supermercado de Luanda, ao lado dos franceses do Grupo Auchan, que detém 30 por cento e de representantes do regime capitaneados pelo antigo secretário do Conselho de Ministros, Reis Júnior (na foto), que repartem 19 por cento da sociedade. A holding do MPLA adquiriu, de acordo com a fonte, 20 por cento do capital da empresa portuguesa Martifer, subsidiária de uma das maiores empresas portuguesas do sector implantadas em Angola, a Mota-Engil. A empresa pesqueira de Benguela Kapiandalo, as empresas de segurança Socorro, que protege a sede e outras instalações desse partido, e a Sambiente, vocacionada para a segurança industrial, também são apontadas pelo investigador entre os domínios empresariais da GEFI. Em 16 de Março de 2006, a GEFI, as empresas estatais Sonangol, Endiama, Porto de Luanda, Fundo de Desenvolvimento Económico e Social, Grupo ENSA e mais 18 entidades privadas associaram-se na constituição da Bolsa de Valores e Derivados de Angola. Ramo Automóvel Em 2006, a GEFI, ao lado de sociedades ou empresas como a Acapir Lda, que Rafael Marques atribui à filha do Presidente da República, Welwitchia dos Santos Pêgo, Mbakassi e Filhos, representante oficial da Volkswagen em Angola, Suninvest, braço de investimentos da Fundação Eduardo dos Santos (FESA) e Tchany Perdigão Abrantes, prima de Welwitchia dos Santos, celebrou um contrato de investimento com a empresa americana Ancar Worldwide Investments Holding para a instalação de uma montadora de veículos das marcas Volkswagen e Skoda em Angola. À GEFI caberia uma quota de 12 por cento do negócio que não foi adiante quando se instalou entre os sócios uma barganha pelo aumento das participações. O presidente da Volkswagen também adiou os planos de instalação da linha de montagem quando considerou ter havido corrupção de gestores seus ligados ao projecto. No ramo automóvel, a GEFI beneficiou ainda da privatização, por ajuste directo, da fábrica de pneus Mabor. O braço empresarial do MPLA ficou com 60 por cento das acções da empresa, que se encontra paralisada. Que ideologia é essa? Uma das conclusões a que Rafael Marques diz ter chegado reside na «convergência» de figuras ligadas ao poder sobre uma «falta de informação», mesmo no seio do Comité Central e do «Bureau» Político do MPLA, a respeito do património real acumulado pela GEFI, a sua gestão, os seus lucros anuais e o destino dado ao dinheiro. De acordo com o investigador, nem mesmo a decisão tomada pelo presidente do partido depois do quinto congresso, em 2003, de encarregar o PCA da Sonangol e membro do Comité Central, Manuel Vicente, de fiscalizar os negócios do MPLA, da GEFI em particular, pôde melhorar o retorno dos lucros. Segundo Rafael Marques, apesar dessa medida, o destino dos negócios do MPLA «permanece um mistério, assim como o seu modo de gestão». Rafael Marques apontou o facto de serem, ou terem sido, os Serviços de Inteligência Externa (SIE) que, em determinada altura, se ocuparam da «distribuição de privilégios comerciais entre dirigentes, famílias, colaboradores e cooptados». «Esse grupo», prossegue, «chega a constituir sociedades comerciais, a escolher os seus sócios e a sugerir que património do Estado deve ser transferido para a sua propriedade, assim como os parceiros e investidores estrangeiros». Então, conclui, a reafirmação do MPLA, no seu VI congresso, em Dezembro de 2009, de ser um partido de esquerda preocupado com a situação dos mais desfavorecidos, confronta-se com uma realidade diferente: afinal, «o conceito de solidariedade social e de igualdade de oportunidades é exclusivo aos membros selectos da elite dominante atarefada no saque do país».

14 14 Sábado, 27 de Fevereiro de entrevista Paulo de Carvalho, Reitor da «Katyavala Bwila», ao SA «Sou pela tolerância zero na minha Universidade» Sem papas na língua, como já nos habituou, esclarece aqui a razão de ser de uma eventual «campanha difamatória» que considera estar a ser urdida contra si, ou mais propriamente contra o projecto que começou recentemente a implementar em Benguela e no Sumbe «Podemos garantir que só vão ser admitidos aqueles candidatos que fizerem prova de competência» Salas Neto O sociólogo Paulo de Carvalho, conhecido pelo seu rigor e pela seriedade que imprime nos projectos que dirige, está ultimamente a ser alvo de críticas logo no início do seu mandato de 4 anos como Reitor da Universidade Katyavala Bwila, com sede em Benguela. Acedeu conceder esta entrevista, tendo no entanto assegurado que não pretende dar importância àquilo que considera manobras que visam desviar a sua atenção do trabalho. Sem papas na língua, como já nos habituou, esclarece aqui a razão de ser de uma eventual «campanha difamatória» que considera estar a ser urdida contra si, ou mais propriamente contra o projecto que começou recentemente a implementar em Benguela e no Sumbe. Terão razão aqueles cidadãos que, um pouco por todo o país, começam a dizer que o programa «tolerância zero» já chegou a esta universidade pública. Nessa longa entrevista, que, por razões editoriais, será publicada em duas partes, Paulo de Carvalho refere que é também sua intenção primordial que os filhos dos pobres e os excluídos, que não têm como pagar este mesmo acesso possam ter acesso ao ensino superior. «Por que razão os filhos dos pobres devem continuar a não ter acesso ao ensino superior?», interroga-se ele, a propósito. Ele diz ainda que, na sua universidade, só serão admitidos os candidatos que fizerem prova de competência. E talvez isto seja uma das coisas que lhe estão a trazer amargos de boca, por colidir com interesses inconfessos de quem não está habituado a trabalhar com seriedade e lisura. Acompanhem, nas linhas que se seguem, o rescaldo da nossa conversa. Semanário Angolense (SA) - Gostaria de começar por lhe perguntar como foi que encontrou o ensino superior em Benguela. Paulo de Carvalho (PC) - Chegámos a Benguela a 9 de Outubro do ano passado e encontrámos exactamente aquilo que esperávamos e aquilo que se sabe na Universidade Agostinho Neto: um ensino superior bastante debilitado. Mas constatámos mais que isso. Verificámos que existem em Benguela pessoas que trabalham no ensino superior, mas agem como se estivessem a trabalhar em partidos políticos ou outros órgãos de acção política e não numa instituição universitária. SA - Como assim? Estão na universidade e não agem como universitários, é isso? PC - Exactamente. Numa universidade, o que se faz é garantir necessariamente trabalho de qualidade, seja na docência, seja na investigação científica. Quanto à docência, ouvimos denúncias de estudantes e de docentes segundo as quais não há o mínimo de qualidade e há casos de completo e repetido desrespeito pelas regras estipuladas no regime académico, sem que se sancionassem os responsáveis. No que respeita à investigação científica, continuamos sem saber o que terá sido feito nos últimos anos, mas foinos dito que não se publicou um só livro, nem uma só revista de cariz científico. Houve algumas conferências, mas mais no Sumbe que em Benguela. O diagnóstico não é, pois, dos melhores. Mas estamos a concluir esse diagnóstico apenas agora, porque durante os primeiros 3 meses não nos foram facultados os elementos de que precisávamos. SA - Quer dizer que houve pessoas que sonegaram informações? PC Sim. Isso ocorreu de facto com algumas das anteriores direcções de institutos e núcleos que haviam em Benguela e no Sumbe. A este respeito, Benguela esteve muito pior que o Sumbe, sem comparação. Saiba que o cúmulo ocorreu quando recebemos as instalações do extinto Centro Universitário de Benguela. Foinos entregue um gabinete com algum mobiliário, mas sem um só papel ou uma só pasta de arquivo. Não nos foi entregue absolutamente nada, exactamente para dificultar o nosso trabalho e, ao que tudo indica, para ocultar também muito daquilo que se fazia erradamente por lá. Também foram retidas viaturas do Centro Universitário, uma em casa de uma funcionária que está fora do país a estudar e outras duas no ISCED de Benguela. Para recebermos a primeira, teve de haver intervenção policial. Quanto às duas últimas, não nos foram entregues, nem sequer foi mencionada a sua existência no Centro, ainda que o Reitor e um dos Vice- Reitores tenham estado a andar a pé durante meses em Benguela. Mas também nos faltaram ao respeito e algumas pessoas com responsabilidades incitaram e ainda incitam ao desrespeito pelas autoridades académicas, à rebelião e à manifestação pública contra o Reitor da universidade. SA - Chegou a andar a pé em Benguela? PC - Sim. Nos primeiros tempos não tínhamos carro, um vicereitor e eu, que saímos de Luanda e deixámos os nossos carros pessoais. E tínhamos em Benguela um Instituto com vários carros, incluindo dois que deveriam ter sido entregues à Reitoria e não foram. SA - Será que já tomou alguma posição em relação a tudo isso? PC - Alguma posição? Quer saber se já puni alguém por tudo isso? Não, não o fiz. Tenho sido condescendente, apesar de estarem a espalhar que sou uma pessoa demasiado autoritária e arrogante. Só por aqui se vê que poderiam ter sido no mínimo suspensas direcções inteiras, mas não o fiz. Ao contrário do que se diz, aqui está uma das várias provas de que tenho sido condescendente, até com quem me falta insistentemente ao respeito. Mas é claro que a condescendência tem limite. SA - Diz-se que exige que toda a gente o trate por magnífico. É verdade? PC - Só quem não me conhece pode acreditar numa mentira como essa. Toda a gente que me conhece sabe que sempre fui e continuo a ser uma pessoa modesta. Também se diz que exijo que as pessoas se levantem à minha passagem, quando essa é uma regra de boa educação que eu mesmo cumpro: quando o meu chefe se aproxima, levanto-me para o saudar. Por acaso não é o que eu exijo, mas se exigisse, não

15 Sábado, 27 de Fevereiro de entrevista estaria a fazer nada de mais, pois eu mesmo o faço em relação aos mais velhos e aos meus superiores. Sobre a forma como me tratam, posso dizer que não há uma única forma, apenas. Desde que ouvi a aberração de que exijo que me tratem de determinada forma, comecei a ficar atento. Reparei que o Decano do ISCED de Benguela me trata por «Reitor», há duas vice-decanas que me tratam por «Senhor reitor», um dos vicereitores trata-me por «Doutor» e o outro trata-me sempre por «Professor». São opções das próprias pessoas. Obviamente que nunca nenhum deles teve problemas por me tratar da forma como quer. Agora, tenho que dizer que aceito que me tratem por magnífico, da mesma forma como os ministros aceitam ser tratados por «excelências» e os juízes aceitam ser tratados por «meritíssimos». Quanto a mim, corrijo quem me trata por excelência ou por «meretíssimo», porque não é nenhuma dessas a forma de tratamento destinada a reitores. E se algum dia eu decidir estudar direito e for aceite como juiz, fará sentido alguém me chamar à atenção porque algumas pessoas me tratem por «meritíssimo»? SA - Acusam-no também de arrogância, quando o Paulo de Carvalho que conhecemos em Luanda é outra pessoa. PC - Fique claro que está em curso uma campanha de difamação contra mim. A intenção é denegrir. Quem não me conhece, acredita. Olhe que ainda hoje há trabalhadores de base que passam por mim na Reitoria e viram a cara; há trabalhadores e há docentes que fazem de conta que não me conhecem e até há os que me faltam ao respeito insistentemente, porque estavam habituados a não fazer nada e agora exijo deles trabalho. Sabe quantos já censurei ao menos? Nenhum apesar da lei mo permitir fazer. Sabe quantos banquetes já organizei, exigindo pagamento aos estudantes? Nenhum. Sabe quantos carros já aluguei em Benguela? Nenhum. Preferi andar a pé. Também nunca ninguém me viu a exigir que alguém feche a porta do carro quando eu saio (e há pessoas na universidade em Benguela que o fazem). Poderia aqui apresentar muitos mais exemplos que demonstram exactamente o oposto daquilo que pessoas bem identificadas dizem sobre mim. Acho que estes exemplos bastam. Quanto ao resto, que seja cada um a julgar, até porque não me vou mais deter em assuntos que não têm a ver com trabalho e que visam apenas nos distrair. SA - E qual é a sua relação com o Decano do ISCED em Benguela? PC - Deve estar a referir-se ao anterior Decano do ISCED de Benguela. Também já lá alguns jornalistas fizeram a mesma pergunta. O que lhes disse é que estavam a pensar erradamente que eu tenho que ter alguma relação horizontal com o ISCED de Benguela, porque é isso lhes dizem a partir do ISCED. Pois está errado. Eu não sou Decano, mas Reitor. O Reitor é o chefe directo do Decano. Portanto, o Decano tem de se subordinar ao Reitor o que não acontecia até Janeiro e há muitas provas disso. O que se passava é que quem estava abaixo faltava insistentemente ao respeito a quem está acima. Sabe que até chegou a mandar uma funcionária subalterna corresponder-se com a Reitoria? Sabe o que pode resultar daí? Repito aquilo que já disse: o anterior Decano do IS- CED de Benguela poderia ter sido suspenso por desrespeito e por incitamento ao desrespeito em relação a superior hierárquico, mas não o fiz. Tratei de o deixar concluir o mandato, apesar do mal que ele tem causado ao ensino superior em Benguela e apesar de ele continuar a não merecer tal condescendência. Mas não estou arrependido do que tenho feito, pois a minha principal preocupação é com a universidade, com a missão que aceitei desempenhar e com o programa de governo que jurei executar ao meu nível. SA - Dirige a universidade em Benguela há apenas 4 meses, mas já lemos artigos contra si. Haverá alguma razão para isso, sobretudo quando se sabe agora que ainda está a terminar o diagnóstico? PC - É verdade. Mal começámos a trabalhar, estávamos apenas a iniciar o diagnóstico ao que havia, saíram alguns artigos em Luanda, com uma série de mentiras a meu respeito. Numa estação de rádio em Benguela também se tem estado a agir da mesma forma. Há até trabalhadores da universidade, daqueles que passam por mim nos corredores e simplesmente viram a cara, que foram já à rádio falar mal de mim. De facto, quase nem começámos a trabalhar e existem já reacções destas. Essas pessoas não sabem, mas ao reagirem assim só estão a dar a conhecer ao público que estamos realmente a fazer alguma coisa útil e que neste pouco tempo de actividade estamos já a trabalhar seriamente, fazendo coisas que não foram feitas em vários anos. Isso significa que estamos no caminho certo e dá-nos força para prosseguir. SA - Mas porquê que saem esses artigos, como diz, com inverdades? PC - Todos sabemos que se eu quiser denegrir alguém, posso encomendar um texto contra essa pessoa. Isso não é novidade. Quanto a fazer-se isso contra mim, logo no início do meu mandato, só encontro uma explicação: é que, logo desde o primeiro dia, algumas pessoas que exerciam funções na universidade e estavam habituadas a mandar, começaram a faltar-me ao respeito. Umas porque queriam ser reitores, mesmo sem terem doutoramento e sem currículo. Outras, porque queriam ser vice-reitores ou pró-reitores e não são. Até dizem o seguinte: Se não houvesse vice-reitores de Benguela, não faríamos nada. Mas temos de criar problemas, porque há pessoas de Benguela e não está lá nenhum de nós. Pois eu não me auto-nomeei, nem fiz corredores para ser nomeado, nem fui eu que escolhi os vice-reitores de Benguela. Nem sequer os conhecia. Mas saiba que não há em Benguela apenas pessoas que não trabalham e se perdem a falar mal deste ou daquele, ou a falar contra o programa de governo. Também temos por lá pessoas bastante capazes e trabalhadeiras. Temo-las no Colégio Reitoral, nas Faculdades e nos institutos superiores. E vamos contar com todos eles, para o projecto que estamos a começar a executar. «Existem em Benguela pessoas que trabalham no ensino superior, mas agem como se estivessem a trabalhar em partidos políticos ou outros órgãos de acção política e não numa instituição universitária» SA - Mas, olhe que não lemos artigos idênticos contra reitores de outras universidades PC - É verdade. Mas não sei até que ponto poderão ou não surgir textos encomendados do género, contra outros reitores. Da parte que me toca, o que posso assegurar é que os textos não são dirigidos à minha pessoa, mas a quem dirige a Universidade Katyavala Bwila. Se fosse outra pessoa que lá estivesse para cumprir o programa de governo e impusesse rigor e seriedade, haveria exactamente a mesma campanha difamatória contra si. O que se passa é que fomos tocar nos esquemas e nos interesses instalados, que durante anos funcionaram em Benguela. E quem estava acostumado a fazer de conta que dava aulas, acostumado a não ligar nenhuma à investigação científica, acostumado a banquetes financiados pelo erário público, acostumado a não respeitar regras e acostumado a não exigir decoro e rectidão, agora vai ter que se adaptar àquilo que sempre combateu e ainda quer combater. SA - Diz-se que está toda a gente contra si em Benguela. É verdade? PC - Toda a gente, quem? Vir alguém dizer que está toda a gente contra mim só porque assim pensa essa própria pessoa (só porque perdeu algum protagonismo que tinha) seria o mesmo que eu vir para aqui dizer que está toda a gente a meu favor ou a favor do programa cuja execução dirijo. Claro que não o faço. Como sou uma pessoa honesta, só lhe posso sugirir que faça uma sondagem isenta em Março, outra em Agosto e outra em Janeiro do próximo ano, para verificar até que ponto isso corresponderá à verdade. A única coisa que lhe posso dizer é que muitos docentes e muitos estudantes têm-nos dito que estão contentes com o rumo que estamos a imprimir em Benguela e Sumbe, com o objectivo de transformar a universidade numa verdadeira instituição de ensino superior, sem esquemas e sem facilidades, com rigor. Têm-no afirmado. Foi para isso que fomos colocados à frente da Universidade Katyavala Bwila e é isso que estamos a começar a fazer. Ainda na semana passada um docente me disse o seguinte: Tiveram 8 anos para demonstrar o que valem. Agora, deixem outros demonstrálo. Só que eu diria de outra forma: há gente que não quer que o programa de governo para o ensino superior seja implementado em Benguela, porque vão acabar os esquemas e as facilidades a

16 16 Sábado, 27 de Fevereiro de entrevista que estavam acostumados. Pois o rumo está traçado e quem se mantiver de fora vai continuar a ver a carruagem passar. SA - Desde que está em Benguela, recebeu apoio de alguém? PC - Muita gente nos tem apoiado. Desde o início que temos recebido o apoio do senhor Governador da província de Benguela e seus adjuntos, bem como do senhor Governador do Kuanza-Sul. Muitos estudantes e docentes têm também apoiado o projecto, pois pretendem seriedade. Há também administradores municipais, seja em Benguela, seja no Kuanza- Sul, que manifestaram já a disponibilidade de apoio à universidade. Ultimamente, também a Polícia nos tem apoiado com a sua Brigada Escolar, vigiando os locais onde está a ser feita a correcção de provas. E há, também, órgãos de informação sérios que nos têm dado todo o apoio. SA - Pelo que disse há pouco e eu registei, há na sua equipa pessoas que não trabalham. Percebi bem? PC - Sim, percebeu bastante bem. Há pessoas que recebem tarefas do âmbito da função que exercem e simplesmente não as executam. O que penso é que quem está numa equipa contra a sua vontade deve demitir-se. Mas o assunto foi já encaminhado às competentes entidades, de modo que prefiro não me debruçar publicamente sobre isso. SA - E quanto às nomeações que tem feito, o que tem a dizer? PC - Olhe, praticamente não fiz ainda nomeações. Mas garanto-lhe que quando o fizer, a nomeação para cargos de chefia vai obedecer a critérios, fundamentalmente critérios objectivos. E garanto também que não vou entregar essa responsabilidade a ninguém, só porque alguém gostaria de ver nomeados os seus amigos ou comparsas. Como tenho feito, vou continuar a pedir propostas e depois a palavra final será minha, em função do perfil de cada um. Quanto a promoções, uma coisa garanto: ao contrário de práticas anteriores, não «Uma universidade existe, não para emitir diplomas, mas para dar formação de qualidade, aliada à investigação» vai haver critérios para promoção de uns e ausência de critério para promoção de outros. Vamos cuidar para que haja justiça. SA - Falemos agora do programa conhecido pela designação tolerância zero. Diz-se que vocês, em Benguela, estão a cumprir à risca com este programa. É verdade? PC - Sim, eu também ouvi isso, mal cheguei hoje a Luanda. Em Benguela também já tinha ouvido rumores a respeito. Pois bem, eu entendo o tolerância zero como um programa de moralização das instituições do Estado. Portanto, só posso dizer que sim, a Universidade Katyavala Bwila é uma instituição do Estado e, como tal, está a cumprir essa recomendação do Chefe de Estado. Como a nossa actividade começou exactamente na fase de preparação do ano lectivo de 2010, o que fizemos imediatamente nos exames de admissão foi montar um esquema que possibilita a prevenção de actos de corrupção que, como se diz, era o comum no ensino superior em Benguela, até ao ano passado. Estamos, sim, a cumprir a orientação. E estamos a tentar garantir, em Benguela e Sumbe, o retorno ao procedimento ético por parte dos docentes e por parte dos estudantes. Penso que isso se estará a fazer também noutras universidades, mas a minha responsabilidade tem a ver apenas com a universidade pública de Benguela e Kuanza-Sul. Garanto que o processo vai continuar, apesar de haver quem esteja claramente contra esse projecto e contra o programa do governo que estamos a procurar executar ao nosso nível. SA - Pode falar-nos te do esquema que diz ter mon- brevementado? PC - Não se trata de algo novo. Quando dirigi a Faculdade de Letras e Ciências Sociais, em Luanda, fiz exactamente o mesmo, com sucesso. Já nessa altura ga- rantimos que o acesso fosse feito, não mediante pagamento, mas mediante prova de capacidade académica. Muita gente colaborou connosco na Faculdade de Letras e tivemos então todo o apoio do Reitor da Universidade Agostinho Neto. E agora, também muitos docentes colaboraram connosco na Universidade Katyavala Bwila, uns elaborando e corrigindo provas, outros procurando-nos para manifestar o seu apoio ao projecto de moralização que estamos a dinamizar e para demonstrar apoio ao projecto governamental de criação das novas universidades públicas, tendo em vista o desenvolvimento do nosso país. SA - Pode garantir que quem pagou para ingressar não vai ser admitido? PC - Podemos garantir que só vão ser admitidos aqueles que fizerem prova de competência. Os outros, aqueles que puseram sinais nas provas para depois poderem alterá-las ou para serem beneficiados na correcção, não vão ser admitidos. Isso posso assegurar. E posso adiantar também que a nossa acção tem também objectivo pedagógico, de forma que a partir do próximo ano os candidatos deixem de fomentar a corrupção e ocupem o tempo de que dispõem a preparar-se para as provas. Só assim teremos uma Universidade Katyavala Bwila que ambiciona atingir um certo nível de excelência nos próximos 10 anos portanto, uma universidade capaz de concorrer com as demais, dentro e fora do país. São esses alicerces que estamos a começar a construir, no quadro do programa de governo que jurámos respeitar e cumprir. SA - Mas não estará a tirar o pão aos docentes? PC - É interessante, que já ouvi também isso. Mas nada disso. Pelo contrário, o que normalmente faço é melhorar as condições de trabalho e, se possível até, a remuneração. Portanto, não tiro o pão a ninguém antes pelo con- trário, procuro até juntar-lhe a manteiga. Ao travarmos a venda do acesso ao ensino superior e ao tentarmos travar a venda da aprovação nas várias disciplinas, estamos a garantir o cumprimento das normas deontológicas do serviço público e da profissão docente. Mas estamos também a cumprir o programa de governo, que estabelece a necessidade de melhoria da qualidade de ensino. Será que o Reitor elaborou alguma prova dos exames de admissão? PC - Não, não elaborei qualquer prova. E posso assegurar-lhe que ainda não vi sequer as provas. Vou vê-las mais tarde, depois dos exames, até porque haverá futuramente necessidade de elaborar provas que estejam mais de acordo com os tópicos que são afixados e não por exemplo uma prova de pedagogia com perguntas acerca do CAN, como ocorreu. Trata-se de mais uma prova das mudanças que precisamos de introduzir. É com estes maus hábitos que queremos acabar. Não elaborei nem corrigi qualquer prova. Esse trabalho foi feito por dezenas de outros docen- tes, que apoiam o projecto em curso e são favoráveis ao rigor e à rectidão. Também há pessoas sérias em Benguela e no Sumbe, pode crer. Se calhar, até, a maioria serão pessoas sérias, que estão à espera de oportunidades que lhes daremos com o decorrer do tempo. Mas para que sejam dadas oportunidades, as pessoas têm de demonstrar seriedade e demonstrar vontade de trabalhar. (Continua) «Docentes e estudantes têm-nos dito que estão contentes com o rumo que estamos a imprimir em Benguela e Sumbe, de transformação da universidade numa verdadeira instituição de ensino superior, sem esquemas e sem facilidades»

17 Sábado, 27 de Fevereiro de Opinião Notícias vindas de Portugal convidam-nos a reflectir sobre a concentração da mídia no nosso país. Nos últimos dias a sociedade portuguesa tem discutido um alegado plano governamental de compra de uma televisão privada através de uma empresa pública. A conclusão é a que todos já sabem: qualquer tutela de órgãos de comunicação, seja pública ou privada, tem o fim último de influenciar os conteúdos informativos. A pretensa compra da TVI pela Portugal Telecom teria por fim acabar com um programa informativo que era particularmente incomodo ao primeiro ministro português e substituir a direcção do órgão. Mesmo sendo uma maka portuguesa há vários elementos que se cruzam a Angola. José Eduardo Moniz, o então director da TVI, é um dos «pais» do projecto MediaNova. A empresa Ongoing, que é uma das envolvidas no processo e à qual Moniz está ligado, é também uma parceira da mesma MediaNova. Em terceiro lugar, uma empresa de empresários angolanos, o semanário Sol, foi responsável pela divulgação dos registos de escutas sobre o caso, gerando um debate ético e político em Portugal. Domingos Vunge e Victor Fernandes foram apresentados como os tais empresários que em nome da Score Media possui a maior parte do capital do Sol. Há, assim, muitos cruzamentos com Angola para não vermos semelhanças entre a estratégia de concentração desenvolvida tanto pela MediaNova como pela Score Media. A MediaNova detém a TV Zimbo, o jornal O País, a Rádio Mais, o Semanário Económico, a revista Chocolate, a revista Exame, uma agência de publicidade, Publivision, e ainda uma empresa de meios e a gráfica Damer. A Score Media, por sua vez, detém os semanários Sol que circula em Portugal, Angola e Moçambique, e Expansão, e a revista Estratégia. Diz-se que brevemente avançará para uma rádio e para um canal de TV. Qualquer destas empresas, que agora dominam a mídia angolana, estão afectos a pessoas ligadas ao poder político e económico. Os seus conteúdos e opções editoriais acabam por engrossar uma corrente de jornalismo light pró-governamental, há muito praticada pelos órgãos públicos. Trata-se, na verdade, da mesma corrente política, o mesmo modo de ver o país. Incluindo Estado, que tem mais de 30 canais de rádio, um único jornal diário, uma única agência de notícias e dois canais de TV, diremos que o país conta com três grandes grupos de comunicação, O dedo na ferida A concentração da mídia acarreta, no nosso caso, perigos muito maiores, susceptíveis de levar ao silenciamento de sensibilidades, manipulação da opinião pública, com títulos diferenciados a divulgarem uma mesma e única visão dos problemas e fenómenos da sociedade ou, ainda, a imposição de valores que sejam do interesse dos grupos dominantes mas uma única forma de ver os fenómenos e de fazer jornalismo. Perante um quadro destes e apesar da diversidade de títulos, não se pode ainda falar em diversidade editorial, tal como vem agora consagrada na constituição. A notícia da compra do Novo Jornal, diz-se pela MediaNova, e o surgimento de mais uma rádio e uma TV da Score Media vêm confirmar essa tendência de concentração. O lado perverso da concentração é que os grupos ganham poderes para alterar as regras da concorrência, moldar o mercado segundo as suas conveniências. De resto, foi o que aconteceu com a sobrevalorização dos salários dos jornalistas protagonizado primeiro pelos órgãos públicos e, depois, pela MediaNova. Se, por um lado, se pode alegar que se trata de uma mera operação comercial, por outro somos forçados a reflectir urgentemente sobre os perigos não só da concentração em si, mas da concentração na mídia num país diverso, pluriétnico, com grupos económicos emergentes e em reconciliação nacional. Nos países mais avançados é a imprensa pública que faz o contraponto, assegurando um serviço público isento, divulgador e potenciador da diversidade. No nosso caso, a prática demonstra que é exactamente o serviço público que menos abertura concede à opinião diferente e à divulgação de sensibilidades diferentes de um mesmo assunto. A concentração da mídia acarreta, no nosso caso, perigos muito maiores, susceptíveis de levar ao silenciamento de sensibilidades, manipulação da opinião pública, com títulos diferenciados a divulgarem uma mesma e única visão dos problemas e fenómenos da sociedade ou, ainda, a imposição de valores que sejam do interesse dos grupos dominantes. Temos, então, um problema de ordem estratégica que deve levar a nova ministra da Comunicação Social a agir rapidamente. Um dos primeiros passos deve ser a conformação da Lei de Imprensa ao que vem na Constituição. No art. 44, a Constituição impõe que o Estado assegure a existência e funcionamento independente e qualitativamente competitivo de um serviço público de rádio e televisão assim como garante a diferença de propriedade e a diversidade editorial dos meios de comunicação social. Estes dois novos postulados têm forçosamente que ditar a revisão da Lei de Imprensa. Deve ser essa lei a definir regras concretas para permitir que a diferença de propriedade seja sinónimo de abertura da comunicação social a todos os que queiram e onde queiram criar órgãos, sem a situação actual de restrições a uns e facilidades a outros. É também a Lei de Imprensa que tem de aclarar conceitos e não permitir que ao abrigo da diversidade editorial se constituam monopólios e oligopólios na nossa comunicação social. Com a noção da diferença de propriedade plasmada na Constituição deve ser reaberta a discussão sobre a imprensa regional. As emissoras provinciais devem ter autonomia partilhada e a passar a ser de capitais mistos com participação dos governos provinciais e dos empresários de cada região. A lei tem de abrir a possibilidade de criação de rádios regionais e não apenas locais e nacionais como até aqui. É preciso seguir os mesmo modelo para os jornais regionais. O país não é feito apenas de MediaNovas e Scores Medias, pelo que deve ser permitido aos que pretenderem poderem investir local e regionalmente. Tem também de ser reaberta a discussão sobre a rádio comunitária. Já agora é preciso também adaptar o Conselho Nacional de Comunicação Social às novas realidades constitucional e parlamentar. Não faz sentido o CNCS continuar a ser uma emanação do Parlamento, sobretudo se atendermos que a Lei de Imprensa reserva àquele órgão uma missão específica, incluindo a célebre maka das carteiras profissionais. Enquanto o órgão não for credível, com gente em quem se reconheça autoridade para fiscalizar os órgãos privados e públicos, pouco avançará em termos de responsabilidade e responsabilização. Este é, na verdade, um grande desafio do Parlamento e do Governo nesta terceira República e infelizmente ainda não ouvimos ninguém a falar disso e do que se está a passar na mídia em Angola. Se tivermos olhos de ver, veremos que o que se está a passar é preocupante, grave e potenciador de conflitos. Sobretudo porque também há a suspeita de que a referida concentração da mídia estará a ser feita à custa de dinheiro que era suposto ser de todos os angolanos.

18 18 Sábado, 27 de Fevereiro de Opinião Realidade e ficção O ano passado fui convidado pelo Banco Espírito Santos a participar numa colectânea de contos inéditos de vários autores angolanos. Uma das razões que me fez participar nesta iniciativa era que o projecto seria coordenado pelo falecido Jorge Macedo, o célebre musicólogo e pai do meu grande amigo, o Fernando. Escrevi, então, um conto intitulado «Elavoko», que é sobre um angolano que se tinha exilado no Canadá depois de ter engravidado uma rapariga e ter tido várias rixas com a sua família. No Canadá ele casa-se com outra mulher que, entretanto, faz filho com um outro homem. Amargurado, o personagem volta para Angola, depois da paz, e tenta reconciliar-se com a mãe da sua filha. Ele tenta, também, reconciliar-se com o resto da comunidade, aderindo a uma igreja. Depois de ter escrito o conto, a primeira pessoa a quem o mostrei foi à minha esposa. De imediato, ela perguntou se o conto era uma forma de eu confessar o que ela sempre suspeitou que lhe andaria a esconder um filho que fiz no passado. Neguei veementemente, reiterando-lhe que os meus únicos filhos são os que foram gerados no seu ventre. «This is too true to be fiction»... (isso soa tão verdadeiro para ser ficção) insinuou ela. A Filó, a minha esposa, leu e releu o conto, fazendo sugestões para que eu o melhorasse aqui e acolá. Em Luanda, onde estou neste momento, encontrei-me com várias pessoas que leram o conto e que me perguntaram se no fim do conto o personagem se casaria ou não com a mãe da filha. Uma pessoa perguntou-me mesmo se alguma vez estive casado com uma mulher branca que, depois, fez filho com outro homem. Outra pessoa perguntou-se sobre se eu já teria visto a «filha» que tenho no Lubango. Esta pessoa assegurou que a tal filha que eu teria no Lubango foi colega de escola de uma irmã dela. A conclusão a que cheguei depois de ser interpelado por tanta gente é que, O COBRADOR de um candongueiro passou a viagem a dizer que gente com barriga grande deveria andar sempre a pé. afinal, muitas pessoas confundiram a realidade com a ficção. O escritor britânico George Orwell dizia que aos 50 anos um homem tem a cara que merece. O mesmo pode dizer-se dos escritores: há um momento em que sabe-se exactamente o que é que alguém pretende escrever. Há quem diga que uma criança de 5 anos já terá vivido o suficiente para poder escrever vários romances. Duvido que isso seja verdade. O escritor nigeriano, Ben Okri, disse-me uma vez que muitos jovens conseguem escrever poesia porque ela tem muito a ver com jogos de palavras e não necessariamente com terem vivido a vida de uma forma profunda. A minha imaginação só floresce quando é alimentada por factos concretos. Isto tem muito a ver com os escritores que mais admiro, como o peruano Mário Vargas Lhosa, que conheço pessoalmente e com quem já tive longas conversas sobre a escrita criativa. Um dos mais conhecidos romances de Mário Vargas Lhosa é intitulado «A Tia Júlia e o guionista». Neste romance, a personagem principal, que narra os acontecimentos, tem 19 anos e apaixona-se pela sua tia, uma senhora divorciada muito mais velha dele. Ao mesmo tempo, há um guionista que produz novelas para a rádio; no fim, o guionista torna-se louco e passa a confundir as personagens nas suas novelas. Depois deste romance passei a ler tudo o que Mário Vargas Lhosa escreve. Ele escreve crónicas para vários jornais em Espanha e na América Latina. Há alguns anos vi um documentário na televisão britânica, produzido por Nicholas Shakespeare, sobre os romances de Vargas Lhosa e como ele utilizava as suas experiências e factos reais para animar a sua ficção. Num livro de ensaios, Lhosa fala, também, dos factores que tinham inspirado as suas obras. Sempre achei este processo, de moldar a ficção na base da realidade, altamente fascinante. Há poucos anos, no Katchiungo, estive numa aldeia onde a mãe de uma jovem que estava grávida me disse que tudo não estava perdido porque ela iria confessar perante a congregação okulitavela pela transgressão. Isto fezme lembrar de uma história que e ouvi na Zâmbia de um senhor que tinha tido relações com a irmã da sua esposa e por causa disso rastejou até ao púlpito a cantando uma canção em umbundu em que ele pedia perdão pelo adultério. Diz-se que naquele domingos naquela congregação não houve quem não tivesse chorado. A noção de okulitavela, a ideia de que quem é penitente pode recomeçar a vida, sempre pareceu-me ser um dos aspectos mais valiosos da fé cristã. No mundo anglófono há um debate sobre o que o escritor deve sempre tratar. Há uma escola que prega o «write about what you know» (escreva sobre o que melhor conheces). Outra escola diz que este argumento não é válido porque só escrevendo sobre coisas que não fazem parte da sua experiência imediata é que um autor descobre o mundo. Acho que tudo tem a ver com o que é que alguém acha ser mais confortável. No meu caso, quando opto pela escrita criativa, sempre acabo por escrever sobre Angola; mesmo se o meu conto for baseado no Alaska, uma personagem angolana acaba sempre por aparecer na narrativa. Quando estive a escrever o Elavoko várias discussões que tive com angolanos na diáspora vieram-me à mente. No Ocidente encontrei-me com vários homens que tinham deixado filhos ou filhas em Angola. Em 1990, quando dava aulas de Língua Inglesa na Escócia, um amigo angolano veio passar um fim de semana comigo na pequena povoação de Kirkubright. A noite fomos a um restaurante e, de repente, o meu colega começou a chorar. Uma família negra que estava a de passagem tinha parado no restaurante e filha deste casal fez-lhe lembrar a filha que ele tinha deixado em Angola, no Menongue. No meu conto, quis, também, explorar a questão da angústia de pais que deixam filhas e filhos longe de si. Mas, depois de uma separação tão prolongada, será que a reconciliação entre familiares é mesmo possível? Enquanto pensava sobre as várias experiências de Angolanos que conheci e como eu ia tratalas no conto, tive, também, que pensar seriamente na técnica. Um conto deve criar expectativas rapidamente e satisfaze-las. Sempre achei que narrar um conto na primeira pessoa cria mais intimidade com o leitor. Tinha, também, que manter em mente que havia muitas coisas que competiam pela atenção do leitor a televisão, rádio, revistas etc. Eu tinha que fazer tudo para manter a atenção do leitor. Quando leio algo que acho fascinante pergunto-me sempre quais são as razões que fizeram que eu lesse até ao fim; eu leio para aprender. Alguém uma vez me disse que ser escritor é condenar-se a ter deveres para o resto da vida. O grande escritor americano Ernest Hemingway dizia que um escritor deve ser alguém para quem todas as experiências podem ser refeitas em algo de valor literário. Nesses últimos dias em Luanda, caro leitores, uma viatura quase me atropelou na Maianga e, num candongueiro o cobrador passou toda a viagem a insultar-me dizendo que gente com barriga tão grande como a minha deveria andar sempre a pé. Um dia, vou, de certeza vingar-me: aquele cobrador irá figurar num conto ou romance...

19 Sábado, 27 de Fevereiro de Opinião Ao som do Kisangela lembro-me do que vivi Estou convencido que a historiografia dominada pela obsessão da escrita está errada. Estão também errados os historiadores que ignoram absolutamente outros materiais que não sejam documentos escritos. E negam o valor da música. Não sou por certo o primeiro a dizer isso Pus-me a ouvir o triplo álbum do Kisangela numa feliz reedição da Rádio Nacional de Angola. As lágrimas corriam-me pelo rosto abaixo. Tomado por emoções de quem um dia teve uma colecção invejável de discos. Nem me quero lembrar da perda que representou o desaparecimento desses discos. A sorte é que o gira-discos escapou. Mas a lembrança de ouvir boa música angolana perdura. Café é um belíssimo tema do segundo disco da referida colectânea. Nele notam-se ressonâncias de uma construção melódica inspirada em Franco e OK Jazz. Nos meus tempos de recruta, sempre que ouvisse o fraseado da guitarra executado pelo exímio solista do Kisangela reconstituíam-se as imagens da viagem à Ganda para a primeira campanha de colheita do café realizada nos cafezais da Chicuma. Em meu entender, um dos temas mais emblemáticos desse lendário solista chamado Nito, de que já ouvia falar antes de 1974, tem como título Cadência Harmoniosa. Na minha memória ecoam momentos fantásticos passados nos bairros do Liro, Académico, Canata, Caponte, no Lobito. Ou ainda na Massangalala (Chicago), Ciñgoma, Camunda, Benfica, Fronteira, em Benguela. Momentos fantásticos vividos nos apartamentos e vivendas daquelas cidades, em farras, tertúlias musicais e discussões políticas dominadas pela euforia da independência, pelo engajamento político no movimento associativo estudantil e na JMPLA. Quando em 1977 fui incorporado na Força Aérea, andava profundamente marcado por uma série se acontecimentos da minha curta vida pessoal e outros de relevância nacional. Nas próximas crónicas, vou referir-me a mais alguns dos que influenciaram decisivamente o rumo de uma geração inteira. Todos eles inevitavelmente associados à música angolana. Mesmo assim acredito que nem os músicos no geral avaliam a função desempenhada como marcadores da história. Estou convencido que a historiografia dominada pela obsessão da escrita está errada. Estão também errados os historiadores que ignoram absolutamente outros materiais que não sejam documentos escritos. E negam o valor da música. Não sou por certo o primeiro a dizer isso. Como é que se compreende que, após trinta e cinco anos de independência, a música não tenha sido suporte de palestras e conferências sobre a história de Angola, particularmente na sua dimensão política, da construção do Estado? Nunca vi nenhum historiador angolano a proceder assim. Quer dizer, a propor audição de música, complementando-a com exposição oral ou apresentação em power point, por exemplo. O que estou a dizer não se confunde propriamente com a história da música. Não sei se me estou a explicar bem. No fundo, parece mais um registo discursivo de foro sociológico e psicológico. A ter que ser feita, seria uma história elaborada a partir de testemunhos de cidadãos que algum dia valorizaram a música como elemento essencial das suas vidas. Quanto a mim, devo dizer que vivi intensamente a proeza de dois agrupamentos musicais das cidades do Lobito e de Benguela, no princípio da década de 70. São eles Os Bongos e Ngola 74. Hoje vou falar-vos deste último porque na sua trajectória cruza com o Kisangela. Quando se formou o Ngola 74, já tinha passado o 25 de Abril de Os executantes de guitarra e de dikanza eram filhos de tocoístas, ex-presos políticos do campo de concentração de S. Nicolau. O Botaz era o viola solo e líder do grupo, o Daniel, viola ritmo, o Brito, viola baixo e o Peixinho, dikanza e voz. Os outros membros do grupo (Tony Gabela, congas, Beto Johnston, percussão) eram estudantes da Escola Comercial e Industrial a que aqueles se juntaram. O pouco da história desse grupo, e até dos acordes naturais e dissonantes que incorporavam nas músicas, foi-me contada pelo Alexandre Somamunda, nessa altura estudante do terceiro ano do liceu. Era irmão do Daniel. Avante o Poder Popular, gravado posteriormente pelo Kisangela, é um tema que ouvi pela primeira vez em 1975, na cidade de Benguela, num espectáculo do Ngola 74, realizado no salão do Fernando Rá, ali nas proximidades da velha estação do CFB que, infelizmente, já não existe. Lembro-me de uma polémica que teria sido levantada a propósito do plágio perpetrado por Calabeto, intérprete do Kisangela. Mas ficou por aí. Provavelmente a gravação foi autorizada pelo Ngola 74. O resto já não sei explicar. É evidente que a música agradou muitos melómanos como eu. Para a memória futura ficou o registo fonográfico. As músicas gravadas pelo Kisangela marcaram-me profundamente. Tal facto tem também a ver com a sua difusão nos programas radiofónicos, os espectáculos itinerantes que ocorriam pelo país. O primeiro e único espectáculo do Kisangela a que assisti teve lugar no cine Kalunga, se não estou em erro em Mas foi durante o curto período de ocupação do território (Novembro a Fevereiro) pelas tropas sul-africanas que a música deste grupo musical revelou a sua importância. Vivendo clandestinamente na cidade de Benguela nessa altura, tínhamos grupos organizados de audição de música, destacando os temas do Kisangela. O meu irmão que venerava o solista Nito, considerava-o mesmo excepcional, imitava o seu fraseado naquele tema dedicado ao povo de Cabo Verde: Solidariedade com povo caboverdiano. E eu acompanhava-o sempre fazendo o ritmo. Às vezes pensava que podia fazer melhor execução que o Félix Neto, o viola ritmo do Kisangela. Imaginem um grupo de jovens em 1976, numa parcela do território nacional algures na cidade do Lobito, num quarto dos fundos de um quintal discutindo política, abordando o desenvolvimento de acções clandestinas, após o atento acompanhamento da situação político-militar numa informação prestada pelo comandante Juju, porta-voz do Estado Maior Geral das FAPLA, através das antenas da Rádio Nacional. Em seguida, Invasores de Angola e Camarada Nzoki do Kisangela, respectivamente, pelas vozes de Santos Júnior e Mário Silva. O documentário «Faça lá Coragem, Camarada» do Ruy Duarte de Carvalho, dá apenas uma vaga imagem do que terá acontecido lá pelas bandas de Benguela. Seria necessário que a banda sonora do filme fosse do Kisangela.

20 20 Sábado, 27 de Fevereiro de Opinião Porquê as elites estão descontentes? Outra questão que suscita a desconfiança de partes consideráveis das elites angolanas prende-se com os alargados poderes do Presidente da República. Republicano nenhum em lugar nenhum do Mundo sancionaria tamanha extensão de poderes, que reputados constitucionalistas já apelidam de monarquia encapotada Recebi na semana passada uma chamada telefónica de um amigo, por sinal deputado do maioritário, manifestando-se surpreso e de alguma forma desagradado com a abordagem que o SA fazia do processo constitucional recém terminado. Ele não compreendia porquê franjas bastante significativas da nossa sociedade, mormente os intelectuais ditos independentes, questionam ou mesmo criticam a maneira como foi conduzido o processo, e manifestam receios quanto aos extensos poderes atribuídos ao Presidente da República, entre outras coisas. Sobretudo, para o meu amigo, o processo já terminou e o que tem que se fazer é cumprir a Constituição e mais nada. Tivemos um dos nossos extensos papos, com direito a Filosofia e Epistemologia e tudo para gáudio da UNITEL que consegue inventar cada dia mais um des-serviço. E durante a semana, sobretudo depois de ler o brilhante artigo do Fernando Pacheco, no Novo Jornal, pensei cá com os meus botões: porquê não? Vou tentar explicar aos nossos amigos «empelosos» não se zanguem, é brincadeira porquê grande parte da malta pensante cá da banda não anda muito satisfeita e está sempre a falar nisso... O primeiro motivo tem a ver com o que o MPLA considerou «participação da Sociedade Civil». Sendo verdade que esse partido tem muitos pontos fortes, a participação decididamente não é um deles, antes pelo contrário. Hoje em dia promover a participação dos cidadãos exige um conjunto de estratégias, métodos e técnicas que, pela sua complexidade, constituem objecto de estudo científico, havendo mesmo profissionais e académicos especializados nesse ramo. Em Angola, esse conhecimento está nas mãos do terceiro sector, nomeadamente as ONGs e algumas agências das Nações Unidas. Ora, como todos sabemos, este sector acabou ficando de fora do processo. O que aconteceu foi uma encenação que, na melhor das hipóteses, serviu para fazer passar na media pública a ilusão de que se fez. Acreditem: dizer que aqueles encontros que vimos pela televisão, onde as três matrizes constitucionais eram apresentadas e depois uns quantos participantes faziam uma intervenção de dois a três minutos, constituíram a fase de consulta aos cidadãos sobre uma matéria tão importante como a Constituição da República é, no mínimo, risível. Neste ponto, parece que o MPLA acabou acreditando na sua própria propaganda. Resumindo e concluindo: não houve o debate profundo e inclusivo que a importância da matéria em questão requeria. As associações de classe, os movimentos culturais, académicos, sociais comunitários não tiveram oportunidade de contribuir no processo. Estou lembrado que um grupo de ONGs, entre as quais a ADRA, a OMUNGA, a Associação Construindo Parcerias (ACC), fizeram no início do processo uma recolha de contribuições de comunidades rurais nos quatro cantos do país. O resultado desse processo esse sim, participativo como deve ser foi entregue à Comissão Constitucional ainda antes da elaboração das famosas três matrizes. Foi para uma gaveta e por lá ainda deve estar... Outra questão que suscita a desconfiança de partes consideráveis das elites angolanas prende-se com os alargados poderes do Presidente da República. Republicano nenhum em lugar nenhum do Mundo sancionaria tamanha extensão de poderes, que reputados constitucionalistas já apelidam de monarquia encapotada. É muito poder para um só homem, o que definitivamente compromete o equilíbrio e a separação dos três tradicionais poderes. O facto de o actual titular exercer o cargo sem para isso ter sido expressamente eleito não ajuda a esbater essa desconfiança, antes pelo contrário. Da forma como tudo acabou montado dá azo a que as cabeças que pensem por si mesmas neste país achem que foram... enganadas. Não deram mandato a ninguém, nem mesmo ao MPLA, para impor dessa maneira a sua vontade. É certo que juridicamente os 82% justificam os seus actos, mas ética e filosoficamente falando, as coisas não são bem assim. De tal sorte que os murmúrios continuam, com tendência a subir de tom, em vez de baixar. A questão da propriedade da terra pelo Estado em vez do povo assumiu agora uma outra relevância e actualidade com o que se passa com o centro político e administrativo. A falta de cuidado como as pessoas lesadas foram comunicadas que teriam que fazer prova de propriedade, incluindo a nuance inicial que «teriam que fazer prova jurídica» mostrou o quanto a propriedade da terra pelo Estado respalda a tradicional arrogância daqueles que o dominam. Talvez fruto de conselhos, talvez fruto de pressões de graúdos do sistema, o discurso rapidamente mudou para um mais ««soft» e condizente com a realidade de quem por culpa do sistema não tem todos os papéis da casa onde vive alguns há décadas. Ficou no entanto o sinal: é só o Estado querer, achar que um terreno nosso faz-lhe falta para que nós tenhamos que cedê-lo querendo ou não enquanto rogamos aos céus que nos dêem uma indemnização, a qual também da boa vontade do Estado, já que esse direito não está protegido pela Constituição. Pelo menos explicitamente. E lá volta a questão: afinal a nossa terra é nossa ou do Estado? Elites importantes desse País acreditam profundamente que deveria ser do Povo, ainda que gerida pelo Estado em nome do Povo... Assim como assim, parece que o MPLA esqueceu-se de uma máxima muito cara em ciência política: se é impossível ganhar eleições sem as massas, mais ainda o é governar sem as elites. É por isso que o discurso quantitativo dos 82% de maioria e dos 94% dos consensos entra em colapso perante a realidade qualitativa da participação efectiva dos formadores de opinião do país. Enquanto estes se sentirem excluídos e assim o sentem continuarão vocalizando as suas dissensões e frustrações pelo tempo que lhes der na real gana. Sendo dado adquirido que a Constituição agora é para cumprir e cumprirão a própria Constituição salvaguarda o seu direito de dela discordarem e tomar as acções que achem salvaguardada a própria Lei mais apropriadas para corrigir o que achem que esteja mal. Postas as coisas assim, acho que o meu amigo deputado terá que «gramar» ainda uma boa dose de debate, contraditório ao discurso oficial. E como estas elites não têm as tais agendas, não quererão saber se o debate já terminou. Argumentarão que isso afinal é um processo que, tendo terminado um ciclo, tem outro já iniciado. Eu acredito e gosto dessa dinâmica. Verdade seja dita, nunca o país se preocupou tanto com a sua Lei Mãe como agora. Os aspectos que a compõem são hoje objecto de discussão nos bares, nas esquinas, nos serviços e nas famílias. Acho que esse é o grande ganho desse processo, e nesse sentido deve-se parabenizar o MPLA por ter insistido em levar o processo para a frente. Acredito que nas próximas revisões da Constituição estaremos todos mais maduros e, por isso mesmo, melhor preparados para aperfeiçoar esta Constituição que, apesar dos pesares, tem também coisas muito boas, conquistas preciosas que vale a pena preservar. Quanto ao resto, a luta continua...

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