CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL EM SALA DE RECURSO MULTIFUNCIONAL PERANTE DEMANDAS DE ORGANIZAÇÃO DO CONTEXTO

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1 CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL EM SALA DE RECURSO MULTIFUNCIONAL PERANTE DEMANDAS DE ORGANIZAÇÃO DO CONTEXTO ANA LUIZA DACAL DE SOUZA-UNESP,Marilia 1 DRA. RITA DE CÁSSIA TIBÉRIO DE ARAUJO-UNESP,Marilia 2 Palavras-chave: Terapia ocupacional, Educação especial, Deficiência, Sala Mulfifuncional de Recurso, Professor Introdução: A proposta de Educação Inclusiva, no Brasil, alterou a organização dos ambientes de ensino do aluno com deficiência, impondo-se, pelo Decreto nº 6.571/08, a necessidade de sua matrícula em sala de aula comum, mediante o apoio do Atendimento Educacional Especializado (BRASIL, 2008). Embora até 2008 fossem disponibilizados atendimentos educacionais especializados aos alunos com deficiência, o atendimento educacional especial (AEE) instituído pelas políticas públicas configura um novo formato de gerenciamento educacional, modificando-se a forma anterior de escolarização que ocorria em sala de aula especial e/ou em salas de recurso, sem a obrigatoriedade da matrícula em classe comum. O Decreto nº , de 17 de novembro de 2011, define o AEE como um sistema de apoio à escolarização de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. De uma forma mais específica, o AEE é o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados contínua e institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular (BRASIL, 2011b). Essa mudança veio acompanhada do Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) pela Secretaria de Educação Especial/MEC 3 destinadas às escolas da rede pública de ensino. A legislação prevê que o AEE seja disponibilizado em salas de recursos multifuncionais 1 Graduanda em Terapia Ocupacional, Faculdade de Filosofia e Ciências, UNESP, campus de Marília, SP. 2 Livre-docente em Educação Especial, Professor Titular do Departamento de Educação Especial e Professor Orientador do Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Filosofia e Ciências, UNESP, campus de Marília, SP.

2 da própria escola, em turno inverso da escolarização ou em centros de atendimento educacional especializado da rede pública ou em instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação (BRASIL, 2008).Objetivo: este estudo teve como objetivo geral verificar como a terapia ocupacional poderia contribuir para apoiar as ações realizadas na sala de recurso multifuncional, mediante problemas apontados pelo professor. E como objetivos específicos: a) identificar as demandas de ações na Sala de Recurso Multifuncional que poderiam ser contempladas nos domínios das intervenções do terapeuta ocupacional e b) discutir a importância do planejamento e organização do serviço de Terapia Ocupacional nesse contexto de Atendimento Educacional Especializado. Metodo: este estudo investigou uma realidade específica de um município do interior paulista. Apresenta características de pesquisa descritiva, do tipo qualitativa, com a utilização da entrevista semiestruturada, como forma de coleta de dados (TRIVIÑOS, 1987; MANZINI, 2003; AMORIM, 2015). Resultado obtidos nesse estudos foram divididos em três topicos: Gestão Uma das queixas apresentadas pela professora entrevistada dizia respeito à falha na gestão do AEE, no que tange ao encaminhamento do aluno, que ocorre por uma equipe constituída por diversos profissionais.. Segundo a participante a falha incide na falta de individualização das necessidades dos alunos, seguindo um padrão de conduta de forma indiscriminada. Mobiliário adaptado Segundo a participante, a SRM estudada não possui mobiliário adaptado, embora sejam atendidos alunos com deficiência intelectual e deficiência física, além de alunos com diagnóstico de dislexia, transtorno do espectro do autismo, transtorno de déficit de atenção, síndrome de Donw. Adicionalmente, a entrevistada não esclareceu a importância do uso de mobiliário e material adaptado às condições funcionais do aluno, prevalecendo o argumento de que o enfoque pedagógico é direcionado para competências de áreas cognitivas. Uma das principais dificuldades encontradas pelos alunos com deficiência, no contexto escolar, é a acessibilidade do espaço (MACHADO, 2007). A acessibilidade deve ser assegurada por meio da eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, nas instalações, equipamentos e mobiliário, no transporte, além da eliminação das barreiras de comunicação e de informação (BRASIL, 2008).

3 Organização do atendimento e otimização do tempo Na SRM investigada os atendimentos ocorrem individualmente, abrangendo um total de 47 alunos. A partipante deste estudo permanece na SRM de segunda-feira a sexta-feira, com alternância dos períodos matutino e vespertino. A frequência e periodicidade de atendimentos aos alunos varia, de acordo com as suas necessidades educacionais especiais, segundo critério de apreciação da própria professora. Esses dados sugerem que o professor tem liberdade para estruturar e organizar o trabalho realizado na SRM. Amorim (2015) em seu estudo constatou a mesma realidade e chamou a atenção para as implicações da não padronização do atendimento no AEE quanto aos critérios de gerenciamento. Conclusão: Este trabalho evidenciou a falta de profissionais, como terapeuetas ocupacionais, atuantes junto a professores da SRM, bem como junto à equipe e a gestão do AEE municipal. Quando se fala em gestão, logo se pensa, em governo federal, estadual, municipal, mas a gestão vai além disso, é estar atento à qualidade do serviço prestado. A gestão envolve, portanto, diferentes níveis de estrutura e organização, e no caso do AEE, desde cargos envolvendo coordenação e supervisão, até o cargo de professor. Os resultados deste estudo apontam para as possibilidades de contribuições do terapeuta ocupacional no planejamento da estrutura global do AEE compondo a equipe de apoio, participando da formação continuada de professores, como em ações pontuais em SRM, prescrevendo adaptações em mobiliário, ajustes de material escolar para favorecer a compreensão e manuseios. Referências: ABE, P. B.; ARAÚJO,R. C. T. A Participação Escolar de alunos com deficiência na Percepção de seus professores. Rer. Bras. Educ.espec. Marília, V.16, n ALPINO, A. M. S. O aluno com paralisia cerebral no ensino regular: ator ou expectador do processo educacional f. Dissertação (Mestrado em Educação Especial) Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Consultoria colaborativa escolar do fisioterapeuta: acessibilidade e participação do aluno com paralisia cerebral em questão f. Tese (Doutorado em Educação Especial) Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2008.

4 AMORIM, G.C. Organização e funcionamento do atendimento educacional especializado na educação infantil: estudo de caso 137 f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, ARAUJO, R. C. T. Estudo sobre o Atendimento Educacional Especializado na Educação Infantil dos municípios de Bauru e Marília. In: II Mostra de Pesquisa do Grupo Inclusão da pessoa com deficiência e os contextos de aprendizagem e desenvolvimento, 2012, Bauru. Anais da Mostra de Pesquisa 2012 (digital). Bauru, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília, Secretaria de Educação Especial, Ministerio da Educaçao, secretaria de educação especial, manual de orientação; programa de implantação de SEM. (2010). Disponível em Acesso em 15 de abril de Decreto nº de 17 de setembro de Dispõe sobre o atendimento educacional especializado. Presidência da República/Casa Civil/Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília Política nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Inclusão: R. Educ. esp., Brasília: MEC/SEESP, v. 4, n. 1 p. 7-17, Resolução nº. 4 de 2 de outubro de Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial, Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Casa Civil; Subchefia para Assuntos Jurídicos, Brasília, DF, nov., 2011a. Disponível em: Acesso em: 15 abr MAGALHÃES, L. C., et all. Estudo comparativo sobre o desempenho perceptual e motor na idade escolar em crianças nascidas pré-termo e a termo. Arquivos de neuro-psiquiatria, São Paulo, v. 61, n. 2-A, p , MANCINI, M. C.; ALVES, A. C. M.; SCHAPER, C.; FIGUEIREDO, E. M.; SAMPAIO, R. F.; COELHO, Z. A. C.; TIRADO, M. G. A. Gravidade da paralisia cerebral e desempenho funcional. Revista Brasileira de Fisioterapia, v.8, n.3, p , MANZINI, E. J. Considerações sobre a elaboração de roteiro para entrevista semiestrutura. MARQUEZINE, M. C.; ALMEIDA, M. A.; OMOTE, S. (orgs). Colóquios sobre pesquisa em Educação Especial. Londrina: Eduel, p DELIBERATO, D. Portal de ajudas técnicas: equipamentos e material pedagógico para educação, capacitação e recreação da pessoa com deficiência física: recursos para comunicação alternativa. Brasília: MEC: SEESP, 2004, v.2 MEC. Política Nacional de Educação Especial. Brasília, DF: MEC/SEESP, 1994.

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