Atlas de Energia Elétrica do Brasil 3a Edição

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1 Atlas de Energia Elétrica do Brasil 3a Edição

2 Brasília, 2008

3 DIRETORIA Jerson Kelman diretor-geral Edvaldo Alves de Santana Joísa Campanher Dutra Saraiva José Guilherme Silva de Menezes Senna Romeu Donizete Rufino diretores

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5 2008 by titulares dos direitos da Aneel Direitos de edição da obra em língua portuguesa em todo o mundo adquiridos pela Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação etc., sem a permissão do detentor do copyright. Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel SGAN - Quadra Módulos I e J Brasília - DF Tel: 55 (61) Ouvidoria: 144 Catalogação na Fonte Centro de Documentação - CEDOC A 265a Agência Nacional de Energia Elétrica (Brasil). Atlas de energia elétrica do Brasil / Agência Nacional de Energia Elétrica. 3. ed. Brasília : Aneel, p. : il. ISBN: Energia elétrica. 2. Potencial energético. 3. Setor elétrico. 4. Atlas. 5. Brasil. I. Título. CDU: (81)(084.4)

6 AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA Aneel SUPERVISÃO Assessoria de Comunicação e Imprensa ACI Salete Cangussu Assessora de Comunicação e Imprensa Patricia Barbosa Pinto Jornalista Joseanne Aguiar Analista Administrativa EQUIPE TÉCNICA Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição - SRD Breno de Souza França Rodrigo Abijaodi Lopes de Vasconcellos Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração SFG Alessandro D Afonseca Cantarino Superintendência de Gestão Técnica da Informação - SGI Adriana Lannes Souza Superintendência de Concessões e Autorizações de Geração SCG Luciana de Oliveira Barcellos Ludimila Lima Superintendência de Planejamento da Gestão - SPG Cícero Silva Teixeira Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética SPE Máximo Luiz Pompermayer Sheyla Maria Damasceno Superintendência de Concessões e Autorização de Transmissão e Distribuição - SCT Erison Honda Xavier / Marcelo Rodrigues Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira SFF Rogério Ament Superintendência de Estudos Econômicos do Mercado - SEM Patricia Trindade Dontal Superintendência de Mediação Administrativa Setorial - SMA André Ruelli Secretaria Geral - SGE Jorge Luis Custodio Superintendência de Regulação Econômica - SRE José Helder da Silva Lima Superintendência de Regulação da Comercialização da Eletricidade SRC Juracy Rezende Castro Andrade Marcos Bragatto Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração - SRG Aymoré de Castro Alvim Filho Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade - SFE José Assad Thomé Júnior Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão SRT José Moisés Machado da Silva Giácomo Francisco Bassi Almeida Superintendência de Gestão e Estudos Hidroenergéticos SGH Matheus Bittar PRODUÇÃO EDITORIAL E GRÁFICA TDA COMUNICAÇÃO Diretor Marcos Rebouças Coordenação Geral Maria Angela Jabur Engenheiro Eletricista Mauro Moura Severino Produção de Textos Maria Angela Jabur Revisão de Textos e Apoio Editorial Ana Cristina da Conceição Direção de Arte e Projeto Gráfico João Campello Diagramação Bruna Pagy Ilustrações e Geoprocessamento Thiago dos Santos Ícones e Ilustração da Capa Victor Papalleo Digitalização e Tratamento de Originais Fernando Ely Fotografias Angra 2; ELETROBRÁS; ELETRONORTE; Eletronuclear; Furnas; Itaipu; PETROBRAS; STOCKExchange; TDA Comunicação.

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8 Stock Xchng

9 Stock Xchng

10 Mensagem da Diretoria Mensagem da Aneel O setor elétrico brasileiro está em permanente evolução, fruto tanto de mudanças legais e normativas quanto do avanço tecnológico. Por essa razão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) periodicamente atualiza esse Atlas que contém um importante acervo de informações sobre a infra-estrutura elétrica do país. É um desafio levar energia elétrica a mais de 61 milhões de consumidores, espalhados num território de dimensão continental. O Brasil superou, no ano de 2007, a marca de 100 mil megawatts (MW) em potência instalada (75% de fonte hídrica e 25% de fonte térmica). E muito ainda pode ser feito para expandir o parque hidroelétrico, já que menos de 30% foi aproveitado! Persistimos em busca da geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis: em 2008 realizou-se o primeiro leilão de biomassa, energia gerada pela queima do bagaço de cana-de-açúcar. Para isso foi necessário licitar novas instalações de conexão à rede básica, para escoamento da energia produzida pelas usinas de canade-açúcar localizadas na região Centro Oeste do Brasil. Numa escala ainda reduzida e experimental, têm sido criados incentivos à produção de energia pela queima do lixo urbano e pela utilização do metano associado a dejetos de suínos. Ambos projetos apontam o caminho da correta sustentabilidade ambiental, ao unir a despoluição das cidades e dos rios à geração de energia elétrica. O equilíbrio entre oferta e demanda não é alcançado apenas aumentando a oferta. É possível e desejável atuar também pelo lado da demanda. Nesse sentido, é de grande relevância a busca da eficiência energética. Os projetos apresentados pelas distribuidoras de energia elétrica nessa área, desde o início do primeiro ciclo em 1998, totalizam investimentos de mais de R$ 1,93 bilhões. Projetos que são aprovados pela Aneel e já atingiram uma economia de redução anual na ordem de GWh/ano no consumo de energia elétrica. Atlas de Energia Elétrica do Brasil 9

11 Mensagem da Diretoria O setor finalizou o ano de 2008 com o leilão da maior Linha de Transmissão do mundo, uma conexão elétrica de km das usinas do Complexo do rio Madeira com o Sistema Interligado Nacional. A conta de luz embute, além dos custos de produção e transporte de energia elétrica, mais de dez encargos setoriais (subsídios cruzados entre consumidores), todos definidos em leis, e também os impostos, ICMS (estadual) e federal (PIS/Cofins). O papel da Aneel é regular e fiscalizar a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização da energia elétrica. São centenas de empresas concessionárias, autorizadas e permissionárias. O controle social dessa difícil tarefa ocorre por meio da transparência de procedimentos e de informações. A terceira edição do Atlas é mais uma iniciativa de dar a visibilidade e legitimar as ações da Aneel que interferem no dia-a-dia do país. Além de atualizar as informações das edições anteriores inova na apresentação do conteúdo, na abordagem e no aperfeiçoamento da identidade visual de forma a contribuir ainda mais para ampliar o conhecimento da área de energia. Os bastidores da cadeia industrial que move a energia elétrica estão detalhadas e explicadas nessa publicação. Boa leitura! Jerson Kelman Diretor-geral da ANEEL 10 Atlas de Energia Elétrica do Brasil

12 Apresentação

13 Acervo TDA

14 Apresentação Apresentação Durante todo o século XX, a oferta farta de energia, obtida principalmente a partir dos combustíveis fósseis como petróleo e carvão mineral, deu suporte ao crescimento e às transformações da economia mundial. Já nos primeiros anos do século atual, o cenário mudou ao ser colocado à prova por uma nova realidade: a necessidade do desenvolvimento sustentável. A disponibilidade energética deveria se manter compatível com o acentuado aumento do consumo provocado por um novo ciclo de crescimento econômico, observado principalmente nos países em desenvolvimento. Entretanto, as fontes tradicionais teriam que ser substituídas por recursos menos agressivos ao meio ambiente. Além disso, os consumidores seriam induzidos a substituir energéticos mais poluentes por outros de menor impacto ambiental e a aderir a práticas mais eficientes, por meio das quais é possível obter o mesmo resultado utilizando menor quantidade de energia. Desde o início dos anos 90, estudiosos e cientistas alertavam para os efeitos da deterioração ambiental provocada pela ação humana. Um deles é o aquecimento global, provocado pelo elevado volume de emissões dos gases causadores do efeito estufa (GEE), particularmente o dióxido de carbono (CO 2 ), liberado em larga escala nos processos de combustão dos recursos fósseis para produção de calor, vapor ou energia elétrica. Outro é a possibilidade de esgotamento, no médio prazo, das reservas de recursos naturais mais utilizadas. Entre elas, carvão mineral e petróleo. Do ponto de vista econômico, este último, por sinal, durante quase uma década foi caracterizado pela volatilidade e tendência de alta das cotações (que superaram US$ 100,00 por barril em 1980 e, mais recentemente, em 2008), o que se revelou como um forte estímulo para as iniciativas de substituição por outras fontes. A atividade de produção de energia e, particularmente, da energia elétrica - ingressou no século XXI, portanto, em busca do desenvolvimento sustentável, conceito que alia a expansão da oferta, consumo consciente, preservação do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida. É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Em outras palavras: o desafio é reduzir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, ser capaz de suportar o crescimento econômico que, entre outros desdobramentos, proporciona a inclusão social de grandes contingentes da população, com o aumento da geração de renda e da oferta de trabalho. Esse processo, que estava em pleno desenvolvimento durante o ano de 2008, é retratado na presente edição do Atlas de Energia Elétrica do Brasil, produzido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Envolve tanto políticas de governos quanto investimentos realizados pelas empresas do setor em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). E deverá ser mantido e aperfeiçoado ao longo dos próximos anos. Ao final de 2008, ocasião da conclusão desta edição, eram incertos o ritmo e os avanços que esse processo registrará no curto e médio prazos. As duas variáveis dependerão do impacto que a crise do sistema financeiro mundial, que eclodiu no mês de setembro, terá sobre os setores produtivos e, em consequência, sobre o ritmo Atlas de Energia Elétrica do Brasil 13

15 Apresentação da atividade econômica e sobre os volumes de investimentos destinados a pesquisa e inovações tecnológicas por parte das companhias que integram a cadeia produtiva da energia. Na ponta da produção, o foco é atingir a diversificação e, ao mesmo tempo, a limpeza da matriz energética. As iniciativas abrangem tanto soluções para o aumento da eficiência dos processos quanto a redução dos custos das fontes renováveis como vento, sol, maré e biomassa, entre outras, de forma a torná-las comercialmente viáveis. Na ponta do consumo, o que se verifica são medidas que induzem o consumidor a utilizar as fontes ambientalmente mais limpas, como a produção de automóveis flex-fuel - o que acarretou a expansão do consumo do etanol, do qual o Brasil é o segundo maior produtor mundial - e a criação do mercado de energia verde em alguns países europeus. Além disso, há os projetos de eficiência energética, implantados junto aos consumidores tradicionais, e os programas de universalização do atendimento, que buscam conectar novos clientes - geralmente de baixa renda e habitantes de comunidades distantes dos grandes centros - a sistemas elétricos. As medidas abrangem todas as formas de utilização de energia calor, vapor e elétrica e são adotadas por praticamente todos os países. Os mais adiantados nessa direção pertencem ao grupo das chamadas nações desenvolvidas (Japão, países da Europa e Estados Unidos) que, também, são os mais dependentes dos combustíveis fósseis. Mas as iniciativas também podem ser observadas nos países em desenvolvimento. Entre eles insere-se o Brasil que, embora seja bastante dependente do petróleo, em 2007 conseguiu transformar a biomassa na segunda maior fonte produtora de energia local e obtém a maior parte da energia elétrica consumida proveniente de recursos hídricos e, portanto, renováveis e ambientalmente limpos. Razão pela qual o Atlas de Energia Elétrica, ao mesmo tempo em que tem o foco no mercado brasileiro, aborda a conjuntura e o cenário internacionais da energia, particularmente a energia elétrica. Na primeira parte, a publicação é dividida em dois capítulos. Um deles, Características Gerais, demonstra a importância da energia para as atividades humanas, descreve a estrutura do setor de elétrico brasileiro e apresenta dos caminhos da energia do Brasil: geração, transmissão e distribuição. O segundo, Consumo, insere o comportamento do mercado consumidor local e mundial na conjuntura econômica verificada nos últimos anos. O foco principal do Atlas, entretanto, são os recursos energéticos e a geração de energia elétrica. A segunda parte da edição concentra-se em fontes renováveis energia hidráulica, biomassa e o grupo chamado de Outras Fontes. A terceira tem como destaque os combustíveis fósseis (gás natural, derivados de petróleo e carvão) e a energia nuclear. Todos os capítulos seguem a mesma estrutura: partem das informações gerais a respeito do recurso; explicam as suas principais características; abrangem disponibilidade, produção e consumo no mundo e detalham o mercado brasileiro com foco na produção da eletricidade. Esta estrutura é uma das inovações na produção da 3ª edição do Atlas de Energia Elétrica. A versão aperfeiçoada da última edição, lançada em 2005 foi possível devido a outra inovação: a estruturação de uma equipe multidisciplinar selecionada por meio de um processo transparente de concorrência, e composta por jornalistas especializados (encarregados da coordenação editorial, pesquisa e texto), acadêmicos (responsáveis pela coordenação e revisão técnica) e publicitários (diagramação, arte, paginação e impressão). Como fontes de informação foram utilizadas trabalhos, pesquisas e estatísticas produzidos por entidades reconhecidas no Brasil e no exterior, pela tradição, respeitabilidade e especialização no trato de dados sobre o mercado de energia. A relação detalhada poderá ser encontrada ao final de cada capítulo, sob a forma de Referências. Também foram consultadas entidades autoras de estudos e estatísticas do mercado global e cujas informações estão presentes em praticamente todos os capítulos. Para obtenção de dados sobre o setor energético e elétrico brasileiro, além de trabalhos e pesquisas produzidos por entidades setoriais foram utilizados estudos do mercado geral de energia. A adoção do Glossário com os principais termos técnicos é uma forma de facilitar ainda mais o aprendizado sobre os temas abordados. Ao final, também foi inserida uma tabela comparativa entre as principais medidas utilizadas no mercado de energia. Com isso, o Atlas de Energia Elétrica do Brasil, edição 2008, além de apresentar um panorama do mercado destinado a profissionais dos diversos segmentos do setor, se transforma-se em fonte de consulta para estudantes e interessados em obter maior conhecimento a respeito do assunto. 14 Atlas de Energia Elétrica do Brasil

16 Sumário PARTE I Energia no Brasil e no mundo 1 CARACTERÍSTICAS GERAIS INFORMAÇÕES BÁSICAS CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO DISTRIBUIÇÃO TRANSMISSÃO GERAÇÃO 34 2 CONSUMO INFORMAÇÕES GERAIS CONSUMO DE ENERGIA NO MUNDO CONSUMO DE ENERGIA NO BRASIL 44 PARTE II Fontes renováveis 3 ENERGIA HIDRÁULICA INFORMAÇÕES GERAIS POTENCIAIS, PRODUÇÃO E CONSUMO NO MUNDO POTENCIAIS E GERAÇÃO HIDRELÉTRICA NO BRASIL SUSTENTABILIDADE E INVESTIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS 60 4 BIOMASSA INFORMAÇÕES GERAIS DISPONIBILIDADE, PRODUÇÃO E CONSUMO DE BIOMASSA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO 73

17 5 OUTRAS FONTES INFORMAÇÕES GERAIS ENERGIA EÓLICA ENERGIA SOLAR BIOGÁS GEOTÉRMICA MAR 88 PARTE III Fontes não-renováveis 6 GÁS NATURAL INFORMAÇÕES GERAIS RESERVAS, PRODUÇÃO E CONSUMO NO MUNDO GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL E NO MUNDO IMPACTOS AMBIENTAIS E TECNOLOGIAS LIMPAS DERIVADOS DE PETRÓLEO INFORMAÇÕES GERAIS RESERVAS, PRODUÇÃO E CONSUMO NO MUNDO GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL E NO MUNDO IMPACTOS AMBIENTAIS E TECNOLOGIAS LIMPAS ENERGIA NUCLEAR INFORMAÇÕES GERAIS RESERVAS, PRODUÇÃO E CONSUMO NO MUNDO GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL E NO MUNDO IMPACTOS AMBIENTAIS E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO CARVÃO MINERAL INFORMAÇÕES GERAIS RESERVAS, PRODUÇÃO E CONSUMO NO MUNDO GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL E NO MUNDO IMPACTOS AMBIENTAIS E TECNOLOGIAS LIMPAS 140 FATORES DE CONVERSÃO 143 GLOSSÁRIO 145 ÍNDICE 155 ANEXO 159

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