Destaques Semanais e Projeções Macroeconômicas

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1 Destaques Semanais e Projeções Macroeconômicas São Paulo, 22 de abril de 2016 Tatiana Pinheiro Adriana Dupita Departamento de Pesquisa Econômica Luciano Sobral Everton Gomes Matheus Rosignoli Rodolfo Margato Destaques da Semana Consenso ou Dissenso, Eis a Questão! Dentre os eventos econômicos da próxima semana, o destaque é a reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM). Acreditamos que a autoridade monetária decidirá a favor da manutenção da taxa Selic em 14,25% a.a., a despeito dos recentes declínios da inflação mensal e da expectativa inflacionária no médio prazo. A grande dúvida reside na unanimidade ou não da decisão entre os votantes. As últimas reuniões exibiram dissenso, com dois membros votando a favor da elevação da taxa básica de juros em 50 pontos-base. Apesar disso, esperamos que a decisão seja unânime nesta ocasião. Ademais, avaliamos que a expectativa de contração mais profunda da economia doméstica, as incertezas com relação à evolução da economia internacional e o processo de desinflação devem levar ao início de um ciclo de afrouxamento monetário no 2º semestre. Projetamos a taxa Selic em 13% a.a. no final de Também serão divulgadas as contas fiscais do Governo Central (Tesouro, INSS e Banco Central) e do Setor Público Consolidado (governo federal, governos regionais e empresas estatais) de março. Para o Governo Central, estimamos um resultado primário deficitário em R$ 9,1 bilhões, ainda muito negativo, mas algo melhor que o expressivo déficit de R$ 25,1 bilhões observado em fevereiro, devido à melhora da arrecadação na margem. Já para o Setor Público Consolidado, esperamos déficit de R$ 8,3 bilhões, pois os governos regionais devem registrar superávit primário em torno de R$ 730 milhões, na esteira da tradicional concentração de arrecadação estadual e municipal no 1º trimestre. Por sua vez, o efeito da recente apreciação cambial será positivo sobre o déficit nominal, que deve recuar de 10,7% do PIB em fevereiro para 9,5% do PIB em março. No entanto, o fortalecimento da moeda doméstica exercerá impacto negativo sobre a razão entre a dívida líquida e o PIB, dada a queda do valor das reservas internacionais em reais o quociente deve subir de 36,8% para 38,0%. Por fim, estimamos a dívida bruta do setor público em 67,0% do PIB em março, um pouco abaixo dos 67,6% do PIB registrados no mês anterior. A semana contempla também a divulgação do IGP-M de abril, principal indicador de inflação da agenda. Para tal, projetamos alta de 0,39% m/m, taxa um pouco abaixo da variação de 0,51% m/m registrada no mês anterior. A abertura deve mostrar que boa parte da desaceleração do índice na passagem do mês está relacionada à menor alta de produtos agropecuários. Dentro desse grupo, os destaques devem ser a forte deflação do tomate e a menor pressão de frutas. Já com relação aos produtos industriais, esperamos uma inflação novamente próxima de zero, com a queda de preços na indústria de transformação anulando a alta do minério de ferro. Com isso, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) deve ter variação de 0,35% m/m. No que diz respeito aos demais componentes do IGP-M, projetamos alta de 0,45% m/m para o

2 Índice de Preços ao Consumidor (IPC), e de 0,50% para o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Se confirmada a nossa projeção, a inflação acumulada nos últimos 12 meses cederá de 11,56% a/a para 10,70% a/a. Em relação ao sistema financeiro, haverá a divulgação da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central referente ao mês de março. O relatório deve continuar mostrando desaceleração do ritmo de crescimento da carteira total: de 5,3% em fevereiro para 5,0% em março. Essa tendência de desaceleração deverá ser consistente ao longo do ano, tendo em vista que os bancos permanecem conservadores na tentativa de evitar o aumento acelerado da inadimplência, e os consumidores continuam com a confiança deprimida, o que retrai a demanda por crédito. Em relação à taxa de inadimplência dos empréstimos concedidos com recursos livres, projetamos ligeira alta tanto para pessoas físicas (de 6,2% para 6,3%) quanto para pessoas jurídicas (de 4,7% para 4,8%). Dentre os indicadores de atividade econômica esperados para a semana, destaque para a divulgação da PNAD Contínua de março. Estimamos que a taxa de desemprego nacional tenha encerrado o primeiro trimestre de 2016 em 10,9%, um patamar muito superior ao registrado no mesmo período do ano passado, de 7,9%. Com base na série livre de influências sazonais, estimamos que a taxa de desemprego tenha subido para 10,4%, ante a taxa de 10,2% registrada no trimestre móvel findo em fevereiro. Além disso, acreditamos que a disseminada destruição líquida de postos no mercado formal de trabalho, em linha com o aprofundamento e a elevada persistência da recessão, manterá a população ocupada em trajetória negativa até o início do próximo ano. Ao mesmo tempo, o encolhimento da renda familiar sustenta o nosso cenário de forte crescimento da força de trabalho no período. Dessa forma, projetamos aumento da taxa de desemprego de 9,9% em 2015 para 12,8% em 2016 e 13,3% em 2017 (final de período, após ajuste sazonal). De acordo com os nossos cálculos, a desocupação atingirá o seu pico em meados do primeiro semestre do próximo ano. A agenda internacional da próxima semana tem muitos eventos relevantes programados, dentre eles a divulgação da primeira leitura do PIB no 1º trimestre de 2016 nos EUA e na Zona do Euro. Além disso, serão divulgados, nos EUA, os dados do mercado imobiliário, setor industrial de bens duráveis, custo do salário, índice de custo de vida (PCE) e a decisão sobre a taxa de juros. O amplo consenso para a decisão monetária é de manutenção da taxa básica de juros em 0,50 p.p., logo, o grande destaque será o comunicado pós-decisão do Federal Reserve. O mercado estará atento a modificações com relação ao balanço de riscos; acreditamos que a menção de um balanço de riscos mais equilibrado será lida como um indício de alta de juros na próxima decisão, que ocorrerá em 15 de junho. O custo do salário deve ser outro indicador econômico que deve influenciar os mercados; este serve como um indicador antecedente para a inflação e, por isso, é considerado um dos mais importantes na avaliação da autoridade monetária. Com relação ao PIB dos EUA no 1º trimestre, o consenso indica crescimento de 0,6% t/t, uma taxa inferior à expansão de 1,4% t/t registrada no 4º trimestre. Já no que diz respeito ao PIB da Zona do Euro, a mediana das expectativas aponta para elevação de 0,4% t/t entre janeiro e março deste ano, o que representaria uma ligeira aceleração frente à alta de 0,3% t/t observada no trimestre imediatamente anterior.

3 Agenda Eventos Referência Unidade Santander Consenso Anterior Segunda-feira Brasil FGV IPC-S (3ª quadri) abr-16 m/m - 0,42% 0,45% 25/04/16 FGV Sondagem da Indústria (prévia) abr BCB Boletim Focus 22/abr MDIC Balança Comercial Semanal 22/abr US$ Milhões - - $925 BCB Nota à Imprensa: Mercado Aberto mar/ Internacional Alemanha IFO: Clima de Negócios abr ,7 EUA Vendas de Novas Moradias mar-16 milhares EUA Sondagem Industrial - Dallas abr Terça-feira Brasil FGV INCC-M abr-16 m/m - 0,41% 0,79% 26/04/16 FGV Sondagem do Consumidor abr ,1 FGV Sondagem da Construção abr Internacional EUA Encomendas de Bens Duráveis (prévia) mar-16 m/m - 1,9% -3% EUA PMI Serviços (prévia) abr ,0 51,3 EUA PMI Composto (prévia) abr ,3 EUA Confiança do Consumidor abr ,9 96,2 EUA Sondagem Industrial - Richmond abr Quarta-feira Brasil FIPE IPC (3ª quadri) abr-16 m/m - 0,64% 0,75% 27/04/16 BCB Anúncio da Taxa de Juros (%) ,25% 14,25% 14,25% BCB Fluxo Cambial Semanal 22/abr Internacional R.Unido PIB 1T t/t - - 0,6% EUA Balança Comercial mar-16 US$ Bilhões - -$ $ EUA FOMC - Decisão da Taxa de Juros (%) ,5% 0,5% EUA Vendas Pendentes de Moradias mar-16 m/m - 0,5% 3,5% Quinta-feira Brasil FGV IGP-M abr-16 m/m 0,39% 0,36% 0,51% 28/04/16 FGV Sondagem do Comércio abr BCB Nota à Imprensa: Pol. Monetária e Op. De Crédito mar-16 R$ Bilhões Tesouro Resultado Primário do Governo Central mar-16 R$ Bilhões Internacional Alemanha Taxa de Desemprego (%) abr ,2% Z.Euro Indicador de Confiança na Economia abr EUA Pedidos de auxílio desemprego abr-16 milhares EUA PIB (anualizado) 1T t/t - 0,6% 1,4% EUA Sondagem Industrial - Kansas City abr Sexta-feira Brasil FGV Sondagem da Indústria abr /04/16 FGV Sondagem de Serviços abr IBGE PNAD Contínua: Taxa de Desemprego (%) mar-16-10,9 10,5 10,2 BCB Nota à Imprensa: Política Fiscal (Resultado Primário) mar-16 R$ Bilhões Internacional Z.Euro Taxa de Desemprego (%) mar ,3 10,3 Z.Euro CPI abr-16 a/a - 0,0% - Z.Euro CPI: núcleo abr-16 a/a - 9,0% 1,0% Z.Euro PIB 1T t/t - 0,4% 0,3% EUA Renda Pessoal mar-16 m/m - 0,3% 0,2% EUA Gasto Pessoal mar-16 m/m - 0,2% 0,1% EUA Deflator do PCE mar-16 m/m - 0,1% 0,1% EUA Deflator do PCE: núcleo mar-16 m/m - 0,1% 0,1% EUA Chicago PMI abr ,8 53,6 EUA Confiança do Consumidor - Michigan abr ,0 89,7 Na semana Internacional China Indicadores Antecedentes mar ,0 Obs: Tabela completa de projeções no final do documento

4 Cenário Econômico Internacional: Os sinais de recuperação da economia americana levaram o Federal Reserve a iniciar o processo de normalização de juros nos Estados Unidos em dezembro de Os próximos passos de política monetária, segundo declarações de membros do FOMC, devem ser lentos, graduais e dependentes da evolução da economia. Contudo, caso as condições internacionais se mostrem menos favoráveis, a retomada da alta de juros deve ficar para o médio prazo. Enquanto isto, a economia europeia segue apresentando uma tendência positiva de crescimento, apesar de um pouco aquém do esperado pelo BCE ao iniciar o programa de injeção de recursos (o chamado afrouxamento quantitativo). Por esse motivo, o BCE tem adotado medidas adicionais arrojadas de estímulo monetário. Na China, a expectativa é que se mantenha o novo padrão de crescimento mais moderado, a despeito das medidas expansionistas (de política monetária e fiscal) adotadas pelo governo a fim de estimular a aceleração econômica. Nessas três economias citadas, a queda no preço internacional das commodities tem dificultado a consolidação da inflação em terreno positivo, exigindo cautela por parte das autoridades nas decisões de política monetária. Câmbio e juros: A forte depreciação do real observada no último ano não deve se repetir no médio prazo, embora uma moderada deterioração do câmbio seja esperada à medida que as perspectivas para a evolução da economia doméstica não melhorem. Para o curtíssimo prazo, as incertezas no cenário político, as quais afetam diretamente a consolidação das reformas pretendidas pelo governo, devem manter a volatilidade do câmbio em alta. Com relação à política monetária, a taxa de juros deve seguir em patamar elevado por todo o ano. No terceiro trimestre de 2016, com a atividade econômica bastante fraca, o Banco Central deverá iniciar um ciclo de corte de juros. Atividade econômica: Os indicadores de consumo interno, produção industrial e investimentos seguem apontando para um aprofundamento da recessão ao longo do primeiro semestre deste ano. Destaque para a deterioração do mercado de trabalho, com intensa elevação da taxa de desemprego e retração dos salários reais, e também para as condições mais apertadas do mercado de crédito, estoques ainda elevados na indústria e níveis deprimidos da confiança do empresariado e do consumidor, refletindo o ambiente econômico marcado por incertezas. Pelo lado positivo, a desvalorização cambial tende a continuar estimulando os setores exportadores e promovendo algum grau de substituição de importados na indústria de transformação (a um ritmo lento e gradual). Portanto, a estabilização da atividade econômica deve ocorrer apenas no segundo semestre deste ano, seguida por um crescimento bastante moderado em Uma recuperação mais contundente da atividade, com o crescimento do PIB acima do potencial, deve ficar apenas para 2019, com o retorno da taxa desemprego para a NAIRU (taxa de desemprego que estabiliza a inflação). Inflação: Apesar do patamar elevado da taxa de juros, a inflação fechou o ano de 2015 bastante acima do teto da meta, refletindo diretamente o realinhamento de preços administrados e a pressão do câmbio sobre os produtos importados, além dos efeitos indiretos, como o aumento de custos de produção, sobre os preços livres. Para 2016, a menor alta de preços administrados e a contração da atividade econômica devem ser fatores decisivos para a queda da taxa de inflação. A inércia inflacionária, a depreciação cambial de 2015 e o impacto de aumento de impostos sobre os preços, contudo, não devem permitir que a inflação ceda para próximo da meta. Balanço de pagamentos: Os últimos meses foram marcados pela queda do déficit em transações correntes acumulado em 12 meses, efeito direto da desvalorização do real e do baixo crescimento da demanda doméstica. A perda do grau investimento tende a afetar o acesso ao financiamento externo, tornando o crédito internacional mais caro e mais curto, e limitando o ingresso líquido, principalmente do investimento estrangeiro em carteira. No entanto, dado o recuo no déficit em transações correntes e o elevado montante de reservas internacionais, não se espera que o acesso mais limitado ao financiamento externo resulte em pressões significativas e sustentadas sobre o câmbio ou risco de insolvência externa. Política fiscal: O resultado primário deve permanecer negativo em 2016, uma vez que a melhora das contas fiscais vem sendo limitada pela queda na arrecadação tributária decorrente do fraco crescimento doméstico, com reflexos na dinâmica da dívida pública. O efeito da desvalorização cambial observada em 2015 sobre a dívida pública líquida (dado que o setor público é, correntemente, credor líquido em moeda estrangeira), contudo, é um fator positivo nas contas fiscais.

5 Projeções Macroeconômicas Projeções de Longo Prazo Realizado Cenário PIB Crescimento real (%) 1,9 3,0 0,1-3,8-3,7 1,2 PIB em US$ bilhões PIB per capita anual (US$) Mercado de Trabalho Taxa Média de Desemprego. (% of PEA) 7,3 7,2 6,8 8,3 11,9 12,5 Massa Salarial (real % YoY) 5,3 4,2 2,6 0,4-4,5-0,5 Inflação (% a.a.) IPCA (IBGE) 5,8 5,9 6,4 10,7 7,0 6,0 IGP-M (FGV) 7,8 5,5 3,7 10,5 7,5 6,0 Taxa de Câmbio R$/US$ - final de período 2,04 2,34 2,66 3,90 4,10 4,20 R$/ - final de período 2,70 3,21 3,21 4,25 4,76 4,84 Taxa de Juros (% a.a.) Taxa básica em final de ano 7,25 10,00 11,75 14,25 13,00 11,50 Taxa de Juros Real s/ Inflação - IPCA 2,4 2,0 4,1 2,3 6,4 5,3 Contas Externas Exportações (% a.a.) -5,2-0,3-7,2-15,2 4,9 12,8 Importações (% a.a.) -1,3 7,3-4,3-25,3-15,9 5,2 Balança em Conta Corrente (% do PIB) -3,3-3,0-4,3-3,3-1,4-0,4 Contas Públicas Resultado Primário (% do PIB) 2,2 1,8-0,6-1,9-1,0 0,0 Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB) 32,3 30,6 33,1 36,0 42,7 42,1 Cenário Internacional Crescimento Real (%) EUA 2,2 1,5 2,4 2,4 2,8 3,0 Inflação CPI (%) EUA 1,7 1,5 0,8 0,7 1,5 2,5 Taxa Fed Funds (%a.a.) EUA 0,1 0,1 0,1 0,2 1,00 1,50 Crescimento Real (%) Zona Euro -0,9-0,3 0,9 1,6 2,0 2,0 Inflação (%) Zona do Euro 2,2 0,8-0,2 0,2 1,2 1,8 Taxa Básica de Juros (%a.a.) Zona do Euro 0,8 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 Comunicado Importante Este material foi preparado pelo Banco Santander (Brasil) S.A. e não constitui uma oferta ou solicitação de oferta para aquisição de valores mobiliários. Ele pode conter informações sobre eventos futuros e estas projeções/estimativas estão sujeitas a riscos e incertezas relacionados a fatores fora de nossa capacidade de controlar ou estimar precisamente, tais como condições de mercado, ambiente competitivo, flutuações de moeda e da inflação, mudanças em órgãos reguladores e governamentais e outros fatores que poderão diferir materialmente daqueles projetados. A informação nele contida baseia-se na melhor informação disponível, recolhida a partir de fontes oficiais ou críveis. Não nos responsabilizamos por eventuais omissões ou erros. As opiniões expressas são as nossas opiniões no momento. Reservamo-nos o direito de, a qualquer momento, comprar ou vender valores mobiliários mencionados. Estas projeções e estimativas não devem ser interpretadas como garantia de performance futura. O Banco Santander (Brasil) S.A. não se obriga em publicar qualquer revisão ou atualizar essas projeções e estimativas frente a eventos ou circunstâncias que venham a ocorrer após a data deste documento. Este material é para uso exclusivo de seus receptores e seu conteúdo não pode ser reproduzido, redistribuído, publicado ou copiado de qualquer forma, integral ou parcialmente, sem expressa autorização do Banco Santander (Brasil) S.A Banco Santander (Brasil) S.A.. Direitos reservados

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