DOIS IRMÃOS MILTON HATOUM

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "DOIS IRMÃOS MILTON HATOUM"

Transcrição

1 DOIS IRMÃOS MILTON HATOUM Dados Biográficos Nasceu em Manaus, AM, em 19/ Professor, tradutor, contista e romancista colecionador de prêmios literários. Até o momento todos os seus livros são premiados: Relato de um certo Oriente (1990); Dois irmãos (2000); e Cinzas do norte (2005) receberam o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, como melhores romances do ano, sendo que o último recebeu também o Prêmio Portugal Telecom Literatura. São livros que já venderam mais de 200 mil exemplares e foram traduzidos em oito paises. Sobre o livro mais recente: Órfãos do Eldorado (2008) ainda não temos noticia de premiação, mas já foi eleito pelo publico, vendendo mais de 10 mil exemplares logo após o lançamento. Em suas obras, o autor costuma falar de lares desestruturados com uma leve tendência política. Em Cinzas do norte, por exemplo, seu romance mais abertamente político, inicia-se no mesmo registro desencantado que termina Dois irmãos. É um romance com uma linguagem seca e objetiva, que conta uma das possíveis estórias de uma geração que sonhou um mundo mais justo apenas para encontrá-lo em cinzas na sua maturidade. Quanto ao estilo, é conhecido por misturar experiência e lembranças pessoais com o contexto sócio-cultural da Amazônia e do Oriente. Sobre o primeiro livro, assim ele explica: No Relato de um certo Oriente há um tom de confissão, é um texto de memória sem ser memorialístico, sem ser auto-biográfico; há, como é natural, elementos de minha vida e da vida familiar. Porque minha intenção, do ponto de vista da escritura, é ligar a história pessoal à história familiar: este é o meu projeto. Num certo momento de nossa vida, nossa história é também a história de nossa família e a de nosso país (com todas as limitações e delimitações que essa história suscite). Descendente de imigrantes libaneses, o autor já morou em diversas cidades, além de Manaus, sua fonte de inspiração. Aos 15 anos muda-se para Brasília, onde concluiu os estudos secundários, e depois para São Paulo, onde se fez Arquiteto pela USP. Em 1980 mudou-se para a Espanha como bolsista do Instituto Iberoamericano de Cooperación. Em seguida passa a viver em Paris onde fez sua pós-graduação Na Universidade de Paris III. Retorna à Manaus, onde passa a lecionar literatura francesa e brasileira. Em fins da década de 1990 volta à São Paulo para concluir seu doutormento em Teoria Literária na USP, onde se encontra establecido. Disponível em <http://www.tirodeletra.com.br/ biografia/miltonhatoum.htm>. Obras Relato de um Certo Oriente (romance). São Paulo: Cia. das Letras, Dois Irmãos (romance). São Paulo: Cia. das Letras, Cinzas do Norte, 2005 Orfãos do Eldorado. São Paulo: Cia. das Letras, 2008 O romance tem, como centro do enredo, a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar, o Caçula - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Na mesma casa, localizada em bairro portuário de Manaus, moram Domingas, a empregada da família, e seu filho Nael, um menino cuja infância é moldada pela condição de filho da empregada. Na tentativa de buscar a identidade de seu pai entre os homens da casa, Nael narra os acontecimentos que lá se passam, testemunhando vingança, paixão e relações arriscadas. É por meio de seu ponto de vista que o leitor entra em contato com Halim, o pai, sempre à espera da decisão mais acertada diante dos abismos familiares; com a desmedida dedicação da esposa Zana ao filho preferido Omar; com o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da família; com a relação amorosa entre Rânia e seus irmãos; com a vida simples e cheia de renúncias da mãe Domingas. A história se inicia com a volta de Yaqub, que, por ordem do pai, fora enviado, com treze anos, ao sul do Líbano um ano antes da 2ª Guerra, no intuito de aliviar os atritos entre os irmãos. Considerado frágil e demasiadamente problemático, Omar fica no Brasil, solidificandose, assim, a superproteção iniciada na infância. 24 A escolha de quem pensa!

2 Cinco anos mais tarde, a volta de Yaqub marca a existência de uma nova pessoa: um jovem calado e cheio de mistérios que escondiam os segredos de sua permanência fora do país. Sozinho, segue para São Paulo, onde, recusando a ajuda financeira dos pais, forma-se em Engenharia Civil e se casa de forma misteriosa, comunicando a família por meio de um telegrama. Enquanto Yaqub trilhava os caminhos do sucesso, Omar se perdia em bebedeiras, noitadas e sucessivos escândalos. Ao ser enviado a São Paulo para tentar obter o êxito do irmão, descobre que ele se casou justamente com a jovem Lívia - paixão de ambos desde a infância e causadora de uma séria briga entre os dois. Faz desenhos obscenos nas fotos do álbum de casamento do irmão, apertando ainda mais os laços de inimizade entre os dois. Em seguida, rouba dinheiro do irmão e foge para os Estados Unidos. Morre Halim e, pouco tempo depois, Omar faz amizade com o indiano Rochiram, que pretendia construir um hotel em Manaus. Zana, na tentativa de unir os filhos e desejosa de que abrissem uma construtora, escreve a Yaqub, que vai à cidade a negócios, ignorando a participação do irmão. Ao sentir-se traído, Omar espanca Yaqub, mandando-o para o hospital. Inicia-se, então, uma verdadeira caçada que se encerra com a prisão e condenação do Caçula a dois anos e sete meses de reclusão. O indiano Rochiram, vendo seus negócios fracassarem, exige que a irmã dos gêmeos, Rânia, venda a casa em que vivem para pagamento das dívidas. Surge, assim, no local, a Casa Rochiram, uma loja de quinquilharias importadas de Miami e Panamá. Nael fica com um pequeno quadrado no quintal. Durante todo o desenrolar da história, Nael lutava ao lado da mãe, assoberbado, sem muito tempo para os estudos. Sente-se, com isso, injustiçado. Nunca desistiu de arrancar dos membros da família a identidade de seu pai, que sabia estar em um dos gêmeos. No jogo de interditos, juntando os cacos do passado, Nael se empenha em descobrir a verdade e, somente após trinta anos, quando quase todos já estão mortos, é que parece motivado a olhar para as personagens. Disponível em: <http://resumos.netsaber.com.br/ ver_resumo_c_919.html>. Características da obra Dois Irmãos, romance de Milton Hatoum, narra história de ódio familiar. Escrito em estilo enxuto e ao mesmo tempo repleto de sutilezas, o romance narra a tumultuada relação de ódio entre dois irmãos gêmeos, numa família de origem libanesa que vive em Manaus O romance Dois Irmãos, publicado em 2000, rompeu um silêncio de 11 anos que Milton Hatoum vinha mantendo desde Relato de um Certo Oriente, sua estréia como romancista. O autor costuma dizer, em entrevistas, que cada livro nos ensina a escrever. Se sua afirmação for levada ao pé da letra, nenhum livro lhe ensinou tanto quanto Dois Irmãos. Nessa obra, Hatoum demonstra grande domínio da técnica da ficção, num estilo mais enxuto que o da primeira obra e, ao mesmo tempo, repleto de nuanças e sutilezas. A trama gira em torno da tumultuada relação entre dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, em uma família de origem libanesa que vive em Manaus. O ambiente que forma o pano de fundo da história é o de imigrantes que se dedicam ao comércio, numa cidade que vê aprofundar-se sua decadência, após o período de grande efervescência econômica e cultural vivido no início do século XX. AVANÇOS E RECUOS NO TEMPO A narrativa apresenta avanços e recuos no tempo, sem uma cronologia linear. Os problemas vão sendo revelados ao leitor aos poucos, conforme o narrador rememora fatos esclarecedores e os encadeia para solucionar (ou deixar em suspensão) os enigmas da história. Uma breve introdução narra a morte de Zana, em situação de enorme angústia. Na cena descrita, o silêncio que responde negativamente à última pergunta da mulher ( Meus filhos já fizeram as pazes? ) coincide com o fim do dia. O primeiro capítulo começa com a volta do jovem Yaqub de uma viagem forçada ao Líbano. Pode-se concluir que essa ação se passa em 1945, no fim da II Guerra Mundial, pois o porto do Rio de Janeiro está apinhado de parentes de pracinhas e oficiais que regressavam da Itália. A escolha de quem pensa! 25

3 O motivo da viagem ao Líbano é esclarecido em mais um recuo cronológico: a tentativa de separar os gêmeos e evitar o conflito entre eles. As diferenças entre os personagens, que parecem vir do berço ou ter começado em sua mais remota infância, tornam-se cada vez mais acentuadas. ÓDIO PERENE A primeira disputa séria entre os irmãos tem como pivô Lívia, uma garota pela qual os dois se apaixonam. Numa primeira ocasião (o baile dos jovens), a mãe ordena a Yaqub que leve a irmã Rânia para casa, o que favorece Omar. O troco não demora a chegar: numa sessão de cinematógrafo na casa dos vizinhos, uma pane no equipamento deixa a sala escura. Quando as luzes se acendem, os lábios de Lívia estão colados ao rosto de Yaqub. Omar se vinga quebrando uma garrafa e cortando, com ela, o rosto do irmão. A cicatriz em forma de meia-lua será uma marca do ódio perene entre ambos. Os pais percebem que o incidente pode despertar uma série de vinganças entre os dois e, para evitar isso, mandam Yaqub a uma aldeia remota no Líbano. A estratégia resulta inútil, pois a única coisa que não muda em Yaqub, ao voltar para o Brasil, é o ódio que sente do irmão; o mesmo pode ser dito de Omar. Yaqub chega da viagem e se aferra aos estudos, revelando-se um matemático excelente. O irmão, que permanecera sob os cuidados da mãe, mostra-se irrequieto e indisciplinado. Durante uma aula de matemática, o Caçula agride o professor Bolislau, o preferido de Yaqub, e é expulso do colégio dos padres. Vai para uma escola de reputação duvidosa Liceu Rui Barbosa, o Águia de Haia, conhecido como Galinheiro dos Vândalos. Lá, conhece o professor Antenor Laval, admirador de poetas simbolistas franceses e defensor da liberdade. Em contrapartida, o sucesso de Yaqub tem como prêmio uma viagem a São Paulo, a fim de que possa aprimorar os estudos. Seu professor de matemática, o padre Bolislau, ajuda-o a decidir-se pela partida, ao dizer: Se ficares aqui, serás derrotado pela província e devorado pelo teu irmão. Antes de seguir, Yaqub tem um encontro amoroso com Lívia. PROSPERIDADE VERSUS BOEMIA Aos poucos, a identidade do narrador é revelada. Sua mãe, Domingas, trabalhadora prestativa e submissa, nada diz ao filho sobre quem seria seu pai. De São Paulo, Yaqub envia cartas cada vez mais lacônicas. Forma-se em engenharia, prospera profissionalmente e casa-se. Enquanto isso, um Halim velho e nostálgico fala sobre o passado ao narrador. Conta como foi o nascimento dos filhos e a abertura de sua loja. Afirma, também, que a vinda dos filhos o incomodou, pois sentia que eles lhe roubavam a atenção da mulher, principalmente o Caçula. Omar torna-se boêmio, entrega-se a festas e a bebedeiras, terminando sempre suas noitadas estirado numa rede da casa, onde permanece grande parte do dia. Na noite em que traz uma mulher para casa, isso ultrapassa os limites até mesmo de seu permissivo pai. Halim levanta-se e expulsa a desconhecida, que dormia na sala. Depois, arrasta o filho pelo cabelo, dá-lhe uma bofetada, prende-o ao cofre e parte por dois dias. Quando Omar leva formalmente outra mulher, Dália, para casa, Zana antevê nela uma potencial concorrente, por isso a expulsa. O Caçula parte atrás de Dália, que descobrem ser uma das Mulheres Prateadas, grupo de dançarinas amazonenses que se apresentava em uma casa noturna. Após o episódio da mulher prateada, Zana decide enviar Omar a São Paulo. Yaqub negase a abrigar o irmão, mas se propõe a alugar para ele um quarto numa pensão e matriculálo num colégio particular. O Caçula parte para São Paulo e, durante algum tempo, porta-se de maneira exemplar. De repente, chega a notícia de seu desaparecimento. Algum tempo depois, descobre-se que ele se envolvera com a empregada de Yaqub para ter acesso à casa do irmão. Ao chegar lá, descobrira que a mulher de Yaqub não era outra senão Lívia, alvo das disputas infantis dos gêmeos. Tomado pela raiva, Omar cobrira as fotos de Yaqub e de sua mulher com desenhos obscenos. Roubara também 820 dólares do irmão, mais o seu passaporte, e viajara para os Estados Unidos. 26 A escolha de quem pensa!

4 MORTE DE HALIM Numa visita de Yaqub à família, em Manaus, o narrador observa sua mãe e o visitante de mãos dadas e desconfia ter descoberto a identidade de seu pai. De volta a São Paulo, o gêmeo mais velho prospera cada vez mais. Omar retorna a Manaus, onde se envolve em atividades de contrabando e com uma mulata conhecida como Pau-Mulato. Depois foge de casa por longo tempo. Halim decide procurar o Caçula, mas a busca, que dura meses, não surte resultado. É Zana quem dá o passo decisivo para encontrar o filho: procura um velho peixeiro manco, o Perna-de-Sapo, que conhecia a floresta como ninguém. Em pouco tempo, o homem descobre o paradeiro de Omar. Zana vai atrás dele e, após uma discussão, o traz para casa. O narrador revela sua paixão por Rânia, que, no entanto, só irá conceder a ele uma única noite de amor. Halim envelhece, e a presença definitiva do Caçula o deixa pouco à vontade em casa. Zana pede a Nael, o narrador, que acompanhe o filho em suas noitadas. Outra faceta de Omar é narrada no episódio de prisão e morte do professor Antenor Laval. Em abril de 1964, logo após o golpe militar, Laval é espancado por policiais em praça pública e preso. Dois dias depois, sabe-se que está morto. Omar, abalado com o destino do mestre, fecha-se em luto e deixa temporariamente as noitadas. Halim se entrega cada vez mais ao passado e sai de casa frequentemente, para longas caminhadas pela cidade, sempre seguido por Nael. Até que, na véspera do Natal de 1968, só volta de madrugada, depois que todos já dormiam. De manhã, os familiares o encontram: sentado sobre o sofá, não respira mais. Omar dirige, então, grandes ofensas em direção ao corpo do pai. Vizinhos chegam a tempo de impedir o filho de atacar o cadáver. Yaqub envia para o enterro uma coroa de flores e um epitáfio: Saudades do meu pai, que mesmo à distância sempre esteve presente. Zana, pela primeira vez, trata Omar com dureza e o repreende severamente. PROJETO FRACASSADO Omar passa a trazer para casa um indiano chamado Rochiram, que pretende construir um hotel em Manaus. Zana vê aí a possibilidade de reconciliar os dois irmãos. O Caçula prevê as intenções da mãe e tenta esconder inutilmente o indiano. Por carta, Zana chama Yaqub, que, após algum tempo, aparece secretamente em Manaus e se hospeda num hotel isolado. Está associado a Rochiram. Numa manhã, Yaqub surge na casa e deita-se na rede, chamando Domingas para sentar-se a seu lado. Nesse instante, Omar irrompe na varanda e agride brutalmente o irmão indefeso. Rasga também seus projetos para a construção do hotel. Os planos de Zana vão por água abaixo: Yaqub tentara trair o irmão, que descobrira tudo e o teria matado se não fosse a interferência de Nael e dos vizinhos. Para piorar a situação, o fracasso do projeto resulta em gigantesca dívida com o empresário indiano. Pouco tempo após o conflito, Domingas fica doente e morre. Antes, revelara ao filho que, no passado, fora estuprada por Omar. Rânia prepara um bangalô para levar a mãe, que resiste a abandonar o velho lar. Um dia, Rochiram aparece e pede a casa como forma de acerto da dívida. A sugestão viera de Yaqub. Omar torna-se um foragido, porque a agressão fora denunciada pelo irmão à polícia. Nesse tempo, ocorre a morte de Zana. Uma pequena parte da casa, nos fundos, torna-se posse de Nael. Tua herança, afirma-lhe Rânia. Numa tarde, Omar aparece diante de Rânia. A irmã não tem tempo de falar com ele, já que policiais estavam à espreita e o capturam, depois de agredi-lo. O narrador cita rapidamente a morte de Yaqub. Omar sai da cadeia pouco antes de cumprir sua pena. Na última cena do romance, chove torrencialmente e o Caçula aparece diante do narrador. Olha fixamente para Nael, parece estar a um passo de pedir perdão, mas recua e parte lentamente. Exercícios 01. (UFAM) A respeito do personagem Adamor, o Perna-de-Sapo, do romance Dois Irmãos, de Milton Hatoum, fazem-se as seguintes afirmativas: I. Em 1943 descobriu os restos de um avião Catalina que desaparecera nas florestas do Purus e salvou da morte o aviador Binford. A escolha de quem pensa! 27

5 II. Descobriu, a pedido de Zana, o paradeiro de Omar, que fugira de casa com uma mulher chamada Pau-Mulato e se escondera num barquinho atrás do Mercado Adolpho Lisboa. III. Antes de se tornar coveiro, era um peixeiro que vendia de porta em porta e sofria com as implicâncias da índia Domingas. IV. Ao sair de Lábrea com uma das pernas paralisada, veio para Manaus, onde passou a morar em condições humilhantes numa palafita. Estão corretas: a) Apenas II e IV b) I, II e IV c) Apenas I e III d) II, III e IV e) Todas as afirmativas 02. (UFAM) Ainda sobre o romance Dois Irmãos, é correto afirmar, a propósito do enredo: a) Para ajudar Halim a conquistar Zana, Abbas escreveu um gazal com quinze dísticos, que o pretendente fingiu esquecer na mesa do restaurante Biblos, de propriedade do viúvo Galib, pai da moça. b) Tal como em Esaú de Jacó, de Machado de Assis, observamos o tema dos gêmeos, que foi, porém, tratado de forma diferente, de vez que os dois irmãos não são inimigos. c) Domingas, a mãe de Nael, após ter ficado órfã, veio do Alto Rio Negro trazida por Halim, que nessa época trabalhava como regatão. d) A antiga casa de Halim e Zana foi vendida para uma multinacional, após a instalação da Zona Franca, e Nael e Rânia, sua tia, se mudaram para um conjunto habitacional moderno. e) Uma das pretendentes a casar com Yaqub se chamava Dália, a Mulher Prateada, que, no entanto, não foi capaz de enfrentar o ciúme possessivo que Zana sentia em relação ao filho. O fragmento a seguir faz parte do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum; com ele se relacionam as questões 03 e 04. Foi Domingas quem me contou a história da cicatriz no rosto de Yaqub. (...) Era uma tarde nublada de sábado, logo depois do Carnaval. As crianças da rua se alinhavam para passar a tarde na casa dos Reinoso, onde se aguardava a chegada de um cinematógrafo ambulante. No último sábado de cada mês, Estelita avisava as mães da vizinhança que haveria uma sessão de cinema em sua casa. Era um acontecimento e tanto. As crianças almoçavam cedo, vestiam a melhor roupa, se perfumavam e saíam de casa sonhando com as imagens que veriam na parede branca do porão da casa de Estelita. 03. Assinale a alternativa incorreta, em relação a As crianças da rua se alinhavam para passar a tarde na casa dos Reinoso, onde se aguardava a chegada de um cinematógrafo ambulante. a) Na expressão dos Reinoso há circunstância de posse. b) São, respectivamente, substantivo, preposição e adjetivo: rua, na, Reinoso. c) O pronome se, em se alinhavam, é reflexivo e se refere a As crianças. d) Em onde se aguardava onde é pronome relativo; equivale a na qual. e) A oração para passar a tarde na casa dos Reinoso indica finalidade. 04. Assinale a alternativa incorreta. a) A história de Dois irmãos tem início em 1910 e termina no final da década de 60 quando, durante o regime militar, Yaqub é preso e desaparece misteriosamente. b) O rio Negro, as chuvas fortes, as enchentes e as frutas típicas da região amazônica aparecem como pano de fundo do romance. c) O tema central do romance é o conflito entre os irmãos gêmeos Omar e Yaqub, filhos de imigrantes libaneses. d) Os irmãos eram apaixonados por Lívia, com quem Yaqub casou. e) Halim era avô do narrador, filho bastardo de Omar. 28 A escolha de quem pensa!

6 05. Com relação ao texto e ao romance Dois irmãos, assinale a(s) proposição(ões) correta(s). 01) No Texto, o narrador principal da história (Nael, filho de Omar) cede espaço para um narrador secundário (Halim, pai de Omar) resumir sua saga de imigrante libanês. 02) A narrativa apresenta um drama familiar e a conflituosa relação entre os dois irmãos gêmeos, Yacub e Omar. 04) Nael, personagem/narrador perturbado pela dúvida quanto à sua filiação, reconstrói a memória da família libanesa, que é, também, a sua própria memória/identidade. 08) O excerto apresenta os principais elementos da narrativa de Hatoum: romance ambientado em Manaus; o narrador, Galib, é mascate, conhece Zana, filha do dono de um restaurante, e é pai dos gêmeos Yacub e Omar (foco da discórdia familiar). 16) São recorrentes em obras de ficção ou que representam diferentes culturas, as disputas entre irmãos gêmeos, a exemplo de Caim e Abel, Esaú e Jacó, mas que, diferentemente de Yacub e Omar, encontram uma saída harmoniosa para o conflito. 32) Embora os dois irmãos sejam gêmeos, Omar é chamado de o caçula, o que denuncia o tratamento desigual dado, pela mãe, aos dois personagens principais e criticado pela irmã dos gêmeos, Rânia. 64) Nael, o narrador, é filho da índia Domingas e de Omar, filho de imigrante libanês. Nael simboliza a mistura das raças resultante dos processos de imigração, que se deu de forma tranquila e equilibrada. c) o distanciamento temporal do narrador em relação à grande parte dos fatos relatados. d) a presença de um discurso xenófobo subjacente à história de decadência da família árabe. e) a oposição entre o discurso direto popular das personagens e o indireto culto do narrador. 07. Sobre a obra Dois irmãos, de Milton Hatoum, analise as proposições a seguir: I. O ponto de vista do narrador é baseado nas suas observações, como também nos relatos de Domingas e Halim. II. Quanto às personagens protagonistas, pode-se afirmar que Yakub tem a personalidade menos complexa, pois apresenta comportamento previsível, ao contrário de Omar. III. O tempo da narrativa coincide com o tempo da narração, visto que a história é narrada diretamente da memória de um narrador, que usa como recurso o tempo psicológico e o discurso indireto livre para conseguir essa coincidência. IV. O episódio do restaurante Biblos, lugar onde nasce o romance de Zana e Halim, é um exemplo de flashback, isto é, rompimento da linearidade que se dá na história dos dois irmãos. Marque a alternativa CORRETA: a) As proposições I e II são verdadeiras. b) As proposições II e III são verdadeiras. c) As proposições III e IV são verdadeiras. d) As proposições II e IV são verdadeiras. e) As proposições I e IV são verdadeiras. 06. Na narração que Nael faz do conflito entre Yaqub e Omar, da obra Dois irmãos, de Milton Hatoum, evidencia-se: a) o recurso ao fluxo de consciência para o desvendamento da filiação do narrador. b) a caracterização das personagens principais segundo a ótica do regionalismo. A escolha de quem pensa! 29

7 MUITAS VOZES FERREIRA GULLAR Dados do autor José Ribamar Ferreira Gullar (São Luís MA 1930) Publicou seu primeiro livro de poesia, Um Pouco Acima do Chão, em Recebeu prêmio, em 1950, pelo poema Galo, no concurso literário do Jornal das Letras, do Rio de Janeiro. No ano seguinte mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a colaborar na imprensa carioca com poemas e críticas de arte. Publicou A Luta Corporal (1954) e Poemas (1958). Entre 1955 e 1959 participou da primeira fase do movimento da Poesia Concreta. Em 1959 rompeu com o Concretismo e publicou o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil. A partir de 1961 participou do movimento de cultura popular, integrando o CPC e a UNE. Foi preso, em 1968, e seguiu para o exílio político na Europa em Em 1975 foi publicado Dentro da Noite Veloz; seguiram-se Poema Sujo (1976), Antologia Poética (1977). Em 1977 recebeu o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Nos anos de 1980 publicou Na Vertigem do Dia (1980), Toda Poesia (1980), Crime na Flora ou Ordem e Progresso (1986), Barulhos (1987); na década de 1990 saíram Formigueiro (1991) e Muitas Vozes (1999), com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia em Inicialmente adepto do Concretismo, Ferreira Gullar posteriormente optou por uma poesia mais discursiva, em que os versos ora incorporam elementos da literatura de cordel, como em João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer (1962), ora se voltam para as tensões sociais e políticas do homem brasileiro, como em Dentro da Noite Veloz (1975) e Na Vertigem do Dia (1980). Características do autor A passagem brusca da linguagem precisa e requintada das vanguardas para a expressão apoiada na linguagem simples dos cantadores, seguida de uma visão ingênua a respeito das questões estéticas e sociais e somada às derrotas da esquerda na América Latina, à clandestinidade e ao exílio contribuíram para que Ferreira Gullar reconsiderasse suas posições, buscando na poesia uma forma de expressar suas mudanças e seu aprofundamento de visão de realidade. Publicado em 1976, Poema Sujo, discursivo e quase um poema clássico, segundo Ziraldo, é um livro de 103 páginas em que Ferreira Gullar exprime a totalidade de suas experiências no plano da vida e da literatura, por meio de versos assimétricos e dissonantes, carregados de paixão corporal. Na Vertigem do Dia, o reiterado questionamento sobre a poesia, as preocupações com os grandes temas do homem e da América Latina, as recordações da infância, a dor, a tristeza, a solidão e a solidariedade para com os menos favorecidos são os temas explorados por poemas curtos e herméticos em sua maioria. BRAIT, Beth [1981]. Ferreira Gullar: a poesia como forma de indagação e conhecimento do mundo. In: Gullar, Ferreira. Ferreira Gullar. p.101. O pós-modernismo de 45 raiado de veios existenciais, a poesia concreta e neoconcreta, a experiência popular-nacionalista do CPC, o texto de ira e protesto ante o conluio de imperialismo e ditadura, a renovada sondagem na memória pessoal e coletiva... são todos momentos de uma dialética da cultura brasileira de que Ferreira Gullar tem participado como ator de primeira grandeza. À luz dessa leitura, contextual, a consciência que ditou o Poema Sujo não é exatamente a mesma que inventou A Luta Corporal, assim como a maturidade do escritor e cidadão pós-64 superou os seus horizontes ideológicos dos anos cinquenta. Não se trata de evolução na ordem dos acertos estéticos (estes não dependem, mecanicamente, da posição política do poeta); trata-se de um ver mais concretamente a História, um julgar mais criticamente o próprio lugar de poeta na trama da sociedade, um refletir mais dramaticamente a condição do homem brasileiro e do homem latino-americano sem medusar-se no fetiche abstrato, no fundo egótico, do homem em geral. BOSI, Alfredo [1983]. Roteiro do poeta. In: Gullar, Ferreira. Os melhores poemas. 3.ed. p A escolha de quem pensa!

8 Ferreira Gullar estreou muito jovem com A luta corporal. O nome do livro diz o poeta não é por acaso: era uma luta comigo mesmo. Na minha busca terminei fragmentando a linguagem. Achava que a linguagem era uma realidade. Desarticulei-a para encontrar essa realidade: ela não tinha essência nenhuma. Logo em seguida, o autor maranhense aproxima-se dos concretistas de São Paulo. Contudo, abjura-os em pouco tempo. Após esta ruptura, e sob o influxo da radicalização ideológica do início dos anos 60, vincula-se ao pensamento progressista da época, todo ele ligado às formulações populistas do presidente João Goulart. Rapidamente Ferreira Gullar torna-se um dos porta-vozes dos artistas politicamente engajados daquela década. Publica então dois polêmicos livros de ensaios Cultura posta em questão (1965) e Vanguarda e subdesenvolvimento (1969). Também o teatro o atrai. Ajuda a fundar o grupo Opinião e escreve com Oduvaldo Viana Filho a peça Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Com Dias Gomes escreve a peça Dr. Getúlio, sua vida e sua glória. Já os poemas, publicados apenas em jornais e revistas da época, confirmam o engajamento do autor e revelam certa tendência panfletária e uma frequente queda no prosaísmo. Muitos desses poemas foram reunidos, mais tarde, em Dentro da noite veloz. Um deles, Agosto 1964, é bastante conhecido: Entre lojas de flores e de sapatos, bares, mercados, butiques viajo num ônibus Estada de Ferro Leblon Volto do trabalho, a noite em meio, fatigado de mentiras. O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud, relógio de lilases, concretismo, neoconcretismo, ficções de juventude, adeus, que a vida eu a compor à vista aos donos do mundo. Ao peso dos impostos, o verso sufoca, a poesia agora responde a inquérito policial-militar. Digo adeus à ilusão Mas não ao mundo. Mas não à vida, Meu reduto e meu reino. Do salário injusto, da punição injusta, da humilhação, da tortura, do terror, retiramos algo e com ele construímos um artefato um poema uma bandeira. Mas é com o Poema sujo, 1975, que Ferreira Gullar encontra a solução dos impasses políticos e estéticos que impediam-no de realizar uma poesia de primeira grandeza. Politicamente, ele rompe com o comprometimento explícito das obras da década de 1960, preferindo embutir a questão social nas ações e lembranças que o poema evoca. Esteticamente, ele consegue através de uma expressão livre e ousada (mas não formalista) uma legítima tempestade de versos, como disse um crítico mergulhar na sua vida pessoal: a infância e a adolescência em São Luís, o passado próximo e o remoto, descobrindo a realidade brasileira e a sua própria interioridade a partir do exílio em outros países. A grande força da obra nasce do fato de Ferreira Gullar obter desta sucessão caótica de passagens existenciais o retrato vivo de um homem brasileiro (um intelectual, na verdade), em seu conjunto de angústias e esperanças, gozos e tormentos individuais. Por outro lado, este homem traz consigo, através dos tortuosos caminhos da memória, um contexto provinciano, o Maranhão, a quitanda do pai, o Brasil dos anos de 1930 e 1940, tudo magistralmente evocado. Mas o que de fato projeta o Poema sujo para além do documento humano e histórico são as interrogações contínuas do poeta a respeito da permanência e da transitoriedade das coisas. O Poema sujo é também um poema sobre a passagem do tempo, sobre o esquecimento e sobre o caráter único das experiências de cada ser: (...) bela bela mais que bela mas como era o nome dela? Não era Helena nem Vera nem Nara nem Gabriela nem Tereza nem Maria Seu nome seu nome era... Perdeu-se na carne fria (...) Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís do A escolha de quem pensa! 31

9 Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos e pais dentro de um enigma? mas que importa um nome debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de garfos e facas e pratos louça que se quebraram já um prato de louça ordinária não dura tanto e as facas se perdem e os garfos se perdem pela vida caem pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos e baratas ou enferrujam no quintal esquecido entre os pés de erva cidreira e as grossas orelhas de hortelã quanta coisa se perde nesta vida. Após seu retorno ao país em 1977, Ferreira Gullar tornou-se o poeta emblemático da redemocratização brasileira, voltando a ter forte atuação na área cultural. Escreveu para a tevê, militou na crítica de arte e debateu a situação da poesia. Em seus últimos livros, a temática da passagem do tempo e a da morte já presentes no Poema sujo adquiriram predominância e significativa pungência. Obras principais: A luta corporal (1954); Dentro da noite veloz (1975); Poema sujo (1975); Na vertigem do dia (1980); Barulhos (1987); Muitas vozes (1999). Característica da obra Sobre: Muitas Vozes Por: Cristiane Costa Muitas vozes ao gênero que o consagrou como um dos mais importantes autores brasileiros. Presente do poeta para seus leitores e admiradores meses antes de completar 70 anos, Muitas vozes revela uma mudança de tom na obra de Gullar. Mesmo que A luta corporal e Poema sujo tratassem de questões completamente diferentes, têm uma coisa em comum que é a fúria. Ela está presente em todos os meus livros anteriores. Mas, neste, está amainada. É um livro mais reflexivo, em que a temática da morte está muito presente, não como medo, mas como reflexão, comenta. Muitas vozes pode ser lido como a obra de maturidade de um autor que desde muito cedo despontou como uma voz singular na poesia brasileira. Nascido no Maranhão em 10 de setembro de 1930 como José Ribamar Ferreira, já sob o pseudônimo de Ferreira Gullar, o poeta lançou seu primeiro livro, Roçzeiral, aos 19 anos. Tinha apenas 24 quando publicou A luta corporal, uma obra radical que abriu caminho para a poesia concreta no país. No começo, havia a busca por uma linguagem que transcendesse o discurso lógico, que fosse além da própria poesia como era feita até então, e que terminou por implodir a linguagem. Como consequência dessa implosão, veio a poesia concreta, reflete hoje o poeta. Cinco anos mais tarde, Ferreira Gullar romperia com o movimento para criar outro, o neoconcretismo, esboçado no ensaio Teoria do não-objeto e que culminou com o famoso poema enterrado no chão. Uma nova virada aconteceria no início dos anos 60. Fiel ao clima da época, Ferreira Gullar voltou-se para a cultura popular, impregnandose da linguagem do cordel. Da época, datam João Boa-Morte e Quem matou Aparecida, além das peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, com Oduvaldo Vianna Filho e Dr. Getúlio, com Dias Gomes. Presidente do CPC da Une quando aconteceu o golpe militar, Ferreira Gullar se exilou na Argentina em Abandonei o neoconcretismo porque considerei que essa experiência estava esgotada. Isso coincidiu com uma virada da política brasileira, com a posse de João Goulart. Empolguei-me pela possibilidade de transformação social e minha poesia acompanhou isso, recorda Gullar. Segundo o poeta, essa reconciliação com a linguagem coloquial foi fundamental para definir novos rumos para sua obra. Minha poesia de hoje é desdobramento disso. Costumo dizer que a poesia nasce da prosa. O que existe é a linguagem de todos. Uso e abuso dela, até da palavra chula. Nunca busquei o poema puro. 32 A escolha de quem pensa!

10 Não me preocupo com experimentalismos ou estéticas verbais. Quero um poema que nasça da vida, afirma. Foi no exílio que Ferreira Gullar escreveu seu livro de maior repercussão, Poema sujo, De volta ao Brasil, publicou uma série de ensaios sobre artes plásticas, sua segunda paixão, como Argumentação contra a morte da arte, além de uma Antologia poética. Barulhos, editado em 87, foi seu último livro de poemas. No ano seguinte, escreveu suas memórias em Rabo de foguete. Quando terminei Barulhos, tive a sensação nítida de que tinha me esgotado e não voltaria mais a escrever. Imaginei que a fonte tinha secado. Perdi a motivação e me senti vazio. Passava os meses sem ter vontade de escrever, conta Gullar. Cheguei a passar um ano sem produzir um poema. Mas, um belo dia, a fonte voltou a jorrar. Num quarto de hotel de Nova Iorque o poeta retomou a palavra. Meu Pai é dessa leva. A produção seria interrompida várias vezes até que, em 1994, Gullar conheceu sua atual mulher, a jovem poeta Cláudia Ahimsa, na feira do livro de Frankfurt dedicada ao Brasil. Isso para mim foi um renascer. Passei a escrever com muito mais frequencia. Foi um encontro inspirador, revela, sem medo de parecer um poeta romântico e comum. Em Muitas vozes ouve-se o eco de toda essa experiência acumulada ao longo de quase sete décadas. Da eterna luta corporal com a palavra presente em Sob a espada até a política expressa em versos de Queda de Allende, o novo livro apresenta um Gullar continuamente renovado. Eu mesmo não acredito que estou chegando aos 70 anos. Nunca pensei que chegaria lá. Para mim, ano 2000 era algo impensável, afirma. No entanto, a idade lhe reservou boas surpresas, junto com a descoberta do amor tardio. Nunca pensei que 70 anos fossem isso. Estou totalmente saudável, em plena vida, alegra-se o poeta, que parou de fumar há 10 anos e cortou a carne vermelha, as frituras e gorduras do seu cardápio, para dar uma ajudinha à sorte. Não gosto de contar vantagem não. A gente sabe que é mortal, mas nem sempre se lembra... felizmente. Cristiane Costa é subeditora de Ideias ENTREVISTA DE FERREIRA GULLAR Para compreendermos melhor as características desta obra de Ferreira Gullar, na há anda melhor que lermos o próprio autor falando da sua obra. Aprecie! O poeta Weydson Barros Leal, entrevista novamente o poeta Ferreira Gullar, [12 de julho de 1999], a propósito do livro Muitas Vozes, Ed. José Olympio, WEYDSON - Depois de 12 anos sem publicar poesia em livro, Muitas Vozes seria uma comemoração de 50 anos, já que seu primeiro livro, Um pouco acima do chão, é de 1949? GULLAR - A rigor está certo. Mas eu não levo em conta esse cálculo. Eu publiquei agora pensando nisso... Na verdade, eu passei esses 12 anos sem publicar apenas porque eu não tinha um número suficiente de poemas para constituir um livro. A partir de 1994, 95, quando eu conheci a Claudia (Claudia Ahimsa, poeta, namorada de Gullar) e saí da Funarte, houve unia retomada. Em 96 já havia alguns poemas, mas eu preferi deixar que aquele veio poético que estava se manifestando se esgotasse. Porque a minha poesia funciona um pouco como a mineração. De repente eu descubro esses veios até esgotá-los. A partir daí eu passo um tempo sem escrever. Assim, quando eu percebi que tinha um número suficiente de poemas, pensei: chegou a hora de publicar. WEYDSON - Lendo o livro, percebe-se que esse veio é de temática variada, há poemas sobre a vida, a morte, reminiscências da infância, etc... GULLAR - Pois é. No poema Evocação de Silêncios, o silêncio é o tema. Ali, tudo nasceu de uma lembrança de quando eu era garoto em São Luís, perto do Largo de Sant Aninha, onde tinha uma casa com um corredor que ia da calçada até o fundo. O piso dessa casa era de um tipo muito comum naquela época. Então eu lembrei de ter entrado nessa casa numa tarde de muito sol, enquanto brincava por ali, mais o i met7os 2 horas da tarde nessa hora em São Luís a barra é pesada, com muito calor - e eu entrei para descansar um pouco Eu já tinha um certo hábito de sentar ali, naquele chão frio, A escolha de quem pensa! 33

11 naquela casa silenciosa - lá, parece que morava apenas um casal idoso... WEYDSON - Eles lhe, viam? GULLAR - Não.. Tinha um corredor muito vazio... Eu ficava sentado tio chão frio, olhando aquele corredor, aquele piso, o silêncio, o vazio... Então, de repente, me veio a lembrança de tudo isso, e isso gerou o poema... Eu pensava que ia escrever só um poema, mas o primeiro desencadeou outros, e assim foi uma série de poemas que envolvem a quitanda do meu pai.. WEYDSON - E daí o açúcar... GULLAR-É.. Na quitanda do meu pai, abaixo das prateleiras de mercadorias, havia uns depósitos com tampas, onde tinha feijão, arroz--, açúcar, farinha... Eu lembro que cabia bastante, açúcar naquele depósito. Quando se levantava aquela tampa, vinha aquele cheiro cálido... E até hoje, mesmo em casa, quando eu abro um recipiente de açúcar, me vem aquela sensação, o cheiro cálido. Então, tio poema, o silêncio é o açúcar, é comparado ao açúcar, e está cheio de vozes. de tumulto. de alarido, da luz da manhã.. Esses são os veios de que eu falo. WEYDSON - A segunda parte do livro Muitas Vozes, você intitulou Ao Rés da Fala. O que há nesse título? GULLAR - Ali está a saída de um impasse. Quando eu terminei de escrever o último poema de Barulhos (I 9 8 7), eu percebi que havia nele muitos elementos prosaicos. Na minha visão, o poema é o lugar onde a prosa se transforma em poesia, é o lugar da metamorfose, onde o processo se dá. O poema não é uma coisa estática, terminada, ele é algo em processo. A leitura desencadeia o processo que está latente ali. Ao lê-lo, o leitor transforma a palavra em poesia. Naturalmente, o meu poema nunca é um poema puro, mas nele a prosa vira poesia, e portanto para haver poesia tem que haver a transformação. A gente sabe que o carvão dá o fogo, mas para haver o fogo tem que existir o carvão. Assim, no poema sempre haverá fogo e carvão. WEYDSON - E cabe ao poeta realizar a mistura, e determinar quando o fogo é suficiente, quando já há mais fogo que carvão... GULLAR - Em Nasce o poema (Barulhos, 1987), eu cheguei à conclusão que havia carvão demais. Então eu pensei: se eu puser mais prosa aqui, o avião bate no chão, não há mais como... E durante um certo tempo eu parei. WEYDSON - Como- resposta a esse mergulho, Ao Rés da Fala seria um recuo? GULLAR - Não, eles avançam, e são quase prosa. Porque neles não há a alquimia evidente que há normalmente em minha poesia, onde a palavra se choca com outra palavra.. Não há a palavra inesperada nesses poemas. _Há quase somente descrição, como no poema Fotografia de Mallarmé. WEYDSON - Eu discordaria apenas quanto à ausência da surpresa, da palavra inesperada, uma vez que o primeiro poema do livro ( Ouvindo apenas ) é extremamente elaborado, visceralmente sofisticado... GULLAR - Quando eu digo que esses poemas são prosa e que há neles um processo diferente, não é a alquimia Ali há uma superação do discurso diferente do que eu fazia em outros poemas. Na verdade, eles dão o tom do livro. Eu estou de acordo com você quando diz que os primeiros poemas são muito elaborados, mas, por exemplo, o primeiro poema é bem anterior aos outros. WEYDSON - A organização do livro, à exceção dos Poemas Resgatados, atende a uma ordem cronológica? GULLAR - Quase sempre eu adoto essa ordem cronológica porque acho que a minha poesia é uma reflexão. WEYDSON - Vejo que há poemas em Muitas Vozes cujos temas já aparecem em livros anteriores a Barulhos. GULLAR - É verdade Mas eu prefiro não interferir nisso; ninguém controla o processo da lida. Mas há uma lógica interna nesses poemas. Aí estão indagações e respostas que se sucedem progressivamente. Isso não quer dizer que eu desenvolva um processo filosófico, mas 34 A escolha de quem pensa!

12 são perguntas e respostas que vão ocorrendo durante a vida, por alguma razão que eu não sei mas que sei que existe. Eu acredito que o meu trabalho com a poesia é a lúcido, exigente, do artesão, mas o que faz o poema nascer, os elementos convocados para fazê-lo, isso eu deixo que venham como vier. Como se eu fosse um metalúrgico que trabalha com qualquer metal, que não fica exigindo prata ou ouro. Com o metal que ele acha que dá, ele faz. WEYDSON - Como seria esse processo, dando como exemplo um dos poemas de Muitas Vozes? GULLAR - Por exemplo: o poema Um Instante. Num domingo à tarde, nessa sala vazia, o sol, o silêncio e a claridade, eu sentei aqui (apontando uma cadeira) e de repente senti que estava pleno, leve, não tinha passado, não tinha futuro, sem culpas, sem remorsos, sem preocupações - era um instante, dois segundos que estão neste poema (pegando o livro e lendo o poema): Aqui me tenho como não me conheço nem me quis sem começo nem fim aqui me tenho sem mim nada lembro nem sei à luz presente sou apenas um bicho transparente Mas você ainda pode perguntar por que eu fiz o poema, e aí eu vou formular aqui, pela primeira vez a sua gênese: ele é o resultado da reflexão de alguém que pensa sobre o passado, nos problemas da memória, nas coisas que acabaram, e que ao mesmo tempo são um peso sobre sua vida. Então, o momento em que nada disso pesa, é um momento de liberdade e plenitude. De repente eu compreendo que estar sem mim é uma liberdade total. Por isso eu digo que é. um processo de pensamento que não é consciente mas que está sendo feito, e o poema nasce disso. Por isso eu penso que ao alterar essa ordem, eu posso estar violentando um processo mais profundo de reflexão que está tio poema. WEYDSON - Mas eu percebo no_ livro, ao lado de poemas que podem ser resultados desses processos, outros que parecem revelações instantâneas, como o poema Tato. GULLAR - É mais ou menos o mesmo processo... Eu sentei ali (apontando), passei a mão na cabeça, e de repente toquei meu osso. Aí eu pensei: -puxa, sou eu, eu existo, e em vez de dizer como Descartes penso, logo existo,, é o, contrario, toco, logo existo (risos). Em vez de me afirmar pelo pensamento, eu me afirmo pelo tato. Então eu existo aqui, e se isso vai acabar, se não houve antes, se é efêmero, não interessa, eu estou aqui concretamente. Agora, por que eventualmente alguém passa a mão na cabeça e não pensa isso? Por que outros poetas, que fizeram o mesmo gesto, não escreveram esse poema, e eu é que escrevi? Porque eu tenho um tipo de reflexão que faz com que esse ato gere uma resposta determinada. Talvez por isso as pessoas estejam dizendo que esse livro é um livro maduro, por e estão vendo que é um livro decorrente de uma reflexão que que vai sendo feita apesar de mim, uma reflexão subjacente, que termina provocando os poemas em face disso, quer dizer, de pequenos acontecimentos que se refletem nesse modo de ver o mundo. Essa é a razão por que esse tato me faz escrever o poema e o mesmo tato experimentado por outros poetas não os faz escrever ou faz com que escrevam outro, ou ainda que nem dêem importância a isso... WEYDSON Em Muitas Vozes, há reminiscências de infància, lembranças de pessoas que passaram por sua vida e não estão mais aqui, e há os Poemas Resgatados, aqueles que estavam nas gavetas. Depois do livro impresso, você ainda teve a sensação de que faltava algum poema, de que faltava alguém? GULLAR - Eu custei a entregar o livro ao editor. A Maria Amélia, minha querida amiga (diretora editorial da José Olympio), me cobrou muito o livro depois que leu uma entrevista em que eu dizia que o livro estava terminado. Mas eu fiquei ainda quatro meses lendo os poemas, A escolha de quem pensa! 35

13 largava, voltava, foi assim até nascer outro poema, que eu ainda incluí no livro, quando só então eu o dei por encerrado. WEYDSON - E a ideia dos Poemas Resgatados? Como foi tirá-los da gaveta? GULLAR - Eu já te contei essa história- Em 1970, um pouco antes de ir para o exílio, eu escrevi um poema sobre a minha casa em São Luís do Maranhão. Lá, naquela casa de assoalho de tábua corri ia um espaço de quase meio metro entre as tábuas e o chão. Às vezes caía dinheiro por entre as fendas, eu tirava uma tábua e entrava ali para buscar minha moeda que estava lá embaixo. Havia um cheiro forte, de décadas, de todo aquele pó, um pó preto que parecia pólvora. O poema era sobre isso, sobre a casa, essas coisas. Bem, ele estava escrito, mas eu ainda não sabia se estava pronto. A verdade é que eu tive de sair de casa correndo quando começou a minha vida clandestina, e não voltei mais. Quando eu já estava em Moscow, eu lembrei do poema, procurei entre as coisas que tinha levado e terminei pensando: perdi o poema. Foi aí que eu decidi reescrevêlo, e já em 1975 ele foi publicado no meu livro Dentro da Noite Veloz. O poema se chama A casa, e foi então traduzido em várias línguas, despertando interesse em muita gente, como nos meus tradutores nos Estados Unidos, na Alemanha, na Espanha, na Argentina, na Holanda.. Alguns anos depois, de volta do exílio, eu abri uma pasta de manuscritos que encontrei e lá estava o poema original, que agora está em Muitas Vozes. WEYDSON - Como ele se chama agora? GULLAR - Sob os pés da família. Mas então, quando eu li o poema que achei, era outro poema O tema era o mesmo, mas o que eu tinha escrito era outra coisa. Eu estava certo que tinha reconstituído tudo, e de repente era outro poema. Evidente que alguns pedaços são idênticos ou parecidos, mas é outro poema. Isso me provocou uma reflexão: se eu não tivesse perdido esse poema eu não teria escrito o outro. Quer dizer, a possibilidade de um mesmo tema gerar poemas diferentes. Porque a gente tem a suposição de que o poema que a gente escreve é a única forma possível do que se quer dizer, mas está provado que não é... WEYDSON - Então esse poema tem quase 30 anos... GULLAR. - É...(pensando)...ele é de 70. Mas entre os Poemas Resgatados há poemas ainda anteriores, quer dizer..(em dúvida)... pode haver alguns para frente... São poemas que foram apenas anotados.. Por exemplo: quando eu trabalhava na sucursal do Estadão (Jornal Estado de São Paulo) aqui no Rio, eu ficava sozinho lá no meu canto, anotava certas coisas, mas não dava tempo, os caras vinham, ô Gullar, escreve esse texto aqui!, e tal coisa... Então interrompia aquilo e eu fui tendo na minha gaveta um monte dessas anotações. Quando eu saí do Jornal, peguei tudo, pus dentro de uma pasta e trouxe para casa. E essa coisa ficou aí, guardada em outra gaveta. WEYDSON - E como você achou? GULLAR - É uma coisa estranha... Eu sou um organizado dispersivo - organizo tudo mas depois não acho: tá guardado em algum lugar, onde eu não sei. De repente eu fico achando, coisas guardadas que estavam perdidas. Foi assim que eu encontrei esses poemas. Quando eu comecei a ler, pensei: eu poderia dar uma forma definitiva a isso. Então trabalhei os poemas. Os Poemas Resgatados não estão como foram escritos, entretanto, eu os trabalhei com o espírito com que foram escritos. Eu tentei me reintegrar naquele ambiente e retomar os temas, as coisas.. WEYDSON - Haverá lançamentos fora do Rio de Janeiro? (O lançamento oficial no Rio ocorreu em 12 de julho de 1999). GULLAR - Eu pretendo fazer o lançamento lá em São Luís do Maranhão. Eu estou devendo essa ida à minha mãe, a meus irmãos, pois eu disse que iria no ano passado e não pude, tive que cancelar. Você sabe que tem um poema aqui (pegando o livro Muitas Vozes ) que foi escrito lá em São Luís? WEYDSON - Nos Poemas Resgatados? GULLAR - Não, nos novos. Eu escrevi tia última vez que estive lá, há uns três anos. Chama-se Volta a São Luís. É um poema do exílio ao contrário. Porque o Gonçalves 36 A escolha de quem pensa!

14 Dias, quando escreveu o dele ( Canção do Exílio ) estava tio exílio, e manifestou aquele sentimento, de forma muita bonita. as aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá. Quer dizer, elas são aves, estão cantando, eu estou ouvindo, mas não é a mesma coisa. E essa carência da sua terra, da sua pátria, foi manifestada por ele de forma muito especial. No caso do meu poema, eu estava num hotel lá em São Luís, com um jardim enorme, lindo, mas onde mal se consegue dormir porque muito cedo os bem-te-vis começam a cantar: bem-te-vi, bem-te-vi, te-vi, te-vi... E é uma algazarra. Aquilo foi gozado, porque onde eu morava, quando era menino em São Luís, também era cheio de bem-te-vis. Então, de repente, ouvindo esses bem-te-vis, eu estava ouvindo os bem-te-vis de minha infância, não era só aquele pássaro que estava ali, era o contrário, e o poema diz assim (pegando o livro e lendo o poema): Mal cheguei e já te ouvi gritar pra mim: bem te vi! E a brisa é festa nas folhas Ah, que saudade de mim! O tempo eterno é presente no teu canto, bem te vi (vindo do fundo da vida como no passado ouvi) E logo os outros repetem: bem te vi, te vi, te vi Como outrora, como agora, como no passado ouvi (vindo do fundo da vida) Meu coração diz pra si: as aves que lá gorjeiam não gorjeiam como aqui Aí foi o contrário (risos). O Gonçalves Dias sentiu longe que as aves que lá gorjeavam não gorjeavam como na sua terra; eu volto à minha terra, e ao ouvir o bem-te-vi percebo que as aves que gorjeiam. fora de São Luís, não gorjeiam como em São Luís. E olha que quando eu estava escrevendo o poema, eu não estava prevendo esse fim... WEYDSON - Em cada poeta, a sensibilidade se exercita ou se manifesta das mais diferentes formas. Em você, eu percebo algo muito curioso: a sua sensibilidade é igualmente apurada nos cinco sentidos, na audição dos barulhos, dos alaridos, no olfato que percebe o grito do açúcar, no tato de seu próprio corpo, na visão do sol, das coisas, no paladar das frutas que apodrecem... Ou seja, enquanto a maioria dos poetas trabalha muito mais com a percepção visual ou com a memória dessa percepção, você elabora seus poemas com igual densidade a partir da percepção ou da memória dos cinco sentidos. GULLAR - Eu nunca tinha percebido isso, mas você está dizendo uma coisa que é verdade. Eu sou muito sensorial, todas as coisas me tocam, as sensações têm um poder muito forte sobre mim: o cheiro das coisas, o tato, os sons (não só os musicais, mas o barulho, o silêncio - a ausência do barulho), e a coisa visual, que me é muito intensa. Eu acho que a percepção visual é a percepção mais inteligente, a mais humana. Eu digo mais humana porque as outras sensações são mais obscuras, ou seja, o olfato, o faro, é bem animal, assim como de certa forma o tato e a audição. E embora a audição não seja tão obscura, ela é incontrolável, os sons, os barulhos, te penetram independente de tua vontade; você não fecha o ouvido como fecha o olho. O ouvido não tem pálpebras. Por isso eu entendo muito bem quando o João (João Cabral de Melo Neto) diz que a música desarruma as coisas. Para que m é muito mental,. muito racional como o João é - que tem a necessidade de ser, porque ele é um homem muito sensível e tem a necessidade de controlar a sensibilidade - então, ele tem de criar aquela forma objetiva, estruturada, controlada, para não se desintegrar. Nesse sentido, a música vem e acaba com toda ordem. Ela tem uma ordem, mas é dela, não é a tua, da tua razão, da tua lucidez, pois o mundo é organizado por nós a partir da percepção visual Nós percebemos as distâncias, os objetos, a claridade do dia, mas todo esse conhecimento tem por base a percepção visual (...) A escolha de quem pensa! 37

15 FRAGMENTOS DA OBRA MUITAS VOZES Meu poema é um tumulto: a fala que nele fala outras vozes arrasta em alarido. (estamos todos nós cheios de vozes que o mais das vezes mal cabem em nossa voz: se dizes pera, acende-se um clarão um rastilho de tardes e açúcares ou se azul disseres, pode ser que se agite o Egeu em tuas glândulas) A água que ouviste num soneto de Rilke os ínfimos rumores no capim o sabor do hortelã (essa alegria) a boca fria da moça o maruim na poça a hemorragia da manhã tudo isso em ti se deposita e cala. Até que de repente um susto ou uma ventania (que o poema dispara) chama esses fósseis à fala. Meu poema é um tumulto, um alarido: basta apurar o ouvido. Inventário Vivo a pré-história de mim Por pouco pouco eu era eu José de Ribamar Ferreira Gullar Não deu O Gullar que bastasse não nasceu That Is The Question Dois e dois são quatro. Nasci cresci para me converter em retrato? em fonema? em morfema? Aceito ou detono o poema? Sob a Espada mas que sentido tem tecer palavras e palavras - amoras auras lauras carambolas - com esta mão mortal enquanto o tempo luze sua espada sobre mim? Para que armar mentiras se a água é água se a água é nuvem (entre meus pés) se a folha é por si só lâmina verde e corta e se meus dentes estão plantados em mim? nesta gengiva sim que sou eu mesmo e unha e ânus e anca e osso e pele e pêlo e esperma e escroto com que invento um verso torto Nasce o Poeta (parte 7) Na Quitanda A moça baunilha uma flama negra na quitanda morna confunde o sorriso com o sorrir das frutas seu cabelo de aço era denso e bicho seu olhar menina vinha da floresta sua pele nova um carvão veludo sua noite púbis uma festa azul misturada ao mel 38 A escolha de quem pensa!

16 no calor da tarde durou dois segundos? uma eternidade? ela aquele cheiro de casa de negros de roupa engomando rua do Coqueiro? ela sua saia de chita vermelha? hoje pe uma pantera guardada em perfume Nasce o Poeta (parte 10) A coisa e a Fala a boca não fala o ser (que está fora de toda linguagem): só o ser diz o ser a folha diz folha sem nada dizer o poema não diz o que a coisa é mas diz outra coisa que a coisa quer ser pois nada se basta contente de si o poema empresta às coisas sua voz - dialeto - e o mundo no poema se sonha completo Meu Pai Meu pai foi ao Rio se tratar de um câncer (que o mataria) mas perdeu os óculos na viagem quando lhe levei os óculos novos comprados na Ótica Fluminense ele examinou o estojo com o nome da loja dobrou a nota de compra guardou-a no bolso e falou: quero ver agora qual é o sacana que vai dizer que eu nunca estive no Rio de Janeiro Exercícios 01. Sobre Ferreira Gullar é incorreto afirmar: a) Publicou seu primeiro livro de poesia, Um Pouco Acima do Chão, em Publicou A Luta Corporal (1954) e Poemas (1958). b) Entre 1955 e 1959 participou da primeira fase do movimento da Poesia Concreta. c) Em 1959 rompeu com o Concretismo e publicou o Manifesto Neoconcreto no Jornal do Brasil. A partir de 1961 participou do movimento de cultura popular, integrando o CPC e a UNE. d) Foi preso, em 1968, e seguiu para o exílio político na Europa em Em 1975 foi publicado Dentro da Noite Veloz; seguiram-se Poema Sujo (1976). e) Nos anos de 1980 publicou Na Vertigem do Dia (1980), Toda Poesia (1980), Crime na Flora ou Ordem e Progresso (1986), Barulhos (1987); na década de 90 publicou Muitas Vozes (1999), com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia em Neste livro o autor retorna totalmente à sua fase mais engajada. 02. (UEPG ) Sobre o livro Muitas Vozes de Ferreira Gullar, assinale o que for correto. 01) No poema Tato, a certeza de existir é confirmada pela ponta dos dedos: o toque do poeta em seu próprio corpo ( mas o tato me dá / a consciente realidade / de minha presença no mundo ). 02) Os poemas são repletos de elementos de valor do cotidiano das pequenas comunidades. 04) Gullar, que comumente é visto como um poeta político, confere o apelo social aos poemas em Muitas vozes, dando lugarao discurso público em detrimento a questões de ordem privada. 08) Os poemas mostram um diálogo com o contemporâneo e o atemporal, enfatizam uma consciência de linguagem sobretudo na utilização de rimas, de detalhes sonoros e a utilização de poemas em quadra. A escolha de quem pensa! 39

17 16) A morte em segunda pessoa, em Muitas Vozes, será representada pelos poemas nos quais Gullar trata da morte daqueles que lhe são muito próximos, como Filhos e Visita. 03. (UFPR- 2008) Leia o texto com atenção. Ouvindo apenas e gato e passarinho e gato e passarinho (na manhã veloz e azul de ventania e ar vores voando) e cão latindo e gato e passarinho (só rumores de cão e gato e passarinho ouço deitado no quarto às dez da manhã de um novembro no Brasil) Acerca do poema acima reproduzido, considere as seguintes afirmativas: I. No plano da linguagem poética, pelo menos um dos procedimentos empregados pelo autor em Muitas vozes encontra-se exemplificado em Ouvindo apenas : o texto espacializado (a linguagem de base visual). II. O sujeito lírico de Ouvindo apenas mantém-se desligado do mundo objetivo, mostrando-se insensível a estímulos físicos. III. O emprego de quadras e tercetos isométricos associa Ouvindo apenas ao modelo estrutural do soneto. IV. O poema justapõe dois registros da realidade: fora dos parênteses, os elementos da realidade são relacionados de forma objetiva; dentro dos parênteses, fica evidenciada a atuação do componente subjetivo. V. Embora use recursos do fazer poético concretista, Ferreira Gullar harmoniza a ousadia formal com a representação da emoção. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I, IV e V são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras. e) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras. Texto para a questão 04 Redundâncias Ferreira Gullar Ter medo da morte é coisa dos vivos o morto está livre de tudo o que é vida Ter apego ao mundo é coisa dos vivos para o morto não há (não houve) raios rios risos E ninguém vive a morte quer morto quer vivo mera noção que existe só enquanto existo 04. (UEPG ) Analise as proposições e, considerando os aspectos do poema e a obra em que está inserido, assinale o que for correto. 01) Esse poema de Ferreira Gullar, do livro Muitas Vozes, reitera a temática da obra a morte algo simples, no entanto redundante, como o próprio título nos aponta. 02) Para o eu-lírico o vivo tem a ideia fixa da morte; o morto não tem noção do próprio estado em que se encontra, estado de puro nada. 04) Depreende-se no poema que para o morto, em seu estado atual, não há raios (metonímia: tempestades metáfora das tristezas), rios (metáfora das travessias da vida), e risos (metáfora das alegrias), só o estado do nada. 40 A escolha de quem pensa!

18 08) A repetição sonora da consoante R (nono verso: raios rios risos ), sem a pausa forçada das vírgulas, sugere a passagem veloz das imagens da vida imagens condenadas ao nada. 16) Os poemas que compõem Muitas Vozes condensam toda experiência do poeta, acumulada ao longo de quase sete décadas, em alguns, a morte ganha significados diferentes. Texto para a questão 05 Aprendizado Quando jovem escrevi num poema começo a esperar a morte e a morte era então um facho a arder vertiginoso, os dias um heroico consumir-se através de esquinas e vaginas agora porém depois de tudo sei que apenas morro GULLAR, Ferreira. Muitas Vozes (Adaptado). 05. (UEPG ) Com relação ao poema, assinale o que for correto. 01) A constatação da certeza da morte implica um desejo de morte, um fato desolador. 02) Em tom de desespero, o poeta então constata: sei que / apenas / morro. 04) O poema nos chama indiretamente a atenção para dois elementos: a memória e a velhice, questões importantes para a construção dessa ótica relativamente conformada. 08) O poeta compara suas duas posturas em face do objeto a morte que, se na juventude era percebido como algo heroico, um facho / a arder vertiginoso, um consumir-se / através de / esquinas e vaginas, agora, após toda uma vida, é visto com serenidade, com a sabedoria de quem há tempos desde então convive com esta reflexão e sabe que sua proximidade é real. 16) A morte se situa na obra com o significado de libertação. 06. Sobre as características literárias de Ferreira Gullar, marque a opção incorreta. a) Seus versos ora incorporam elementos da literatura de cordel, como em João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer (1962), ora se voltam para as tensões sociais e políticas do homem brasileiro, como em Dentro da Noite Veloz (1975) e Na Vertigem do Dia (1980). b) O pós-modernismo de 45 raiado de veios existenciais, a poesia concreta e neoconcreta, a experiência popularnacionalista do CPC, o texto de ira e protesto ante o conluio de imperialismo e ditadura, a renovada sondagem na memória pessoal e coletiva... são todos momentos de uma dialética da cultura brasileira de que Ferreira Gullar tem participado como ator de primeira grandeza. c) Ajudou a fundar o grupo Opinião e escreve com Oduvaldo Viana Filho a peça Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Com Dias Gomes escreve a peça Dr. Getúlio, sua vida e sua glória. d) com o Poema sujo, 1975, que Ferreira Gullar encontra a solução dos impasses políticos e estéticos que impediam-no de realizar uma poesia de primeira grandeza. Politicamente, ele rompe com o comprometimento explícito das obras da década de 1960, preferindo embutir a questão social nas ações e lembranças que o poema evoca. e) Após seu retorno ao país em 1977, Ferreira Gullar tornou-se o poeta pouco valorizado dentro da redemocratização brasileira, não voltando a ter forte atuação na área cultural. A escolha de quem pensa! 41

19 O GUARANI JOSÉ DE ALENCAR Dados biográficos José de Alencar nasceu em 1 de maio de 1829, em Mecejana, CE, e faleceu dia 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro, RJ. Era filho de José Martiniano de Alencar e Ana Josefina de Alencar. Desde a infância José apreciava a leitura, a vida sertaneja e a natureza, sob a influência do sentimento nativista que o pai revolucionário lhe passava. Em companhia dos pais, viajou do Ceará à Bahia, entre os anos de Seguiram para o Rio de Janeiro e nessa frequentou o Colégio de Instrução Elementar. Foi para São Paulo em 1844, onde cursou Direito. Voltou para o Rio de Janeiro, período em que exerceu sua profissão e colaborou no Correio Mercantil, além de escrever para o Jornal do Comércio. Foi eleito Deputado Federal pelo Ceará e Ministro da Justiça, porém não conseguiu ser Senador, sua maior ambição. Por não alcançar seu objetivo, abandonou a política e dedicouse somente à literatura. Em 1856, publicou Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, nesse mesmo ano lançou seu primeiro romance, Cinco Minutos. Publicou, em forma de folhetins, O Guarani, no ano de 1857; essa obra lhe rendeu popularidade. Escreveu romances indianistas, urbanos, regionais, históricos, obras teatrais, poesias, crônicas, romances-poemas de natureza lendária e escritos políticos. José de Alencar explorou em suas obras o movimento indianista. Em 1866, Machado de Assis elogiou fervorosamente a obra Iracema, de forma que o autor sentiu-se enobrecido. A admiração de Machado de Assis por José de Alencar era tanta que escolheu-o como patrono de sua Cadeira na Academia Brasileira de Letras. José de Alencar se preocupou em retratar sua terra e seu povo de tal forma que muitas obras suas relatam mitos, lendas, tradições, festas religiosas, usos e costumes observados por ele, com o objetivo de dar a feição do Brasil aos seus textos. Foi o escritor que facilitou a nacionalização da literatura no Brasil e consolidou o romance brasileiro. No ano de 1876, Alencar vendeu tudo o que tinha e viajou para a Europa com Georgina e seus filhos, buscando tratamento para sua tuberculose. Em 1877, Alencar morreu no Rio de janeiro, vítima da tuberculose. Principais obras I Romances urbanos: Cinco minutos (1857); A viuvinha (1860); Lucíola (1862); Diva (1864); A pata da gazela (1870); Sonhos d ouro (1872); Senhora (1875); Encarnação (1893, póstumo). II Romances históricos e/ou indianistas: O Guarani (1857); Iracema (1865); As minas de prata (1865); Alfarrábios (1873); Ubirajara (1874); Guerra dos mascates (1873). III Romances regionalistas: O gaúcho (1870); O tronco do ipê (1871); Til (1872); O sertanejo (1875). Resumo do Enredo Como observa o próprio Alencar, nas notas do autor, o título dado ao livro o guarani significa o indígena brasileiro. Peri, pois, protagonista da história, seria não só o representante da grande nação tupiguarani (da tribo dos goitacás), como também o símbolo do aborígine brasileiro em geral. 42 A escolha de quem pensa!

20 O Guarani foi publicado, inicialmente, sob a forma de FOLHETIM, de fevereiro a abril de Segundo consta, sua publicação fez grande sucesso na época, sendo os exemplares do jornal, em que era publicado, disputados avidamente pelo público leitor. O interesse era, talvez, semelhante ao que acontece hoje com as novelas de televisão. Além de O Guarani, Alencar publicou diversos outros romances, sendo, até hoje, um dos autores mais lidos da literatura brasileira. A crítica costuma dividir os seus romances em quatro grupos: 1. romances urbanos: A Viuvinha, Diva, Lucíola, Senhora, etc. cujo cenário é a corte do Rio de Janeiro; 2. romances históricos: As Minas de Prata e Guerra dos Mascates; 3. romances regionalistas: O Gaúcho, Sertanejo, O Tronco do Ipê; 4. romances indianistas: O Guarani, Iracema e Ubirajara. Importante observar que Alencar, no prefácio a Sonhos d Ouro, classifica O Guarani como romance histórico certamente levado por alguns elementos históricos que o livro apresenta. Mas, como observa Oscar Mendes, na introdução da coleção Nossos Clássicos, achamos de melhor alvitre arrolar O Guarani entre os romances indianistas, onde melhor se enquadra, pois o fundo verdadeiramente histórico da narrativa e por demais limitado e sem importância. O Guarani é um livro estruturado bem ao gosto romântico, pois o enredo contém ingredientes que lhe são próprios: amor, aventuras, vilões, além do exótico e do pitoresco dos personagens e do cenário. A rigor, o livro (como, de resto, todo romance romântico ) é muito mais uma novela que um romance. Basta lembrar que existe uma nítida preocupação pelo enredo, o que não acontece com o verdadeiro romance, cuja característica básica é a análise. Além do mais, O Guarani apresenta superficialidade de caracteres, inexistindo, nas personagens, densidade psicológica e traços que as caracterizam e personificam dentro do livro. Em geral, observa-se que os personagens seguem linhas preestabelecidas, bem ao gosto da época, com traços marcadamente simbólicos, inteiramente destituídas de personalidade. ENREDO E ESTRUTURA Em síntese, em O Guarani se contam as dramáticas lutas do fidalgo português D. Antônio de Mariz contra os índios que lhe assediam a casa e terras e contra a revolta dos homens d arma a seu serviço, estimulados pelo ex-frade italiano, Loredano. Encontra D. Antônio de Mariz leal e dedicado aliado na pessoa do índio Peri, fascinado pela beleza celestial de Cecília, filha de D. Antônio. Peri salva mais de uma vez a vida de Ceci, como a chamava, e, tornado cristão, recebe do fidalgo português a missão de salvar-lhe a filha quando, impossibilitado de resistir por mais tempo à investida numerosa dos selvagens, resolve destruir sua casa para não se render. Paralelamente, narram-se também no livro os amores de Isabel, filha natural de D. Antônio de Mariz, e do jovem fidalgo D. Álvaro de Sá. Todos esses fatos são colocados, detalhadamente, nas quatro partes que compõem o livro: Primeira Parte A primeira parte, intitulada Os Aventureiros, e que consta de quinze capítulos, faz uma descrição do lugar onde se achava a casa de D. Antônio de Mariz, situada às margens do rio Paquequer no interior do Estado do Rio. Está-se em 1604, época em que Portugal esta sob o domínio espanhol. Aliás, é por essa razão que o leal fidalgo português se refugia nesse recanto. Não pretendia prestar vassalagem ao rei da Espanha. Aqui sou português! Aqui pode respirar à vontade um coração leal, que nunca desmentiu a fé do juramento. Longe da civilização, nesse recanto semelhante a um castelo feudal da Idade Média, vivia o leal fidalgo com sua mulher, D. Lauriana; seu filho, D. Diogo; suas filhas Cecília e Isabel (esta última, filha natural tida como sobrinha ). Com o desenrolar da narrativa, novas personagens são introduzidas: Álvaro de Sá e Loredano que entram em ação já demonstrando uma rivalidade que sempre os acompanhará. É aqui que aparece o índio Peri às voltas com a captura de uma onça. Destaca-se ainda na primeira parte a trama de Loredano, frade renegado (= Ângelo di A escolha de quem pensa! 43

1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar

1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar 1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar nosso amor 4. Porque a gente discute nossos problemas

Leia mais

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

Leia mais

18 - A surpresa... 175 19 A fuga... 185 20 O atraso... 193 21 Vida sem máscaras... 197 22 - A viagem... 209 23 - A revelação...

18 - A surpresa... 175 19 A fuga... 185 20 O atraso... 193 21 Vida sem máscaras... 197 22 - A viagem... 209 23 - A revelação... Sumário Agradecimentos... 7 Introdução... 9 1 - Um menino fora do seu tempo... 13 2 - O bom atraso e o vestido rosa... 23 3 - O pequeno grande amigo... 35 4 - A vingança... 47 5 - O fim da dor... 55 6

Leia mais

LENDA DA COBRA GRANDE. Um roteiro de IVI SIBELI ROCHA DE BARROS DAIANE MONTEIRO POLIANA AGUIAR FERREIRA MARIA LUZIA RODRIGUES DA SILVA

LENDA DA COBRA GRANDE. Um roteiro de IVI SIBELI ROCHA DE BARROS DAIANE MONTEIRO POLIANA AGUIAR FERREIRA MARIA LUZIA RODRIGUES DA SILVA LENDA DA COBRA GRANDE Um roteiro de IVI SIBELI ROCHA DE BARROS DAIANE MONTEIRO POLIANA AGUIAR FERREIRA MARIA LUZIA RODRIGUES DA SILVA CRUZEIRO DO SUL, ACRE, 30 DE ABRIL DE 2012. OUTLINE Cena 1 Externa;

Leia mais

www.jyotimaflak.com Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak

www.jyotimaflak.com Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak www.jyotimaflak.com Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak Entrevista com Ezequiel Quem é você? Meu nome é Ezequiel, sou natural do Rio de Janeiro, tenho 38 anos, fui

Leia mais

MEU TIO MATOU UM CARA

MEU TIO MATOU UM CARA MEU TIO MATOU UM CARA M eu tio matou um cara. Pelo menos foi isso que ele disse. Eu estava assistindo televisão, um programa idiota em que umas garotas muito gostosas ficavam dançando. O interfone tocou.

Leia mais

Este testemunho é muito importante para os Jovens.

Este testemunho é muito importante para os Jovens. Este testemunho é muito importante para os Jovens. Eu sempre digo que me converti na 1ª viagem missionária que fiz, porque eu tinha 14 anos e fui com os meus pais. E nós não tínhamos opção, como é o pai

Leia mais

Só que tem uma diferença...

Só que tem uma diferença... Só que tem uma diferença... Isso não vai ficar assim! Sei. Vai piorar. Vai piorar para o lado dela, isso é que vai! Por enquanto, só piorou para o seu, maninho. Pare de me chamar de maninho, Tadeu. Você

Leia mais

CONVITE. Falecido em 2012, Manuel António Pina deixou uma obra singular, no campo da poesia, da crónica, da literatura infanto-juvenil e do teatro.

CONVITE. Falecido em 2012, Manuel António Pina deixou uma obra singular, no campo da poesia, da crónica, da literatura infanto-juvenil e do teatro. Dando continuidade a projetos anteriores, o Museu Nacional da Imprensa está a preparar várias iniciativas para assinalar o 71.º aniversário do nascimento (18.nov.1943) do jornalista e escritor Manuel António

Leia mais

JANELA SOBRE O SONHO

JANELA SOBRE O SONHO JANELA SOBRE O SONHO um roteiro de Rodrigo Robleño Copyright by Rodrigo Robleño Todos os direitos reservados E-mail: rodrigo@robleno.eu PERSONAGENS (Por ordem de aparição) Alice (já idosa). Alice menina(com

Leia mais

Cara Professora, Caro Professor,

Cara Professora, Caro Professor, A olhinhos menina de rasgados Cara Professora, Caro Professor, Estamos oferecendo a você e a seus alunos um belo livro de narrativa A menina de olhinhos rasgados, do premiado autor mineiro Vanderlei Timóteo.

Leia mais

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a João do Medo Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a mamãe dele. Um dia, esse menino teve um sonho ruim com um monstro bem feio e, quando ele acordou, não encontrou mais

Leia mais

Geração Graças Peça: A ressurreição da filha de Jairo

Geração Graças Peça: A ressurreição da filha de Jairo Geração Graças Peça: A ressurreição da filha de Jairo Autora: Tell Aragão Personagens: Carol (faz só uma participação rápida no começo e no final da peça) Mãe - (só uma voz ela não aparece) Gigi personagem

Leia mais

PROJETO DE LEITURA PRÉ-LEITURA

PROJETO DE LEITURA PRÉ-LEITURA PROJETO DE LEITURA PRÉ-LEITURA ATIVIDADES ANTERIORES À LEITURA INTENÇÃO: LEVANTAR HIPÓTESES SOBRE A AUTORA, SOBRE O LIVRO, INSTIGAR A CURIOSIDADE E AMPLIAR O REPERTÓRIO DO ALUNO Para o professor Ou isto

Leia mais

017. Segunda-Feira, 05 de Julho de 1997.

017. Segunda-Feira, 05 de Julho de 1997. 017. Segunda-Feira, 05 de Julho de 1997. Acordei hoje como sempre, antes do despertador tocar, já era rotina. Ao levantar pude sentir o peso de meu corpo, parecia uma pedra. Fui andando devagar até o banheiro.

Leia mais

DIANA + 3. Roteiro de Henry Grazinoli

DIANA + 3. Roteiro de Henry Grazinoli DIANA + 3 Roteiro de Henry Grazinoli EXT. CALÇADA DO PORTINHO DIA Sombra de Pablo e Dino caminhando pela calçada do portinho de Cabo Frio. A calçada típica da cidade, com suas ondinhas e peixes desenhados.

Leia mais

A Última Carta. Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. (The Walking Dead)

A Última Carta. Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. (The Walking Dead) A Última Carta Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. (The Walking Dead) E la foi a melhor coisa que já me aconteceu, não quero sentir falta disso. Desse momento. Dela. Ela é a única que

Leia mais

Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido.

Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido. Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido. Assim que ela entrou, eu era qual um menino, tão alegre. bilhete, eu não estaria aqui. Demorei a vida toda para encontrá-lo. Se não fosse o

Leia mais

Assim nasce uma empresa.

Assim nasce uma empresa. Assim nasce uma empresa. Uma história para você que tem, ou pensa em, um dia, ter seu próprio negócio. 1 "Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam" (Sl 115,1) 2 Sem o ar Torna-te aquilo

Leia mais

início contos e poemas que não deveriam ser esquecidos na gaveta Mariana Pimenta

início contos e poemas que não deveriam ser esquecidos na gaveta Mariana Pimenta início contos e poemas que não deveriam ser esquecidos na gaveta Mariana Pimenta Início contos e poemas que não deveriam ser esquecidos na gaveta Mariana Pimenta Lagoa Santa, 2015 Mariana Pimenta 2015

Leia mais

I. Complete o texto seguinte com as formas correctas dos verbos ser ou estar. (5 pontos)

I. Complete o texto seguinte com as formas correctas dos verbos ser ou estar. (5 pontos) I. Complete o texto seguinte com as formas correctas dos verbos ser ou estar. Hoje. domingo e o tempo. bom. Por isso nós. todos fora de casa.. a passear à beira-mar.. agradável passar um pouco de tempo

Leia mais

5 ADOLESCÊNCIA. 5.1. Passagem da Infância Para a Adolescência

5 ADOLESCÊNCIA. 5.1. Passagem da Infância Para a Adolescência 43 5 ADOLESCÊNCIA O termo adolescência, tão utilizado pelas classes médias e altas, não costumam fazer parte do vocabulário das mulheres entrevistadas. Seu emprego ocorre mais entre aquelas que por trabalhar

Leia mais

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar MELHORES MOMENTOS Expressão de Louvor Acordar bem cedo e ver o dia a nascer e o mato, molhado, anunciando o cuidado. Sob o brilho intenso como espelho a reluzir. Desvendando o mais profundo abismo, minha

Leia mais

POEMAS DE JOVITA NÓBREGA

POEMAS DE JOVITA NÓBREGA POEMAS DE JOVITA NÓBREGA Aos meus queridos amigos de Maconge Eu vim de longe arrancada ao chão Das minhas horas de menina feliz Fizeram-me estraçalhar a raiz Da prima gota de sangue Em minha mão. Nos dedos

Leia mais

AS TRÊS EXPERIÊNCIAS

AS TRÊS EXPERIÊNCIAS Nome: N.º: endereço: data: Telefone: E-mail: Colégio PARA QUEM CURSA O 8 Ọ ANO EM 2014 Disciplina: PoRTUGUÊs Prova: desafio nota: Texto para as questões de 1 a 7. AS TRÊS EXPERIÊNCIAS Há três coisas para

Leia mais

Alta Performance Como ser um profissional ou ter negócios de alta performance

Alta Performance Como ser um profissional ou ter negócios de alta performance Sobre o autor: Meu nome é Rodrigo Marroni. Sou apaixonado por empreendedorismo e vivo desta forma há quase 5 anos. Há mais de 9 anos já possuía negócios paralelos ao meu trabalho e há um pouco mais de

Leia mais

PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS

PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS BANCO DE QUESTÕES - PORTUGUÊS - 8º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================== BRINCADEIRA Começou

Leia mais

Texto 1 PRA DAR NO PÉ (Pedro Antônio de Oliveira)

Texto 1 PRA DAR NO PÉ (Pedro Antônio de Oliveira) PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS BANCO DE QUESTÕES - LÍNGUA PORTUGUESA - 3 ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ========================================================================== Texto 1 PRA DAR NO PÉ (Pedro

Leia mais

CENTENÁRIO DE JORGE AMADO «MINHAS MEMÓRIAS DE UMA LISBOA PROIBIDA»

CENTENÁRIO DE JORGE AMADO «MINHAS MEMÓRIAS DE UMA LISBOA PROIBIDA» CENTENÁRIO DE JORGE AMADO «MINHAS MEMÓRIAS DE UMA LISBOA PROIBIDA» 1. ESCRITORA MARIA DE LURDES BELCHIOR VEIO DO RIO DE JANEIRO A LISBOA PARA ME DEFENDER Foi na época de minha volta à França que também

Leia mais

Autor (a): Januária Alves

Autor (a): Januária Alves Nome do livro: Crescer não é perigoso Editora: Gaivota Autor (a): Januária Alves Ilustrações: Nireuda Maria Joana COMEÇO DO LIVRO Sempre no fim da tarde ela ouvia no volume máximo uma musica, pois queria

Leia mais

Ensino Português no Estrangeiro Nível A2 Prova B (13A2BA) 70 minutos

Ensino Português no Estrangeiro Nível A2 Prova B (13A2BA) 70 minutos Ensino Português no Estrangeiro Nível A2 Prova B (13A2BA) 70 minutos Prova de certificação de nível de proficiência linguística no âmbito do Quadro de Referência para o Ensino Português no Estrangeiro,

Leia mais

08. Camilo Alfredo Faigle Vicari

08. Camilo Alfredo Faigle Vicari 08. Camilo Alfredo Faigle Vicari Nascido em São Paulo, em 1976, é biólogo e estudante de mestrado na UNIFESP. Em 26 de agosto de 2010 recebi Camilo numa sala de reuniões da UNIFESP. Ele chegou às 18h e

Leia mais

FUGA de Beatriz Berbert

FUGA de Beatriz Berbert FUGA de Beatriz Berbert Copyright Beatriz Berbert Todos os direitos reservados juventudecabofrio@gmail.com Os 13 Filmes 1 FUGA FADE IN: CENA 1 PISCINA DO CONDOMÍNIO ENTARDECER Menina caminha sobre a borda

Leia mais

SARAMAU. Carolina Pereira Rodrigues e Milena da Silva

SARAMAU. Carolina Pereira Rodrigues e Milena da Silva SARAMAU Carolina Pereira Rodrigues e Milena da Silva CENA 1 Saramau entra no palco leve e com um ar de alegria e paz. ela acaba de compreender que ama de verdade José o seu marido. Ela entra chamando pelo

Leia mais

Transcriça o da Entrevista

Transcriça o da Entrevista Transcriça o da Entrevista Entrevistadora: Valéria de Assumpção Silva Entrevistada: Ex praticante Clarice Local: Núcleo de Arte Grécia Data: 08.10.2013 Horário: 14h Duração da entrevista: 1h COR PRETA

Leia mais

MARIANA: Fátima? Você tem certeza que seu pai vai gostar? Ele é meio careta, apesar de que é uma linda homenagem.

MARIANA: Fátima? Você tem certeza que seu pai vai gostar? Ele é meio careta, apesar de que é uma linda homenagem. Pais e filhos 1º cena: música ambiente (início da música pais e filhos legião urbana - duas pessoas entram com um mural e começam a confeccionar com frases para o aniversário do pai de uma delas (Fátima),

Leia mais

Segmentos da Entrevista do Protocolo 5: Alunos do Pré-Escolar

Segmentos da Entrevista do Protocolo 5: Alunos do Pré-Escolar Segmentos da Entrevista do Protocolo 5: Alunos do Pré-Escolar CATEGORIAS OBJECTIVOS ESPECÍFICOS S. C. Sim, porque vou para a beira de um amigo, o Y. P5/E1/UR1 Vou jogar à bola, vou aprender coisas. E,

Leia mais

DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESCOLA DOMINICAL

DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESCOLA DOMINICAL SUGESTÃO DE CELEBRAÇÃO DE NATAL 2013 ADORAÇÃO Prelúdio HE 21 Dirigente: Naqueles dias, dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou

Leia mais

Uma noite de verão, diz o ator, estaria no centro da história.

Uma noite de verão, diz o ator, estaria no centro da história. Uma noite de verão, diz o ator, estaria no centro da história. Nem um sopro de vento. E já ali, imóvel frente à cidade de portas e janelas abertas, entre a noite vermelha do poente e a penumbra do jardim,

Leia mais

Ato Único (peça em um ato)

Ato Único (peça em um ato) A to Ú nico Gil V icente Tavares 1 Ato Único (peça em um ato) de Gil Vicente Tavares Salvador, 18 de agosto de 1997 A to Ú nico Gil V icente Tavares 2 Personagens: Mulher A Mulher B Minha loucura, outros

Leia mais

PERTO DE TI AUTOR: SILAS SOUZA MAGALHÃES. Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma.

PERTO DE TI AUTOR: SILAS SOUZA MAGALHÃES. Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma. PERTO DE TI Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma. Jesus! Perto de ti, sou mais e mais. Obedeço a tua voz. Pois eu sei que tu és Senhor, o

Leia mais

www.rockstarsocial.com.br

www.rockstarsocial.com.br 1 1 Todos os Direitos Reservados 2013 Todas As Fotos Usadas Aqui São Apenas Para Descrição. A Cópia Ou Distribuição Do Contéudo Deste Livro É Totalmente Proibida Sem Autorização Prévia Do Autor. AUTOR

Leia mais

O Coração Sujo. Tuca Estávamos falando sobre... hm, que cheiro é esse? Tuca Parece cheiro de gambá morto afogado no esgoto.

O Coração Sujo. Tuca Estávamos falando sobre... hm, que cheiro é esse? Tuca Parece cheiro de gambá morto afogado no esgoto. O Coração Sujo Personagens - Tuca - Teco - Tatá - Tia Tuca e Tatá estão conversando. Teco chega. Teco Oi, meninas, sobre o que vocês estão falando? Tuca Estávamos falando sobre... hm, que cheiro é esse?

Leia mais

E sua sede começa a crescer Em angústia e desespero Enquanto os ruídos da cachoeira Da grande cachoeira das eras O convoca para mergulhar Mergulhar

E sua sede começa a crescer Em angústia e desespero Enquanto os ruídos da cachoeira Da grande cachoeira das eras O convoca para mergulhar Mergulhar Uma Estória Pois esta estória Trata de vida e morte Amor e riso E de qualquer sorte de temas Que cruzem o aval do misterioso desconhecido Qual somos nós, eu e tu Seres humanos Então tomemos acento No dorso

Leia mais

É a pior forma de despotismo: Eu não te faço mal, mas, se quisesse, fazia

É a pior forma de despotismo: Eu não te faço mal, mas, se quisesse, fazia Entrevista a Carlos Amaral Dias É a pior forma de despotismo: Eu não te faço mal, mas, se quisesse, fazia Andreia Sanches 04/05/2014 O politicamente correcto implica pensar que a praxe é uma coisa horrível.

Leia mais

Concurso Literário. O amor

Concurso Literário. O amor Concurso Literário O Amor foi o tema do Concurso Literário da Escola Nova do segundo semestre. Durante o período do Concurso, o tema foi discutido em sala e trabalhado principalmente nas aulas de Língua

Leia mais

Dinorah Anselmo Nasoni, aos 79 anos tem disposição de dar inveja a muita gente jovem Trabalha desde os 13 anos e não pensa tão cedo em se aposentar.

Dinorah Anselmo Nasoni, aos 79 anos tem disposição de dar inveja a muita gente jovem Trabalha desde os 13 anos e não pensa tão cedo em se aposentar. 16 Entrevista Dinorah Anselmo Nasoni, aos 79 anos tem disposição de dar inveja a muita gente jovem Trabalha desde os 13 anos e não pensa tão cedo em se aposentar. Fotos e texto: Alessandra Anselmi Fotos:

Leia mais

Informações e instruções para os candidatos

Informações e instruções para os candidatos A preencher pelo candidato: Nome: N.º de inscrição: Documento de identificação: N.º: Local de realização da prova: A preencher pelo avaliador: Classificação final: Ass: Informações e instruções para os

Leia mais

Xixi na Cama. Cara Professora, Caro Professor,

Xixi na Cama. Cara Professora, Caro Professor, Xixi na Cama Cara Professora, Caro Professor, Estamos oferecendo a você e a seus alunos mais um livro da coleção Revoluções: Xixi na Cama, do autor mineiro Drummond Amorim. Junto com a obra, estamos também

Leia mais

Olga, imigrante de leste, é empregada nessa casa. Está vestida com um uniforme de doméstica. Tem um ar atrapalhado e está nervosa.

Olga, imigrante de leste, é empregada nessa casa. Está vestida com um uniforme de doméstica. Tem um ar atrapalhado e está nervosa. A Criada Russa Sandra Pinheiro Interior. Noite. Uma sala de uma casa de família elegantemente decorada. Um sofá ao centro, virado para a boca de cena. Por detrás do sofá umas escadas que conduzem ao andar

Leia mais

Eu, Você, Todos Pela Educação

Eu, Você, Todos Pela Educação Eu, Você, Todos Pela Educação Um domingo de outono típico em casa: eu, meu marido, nosso filho e meus pais nos visitando para almoçar. Já no final da manhã estava na sala lendo um livro para tentar relaxar

Leia mais

ÇÃO Chico Buarque DORME A CIDADE RESTA UM CORAÇÃO MISTERIOSO FAZ UMA ILUSÃO SOLETRA UM VERSO LARGA MELODIA SINGELAMENTE DOLOROSAMENTE

ÇÃO Chico Buarque DORME A CIDADE RESTA UM CORAÇÃO MISTERIOSO FAZ UMA ILUSÃO SOLETRA UM VERSO LARGA MELODIA SINGELAMENTE DOLOROSAMENTE DOCE A MÚSICA SILENCIOSA LARGA MEU PEITO SOLTA-SE NO ESPAÇO FAZ-SE CERTEZA MINHA CANÇÃO RESTIA DE LUZ ONDE DORME O MEU IRMÃO... DORME A CIDADE RESTA UM CORAÇÃO MISTERIOSO FAZ UMA ILUSÃO SOLETRA UM VERSO

Leia mais

All You Zombies. Baseado no conto original de Robert A. Heinlein, All You Zombies, 1959. Versão Portuguesa, Brasil. Wendel Coelho Mendes

All You Zombies. Baseado no conto original de Robert A. Heinlein, All You Zombies, 1959. Versão Portuguesa, Brasil. Wendel Coelho Mendes All You Zombies Wendel Coelho Mendes Versão Portuguesa, Brasil Baseado no conto original de Robert A. Heinlein, All You Zombies, 1959 Esse conto é minha versão sobre a verdadeira história de All You Zombies,

Leia mais

INTERTÍTULO: DIANA + 1 FADE IN EXT. PRAIA/BEIRA MAR DIA

INTERTÍTULO: DIANA + 1 FADE IN EXT. PRAIA/BEIRA MAR DIA DIANA + 3 INTERTÍTULO: DIANA + 1 FADE IN EXT. PRAIA/BEIRA MAR DIA Pablo, rapaz gordinho, 20 anos, está sentado na areia da praia ao lado de Dino, magrinho, de óculos, 18 anos. Pablo tem um violão no colo.

Leia mais

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele O Plantador e as Sementes Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele sabia plantar de tudo: plantava árvores frutíferas, plantava flores, plantava legumes... ele plantava

Leia mais

Para gostar de pensar

Para gostar de pensar Rosângela Trajano Para gostar de pensar Volume III - 3º ano Para gostar de pensar (Filosofia para crianças) Volume III 3º ano Para gostar de pensar Filosofia para crianças Volume III 3º ano Projeto editorial

Leia mais

Teatro O Santo e a Porca ( 1957)

Teatro O Santo e a Porca ( 1957) Modernismo Teatro O Santo e a Porca ( 1957) Biografia Ariano Suassuna (1927-2014) foi um escritor brasileiro. "O Auto da Compadecida", sua obra prima, foi adaptada para a televisão e para o cinema. Sua

Leia mais

Meninas Nhe nhe. Eu Aff Chegando lá. Eu Gente estou com um mau pressentimento

Meninas Nhe nhe. Eu Aff Chegando lá. Eu Gente estou com um mau pressentimento Eu e umas amigas íamos viajar. Um dia antes dessa viagem convidei minhas amigas para dormir na minha casa. Nós íamos para uma floresta que aparentava ser a floresta do Slender-Man mas ninguém acreditava

Leia mais

HERÓIS SEM ROSTOS - A Saga do Imigrante para os EUA Autor: Dirma Fontanezzi - dirma28@hotmail.com

HERÓIS SEM ROSTOS - A Saga do Imigrante para os EUA Autor: Dirma Fontanezzi - dirma28@hotmail.com HERÓIS SEM ROSTOS - A Saga do Imigrante para os EUA Autor: Dirma Fontanezzi - dirma28@hotmail.com TRECHO: A VOLTA POR CIMA Após me formar aos vinte e seis anos de idade em engenharia civil, e já com uma

Leia mais

Aluno(a): Nº. Disciplina: Português Data da prova: 03/10/2014. P1-4 BIMESTRE. Análise de textos poéticos. Texto 1. Um homem também chora

Aluno(a): Nº. Disciplina: Português Data da prova: 03/10/2014. P1-4 BIMESTRE. Análise de textos poéticos. Texto 1. Um homem também chora Lista de Exercícios Aluno(a): Nº. Professor: Daniel Série: 9 ano Disciplina: Português Data da prova: 03/10/2014. P1-4 BIMESTRE Análise de textos poéticos Texto 1 Um homem também chora Um homem também

Leia mais

Amar Dói. Livro De Poesia

Amar Dói. Livro De Poesia Amar Dói Livro De Poesia 1 Dedicatória Para a minha ex-professora de português, Lúcia. 2 Uma Carta Para Lúcia Querida professora, o tempo passou, mas meus sonhos não morreram. Você foi uma pessoa muito

Leia mais

POR QUE BATISMO? PR. ALEJANDRO BULLÓN

POR QUE BATISMO? PR. ALEJANDRO BULLÓN POR QUE BATISMO? PR. ALEJANDRO BULLÓN "Pr. Williams Costa Jr.- Pastor Bullón, por que uma pessoa precisa se batizar? Pr. Alejandro Bullón - O Evangelho de São Marcos 16:16 diz assim: "Quem crer e for batizado,

Leia mais

PROJETO PEDAGÓGICO 1

PROJETO PEDAGÓGICO 1 PROJETO PEDAGÓGICO 1 Projeto Pedagógico Por Beatriz Tavares de Souza* Título: Maricota ri e chora Autor: Mariza Lima Gonçalves Ilustrações: Andréia Resende Formato: 20,5 cm x 22 cm Número de páginas: 32

Leia mais

Para pensar o. livro de imagens. Para pensar o Livro de imagens

Para pensar o. livro de imagens. Para pensar o Livro de imagens Para pensar o livro de imagens ROTEIROS PARA LEITURA LITERÁRIA Ligia Cademartori Para pensar o Livro de imagens 1 1 Texto visual Há livros compostos predominantemente por imagens que, postas em relação,

Leia mais

SOBRE ESTE LIVRO > SIGAM AS PISTAS...

SOBRE ESTE LIVRO > SIGAM AS PISTAS... As pistas e propostas de trabalho que se seguem são apenas isso mesmo: propostas e pistas, pontos de partida, sugestões, pontapés de saída... Não são lições nem fichas de trabalho, não procuram respostas

Leia mais

1. COMPLETE OS QUADROS COM OS VERBOS IRREGULARES NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E DEPOIS COMPLETE AS FRASES:

1. COMPLETE OS QUADROS COM OS VERBOS IRREGULARES NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E DEPOIS COMPLETE AS FRASES: Atividades gerais: Verbos irregulares no - ver na página 33 as conjugações dos verbos e completar os quadros com os verbos - fazer o exercício 1 Entrega via e-mail: quarta-feira 8 de julho Verbos irregulares

Leia mais

VALORES CULTURAIS (INDÍGENAS) KAINGANG

VALORES CULTURAIS (INDÍGENAS) KAINGANG VALORES CULTURAIS (INDÍGENAS) KAINGANG Um cacique kaingang, meu amigo, me escreveu pedindo sugestões para desenvolver, no Dia do Índio, o seguinte tema em uma palestra: "Os Valores Culturais da Etnia Kaingáng".

Leia mais

QUASE NADA Peça de Marcos Barbosa marcosbarbosa@hotmail.com

QUASE NADA Peça de Marcos Barbosa marcosbarbosa@hotmail.com QUASE NADA Peça de Marcos Barbosa marcosbarbosa@hotmail.com Antônio, Sara, Vânia e César. Sala da casa de Antônio e Sara. 1 Um longo silêncio. ANTÔNIO. Vai me deixar falando sozinho? Sara o fita e fica

Leia mais

Vida nova Jovens contam como superaram doenças graves. Depois de um câncer de mama aos 23 anos, Dolores Cardoso teve um filho, escreveu um livro e

Vida nova Jovens contam como superaram doenças graves. Depois de um câncer de mama aos 23 anos, Dolores Cardoso teve um filho, escreveu um livro e Sexta Vida nova Jovens contam como superaram doenças graves. Depois de um câncer de mama aos 23 anos, Dolores Cardoso teve um filho, escreveu um livro e mudou o rumo da vida profissional FOLHA DA SEXTA

Leia mais

Amor em Perspectiva Cultural - Mário Quintana. 1. A amizade é um amor que nunca morre. (Mário Quintana)

Amor em Perspectiva Cultural - Mário Quintana. 1. A amizade é um amor que nunca morre. (Mário Quintana) Page 1 of 5 Universidade Federal do Amapá Pró-Reitoria de Ensino de Graduação Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Disciplina: Filosofia da Cultura Educador: João Nascimento Borges Filho Amor em Perspectiva

Leia mais

7 Tal pai, tal filho. Acabada a assembléia da comunidade de. Cenatexto

7 Tal pai, tal filho. Acabada a assembléia da comunidade de. Cenatexto JANELA A U L A 7 Tal pai, tal filho Cenatexto Acabada a assembléia da comunidade de Júpiter da Serra, em que se discutiu a expansão da mineradora, dona Ana volta para casa com o Samuel, seu garotinho.

Leia mais

- Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento, não sabe?

- Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento, não sabe? Trecho do romance Caleidoscópio Capítulo cinco. 05 de novembro de 2012. - Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento, não sabe? Caçulinha olha para mim e precisa fazer muita força para isso,

Leia mais

Belo reparo. capítulo um. No Japão, eles têm o kintsugi a arte de remendar porcelanas. Hoje Nova York Apartamento de Cassandra Taylor

Belo reparo. capítulo um. No Japão, eles têm o kintsugi a arte de remendar porcelanas. Hoje Nova York Apartamento de Cassandra Taylor capítulo um Belo reparo Hoje Nova York Apartamento de Cassandra Taylor No Japão, eles têm o kintsugi a arte de remendar porcelanas preciosas com ouro. O resultado é uma peça que nitidamente foi quebrada,

Leia mais

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa.

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Encontro com a Palavra Agosto/2011 Mês de setembro, mês da Bíblia 1 encontro Nosso Deus se revela Leitura Bíblica: Gn. 12, 1-4 A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Boas

Leia mais

NOVE SEGREDOS SOBRE A MANHÃ

NOVE SEGREDOS SOBRE A MANHÃ NOVE SEGREDOS SOBRE A MANHÃ 1 Prefácio A página está em branco e não é página digna do nome que lhe dou. É vidro. Écran. Tem luz baça e fere os olhos pretos. Eu tenho demasiado sono para escrever papel.

Leia mais

Charles é um ser totalmente atrasado em relação à sociedade em que vive. Veio do interior e fica admirado com a imensidão da cidade grande.

Charles é um ser totalmente atrasado em relação à sociedade em que vive. Veio do interior e fica admirado com a imensidão da cidade grande. TEMPOS MODERNOS UM FILME DE Jeander Cristian, baseado na obra original de Charlie Chaplin. Pessoas apressadas andam pela cidade grande Tempo é dinheiro! Pessoas acessam informações em tempo recorde na

Leia mais

A ABDUZIDA. CELIORHEIS Página 1

A ABDUZIDA. CELIORHEIS Página 1 CELIORHEIS Página 1 A Abduzida um romance que pretende trazer algumas mensagens Mensagens estas que estarão ora explícitas ora implícitas, dependendo da ótica do leitor e do contexto em que ela se apresentar.

Leia mais

Ideionildo. E a Chave Azul. Pelo Espírito Vovó Amália. Robson Dias

Ideionildo. E a Chave Azul. Pelo Espírito Vovó Amália. Robson Dias Ideionildo E a Chave Azul Robson Dias Pelo Espírito Vovó Amália Livrinho da Série - As Histórias Que a Vovó Gosta de Contar (http:\www.vovoamalia.ubbi.com.br - Distribuição Gratuita) - A venda deste produto

Leia mais

Menu. Comidas típicas. Contribuições para o Brasil e Ijuí. Significado da bandeira Árabe. Costumes

Menu. Comidas típicas. Contribuições para o Brasil e Ijuí. Significado da bandeira Árabe. Costumes Árabes Componentes: Sabrina, Lucille,Giovana, M, Lucas C, João Vitor Z, Samuel. Disciplina: Estudos Sociais, Informática Educativa, Língua Portuguesa. Professores: Uiliam Michael, Cristiane Keller, Daniele

Leia mais

Pós-Modernismo. Literatura Professor: Diogo Mendes 19/09/2014. Material de apoio para Aula ao Vivo. Texto I. Poema Brasileiro

Pós-Modernismo. Literatura Professor: Diogo Mendes 19/09/2014. Material de apoio para Aula ao Vivo. Texto I. Poema Brasileiro Pós-Modernismo Texto I Poema Brasileiro No Piauí de cada 100 crianças que nascem 78 morrem antes de completar 8 anos de idade No Piauí de cada 100 crianças que nascem 78 morrem antes de completar 8 anos

Leia mais

Alô, alô. www.bibliotecapedrobandeira.com.br

Alô, alô. www.bibliotecapedrobandeira.com.br Alô, alô Quero falar com o Marcelo. Momento. Alô. Quem é? Marcelo. Escuta aqui. Eu só vou falar uma vez. A Adriana é minha. Vê se tira o bico de cima dela. Adriana? Que Adriana? Não se faça de cretino.

Leia mais

HISTÓRIA DE SÃO PAULO. Alunos: Tatiana Santos Ferreira, Joyce Cruvello Barroso, Jennifer Cristine Silva Torres dos Santos, Sabrina Cruz. 8ª série.

HISTÓRIA DE SÃO PAULO. Alunos: Tatiana Santos Ferreira, Joyce Cruvello Barroso, Jennifer Cristine Silva Torres dos Santos, Sabrina Cruz. 8ª série. EE Bento Pereira da Rocha HISTÓRIA DE SÃO PAULO Alunos: Tatiana Santos Ferreira, Joyce Cruvello Barroso, Jennifer Cristine Silva Torres dos Santos, Sabrina Cruz. 8ª série. História 1 CENA1 Mônica chega

Leia mais

Historinhas para ler durante a audiência dos pais. Pio Giovani Dresch

Historinhas para ler durante a audiência dos pais. Pio Giovani Dresch Historinhas para ler durante a audiência dos pais Pio Giovani Dresch Historinhas para ler durante a audiência dos pais Pio Giovani Dresch Ilustrações: Santiago Arte: www.espartadesign.com.br Contatos

Leia mais

É POSSÍVEL CONVIVER COM UM LOBO? Pr. Bullón. www.sisac.org.br

É POSSÍVEL CONVIVER COM UM LOBO? Pr. Bullón. www.sisac.org.br É POSSÍVEL CONVIVER COM UM LOBO? Pr. Bullón www.sisac.org.br "No capítulo 7 da epístola aos Romanos, encontramos o grito desesperado de um homem que não conseguia viver à altura dos princípios que conhecia.

Leia mais

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO.

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO. Roteiro de Telenovela Brasileira Central de Produção CAPÍTULO 007 O BEM OU O MAL? Uma novela de MHS. PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO. AGENOR ALBERTO FERNANDO GABRIELE JORGE MARIA CLARA MARIA CAMILLA MARÍLIA

Leia mais

Superando Seus Limites

Superando Seus Limites Superando Seus Limites Como Explorar seu Potencial para ter mais Resultados Minicurso Parte VI A fonte do sucesso ou fracasso: Valores e Crenças (continuação) Página 2 de 16 PARTE 5.2 Crenças e regras!

Leia mais

3. Meu parceiro poderia ficar chateado se soubesse sobre algumas coisas que tenho feito com outras pessoas.

3. Meu parceiro poderia ficar chateado se soubesse sobre algumas coisas que tenho feito com outras pessoas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA NÚCLEO DE ANÁLISE DO COMPORTAMENTO Caro(a) participante: Esta é uma pesquisa do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná e

Leia mais

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias Lucas Zanella Collin Carter & A Civilização Sem Memórias Sumário O primeiro aviso...5 Se você pensa que esse livro é uma obra de ficção como outra qualquer, você está enganado, isso não é uma ficção. Não

Leia mais

Tudo que você precisa saber a respeito de Deus está esta escrito no Salmo 23. Tudo que você precisa saber a teu respeito está escrito no Salmo 23.

Tudo que você precisa saber a respeito de Deus está esta escrito no Salmo 23. Tudo que você precisa saber a teu respeito está escrito no Salmo 23. Tema: DEUS CUIDA DE MIM. Texto: Salmos 23:1-6 Introdução: Eu estava pesando, Deus um salmo tão poderoso até quem não está nem ai prá Deus conhece uns dos versículos, mas poderosos da bíblia e o Salmo 23,

Leia mais

JANEIRO DE 2013,SEXTA FEIRA DIA 11. escrito por: Antפnio Carlos Calixto. Filho. Personagens: Dana de. Oliveira uma moça. simples ingênua morena

JANEIRO DE 2013,SEXTA FEIRA DIA 11. escrito por: Antפnio Carlos Calixto. Filho. Personagens: Dana de. Oliveira uma moça. simples ingênua morena OSUTERBOS DE 2013,SEXTA FEIRA DIA 11. JANEIRO escrito por: Antפnio Carlos Calixto Filho Personagens: Dana de Oliveira uma moça simples ingênua morena olhos pretos como jabuticaba,1.70a,sarad a cabelos

Leia mais

De Fernando Prado Registrado junto à Biblioteca do Rio de Janeiro / 2001 DRAMATURGIA 1 - Textos Reunidos

De Fernando Prado Registrado junto à Biblioteca do Rio de Janeiro / 2001 DRAMATURGIA 1 - Textos Reunidos Fragmentos Fragmentos Insólitos Fragmentos Insólitos Insólitos Fragmentos Fragmentos Insólitos Insólitos Fragmentos Insólitos Fragmentos Insólitos De Fernando Prado Registrado junto à Biblioteca do Rio

Leia mais

Geração Graças Peça: O livro das Parábolas A parábola do tesouro escondido (Mt 13:44)

Geração Graças Peça: O livro das Parábolas A parábola do tesouro escondido (Mt 13:44) Geração Graças Peça: O livro das Parábolas A parábola do tesouro escondido (Mt 13:44) Autora: Tell Aragão Colaboração: Marise Lins Personagens Menina Zé Bonitinho +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Leia mais

ROMANTISMO NO BRASIL - PROSA

ROMANTISMO NO BRASIL - PROSA AULA 12 LITERATURA PROFª Edna Prado ROMANTISMO NO BRASIL - PROSA Na aula passada nós estudamos as principais características da poesia romântica no Brasil.Vimos o fenômeno das três gerações românticas:

Leia mais

Avaliação 1 o Bimestre

Avaliação 1 o Bimestre Avaliação 1 o Bimestre NOME: N º : CLASSE: Na primeira unidade você leu uma letra de música do grupo Skank sobre a grande emoção que o futebol desperta na maioria dos brasileiros. Na segunda, você leu

Leia mais

Formação de PROFESSOR EU ME DECLARO CRIANÇA

Formação de PROFESSOR EU ME DECLARO CRIANÇA Formação de PROFESSOR EU ME DECLARO CRIANÇA 1 Especial Formação de Professor Por Beatriz Tavares de Souza* Apresentação O livro apresenta os princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança.

Leia mais

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Escola Municipal de Ensino Fundamental David Canabarro Florianópolis, 3892 Mathias Velho/Canoas Fone: 34561876/emef.davidcanabarro@gmail.com DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: Stefani do Prado Guimarães Ano

Leia mais

SOBRE A DESCONSTRUÇÃO ROMANESCA EM BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA

SOBRE A DESCONSTRUÇÃO ROMANESCA EM BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA SOBRE A DESCONSTRUÇÃO ROMANESCA EM BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA Kellen Millene Camargos RESENDE (Faculdade de Letras UFG; kellenmil@gmail.com); Zênia de FARIA (Faculdade de Letras UFG; zenia@letras.ufg.br).

Leia mais

A criança preocupada. Claudia Mascarenhas Fernandes

A criança preocupada. Claudia Mascarenhas Fernandes A criança preocupada Claudia Mascarenhas Fernandes Em sua época Freud se perguntou o que queria uma mulher, devido ao enigma que essa posição subjetiva suscitava. Outras perguntas sempre fizeram da psicanálise

Leia mais

PRIMEIRO BLOCO / ossos

PRIMEIRO BLOCO / ossos PRIMEIRO BLOCO / ossos dentes negros final.p65 9 S 10 s dentes negros final.p65 10 S 11 s Ninguém aqui teve infância, ela diz. E agora estamos envenenados até os ossos. Não é mais a típica conversa de

Leia mais

Depressão na Gravidez

Depressão na Gravidez De Depressão na Gravidez Um relato de uma mulher com Depressão na Gravidez O E-mail enviado por Gabriela, uma mulher que teve depressão durante a Gravidez e as respostas de apoio e ajudar à essa mulher.

Leia mais