NUANÇAS DO NARRADOR EM DOIS IRMÃOS DE MILTON HATOUM

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1 1 NUANÇAS DO NARRADOR EM DOIS IRMÃOS DE MILTON HATOUM Valdecir de Lima Santos 1 1 INTRODUÇÃO Ao longo da história da humanidade o homem passou por diversos processos de transformação comunicacional a fim de responder aos seus anseios e as novas necessidades que se originavam em consonância com o desenvolvimento tecnológico, político, social, econômico, cultural e literário. E assim, foi evoluindo, das pinturas de cavernas do paleolítico até a criação da escrita. Inserida neste contexto globalizado, onde cada vez mais as redes de comunicação e de poder se sedimentam, a literatura tornou-se um importante viés na (re)descoberta dos diversos espaços que a constitui, ao ampliar a percepção de mundo dos diferentes sujeitos. O romance Dois Irmãos do escritor Milton Hatoum(2000) traz, em sua narrativa essas marcas, sociais, políticas, econômicas e culturais que marcaram a cidade de Manaus do início do século XX até o ano de 1964, momento histórico em que o Brasil vivia sob a ação do regime militar. Além disso, destaca-se nesse período, na cidade de Manaus, um acelerado processo de transformações urbanistas, tornando-a organismo vivo, espaço fecundo a novas epistemes. Nesse contexto, esse romance considerado inovador aborda relações familiares conflituosa, marcada por profundas rupturas que ganham forma, cores e 1 Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e em Letras Vernáculas, pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Pós -Graduada em História Social e Cultura Afro-Brasileira pela União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens - PPGEL, na Universidade Estadual da Bahia. Professora da Escola Municipal Marechal Rondon, atuando no Segmento da Educação de Jovens e Adultos e como vice-gestora.

2 2 texturas à medida que a cidade vai se desenvolvendo, paradoxalmente e paralelamente, redesenhando o seu futuro. revisitando o seu passado, constituindo o seu presente e Na narrativa de Dois Irmãos, tem-se a relação antagônica entre os irmãos gêmeos Yakub e Omar, e suas relações com seus pais Zana e Halim, sua irmã Rânia, Domingas, a empregada da família, que vive com o casal desde a sua tenra infância, e o seu filho Nael. Neste trabalho, analisar-se-á apenas a personagem Nael, que cumpre o papel de narrar da história. Tal personagem é responsável por descrever as características humanas de cada personagem, pode ser assim encarado, como aquele que retira os véus da face de cada personagem-indivíduo, revelando seus vícios, defeitos, e suas relações antagônicas com a casa, a fim de responder ao questionamento que lhe aprisiona a alma: a incerteza quanto à sua paternidade. A partir dessa busca existencial, Nael torna-se uma figura singular, ao longo da narrativa, por ser, ao mesmo tempo, narrador-personagem e narrador-observador. Aquele que vive no quartinho localizado entre a casa e o cortiço, local no qual vai articulando seus pensamentos e costurando a colcha de retalhos que é a sua vida, na busca, incansável, pela identidade do seu pai. E assim, na medida em que ele se mobiliza entre os diversos mundos, o cortiço, a casa, a loja, a cidade, a escola, a casa dos vizinhos, a narrativa se movimenta, e se transforma, dando as personagens um novo renascimento, nova transitoriedade que provocam rupturas na narrativa, deixando, assim, marcas indeléveis. 2 NAEL: UM HOMEM QUE SABE CONTAR HISTÓRIA Fui sabendo de mim por aquilo que perdia pedaços que saíram de mim

3 3 com o mistério de serem poucos e valerem só quando os perdia[...]. Mia Couto A criação da escrita revolucionou a história da humanidade, dos escritos nas paredes das cavernas, aos pergaminhos, até a criação do códice [...] livros com páginas que são viradas (DARNTON, 2010, p. 40) o homem tem muita história para rememorar. No entanto, seus escritos, nunca puderam de fato manter-se isolado do processo da oralidade, porque estes de fato lhe procederam e lhe deram gestação. E assim, através da linguagem, o homem vem tecendo teias e construindo a sua história, ora usando a palavra, seja escrita ou oral, de forma dialógica, ou como forma de encobrir as desigualdades e as injustiças, alicerçando a manutenção da ordem vigente e o status quo de um grupo minoritário. A literatura, neste contexto da pós-modernidade, vem dando voz aos diversos sujeitos que compõem a narrativa, contribuindo para o desvelamento do mundo a partir de ações dialógicas. Cotejando as idéias de Paulo Freire (1987, p.90), a literatura [...] não pode ser muda, silenciosa, nem tampouco nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo, para não tornar-se mais uma arma das mais duras às mais sutis na manutenção do silêncio das camadas que vivem à margem da sociedade. Dizer e silenciar andam juntos... Há pois uma declinação de significados que resulta no silenciamento como forma não de calar mas de fazer dizer uma coisa, para não se deixar de dizer outras. Ou seja, o silêncio recorta o dizer. Esta é a sua dimensão política (ORLANDI apud SOUZA, 1995, p. 10). E é dessas relações antagônicas, de força do uso da palavra, que Nael desponta, com sua narrativa, no romance, Dois Irmãos(2000). Ele é um homem que sabe dar conselhos, carregando consigo o poder efêmero da rememoração, pois para construir a sua narrativa ele mergulha no passado, ele recorre à memória. Enquanto contador de história, Nael carrega consigo a arte de intercambiar experiências,

4 4 porque têm muito que contar, histórias vindas do além-mar, do longe espacial, pois ele é ao mesmo tempo o marinheiro comerciante, mas também a partir de vivências, tradições, assume as características do camponês sedentário (BENJAMIN, 1994, p. 198). Ele é um homem que (objetiva viajar) ou que viaja através das suas narrativas. E como afirma Otavio Ianni em A metáfora da viagem : Toda viagem se destina a ultrapassar fronteiras, tanto dissolvendo-as como recriando-as. Ao mesmo tempo em que demarca diferenças, singularidades ou alteridades, demarca semelhanças, continuidades, ressonâncias. Tanto singulariza como universaliza. Projeta no espaço e no tempo um eu nômade, reconhecendo as diversidades e tecendo as continuidades. Nessa travessia, pode reafirmar-se a identidade e a intolerância, simultaneamente à pluralidade e à intoçerância. Sob vários aspectos, a viagem desvenda alteridades, recria identidades e descortina pluralidades (IANNI, 1995, p ). Enquanto marinheiro comerciante, Nael tem experiência em dois tipos de rotas. A primeira, é que ele conhece o mundo através das histórias contadas por Halim, personagem estrangeiro, que deixou o seu país e aportou no Brasil, a fim de estabelecer uma nova trajetória de vida; ou por Yakub, brasileiro, que partiu do país e regressou com um novo olhar sobre o mundo, constituído a partir dessas novas vivências, dessa relação de troca de conhecimentos o que o tornou estrangeiro na sua terra natal. A segunda é quando ele viaja, mergulhando em si mesmo para desvelar o seu passado, estabelecendo um contato com o outro, com o diferente e consigo mesmo. Enquanto camponês sedentário, ele se apropria das histórias contadas pelos mais velhos da casa: sua mãe Domingas, seu avô Halim, e as demais personagens. E é estabelecendo esta troca, que Nael vai reconstruindo a sua identidade, que é recorrente dessa multiplicidade e pluralidade étnica de que é composto o povo brasileiro. E assim passo a passo uma simbiose se instaura no romance, há uma religação entre a tradição oral e a escrita, porque Nael se apropria da primeira e faz o que se pode denominar de movimento antropofágico literário, ou seja, passa a se

5 5 alimentar dessas narrativas orais para construir a sua narrativa, enquanto história escrita. A personagem Nael possibilita, na narrativa, uma interpenetração entre o velho e o novo, suscitando reflexões de caráter ímpar, acerca das diversas culturas que o circunscreve (indígena, libanesa, manauara). Embora viva no quarto dos fundos com a sua mãe Domingas, ele encontra-se no entre-lugar, espaço privilegiado onde testemunha inúmeros acontecimentos no romance: as desigualdades sociais do qual é vítima, junto ao sofrimento silencioso de sua mãe Domingas; o amor obsessivo de Zana por seu filho Omar; a estranha relação de Rânia com os irmãos; o desassossego de Halim ao vê o amor da esposa, Zana, se diluindo em detrimento do amor ao filho; e o jogo de poder entre os gêmeos Omar e Yakub. Nesta presença, que também é ausência, Nael busca nas suas lembranças, no seu passado desconhecido, jogado sei lá em que praia do rio (HATOUM, 2000), alcançar uma imagem de si mesmo ( BENJAMIN,1994, p ), pois embora transite livremente na casa, e todos sabem sê-lo filho de Omar, não é verdadeiramente reconhecido pela família como parte dela, embora possa algumas vezes sentar-se a mesa e alimentar-se com eles. Ele é o outro fragmentado, um incluído-excluído, que como sua mãe não tem os seus direitos assegurados e são tratados como indivíduos desprovidos do seu arkhé, eidos e ethos. E assim, o menino se torna homem, e continua a ocupar um lugar desigual junto a família, pois ao longo dos dias, ao invés de ter acesso a determinados bens e serviços, como debruçar-se sobre os seus estudos, ele tem que cumprir inúmeras tarefas que lhe são impostas, influenciando negativamente no seu desempenho escolar. Nestes momentos, Nael apenas desejava, distanciar-se o máximo possível da família de Halim e Zana. Suas aspirações poderiam parecer simplórias aos olhos de um expectador desatento, mas tudo que ele almejava era poder descansar, sentar no seu quartinho, e afastar de si, as inúmeras ordens, solicitações e pedidos da família (HATOUM, 2000).

6 6 Dialogando com as concepções de Martín-Barbero(2004), tudo que Nael aspirava, era garantir melhores condições de vida, de produção e de acesso ao saber, sem apagar as memórias, sem transtornar o sentido do tempo, a percepção do espaço, nem tão pouco ameaçar as identidades. E assim, Nael conta a sua história, e a de cada um deles, revelando seus pertencimentos étnicos, suas trajetórias de vida, suas culturas, seus saberes acumulados, assumindo para si as características da figura do narrador proposta por Walter Benjamin(1994). Nesta perspectiva, o ato de narrar, no romance Dois Irmãos ganha uma dimensão utilitária, ao dar visibilidade aos diferentes personagens que compõe a obra, permitindo principalmente aos que se encontram em locais periféricos rememorar o passado para se construir e compreender. SOCORRO, NÃO TÔ CONSEGUINDO CONCLUIR! CASA: LOCUS DO NADA A casa foi vendida com todas as lembranças todos os móveis todos os pesadelos todos os pecados cometidos ou em vias de cometer a casa foi vendida com seu bater de portas com seu vento encanado sua vista do mundo seus imponderáveis [...] (Carlos Drummond de Andrade, 1985, p.2). O universo ficcional, em uma narrativa, encontra-se em constante processo de transformação que se constituem de fatos múltiplos e plurais com características ímpares. Metamorfoseando-se, ele ganha novas cores, sons, texturas e acompanha as mudanças e os avanços de ordem tecnológica e social. E é desta forma que o romance Dois Irmãos se estrutura, transitando entre (des)construções identitárias, apropriandose de um espaço geográfico real e dando-lhe um caráter de verossimilhança. Este

7 7 espaço ficcional, geográfico, só ganha forma na medida em que outros espaços vão se constituindo. Nesta perspectiva o espaço torna-se elemento basilar para a narrativa, ao se delinear como se fosse um mosaico, em que os cenários, isoladamente, a escola, a loja, o orfanato, o cortiço, a casa são apenas partes de um todo. Apropriando-se do conceito da mecânica apresentado nos estudos de Irene Machado (2010) estas partes se orientam pelas coisas em si, que tomadas isoladamente, não iriam produzir nenhuma interação. No entanto, quando reagrupados, eles se situam numa relação dialógica e encontram respaldo nas concepções de Bakhtin, a exemplo da sua ênfase no [...] mundo do homem que fala, que se interroga sobre si, sobre seu entorno e, ao fazê-lo, articula relações interativas capazes de enunciar respostas a partir das quais constrói conhecimentos (BAKHTIN, 1998 apud MACHADO, 2010, p.2). São diversos mundos que transitam dentro de um único mundo, e assim, o romance Dois irmãos, abre um leque de possibilidades para estudos, que aqui neste momento se restringirá ao imbricado continuum espaço ficcional da casa. A palavra casa é originária do latim e significa cabana, casebre, lar, morada, moradia, local onde se habita. Desta forma a casa no romance se constitui um dos principais cenários dos acontecimentos da história, é nela que o desejo utópico impera, do lar doce lar. A casa é o nosso canto do mundo. Ela é como diz amiúde, o nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos. A casa é uma das maiores (forças) de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem [...]. Ela mantém o homem através das tempestades do céu e das tempestades da vida. É o corpo e é a alma. É o primeiro mundo do ser humano (BACHELARD, 2000, p ). A casa é locus do encontro, é onde vivem a família dos gêmeos, Omar e Yakub, seu pai Halin, sua mãe Zana e sua irmã Rania, onde, respectivamente, trabalha e transitam Domingas e seu filho Nael, o narrador-personagem da história. Um espaço que abriga uma família ligada por laços de amor que, passo a passo vai se fragmentando em face dos conflitos familiares instalados pelos gêmeos. Além disso,

8 8 percebem-se, no romance, as mudanças socioeconômicas que perpassam o país e que também atinge os negócios da família. E assim a casa vai incorporando na sua narrativa uma sucessão de mudanças, de caminhos percorridos, de encontros e desencontros reformas, declínios e venda em consonância com as transformações da cidade e de cada personagem da narrativa. A casa é [...] um espaço de construção, de movimento em que tudo se implica mutuamente e os elementos em ação interferem uns sobre os outros (BAKHTIN, 1998 apud MACHADO, 2010, p.2). É o local no qual lado a lado se manifesta, em relações dialógicas, o sagrado e o profano, o amor e o ódio, o público e o privado, a família e o social (FOCAULT, 1984). Neste espaço de mundos e micromundos, sociais e históricos, o romance organiza diferenciadas vozes dialógicas, que se incorporam umas as outras, coexistindo, confrontando-se, permutando-se (BAKHTIN, 1988, p. 357). Desta forma a casa, se constitui um espaço coletivo, onde várias histórias se contam ou se escrevem. Localizada em um ponto central da cidade, entre a igreja e o porto, na Rua dos Barés, ela é demarcada por diferenças sociais e afetivas. E é a partir deste universo ficcional que Nael, o personagem-narrador, rememora o passado e o vai desvelando e interligando ao presente, a partir das características de cada uma das personagens. A casa revela detalhes da vida cotidiana das personagens, e se configura como espaço sacralizado, na medida em que Zana nos seus devaneios, tenta sedimentar na narrativa a idéia de unidade familiar, fechando as portas da sua residência as mazelas do mundo exterior. Como se fosse possível dissociar da casa essa [...] mistura de gente, de línguas, de origens, trajes e aparências (HATOUM, 2000, p.53), essa ambivalência na qual os indivíduos, enquanto ser social, necessariamente precisa viver, em convivência com as diferenças e os diferentes, construindo alteridades.

9 9 No entanto, nos diálogos estabelecidos entre as personagens Yakub e Omar, observa-se que este lugar primeiro, que segundo Gaston Bachelard deveria ser um espaço feliz, de encontro, torna-se espaço de hostilidade, que no romance se ritualiza assumindo um caráter de desencontro. Cada um imprime no espaço marcas identitárias, pois [...] a casa é a própria pessoa, sua forma e seu esforço mais imediato (BACHELARD, 1993, p ), delineada a partir do próprio eu do sujeito e do seu desejo do vir a ser. Nesta perspectiva, a casa assume uma dupla função, ela se configura como um espaço de acolhimento, mas também como um espaço de isolamento, levando as personagens a se sentirem estrangeiros no seu próprio espaço, ou no espaço do outro. Dialogando com as ideias de Bakhtin (1988, p.222) as personagens do romance [...] não se encontram, porque não estavam em dado lugar ao mesmo tempo, ou ao mesmo tempo encontravam-se em lugares diferentes. E assim, vão formando essa tríade, origem, transformação e declínio, dessacralizando o continuum espaçoficcional da casa, nela. por estarem todos fisicamente mergulhados, (impregnados dela) Nessa tentativa de dar um sentido real a narrativa, a casa possui um valor ideológico, utópico. Quando é vendida, finda-se a possibilidade de recuperação dessa essência, deste tempo perdido, registrado através das paredes, da rede, do altar, do espelho, de cada cômodo. Concretiza-se a morte, real e simbólica, a esperança do resgate do amor entre os gêmeos e toda a família. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Adentrar neste universo ficcional do romance, Dois Irmãos, remete-nos a possibilidade de compreensão de que o homem encontra-se em constante processo de transformação identitária e espacial. Porque ele é um ser histórico, que abarca dentro de si anseios, necessidades e valores que vão transformando-se e revelando-se no seu modo de ver a vida.

10 10 A temática desenvolvida por Milton Hatoum (2000), questiona a realidade, (des)organiza a convivência e expressa diversos modos de encarar a vida, na medida em que as personagens vão sendo construídas, tornando-os, polêmicos, silenciosos ou reticentes, na ambiguidade existencial da sua subjetividade. E assim, Nael, através do seu aguçado senso crítico, levanta as contradições sociais e emocionais que constituem a casa, criando a possibilidade de apreensão da realidade, sem máscaras, nem disfarces. E, neste contexto, possibilita o desvelamento de verdades, tornando possível a compreensão da (des)construção do espaço ficcional a partir das diversas vozes dialógicas que compõe a narrativa. O romance, mesmo sendo uma obra de ficção, se origina de coisas que já aconteceram, que acontecem, ou que podem acontecer. Tal proposição decorre da compreensão de que as práticas discursivas encontram respaldo e sentido no cotidiano na medida em que o autor não corrobora com a morte do narrador, reflexões (ou reflexões que circunscrevem o pensamento de Walter Benjamin, (1994)) que nos envolve a essência de Walter Benjamin (1994)a luz de Benjamin (1994), e que esta narrativa acontece em um constante processo interacional implicando na indissociação de todos os sujeitos envolvidos ao longo da narrativa. Além disso, sinaliza caminhos a serem trilhados, é um convite a tornar o invisível visível, que é necessário manter a comunicabilidade, pois é justamente a incomunicabilidade que os levam ao não exercício da alteridade e a fragmentação das relações, a desconstrução da casa. REFERÊNCIAS ANDRADE, Carlos Drummond de. Boitempo. Rio de Janeiro: José Olympio, AMORIM, Marília. Cronotopo e exotopia. In: BRAIT, Beth. Bakhtin: outrosconceitoschaves. São Paulo: Contexto, BACHELARD, G. A Poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

11 11 BAKHTIN, M. M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Tradução do russo por Aurora Fornoni Bernardini et al. São Paulo: UNESP; Hucitec, BENJAMIN, Walter. O narrador: Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, COUTO, Mia. Raiz de Orvalho e outros poemas. Lisboa: Caminho, 2001, v. 3. DARNTON, Robert. A Questão dos livros: passado, presente, e futuro. São Paulo: Compainha das Letras FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, HATOUN, Milton. Dois Irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-Modernismo. Rio de Janeiro: Imago,1998. IANNI, Octavio. A metáfora da viagem. Caxambu: Anpocs, MACHADO, Irene. A Questão espaço-temporal em Bakhtin: cronotopia e exotopia. In: Luviane de Paula; GrenissaStafuzza. (Org.). Círculo de Bakhtin: teoria inclassificável. São Paulo: Mercado de Letras, 2010, v. 1, p MARTÍN-BARBERO, Jésus. Uma agenda para a mudança de século. Ofício decartógrafo. Travessias latino-americanas da comunicação na cultura. Tradução de Eidelina González. São Paulo: Loyola, MORAES, Alfredo de Oliveira. Encontro. Revista Symposium, Recife, v. 35, n. 1, p Jan-Jun/1993. MOTA, Sérgio Vicente. O Engenho da narrativa e sua árvore genealógica: Das origens a Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. São Paulo: Editora UNESP, OLIVIERI-GODET. Rita. Entre discursos: Literatura e história em Meu Querido Canibal. In: NOVAES, Cláudio Cledson, SEIDEL, Roberto Henrique (Org.). EspaçoNacional, fronteiras e deslocamentos na obra de Antonio Torres. Feira de Santana: UEFS Ed., 2010.

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