Delegação da Amadora 9 de julho de 2015

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1 Dinâmica de Defesa em sede de Inquérito As buscas e as declarações do arguido Delegação da Amadora 9 de julho de 2015

2 Art.º 64º Obrigatoriedade de assistência Art.º 141º Primeiro interrogatório judicial de arguido detido Art.º 357º Reprodução ou leitura permitidas de declarações do arguido

3 A razão de ser deste novo regime extrai-se da exposição dos motivos da proposta de Lei n.º 77/XII, apresentadas pelo Governo à Assembleia da República para aprovação das alterações ao código: A quase total indisponibilidade de utilização superveniente das declarações prestadas pelos arguidos nas fases anteriores ao julgamento tem conduzido, em muitos casos, a situações geradoras de indignação social e incompreensão dos cidadãos quanto ao sistema de justiça.

4 As declarações do arguido assumem uma dupla vertente MEIO DE PROVA MEIO DE DEFESA

5 Ac. Trib. Relação de Coimbra Proc. n.º 726/11.3TACBR.C1 de 25/02/2015 Não existe dispositivo legal que atribua força probatória plena às declarações do arguido, muito menos quando se trata de confissão de factos que lhes são favoráveis e não têm apoio em qualquer outro meio probatório, estando as suas declarações sujeitas ao critério geral da apreciação livre e motivada ( ) E a confissão apenas releva, em conformidade com elementares regras de bom senso e de experiência comum (por princípio ninguém confessa aquilo que o prejudica, salvo se estiver convencido da existência de outras provas e pretender beneficiar da atenuação) mas ainda com o princípio geral enunciado pelo art.º 353º do CC: confissão é o reconhecimento que a parte faz da realidade de um facto que lhe é desfavorável e favorece a parte contrária.

6 Só com a acusação o arguido conhece na íntegra: os factos que lhe são imputados os meios de prova que os indiciam o enquadramento jurídico-penal Princípio da vinculação temática e do acusatório Direito de defesa

7 O nosso processo penal tem uma natureza e estrutura acusatória, sendo o seu objecto balizado pela acusação ou pronúncia, se a houver = Tal peça processual baliza o objecto/tema de prova

8 Redacção da L. 26/2010, de 30 Agosto 20ª alteração L. 20/2013, de 21/2 Artigo 357º Artigo 357º Leitura permitida de declarações do Reprodução ou Leitura permitidas de declarações do arguido arguido 1 - A leitura de declarações 1 - A reprodução ou leitura de declarações anteriormente anteriormente feitas pelo arguido só é feitas pelo arguido no processo só é permitida: permitida: a) A sua própria solicitação e, neste caso, seja qual for a a) A sua própria solicitação e, neste entidade perante a qual tiverem sido prestadas; ou caso, seja qual for a entidade b) Quando tenham sido feitas perante autoridade perante a qual tiverem sido judiciária com assistência de defensor e o arguido tenha sido prestadas; ou informado nos termos e para os efeitos do disposto na alínea b) Quando, tendo sido feitas perante b) do n.º 4 do artigo 141.º. o juiz, houver contradições ou 2 - As declarações anteriormente prestadas pelo arguido discrepâncias entre elas e as feitas reproduzidas ou lidas em audiência não valem como em audiência. confissão nos termos e para os efeitos do artigo 344.º. ( ) ( )

9 Requisitos: - prestadas perante juiz - contradições ou discrepâncias entre as anteriores e as de julgamento Requisitos: - prestadas perante autoridade judiciária - assistência de defensor - informação nos termos e para os efeitos da al. b) do n.º 4 do art.º 141.º

10 Dilema = Declarações poderão ser importante ferramenta de sustentação da acusação Versus Ponderação das consequências do silêncio do arguido

11 Chegados a julgamento qual a relevância das declarações do arguido e do seu direito ao silêncio? Ao arguido continua reservado o direito de se remeter ao silêncio, mas sem efeito sobre as declarações já prestadas. = É este o alcance da al. b) do n.º 4 do art.º 141º do CPP. Desconsideração do princípio de imediação do princípio da garantia judiciária

12 Ac. Trib. Relação Coimbra Proc. n.º 212/11.1GACLB.C1 de 04/02/2015 O art.º 357º n.ºs 1 a 3 do CPP é claro no sentido de que a valoração das declarações prestadas pelo arguido devidamente informado nos termos do art.º 141º n.º 4 al. b) do mesmo código, exige a reprodução ou leitura das mesmas em audiência de julgamento, para cumprimento do contraditório e embora de algum modo limitado, dos princípios da imediação e da oralidade. ( ) Não tendo sido lidas em audiência de julgamento as declarações prestadas pelo arguido no inquérito, a valoração das suas declarações constitui valoração proibida de prova, nos termos do art.º 355º do CPP.. ( ) Sendo nula a sentença recorrida, nos termos do art.º 122º n.º 1 CPP, por violação do disposto nos art.ºs 355º e 357º do mesmo código.

13 O julgamento foi até esta alteração a sede nobre do processo penal, o local onde se projectam e convergem os princípios decorrentes da matriz constitucional de um processo penal de estrutura acusatória, sendo que presentemente assistimos a uma migração da centralidade processual para a fase de inquérito, onde a partir de agora parece que tudo se joga e decide.

14 GARANTIAS DO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO BUSCAS E APREENSÕES NO ESCRITÓRIO DE ADVOGADO Escritório do advogado Depósito do seu segredo profissional (art.º 87º EOA)

15 Pressupostos das buscas Art.º 177º n.º 5 CPP Autorizadas ou ordenadas por despacho judicial (art.º 268º n.º 1 al. c) do CPP) Presididas obrigatoriamente por juiz, sob pena de nulidade (art.ºs 118º e 177º n.º 5 CPP) Presença da Ordem ou Delegação (art.ºs 70º e 72º EOA), sob pena de irregularidade Realizadas, s/consentimento, só entre as 7h e as 21h, salvo situações do 177º n.º 2 CPP e 34º n.º 3 CRP

16 FUNÇÕES DOS REPRESENTANTES DA ORDEM Art.º 70º EOA Verificar se o despacho está formalmente correcto (deve conter razões que a fundamentam e os seus contornos gerais) Se o escritório é ocupado por mais de um advogado e se existem espaços exclusivamente utilizados por um deles Se o advogado é arguido e sendo-o qual o objecto de imputação Não sendo arguido, qual é o objecto do processo e a quem respeita Apresentar reclamações (oralmente seguindo-se fundamentação por escrito em 5 dias)

17 Pressupostos das apreensões Art.º 178º e 180º do CPP Limite definido pelo que for susceptível de pôr em causa o segredo profissional Só poderão ser apreendidos os que possam ser susceptíveis de servir de prova ao crime objecto de investigação (derrogação do sigilo) Não pode constituir meio de prova a correspondência confidencial trocada entre advogados (art.º 108º EOA)

18 DEFENSOR ADVOGADO ARGUIDO

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