Análise dos sistemas de educação superior no Brasil e em Portugal: o que apontam as políticas educacionais

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1 1394 Análise dos sistemas de educação superior no Brasil e em Portugal: o que apontam as políticas educacionais X Salão de Iniciação Científica PUCRS Jonas Tarcisio Reis, Bolsista de Iniciação Científica Marlis Morosini Polidori (orientadora) Centro Universitário Metodista IPA Grupo de Pesquisa em Avaliação Institucional e Políticas Educacionais Resumo: Atualmente, no Brasil existem mais de 2000 instituições de educação que oferecem formação em nível superior no país. Nessa perspectiva, esta pesquisa visará traçar um paralelo analítico-comparativo entre os principais índices e indicadores de qualidade da educação superior do Brasil e de Portugal e suas influências em políticas educacionais. Objetiva-se, também, construir abordagens metodológicas qualitativas e quantitativas, com análises de instrumentos e relatórios de avaliação, índices e indicadores, censos e demais documentos, disponibilizados por ambos os países através de seus órgãos governamentais sobre o desenvolvimento da educação superior envolvendo os cursos de graduação e de pósgraduação. Trata-se de uma pesquisa conjunta, firmada através de um acordo de cooperação internacional entre a Universidade de Brasília UnB (Brasil), o Centro Universitário Metodista - IPA (Brasil), a Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (Brasil) e o Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior CIPES (Portugal). A pesquisa visa contribuir no campo e na discussão científica que englobam educação superior e políticas educacionais, com um desenho metodológico próprio, numa interface dialógica concernente a uma pesquisa que congrega método qualitativo e quantitativo nos atos de pesquisar e gerar conhecimento. Palavras-chave: educação superior, análise comparativa de sistemas de educação, políticas educacionais. Objetivo geral Realizar análises comparativas entre os principais índices e indicadores de qualidade da Educação Superior do Brasil e de Portugal e suas influências em políticas educacionais. Objetivos específicos Analisar o processo de desenvolvimento do ensino superior em ambos os países em relação à: vagas, instituições, alunado (ingressantes e concluintes), cursos, docentes, processo seletivo e sua influência no desenvolvimento científico, social, político, econômico, artísticocultural, tecnológico, necessários à melhoria da qualidade da vida no país.

2 1395 Conhecer o perfil dos estudantes - aspectos sócio-demográficos, familiares, sócioeconômicos, e suas relações com o processo de formação, a escolha profissional e a construção da cidadania. Analisar processos avaliativos dos cursos (bacharelado, licenciatura e tecnológicos) e instituições de ensino superior de acordo com os sistemas de avaliação da educação superior de ambos os países, investigando o quanto a qualidade dos cursos impacta na empregabilidade, mobilidade e justiça social. Analisar a evolução dos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) a partir da década de 1970 e sua influência na qualidade global da Educação Superior. Justificativa O sistema de educação superior caracteriza-se, no âmbito das políticas públicas de um país, como alavanca articuladora para garantir a oferta de um ensino de graduação e pósgraduação de qualidade, na busca de uma formação sólida para os cidadãos, envolvendo não somente a construção de um profissional competente, mas, também, de sujeitos responsáveis e comprometidos com as questões relevantes relacionadas à área social, econômica e cultural de cada país. Enquanto elo integrador entre as demandas da sociedade e as políticas educativas, o sistema de Educação Superior contribui para desencadear processos mais globais de crescimento do país. Assim, as formas de expansão da educação superior têm sido foco de discussão em âmbito mundial. Alguns países, em seu processo de desenvolvimento, apresentam a necessidade de expansão do número de indivíduos ingressantes no nível superior por demandas econômicas e sociais. Outros países, apresentando características distintas no seu processo evolutivo, começam a se preocupar na reorganização de suas vagas ofertadas para alunos do ensino superior devido a não ocupação na sua totalidade. Neste contexto, é possível identificar o Brasil na primeira situação e Portugal, na segunda. Ambos os países passaram por mudanças recentes e significativas no âmbito do desenvolvimento e da expansão da educação superior, justificando novas abordagens, organização e processos de acompanhamento e avaliação. Em Portugal, a recente implementação da Declaração de Bolonha exigiu re-adaptações da sua oferta formativa e reorganização dos cursos. No Brasil, a implantação, a partir do ano de 2008, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Reuni, vem

3 1396 apontando para a premente re-configuração de desenhos e abordagens na praxis acadêmica. E ainda, as novas abordagens no atual SINAES inserindo indicadores de rendimento e possibilitando novamente o ranqueamento de cursos e IES vem interferindo, significativamente, no desenvolvimento de políticas públicas educacionais. No entanto, as questões relativas a expansão da oferta da Educação Superior nesses países não se apresentam lineares. No contexto de Portugal, as vagas ofertadas para a educação superior não são preenchidas, ou seja, sobram vagas nas Instituições de Ensino Superior (IES) devido a problemas relacionados com a população - não há candidatos suficientes para atender as vagas. No Brasil, país que demonstra uma grande necessidade de expansão de suas vagas tendo em vista a política de formação de sua população 1, também sobram cerca de 40% das vagas ofertada, considerando todos os estados do país (CENSO 2006). No caso brasileiro, vários fatores parecem explicar a existência do grande número de vagas ociosas, não obstante a baixa taxa de escolarização líquida (12,1%) na educação superior. Por um lado, o que vem ocorrendo é que as vagas ociosas encontram-se na quase totalidade em instituições de educação superior privadas e pagas, indicando possível incapacidade de pagamento das mensalidades por parte dos estudantes. Com a crescente democratização da educação básica, muitos jovens de classes baixas começam a chegar à universidade. Como as universidades públicas e gratuitas oferecem vagas em número insuficiente para atender a toda a demanda, resta-lhes a alternativa do ensino superior pago. Com objetivo de atrair a população excedente das universidades públicas, e possivelmente para espantar a instalação de instituições concorrentes, o setor privado tende a oferecer vagas em grandes quantidades, muitas vezes sabendo que dificilmente serão preenchidas. Observase, não raro, também um total desequilíbrio na oferta: (1) grande quantidade de oferta de vagas de um determinado curso oferecido em região onde não há egressos em número suficiente do ensino médio; (2) vagas ofertadas nos grandes centros dos principais estados enquanto as regiões de periferia não estão sendo atendidas; (3) grande concentração de oferta de vagas em cursos específicos como Administração, Direito e Pedagogia, contemplando um leque muito limitado de possibilidades. No caso português, onde o índice de jovens entre 18 a 24 anos que freqüentam o 1 Nos países da OCDE, a porcentagem de jovens entre 18 e 24 anos, que freqüentam o ensino superior é, em média, de 30%. No Japão (90%), na Bélgica (80%), na França (79%), em Portugal (66%), na República Checa (63%), na Hungria (62%), na Suécia (61%), na Coréia do Sul (60%), na Grécia (56%) e na Nova Zelândia (50%). (OCDE, 2007). No Brasil, o índice encontra-se ao redor de 13%.

4 1397 ensino superior alcança cerca de 66%, as vagas não são preenchidas devido ao envelhecimento da população e ao êxodo destes jovens para os grandes centros nacionais e internacionais. Importante evidenciar que ambos os paises apresentam sinais da evolução do sistema de educação superior considerando a implantação de sistemas de avaliação nesse nível de ensino. Foi a partir da década de 1990 que estes países, respeitando suas peculiaridades e trajetórias, introduziram ações de avaliação com o objetivo de acompanhar seus sistemas de educação superior. Em Portugal, no ano de 1994, foi aprovada a lei de Avaliação sendo um protocolo assinado entre Ministério da Educação, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e a Fundação das Universidades Portuguesas em 1995, com a proposta de desenvolver o processo de avaliação das universidades públicas e da Universidade Católica. Para os politécnicos públicos e privados e as Instituições de Ensino Superior privadas, os protocolos foram assinados em 1998 e 1999 respectivamente. No Brasil, é possível considerar que o processo de avaliação da educação superior está dividido em quatro ciclos. O primeiro ciclo compreendeu o período de 1986 a 1992, momento em que houve várias iniciativas de organização de um processo avaliativo e a existência de ações isoladas no país, mas que não se constituiu em uma avaliação de caráter nacional. O próximo ciclo foi no período de 1993 a 1995, denominado de formulação de políticas e instalação do Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB). O terceiro ciclo envolveu de 1996 a 2003 e denominou-se de consolidação ou implementação da proposta governamental. Ocorreu o desenvolvimento do Exame Nacional de Cursos (ENC), o Provão, e da Avaliação das Condições de Oferta (ACO), depois passando a ser chamada de Avaliação das Condições de Ensino (ACE); houve, ainda nesse período, algumas portarias para regulamentar e organizar a avaliação das IES. O último ciclo envolve desde o ano de 2003 até a fase atual. Este ciclo é denominado de construção da avaliação emancipatória com a implantação do SINAES 2, numa proposta de se desenvolver uma avaliação formativa e que considere as especificidades das IES integradas em um sistema nacional. Vários elementos contribuem para a realidade de cada um desses países, inclusive seus históricos de desenvolvimento. Neste sentido, através da utilização das diversas informações já pesquisadas e sistematizadas acerca dos sistemas de educação superior, propõe-se realizar uma análise das informações existentes nos dois países com o propósito de conhecer, analisar

5 1398 e sugerir o desenvolvimento e eventual re-direcionamento das políticas educacionais pautadas em indicadores gerais e de indicadores de qualidade para os sistemas de educação superior dos dois países, com impacto em suas políticas de desenvolvimento global. Metodologia Buscar-se-á, construir abordagens metodológicas qualitativas e quantitativas, com análises de instrumentos e relatórios de avaliação, índices e indicadores, censos e demais documentos, disponibilizados por ambos os países através de seus órgãos governamentais sobre o desenvolvimento da educação superior envolvendo os cursos de graduação e de pósgraduação. O Desenho metodológico adotado para a pesquisa prevê a existência de três eixos distintos independentes e complementares, sendo eles: Eixo 1: Análise do histórico da evolução da educação superior, com as principais questões a serem respondidas: Como cada país vem enfrentando, historicamente, a democratização do acesso à educação superior? Quais as principais evidências de mudanças quanto à situação sócio-econômica, raça/etnia, gênero, faixa etária e outros, apontadas pelos indicadores históricos da evolução da educação superior? Como os indicadores podem sinalizar a relação entre a expansão da educação superior e os avanços científicos, artísticocultural, tecnológico, necessários à melhoria da qualidade da vida no país? Historicamente, há mudanças na qualificação do perfil docente? Como a qualificação docente influencia avanços científicos e sociais? Quais áreas têm sido mais procuradas paras cursos de pós-graduação? Como os cursos de pós-graduação vêm correspondendo à demanda por docentes qualificados? A expansão histórica da educação superior oportunizou ampliação geográfica do acesso à educação superior? Os indicadores de expansão e acesso correspondem aos de permanência e conclusão dos cursos? Eixo 2: Análises referentes aos cursos e suas propostas pedagógicas, com as seguintes questões: Quais os cursos que tiveram maior aumento na oferta? As melhorias em recursos pedagógicos, humanos e físicos dos cursos têm influenciado melhores desempenhos? Os indicadores de qualidade dos cursos vêm considerando as trajetórias de formação e as possibilidades de sucesso acadêmico dos alunos? Há indicadores da intencionalidade da escolha do curso pelo estudante, especialmente quanto à clareza sobre objetivos do curso e às 2 SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior.

6 1399 possibilidades de inserção sócio-econômica, de empregabilidade e de relevância social da profissão? As avaliações dos cursos apontam para inovações nos desenhos didáticopedagógicos? Eixo 3: Investigação sobre o perfil do estudante, norteada pelas seguintes questões: Qual o perfil do estudante que busca a educação superior em cada país? Historicamente, como esse perfil vem se modificando (faixa etária, gênero, condição sócio-demográfica)? Qual a influência das condições sócio-demográficas e familiares na permanência do estudante na educação superior? Qual a influência da escolaridade familiar no acesso e na permanência do estudante na Educação Superior? O número de membros na família interfere no desempenho dos estudantes? Assim, é possível fazer uma síntese dos eixos supracitados. Eixo 1: História e evolução do ensino superior: mudanças na qualificação e na profissão acadêmica nos dois países. Eixo 2: Qualidade e desempenho nos dois países: relação entre recursos físicos, humanos e pedagógicos e o desempenho das instituições (inclui trajetória de formação e sucesso acadêmico). Eixo 3: análise dos perfis dos estudantes nos dois países: perfil geral dos estudantes; condições sócio-demográficas e familiares e abandono; influência da escolaridade familiar no acesso. Acredita-se que os resultados dessa pesquisa possam contribuir para análises e adequações de políticas públicas, amparadas em uma leitura crítica de questões sócioculturais mais amplas, pertinentes a cada país, e pautadas em contingências contextualizadas histórico-culturalmente. Cronograma de atividades Atividades J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D Levantamento de X X X documentos existentes Análise dos X X X X X documentos Análise comparativa dos índices e X X X X X X X indicadores Elaboração de relatórios e artigos referentes X X X X X X às análises Divulgação dos X X X

7 1400 resultados Atividades Organização de eventos Realização de eventos referentes à pesquisa Elaboração de relatórios e artigos referentes às análises Divulgação dos resultados 2011 J F M A M J J A S O N D X X X X X X X X X X X X X X Referências Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior Brasileira a Brasília. DF. Anísio Teixeira. Evolução do Ensino Superior Graduação 1980 a Brasília. DF. Anísio Teixeira. Sinopse Estatística da Educação Superior Graduação 1995 a Brasília. DF. Anísio Teixeira. Resultados e Tendências da Educação Superior no Brasil, Brasília. DF. Anísio Teixeira. Indicadores sobre a Educação Superior a Brasília. DF. Anísio Teixeira. Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - Questionário Sócio Econômico a Brasília. DF. BRASIL. Lei nº , de 14 de abril de Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SINAES. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 20 mar 1996c. Seção 1, p PORTUGAL. Ministério da Educação. Indicadores do Ensino Superior a Lisboa. Portugal.

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