A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O MERCADO DE TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE A INFLUÊNCIA DA OFICINA PROTEGIDA DE PADARIA DA APAE

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1 A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O MERCADO DE TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE A INFLUÊNCIA DA OFICINA PROTEGIDA DE PADARIA DA APAE Tatiane Cristina Athayde Marques Glaucimara Pires Oliveira Universidade Federal de Santa Maria - RS Eixo Temático: 11 Aspectos Sociais das Deficiências Palavras-Chave: Educação Especial. Deficiência Intelectual. Mercado de Trabalho. Introdução Esta pesquisa tem como tema a discussão sobre a influência de uma oficina protegida da APAE no preparo da pessoa com deficiência para o mercado de trabalho. Foi realizada como Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Educação Especial Noturno da Universidade Federal de Santa Maria no ano letivo de No intuito de promover a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a APAE, realiza desde o ano de 1999, o projeto de qualificação e inclusão de seus alunos no mercado de trabalho, para a concretização deste trabalho utiliza a Oficina Protegida de Padaria, onde os alunos realizam diariamente atividades relacionadas com panificação, além do suporte de uma equipe multiprofissional que presta atendimento à pessoa com deficiência e seus familiares. Sendo assim, a partir dos objetivos estabelecidos para a pesquisa questiona-se: Atividades profissionalizantes realizadas na Oficina Protegida de Padaria da APAE contribuíram para a inclusão dos alunos oriundos desta, no mercado de trabalho? Com este questionamento foi embasada esta pesquisa. A partir das atividades profissionalizantes realizadas na Oficina Protegida de Padaria da APAE, entende-se que a educação profissional tem uma grande importância na vida da pessoa

2 com deficiência, pois através dela à pessoa com deficiência pode adquirir autonomia para sua vida pessoal, diária e profissional. Objetivos O objetivo geral buscou identificar o potencial de inclusão da Oficina Protegida de Padaria da APAE, junto às pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho. Como objetivos específicos: reconhecer os fatores que tornaram os alunos(as) com independência e autonomia, identificar as condições facilitadoras para a inserção no mercado de trabalho, identificar as condições (sociais e de vida) em que se encontram esses ex-alunos que estão no mercado de trabalho. Método Esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa, com abordagem em estudo de caso. Conforme aponta Minayo (1994), a pesquisa qualitativa preocupa-se com uma realidade que não pode ser quantificada, respondendo a questões muito particulares, trabalhando com um universo de significados, crenças e valores e que correspondem a um espaço mais profundo das relações, dos fenômenos que podem não ser reduzidos à operacionalização de variáveis. O estudo de caso possibilita ao pesquisador(a) conhecer e entender melhor a realidade do objeto pesquisado. Para Fonseca (2002, p. 33): Um estudo de caso pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Visa conhecer em profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico. O pesquisador não pretende intervir sobre o objeto a ser estudado, mas revelá-lo tal como ele o percebe. O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objeto de estudo do ponto de vista do investigador. Assim, o estudo de caso auxilia a esclarecer e investigar um fenômeno partindo do seu contexto real, utilizando de múltiplas fontes de evidências.

3 A pesquisa foi desenvolvida com cinco ex-alunos que participaram da oficina protegida de padaria da APAE de Santa Maria e seus responsáveis, sendo que a primeira entrevista foi utilizada como piloto da pesquisa. Resultados A proposta trazida nesta pesquisa foi questionar se as atividades profissionalizantes realizadas na Oficina Protegida de Padaria da APAE contribuíram para a inclusão dos alunos oriundos desta, no mercado de trabalho. As entrevistas realizadas durante a pesquisa, tanto com os familiares quanto com os ex-alunos, trouxeram relatos em relação às atividades, salientando que estas foram importantes para que os ex-alunos tivessem disciplina, autonomia e responsabilidade com o trabalho, para realizarem o serviço de forma correta, cumprir o horário de trabalho e acima de tudo ter sua cidadania plena. Percebeu-se a satisfação desses alunos nas ações da Oficina Protegida de Padaria, destacando grande evolução quanto às habilidades específicas, habilidades básicas e de gestão que são essenciais para o trabalho, desenvolvidas durante as aulas, além de terem elevado a sua autoestima, tornando-os cada vez mais capazes de se desenvolverem. Os pais também identificaram estas habilidades no desenvolvimento de seus filhos, visualizando a oficina como um espaço de aprendizado e aperfeiçoamento, anterior ao mercado formal de trabalho. Discussão A inserção de pessoas com deficiência no contexto do trabalho formal é uma condição recente e consecutivamente trouxe questionamentos, muitas vezes representando um problema para o mercado de trabalho. O mercado de trabalho sempre foi concorrido e competitivo e cada vez com mais exigências quanto à qualificação dos profissionais a serem admitidos pelas empresas. Dessa forma, nos processos seletivos às pessoas com deficiência passam a ficar em posição de desvantagem e perdem na competição com os demais candidatos por não estarem qualificadas adequadamente ou por suas limitações físicas.

4 A preparação para o mercado de trabalho para estas pessoas, no entanto ainda se dá através do ensino especializado, através de oficinas que promovem o aprendizado do trabalho produtivo em ambiente protegido (GOYOS, 2001). O acesso da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, muito mais que uma inclusão social, garante a plena cidadania, dando oportunidade de exercer a sua função de cidadão perante a sociedade. O trabalho é considerado importante porque pode ser considerado o meio pelo qual a pessoa atua na sua realidade, modifica-a, transforma-a e constrói sua identidade pessoal e social, além de ser um meio capaz de garantir às pessoas participação nos espaços comuns da sociedade, bem como determinante da autoestima e consciência de dignidade das pessoas (BRASIL, 2003). A APAE de Santa Maria/RS trabalha com a proposta de educação profissional para pessoas com deficiência intelectual e múltipla elaborada pela Federação Nacional das APAEs para a qualificação e inserção de seus alunos no mercado de trabalho. Para isso oferece a qualificação dos seus alunos com deficiência intelectual, utilizando-se da Oficina Protegida de Padaria para o treinamento e preparação de seus alunos para o mercado de trabalho. Iniciou-se este processo no sentido de que esses alunos pudessem ter autonomia pessoal tanto nas suas atividades diárias, quanto no desenvolvimento de hábitos e atitudes essenciais para o mercado de trabalho. Esta atividade de oficina de padaria na APAE tem um histórico de 15 anos, onde vários alunos já participaram. No intuito de promover a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a APAE, realiza desde o ano de 1999, o projeto de qualificação e inclusão de seus alunos no mercado de trabalho, para a concretização deste trabalho utiliza a Oficina Protegida de Padaria, onde os alunos realizam diariamente atividades relacionadas com panificação, além do suporte de uma equipe multiprofissional que presta atendimento à pessoa com deficiência e seus familiares. A partir das atividades profissionalizantes realizadas na Oficina Protegida de Padaria da APAE, entende-se que a educação profissional tem uma grande importância na vida da pessoa com deficiência, pois através dela à pessoa com deficiência pode adquirir autonomia para sua vida pessoal, diária e profissional. A formação da pessoa com deficiência mental para o trabalho pode ser concebida como um processo que se inicia desde a infância e se estende ao longo da vida. Envolve a aquisição

5 de habilidades de vida diária (cuidados pessoais autônomos); habilidades de sobrevivência social (fazer e responder perguntas, cumprimentar, despedir-se, estabelecer contato visual com o interlocutor) e de sobrevivência no trabalho (atender instruções, iniciar, manter e finalizar uma dada tarefa) (RUSCH, 1990). Conclusão A inclusão profissional de pessoas com DI, além de humanizar o ambiente de trabalho, promove a melhoraria do clima organizacional e acaba por influenciar positivamente a sociedade, ao destacar a importância de conviver e valorizar a diversidade, promovendo a igualdade de oportunidades para todos (BESERRA e DOMINGUES, 2009). A importância do mercado de trabalho na vida da pessoa com deficiência tem um grande significado, pois promove o seu desenvolvimento pessoal, econômico e social, tornando-o autônomo na realização de suas atividades cotidianas e um cidadão capaz de ter a sua independência. Referências BRASIL. Secretaria Especial dos direitos humanos. Trabalho e emprego: instrumentos de construção da identidade pessoal e social. Brasília, BESERRA. E.G.; DOMINGUES, S.K. A Contribuição das Relações Públicas na Inclusão da Pessoa com Deficiência Mental no Mercado de Trabalho FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, Apostila. GOYOS, C. Formação de programa comunitário de suporte para o trabalho. Perspectivas multidisciplinares em educação II. Londrina: UEL, p , MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 1994.

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