NÚCLEO DE ASSESSORIA TÉCNICA PSICOSSOCIAL - NAT

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1 NÚCLEO DE ASSESSORIA TÉCNICA PSICOSSOCIAL - NAT O desenvolvimento do Vale do Ribeira: Dando continuidade aos trabalhos já realizados pelo Núcleo de Assessoria Técnica Psicossocial NAT e, em atendimento à solicitação do Núcleo de Politicas Públicas do Ministério Publico do Estado de São Paulo, apresentam-se caminhos possíveis para uma atuação mais próxima desta instituição no fomento e fiscalização de ações que propiciem o Desenvolvimento Regional do Vale do Ribeira. Este documento trata-se apenas de um esboço materializado a partir de estudos já realizados e de pesquisas de ações já desenvolvidas para a criação de um modelo adaptado à realidade local. Antes de iniciarem-se as proposições, é interessante ressaltar as seguintes perguntas: Qual o tipo de desenvolvimento se quer para o Vale do Ribeira?, Quais são as possibilidades para se alcançar esse desenvolvimento almejado? Quais serão os atores (entes políticos administrativos) que participarão deste projeto?, Qual será o papel de cada um?. Considerando o contexto atual, as conquistas legislativas e os estudos acerca da necessidade da construção coletiva das políticas públicas, bem como do controle social, enfatiza-se a importância do envolvimento da sociedade local para pensar formas de desenvolver o Vale do Ribeira. Partindo das ações desenvolvidas, até o presente momento, faz-se necessário o adensamento das informações, bem como o estudo acerca de outras realidades que possuem características semelhantes para que assim possam ser construídas propostas próximas às possibilidades regional. 1. Consórcios intermunicipais - Levanta-se como possibilidade de estudo e ação a aproximação com as atividades desenvolvidas pelos consórcios intermunicipais, sabendo que estes são,

2 constantemente, apontados como uma forma de fortalecimento de estratégias para os municípios de pequeno e médio porte. Sendo assim, o questionamento acerca de sua efetividade e de suas possibilidades para participarem do projeto de desenvolvimento local é pertinente, uma vez que são espaços já constituídos na região. O Codivar e o Consaúde são os consórcios intermunicipais presentes na região. Segundo informações do site 1 do Codivar, o mesmo funciona acerca de 25 anos: O ano era 1989 e os prefeitos iniciavam seus mandatos com bastante fôlego para discutir os problemas comuns e as soluções com o objetivo de estabelecer uma nova realidade para o Vale do Ribeira, região que era conhecida como a mais pobre do Estado de São Paulo. A idéia era reunir os municípios com baixos índices de desenvolvimento humano (IDHs) para organizar e promover ações que pudessem mudar a realidade regional e, ao mesmo tempo, ter um instrumento institucional que possibilitasse abrir caminhos junto aos governos estadual e federal [...]os prefeitos reunidos no Codivar detectaram que a problemática do setor de saúde era um dos principais entraves ao desenvolvimento do Vale do Ribeira, pois 98% da população ainda dependiam do serviço público de saúde. E a qualidade do atendimento regional era deficiente. Considerando o surgimento do Consaúde, o site aponta a seguinte informação: Para que o Codivar pudesse atender todas as áreas e o gerenciamento da saúde ocupava, integralmente, a atenção dos prefeitos, em detrimento do debate das diretrizes do desenvolvimento regional, em dezembro de 2001 o prefeito de Registro, Samuel Moreira da Silva Junior, então presidente do Codivar, propôs o desmembramento do Codivar. Os prefeitos aprovaram a alteração da razão social do consórcio, criando o CONSAÚDE Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ribeira, especificamente para gerenciar a saúde, mantendo o CNPJ e as obrigações assumidas originalmente pelo Codivar. A partir daí, o Codivar voltou a sua essência e intensificou o debate de questões de interesse regional. Entretanto, sabe-se que os consórcios recebem algumas críticas na região, inclusive devido à falta de controle social por parte da população. 2. Política Nacional de Desenvolvimento Regional 1

3 Outros pontos importantes a serem estudados, em âmbito nacional, são as diferentes ações de regionalização desenvolvidas nos demais estados e regiões, os incentivos distribuídos através da Política Nacional de Desenvolvimento Regional e as iniciativas estaduais para promover formas alternativas de desenvolvimento. Criada pelo decreto presidencial nº 6047 de 22 de fevereiro de 2007, a Política Nacional de Desenvolvimento Regional, como apontado no site do Ministério da Integração Nacional: A 2 PNDR tem o duplo propósito de reduzir as desigualdades regionais e de ativar os potenciais de desenvolvimento das regiões brasileiras, explorando a imensa e fantástica diversidade que se observa nesse país de dimensões continentais. O foco das preocupações incide, portanto, sobre a dinamização das regiões e a melhor distribuição das atividades produtivas no território. A região sudeste não está entre as áreas prioritárias defendidas pela política, entretanto algumas regiões que estão contempladas para os projetos de desenvolvimento regional possuem características tão variáveis e complexas como as apresentadas no Vale do Ribeira. Portanto, considera-se interessante a aproximação com as experiências vivenciadas em outros estados, a partir da PNDR. Eles [os projetos] se originam da mobilização das comunidades e das forças produtivas locais em torno de atividades como: artesanato, confecção, calçados, alimentação, turismo, cultivos diversos, extrativismo e outros mais, que sejam próprias da vocação regional. Essa é uma grande novidade da PNDR 3. (grifo nosso) Fica claro que a politica nacional, assim como os estudos atuais tendem a fortalecer as características produtivas locais, estimulando a produção e respeitando a cultura já desenvolvida. Assim, as ações a serem pensadas no Vale do Ribeira devem ser criações formuladas pelos atores locais, visto que as ações exógenas e genéricas não obtiveram resultados satisfatórios como nos mostra o histórico regional. 3. Corresponsabilização do Governo do Estado de São Paulo - Considera-se importante para o desenvolvimento da região a necessidade de corresponsabilização do estado para a criação de serviços e equipamentos regionais Cartilha da Politica Nacional desenvolvimento Regional - Ministério da Integração Nacional, p. 23.

4 Recentemente a proposta de implantação do CREAS Regional contou com o apoio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS), entretanto, o equipamento, ainda, não foi implantado. De acordo com publicação no diário oficial do Estado de São Paulo "Os CREAS são responsáveis pela organização e operacionalização da Proteção Social Especial, no âmbito local 4. Em 2014, conforme informações do programa Plano Municipal de Assistência Social da SEDS foram implantados CREAS nos municípios do Estado de São Paulo. A implementação de CREAS para suprir a demanda dessas unidades, de forma regionalizada, propiciando a organização dos serviços de proteção social especial com abrangência regional, deve considerar o grande número de municípios de pequeno porte, com gestão inicial, ou com insuficiência de demanda individualizada de serviços, no âmbito de sua administração territorial. 6 Nesta publicação do DOE de 2011 há indicada a previsão da implantação de 10 CREAS Regionais no estado de São Paulo. Outro equipamento importante, de caráter regional, foi o CAPS II que seria implantado em Juquiá sob administração do Consaúde e que ainda não foi implantado na região. 4. Diagnóstico socioterritorial A partir da falta de oferta de serviços devido ao porte dos municípios da região, faz-se necessário o levantamento de demandas dos serviços não existentes para que possam ser criadas pautas de reivindicações regionais a serem discutidas entre os municípios. Entendendo o caráter assumido pelo Ministério Público de articulador das políticas públicas é imprescindível que o mesmo participe pró-ativamente, 4 egislativo/abril/06/pag_0022_a4161b6k6kllmeepes9mbcem6vi.pdf&pagina=22&data=06/04/2011&caderno=s uplemento%20-%20legislativo&paginaordenacao= (DOE Suplementos 6/04/2011) 5 Dados obtidos no site desenvolvido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social SEDS. Neste site, a SEDS sistematiza as principais informações dos Planos Municipais de Assistência Social dos 645 municípios do Estado de São Paulo. Consulta site: em 19maio egislativo/abril/06/pag_0022_a4161b6k6kllmeepes9mbcem6vi.pdf&pagina=22&data=06/04/2011&caderno=s uplemento%20-%20legislativo&paginaordenacao= (DOE Suplementos 6/04/2011)

5 acompanhando as dificuldades dos municípios propondo e direcionando soluções plausíveis considerando o porte e orçamentos municipais, bem como as possibilidades de intervenções regionais e estudais. Outro ponto importante para a construção do projeto de desenvolvimento regional trata-se do levantamento dos projetos e investimentos públicos e privados que estão em andamento na região, considerando os investimentos do Fundesvar e os projetos do terceiro setor. Sabe-se que o número de projetos para o desenvolvimento sustentável do Vale do Ribeira envolvendo as comunidades tradicionais e outros setores têm expressão considerável. O conhecimento e a sistematização dos projetos existentes podem possibilitar um retrato atual mais fidedigno e que auxilie na apropriação do saber-fazer podendo ser utilizado no fomento de novos projetos e na ampliação e consolidação dos projetos em curso. 5. Síntese das ações supracitadas - aproximação com as atividades desenvolvidas pelos consórcios intermunicipais e o questionamento acerca do seu protagonismo na região, analisando-os como possíveis contribuintes para o desenvolvimento de ações regionais; - estudo da Política Nacional de Desenvolvimento Regional e das ações desenvolvidas nas regiões prioritárias; - levantamento das iniciativas dos demais estados e regiões com características semelhantes ao V. R.; - levantamento dos projetos públicos e privados que estão sendo desenvolvidos na região; - corresponsabilização do estado para a implantação de equipamentos regionais (como o CREAS Regional que aguarda implantação). - levantamento das demandas municipais e dos serviços necessários para o seu atendimento para a busca de soluções possíveis, considerando o porte e orçamentos municipais, bem como as possibilidades de intervenções regionais e estudais.

6 Os conselhos municipais de direitos e a articulação com os atores locais são imprescindíveis para a elaboração de um projeto coeso, para tal faz-se necessário que o Ministério Público atue em conjunto com esses representantes cotidianamente, tendo-os como parceiros e membros desta construção coletiva. Esperando haver cumprido de forma adequada a missão que nos foi atribuída, colocamo-nos à disposição para o esclarecimento de quaisquer dúvidas. Registro, 15 de setembro de Gabriel Hernandes Alonso Borges Analista de Promotoria I Psicólogo Leiderene Sousa Silva Analista de Promotoria I Assistente Social

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