COLÉGIO MILITAR DE FORTALEZA ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O TEXTO MACHADIANO LITERATURA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO CAP JOANA (40 escores) 202 DUPLA: NRS: NOTA

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1 COLÉGIO MILITAR DE FORTALEZA ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O TEXTO MACHADIANO LITERATURA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO CAP JOANA (40 escores) 202 DUPLA: NRS: NOTA Contos: A cartomante e A igreja do diabo Objetivos: Ler, interpretar e analisar os textos, identificando o que caracteriza o estilo individual de Machado de Assis. A CARTOMANTE MACHADO DE ASSIS Leia o fragmento abaixo e responda às questões. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando. Questão 01.Como no trecho acima, a história é repleta de conversas que o narrador estabelece com o leitor transformando-o em cúmplice e participante do enredo. Podemos perceber esse recurso em A) Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; B) Camilo ia andando inquieto e nervoso... C) Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decomposta; D) Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança... E) Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima.... Questão 02. No conto, o personagem de Camilo oscila entre incredulidade, dúvida e credulidade sobre os mistérios que há entre o céu e a terra. Revela um momento de credulidade de Camilo o trecho A) Não queria arrancar-lhe as ilusões B)...nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. C)...pensou rapidamente no inexplicável de tantas coisas. D) A senhora restituiu-me a paz de espírito... E) a ideia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe... Questão 03. O que você entende, CONSIDERANDO TODO O CONTO, da frase dita por Hamlet(Hamlet é personagem da peça teatral Hamlet, o príncipe da Dinamarca, do escritor britânico William Shakespeare) e mencionada no texto: "Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia"?(04) Considerando a referência intertextual à obra citada, podemos perceber que Machado de Assis antecipa a trama: adultério-crença-vingança ironicamente, pois apresentanos o casal de adúlteros a conversar sobre a crença ou não nas palavras da cartomante a quem Rita havia procurado. A grande ironia está na mudança de atitude

2 de Camilo que, perturbado pelas cartas anônimas, também vai à cartomante e, pior, acredita nela!!! Assim como Hamlet, movido pelo sobrenatural, aqui também, as personagens o são. Questão 04-.Quando uma pessoa não acredita em nada, diz-se que ela é cética. O ceticismo está presente nos textos machadianos. Nesse conto, de que maneira aparece esse ceticismo?(04) Tanto nas atitudes de Camilo quanto do próprio narrador ao iniciar o conto, visto que nos deixa a dúvida inicial e a dúvida final. Por quê? Quem? > A trama criada por Machado de Assis deixa ao leitor, implicitamente, a imagem de uma charlatã a cartomante- que engana o casal, pois diz a eles o que queriam ou precisam ouvir. Logo, a própria cartomante é a metáfora do conhecimento de qualquer verdade e, diante do que ocorre e das referências intertextuais, convém lembrarmos da célebre frase de Hamlet ser ou não ser? Eis a questão. :será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de angústias - e, combatendo-o, dar-lhe fim? Comentários elucidatórios: Definição - O ceticismo é um corrente de pensamento filosófico que defende a ideia da impossibilidade do conhecimento de qualquer verdade. Criado na Grécia Antiga por Pirro de Élis (filósofo grego), esta filosofia rejeita qualquer tipo de dogma (afirmação considerada verdadeira sem comprovação). De acordo com os céticos, todo conhecimento é relativo, pois depende da realidade da pessoa que o possui e das condições do objeto que está sendo analisado. Como a cultura (regras, leis, costumes, visões e mundo, crenças) muda em cada período histórico, os defensores do ceticismo acreditam ser impossível estabelecer o que é real e irreal ou correto e incorreto. Logo, os céticos defendem a ideia de assumir uma postura de neutralidade ou dúvida em todas as questões, não fazendo julgamentos. Assim, o cético pode ser indiferente ou questionador. A atitude de Camilo é de distanciamento, mas tal distanciamento se dá apenas quanto a suas convicções. Em termos afetivos, ele está intimamente ligado a Rita. Por outro lado, se a visão que Camilo tem diante da cartomante é diversa da de Rita, a diferença é apenas superficial. Da mesma forma que está evidenciada a fragilidade da convicção de Rita, o texto evidencia a fragilidade da falta de fé de Camilo. Tanto um quanto o outro tomam posições superficiais "diante do mistério". Rita adere acriticamente à satisfação emocional proporcionada pela fé. Camilo ri da atitude da amada e, também sem autocrítica, adota uma quase incredulidade (já que, segundo o texto, ele sequer a formula). Sem "um único argumento", ele é muito parecido com Rita. Questão 05 A Cartomante é uma obra realista. Aponte as características do Realismo(2) e do escritor(2) presentes no texto. Justifique com exemplos. (6) Realismo: Objetividade, crítica social hipocrisia burguesa -, análise psicológica. Machado de Assis: ironia, humor, niilismo. Nas descrições das personagens Rita e Camilo, Machado destila sua fina ironia:camilo é caracterizado como um homem fraco. Não tomando decisões por si mesmo, vivera durante algum tempo na ociosidade, substituída depois por um emprego público, arranjado pela mãe. O narrador, nota-se, distancia-se moral e afetivamente de Camilo. Não atenua fraquezas do personagem, e a elas se refere com agudeza inquestionável. A visão que o narrador fornece de Rita é absolutamente negativa. Ela é comparada à

3 imagem de uma serpente: toda perfídia, toda veneno, envolvendo a fraqueza de Camilo. Este é tão covarde (vexame, sustos, remorso) quanto fraco (a batalha foi curta e vitória delirante). E, juntos, fazem o par perfeito: o sapato e o pé. A IGREJA DO DIABO Questão 06 A contradição humana foi apresentada por meio de uma imagem, em dois momentos do conto. Destaque os dois momentos aos que a questão se refere.(04) Capas de veludo e franjas de algodão Capas de algodão e franjas de seda; Podemos perceber que o texto de Machado se utiliza abertamente da metáfora para a legitimação da retórica entre Deus e o Diabo. As virtudes são comparadas às rainhas, revestidas por mantos de veludo. Todo manto de veludo (virtude) tem por remate uma franja de algodão (vício). Questão Machado de Assis faz do conto A IGREJA DO DIABO um instrumento para análise e crítica, por certo corrosiva, das instituições que, de algum modo, buscam estabelecer normas de conduta moral para os seres humanos. Utiliza, para tanto, a ironia, a qual, no conto estudado, se faz presente em vários momentos, atingindo vários alvos, dentre os quais se destaca a Igreja Católica Apostólica Romana. Esta instituição importante está sendo atingida, de modo exclusivo, pela ironia, em: a) Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja. b) Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. c) Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez. d) Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. e) Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo. Questão 08 Considere o conto A IGREJA DO DIABO, de Machado de Assis - principalmente o fragmento a seguir transcrito - e coloque V -verdadeiro- ou F- falso-, conforme o caso, nas lacunas abaixo "Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana." (07) F) É uma mostra do ceticismo machadiano repassado na ironia destilada gota a gota, insinuado em frases curtas e de longo alcance. V) O texto apresenta um enfoque metafísico através do qual pretende falar diretamente da realidade humana. F) Este conto retrata o Rio de Janeiro do período entre séculos, com suas ruas e casario, como os contos "A Cartomante" e "Contos de Escola". F) Em "A Igreja do Diabo" há um desnudamento das falsas virtudes, dos interesses escusos e da caridade ostensiva. V) Quanto à técnica narrativa, este conto tem uma estrutura linear: a apresentação em sequência dos contrários conduzindo à síntese final. F) "A Igreja do Diabo" tem em comum com o conto "Missa do Galo" o tema da metafísica e da religião católica.

4 V) "A Igreja do Diabo" e outros contos machadianos diferem de seus romances pela extensão e por apresentarem uma técnica narrativa menos elaborada e mais voltada para os pequenos fatos cotidianos. COMENTÁRIO: O homem é marcado por vícios e virtudes, Deus e o Diabo são a simbologia dos vícios e virtudes que se misturam na formação do ser humano. Na realidade, eles são um só e exercem, no conto, a função de representação da alma humana, da essência do ser humano. Questão 10 Resuma o conto A cartomante, especificando local, época, personagens, foco narrativo e temática abordada. (12)

5 COLÉGIO MILITAR DE FORTALEZA ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O TEXTO MACHADIANO LITERATURA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO CAP JOANA (40 escores)* 204 DUPLA: NRS: NOTA Contos: A cartomante e A igreja do diabo Objetivos: Ler, interpretar e analisar os textos, identificando o que caracteriza o estilo individual de Machado de Assis. A CARTOMANTE Leia o fragmento abaixo e responda às questões. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando. Questão Segundo o trecho acima, Camilo: A) Ainda criança, preferiu não acreditar em nada. B) Desde criança desprezava superstições. C) Diante do desconhecido, preferiu ficar indiferente. D) Era crédulo, apesar de negar qualquer fé. E) Negava qualquer envolvimento com religião. Questão Em relação às descrenças de Camilo, há uma opinião do narrador em: A) diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando. B) Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo (...) C) E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade D) No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião. E) Também ele, em criança, e ainda depois foi supersticioso. Questão Em alguns momentos, o narrador deixa escapar juízos de valor em relação aos personagens e fatos. Podemos observar isso em: A) Os dois primeiros eram amigos de infância. B)...onde casara com uma dama formosa e tonta C) Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez... D) Era um pouco mais velha que ambos... E) abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Questão 04 --Você observou que esse conto não é narrado numa sequência linear - começo, meio e fim. O início do conto, que mostra o diálogo entre Camilo e Rita sobre a cartomante, já nos apresenta a trama perto de seu desfecho. Localize a passagem em que o narrador faz um corte no presente e volta ao passado para explicar quem são as personagens centrais e como chegaram à situação em que se encontram. Temos, nesse caso, um flashback ou uma digressão? Explique sua resposta (5)

6 Temos um flashback: Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869(...) O conto é iniciado com a apresentação do casal conversando sobre a visita à cartomante. Depois disso, segue-se um flashback em que se tem a "explicação das origens" da aventura em andamento. Então, a posição do narrador em relação a seus personagens começa a se explicitar melhor. Esclarecimento: A digressão pode ser caracterizada como uma porção textual que não se acha diretamente relacionada com o segmento precedente nem com o consequente; entretanto, não é acidental e tampouco cria uma ruptura da coerência, pois é fruto de relações extra e intratextuais. A digressão pode ser enigmática; porém, se considerada sob o enfoque interacional, passa a funcionar como uma estratégia por meio da qual se busca um determinado efeito de sentido. A IGREJA DO DIABO Questão 05 - Por que o Diabo decide fundar sua própria igreja?(03) A fim de concorrer com as diversas religiões. Dizia-se cansado de ser desorganizado, de ficar com as circunstanciais sobras das diferentes manifestações de fé. O Diabo propõe a inversão dos valores ideológicos, em nome da coerência com a realidade da vida, visto que as virtudes são praticadas apenas ao nível do parecer, pois, ao nível do ser, todo ato virtuoso contém um motivo inconfessável: a caridade oculta a falta de justiça, a castidade mascara um desejo de luxúria, etc Questão 06 - Explique a expressão: Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo., considerando o conto como um todo. (04) Fundando uma igreja, teria vantagem de ser única neste tipo de pregação, ao passo que para adorar deuses, havia várias: enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha será única; (...) Há muitos modos de afirmar: há um só de negar tudo. COMENTÁRIO: Nessa sentença o autor resume a intenção do conto, representando nas figuras de Deus e do Diabo a dicotomia da negação e afirmação. A verdade de Deus encontrada nas mais diversas visões religiosas e a sua negação na figura única do Diabo, que, no caso, o deseja de ser maior que Deus. Questão 07. Quem, no conto de Machado de Assis, é condenado e quem é absolvido? Justifique sua resposta. (04) Não há culpados ou inocentes, visto que o ser humano é uma contradição, nem Deus nem o Diabo poderiam julgá-los.

7 "Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana." Questão 08 Interprete o trecho transcrito, considerando a temática abordada no conto por Machado de Assis. Comprove sua resposta.(06) A Igreja do Diabo representa exatamente nesta ideia (metáfora das franjas de algodão e de seda) a dualidade/contradição humana. Por mais que tenhamos Deus e o Diabo no conto, a verdade é que Machado fala dos homens, e não de religião. É óbvio que a religião é também tema do conto, mas não é o principal. E justamente por lidar com a condição típica do homem que Machado garantiu um conto que sobreviverá ao tempo: será lido e compreendido (e admirado) durante muitos anos, porque fala do ser humano em sua característica mais básica: a dualidade. Daí o UNIVERSALISMO de sua obra. Questão 09 Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhes pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. A descoberta assombrou o Diabo. (A Igreja do Diabo Machado de Assis) No conto A Igreja do Diabo, Machado de Assis desenha um dos traços da natureza humana. Esclareça como o narrador desenvolve o seu pensamento, levando em consideração a frase A descoberta assombrou o Diabo. (05) Após o triunfo alcançado pelo Diabo na fundação de sua igreja, logo é descrito o momento em que ele percebe as transgressões que seus fiéis vêm cometendo e, consequentemente, a diminuição do seu poder, pois a liberdade que deu aos seus fiéis foi tão grande que o fez perder o controle sobre eles. Isso demonstra que tudo o que o Diabo negou em Deus foi o que na verdade desejava: a capacidade de dominar um povo e o subjugar. Questão 10 O conto A igreja do Diabo de Machado de Assis está dividido em quatro pequenos capítulos. Ao seu modo, conte mais uma vez a mesma história, valendo-se de um único parágrafo para cada capítulo e de um título que o sintetize. (10) Bons estudos!!! Cap Joana

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