DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO ENGº DOMINGOS SIMÕES PEREIRA POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA DO IX GOVERNO CONSTITUCIONAL DA

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1 REPÚBLICA DA GUINÉ- BISSAU DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO ENGº DOMINGOS SIMÕES PEREIRA POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA DO IX GOVERNO CONSTITUCIONAL DA GUINÉ-BISSAU E O ORÇAMENTO GERAL DE ESTADO NA ASSEMBLEIA NACIONAL POPULAR Bissau, 22 de Setembro de 2014

2 Sua Excelência Senhor Presidente da Assembleia Nacional Popular Suas Excelências Senhores Deputados da Nação Caros colegas, membros do Governo Minhas senhoras e meus senhores, É com muita satisfação e imbuído de um forte sentimento patriótico e de humildade que, em nome do IX Governo Constitucional, que apresento a Vossa Excelência, Senhor Presidente, e a todos os digníssimos deputados, o programa do Governo da Guiné-Bissau, eleito democráticamente a 13 de Abril do ano em curso. Este programa fundamenta-se no compromisso eleitoral do PAIGC e, leva em devida conta o carácter inclusivo da governação, tendo definindo quatro eixos fundamentais: a) Consolidação o Estado de direito democrático, através da promoção da boa governação e reforma das instituições do Estado; b) Promoção do crescimento económico e a redução da pobreza; c) Promoção do desenvolvimento e a valorização dos recursos humanos; d) Redinamização da política externa, a integração regional e o enquadramento dos guineenses no exterior. Digníssimos deputados, Encontrando-nos aqui na Casa do Povo, queremos renovar a nossa determinação em confrontar e mobilizar todos os guineenses para que nos próximos quatro anos se assista a uma alteração qualitativa e substancial da perceção internacional que se tem do país, mas também da própria confiança com que os guineenses avaliam a sua condição de vida e a sua determinação em torná-la bem melhor e muito promissora para as gerações futuras. Neste contexto, o presente programa tem um horizonte temporal de referência de quatro anos, para qual a condição estruturante da estabilidadde política, governativa e

3 parlamentar se assume uma condição de base para que depois possamos normalizar o funcionamento das instituições do Estado e consequentemente reverter o rumo e as perspetivas de combater a pobreza corrigindo substancialmente os indicadores sociais para finalmente se conquistarem as permissas de desenvolvimento. Temos objectivos e metas concretas para transformar a Guiné-Bissau num país atractactivo para os seus cidadãos e para o investimento na economia, criando oportunidades para todos de forma justa, inclusiva e equitativa, favorecendo deste modo o dinamismo à nossa economia e colocando-a ao serviço de geração de renda para as famílias e capaz de criar o emprego e valorização da mão-de-obra nacional. O nosso sentimento e a nossa visão para o país, fundamentam-se no princípio de mobilização política coletiva e patriótica para relançarmos a Guiné-Bissau na senda da unidade para o progresso. Isso significa colocar a governação no centro da satisfação das necesidades básicas dos guineenses e da sua segurança humana, salvaguardando o pressuposto de termos uma população saudável, instruída, segura e auto-suficiente em termos alimentares e com acesso à justiça, num ambiente de diálogo contínuo e parmente com todas as forças vivas da Nação. É com essa responsabilidade, que hoje venho apresentar nesta augusta câmara um programa e governo cujo o Orçamento Geral de Estado para o ano 2014 situa-se na ordem de 140 mil milhões de Francos Cfa.(cerca de 213 mil euros) milhões de francos CFA. Em conformidade com a visão estratégica por nós defendida, o programa do IX Governo Constitucional para além de estabelecer planos concretos para o que é preciso ser feito a curto prazo, incorpora também estratégias de médio prazo, sem perder de vista o longo prazo (dez a vinte anos). Mas reconhecendo a necessidade de conjugar o atendimento imediato das necessidades mais prementes sem comprometer a programação e visão futurística dos objetivos fixados, eis porque o governo propõe três níveis e prioridades de intervenção, através de: A. Programa de urgência

4 B. Programa de contingência C. Programa de desenvolvimento O programa de urgência consubstancia o conjunto de medidas de curto prazo, numa espécie de terapia de choque para estancar e tentar controlar o estado caótico de funcionamento de várias instituições nas situações que as encontramos. Todos os setores e correspondentes departamentos Ministeriais e Secretarias de Estado foram instruídas e encorajadas a apresentar um programa a ser executado nos primeiros seis meses que já está em curso. Todavia, uma atenção particular foi reservada àqueles catalogados como de maior incidência e gravidade, como a : 1. Regularização dos salários em atraso na Função Pública; 2. Salvamento do ano letivo 2014/15; 3. Alerta e antecipação dos resultados do ano agrícola; 4. Resgate da campanha de comercialização da castanha de caju; 5. Prevenção da Cólera e Ébola; 6. Melhoria no fornecimento de eletricidade e água potável. O programa de contingência representa o conjunto de contratos, obrigações e diligência assinados pelo Estado, com participação do Estado ou de interesse público e que necessitam de clarificação antes do seu devido redirecionamento para o programa de desenvolvimento. Entre outros, isto inclui: 1. Contratos de pesquisa e exploração de recursos naturais, nomeadamente, Fosfato de Farim, Bauxite do Boé, Arreia pesada de Varela 2. Prospeção e viabilidade do petróleo da Guiné-Bissau tanto na zona exclusiva como na de gestão conjunta com o Senegal; 3. Litígio com a TERTIR, a construção de porto de águas profundas em Buba e o acordo aéreo com Portugal; 4. Situação das empresas com capital público: EAGB, Guiné Tel e Guiné Telecom, 5. Auditoria multidisciplinar às empresas privatizadas por objetivos na década de 2000;

5 6. Auditoria aos Fundos autónomos com participação do Estado ou de interesse público: FUNPI, Fundo Rodoviário, Fundo do Turismo, Fundo de Mineração, e outros; Excelência Senhor Presidente da ANP Diníssimos Deputados Senhoras e Senhores O nosso país e o nosso sistema político tem sido confrontado com constrangimentos de várias ordens e latitudes que minam possibilidades de diálogos e que têm levado a situações de radicalismos politicos e à consequente instabilidade. estamos convencidos que para o sucesso desta nossa governação será importante um amplo consenso nacional e politico, queremos aqui assumir solenemente que estamos motivados para o virar da página deste ciclo de disputas políticas fractecidas e colocando diálogo político partidário e societário no centro da gravidade da consolidação da cultura democrática no espaço que legitima o poder do povo que é a ANP. Neste sentido, permitam-me anunciar que este o governo vai inaugurar debates bimensais com o parlamento de modo que a nossa governação possa ser monitorizada, fiscalizada, apropriada e legitimada por aqueles que o povo conferiu o seu poder de representação, com vista a garantirmos transparência e eficácia na gestão da coisa pública e salvaguardar os interesses da nação. Iremos ainda trazer a discussão aspetos importantes como eventual a revisão constitucional, da lei eleitoral e a lei dos partidos políticos, mas acima de tudo, Lançar o Programa de Diálogo Nacional inclusivo, a favor da paz e reconciliação nacional. Do Setor Privado à Sociedade Civil, sera importante a participação de todos na implementação da agenda estratégica de desenvolvimento do país, ancorados nas metas nacionais, tendo no governo o seu parceiro, pois, acreditamos que todos os guineenses (dentro e for a do governo; dentro e for a do país), podem fazer algo por esta Nação, estão por isso convocados assumir com esforço, dedicação, patriotismo e com o seu trabalho a reconstrução de uma nova Guiné-Bissau mais justa e mais inclusive.

6 Sabemos o rumo que queremos dar ao país, o desafio está em mobilizar os meios necessários e aplicar-lhes no tempo previsto e no setor prioritário para além da contingência, de forma que os nossos objetivos possam ter maiores probabilidades de serem concretizados de forma efetiva. Nesta senda, teremos de apostar no redimensionamento, disciplinização e modernização da Administração Pública, melhorar a nossa capacidade de arrecadação das receitas internas, sanear as finanças públicas, mas também moralizar e ajustar os níveis e custos da representação política. Neste último, contamos efetivamente com a Comissão de Ética da ANP para ajudar o país a reencontrar-se não só ao nível do governo, mas de todos os órgãos da soberania. Naquilo que nos compete, quero assegurar que este governo irá proceder a submissão anual das contas públicas ao crivo do Parlamento e do Tribunal de Contas. Esta dimensão de responsabilização e integridade na utilização dos rercusos públicos é uma condição que se impõe, pois, temos plena consciência e sabemos que não é possível abordar e resolver todas as prioridades ao mesmo tempo com as quais o país tem, na medida em que somos um país de parcos recursos financeiros, logisticos e infraestruturais, levando com que o nosso Orçamento Geral de Estado ainda sejafinanciado pela Comunidade Internacional em mais de 50%. Por isso, iremos estabelecer como meta a retoma gradual do crescimento económico até se atingir um crescimento de pelo menos 7% no fim da legislatura e vamos Implementar uma política fiscal responsável com vista a melhorar o desempenho da administração fiscal de modo a atingir a pressão fiscal de 15%. Só com provas de boa governação, respeito pelos direitos humanos, garantia de liberdades democráticas, boa gestão dos recursos natuaris e a manutenção da paz e estabilidade, poderemos potenciar o aumento do apoio da Comunidade Internacional e os países amigos da Guiné-Bissau, não só no que concerne à cooperação para o desenvolvimento, mas também no plano de investimento, permitindo o nosso país fazer parte de forma efetiva do xadrez geoestrategico do ponto de vista das relações económicas, comerciais e diplomática.

7 Porém, para que tudo isso aconteça, temos que conquistar a estabilidade, mas também temos de capazes de mudar a nossa forma de pensar e fazer a governação, através da planificação coordenada do nosso desenvolvimento que se quer durável, enquanto desafio de um Estado que se quer emancipar e moderno. É baseado nesses pressupostos que iremos criar e implementar a Agência Nacional do Planeamento Estratégico e uma entidade nacional para a coordenação da Ajuda ao Desenvolvimento, permitindo ao nosso país atingir metas de desenvolvimento e enfrantar um novo alinhamento para as metas de sustentabilidade. Um outro desafio que vamos assumir nesta legislature é no domínio de estender a presença do Estado ao nível do espaço nacional de forma efetiva e orgaznizada, através nomedamente da descentralização e realização das eleições autárquicas. Para o efeito, o governo irá promover a criação um Conselho Nacional de Descentralização, lançar as bases para a operacionalizar comissões nstaladoras de Câmaras Municipais nos setores administrativos que devem ascender à municípios e ainda adotar a Politica Nacional do Ordenamento do Território. Excelência Senhor Presidente da ANP Excelências Dgníssimos Deputados Senhoras e Senhores Pretendemos com este programa levar a governação ao centro da satisfação das necessidades da mais premenetes, particularmente de grupos mais vulneráveis através de uma ação de desenvolvimento baseado na humanização das políticas públicas. A começar pelas nossas crianças - flores da nossa luta, os nossos jovens - razão da nossa democracia, as mulheres firkidjas da nossa sociedade, as famílias mais pobres a nossa guineidade, os idosos e os nossos heróis Combatentes da Liberdade da Pátria - vanguarda da nossa identidade. Queremos com isto dizer que vamos desenvolver uma governação também virada para a

8 proteção social deverá ser encarada não apenas numa perspetiva assistencialista, mas através de desevolvimento de alguma ações afirmativas que permitem engajar o Estado no aumento das capacidades do seu capital humano, produtivo, económico e importantes ganhos sociais. O governo vai considerar de forma particularmente atenta e consequente a assistência social a todos os trabalhadores, incluindo agentes de defesa e segurança, de forma a dignificar a nossa administração pública e favorecer com que os que servem a honram com seu desempenho e dedicação. Comprometemo-nos a potenciar, melhorar e maximizar a qualidade e o acesso à saúde, à educação, à formação profissional, à informação, à justiça social e à cultura dos guineenses. Isto porque entendemos que o desenvolvimento do capital social é efetivo, quando colocamos pessoa humana como prioridade de qualquer outro interesse. Assim, vamos celebrar as nossas conquistas, valorizando os guineenses e reforçar o nosso sentido de pertença a esta patria de Amílcar Cabral. Ao nível sectorial eis as medidas mais emblemáticas em que o nosso governo irá apostar: Defesa e Segurança o Reorganizar, modernizar e redimensionamento as Forças Armadas, adoptando-as das reais capacidades do cumprimento das suas missões republicanas de garantir a soberania, a independência nacional e a integridade territorial; assegurar a sua capacitação, profissionalização e salvaguardar o fundo de pensões para implementação das reformas; Administração Pública o Adotar o princípio de submissão a concursos para o ingresso e ascensão na função pública; Lutar contra a corrupção; adotar a governação electrónica; Melhorar o funcionamento da Inspecção Geral do Trabalho por forma a que possa exercer eficazmente as suas funções em todo o território nacional; Efetuar a necessária reforma do sistema de Segurança Social;

9 Justiça o Garantir o acesso à justiça a todos os cidadãos, através dos tribunais setoriais e regionais; Criar a figura de Provedor da Justiça; Criar tribunais arbitrais, principalmente em matéria de conflitos económicos, e melhorar o funcionamento do tribunal comercial; Agricultura e Segurança Alimentar o Elaborar a política nacional de segurança alimentar; Promover a intensificação e diversificação da produção de culturas alimentares (cereais, raízes, tubérculos, hortofrutícolas, leguminosas, etc ); Aumentar a taxa de cobertura sanitária de animais de 20% para 60% em 2018; Aclarar, regulamentar e aplicar a Lei da Terra, revendo a Constituição, no que tange a propriedade privada do solo; Dinamizar a pesquisa agrária aplicada, implicando os agricultores e colocando à sua disposição sementes melhoradas e técnicas culturais adaptadas, reorientando global e conjugadamente a investigação e a formação profissional, através de um sistema coordenado de programação e de avaliação e com base numa rede de unidades produtivas privadas e colaborantes; Água e Energia o Melhoria da rede de abastecimento de água da cidade de Bissau através da substituição de parte da rede já obsoleta e, aumento da capacidade de armazenamento da água e criação de condições para o seu tratamento, extensão da rede para os novos bairros da cidade e construção de mais fontanários públicos; realização da Mesa Redonda para o lançamento do projecto de construção da Barragem Multifuncional de Campossa/Rio Geba; Criar a Agência de Regulação do subsetor da Eletricidade e Águas Urbanas; Implementar e/ou adotar o estatuto da Utilidade Pública das localidades previstas para o Projeto Energia da OMVG (postes de Saltinho, Bambadinca, Mânsoa e Bissau.

10 Trajetória da linha 225 kv) e da rede de 30 kv previstas ao nível nacional; Lançar a iluminação pública em cerca de 37 km através de candeeiros solares; Construir uma Central Térmica de 55 MW em Bôr (em duas fases de 25MW); Construção da Central Fotovoltaica de 10 MW em Ponta Gardete; Construir uma Central Fotovoltaica de 5 MW em Mafanco; Promover a reforma da Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau EAGB; Indústria o Elaborar a Carta de Política do Setor industrial; Promover o Recenseamento Industrial; Criar um laboratório de referência multisetorial; Elaborar o Plano Nacional de Desenvolvimento sobre a Propriedade Industrial; Transportes e Telecomunicações o Elaborar o Plano Rodoviário Nacional; Conservar e reabilitar as pistas rurais para o desenclavamento das zonas de produção; Reabilitar e construir 498 km das estradas de ligação entre a Guiné-Bissau e os países vizinhos; Fazer aquisição de novas jangadas/navios para as travessias de Cubumba, Barro, São João/Bolama, Bissau/Enxudé, Tche tche e Fulamori; Construir a ponte de Farim mais os 23 km de ligação à Tanhaf (Senegal); Construir a estrada Boké-Quebo e estudos para a contrução do troço Bedanda-Cacine; Construir a estrada Buba-Catió e realizar estudos para a construção do troço Buba-Fulacunda- SãoJoão/Tite; Realizar o estudo da construção do porto de contentores de PICKIL e estabelecer uma estratégia de mobilização do financiamento da sua construção; Realizar o estudo da construção das pontes de Contuboel e Tche Tche e estabelecer uma estratégia de mobilização do financiamento para a construção; Estabelecer uma estratégia nacional para a viabilização do Projecto Regional do Porto de águas profundas em Buba; Construir o posto de pesagem em Safim

11 (UEMOA) no quadro de controlo dos veículos pesados, respeitando a norma estabelecida pela UEMOA. Comércio o Eliminar as barreiras não tarifarias e excesso de postos de controlo; Melhorar o abiente económico, Garantir a estabilidade dos preços dos produtos de primeira necessidade em colaboracao com o sector privado; Incentivar a diversificação das nossas exportações, o comércio transfronteiriço e reforcar a capacidade de intevenção das estuturas de fiscalização nas fronteiras; Desenvolver uma estratégia para o sector do comércio (Promover, facilitar, diversificar e desenvolver a atividade comercial na Guiné-Bissau); Informatização dos serviços Centrais e Regionais do Ministério e criação do Site Oficial do Ministério do Comércio e de Artesanato. Ambiente o Criar um Sistema Nacional de Alerta Precoce visando o fornecimento de informações sobre as probabilidades de ocorrência de riscos e desastres naturais, susceptíveis de engendrar perdas de vidas humanas, de modos subsistente e de infraestruras económicas; Desenvolver e operacionalizar um Sistema Nacional de Zonagem Agro-ecológica de apoio à tomada de decisão na gestão do uso do solo, aumento da produtividade agrícola e diminuição da vulnerabilidade climática; Promover a extensão das áreas protegidas através da criação de duas novas áreas terrestres (Dulombi e Boé) e três corredores de fauna (Quebo-Cuntabane, Salifo e Tchetche) reforçando o Sistema Nacional de Áreas Protegidas, que passará de 11.3% actuais para 26.3%; Fomentar as acções contra o uso e consumo indevido de Organismos Geneticamente Modificados na óptica da prevenção da saúde humana e da conservação dos recursos biológicos; Promover a criação de um mecanismo perene de financiamento durável das acções de luta contra

12 seca e desertificação, ao abrigo das orientações estratégicas do GEF para a área de gestão durável das terras; Turismo o Adotar um Documento de Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Turismo na Guiné-Bissau e realizar um crescimento sustentável a longo prazo; Redefinir o quadro jurídico e institucional que suporta o funcionamento das atividades do Turismo; Adotar um Plano Nacional de Promoção do Turismo na Guiné-Bissau através de uma estratégia de comunicação multimédia transversal no quadro de uma política de acção junto dos investidores e empresas especializadas neste domínio nomeadamente nos Eventos Turísticos Internacionais; Requalificar o património natural do Arquipélago dos Bijagós enquanto oferta Turística principal, pondo ênfase na sua riqueza ecológica ; Definir um ordenamento territorial das actividades Turísticas no âmbito da eleição de Zonas Turísticas Especiais ; o Conselho Nacional do Turismo (CNT), Direcção Geral do Ambiente, Célula de Avaliação do Impacto Ambiental (CAIA), União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP), Associação da Hotelaria/ Restauração e Turismo, Agências de Viagens; Organizações não Governamentais (ONG), Meios de Comunicação Social para a informar e sensibilizar a opinião Pública sobre as Potencialidades Turísticas do País; Implementar o Salão de Turismo de Bissau; Transportes e Comunicações o Promover a modernização dos serviços de telecomunicações para uma maior cobertura e eficiência dos serviços móveis, fixos e de internet, nomeadamente por meio de utilização da fibra ótica; Realizar trabalhos de reabilitação essencial e de melhoria dos serviços no porto de Bissau (dragagem, aumento do cais de atracagem, etc.);

13 Equipamento e modernização do Aeroporo Internacional Osvaldo Vieira e Serviços de Meteorlogia; Pescas e Economia Marítima o Rever a Lei Geral das Pescas, o Regulamento da Pesca Industrial, o Decreto que cria a Comissão Interministerial da Fiscalização Marítima, FISCMAR e dos Estatutos do CIPA; Elaborar a regulamentação para aplicação do sistema de controlo por via satélite e similares; Rever os manuais de procedimento, qualidade e boas práticas do laboratório e da inspecção de pescado; Rever o protocolo do Plano Nacional do Controlo de Camarão (PNACC) e Plano Nacional de Vigilância Ambiental e Resíduos (PNVAR); Reforçar as capacidades da FISCAP, através de dotação orçamental, de aquisição de meios náuticos e instalação de sistemas de controlo por via satélite (VMS, AIS, etc.), bem como a construção e equipamento de instalações próprias; conclusão das obras e equipamento do Laboratório de Controlo de Qualidade de Pescado, bem como a construção e equipamento de instalações próprias para os serviços da investigação científica, estatísticas de pesca e administração; Saúde Pública o Atualizar e reforçar a implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS II), co-prioridade no combate á malária, tuberculose VIH/Sida; Melhorar os serviços de saúde reprodutiva, assegurando o aumento das consultas pré-natais das grávidas e da proporção de partos realizados por pessoal qualificado; Criar uma unidade hospitalar moderna em Bissau, através de parceria público-privada, para atendimento e resolução de casos mais complexos, reduzindo significativamente as evacuações médicas para o estrangeiro; Criar centros hospitalares especializados: Centro de diagnóstico médico, Unidade de Hemodiálise; Reabilitar o Centro de

14 doenças tropicais; Apostar numa política preventiva de saúde pública. Educação Nacional o Eliminar a exclusão e desigualdade de oportunidade, mormente no acesso à educação escolar entre crianças de diferentes meios social, cultural e geográfico, dando uma atenção especial ás crianças com necessidades educativas especiais; Lançar bases sustentáveis para concretizar a extensão da escolaridade básica obrigatória até ao fim do terceiro ciclo do ensino basico (1º ao 9º ano de escolaridade); Democratizar o acesso ao ensino superior, adaptando-o ao sistema LMD e melhorar a eficácia interna e externa; Modernizar a administração e a gestão do sistema de ensino e promover reformas conducentes ao descongestionamento e o normal funcionamento das estruturas administrativas e de gestão do sistema educativo; Promover os Estados Gerais da Educação, antecedido de uma ampla consulta nacional, através das conferências regionais para criar consensos alargados sobre um plano estratégico de desenvolvimento tendo como horizonte temporal o ano de 2025; Construir uma visão estratégica para um sistema educativo que permita cumprir as metas assumidas na Carta da Política Educativa ; Reforçar a componente educação para a paz, cidadania e defesa dos direitos humanos entre as competências transversais integrantes da política curricular nos diferentes níveis de ensino e formação, destacando a sua importância na construção da paz e da identidade nacional; Elaborar e aprovar a Carta de Politica Nacional da Alfabetização e Educacao de Adultos e o respectivo Plano de Ação; Dotar o Subsistema do Ensino Superior e Investigação Cientifica de um orçamento específico que se situe em função das expectativas de crescimento económico, na proporção de, pelo menos, 1% do PIB (a média nos países africanos é na ordem dos 0,6 % e na OCDE é na ordem de 1,2% por cento), para a concretização da sua missão de ensino, investigação e pesquisa; Construir uma

15 Biblioteca Nacional; Criar e consolidar a Agência Nacional de Avaliações e Creditação; Comunicação Social o Desenvolvimento urgente da capacidade operacional dos órgãos e das diferentes estruturas de comunicação social através de novas infraestruturas (Edifício da Rádio e da Televisão), Reequipamento dos órgãos no quadro da transição analógico/digital para o ano 2015, Modernização e equipamento da Agência Noticiosa da Guiné (ANG); redimensionamento, reestruturação, reequipamento e modernização do sector público da comunicação social e implementação de medidas para a sua viabilização económica e financeira (empresarialização dos órgãos públicos); redefinição em conjunto com a ANP, das competências e atribuições do Conselho Nacional de Comunicação Social; Cultura e Desportos o Criar um quadro jurídico-legal de base que rege o funcionamento das Instituições Culturais; Elaborar o documento da Política de desenvolvimento cultural e a sua implementação; Recuperação, melhoria e construção de novos recintos para a prática desportiva diversificada em todo país, dando primazia no desporto escolar; Criação do Museu da Resistência para preserver a história da nossa independência; Promover a preservação, o restauro e a valorização do património fílmico e audiovisuais nacionais, em particular sobre o acervo da Luta de Libertação Nacional; Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades o Redimensionar e dignificar as nossas representações diplomáticas no exterior e reforçar a sua missão de atracção de investimentos públicos e privados para o país; Reconquistar e desenvolver as relações de

16 amizade e de parceria bilateral e multilateral, particularmente com a União Africana, a União Europeia, e reforçar as nossas relações com as instituições de Bretton Woods (Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional) e espaços da noss aintegração regional (CPLP, CEDEAO); Coordenar esforços com os países da sub-região na luta contra o crime organizado e o tráfico de droga; Sua Excelência Senhor Presidente da ANP Excelências Senhores Deputados, Senhoras e Senhores Podemos ser acusados de estar a apresentar um programa demasiado ambicioso, mas nos parece que os 41 anos da nossa independência sem desenvolvimento, sendo delas 20 em regime democrático com deficiência, impoõe que um governo saído de uma transição política resultante de subverção de ordem consititucional, tenha que assumir a responsabilidade de elaborar e implementar políticas que favoreçam a consolidação do quadro institucional normativo e functional, como condição indispensável para sustentar as nossas aspirações ao desenvolvimento. Nesta base, agradecemos ao povo guineense pela luta persistente pela democracia, vamos honrar a sua confiança com a capaciadde de resposta das instituições da república. Agradecemos a Comunidade Internacional pelo apoio e solidariedade ao povo guineense, mais uma vez demonstrada na contribuição deste orçamento de Estado e, vamos fazer de tudo para usar de froma exemplar a sua contribuição e aumentar a nossa capacidade de governar bem e melhorar os indices sociais hoje tão frágeis. Deste modo, o presente programa não pode ser caracterizado de ambicioso, pois é o mínimo que podemos apresentar para alavancar o país e integrar a Guiné-Bissau na economia mundial. Com a equipa governamental que tenho a honra e privilégio de liderar, com o apoio da Sua Excelência Senhor Presidente da República e do parlamento, garanto-vos digníssimos deputados, ao povo guineense e a Comunidade

17 Internacional, que este programa é exequível, foi devidamente ponderado, e revelou-se absolutamente necessário. Agradeço antecipadamente, a todos os digníssimos Deputados da Nação, as vossas valiosas contribuições para desenvolvermos, em conjunto, esta terra de esperanças e fazer dela terra de homens e mulheres unidos sob o desígnio de uma única bandeira - unidade. Finalizo dizendo que nunca foi por falta de sonho, vontade, competência e qualidades do nosso povo que limitou o nosso desenvolvimento, mas antes a ausência de construção de amplos consensos políticos na sociedade guineense, impedindo a estabilização do nosso país para o bem-estar e conforto sustentado. Desde modo, a realidade que vivemos hoje, deve ser enacarada como uma oportunidade histórica de fazermos da democracia eleitoral e participativa um instrumento ao alcence da nossa sociedade para a construção da nossa felicidade, aumento da nossa autoestima e reconhecimento no concerto das nações, com um Programa, um Governo, um Parlamento e uma Nação mobilizadas e comprometidas para garantir a salvaguarda da protecção do interesse público do povo guineense, visando a transformação política, económica, social, cultural desta nossa mada patria forjada na luta, vivendo na paz e no progresso. Muito obrigado, Que Deus abençoa a Guiné-Bissau!

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