Unidade: A FORMAÇÃO DO PROFESSOR FORMADOR PARA A MODALIDADE Unidade I: DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

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2 Unidade: A FORMAÇÃO DO PROFESSOR FORMADOR PARA A MODALIDADE DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A modalidade de Educação a Distância requer do professor formador uma postura e uma compreensão do processo de ensinar e das teorias da aprendizagem (http://www.eps.ufsc.br/diss2000/valdete/cap3.pdf). O termo formador traz implícita uma concepção de professor inovadora no sentido de deslocar do processo de aprendizagem o centro do professor para o aluno. Para compreender melhor esse deslocamento nos pautaremos nas concepções de ensino apresentadas por Mizukami (1986) 1 que categoriza o papel do professor a partir das abordagens comportamentalista, humanista, cognitivista e sócio-cultural. Dentro da abordagem comportamentalista, segundo Mizukami (1986), o professor é um planejador do ensino e da aprendizagem que trabalha no sentido de dar maior produtividade, eficiência e eficácia ao processo, maximizando o desempenho do aluno. O professor, como um analista do processo, procurava criar ambientes favoráveis de forma a aumentar a chance de repetição das respostas aprendidas. Com relação à abordagem humanista, a professora assim se refere: As qualidades do professor (facilitador) podem ser sintetizadas em autenticidade, compreensão empática - compreensão da conduta do outro a partir do referencial desse outro - e o apreço (aceitação e confiança em relação ao aluno).(mizukami, 1986,p.53) O professor como facilitador da aprendizagem, aberto às novas experiências, procura compreender, numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e de modo a propiciar-lhes autorealização. A responsabilidade da aprendizagem (objetivos) fica relacionada ao aluno, àquilo que é mais significativo para ele, e deve ser facilitada pelo professor. Portanto, o processo de ensino depende da capacidade individual de cada professor, de sua aceitação e compreensão e do relacionamento com seus alunos. 1 Mizukami, M. G.N., Ensino: As abordagens do Processo. São Paulo, EPU. 1

3 Na abordagem cognitivista a mesma autora, coloca que o professor atua investigando, pesquisando, orientando e criando ambientes que favoreçam a troca e cooperação. Ele deve criar desequilíbrios e desafios sem nunca oferecer aos alunos a solução pronta. Em sua convivência com alunos, o professor deve observar e analisar o comportamento deles e tratá-los de acordo com suas características peculiares dentro de sua fase de evolução. (MIZUKAMI, 1986) Piaget surge como o principal nome na abordagem cognitivista, que desloca o foco da passividade do aluno em relação à informação. O professor passa a criar o cenário necessário, pensando no estágio de desenvolvimento em que o aluno se encontra, para que o aluno possa explorar o ambiente de forma predominantemente ativa. Neste ponto, o aluno não é um ser que recebe a informação passivamente, ele deverá experimentar racionalmente atividades de classificação, seriação e atividades hipotéticas. Assim, o professor sempre oferecerá ao aluno situações problemas que tragam a eles a necessidade de investigar, pensar, racionalizar a questão e construir uma resposta satisfatória. Na abordagem sócio-cultural, Mizukami (1986) afirma que a relação entre o mestre e o aprendiz é horizontal, professor e aluno aprendem juntos em atividades diárias. Nesse processo, o professor deverá estar engajado em um trabalho transformador procurando levar o aluno à consciência, desmistificando a ideologia dominante, valorizando a linguagem e a cultura. Tendo presente tais abordagens apresentadas e discutidas por Mizukami podemos inferir que o papel do professor formador em EAD, em função das características dessa modalidade de ensino e pela presença das tecnologias e dinâmicas envolvidas nessa modalidade, se aproxima das abordagens mais renovadas (humanista, cognitivista e sócio-cultural). Ou seja, é importante ter presente as diferentes abordagens e os conhecimento sobre os estilos de aprendizagem, já estudados na disciplina de Aprendizagem em Ambientes Virtuais e das ferramentas de TICs para que seja possível atuar com professor formador. Diante das características individuais dos alunos, da complexidade do processo de aprendizagem e diversidade dos recursos disponíveis, diferentes ações e intervenções são necessárias por parte do professor formador que precisa estar sempre disposto a aprender, a interagir e a trabalhar de forma 2

4 colaborativa com os alunos, tutores e demais professores, gestores dos cursos, bem como com a equipe técnica, que garante a funcionalidade das plataformas educacionais. Diante disso, a didática da Educação a Distância diferencia-se em alguns aspectos da Didática normalmente apreendida pelos cursos de formação de professores para o ensino presencial. O quadro apresenta de forma esquemática essa diferenciação. QUADRO 1 Principais semelhanças entre a Didática da Educação Presencial e da Educação à Distância. a) Quanto à aprendizagem: tanto a Educação Presencial como a EAD promovem a aprendizagem significativa e devem ser compreendidas como partes integrantes de um projeto educativo mais amplo, tendo especificidades e importância próprias, atendendo a necessidades e demandas de uma clientela específica. O importante é que ambas possam contribuir para ampliar, em qualidade e quantidade, as oportunidades educacionais, visando alcançar os fins da Educação e contemplando especialmente a consecução da cidadania plena. b) Quanto à avaliação: nos dois casos, ela envolve a aferição do conhecimento adquirido pelo aluno e deve ser competência do tutor / professor promovê-la. Na modalidade a distância, no entanto, também existe uma forma de avaliação não presencial. Isto requer, por parte do professor, uma visão mais processual da avaliação. c) Quanto ao domínio do conteúdo a ser ministrado: neste item existe uma concordância quanto ao fato de que tanto o professor do ensino presencial, quanto o professor formador da EAD precisam dominar o conteúdo do curso em que produzem e participam. 3

5 d) Quanto ao trabalho desenvolvido em equipe: também neste caso, há semelhanças. Na Educação a Distância, no entanto, pode ocorrer o contato com os professores que elaboraram o material didático com a equipe de produção, de tecnologia, com os tutores o que é muito importante e enriquecedor para o grupo. e) Quanto à existência de uma proposta curricular tanto na Educação presencial quanto a distância, o Projeto Pedagógico d Curso ou a proposta pedagógica, deve ser amplamente conhecida pelos membros de toda a equipe que trabalha com o curso. Ela norteia a prática pedagógica do professor e dos tutores, além de orientar toda a produção do material didático. Fonte: Adaptação de A Educação a Distância exige, assim como em outras modalidades de Educação uma postura pedagógica calcada em princípios democráticos e éticos; uma definição flexível de opções metodológicas; a utilização / adaptação de recursos adicionais, de acordo com a clientela a ser atendida no curso, não se resumindo a métodos estáticos de ensino ou ao uso de tecnologia. A reflexão pedagógica é fundamental para a criação de situações que efetivamente promovam a aprendizagem do aluno. Diante do exposto, é possível estabelecermos um paralelo entre a didática para a Educação a Distância e aquela utilizada via de regra no ensino presencial, conforme ilustra o quadro 3. 4

6 QUADRO 3 Diferenças entre a Didática empregada nos cursos presenciais e nos cursos à distância NA EDUCAÇÃO PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O centro geográfico de ensino é a sala de aula. Esta é privilegiada como o locus das interações e da deflagração das aprendizagens, demandando estratégias didáticas que incluem o contato físico, a voz, o olhar, entre outras. Ênfase à interação social presencial as aulas ocorrem face - a face - demandando métodos e recursos variados para a exposição do conteúdo aos alunos e para a manutenção da motivação. Situação de ensino aprendizagem controlada pelo professor, com maior risco do aluno assumir um papel passivo. O aluno estuda onde e quando desejar a população é dispersa há separação física entre professor e aluno. Surge a demanda por novas estratégias didáticas, que incluam as ferramentas de interação. As mensagens trocadas entre os alunos e o tutor são muito importantes e tem um valor motivacional e de relacionamento muito grande. Ênfase à interação social ocorrida em ambientes virtuais provocada pela separação entre professor e aluno emprestando importância maior ao material didático e à tecnologia de informação e comunicação, que serão os meios pelo quais o aluno terá acesso ao conhecimento. O material didático deverá ter características próprias, distintas do chamado livro didático. Aprendizagem independente e autônoma, o aluno torna-se mais ativo em relação ao processo e deve ter a sua autonomia ainda mais estimulada. 5

7 Um só tipo de docente presencial - presente diante do aluno. Maior possibilidade de o professor ser reconhecido como fonte do conhecimento, como ocorre nas modalidades mais tradicionais do ensino presencial. Utilização dos recursos didáticos usuais, já bastante abordados pelos Manuais de Didática (quadro de giz, cartazes, transparências, álbum seriado, fichas, estudo dirigido, modelos, mural, entre outros). Ênfase na interação. Comunicação direta. Esforço focado em atender diretamente o educando, no sentido de transmitir-lhe o conhecimento na instituição de ensino. Vários tipos de docentes: o que elabora o material didático, o tutor que atua totalmente a distância. O tutor é um mediador, dá suporte e atua como orientador da aprendizagem dos alunos. Utilização da Tecnologia de informação e comunicação (TIC), em suas diversas variedades e das ferramentas tecnológicas de interação síncronas e assíncronas (Internet, correio eletrônico, chat, fórum, vídeo conferência, softwares e a própria sala de aula virtual, por exemplo). Ênfase na mediação, utilizando as ferramentas de interação já citadas. Comunicação diferenciada no espaço e no tempo (presencial, a distância síncrona, assíncrona). Esforço direcionado para auxiliar o estudante a se organizar e buscar o conhecimento em locais e horários fixados por ele próprio. Isto significa o desenvolvimento da autonomia em relação à própria aprendizagem e a descoberta das melhores formas de alcançá-la ( aprender a aprender ). Fonte: Adaptação de 6

8 Em síntese, Pierre Levy (1999) 2 enfatiza que a principal postura a ser assumida por um professor formador que pretenda atuar com Educação a Distância é a de abertura ao novo, ao diferente. Peço apenas que permaneçamos abertos, benevolentes, receptivos em relação à novidade. Que tentemos compreendêla, pois a verdadeira questão não é ser contra ou a favor, mas sim reconhecer as mudanças qualitativas na ecologia dos signos, o ambiente inédito que resulta da extensão das novas redes de comunicação para a vida social e cultural. Apenas dessa forma seremos capazes de desenvolver estas novas tecnologias dentro de uma perspectiva humanista (LÈvY, 1999, p.12). 2 LÈVY, P. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34,

9 Referências LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. São Paulo: Papirus, PRADO, Maria Elisabette. A Mediação Pedagógica: suas relações e interdependências. In: Anais do XVII Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. Brasília,

10 9 Responsável pelo Conteúdo: Profª Dra. Rita Maria Lino Tarcia Campus Liberdade Rua Galvão Bueno, São Paulo SP Brasil Tel: (55 11)

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