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1 Propostas para as Eleições 2014 AUMENTA A PRESSÃO!

2 AUMENTA A PRESSÃO! Propostas do Greenpeace para as Eleições 2014 De olho na malandragem Brasil! Transporte decente para todas e todos!

3 Vá além do voto # vai ter eleição Desmatamento Zero!

4 Em ano eleitoral, o Brasil revive o momento em que a ladainha dos políticos permanece distante de tocar o que realmente interessa ao País. A boa notícia é que as manifestações que tomam as ruas desde 2013 e os questionamentos sobre o legado social da Copa do Mundo são sinais claros de um processo de amadurecimento político da sociedade e que, esperamos, altere esse roteiro que costuma tornar as eleições encenacões cansativas e desacreditadas. Nesse novo cenário, a construção de propostas precisa dar conta dos desafios que o Brasil deve superar para se tornar um país justo e ambientamente responsável. Nesse intuito, o Greenpeace apresenta aqui propostas concretas que pressionam os candidatos a darem respostas claras. São demandas estratégicas, ancoradas em metas especificas e que não podem ser respondidas de maneira vaga. As propostas estão divididas em seis importantes frentes de ação energias renováveis, clima, mobilidade e transportes, proteção das florestas brasileiras, agronegócio e madeira cruciais para a promoção de um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Se você quiser somar com a gente, acesse e aumente a pressão! boa leitura

5 proposta 1 Energias renováveis É inegável que o Brasil permanece em estado de alerta com relação a energia, sabendo que não demorará muito para que a conta de luz encareça ou para que chegue um apagão. E não se pode culpar a estiagem que atingiu algumas regiões do Brasil no começo de 2014: esse risco existe há anos. O Governo Federal optou por uma política que privilegia hidrelétricas (com altos impactos socioambientais) e tem apresentado péssima gestão do sistema hídrico, que despreza fatores como a alteração do ciclo da chuva em razão das mudanças climáticas. Também decidiu por subsidiar térmicas, que geram muita poluição, consomem muita água e emitem quantidades elevadas de gases de efeito estufa. Esse cenário pode mudar, se as escolhas certas forem feitas agora. As energias renováveis, como a solar e a eólica, são cada vez mais comuns e possuem incontáveis vantagens ambientais e sociais, tais como a criação de empregos verdes e a descentralização da produção de energia, além de representarem uma indústria emergente no plano mundial. É preciso que o governo dedique mais esforços e recursos às novas fontes renováveis, e que candidatos se comprometam com as seguintes iniciativas: Solarização de 1 milhão de casas em 4 anos, em um processo que pode ser viabilizado por: > Criação de incentivos fiscais às energias renováveis, envolvendo tributos federais (II, IPI e PIS-COFINS), levando a uma redução de 20% do preço de equipamentos do sistema solar fotovoltaico > Articulação junto ao Conselho Nacional de Política Fazendária (ConFaz) para garantir que a energia injetada na rede por mini e microgeneradores de energia tenha o mesmo valor que a consumida da rede > Tratamento diferenciado ao PIS-COFINS incidente sobre o consumo de energia, que pode ser garantido dia decreto, com vistas também a garantir que a energia injetada na rede por mini e microgeneradores de energia tenha o mesmo valor que a consumida da rede Criação de linhas de crédito com juros baixos e prazo acima de 10 anos para financiamento da compra do sistema fotovoltaico pelos bancos oficiais de crédito, para que cada brasileiro possa gerar energia a partir do telhado de sua casa Ampliação da participação de novas energias renováveis na matriz elétrica por meio da realização de leilões por fonte de energia Geração anual de 13 GW de eólica, 14 GW de biomassa e 3 GW de solar até 2018 solar eólica consumo gão

6 proposta 2 Mobilidade e transportes A mobilidade diz respeito à forma como nos deslocamos pela cidade. E é exatamente porque são múltiplas as maneiras de deslocamento a pé, de bicicleta, transporte coletivo ou de carro que precisam ser múltiplas também as soluções. Se por um lado se vê a falência do sistema de transporte coletivo, por outro temos milhões de brasileiros presos em congestionamentos por horas a fio, poluindo constantemente. É fundamental investir na expansão e melhoria dos serviços públicos, e é também importante exigir a produção de veículos mais eficientes e que poluam menos. A resolução desses pontos depende de ação maciça e contínua do Governo Federal, que precisa destinar ao tema a quantidade de recursos necessários e o destaque em planejamento e estratégia que ele merece. É inegável também que o aumento do investimento precisa ser acompanhado de bons planos de mobilidade nos estados e municípios, por meio de medidas a médio e longo prazo. Nesse contexto, candidatos devem assumir os seguintes compromissos: Destinação de ao menos 2,1% do PIB para mobilidade urbana, conforme proposto pelo IPEA, dando prioridade ao investimento em transporte público Capacitação e auxílio aos municípios e estados no planejamento da mobilidade, dotando setores do Governo como a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) de competência, capacidade técnica, humana e financeira para tal Estabelecimento de padrões de eficiência energética para a produção de carros brasileiros. Os fabricantes de veículos automotores deverão alcançar metas mínimas de eficiência energética veicular, que serão progressivamente introduzidas de 2018 a 2021, até atingir a meta de 1,22 Mj/Km (megajoules por quilômetro). Se tal eficiência for alcançada, além dos benefícios ambientais a população brasileira economizaria R$287 bilhões em combustível até mobilidade transporte planos

7 proposta 3 Plano Nacional sobre Mudança do Clima O governo brasileiro deu um passo importante no combate ao aquecimento global com a criação da Plano Nacional sobre Mudança do Clima em Uma meta para a redução de emissões de gases de efeito estufa foi projetada, e o país já cumpriu com dois terços dela - quase exclusivamente por conta da redução do desmatamento, que agora enfrenta ameaças após o enfraquecimento do Código Florestal. Progredimos bem, mas ainda de forma insuficiente pois o panorama nacional e internacional vem se tornando cada vez mais complexo. As três principais frentes de atuação são uso do solo e agricultura, transporte e energia. Essas são as maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa no país. É possível construir uma estratégia ampla e integrada de controle das emissões sem impactar negativamente a economia do país, de forma a manter a liderança no debate climático internacional. Para isso, é fundamental que os candidatos da presidência se comprometam com: Implementação dos Planos de Combate ao Desmatamento na Amazônia e no Cerrado em sua totalidade Identificação integral das áreas já desmatadas que são aptas para a expansão da produção agropecuária Eliminação de todos os subsídios para energia fóssil e nuclear Incorporação dos impactos sociais e ambientais da produção e consumo de diferentes fontes de energia no seu custo Elaboração de um novo Plano Setorial de Transporte e Mobilidade Urbana que esteja à altura dos desafios do setor Estabelecimento de metas e prazos para redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte Estabelecimento de metas e prazos para o investimento em transporte público no plano nacional Elaboração de plano nacional de adaptação aos impactos das mudanças climáticas no ciclo da água, com ênfase especial nas áreas de agricultura, energia e suprimento de água potável à população Implementação e regularização das Unidades de Conservação e Terras Indígenas já definidas pelo governo Criação de novas Unidades de Conservação, especialmente nos locais que foram identificados como prioritários para a conservação da biodiversidade, incluindo a ampliação em 2,5 milhões de hectares das unidades localizadas no Cerrado frio clima calor

8 proposta 4 Proteção das florestas brasileiras Após anos de queda, em 2013 a curva do desmatamento na Amazônia mudou de rumo e apresentou um aumento de 28%. O descontrole florestal no setor madeireiro cresceu 151% entre os anos de 2011 e 2012 no Pará, e 63% no Mato Grosso, os maiores produtores madeireiros de suas regiões. No acumulado, mais de km 2 da floresta já foram desmatadas, uma área equivalente a 3 vezes o tamanho do Estado de São Paulo. Diversas conquistas ambientais das últimas décadas enfrentam grave ameaça devido a iniciativas como a reformulação do Código Florestal, que visam criar uma guerra falaciosa entre produção e preservação. Ao mesmo tempo, o movimento de pessoas que querem a conservação de nossas florestas só tende a crescer. Um exemplo disso está na adesão da população brasileira ao projeto de lei de iniciativa popular pelo desmatamento zero, que no mês de junho de 2014 ultrapassou a marca de 1 milhão de assinaturas. Apresentamos abaixo os pontos que consideramos fundamentais para a retomada da agenda de proteção às florestas no país, e para a manutenção de muitas das conquistas socioambientais de anos recentes: Compromisso e apoio à lei de iniciativa popular pelo desmatamento zero Retomada da criação e demarcação de Unidades de Conservação e Terras Indígenas, bem como a consolidação de todas as áreas já existentes e sua imediata regularização fundiária (com priorização das Unidades de Conservação Federais) - ações que envolvem investimento da ordem de R$7,1 bilhões segundo levantamento do Tribunal de Contas da União Compromisso de veto às proposições PEC 215/2000, PLP 227/2012, PL 1610/96, portaria 303 da AGU e demais propostas de mudança das regras de demarcação das Unidades de Conservação, dos territórios indígenas bem como da transferência de tais responsabilidades para o Congresso Nacional, ou que impliquem na diminuição de direitos das populações tradicionais e indígenas Efetivação das políticas públicas de regularização ambiental dos assentamentos de reforma agrária Mapeamento e qualificação das áreas já desmatadas com potencial produtivo, excetuando-se destas as áreas de especial relevância para proteção e conservação ambiental Elaboração do Plano Nacional de Proteção das Áreas de Mananciais das grandes cidades brasileiras, com o objetivo de auxiliar estados e municípios a conservar as florestas e matas fundamentais para garantir a produção de água visando o abastecimento da população desmatamento fauna flora zero

9 proposta 5 Madeira A indústria da madeira está entre as principais atividades econômicas do país, cuja operação pode acontecer com reduzido impacto ambiental via manejo florestal sustentável. No entanto, entre 2011 e 2012, no Pará e Mato Grosso os dois maiores estados exportadores de madeira do Brasil respectivamente 78% e 54% das áreas foram exploradas de maneira ilegal. Além dos altos índices de ilegalidade, os sistemas que deveriam controlar a exploração são falhos, e há graves problemas com documentos fraudulentos. manejo sustentável floresta Criação de novos processos para autorização da exploração madeireira e de um novo sistema de controle para o setor, que devem ser nacionalmente unificados, com regras claras e transparentes. Todas as informações referentes à autorização e controle da exploração florestal devem estar disponíveis publicamente e em tempo real na internet Tal descontrole torna a atividade um catalisador do desmatamento, além de promover inúmeros conflitos sociais como invasão de terras públicas, evasão fiscal e trabalho escravo. Tudo isto inviabiliza a atividade daqueles que apostaram na produção madeireira responsável e coloca em risco o futuro comercial da atividade. É necessária uma urgente e profunda reforma, através da elaboração de um plano estratégico para o setor madeireiro, ancorado nas seguintes iniciativas: Criação do Programa Ciência na Floresta, visando promover a pesquisa e o uso de novas tecnologias para o setor madeireiro com o objetivo de tornar o país líder na exploração sustentável das florestas tropicais Realização de um zoneamento ecológico econômico para a produção madeireira na Amazônia, por meio do qual serão definidas as áreas de maior importância para a atividade e, consequentemente, os investimentos para a exploração responsável e sustentável Integração dos sistemas que controlam a comercialização dos produtos madeireiros ao sistema tributário nacional Implementação da rastreabilidade dos produtos florestais desde a sua origem Coordenação de esforços para que os estados realizem e divulguem publicamente uma revisão dos planos de manejo e das licenças de operação das madeireiras Criação de marco legal que determine sanções a estados e municípios em caso de não realização da prestação de contas anual, ou de descumprimento das obrigações legais previstas na lei de gestão florestal e em seus respectivos atos legais regulatórios Reestruturação das esferas governamentais de controle do setor, incluindo a criação de um plano de investimentos Elaboração de plano de capacitação e investimentos consistentes no manejo florestal comunitário.

10 proposta 6 Agronegócio Apesar da queda do desmatamento na Amazônia na última década, os atuais km 2 de novas áreas de florestas derrubadas a cada ano continuam sendo uma perda inaceitável. A agropecuária, importante setor da economia nacional e de geração de renda e empregos, ocupa mais de 70% da área já desmatada e continua sendo o mais relevante vetor de desmatamento. Estudos recentes apontam que, com o uso das áreas já abertas e um melhor manejo de pastagens, o país poderia dobrar sua produção de alimentos sem desmatar mais nenhum hectare de floresta. Precisamos mudar o modo como funciona um dos eixos centrais da economia brasileira a produção e exportação de commodities agrícolas ancorada na expansão e conversão sobre áreas florestais. As seguintes propostas são essenciais para a superação de tal desafio: Conclusão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) por área total da propriedade até 2016 Criação de um pacto dos Estados Amazônicos num prazo de 4 anos, coordenado pelo governo federal, cujo resultado seja um ambicioso plano de regularização fundiária incluindo a identificação de todas as áreas púbicas e a validação dos títulos de terras particulares Unificação dos diferentes cadastros de terras espalhados por diversos órgãos do governo em um Cadastro Federal Integrado de Terras Públicas e Privadas, que seja único, de acesso público e diferencie a regularização ambiental da regularização fundiária Estabelecimento do Sistema Federal Eletrônico de Rastreabilidade Animal, baseado na Guia de Transporte Animal Eletrônica (GTA VERDE), com acesso público e que contenha informações oficiais que permitam bloquear automaticamente, em toda a cadeia produtiva, fazendas que forneçam bovinos oriundos de: > Áreas embargadas pelo IBAMA e/ou Secretarias de Meio Ambiente Estaduais e Municipais; > Áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia; > Invasão de terras indígenas; > Unidades de Conservação; > Proprietários que se utilizam de trabalho análogo ao escravo Garanta da redução de emissões de Gases de Efeito Estufa no setor agropecuário por meio do aporte dos recursos necessários para o atendimento dos objetivos do Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC), a serem financiados pelo governo ou por meio de linhas de crédito Revitalização do Imposto Territorial Rural (ITR) como instrumento de democratização do acesso à terra, possibilitando que ele também possa servir como indutor da sustentabilidade ambiental no campo e evite a abertura de novas áreas de florestas simplesmente para especulação Garantia de que as prioridades do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal

11 (PPCDAm) estejam refletidas no Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC), e vinculação do cumprimento de seus preceitos a um percentual dos recursos liberados no Plano Safra. Estímulo governamental às iniciativas de excelência capitaneadas pelo setor produtivo, por meio do estabelecimento de incentivos fiscais e tributários para produtores que se comprometam com o Desmatamento Zero Priorização das regiões Norte e Nordeste na execução das metas do Plano ABC gado pecuária soja agricultura exportação regularização fundiária

12 O Greenpeace é uma organização global e independente que promove campanhas para defender o meio ambiente e a paz, inspirando as pessoas a mudarem atitudes e comportamentos. Nós investigamos, expomos e confrontamos os responsáveis por danos ambientais. Também defendemos soluções ambientalmente seguras e socialmente justas, que ofereçam esperança para esta e para as futuras gerações e inspiramos pessoas a se tornarem responsáveis pelo planeta.

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