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3 JEAN BAUDRILLARD TELA TOTAL mito-ironias do virtual e da imagem 4ª EDIÇÃO ORGANIZAÇÃO E TRADUÇÃO DE JUREMIR MACHADO DA SILVA

4 de Jean Baudrillard, 1997 Capa: Eduardo Miotto Revisão: Gabriela Koza Projeto gráfico e editoração: ComTexto Editoração Eletrônica Editor: Luis Gomes Dados Internacionais de Catalogação na Publicação ( CIP ) Bibliotecária Responsável: Ginamara Lima J. Pinto CRB 10/1204 B342t Baudrillard, Jean Tela total : mito-ironias da era do virtual e da imagem / Jean Baudrillard; tradução de Juremir Machado da Silva. 4.ed. Porto Alegre : Sulina, p. ISBN CDU 30 Todos os direitos desta edição reservados à EDITORA MERIDIONAL LTDA. Av. Osvaldo Aranha, 440 cj. 101 Cep: Porto Alegre RS Tel.: (51) Fax: (51) Maio/2005 IMPRESSO NO BRASIL/PRINTED IN BRAZIL

5 Sumário Introdução: Jean Baudrillard ou o niilismo irônico Nada de piedade de Sarajevo A impotência do virtual Servilização ocidental Quando o Ocidente toma o lugar do morto A grande faxina Às lágrimas, cidadãos! Os hilotas e as elites A informação no estágio meteorológico O continente negro da infância A dupla exterminação Perdidos de vista e realmente desaparecidos A sexualidade como doença transmissível A soberania da greve Terra do Fogo Nova York ou o fantasma do fim do mundo Dívida mundial e universo paralelo A sombra do comandante O espelho da corrupção Disneyworld Company O mundial e o universal Deep Blue ou a melancolia do computador Ruminações para encéfalos esponjosos

6 22 Tela total O complô da arte Fantasmas televisuais Certo, Chirac é uma nulidade História de clones o original e seu duplo JEAN BAUDRILLARD

7 Introdução Jean Baudrillard ou o niilismo irônico Apresentar Jean Baudrillard? Desnecessário. Explicar Baudrillard? Impossível. Ele nunca está nos lugares onde pretendem encontrálo os funcionários da classificação sociológica. Tomar o texto de Baudrillard como pretexto para um discurso escolar? Tampouco. Navegar com o pensador nas águas do desaparecimento da falsa realidade construída pela modernidade? Eis uma aventura intelectualmente excitante. Baudrillard é um outro. Como Rimbaud, não cessa de escapar de si mesmo para contemplar, com olhos irônicos, o formidável avanço da banalidade, encarnada, neste fim de século, na espetacularização do vazio. História universal da extinção. Desaparecimento do sentido, do sexo, da Verdade, do sonho, da política, da utopia, da infância, da morte, da realidade, etc. Tudo desapareceu. E tudo está preservado, salvo, catalogado, guardado para um futuro extinto. Não vale a pena chorar. A nostalgia também foi eliminada, mas, paradoxalmente, subsiste, embalsamada, no coração dos otimistas. Baudrillard, em todo caso, não é profeta nem anjo do apocalipse. Aquém e além do pessimismo e do otimismo, desestabiliza em permanência a eterna vontade intelectual de introduzir certezas nas células de sociedades consumidas pelo vírus do aleatório. Conhecimento e verdade parecem evoluir em direções opostas. Quanto maior o conhecimento, bem ilustrado na TELA TOTAL 7

8 atualidade pela revolução da informática, menor a compreensão da existência. Salvo engano. Apenas o erro está garantido. À sombra do iluminismo quase defunto, Baudrillard ironiza, ri, desconcerta, relativiza, zomba e estraga os esquemas explicativos do prêt-à-porter teórico. Traduzir Baudrillard? Sim e não. A tradução faz-se necessária embora nunca se livre da imprecisão. O texto de Baudrillard oferece-se à conversão, mas guarda zonas de sombra, ambigüidades irredutíveis, falsas opacidades. Intraduzível enquanto escritor singular, Jean Baudrillard permite ao tradutor a descoberta, o prazer da palavra volátil, o gozo da frase em perpétua evolução. Num passeio irreverente pelos territórios das ciências humanas, o autor usa e abusa das metáforas e dos termos emprestados às mais diversas especialidades. Fantasmas de demiurgo? Vertigem poética do discurso. Fantasma, palavra-conceito do domínio psi, de uso coloquial na cultura francesa, merece tradução literal, apesar de ultrapassar a utilização corrente, fora do campo especializado, do vocábulo no Brasil, pois condensa a versatilidade da prosa de Baudrillard, tecida no ponto de encontro entre o erudito, o midiático e o popular; prosa feita de fragmentos que se complementam e contradizem em permanência. Prosa fantasmática. Apenas um exemplo dessa operação complexa que é a argumentação de Jean Baudrillard. Na contramão da homogeneidade, da padronização, cada vez que uma expressão se repete surge nova possibilidade de interpretação. Camadas sucessivas de sentido nuançadas pelo contexto numa incessante deriva na direção do silêncio ruidoso da perplexidade. Cada leitor continuará a traduzir Baudrillard ad infinitum. A força da sua sociologia encontra-se na violência retórica, na abertura consciente ao indizível, ao que só a arte consegue, em parte, tocar. Baudrillard procura ultrapassar o limiar do dito para buscar no não- 8 JEAN BAUDRILLARD

9 dito algo mais do que o senso comum. Conotativo por excelência, o discurso baudrillardiano explora o grau superior da virtualidade. A realidade resume-se a um índice, um vetor, um ponto de partida para o sonho; feroz ironia do homem que se recusa a fazer o jogo da lógica binária. Tela Total reúne pela primeira vez (antes mesmo de uma edição francesa) a íntegra dos artigos/ensaios publicados por Jean Baudrillard, no diário parisiense Libération, entre 1993 e A maioria dos textos apareceu entre junho de 1995 e maio de 1996, época em que o jornal contou com a colaboração oficial do teórico, na primeira segunda-feira de cada mês; depois, quinzenalmente. Criado em 1974, com a participação de Jean-Paul Sartre, Libération representou durante muito tempo, sob a direção de Serge July, o espaço da irreverência máxima do jornalismo francês, global mas intelectualizado. Nada mais justo, portanto, na fase de tentativa de um terceiro salto qualitativo do veículo, que abrigar a reflexão impiedosa de Baudrillard. Perpassados do início ao fim pela sofisticada ironia do sociólogo/escritor, os 25 artigos figuram como verdadeiras lições (cursos) sobre a era da imagem, do virtual, da extinção das verdades ideológicas, da crise dos paradigmas modernos, etc. A unidade analítica alcança o estatuto de unidade temática, apesar da variedade de assuntos (guerra da Bósnia, corrupção, mídia, novas tecnologias...), pois por trás de cada tópico circunstancial aparece uma maneira de olhar, metodologia libertária e implacável, que permite ao leitor perceber o jogo de simulacros, o desaparecimento do Outro, o vazio das posturas pessimistas ou otimistas, a implosão das ilusões, a falácia das apologias da técnica, o império virtual da imagem, etc. Caçador inspirado do absurdo travestido de novidade ou de promessa do paraíso terrestre, Jean Baudrillard desconcerta e provoca indignação por não fazer concessões às utopias desejáveis mas nem por isso realizáveis. Embora muitos intelectuais, entre os quais TELA TOTAL 9

10 Paul Virilio, atuem no mesmo registro o exame radical das condições de possibilidade da autonomia sob o signo da mídia, nenhum apresenta o conjunto de características de Baudrillard: o niilismo irônico associado à qualidade literária original do texto e à invenção de instrumentos inéditos de interpretação. A lógica comunicacional moderna deveria produzir sentido. Às ciências humanas, holofotes da razão, caberia descobrir o Sentido da História. Ora, Jean Baudrillard, em seu delírio filosófico iconoclasta, aponta para a entrada na era da irrealidade, estágio viral da circulação sígnica, no qual o valor irradia em todas as direções, em todos os interstícios, sem referência ao que quer que seja, por pura contigüidade *. Não é apenas a referência do signo que se perde, mas também a capacidade última de decifração do objeto pelas ciências. A certeza cede lugar à incerteza e pode-se substituer enfin à l éternelle théorie critique une théorie ironique **. Em Tela Total, todo o arsenal típico da reflexão baudrillardiana está presente. O mundo contemporâneo, instável e inquietante, surge como uma gargalhada sarcástica. Brilhante. Juremir Machado da Silva * BAUDRILLARD, Jean. A transparência do mal - ensaio sobre os fenômenos extremos. Campinas, Papirus, 1990, p.11. ** Les stratégies fatales. Paris, Grasset, 1983, p JEAN BAUDRILLARD

11 1 Nada de piedade de Sarajevo No programa da Arte *, em duplex de Estrasburgo e Sarajevo, O corredor para a palavra (19 de dezembro de 1992), surpreendente era a superioridade absoluta, o estatuto excepcional conferido pela infelicidade, pela aflição e pela desilusão total a mesma que permitia aos habitantes de Sarajevo tratar os europeus com desprezo, ou ao menos com um ar de liberdade sarcástico, em contraste com o remorso e a contrição hipócrita dos seus interlocutores. Não eram os primeiros que tinham necessidade de compaixão; eram eles que se tornavam compreensivos em relação ao nosso destino miserável. Eu cuspo sobre a Europa, dizia um deles. Ninguém é mais livre, efetivamente, mais soberano do que no desprezo justificado, nem mesmo contra o inimigo, mas contra todos aqueles que bronzeiam sua boa consciência ao sol da solidariedade. E eles viram desfilar desses bons amigos. Ultimamente ainda Susan Sontag, vinda para fazer representar Esperando Godot, em Sarajevo. Por que não Bouvard e Pécuchet, na Somália ou no Afeganistão? O pior não está no suplemento de alma cultural, mas na condescendência e no erro de julgamento sobre a força e a fraqueza. * Arte emissora de televisão pública franco-alemã especializada em assuntos culturais (N.T.). TELA TOTAL 11

12 Eles são fortes; somos nós os fracos e que vamos procurar lá a regeneração de nossa fraqueza e de nossa perda de realidade. Nossa realidade, eis o problema. Só temos uma realidade, e é preciso salvá-la, mesmo com o pior dos slogans: É necessário fazer alguma coisa. Não se pode ficar sem fazer nada. Ora, fazer o que quer que seja pela única razão de que não se pode deixar de fazê-lo nunca constituiu um princípio de ação nem de liberdade. Isso não passa de uma forma de absolvição da própria impotência e de compaixão com a própria sorte. Os habitantes de Sarajevo não precisam se questionar dessa forma, pois estão na necessidade absoluta de fazer o que fazem, de fazer o que é preciso. Sem ilusões sobre o fim, sem compaixão consigo mesmos. É isso, ser reais, é isso, estar no real, que nada tem a ver com a realidade objetiva da infelicidade deles, aquela que não deveria existir e da qual sentimos piedade, mas a que existe tal qual ela é a realidade de uma ação e de um destino. É por isso que eles estão vivos, e nós é que estamos mortos. É por isso que precisamos, antes de tudo aos nossos próprios olhos, salvar a realidade da guerra e impor de algum jeito esta realidade (compassiva) aos que sofrem mas, mesmo no coração da guerra e da aflição, não crêem verdadeiramente nisso. Nos seus comentários, Susan Sontag confessa que os bósnios não crêem de fato na aflição que os cerca. Terminam por considerar a situação irreal, insensata, ininteligível. É um inferno, mas um inferno, de qualquer maneira, hiper-real, tornado mais hiper-real ainda pelo esgotamento provocado pela mídia e o humanitário, dado que este torna ainda mais incompreensível a atitude do mundo inteiro com respeito ao problema. Vivem assim numa espécie de espectralidade da guerra felizmente, de resto, ou não poderiam jamais o suportar. Não sou eu, mas eles que o dizem. Mas Susan Sontag, que vem de Nova York, deve saber melhor do que eles o que é a realidade, visto que ela os designou para encarná-la. 12 JEAN BAUDRILLARD

13 Ou talvez simplesmente porque é disso que ela, e todo o Ocidente, mais sintam falta. É preciso ir reapropriar-se de uma realidade ali onde ela sangra. Todos esses corredores que abrimos para lhes enviar nossos víveres e nossa cultura são na realidade corredores de aflição por onde importamos as forças vivas e a energia da infelicidade dos outros. Troca ainda uma vez desigual. E aqueles que encontram na desilusão radical do real (inclusive do princípio de realidade política que nos governa, parte do princípio de realidade européia) uma espécie de coragem extra, de sobreviver ao que não tem sentido Susan Sontag vem convencê-los da realidade de seus sofrimentos, aculturando-a, claro, teatralizando-a para que possa servir de referência ao teatro dos valores ocidentais, dos quais a solidariedade faz parte. Mas Susan Sontag não está em questão. Ilustra simplesmente uma situação mundana doravante geral, na qual os intelectuais inofensivos e impotentes trocam a própria miséria pela dos miseráveis, cada um suportando o outro numa espécie de contrato perverso tanto quanto a classe política e a sociedade civil trocam hoje as suas misérias respectivas, uma oferecendo o seu pasto, sua corrupção e os seus escândalos; a outra, suas convulsões artificiais e sua inércia. Pôde-se ver assim, não faz muito tempo, Pierre Bourdieu e o abade Pierre se oferecerem em holocausto televisual, intercambiando a linguagem patética e a metalinguagem sociológica da miséria. Nossa sociedade engaja-se assim na via da comiseração, no sentido literal, sob a cobertura do patos ecumênico. É um pouco como se, num momento de imenso arrependimento, entre os intelectuais e os políticos, ligado ao pânico da história e ao crepúsculo dos valores, fosse preciso realimentar o viveiro do valor, o viveiro referencial, invocando o menor denominador que é a miséria do mundo, realimentar em presas artificiais o território de caça. Na atualidade é tacitamente impossível, nos programas de informação, mostrar, na televisão, outros espetáculos que não TELA TOTAL 13

14 o do sofrimento (Daniel Schneidermann). Sociedade vitimal. Suponho que não exprime com isso nada além de sua própria decepção e o remorso da impossível violência contra si mesma. Por toda parte, a Nova Ordem intelectual segue as vias traçadas pela Nova Ordem mundial. Por toda parte, a infelicidade, a miséria, o sofrimento dos outros tornaram-se a matériaprima e a gênese. Vitimalidade saída dos direitos do homem somente como ideologia fúnebre. Aqueles que não a exploram diretamente ou em seu próprio nome fazem-no por procuração não faltam mediadores para tirar sua mais-valia financeira ou simbólica de passagem. O déficit e a infelicidade, como a dívida internacional, negociam-se e revendem-se no mercado especulativo no caso, o mercado político-intelectual, que vale bem o complexo militar-industrial de sinistra memória. Toda comiseração está na lógica da infelicidade. Referir-se à infelicidade, mesmo para combatê-la, significa dar-lhe uma base de reprodução objetiva indefinida. Em todo caso, para combater o que quer que seja, precisa-se partir do mal, e jamais da infelicidade. E é verdade que está em Sarajevo o teatro da transparência do mal. O cancro reprimido que apodrece todo o resto, o vírus cuja paralisia européia é desde já o sintoma. Os móveis da Europa salvos nas negociações do GATT são queimados em Sarajevo. Num sentido, trata-se de uma coisa boa. A Europa falsa, a Europa perdida, a Europa remendada nas convulsões mais hipócritas, instala-se em Sarajevo. E, nesse sentido, os sérvios seriam quase o instrumento da desmistificação, o mecanismo de análise selvagem desta Europa fantasma, dos políticos tecnodemocráticos tão triunfalistas nos seus discursos quanto deliqüescentes nos fatos. Pois se vê bem que a Europa se degrada na medida que o discurso sobre a Europa desabrocha (assim como os direitos do homem se degradam à medida que prolifera o discurso dos direitos do homem). Mas, com efeito, não é sequer a última palavra da história. Esta encontra-se no 14 JEAN BAUDRILLARD

15 fato de que os sérvios, enquanto vetores da purificação étnica, são a extremidade sensível da Europa em construção. Pois a Europa real está em construção, a Europa branca, a Europa lavada, integrada e purificada, moral, econômica ou etnicamente. Está em construção vitoriosamente em Sarajevo, e nesse sentido, o que aí ocorre não é de jeito nenhum um acidente no percurso de uma Europa inexistente, piedosa e democrática; é a fase lógica e ascendente da Nova Ordem européia, filial da Nova Ordem mundial, que se caracteriza por toda parte pelo integrismo branco, o protecionismo, a discriminação e o controle. Dizemos: se nada fizermos em Sarajevo, sobrará para nós na seqüência. Mas já estamos nisso. Todos os países europeus estão em vias de purificação étnica. Tal é a verdadeira Europa, que se faz lentamente à sombra dos parlamentos, e sua ponta de lança é a Sérvia. Inútil invocar uma passividade qualquer, uma impotência qualquer a reagir, visto que se trata de um programa em via de execução lógica, do qual a Bósnia é apenas a nova fronteira. Por que Le Pen desapareceu do cenário político? Porque a substância das suas idéias infiltrou-se por tudo na classe política, sob a forma de exceção francesa, de união sagrada, de reflexo euronacionalista, de protecionismo. Não há mais necessidade de Le Pen, pois ele ganhou, não politicamente, mas viralmente, nas mentalidades. Por que esperar que o conflito cesse em Sarajevo, dado que a mesma coisa está em jogo? Nenhuma solidariedade mudará nada ali; o desfecho chegará miraculosamente no dia em que a exterminação tiver terminado, o dia em que a linha de demarcação da Europa branca será traçada. É como se a Europa, todas as nacionalidades reunidas, todas as políticas confundidas, tivesse assinado um contrato, contrato de assassinos, com os sérvios, convertidos em executores do trabalho sujo europeu como o Ocidente tinha antes um acordo com Saddam contra o Irã. Simplesmente, quando o matador exagera, precisa-se, por vezes, liquidá-lo também. As operações contra o TELA TOTAL 15

16 Iraque e a Somália foram fracassos relativos do ponto de vista da Nova Ordem mundial. Já a operação na Bósnia parece fadada ao sucesso do ponto de vista da Nova Ordem européia. Os bósnios sabem disso. Sabem que estão condenados pela ordem democrática internacional, e não por qualquer vestígio ou excrescência monstruosa chamada fascismo. Sabem que estão fadados à exterminação, a ser relegados, ou à exclusão como todos os elementos heterogêneos e refratários do mundo sem apelação, porque, apesar de poder desagradar a má consciência hipócrita dos democratas e humanitários ocidentais, essa é a via inexorável do progresso. A Europa moderna pagar-se-á pela erradicação dos muçulmanos e dos árabes, como já o faz por toda parte, nem que seja a título de escravos imigrados. E a maior objeção à ofensiva da má consciência, tal qual ela se desenvolve nos happenings como o de Estrasburgo, é que, perpetuando a imagem da pretendida impotência dos políticos europeus e a da consciência ocidental, pretensamente estraçalhada por sua própria impotência, cobre-se toda a operação real, assegurando-lhe o benefício da dúvida espiritual. Alguns dos habitantes de Sarajevo, na tela da Arte, tinham o ar de estar sem ilusão e sem esperança, mas não o ar de mártires potenciais, bem ao contrário. Possuíam por eles a própria infelicidade objetiva; mas a verdadeira miséria, a dos falsos apóstolos e dos mártires voluntários, estava do outro lado. Ora, como se disse com muita justiça: O martírio voluntário não será tomado em consideração no além. (7 de janeiro de 1993) 16 JEAN BAUDRILLARD

17 2 A impotência do virtual Episódio recente: os estudantes, em manifestação, bloqueiam o TGV * na estação de Angoulême. O fluxo escoa dos dois lados do trem, ao longo dos passageiros imóveis atrás dos vidros fumés. Alguns gritos, slogans e vociferações mas contra quem? Era como se latissem para um satélite artificial. Pois com o TGV é a realidade virtual que passa, a realidade virtual que atravessa a França in vitro encarnação do dinheiro da velocidade de tudo que circula confrontada ao mundo bem real de desempregados potenciais dos manifestantes. Confronto surrealista da flecha do tempo e de uma juventude já ultrapassada. Tudo o que eles podem arrancar à transparência dos ricos são dez minutos de imobilidade, de congelamento em imagem, de toda maneira, no espetáculo televisual do qual são vítimas. Simples episódio em miniatura do clash entre o real e o virtual e de suas conseqüências fantásticas na escala planetária: separação entre um espaço virtual de altíssima freqüência e um espaço real de freqüência nula. Nada mais de comum entre eles, nem de comunicação: a extensão incondicional do virtual (que não inclui somente as novas imagens ou a simulação a distância, mas todo o cyberespaço da geofinança (Ignacio Ramonet) e o da multimídia e das auto-estradas da informação) determina a desertificação sem precedentes do espaço real e de tudo o que * TGV Trem de Grande Velocidade (N.T.). TELA TOTAL 17

18 nos cerca. Isso valerá para as auto-estradas da informação e também para as de circulação. Anulação da paisagem, desertificação do território, abolição das distinções reais. O que até agora se limita ao físico e ao geográfico, no caso de nossas auto-estradas, tomará toda a sua dimensão no campo eletrônico com a abolição das distâncias mentais e a compressão absoluta do tempo. Os curtos-circuitos (e a instauração desse cyberespaço planetário equivale a um imenso curto-circuito) geram eletrochoques. O que entrevemos não é mais somente o deserto do trabalho, o deserto do corpo que a informação engendrará em razão de sua própria concentração. Espécie de big crunch contemporâneo do big bang dos mercados financeiros e das redes de informação. Estamos apenas na aurora do processo, mas os dejetos e os desertos já crescem muito mais rápido do que a própria informática. Os dois universos, mesmo literalmente separados entre eles, são igualmente exponenciais. Tal distorção não cria, porém, nova situação política de verdadeira crise, pois a memória apaga-se ao mesmo tempo que o real. Ela é apenas virtualmente catastrófica. Outra perspectiva catastrófica, nem sequer entrevista pelos campeões do virtual de todas as categorias (sejam as estratégias ocultas das finanças mundiais ou os defensores da democracia universal da informação), é o fenômeno da massa crítica. Conhecemos os dados no plano cosmológico: se a massa do universo é inferior a certo limite, este permanece em expansão e o big bang prolonga-se ao infinito. Se o limite é ultrapassado, o universo implode e contrai-se: big crunch aí também. Ora, guardadas todas as proporções, a esfera da informação (entendendo-se ainda uma vez aí a circulação orbital em tempo real tanto do dinheiro quanto das imagens ou das mensagens) corre o risco, na perspectiva do desenvolvimento infinito de conexão universal de todas as redes que nos prometem, de conhecer uma reversão brutal do mesmo gênero. Com as auto-estradas da informação, parece que estamos 18 JEAN BAUDRILLARD

19 fazendo tudo para ultrapassar o limiar crítico. Onde os bons apóstolos só vêem a maravilhosa expansão centrífuga, não estaríamos nos dirigindo para tal saturação e densidade que daí resultaria a deflação e o desabamento automático? Essa eventualidade não é mais a da distorção entre uma esfera ultra-sofisticada, ultraconectada e o resto do mundo desertificado (o quarto mundo informático), mas uma catástrofe intrínseca ao universo virtual de ponta, implosão por ultrapassagem da massa crítica. Podemos nos perguntar de resto se já não ultrapassamos esse limiar e se a catástrofe da informação já não ocorreu, na medida que a profusão multimidiática de dados se auto-anula e que o balanço em termos de substância objetiva da informação já é negativo. Há um precedente com o social: o patamar da massa social crítica já está amplamente ultrapassado com a expansão populacional, das redes de controle, de socialização, de comunicação, de interatividade, com a extrapolação do social-total provocando desde agora a implosão da esfera real do social e de seu conceito. Quando tudo é social, súbito nada mais o é. Talvez, no entanto, por trás desse otimismo tecnológico delirante, por trás desse encantamento messiânico do virtual, sonhamos justamente com o limite crítico e com essa inversão de fase da esfera da informação na impossibilidade de viver esse acontecimento considerável, essa implosão geral em nível do universo, teremos o gozo experimental em nível de micromodelo. Dada a aceleração do processo, o intercâmbio pode estar bastante próximo. É preciso, portanto, encorajar vivamente essa superfusão da informação e da comunicação. Em todo caso, resta uma hipótese alternativa: trata-se do quadro que nos apresentam da potência das tecnologias do virtual, da promoção irresistível da realidade virtual até a potência incontrolável dos novos donos do mundo (le Monde diplomatique de maio de 1995) que são os senhores da Microsoft e do TELA TOTAL 19

20 telecapitalismo; esse quadro depende fortemente da intoxicação midiática, repercutindo a auto-intoxicação desses meios (assim todo o processo se alimenta em espiral). De duas, uma: ou os dados estão lançados, o mundo inteiro já está dependente desse feudalismo tecnológico que concentraria em suas mãos toda espécie de poder real e então só resta desaparecer, pois nós também já estamos nessa perspectiva virtualmente riscados do mapa como do território. Ou então não é nada disso e tudo isso também é virtual. A potência do virtual nada mais é do que virtual. Por isso, aliás, pode intensificar-se de maneira alucinante e, sempre mais longe do mundo dito real, perder ela mesma todo princípio de realidade. Para que essas potências técnicas estendam seu império sobre o mundo seria preciso que tivessem uma finalidade não há potência sem finalidade da potência. Ora, elas não a têm. Só podem transcrever-se indefinidamente nas suas próprias redes, nos seus próprios códigos. Mesmo os capitais especulativos não saem quase da própria órbita: amontoam-se e não sabem sequer onde se perder no próprio vazio especulativo. Quanto à transformação dessa potência midiática e informacional em poder político, vimos bem, no caso de Berlusconi, contrariamente à tese do golpe de Estado midiático (pela qual tomar o poder político era somente uma formalidade para quem controlasse a economia e a comunicação), que fracassava imediatamente. Sentimos com razão medo de um forte crescimento do poder da mídia, enquanto é precisamente a mídia que desmaterializa todo poder para bem ou para mal. Fatalidade do virtual: não poderia haver estratégia do virtual pois, doravante, só há estratégia virtual. Não há, portanto, donos do mundo, mas somente donos da transparência, e não é pelo fato de que o dinheiro, os produtos e as idéias deles atravessam sem obstáculos as fronteiras do mercado mundializado que devemos nos inclinar diante dessa supremacia do virtual, pois seria apenas nova forma de servidão voluntária. (6 de junho de 1995) 20 JEAN BAUDRILLARD

21 3 Servilização ocidental Ao preço de esforço sobre-humano e de três anos de massacres, mas sobretudo após a humilhação das forças da comunidade internacional algo, sem dúvida, insuportável parece que a opinião ocidental finalmente reconheceu, a contragosto e com todas as reservas possíveis, que os sérvios eram os agressores. Parece que com esse reconhecimento se foi o mais longe possível em termos de firmeza e de lucidez o fato é que enfim se atingiu o ponto de partida da guerra. Mesmo aqueles que desde muito tempo, contra a doutrina oficial dos beligerantes, denunciam a agressão dos sérvios, festejam essa virada de posição como uma vitória, esperando ingenuamente que, a partir daí, não haverá outra saída para as potências ocidentais, a não ser pôr fim à agressão. Nada acontecerá evidentemente, e a designação absolutamente platônica dos carrascos enquanto carrascos não implica de jeito nenhum o reconhecimento das vítimas como vítimas. Para iludir-se com isso, é preciso todo o idealismo evangélico dos que estimam que o máximo do ridículo e da desonra foi atingido e reclamam um sobressalto das potências internacionais e de uma Europa suicida, sem se dar conta um só instante da inutilidade dos seus esforços, equivalente exato da hipocrisia perpétua dos políticos. Pois a recriminação segue junto com o crime, e os dois proliferam juntos numa orquestração interminável do acontecimento. Visto que a consciência ocidental toma TELA TOTAL 21

22 para si o luto da situação, dado que monopoliza a hipocrisia e os bons sentimentos, não dá para ver por que o assassino não manteria o monopólio da arrogância e do crime. De fato, nem a grotesca gesticulação das forças internacionais nem a lamentação repugnada dos síndicos da boa causa não conseguiriam obter real efeito, porque o passo decisivo não foi dado, o último passo na análise da situação, passo que ninguém ousa nem quer dar. Seria o caso de reconhecer que os sérvios são não somente os agressores, o que escancara uma porta aberta, mas que são nossos aliados objetivos nessa operação de limpeza da futura Europa liberada das suas minorias incomodativas e da futura ordem mundial liberada de toda contestação radical dos seus próprios valores ou seja, da ditadura democrática dos direitos do homem e da transparência dos mercados. Nisso tudo, a consideração do mal está em questão. Com a denúncia dos sérvios como psicopatas perigosos, vibramos com a localização do mal sem duvidar um momento sequer da pureza de nossas intenções democráticas. Estimamos ter feito tudo ao designar os sérvios como os maus mas não como os inimigos. Explicação: no front mundial, nós ocidentais, europeus, combatemos exatamente o mesmo inimigo que eles: o islã, os muçulmanos. Por toda parte, na Chechênia com os russos (mesma tolerância vergonhosa e exterminadora); na Argélia, onde denunciamos o poder militar enquanto o sustentamos logisticamente em profundidade (lá, como por acaso, as boas almas, que estigmatizam na Bósnia a doutrina oficial dos beligerantes, utilizam exatamente a mesma linguagem: terrorismo de Estado contra terrorismo fundamentalista equivalência do mal e nós, aí, espectadores impotentes da barbárie. Como se o terrorismo de Estado não fosse nosso terrorismo, o praticamos, em casa, em doses homeopáticas). Em resumo, podemos bombardear algumas posições sérvias com obuses produtores de fumaça, 22 JEAN BAUDRILLARD

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