Segurança do doente. Concurso Criativo O Dia-a-dia dos Enfermeiros. Erros de medicação Escassez de enfermeiros Declaração do Luxemburgo

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1 Número 17 Julho 2005 Número 17 Julho ISSN Segurança do doente Erros de medicação Escassez de enfermeiros Declaração do Luxemburgo Concurso Criativo O Dia-a-dia dos Enfermeiros Pintura Menção honrosa Título Esquizofrenia Autor António dos Reis Costa, membro n.º 2-E-28320

2 Editorial Bastonária 1 Cara(o) Colega Como de certo já reparou, apresentamos-lhe hoje a nova imagem da nossa Revista. Enquadra-se no desenvolvimento para a melhoria da comunicação, que temos vindo a implementar desde a mudança de site e que continuará com a renovação do próprio grafismo da Revista. Chegar-lhe a nossa Revista com uma nova imagem em período de férias faz sentido. As férias são um tempo e um espaço de mudança, de descompressão dos muitos rituais que impomos a nós próprios para fazermos face, com equilíbrio, ao stress e aos imprevistos. Para as organizações, a necessidade de tempos e espaços de mudança, que não afectem o essencial, é também uma realidade, que desde já damos corpo através da nova imagem do site e da revista. Espero que a nova imagem seja do seu agrado e que, graças a ela, se sinta incentivado(a) a conhecer o conteúdo da nossa Revista, e a torná-lo útil no seu quotidiano. Este encontra-se, sabemo-lo, marcado por mudanças decorrentes das decisões políticas globais e das que afectam especificamente a área da saúde. Todos desejamos que sejam criadas melhores condições para que os cuidados de saúde, em geral, e os de enfermagem, em particular, se organizem de acordo com as necessidades identificadas e sejam próximos dos cidadãos. Este desafio implica repensar os modelos de organização da prestação de cuidados, muito para além dos de resposta às situações de doença. A nós, enfermeiros, cabe-nos contribuir para a construção do modelo que melhor sirva este objectivo e estou certa de que somos o grupo profissional em melhores condições para desenvolver e implementar estratégias de intervenção promotoras da mudança. Entendemos, pois, que a Ordem tem o dever de apresentar ao poder político a forma como entende o desenvolvimento de um novo paradigma de organização e de responsabilização, em que os cidadãos sejam o centro e os profissionais e as instituições sejam verdadeiros recursos de saúde. Encontrará, nesta Revista, os documentos respeitantes à estrutura e gestão das organizações, aos cuidados de proximidade e sistemas de informação em enfermagem de que fizemos entrega. O Ministério da Saúde já disponibilizou, no site da DGS, para discussão pública, o primeiro documento relativo aos cuidados de saúde primários. Participe com a reflexão e com o conhecimento que a sua experiência lhe permite. Esta é também uma forma de fazer ouvir a voz dos enfermeiros... Por último, uma nota sobre os enfermeiros e a segurança dos doentes, questão que necessita de ser cada vez mais aprofundada. Apesar da controvérsia, deveremos reconhecer que a atenção obtida pelo ICN, em torno da temática do Dia Internacional do Enfermeiro, para a questão dos medicamentos falsificados permitiu discutir o problema da segurança dos doentes. Permitiu mesmo que fosse considerada uma questão central da responsabilidade dos profissionais da saúde, mais vasta que a dos medicamentos falsificados. Ver mais longe e mais globalmente para melhor agir no aqui e no agora é um desafio para todos. Maria Augusta Sousa

3 2 ROE 17 Julho 2005 Sumário Sumário N.º17 Julho 2005 Intervenção 04 Notícias A Ordem dos Enfermeiros (OE) considera que a prioridade assumida politicamente no programa do Governo Actividades e deliberações 7 Após a definição dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem deu-se início a uma nova etapa A considerar Ao enfermeiro é cometida a responsabilidade da adequada prestação de cuidados de enfermagem... 20

4 ROE 17 Julho 2005 Sumário 3 Destaque regional 25 Açores Aproveitando o magnífico cenário do Hotel da Caloura, os órgãos sociais regionais reuniram-se... Actualidade 28 Centro A Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, no sentido de atingir um dos Madeira Como habitualmente, faremos, neste espaço, referência a algumas das actividades mais Em destaque Celebrámos, no passado dia 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro Reflexões Discute-se a necessidade da certificação de competências em enfermagem... Divulgação 35 Norte Tendo em vista a concretização dos planos de actividades dos órgãos sociais, quer a nível nacional Agenda Com a data de 2005 e apresentado nas comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro Sul Estivemos representados, na área de exposições 23.º Congresso do ICN, num stand Breves Por lapso da ROE, o artigo da Enfermeira Ana Leonor Alves Ribeiro intitulado...

5 4 Intervenção Notícias Cuidados de proximidade * os enfermeiros como recurso de saúde dos cidadãos A Ordem dos Enfermeiros (OE) considera que a prioridade assumida politicamente no programa do governo e anunciada pelo Ministro, no que concerne à criação dos serviços de proximidade, poderá tornar-se um importante vector para a melhoria das respostas às necessidades em cuidados de saúde dos cidadãos. Neste quadro, e no que aos cuidados de enfermagem diz respeito, considera a OE ser essencial a clarificação e o consequente desenvolvimento de orientações relativas à matriz organizacional a desenvolver como instrumento de suporte à opção política enunciada. O actual modelo organizacional baseia-se numa concepção vertical da organização do sistema de prestação de cuidados, onde a última legislação, das chamadas redes, produzida na anterior legislatura, veio acentuar mais a dicotomia já existente, sendo impeditiva ao desenvolvimento de uma matriz organizacional que suporte de forma estruturada, sustentada e responsável, perante os cidadãos e perante o poder central, as respostas articuladas às necessidades em saúde, identificadas e potenciais, de uma dada população. Entende a OE ser imperativo elaborar um novo modelo organizacional, de base loco / regional, cuja implementação, à escala nacional, deverá ter como horizonte temporal o definido para o Plano Nacional de Saúde (PNS), onde: o poder local seja implicado na identificação das necessidades e nas soluções possíveis com os recursos disponíveis; todas as entidades prestadoras de cuidados sejam implicadas nas respostas, na base de um plano de desenvolvimento para a saúde e na consequente contratualização, evitando duplicação de cuidados suportados economicamente pelo SNS; as organizações profissionais sejam implicadas tanto no diagnóstico da situação, como nas soluções, como na definição de prioridades, no sentido de poderem desempenhar melhor o seu mandato social, cuja centralidade é o direito que os cidadãos têm a cuidados de enfermagem de qualidade. Os enfermeiros, enquanto recurso de saúde para os cidadãos, no quadro da clarificação do modelo orgânico-funcional das equipas prestadoras, serão seguramente um valor acrescido para os ganhos em saúde da população a quem os cuidados se dirigem. Ou seja, os enfermeiros, de acordo com as suas competências próprias, devem assegurar, com autonomia e em complementaridade com outros profissionais, a intervenção profissional ao nível primário, secundário e terciário, tendo como finalidade a satisfação global, integradora de respostas às necessidades efectivas dos cidadãos. Com estes pressupostos, e suportado no modelo de análise do relatório da OMS de 2000 realizado pelo grupo de peritos, na estrutura do PNS, e nas orientações da OMS relativas ao enfermeiro de família, entende-se que o modelo orgânico-funcional das equipas prestadoras que poderá potenciar mais os cuidados de enfermagem e melhorar a rendibilidade dos recursos em função das necessidades dos cidadãos deverá assentar nas três vertentes estruturantes da organização dos cuidados de proximidade, ou seja: na vertente dos cuidados pessoais; na vertente das variáveis de saúde pública; na vertente da componente intersectorial. * Texto entregue pela Ordem dos Enfermeiros na audiência de 10 de Maio de 2005, com o Ministro da Saúde.

6 Intervenção Notícias 5 Na vertente dos cuidados pessoais O foco de atenção é a pessoa, de acordo com a definição da OE, com necessidade de cuidados de enfermagem decorrentes de 1 : o desenvolvimento de potencialidades com vista à melhoria dos seus níveis de saúde; défices identificados, instalados e / ou potenciais, que decorrem dos problemas, ao longo da vida, associados ao processo de saúde / doença, tendo como finalidade potenciar as respostas humanas que tal processo desencadeia. Nesta perspectiva, assume particular importância a clarificação dos conceitos que deverão alicerçar a intervenção dos enfermeiros nesta área e suportar a distribuição e organização do trabalho. O enfermeiro de família assume os cuidados de enfermagem, sendo a finalidade da sua intervenção o desenvolvimento do máximo de potencialidades do cliente para o autocuidado, a vigilância do regime terapêutico, a identificação dos sinais de alerta e a prevenção de complicações associadas. Deste modo, garante a continuidade de cuidados sendo, simultaneamente, o elemento de referência para a família e o elemento pivô na gestão dos recursos para resposta às necessidades identificadas. O contexto de intervenção é, prioritariamente, o domicílio, e o núcleo de suporte é a família, no sentido daqueles que lhe estão mais próximos. Nesta perspectiva, o trabalho destes enfermeiros deverá ser organizado por áreas geográficas cuja referência assentará num número não superior a 300 famílias por enfermeiro. O desenvolvimento da intervenção dos enfermeiros na vertente anteriormente abordada integra-se na resposta multiprofissional e multidisciplinar que o acto de saúde exige. Ou seja, o tipo de intervenção, o contexto em que se desenvolve e a organização de trabalho permitirão que os enfermeiros de família, enquanto membros da equipa prestadora de cuidados, se articulem com 1 Padrões de Qualidade: Quadro Conceptual da Ordem dos Enfermeiros os restantes recursos existentes, como o encaminhamento para outros profissionais, sempre que a situação ultrapasse as suas competências. Na vertente das variáveis de saúde pública O foco de atenção é a pessoa na sua relação com o ambiente, sendo a promoção da saúde e a prevenção da doença os eixos prioritários das intervenções de enfermagem, que têm como finalidade ajudar os indivíduos a adoptar respostas adaptativas com vista ao mais elevado nível de saúde que o conhecimento científico e tecnológico disponibiliza. Os enfermeiros com competências nas áreas de especialidade, existentes e a criar, são suporte na organização e prestação de cuidados que, pela sua especificidade, exigem conhecimento próprio. Por esta razão, o seu foco de intervenção deverá ser direccionado tanto para o desenvolvimento de programas específicos como de apoio à intervenção do enfermeiro de família. Assim, estes enfermeiros têm como população-alvo a correspondente aos utentes inscritos no centro de saúde, tendo como principal incidência na sua actividade a promoção da saúde, a prevenção da doença e a reabilitação, de acordo com a sua área de especialização, bem como a coordenação de programas específicos dirigidos a grupos-alvo. Neste pressuposto, dever-se-á, desde já, elaborar uma estratégia de desenvolvimento de suporte a esta perspectiva que, no actual quadro, deverá direccionar a intervenção dos enfermeiros especialistas na perspectiva aqui apontada. Na vertente da componente intersectorial Nesta vertente, no que respeita às intervenções dos enfermeiros, entende-se que, pela natureza dos cuidados de enfermagem, os enfermeiros podem garantir importantes contributos como interface entre a saúde e os outros sectores. Existem já exemplos no que respeita à área da saúde (ex.: a Emergência, a Linha Saúde Pública), da justiça (ex.: as comissões de protecção de menores), da segurança

7 6 Intervenção Notícias social (ex.: as comissões de acompanhamento do rendimento mínimo) e da educação (ex.: as escolas promotoras de saúde). Em síntese, a OE considera ser desejável que o modelo orgânico - -funcional dos cuidados de proximidade garanta a potenciação dos recursos existentes, sugerindo para a sua configuração o seguinte: definição de zonas de saúde com uma abrangência populacional semelhante e com recursos mínimos: um hospital com recursos de valências básicas, no máximo a uma distância que em tempo seja inferior a uma hora, e centros de saúde que cubram a dispersão geográfica; criação de comissões de coordenação e gestão dos recursos de saúde da respectiva zona com as seguintes competências: levantamento dos recursos existentes em cada zona de saúde: localização e finalidades de dispositivos sócio-sanitários de cariz público, privado, social e cooperativo; Promoção da Saúde vertente das varáveis de saúde pública: COMUNIDADE PESSOA processo saúde doença caracterização e monitorização dos problemas de saúde e das necessidades de resposta para a população da respectiva zona; elaboração do mapa previsional de respostas compatíveis com as capacidades instaladas dos serviços públicos; definição de cartas de compromisso, onde se clarifiquem carteiras de serviços a prestar pelas entidades dos vários sectores. Baseado neste diagrama, sugere-se que, sob o ponto de vista organizacional, se evolua para o seguinte quadro de responsabilidade institucional e profissional: a vertente das variáveis de saúde pública deverá contar com estruturas de suporte ao desenvolvimento de programas dirigidos a grupos-alvo e à promoção e manutenção do ambiente e dos estilos de vida saudáveis; a vertente dos cuidados pessoais deverá contar com estruturas de suporte tanto para o tratamento e para a paleação como para a reabilitação e reinserção, com níveis de respostas determinados pelas necessidades dos utentes, cujo factor diferenciador se situa nos recursos tecnológicos. Prevenção da doença Assim, sugere-se a evolução para um modelo funcional de complementaridade profissional, num quadro de interdependência institucional e de administração e gestão global e sistémica a nível loco-regional. oe Reabilitação e reinserção vertente dos cuidados pessoais Tratamento e paleação < Quadro de referência para o modelo orgânico-funcional para os serviços de proximidade

8 Intervenção Notícias 7 Organização e gestão dos serviços de saúde Participação dos enfermeiros * A organização e gestão dos serviços de saúde, no que diz respeito ao modelo eleito, aos actores, aos meios envolvidos e aos objectivos definidos, inscreve-se entre os factores críticos de sucesso do desempenho e reconhecimento dos serviços de saúde. Por esta razão, a Ordem dos Enfermeiros tem promovido o debate sobre a organização e gestão dos serviços de saúde, na óptica da sua maior eficiência e efectividade, bem como dos resultados, em especial, dos ganhos em saúde. A eleição estratégica deste tema tem levado à divulgação de experiências de sucesso ou consideradas inovadoras, por partilha de experiências de gestão nacionais e internacionais. No passado mês de Março, os enfermeiros, em Assembleia Geral, promoveram a análise da actual situação da saúde em Portugal, e aprovaram algumas medidas orientadoras do relacionamento e da cooperação da Ordem dos Enfermeiros com a governação em saúde. Nesta perspectiva, cumpre apresentar alguns pressupostos para a definição da política e estratégia de organização e gestão dos serviços de saúde. Pressupostos A acção da Ordem dos Enfermeiros é orientada por princípios de pró-actividade, inovação e abertura à mudança, que têm levado à formulação de propostas para a melhoria do sistema de saúde em cinco domínios: planificação em saúde e compromisso político, gestão das pessoas e dos serviços de enfermagem, melhoria das práticas e da organização do sistema, formação em enfermagem, administração geral e governação. Para favorecer a concretização de uma política de saúde de proximidade ao cidadão, de cuidados e respostas referenciadas, integradas e de qualidade, de promoção de estilos de vida saudáveis, de mais e melhor saúde, defendidos pelos enfermeiros, e também apresentados no programa do XVII Governo Constitucional, é preciso que o Serviço Nacional de Saúde seja "efectivamente gerido, criando mais valor para os recursos de que dispõem", que "os profissionais estejam envolvidos na política do sector" e que sejam considerados essenciais para a garantia dos resultados. A concretização de metas aceitáveis no domínio da protecção da toxicodependência e da VIH / Sida, e no domínio da protecção e promoção da saúde, do envelhecimento saudável e do cuidar na dependência, da reabilitação e da reinserção social exige que os dispositivos organizativos e da gestão sejam adequados, justos, motivadores e promotores da participação efectiva dos cidadãos e profissionais. Acções propostas Atendendo aos pressupostos apresentados e aos objectivos definidos para esta área, a Ordem dos Enfermeiros, no que respeita à organização e gestão de serviços de saúde, defende a valorização das seguintes acções: participação dos enfermeiros no desenvolvimento da política da saúde e gestão dos serviços, como parceiros estratégicos, ao nível central, regional e local; desenvolvimento de modelos colegiais, práticas de gestão eficientes e reconhecimento do bom desempenho profissional, das equipas e dos serviços; rendibilidade das competências dos enfermeiros na identificação, organização e gestão de processos / capacidades dos * Texto entregue pela Ordem dos Enfermeiros na audiência de 10 de Maio de 2005, com o Ministro da Saúde.

9 8 Intervenção Notícias serviços hospitalares, dos centros de saúde e de outras unidades e serviços de saúde; valorização, no Sistema Nacional de Informação da Saúde, do Sistema de Informação de Enfermagem com impacte no financiamento de projectos e serviços, nos programas de melhoria da qualidade na saúde, na gestão de horas necessárias de cuidados de enfermagem, condição para a segurança e acessibilidade dos cidadãos aos cuidados; integração, no programa de gestão da qualidade por instituição / entidade e serviço, dos padrões de qualidade emanados pela Ordem, do quadro de referência para a construção de indicadores de qualidade e produtividade na enfermagem e dos princípios para a gestão dos centros de saúde; adopção de um quadro de indicadores de referência para a contratação de recursos humanos e outros meios de suporte à organização, gestão e prestação de cuidados e serviços de enfermagem; integração da avaliação do desempenho dos enfermeiros no sistema de avaliação global das organizações e dos serviços; valorização das experiências de excelência em matéria de organização e gestão dos serviços de enfermagem, como contributo para o desenvolvimento do modelo de gestão; adopção de condições para: a fixação de enfermeiros em áreas carenciadas, o apoio ao empreendedorismo em áreas identificadas como prioritárias para a melhoria da saúde dos cidadãos, a vinculação e estabilidade dos enfermeiros às instituições / entidades de saúde; adopção de políticas que garantam: um ambiente de trabalho salubre e saudável, potenciando as políticas e medidas de higiene, segurança e saúde no trabalho, a formação e o desenvolvimento dos enfermeiros necessários à satisfação das necessidades emergentes e à intervenção face às novas determinantes da saúde, a inovação, o desenvolvimento e a prática baseada na evidência. A implementação das acções propostas contará com a adesão da Ordem dos Enfermeiros, nomeadamente na facilitação do processo de mudança, na construção de uma agenda para clarificação e aprofundamento das propostas e na discussão das experiências e dos resultados obtidos. A necessária transparência dos processos de administração e gestão dos serviços de saúde, o direito dos cidadãos aos cuidados de enfermagem e à informação produzida ou expectável na saúde são razão suficiente para a intervenção da Ordem dos Enfermeiros na defesa das propostas ora apresentadas. oe

10 Intervenção Notícias 9 Sistema de Informação e Documentação de Enfermagem * Suporte à decisão política e garantia da segurança e qualidade dos cuidados Para a tomada de decisão política, muito contribuem os sistemas de informação que produzem indicadores fiáveis da intervenção dos diversos actores da saúde. Constituindo os enfermeiros o maior grupo profissional da área da saúde, estes são, por conseguinte, os que mais decisões tomam e actos praticam. Pela natureza e especificidade das suas funções proximidade, intimidade, tempo de contacto com os utentes, entre outros, os enfermeiros são os que maior informação clínica produzem, processam, utilizam e disponibilizam nos sistemas de informação e documentação da saúde dos cidadãos. Não obstante, verifica-se que a visibilidade dos cuidados de enfermagem nas estatísticas, nos indicadores e nos relatórios oficiais de saúde é, de algum modo, incipiente, impossibilitando, deste modo, a sua descrição e a verificação do impacte dos mesmos nos ganhos em saúde das populações. Assim, dada a relevância da informação para o processo de tomada de decisão, independentemente da sua natureza, bem como a crescente importância e emergência da informatização dos serviços de saúde, particularmente no que se refere ao Sistema de Informação e Documentação de Enfermagem, considerando o potencial dos registos de enfermagem, a Ordem dos Enfermeiros propõe a implementação de estratégias para agilizar os processos conducentes à reformulação, ao desenvolvimento e à implementação deste sistema em suporte electrónico. A Ordem dos Enfermeiros propõe, igualmente, que tal sistema seja integrado no Sistema Nacional de Informação de Saúde, possibilitando a gestão da informação em qualquer ponto do contínuo máximo / mínimo de dados e a produção do conhecimento. Propõe, também, que as aplicações informáticas ou outros dispositivos funcionem de modo interoperável com os outros módulos existentes ou a desenvolver e estejam em conformidade com as normas internacionais (ISO, CEN etc.) e o estado da arte no momento da sua criação. Tendo em vista a maximização do potencial dos registos electrónicos de saúde, designadamente a produção automática de indicadores, o desenvolvimento da investigação, a monitorização da qualidade, a formação, o financiamento e a tomada de decisão em relação às políticas de saúde, bem como a imprescindível necessidade de reutilização de dados e a sua comparabilidade entre os níveis local, regional, nacional e internacional, e de uma prática cada vez mais baseada na evidência, a Ordem dos Enfermeiros entende que o sistema de informação e os registos electrónicos devem contemplar a utilização obrigatória de Classificações Internacionais, sendo recomendada para a Enfermagem a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE). Tais aplicações informáticas devem ser desenvolvidas de modo a permitirem não apenas a documentação da actual prática de enfermagem que visa as diferentes finalidades dos registos dos processos de prestação de cuidados (legais, éticas, qualidade e continuidade de cuidados, gestão, formação, investigação, avaliação, visibilidade dos actos de enfermagem praticados), mas também, além disto, a encerrarem e contemplarem a reengenharia e a inovação dos mesmos, por forma a garantirem o desenvolvimento, a descrição e o acompanhamento dos cuidados de enfermagem, em todos os contextos da sua prática. Por fim, dada a importância e o potencial que actualmente se atribui e reconhece aos Resumos Mínimos de Dados de saúde em geral e aos de enfermagem, em particular, a diferentes níveis e para diferentes propósitos e utilizadores, designadamente a qualidade e continuidade de cuidados, produção automática * Texto entregue pela Ordem dos Enfermeiros na audiência de 10 de Maio de 2005, com o Ministro da Saúde.

11 10 Intervenção Notícias de diversos indicadores, a tomada de decisão (utente, clínica, gestão, política) e a formação / investigação, a Ordem dos Enfermeiros preconiza que, de acordo com as recomendações internacionais, designadamente a OMS e o ICN, tais resumos mínimos de enfermagem integrem, entre outros, os seguintes elementos dos cuidados de enfermagem: diagnósticos / fenómenos de enfermagem, intervenções de enfermagem, resultados de enfermagem, intensidade dos cuidados de enfermagem. Deverão, além disto, incluir dados demográficos dos utentes e outros elementos de natureza clínico-administrativa. Para a operacionalização do acima referido, mormente a definição da arquitectura e dos principais requisitos técnico-funcionais do Sistema Nacional de Informação de Enfermagem, a Ordem dos Enfermeiros propõe a criação de uma equipa de projecto, a nível do Ministério da Saúde, que integre, além de enfermeiros peritos nesta área, técnicos superiores de informática, designadamente, engenheiros de desenvolvimento de sistemas de informação e de informática, podendo, em diferentes fases do projecto, serem agregados outros profissionais. Considera-se um ano o tempo necessário para o desenvolvimento do referido projecto, dado o estado da arte a nível internacional e as experiências bem sucedidas já implementadas no nosso país. A Ordem dos Enfermeiros, no contexto das suas atribuições e do seu mandato social, compromete-se a apoiar, com todos os meios de que dispõe, o referido projecto e disponibiliza-se para indicar um enfermeiro seu representante e sugerir outros enfermeiros para participarem na referida equipa de trabalho. oe Ciclo de debates do Conselho Jurisdicional A tomada de decisão ético-deontológica: análise de casos De acordo com o planeado e na sequência da avaliação do V Seminário de Ética, foram realizados cinco ciclos de debate nas sedes das secções regionais dos Açores (Ponta Delgada, 10 de Fevereiro), do Sul (Lisboa, 16 de Fevereiro), da Madeira (Funchal, 24 de Fevereiro), do Centro (Coimbra, 3 de Março) e do Norte (Porto, 5 de Março). No total, estiveram presentes, neste evento, 321 participantes. Todos os debates decorreram seguindo um formato semelhante, de seguida explicitado. Todos eles se iniciaram com a análise e discussão de um caso verídico, escolhido pelo Conselho Jurisdicional Regional, onde foi fundamentada a actuação mais adequada. Seguidamente, iniciaram-se os debates onde os participantes puderam expor casos, colocar questões ou dúvidas. Além dos membros do Conselho Jurisdicional Regional, todos os debates contaram com a presença da presidente e de um vogal do Conselho Jurisdicional. Quanto aos temas, e considerando a diversidade de casos, podemos considerar que, no global, os mais debatidos foram os relacionados com as actividades interdependentes, a decisão / autonomia do cliente / doente, o sigilo profissional, a objecção de consciência, a informação e o consentimento / recusa do cliente, a decisão ligada a um contexto específico (como a escassez de recursos) e / ou em situação crítica, a informação aos familiares (designadamente, a telefónica), cuidados paliativos e doente terminal. Estes temas e debates constituíram um contributo para a Parte III do Código Deontológico do Enfermeiro: Dos Comentários à Análise de Casos, livro lançado no dia 12 de Maio do corrente ano. A avaliação deste ciclo por parte dos presentes foi muito positiva, sendo de salientar as sugestões para manter a iniciativa e para a desenvolver, de forma similar, noutras áreas. O Conselho Jurisdicional reitera o propósito de realizar ciclos de debate, nos meses de Fevereiro e Março de cada ano, o que, em nosso entender, complementa a actividade anual desenvolvida com o Seminário de Ética (habitualmente realizado em Outubro).

12 Intervenção Actividades e deliberações 11 Conselho de Enfermagem Síntese do desenvolvimento do projecto Padrões de Qualidade dos Cuidados e Sistemas de Informação de Enfermagem: Instrumentos para a Melhoria Contínua da Qualidade Após a definição dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem deu-se início a uma nova etapa, durante a qual se pretende que os mesmos sejam assumidos pelos enfermeiros e sejam úteis às instituições prestadoras de cuidados de saúde. Os padrões de qualidade deverão tornar-se num instrumento que contribua para a busca das melhores respostas em cuidados de enfermagem e para atingir o objectivo da excelência do serviço que as instituições de cuidados de saúde prestam aos cidadãos. É com base neste desiderato e no compromisso assumido pela Ordem que o Conselho de Enfermagem propôs esta nova etapa, consubstanciada num projecto de intervenção cuja finalidade é: contribuir para a implementação e para o desenvolvimento de sistemas de melhoria contínua da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros e da qualidade dos cuidados, através da apropriação, pelos enfermeiros, dos padrões de qualidade e através do envolvimento das organizações prestadoras de cuidados de saúde, onde os enfermeiros desenvolvem a sua actividade profissional. Objectivos do projecto Divulgar os padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem definidos pela Ordem. Promover a apropriação pelos enfermeiros do enquadramento conceptual e dos enunciados descritivos dos padrões. Promover o desenvolvimento de programas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem. Definir um resumo mínimo de dados a implementar a nível nacional, que seja capaz de gerar indicadores de qualidade sensíveis aos cuidados de enfermagem. Apoiar a implementação de sistemas de informação baseados na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE). Com o propósito de atingir estes objectivos, foram desenvolvidas várias actividades das quais se elabora a presente síntese. Acções / Actividades desenvolvidas I. Constituição de um grupo coordenador do projecto A constituição deste grupo foi aprovada pelo Conselho Directivo, em Janeiro de 2005, e integra dois membros do Conselho de Enfermagem (CE) e cinco membros dos conselhos de enfermagem regionais. II. Realização de reunião com o Instituto da Qualidade em Saúde (IQS) para divulgação dos padrões e para informar sobre o projecto Esta reunião decorreu no passado dia 14 de Março e nela participaram o Director do Instituto da Qualidade em Saúde e, pela parte da Ordem, um vice-presidente do Conselho Directivo, em representação da Senhora Bastonária, e dois representantes do CE, na qualidade de responsáveis pelo desenvolvimento do projecto dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem. Na reunião, foram dados a conhecer os padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem definidos e o projecto a desenvolver para a respectiva disseminação e implementação. III. Realização de reuniões com os membros dos órgãos sociais (CE) para clarificação das propostas para o futuro Estas reuniões, para além da clarificação das propostas para o futuro, tinham os objectivos de: promover a apropriação, pelos membros dos órgãos sociais da Ordem, do enquadramento conceptual e dos enunciados descritivos dos padrões; criar sinergias que permitam contribuir para a implementação, nos contextos onde os enfermeiros prestam cuidados, de programas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem, em consonância com o plano de acção da OE e as competências estatuídas dos seus órgãos.

13 12 Intervenção Actividades e deliberações As quatro reuniões realizadas, nas secções regionais abaixo descritas, foram coordenadas pelos membros do CE que integram o grupo coordenador do projecto, com a colaboração do membro do CER que integra o mesmo grupo coordenador. Foram dirigidas aos membros dos órgãos sociais regionais da OE, nomeadamente os conselhos directivos, jurisdicionais e de enfermagem, bem como aos membros das comissões de especialidade, formação e cuidados gerais nacionais. Participaram nestas reuniões um total de 141 enfermeiros, sendo 83 dos órgãos sociais regionais, 12 das comissões nacionais e 46 enfermeiros colaboradores da Secção Regional dos Açores. IV. Realização de seminários dirigidos aos enfermeiros (um por secção regional) para divulgação dos padrões de qualidade, informação e clarificação do projecto Os quatro seminários realizados sob o lema Dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem ao desenvolvimento de programas de melhoria contínua destinaram-se aos membros da Ordem dos Enfermeiros e tinham os objectivos de: divulgar e promover a apropriação do enquadramento conceptual e dos enunciados descritivos da qualidade; criar sinergias que permitam contribuir para a implementação, nos contextos onde os enfermeiros prestam cuidados, de programas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem, tendo como referência os padrões de qualidade; promover um exercício profissional baseado na autonomia e na responsabilidade, que evidencie o impacte e a importância dos cuidados de enfermagem. Foram realizados nas Secções Regionais abaixo indicadas e neles participaram um total de 672 enfermeiros, tendo a maior participação ocorrido na Secção Regional do Norte. Da avaliação dos seminários, obtida através dos resultados das fichas de avaliação global do evento, sobressai: que a maioria dos participantes nestes eventos se caracteriza por pertencer ao grupo etário dos anos (41%), seguido, com igual percentagem, dos grupos de anos e anos (21%); por deter o título profissional de enfermeiro especialista (51,8%); por exercer a sua actividade profissional em contexto hospitalar (74,4%), seguido-se os centros de saúde (17,9%) e, em menor percentagem, as escolas superiores de enfermagem (4,7%); que a maioria apreciou os seminários, atribuindo a classificação de Bom quer à satisfação das expectativas quanto aos conteúdos (57,8%) quer à satisfação quanto à articulação entre os mesmos e as situações concretas da prática (54,8%). A metodologia, os formadores, o secretariado, o espaço físico e os apoios foram considerados, pela maioria dos participantes, adequados. Seminários por secção regional Secção regional Data / Duração Local Número de participantes S. R. Açores 12 de Abril das 9 h às 13 h Auditório do Hospital do Divino Espírito Santo 47 S. R. Sul 21 de Abril das 9 h 30 m às 13 h Auditório do Hospital Júlio de Matos 169 S. R. Norte 22 de Abril das 9 h 30 m às 13 h Auditório da Escola Superior de Enfermagem Imaculada Conceição 322 S. R. Centro 29 de Abril das 9 h 30 m às 13 h Auditório do Centro Hospitalar de Coimbra 134

14 Intervenção Actividades e deliberações 13 V. Realização de reuniões (uma por secção regional) com enfermeiros-directores das instituições de saúde e escolas superiores de enfermagem, para divulgação dos padrões de qualidade, informação / clarificação do projecto a desenvolver e identificação de elementos-chave para potenciais formadores / colaboradores no acompanhamento do projecto Considerando que o projecto pressupõe o envolvimento das organizações prestadoras de cuidados de saúde onde, maioritariamente, os enfermeiros desenvolvem a sua actividade profissional e a existência de enfermeiros formadores (numa proporção aproximada de um formador por cada 100 enfermeiros) para a promoção dos padrões de qualidade nestas organizações, tornou-se indispensável o estabelecimento de parcerias, formalizadas através da celebração de protocolos com órgãos de gestão estratégica, para trabalho de campo, nas unidades de cuidados. Foi no contexto do desenvolvimento desta estratégia que se realizaram as reuniões com enfermeiros-directores das instituições de saúde e escolas superiores de enfermagem, nas secções regionais abaixo mencionadas. Registou-se uma elevada participação, tendo sido possível contar com representantes de 54 hospitais, 15 sub- -regiões de saúde e 30 escolas superiores de enfermagem. Na Secção Regional dos Açores, por não existirem sub-regiões de saúde, participaram os enfermeiros vogais da direcção dos centros de saúde. Do documento entregue aos participantes nas reuniões, que pode ser consultado no site da Ordem, no menu Documentos, consta uma proposta de cronograma, onde se prevê que a manifestação de interesse pela adesão, por parte instituições, e a indicação dos elementos-chave para integrar a bolsa de formadores se fizessem até 25 de Maio de 2005, e que a formalização do processo de adesão ocorreria até 15 de Setembro. Até à presente data, foram recebidos ofícios de 24 hospitais, três sub-regiões e um centro regional de alcoologia manifestando interesse na realização das parcerias para o desenvolvimento do trabalho de campo e indicando enfermeiros para a bolsa de formadores. Foram, também, recebidos ofícios de duas escolas superiores de enfermagem / saúde, pronunciando-se sobre a importância do projecto e manifestando igualmente o interesse em participar. oe Reuniões com enfermeiros-directores das instituições de saúde e escolas superiores de enfermagem Secção regional Data / Duração Local Hospitais Sub-regiões Número de participantes Escolas superiores enfermagem / saúde Outros S. R. Açores 12 de Abril das 9 h às 13 h Hospital do Divino Espírito Santo 3 Centros Saúde 4 1 S. R. Sul 21 de Abril das 15 h às 17 h Escola Superior de Enfermagem de Maria Fernanda Resende S. R. Norte S. R. Centro 22 de Abril das 15 h às 17 h 29 de Abril das 15 h às 17 h Escola Superior de Enfermagem Imaculada Conceição C. Regional Alcoologia Centro Hospitalar de Coimbra DRC do Instituto Droga e Toxicodependência

15 14 Intervenção Actividades e deliberações Formação e Exercício no Contexto Europeu Comissão de Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia A Comissão de Especialidade em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (CEESMO), em conjunto com as secções regionais, realizou, no último trimestre de 2004, workshops regionais, em cumprimento do lema da campanha deste mandato: mais perto de si. Estes encontros de trabalho tiveram como finalidade reflectir sobre o futuro da profissão e analisar o actual estado da questão no contexto europeu formação e exercício profissional. Sabendo que, actualmente, o País atravessa uma grave crise de recursos humanos especializados nesta área, com consequências reconhecidas na qualidade dos cuidados dispensados ao cidadão e com implicações sérias nas condições do exercício profissional, quisemos gerar momentos que facilitassem o debate e a partilha de ideias, promovendo as relações profissionais entre os especialistas. Divulgámos as linhas orientadoras das áreas prioritárias deste mandato relativamente à qualidade dos cuidados em enfermagem, acreditação da formação / certificação individual de competências e individualização das especialidades em enfermagem, com base na publicação Conselho de Enfermagem Do Caminho Percorrido e das Propostas (Análise do Primeiro Mandato 1999/2003), editada pela Ordem dos Enfermeiros (OE). Apresentámos a situação da actividade profissional dos enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, em Portugal, e o respectivo enquadramento europeu, no que se refere à formação e ao exercício profissional. Analisámos, ainda, os factores determinantes da actual visão redutora que a sociedade tem do exercício e da autonomia destes enfermeiros, bem como a inevitável repercussão da mesma visão no reconhecimento social da importância do contributo destes especialistas para os ganhos em saúde da população, no que concerne ao ciclo reprodutivo. Estiveram presentes, nesta iniciativa, 12,35% dos enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica dos 1538 titulares registados nas respectivas secções regionais à data da realização desta actividade (ver distribuição no quadro I). Conhecendo a dificuldade que as instituições têm em dispensar os enfermeiros para participarem nestas iniciativas, num momento em que vivem uma carência permanente de recursos humanos especializados, consideramos esta adesão muito positiva e até reveladora do esforço individual de muitos colegas, que se deslocaram em horário de descanso. Quadro I Distribuição da participação de enfermeiros especialistas nos workshops, por secção regional % SRN SRC SRS SRA SRM TOTAIS Total de inscritos 12,18 12,57 7,49 47,37 46,88 13,39 Total de presentes 11,18 14,66 5,62 45,61 34,38 12,35 Situações particulares Docentes 17,86 21,43 26,67 3,85 9,09 17,37 C. S. diferenciados 66,07 66,07 70,00 73,08 77,27 68,95 C. S. primários 14,29 10,71 10,00 23,08 9,09 13,16

16 Intervenção Actividades e deliberações 15 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0, ,00 40,00 30,00 Gráfico 1 Distribuição de enfermeiros especialistas inscritos nos workshops por secção regional SRN 0 SRC SRS SRA SRM SRN SRC SRS SRA SRM Gráfico 2 Distribuição relativa presenças por secção regional (%) 45,61 45,61 34,38 34,38 20,00 14,66 11,1814,66 10,00 11,18 5,62 5,62 0,00 SRN SRC SRS SRA SRM SRN SRC SRS SRA SRM profissionais na ilha da Madeira (Porto Santo tem um EESMO) e a sua dimensão geográfica contribuído para este sucesso. Reforçando ainda a tese de que houve dificuldades na dispensa dos enfermeiros, salientamos o facto de, em todas as secções regionais, o número de inscritos ser superior ao número de presentes, apesar de termos aceite inscrições no próprio dia, o que corrobora a intenção de participação por parte dos colegas. Por outro lado, foi interessante observar a elevada adesão dos enfermeiros docentes, em todas as regiões. Dos 71 enfermeiros registados na base de dados da Ordem dos Enfermeiros, a 31 de Dezembro de 2004, estiveram presentes e participaram destas secções de trabalho 46,47% de profissionais cuja actividade na área da formação foi referida. No gráfico 3, pode observar-se a distribuição dos participantes, por área de exercício profissional, que torna evidente a reduzida percentagem de enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica afectos à área de cuidados de saúde primários (13%). É assim possível inferir a profunda carência de recursos especializados nos serviços de saúde mais próximos do cidadão. Gráfico 3 Distribuição Nacional 13% 17% Podemos dizer que a estratégia de aproximação, adoptada nas ilhas dos Açores e concretizada na realização de workshops em S. Miguel, Terceira e Faial, em instalações cedidas pelas instituições hospitalares, teve resultados mais elevados no que respeita à participação dos enfermeiros, factor que, em nosso entender, deve ser tido em consideração em acções futuras (ver gráficos 1 e 2). No arquipélago da Madeira, os valores da participação são também elevados, o que permite inferir ter a concentração de 70% Docentes C. S. Dif. C. S. Prim. Importa ainda clarificar que os valores apresentados para as áreas de prestação de cuidados de saúde primários e diferenciados incluem os enfermeiros das áreas da gestão.

17 16 Intervenção Actividades e deliberações Passamos de seguida a fazer uma síntese do material apresentado nos workshops, com vista a clarificar o enquadramento nacional da formação e o exercício profissional dos enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, considerando as disposições legislativas comunitárias. Formação no contexto europeu A Ordem dos Enfermeiros tem o desígnio fundamental de promover a defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem prestados à população e decorre desta relevante atribuição a competência para definir o nível de qualificação profissional dos enfermeiros, para se pronunciar sobre os modelos de formação e a estrutura geral dos cursos. É pela mesma razão que a Ordem deve ser ouvida em processos legislativos, no âmbito das suas atribuições. Compete também à Ordem dos Enfermeiros receber os pedidos de autorização para o exercício profissional, formulados pelos interessados; proceder à apreciação dos requisitos legais verificando a satisfação integral dos que se exigem para o referido exercício; reconhecer a habilitação profissional e, por esta via, autorizar o exercício da actividade de enfermeiro responsável de cuidados gerais e parteira 1, em Portugal (Desp. conjunto n.º 473/2001, de 28 de Maio). Portugal assinou, a 1 de Janeiro de 1986, o Tratado de Adesão à então denominada Comunidade Económica Europeia, actual União Europeia (UE), ficando obrigado a transpor as directivas comunitárias para o ordenamento jurídico interno e a fazer as alterações legislativas que a aplicação das directivas em território nacional revelasse necessárias. O Tratado que institui a Comunidade Europeia tem, na sua génese, o objectivo de abolir os obstáculos à livre circulação de pessoas e serviços entre os estados-membros. Esta abolição comporta a possibilidade de exercer uma profissão, por conta própria ou por 1 Parteira Termo utilizado como indicativo da actividade profissional, nos documentos legais europeus, traduzidos e transpostos para a legislação nacional. Equivale legalmente a enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, conforme as disposições legislativas posteriores a 1 de Janeiro de conta de outrem, num estado-membro diferente daquele em que se tenham adquirido as qualificações profissionais. Previu-se, pois, desde logo, a existência de directivas com vista ao reconhecimento mútuo dos diplomas, certificados ou outros títulos. A profissão de parteira, assim como a de farmacêutico, médico, enfermeiro e outras, foi objecto de deliberações comunitárias em 1980, sob a forma de directivas que visam o reconhecimento mútuo das qualificações profissionais, com base na coordenação das condições mínimas de formação. A Directiva 80/154/CEE e a Directiva 80/155/CEE, ambas de 21 de Janeiro, têm como objectivo o reconhecimento mútuo dos diplomas, certificados e outros títulos de parteira, e incluem respectivamente medidas destinadas a facilitar o exercício efectivo do direito de estabelecimento e livre prestação de serviço, assim como destinadas a coordenar as disposições legislativas, regulamentares e administrativas, relativas ao acesso às actividades de parteira. Decorrente da assinatura do Tratado de Adesão à UE, ou seja, desde 1 de Janeiro de 1986, Portugal viu-se obrigado a transpor as referidas directivas para o ordenamento jurídico interno e a realizar as adaptações necessárias ao seu efectivo cumprimento, estando também obrigado a aceitar todos os profissionais provenientes de países comunitários que reunam os requisitos legais necessários ao referido exercício. Como já referimos anteriormente, cabe à Ordem dos Enfermeiros verificar os requisitos legais e autorizar a actividade profissional num prazo não superior a três meses, tendo como únicos fundamentos de recusa a falta de habilitações legais para o exercício profissional ou a inibição decidida por sentença judicial transitada em julgado (ponto 5, Artigo 6.º, capítulo II do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros). A Directiva 80/154/CEE, que regula o reconhecimento das parteiras, considera duas modalidades de formação (ver caixa e esquema). Os vários países da UE optaram por uma ou usam ambas as modalidades de formação. Em França, na Holanda e na Alemanha, a via de acesso usada é o nível de escolaridade obrigatório para o ingresso no ensino superior; o Reino Unido utiliza as duas vias de acesso, ou seja, tem profissionais que são enfermeiros / midwives

18 Intervenção Actividades e deliberações 17 e midwives de formação directa. Existem ainda países, como a Espanha e a Itália, que escolheram, como exclusiva modalidade de formação, a do acesso pela enfermagem. Portugal, em 1987, quando transpôs a directiva, optou pela modalidade 2 b), ou seja, a que impõe a posse de um diploma, certificado ou outro título de Enfermeiro Responsável de Cuidados Gerais e uma formação de, pelo menos, dezoito meses ou 3000 horas. Esta decisão teve implicações, quer no reconhecimento da autonomia profissional, quer no tempo necessário para formar novos profissionais na área, quer ainda no reconhecimento do diploma e título profissional pelos outros estados-membros. No momento da transposição das directivas comunitárias, a visão de dependência funcional da actividade profissional do enfermeiro relativamente ao exercício profissional do médico levou a que o poder político não sentisse necessidade de adoptar as disposições legislativas indispensáveis ao efectivo exercício da actividade autónoma dos enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. Contribuiu para esta situação a omissão do Artigo 4.º da Directiva 80/155/CEE (ver caixa), aquando da transposição para o direito interno. Modalidades de formação 1) Uma formação a tempo inteiro de parteira, de pelo menos três anos, a) quer subordinada à posse de um diploma, certificado ou outro título que dê acesso aos estabelecimentos universitários ou de ensino superior ou, na sua falta, que garanta um nível de conhecimentos equivalente, b) quer seguida de prática profissional comprovada pelo atestado referido no Artigo 4.º da Directiva 80/154/CEE. 2) Uma formação a tempo inteiro de parteira, subordinada à posse de um diploma, certificado ou outro título de enfermeiro responsável por cuidados gerais, referido no Artigo 3.º da Directiva 77/452/CEE a) de, pelo menos, dois anos ou 3600 horas; b) de, pelo menos, dezoito meses ou 3000 horas, seguida da prática profissional comprovada pelo atestado referido no Artigo 4.º da Directiva 80/154/CEE. Ainda hoje, apesar de ser uma legítima aspiração, os enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica vêem-se impedidos de vigiar a gravidez normal, efectuar os exames necessários à vigilância da evolução da gravidez normal; e prescrever ou aconselhar os exames necessários ao diagnóstico, o mais precoce possível, da gravidez que implique risco, porque o Sistema Nacional de Saúde não prevê e não reconhece, a estes profissionais, a possibilidade de requisitar exames auxiliares de diagnóstico ou referenciar a mulher ao médico especialista, por exemplo. O Artigo 4.º da Directiva 80/155/CEE determina que os estados-membros assegurarão que as parteiras se encontram habilitadas, no mínimo, para acederem às actividades a seguir enunciadas e ao seu exercício: 1. informar correctamente e aconselhar em matéria de planeamento familiar; 2. verificar a gravidez, vigiar a gravidez normal, efectuar os exames necessários à vigilância da evolução da gravidez normal; 3. prescrever ou aconselhar os exames necessários ao diagnóstico o mais precoce possível da gravidez que implique risco; 4. estabelecer um programa de preparação dos futuros pais tendo em vista a sua nova função, assegurar a preparação completa para o parto e aconselhá-los em matéria de higiene e de alimentação; 5. assistir a parturiente durante o trabalho de parto e vigiar o estado do feto in utero pelos meios clínicos e técnicos apropriados; 6. fazer o parto normal quando se trate de apresentação de cabeça incluindo, se for necessário, a episiotomia, e, em caso de urgência, fazer o parto tratando-se de apresentação pélvica; 7. detectar na mãe ou no filho sinais reveladores de anomalias que exijam a intervenção de um médico e auxiliar este último em caso de intervenção; tomar as medidas de urgência que se imponham na ausência do médico, designadamente a extracção manual da placenta, eventualmente seguida de revisão uterina manual; 8. examinar o recém-nascido e cuidar dele; tomar todas as iniciativas que se imponham em caso de necessidade e praticar, se for caso disso, a reanimação imediata; 9. cuidar da parturiente, vigiar o puerpério e dar todos os conselhos úteis para tratar do recém-nascido nas melhores condições; 10. praticar os cuidados prescritos pelo médico; 11. fazer os relatórios escritos necessários.

19 18 Intervenção Actividades e deliberações Curiosamente, qualquer enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica que veja reconhecida a sua qualificação profissional em França, no Reino Unido ou na Holanda, por exemplo, vai poder fazê-lo, assim como assistir ao parto em ambiente hospitalar ou domiciliário, dispondo de variados apoios e sem necessitar de qualquer aval médico. O nosso país forma, pois, enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, de acordo com as normativas europeias, conferindo- -lhes o direito ao reconhecimento automático da sua qualificação profissional e a exercer a sua profissão em qualquer estado-membro da União Europeia. No nosso próprio território, no entanto, o Sistema Nacional de Saúde e os decisores políticos, numa perspectiva provável de medicalização da gravidez e do parto, delimitaram de tal forma a área de intervenção destes profissionais que não se rendibiliza nem optimiza este recurso especializado. Outra implicação da escolha desta modalidade de formação tem a ver com o tempo necessário para formar novos profissionais nesta área, pois a possibilidade de candidatura ao curso depende do efectivo exercício da actividade como Enfermeiro Responsável de Cuidados Gerais, por um período nunca inferior a dois anos. Com a passagem do ensino da Enfermagem para o Ensino Superior Politécnico e da duração da licenciatura em Enfermagem para quatro anos, conseguiremos formar enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, na melhor das hipóteses, em oito anos. Com a agravante de os formandos serem profissionais em funções, nas várias instituições prestadoras de cuidados de saúde, carentes de efectivos e, portanto, com sérias dificuldades em dispensar recursos humanos para formação. Por outro lado, ao optarmos por esta modalidade, submetemos os profissionais portugueses que concluem o Mínimo dez anos Nível de acesso ao Ensino Superior Curso de parteira três anos Formação Escolar Reconhecimento automático do título profissional curso à exigência da prática profissional de um ano, comprovada pelo atestado referido no Artigo 4.º da Directiva 80/154/CEE, para que possam beneficiar do reconhecimento automático do título profissional em qualquer estado-membro (ver esquema). Cabe aqui salientar que de forma alguma pretendemos questionar a mais-valia potenciada pela via de acesso eleita, tanto em conhecimentos como em competências adquiridas no contexto da formação e do exercício profissional. Trata-se de uma mais-valia importante para a visão da pessoa como ser único, com a sua situação de saúde singular, integrada na sua família, que, por sua vez, se insere numa comunidade de raiz social e cultural próprias. É importante termos consciência de que, apesar de a gravidez e o parto serem situações naturais na vida da mulher, a maioria dos sistemas corporais da grávida são perturbados logo após a fecundação, ficando o equilíbrio dependente da capacidade de adaptação do organismo materno à presença do feto e vice-versa. Logo, o conhecimento global da pessoa com patologia induzida ou concomitante com a gravidez será sempre um valor acrescido para a capacidade de intervenção do enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. Modalidades de formação 80/154/CEE Curso de parteira três anos Dois anos de prática profissional controlada Curso de parteira dois anos, a tempo inteiro ou 3600 horas Reconhecimento automático do título profissional Enfermeiros de Cuidados Gerais Curso de parteira 18 meses, a tempo inteiro ou 3000 horas Um ano de prática profissional controlada

20 Intervenção Actividades e deliberações 19 Consideramos importante que todos os colegas tenham conhecimento do enquadramento da formação e do exercício profissional dos enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, no espaço europeu, e por essa via tomem consciência do muito que podem fazer, no dia-a-dia, cada um no seu contexto de trabalho, para conquistar o reconhecimento da autonomia profissional. Poderão fazê-lo assumindo a responsabilidade de tomar as decisões que se inserem no nosso âmbito de intervenção, considerando a mulher / família como parceiros na decisão e defendendo o desenvolvimento de planos de cuidados, com vista a gravidezes saudáveis e experiências de parto bem-sucedidas. Por outro lado, a regulação da formação das parteiras, feita através das Directivas Europeias n.º 80/155/CEE e n.º 80/594/CEE, transpostas para o direito interno pelos Decretos-Lei n.º 322/87, de 28 de Agosto, e n.º 15/92, de 4 de Fevereiro, respectivamente, define um conjunto de exigências mínimas de formação das parteiras, nomeadamente no que respeita ao ensino teórico e técnico lista de disciplinas de base e disciplinas específicas das actividades de parteira; ao ensino prático e ao ensino clínico lista quantificada das actividades que cada formando deve desenvolver para terminar a sua formação; campo de intervenção lista das actividades mínimas para que as parteiras devem estar habilitadas, garantindo o acesso ao respectivo exercício (ver Artigo 4.º da Directiva 80/155/CEE, de 21 de Janeiro, na caixa). Como é do conhecimento de todos, a formação especializada em Enfermagem está regulamentada desde 2002 pela Portaria n.º 268 de 13 de Março e passa a designar-se por Cursos de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem. A situação especial da formação, na área da saúde materna e obstétrica, é salvaguardada por haver remissão para a obrigatoriedade de serem cumpridas as disposições legislativas referidas no parágrafo anterior. No entanto, os estabelecimentos de ensino continuam a ver-se limitados nas actividades de ensino clínico, quando pretendem proporcionar aos Satisfação profissional e reconhecimento social constroem-se nas pequenas acções de todos os dias. seus formandos experiências, que, sendo consideradas obrigatórias, não são efectivamente exercidas pelos profissionais, nas unidades prestadoras de cuidados, estando, por isso, vedadas aos alunos. São exemplo disto as consultas de vigilância de gravidez fisiológica, o pedido de exames necessários ao diagnóstico o mais precoce possível de gravidez que implique risco, a execução do parto em apresentação de pelve ou ainda a extracção manual da placenta e eventual revisão uterina manual. O título profissional em Portugal, que consta também das listas anexas à legislação de todos os países da União Europeia, é, desde a data de assinatura do Tratado de Adesão, enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. De acordo com o Artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 333/87 de 1 de Outubro, os profissionais dos estados-membros da UE, a quem seja reconhecida a habilitação profissional para exercer a actividade em Portugal, devem usar o título regulamentado para os que tenham a nacionalidade portuguesa. Isto significa, na prática, que os profissionais de países da UE que trabalham em Portugal usam o título de enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica e que, quando a via de acesso à sua formação não é pela posse da qualificação profissional de enfermeiro, a OE acrescenta, na respectiva cédula profissional, a seguir ao título, a palavra exclusivamente. Numa próxima oportunidade, desenvolveremos a temática do exercício profissional no contexto europeu e abordaremos algumas alegações de colegas que participaram nos workshops. A CEESMO não pretendia obter, com a realização destes eventos, consensos que permitissem tomar decisões num futuro próximo, mas antes consciencializar os enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da sua situação relativamente ao contexto europeu. Contudo, a CEESMO relembra os colegas de que: satisfação profissional e reconhecimento social constroem-se nas pequenas acções de todos os dias. oe

21 20 Intervenção Actividades e deliberações Conselho Jurisdicional Parecer CJ 36/2005 Legitimidade de registos efectuados por alunos de enfermagem no processo clínico 1. A questão colocada Podem os estudantes de enfermagem (EE), em contexto de ensino clínico, elaborar e assinar os registos de enfermagem no processo clínico do cliente? 2. Fundamentação 2.1 O processo clínico do cliente entende-se que seja o conjunto de registos de várias profissões da saúde acerca do seu estado clínico. Por registos de enfermagem entende-se que seja o conjunto de informações escritas, produzidas pelo enfermeiro na prática clínica, nas quais compila as informações resultantes das necessidades de cuidados de enfermagem (intervenções autónomas), bem como toda a informação, resultante do processo de tomada de decisão de outros técnicos implementados pelo enfermeiro (intervenções interdependentes) e toda a restante informação necessária para a continuidade dos cuidados. 2.2 Enfermeiro é o profissional habilitado com o curso de Enfermagem legalmente reconhecido a quem foi atribuído um título profissional que lhe reconhece competência científica, técnica e humana para a prestação de cuidados de Enfermagem gerais ao indivíduo, família, grupos e comunidade aos níveis da prevenção primária, secundária e terciária (Artigo 4.º/2) do Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros (REPE). 2.3 Os alunos de Enfermagem, como ainda não são profissionais e agem tutelados por um enfermeiro, podem elaborar e assinar os registos de Enfermagem em parceria com o enfermeiro responsável pelo doente utilizando a sigla Estudante de Enfermagem (EE), nunca sozinhos. Têm como alternativa, registar em impressos próprios se for esse o acordo protocolado entre a escola e a instituição de saúde, acautelando assim o normal decurso do processo ensino-aprendizagem escolar. 3. Conclusão Face ao exposto e de acordo com o solicitado, cumpre-nos referir que os registos de enfermagem no processo clínico do cliente podem ser elaborados e assinados por estudantes de enfermagem (EE), desde que o seu registo seja subscrito por um enfermeiro. É este, salvo melhor, o nosso parecer. Discutido e votado por unanimidade em reunião plenária de 1 de Março de oe

22 Intervenção A considerar 21 Conselho Jurisdicional Analisando as possibilidades de recusa do enfermeiro na prestação de cuidados Ao enfermeiro é cometida a responsabilidade da adequada prestação de cuidados de enfermagem ou seja, por regra, o exercício da enfermagem decorre da assunção de um dever de garante por parte do profissional face à pessoa, dever este que decorre de um vínculo estabelecido entre o enfermeiro e a unidade de saúde que prossegue a prestação de cuidados de saúde, ou directamente entre o enfermeiro e o seu cliente, no caso do exercício liberal. O dever de garante pessoal assumido pelo enfermeiro implica a prestação de cuidados numa vertente objectiva e também a observância das leis e normas que regem a profissão, em especial o cumprimento dos ditames deontológicos. O enfermeiro confronta- -se, por vezes, com situações múltiplas que podem condicionar o exercício, pondo em crise a correcta prestação de cuidados, o que poderá conduzir, em determinadas circunstâncias, à recusa na prestação dos mesmos. Contudo, a omissão de prestação de cuidados, quando assumida em contrariedade com a lei, poderá fazer o enfermeiro incorrer em responsabilidade disciplinar e criminal. Atendendo ao melindre que envolve este assunto, analisaremos, de seguida, um conjunto de situações hipotéticas de recusa, avaliando-as e procurando enquadrá-las, atendendo também aos pareceres anteriores do Conselho Jurisdicional. I Caso em que a pessoa recusa o cuidado proposto O consentimento é um dos aspectos básicos da relação entre os profissionais de saúde e os utentes, salvaguardando o respeito pela autonomia da pessoa e pela sua autodeterminação e a promoção do seu bem, no exercício da liberdade responsável. E o respeito pela pessoa significa, principalmente, reconhecer e promover a sua capacidade para decidir e agir, considerando a pessoa como um ser autónomo e independente, portador de crenças e valores que devem ser respeitados. Por isso, qualquer intervenção de um profissional de saúde só deverá ser realizada se a pessoa em causa o permitir, através do seu consentimento livre e esclarecido. Este, o consentimento, surge submetido a condições: 1) deve ser voluntário, livre de qualquer manipulação ou coacção externa; 2) deve ser baseado em informação correcta, que o doente compreenda; 3) deve ser o acto de uma pessoa competente para tomar decisões e com capacidade para comunicar o seu desejo; a competência, no sentido de capacidade para decidir, poderá variar com a decisão a ser tomada, implicando, muitas vezes, a necessidade de determinação do nível de competência dos doentes para consentir ou recusar tratamento, com o objectivo de os proteger de eventuais decisões que possam tomar e que não sejam do seu melhor interesse. O julgamento sobre a competência de uma pessoa permitirá distinguir aquelas cuja decisão deverá ser respeita, das que necessitarão de ser substituídas na decisão por representante legal. O consentimento decorre da dignidade da pessoa humana, consagrado no Artigo 1.º da Constituição e incluído no exercício da liberdade individual, também consagrado na Constituição como um direito fundamental (Artigo 27). Tanto assim, que a prestação de cuidados de enfermagem sem consentimento da pessoa constitui um crime contra a liberdade pessoal, tipificado no Artigo 156 do Código Penal. Neste mesmo código, refere-se no Artigo 38 [...] 2 O consentimento pode ser expresso por qualquer meio que traduza uma vontade séria, livre e esclarecida do titular do interesse juridicamente protegido, e pode ser livremente revogado até à execução do facto. 3 O consentimento só é eficaz se for prestado por quem tiver mais de 14 anos e possuir o discernimento necessário para avaliar o seu sentido e alcance no momento em que o presta [...].

23 22 Intervenção A considerar Assim, para qualquer acto, deve ser obtido o consentimento, com reserva de excepção para a vontade do próprio em não ser informado (uma vez que existe este direito de não querer ser informado, de acordo com a Convenção dos Direitos do Homem e da Biomedicina). Considera-se, quando existe procura de cuidados de saúde, que há um consentimento tácito e implícito mantido pela relação de confiança estabelecida. O consentimento pode ainda ser presumido, equiparando-se na lei ao consentimento efectivo quando a situação em que o agente actua permitir razoavelmente supor que o titular do interesse juridicamente protegido teria eficazmente consentido no acto se conhecesse as circunstâncias em que este é praticado (Artigo 39, n.º 2, do Código Penal). A situação de emergência em que se verifica a incompetência do doente, impedindo a obtenção do seu consentimento explícito, legitima o profissional a agir no melhor interesse daquele, tendo em conta o princípio da beneficência, presumindo o seu consentimento. Do mesmo modo, quando a situação do doente se agrava, exigindo procedimentos sobre os quais não se manifestou, é igualmente legítima a presunção do consentimento. No cumprimento do Código Deontológico, as intervenções de enfermagem são realizadas com a preocupação da defesa da liberdade e da dignidade da pessoa humana e do enfermeiro (n.º 1, Artigo 78, do Estatuto). No respeito pelo direito à autodeterminação, o enfermeiro tem o dever de respeitar, defender e promover o direito da pessoa ao consentimento informado (alínea b do Artigo 84 do Estatuto). Sendo a vontade do doente actual competente e esclarecida, deverá ser respeitada, seja no sentido do consentimento ou do dissentimento do cuidado proposto. II Caso em que se reconhece a inexistência de condições para uma prática segura Consideramos sob esta designação, por exemplo, o reconhecimento por parte do enfermeiro de que, no momento, não possui as competências necessárias para a prestação do cuidado solicitado, de que existe possível inadequação do prescrito ou de que, naquela situação, existe um atentado à respectiva integridade física ou vida. a) Quando o enfermeiro considera não possuir a competência necessária para uma intervenção interdependente A competência e o aperfeiçoamento profissional são valores a observar e compete ao enfermeiro manter a actualização contínua dos seus conhecimentos e utilizar de forma competente as tecnologias, sem esquecer a formação permanente e aprofundada nas ciências humanas (alínea c, Artigo 88 do EOE). A ter em conta, ainda, que o dever de cuidado implica também orientar o indivíduo para outro profissional de saúde mais bem colocado para responder ao problema, quando o pedido ultrapasse a sua competência (alínea b, Artigo 83), entendendo-se que o profissional de saúde referido pode ser da equipa de saúde e / ou um enfermeiro. Assim, no primeiro caso, estaremos face à questão do encaminhamento e da colaboração com outros profissionais de saúde, que não enfermeiros. Na segunda perspectiva, o enfermeiro orienta para outro enfermeiro, mais bem colocado para responder ao problema. Na base deste encaminhamento está a capacidade do enfermeiro reconhecer e identificar as suas competências, discernindo entre as possibilidades de intervenção próprias e de terceiros. O que está em causa é a noção da mais correcta assistência possível de prestar à pessoa, numa situação concreta, face a uma solicitação específica de cuidado e o enfermeiro deve encaminhar para outro profissional mais bem colocado para responder. b) Quando o enfermeiro ajuíza sobre a possibilidade de existência de erro numa prescrição para uma intervenção interdependente Atendendo às actividades interdependentes, o enfermeiro desenvolve a sua acção na sequência de uma acção iniciada por outro profissional. Quando se considera a existência de uma prescrição,

24 Intervenção A considerar 23 cabe ao enfermeiro ajuizar sobre a sua adequação e, de acordo com os conhecimentos científicos e técnicos, decidir da sua execução (sendo co-responsável) ou decidir que não existem condições seguras para a execução, recorrendo à validação da prescrição e certificando-se de que não existe erro que possa lesar a pessoa que é destinatária dos cuidados. c) Quando o cliente atenta contra a honra, integridade física ou vida do enfermeiro Quando o enfermeiro se encontra confrontado com uma acção agressiva por parte da pessoa a quem deverá prestar cuidados de saúde, estando esta consciente e não se encontrando em perigo iminente para a sua integridade física ou vida, o enfermeiro poderá recusar-se a prestar os cuidados exigidos. Baseamos esta asserção em duas premissas. A primeira, na legítima defesa que cabe a qualquer pessoa. Apesar de o enfermeiro se encontrar adstrito ao dever de prover os cuidados necessários perante o doente, encontra-se justificada legalmente a sua recusa legítima defesa, que se traduzirá, tão só, na não prestação de cuidados. No entanto, cumpre esclarecer que o enfermeiro não se pode desvincular das suas obrigações profissionais assim, deverá ter sempre uma atitude de preparação, ensino e aconselhamento, cumprindo com o dever de informação. Não sendo possível a sensibilização, impende sobre o enfermeiro o dever de reencaminhamento, comunicando devidamente a situação ocorrida. A avaliação da situação requer sempre uma análise casuística, sendo a actuação do enfermeiro pautada pelo princípio da proporcionalidade e devendo realizar uma ponderação dos valores em causa. A segunda premissa, o dever dos doentes colaborarem com os profissionais de saúde. A Lei n.º 48/90 de 24 de Agosto, Lei de Bases da Saúde, estatui na sua Base XIV, n.º 2, alínea c), o dever de o utente Colaborar com os profissionais da saúde em relação à sua própria situação. Na Base V, n.º 1 da citada lei, pode ler-se Os cidadãos são os primeiros responsáveis pela sua própria saúde, individual e colectiva, tendo o dever de a defender e promover. Este dever de colaboração é um vínculo contínuo e que deverá ser sempre respeitado por todos os doentes. A sua não observância pode colocar em causa a correcta prestação dos cuidados e, nos casos em que o doente inviabilize a sua prestação, após renovada sensibilização para a sua consecução, justificar a recusa por parte do enfermeiro. Diferente posição se toma face a casos de perigo para a vida ou integridade física do doente. Nestas situações, o enfermeiro não deverá deixar de prestar os cuidados devidos. III Caso em que a recusa se baseie em deficientes condições de trabalho dos serviços de saúde O Código Deontológico do Enfermeiro prescreve no seu Artigo 88, alínea d), que é cometido ao enfermeiro assegurar, por todos os meios ao seu alcance, as condições de trabalho que permitam exercer a profissão com dignidade e autonomia, comunicando, através das vias competentes, as deficiências que prejudiquem a qualidade de cuidados. O enfermeiro deve comunicar, pelas vias competentes, as deficiências que constate (a todo o tempo e na maior brevidade), não atribuindo a prerrogativa ao enfermeiro de, por não se encontrarem reunidas as condições exigidas, este deixe de efectuar as funções que lhe cabem. Todavia, este dever de prestação de cuidados não pode ser dissociado do dever que incumbe às unidades de saúde, públicas e privadas, de proporcionarem as condições necessárias aos correctos e idóneos cuidados de saúde. Entender que todos os profissionais de saúde se encontram sempre adstritos à prestação de cuidados quando a unidade de saúde não reúne e não cumpre com as suas obrigações legais constituiria o esvaziar da eficácia e sentido desses comandos e o traçar de um caminho exíguo para a não responsabilização das unidades de saúde. É, pois, dever das instituições assegurar as condições para a prestação de cuidados de saúde adequados e, bem assim, prover as condições de segurança a todos os profissionais de saúde que emprega. Uma situação que poderemos configurar consistirá na necessidade da prestação de cuidados de enfermagem que não sejam inadiáveis e, como tal, não esteja em risco a integridade física ou a vida da pessoa, mas que, paralelamente, decorra, com forte probabilidade

25 24 Intervenção A considerar dessa prestação de cuidados, um risco exagerado para a vida do enfermeiro. Face a este circunstancialismo, em que os cuidados a prestar possam ser adiados, não implicando um grave risco para a saúde do doente, e, tendo em confronto os bens jurídicos de integridade física substancial ou vida do profissional de saúde, entendemos que o enfermeiro poderá recusar a prestação de cuidados. Apresentamos como causas de exculpação para a renúncia na prestação de cuidados o estado de necessidade, em que se afasta o juízo de censurabilidade da conduta do enfermeiro. Existe correlação entre o direito de usufruir de condições de trabalho que garantam o respeito pela deontologia da profissão e pelo direito do cliente a cuidados de enfermagem de qualidade (75, 2, c) e o dever de, quando as condições são deficientes e interferem na qualidade, assegurar por todos os meios ao seu alcance (dependendo das suas competências pessoais e profissionais e dos cargos que ocupa) as condições de trabalho que permitam exercer a profissão com dignidade e autonomia, comunicando, através das vias competentes, as deficiências que prejudiquem a qualidade de cuidados e agir sempre com o máximo de qualidade que as condições permitirem. IV Caso da objecção de consciência A objecção de consciência apresenta-se como um dos casos paradigmáticos de recusa de cuidados sufragados por lei, e que foi acolhido pelo Artigo 92 do Código Deontológico da Ordem dos Enfermeiros, onde se estabelecem as condições que os enfermeiros deverão observar para que o exercício da objecção de consciência seja efectivado. No exercício da profissão, as responsabilidades que vinculam deontologicamente os enfermeiros encontram a sua fonte nos direitos humanos em geral, e dos clientes em particular, e nos objectivos da profissão. Mas o Enfermeiro, enquanto pessoa, deve agir preservando também a sua liberdade e dignidade humana, conforme prescreve o Artigo 78, n.º 1 do Código Deontológico do Enfermeiro. A dignidade fundamenta-se no poder de o ser humano se autodeterminar, que é inerente à sua racionalidade. A autonomia, referida à vontade, existe se, e só se, o ser humano actuar determinado por princípios morais que estejam em conformidade com imperativos éticos por si livremente assumidos. E a expressão da dignidade humana passa pelo exercício dos direitos fundamentais, entre os quais se encontram o direito à liberdade de consciência, que é inviolável. Por isso se reconhece que ninguém pode ser obrigado a aceitar, em nenhuma circunstância, preceitos legais ou ordens particulares que contradigam os seus valores pessoais e, no caso concreto, os objectivos ou a essência da profissão. E, por vezes, para algumas pessoas, o dever a que a consciência obriga é o de não agir, ainda que a lei positiva a isso obrigue é o dever de objectar. Este incumprimento deve ser executado de modo individual, pacífico e privado, sem que haja prejuízos para terceiros. O carácter individual exclui, naturalmente, que possa ser exercido por um grupo, e a atribuição de pacífico faz com que o uso da força ou de violência seja estranho a esta figura. Nesta conformidade, deve proceder segundo os regulamentos internos da Ordem que regem os comportamentos do objector de modo a não prejudicar os direitos das pessoas, declarando atempadamente a sua qualidade de objector e respeitando sempre as convicções pessoais, filosóficas, ideológicas ou religiosas da pessoa e dos outros membros da equipa de saúde que integre. Cumpridas as mencionadas obrigações legais, e de acordo com o n.º 2 do preceito em análise, o enfermeiro não poderá sofrer qualquer prejuízo pessoal ou profissional pelo exercício do seu direito à objecção de consciência. Em síntese A recusa de qualquer acto ou intervenção de enfermagem só terá legitimidade quando se fundamenta: na recusa do próprio cliente, na falta de condições mínimas para uma prática segura (por exemplo, no domínio das competências próprias para a realização de uma determinada intervenção ou por existir ameaça à integridade do enfermeiro por parte de um utente que não corre risco de vida) e na objecção de consciência. oe

26 Destaque regional Região Açores 25 Secção Regional da Região Autónoma dos Açores Nós por cá... Notícias dos Açores O Encontro Regional de Órgãos Sociais Aproveitando o magnífico cenário do Hotel da Caloura, os órgãos sociais regionais reuniram-se com o intuito de reflectir sobre o percurso trilhado pela OE nos Açores e de discutir as linhas orientadoras a incluir no seu plano de acção para o presente ano. topo, as condições necessárias para que o trabalho destes colaboradores possa ser coroado, e com êxito. O Encontro Regional de Órgãos Sociais contou ainda com um espaço aberto Importa, sobretudo, desenvolver estratégias que permitam, àqueles que diariamente vivenciam as situações em que estes discursos se devem ver reflectidos, atribuir-lhes significado e utilidade. Acreditamos que a apropriação pelos enfermeiros dos referenciais produzidos para a enfermagem adquirirá garantia de maior sucesso se forem adoptadas estratégias que possibilitem a reflexão sobre situações provenientes dos seus diferentes contextos de acção. Este encontro foi muito participado pelos membros dos diferentes órgãos regionais. Nele, além de se ter reafirmado o empenho da Secção Regional no desenvolvimento de projectos de cariz nacional, assumiu-se como prioridades a implementação e o desenvolvimento de uma rede regional de colaboradores inseridos nos contextos da prática de cuidados. No âmbito das prioridades assumidas, considerou-se de especial importância não só dinamizar e coordenar esta rede de colaboradores (fomentando o seu envolvimento, desenvolvendo a formação adequada e apoiando os percursos de reflexão e acção nos diferentes contextos de trabalho), como também garantir, junto da gestão de a todos os enfermeiros da Região, no qual decorreu a conferência proferida pela Bastonária da OE denominada Concretização do Processo de Bolonha: implicações para o exercício profissional. Nesta conferência, equacionaram-se e discutiram-se, de forma pragmática, alguns dos cenários que relacionam o processo de alteração do sistema de formação como o sistema profissional. As visitas institucionais e o desenvolvimento de uma rede de colaboradores Promover o desenvolvimento da profissão de enfermeiro e melhorar a qualidade dos cuidados prestados às pessoas envolve estratégias que não se compadecem, apenas, com a elaboração e divulgação de discursos referenciadores da enfermagem, para alguns, talvez, demasiado abstractos. Deste modo, no último trimestre de 2004, a OE-SRRAA realizou, em cada instituição de saúde da Região, um encontro com os enfermeiros de gestão de topo e intermédia e com os formadores em serviço, com a finalidade última de criar uma rede de colaboradores que posteriormente se responsabilizaria pela gestão e dinamização de espaços de discussão e reflexão nas suas equipas. Pretendia-se que, através da análise crítica de situações em contexto de acção por eles identificadas, se promovesse, junto dos enfermeiros, a disseminação e a apropriação dos referentes produzidos pela OE para a profissão e para a enfermagem. Neste momento, e depois de terem sido identificados, no total, 50 colaboradores, impõe-se a necessidade de se desenvolver e implementar um plano de dinamização e de coordenação da

27 26 Destaque regional Região Açores rede. Prevê-se, pois, a realização de um encontro, com a duração de dois a três dias (ainda não calendarizado). Este encontro terá a forma de uma acção de formação e terá como objectivo capacitar os colaboradores, por meio dos recursos necessários, para o desenvolvimento de reflexões nos serviços que representam, bem como para a identificação de situações-alvo de reflexão, a partir dos contextos da prática. Esta acção de formação terá, igualmente, como objectivo munir os colaboradores de capacidades para elaborar documentação de suporte para a implementação e dinamização dos espaços de análise crítica das situações identificadas, definir uma estrutura Será criada, deste modo, uma dinâmica que, julgamos, fará com que sejam, tendencialmente, os colaboradores os veículos disseminadores dos referentes produzidos para a enfermagem, pela aproximação que estabelecem entre os dois contextos: o da produção dos discursos e o da sua aplicação na prática de cuidados. Encontros com Margot Phaneuf e Nídia Salgueiro Aproveitando a vinda das professoras Margot Phaneuf e Nídia Salgueiro à Região, a Secção dos Açores da OE, numa parceria regional inovadora com as escolas superiores de Enfermagem de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, promoveu uma semana de formação aberta aos enfermeiros, estudantes de Enfermagem (e outros técnicos de saúde). Esta formação decorreu nas cidades de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, de 28 de Fevereiro a 3 de Março. Foram realizados workshops subordinados ao tema As pessoas em fim de vida: como cuidar e cuidar-se?, em que se abordaram temas como o estabelecimento da relação de ajuda com a pessoa em fim de vida. Nestes workshops reflectiu-se, ainda, sobre a necessidade de prevenir o esgotamento emocional de quem cuida, e promoveram-se os Encontros com Margot Phaneuf, onde a validação de informação junto de clientes com défice cognitivo foi o aspecto mais privilegiado. A Assembleia Regional A Assembleia Regional mudou, este ano, de ilha. Com efeito, após quatro anos a ser realizada em Ponta Delgada, este ano foi convocada para a cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. pedagógica de abordagem às situações identificadas através da planificação de sessões de formação, o treino, em contexto formativo, das sessões previstas e a replicação desta estrutura pedagógica nos seus locais de trabalho. A Assembleia, que contou com a participação de cerca de 70 enfermeiros, pautou-se por um ambiente de discussão e esclarecimento de diferentes temas de interesse para os enfermeiros da região, que ali encontraram um espaço privilegiado de debate. Assim, para além da aprovação do Relatório e Contas do ano 2004 e do Plano de Actividades e Orçamento para 2005, foi, também, aprovada uma recomendação para a acção em matéria de política de saúde na Região Autónoma dos Açores.

28 Destaque regional Região Açores 27 Padrões de qualidade Reunião com os órgãos sociais regionais e seminário regional Estas actividades, da responsabilidade do Conselho de Enfermagem Nacional, tiveram lugar no auditório do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, a 11 e 12 de Abril. Estas contaram com a participação e organização das enfermeiras Helena Almeida e Laurentina Santa coordenadoras do projecto e Margarida Rego Pereira como representante desta secção regional. Na reunião com os membros dos órgãos sociais, participaram, ainda, a convite da secção regional, 30 enfermeiros provenientes das várias ilhas dos Açores que integram a rede de colaboradores, criada na sequência das visitas institucionais realizadas no último trimestre de Esta rede de colaboradores tem por objectivo a divulgação dos referentes produzidos pela Ordem dos Enfermeiros nos respectivos contextos de trabalho. No seminário, dirigido a todos os enfermeiros, participaram 40 enfermeiros, dos quais 20 exercem a sua actividade profissional na área da docência e da gestão (enfermeiros-directores / vogais, supervisores e chefes). Apraz-nos registar tal facto, já que sobre estes recai um papel estratégico e determinante na promoção de práticas de cuidados de enfermagem que estejam em consonância com os referentes produzidos pela OE. Foi da opinião geral que estas actividades constituíram momentos importantes de divulgação dos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, já que permitiram não só uma melhor compreensão do seu enquadramento conceptual e dos enunciados descritivos, como também fomentaram a criação de sinergias, com a finalidade de contribuir para a implementação de programas de melhoria contínua nas nossas instituições. Os enfermeiros dos Açores na comunicação social um projecto em desenvolvimento No âmbito das suas competências e tendo em conta o Mandato Social da Ordem dos Enfermeiros, o Conselho de Enfermagem da Secção Regional da RAA elaborou um plano de actividades para Neste plano inclui-se a elaboração de um modelo de participação em vários meios de comunicação social, nomeadamente jornais e rádio, com o intuito de promover a enfermagem junto dos cidadãos. Assim, e com o compromisso do grupo de trabalho criado para o efeito, será assegurada a participação regular num painel radiofónico na RDP Açores, bem como a responsabilidade pelos conteúdos de uma página do jornal de maior tiragem das três principais cidades do arquipélago. No âmbito deste projecto, com início marcado para o mês de Maio, pretende-se desenvolver, mensalmente, um tema, expondo a perspectiva e os contributos dos enfermeiros no que à complementaridade dos cuidados de saúde diz respeito. A temática escolhida para o arranque do projecto insere-se no contexto do Dia Internacional do Enfermeiro. À semelhança desta efeméride, foram escolhidas outras que irão ser desenvolvidas em diferentes datas. A saber: i) Junho Dia Mundial da Criança, ii) Julho Dia Mundial da População, iii) Setembro Dia Mundial do Coração, iv) Outubro Dia Internacional do Idoso, v) Novembro Dia Mundial de Luta Contra a Diabetes e, vi) Dezembro Dia Internacional da Luta Contra a Sida. Foram, neste sentido, contactados todos os enfermeiros que integram órgãos de gestão de topo e operacional, não só informando sobre a iniciativa como, também, apelando ao envio de artigos relacionados com as efemérides em análise em cada mês, por parte dos enfermeiros das instituições. Nos diferentes espaços de intervenção pretende-se, então, dar voz a artigos de opinião bem como fornecer alguns dados de interesse sobre a temática em causa (casuísticos, epidemiológicos etc.) e algumas considerações e alguns posicionamentos da OE face à efeméride em questão. oe

29 28 Destaque regional Região Centro Secção Regional do Centro A avaliação da dor como quinto sinal vital Inquérito às instituições da saúde da Região Centro A Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, no sentido de atingir um dos objectivos inscritos no plano de actividades para , o de criar condições para o controlo da dor, decidiu lançar um inquérito às instituições de saúde desta Região, em Novembro de O propósito desta acção era conhecer a situação respeitante à implementação, na Região Centro, da avaliação da dor como quinto sinal vital, e obter contributos para a intervenção estratégica da Ordem no domínio do controlo da dor. Aos 33 hospitais e seis sub-regiões de saúde da Região Centro (39 instituições) foi enviado, por correio postal, um questionário dirigido aos Enfermeiros-Directores, tendo sido devolvidos vinte e oito questionários preenchidos. Do relatório, concluído em Março do corrente ano, retiraram-se as conclusões que se indicam de seguida. Cerca de um ano e meio após a publicação da Circular Normativa n.º 9 / DGCD de 2003 da Direcção-Geral da Saúde, 21 instituições da Região Centro dinamizaram a formação sobre avaliação da dor. Algumas instituições têm já um percurso bastante avançado no que respeita à implementação da avaliação, com utilização de escalas, protocolos / orientações e registo no processo clínico. A avaliação da dor está a ser efectuada por mais de um terço das instituições (nove), e cerca de 50% das instituições (treze) têm o processo em curso. As instituições que já realizam a avaliação da dor, ou que estão em vias de a implementar, referem possuir, ou ter em elaboração, orientações escritas / protocolos para a avaliação da dor, revelando que reconhecem a importância destes para a qualidade desta prática. No que respeita às escalas utilizadas, a escala numérica é a utilizada por um maior número de instituições, ficando por apurar a forma como é utilizada, uma vez que a maioria das réguas que se encontram em circulação apresenta apenas a escala visual analógica e / ou de faces. Quanto ao local de registo do resultado da avaliação no processo clínico, a sugestão da Direcção-Geral da Saúde foi aceite, visto que o local eleito é o mesmo dos sinais vitais. A monitorização da avaliação da dor é prevista pela maioria das instituições, pelo que será interessante conhecer, no futuro, os resultados obtidos. A avaliar pelo número e conteúdo das repostas, as expectativas em relação ao papel da Ordem dos Enfermeiros são elevadas. São muito evidentes os contributos que se esperam em matéria de formação e de desenvolvimento e controlo da prática. Ou seja, espera-se da Ordem que facilite a formação, que promova a implementação da avaliação da dor e que controle a realização efectiva da mesma. Neste sentido, sugere-se: que a avaliação da dor seja incluída como indicador em todas as iniciativas da Ordem dos Enfermeiros cujo objectivo seja a qualidade dos cuidados de enfermagem; que as iniciativas cujo tema central seja a dor sejam apoiadas; que a avaliação da intensidade da dor seja incentivada, facultando a cada enfermeiro uma régua de avaliação; que se realizem reuniões, debates, encontros, concursos e publicações para assinalar o Dia Nacional de Luta Contra a Dor (14 de Junho) e o Dia Mundial e Semana Europeia Contra a Dor; que se estabeleçam parcerias com outras entidades, de forma a promover a formação e a multidisciplinaridade nas intervenções de controlo da dor. Afigura-se necessário que os órgãos sociais da Ordem dos Enfermeiros prossigam os seus esforços, no sentido de acompanharem a evolução desta prática de cuidados, realizando acções de co-responsabilização, institucional e individualmente, dos enfermeiros na melhoria dos cuidados à pessoa com dor. Tendo em conta as suas atribuições, este propósito inscreve-se, claramente, no compromisso da Ordem dos Enfermeiros para com os cidadãos. Qualidade: mais do que uma moda, uma área de investimento para a melhoria dos cuidados de enfermagem A Ordem dos Enfermeiros, em consonância com o contexto internacional,

30 Destaque regional Região Centro 29 definido pela Organização Mundial da Saúde e pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, e de acordo com o seu Estatuto, Artigo 3.º, tem vindo a colocar em marcha estratégias essenciais para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem. Começou por definir os Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, que agora se constituem como uma matriz conceptual orientadora para o exercício profissional dos enfermeiros. Uma vez efectuada esta definição (no mandato anterior), está agora em marcha a implementação de um programa global de melhoria contínua da qualidade. Assim, membros dos órgãos sociais da Secção Regional do Centro reuniram-se com o grupo coordenador, no passado dia 29 de Março, na Escola Superior de Enfermagem Dr. Ângelo da Fonseca, para clarificação das propostas para o futuro. A 29 de Abril, foi realizado, no auditório do CHC, um seminário dirigido aos enfermeiros cujo objectivo era a divulgação dos Padrões de Qualidade, a informação sobre o projecto a desenvolver e a clarificação do mesmo. Na mesma data, ocorreu uma reunião com enfermeiros-directores das instituições de saúde e escolas superiores de enfermagem e saúde, com os mesmos objectivos do seminário. Pretendia-se obter também, nesta reunião, a adesão das instituições ao projecto, disponibilizando elementos-chave indispensáveis ao estatuto de potenciais formadores / colaboradores na implementação e no acompanhamento do projecto, no âmbito das diferentes instituições. Nas instituições aderentes, para além da apropriação dos padrões de qualidade, definir-se-ão indicadores de qualidade; desenvolver-se-ão programas de melhoria contínua da qualidade, resultantes das etapas anteriores; produzir-se-ão guias orientadores de boas práticas; e apoiar-se-á o trajecto necessário à informatização dos registos de enfermagem. A informatização, recorrendo a uma linguagem comum a nível internacional, é essencial para a produção de informação que, por sua vez, é imprescindível à tomada de decisões relativas ao cuidado e à gestão, nos diversos níveis em que ela é feita. A mesma informatização não deixará de evidenciar ganhos em saúde, sensíveis aos cuidados de enfermagem (entre outras mais-valias). Dia Internacional do Enfermeiro O dia do nascimento de Florence Nigthingale 12 de Maio foi este ano comemorado na cidade de Viseu. De acordo com o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) que a Ordem dos Enfermeiros, de algum tempo a esta parte, passou a integrar de pleno direito, este dia de comemorações foi subordinado ao tema Contra a falsificação de medicamentos pela segurança do doente. Aproveitando a sua presença em Viseu, a Senhora Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, em conjunto com o Bastonário da Ordem dos Médicos, realizaram, na parte da manhã, uma visita inédita ao Hospital de S. Teotónio, S. A., tendo sido recebidos pelo Conselho de Administração. Numa breve reunião, foram abordadas questões da saúde em geral, do hospital anfitrião, e dos grupos profissionais ali representados. De seguida, foi realizada uma visita ao Serviço de Pediatria, durante a qual se deu ênfase aos aspectos da humanização do atendimento da criança internada e dos seus pais, bem como à necessidade de o período de internamento não corresponder a um hiato no desenvolvimento da criança. A presença dos bastonários no Hospital foi concluída com uma sessão pública no auditório, presidida pelo Presidente do Conselho de Administração. Os ilustres visitantes emitiram, então, mensagens de alguma preocupação face ao momento difícil que o País atravessa, mas também de esperança, dada a qualidade dos profissionais da saúde, em Portugal. As comemorações nacionais do Dia Internacional do Enfermeiro prosseguiram no período da tarde, cujo início ficou marcado pela sessão de abertura, no Hotel Montebelo, pelas 14 h 30 m, a que assistiram entidades

31 30 Destaque regional Região Centro tex bliss 10 oficiais, entre as quais, um representante do Sr. Ministro da Saúde. Das 15 h às 18 h teve lugar um dos momentos altos destas comemorações, ou seja, uma mesa redonda subordinada ao tema Segurança do doente e regime terapêutico. A moderação desta mesa esteve a cargo do presidente do Conselho Directivo da Secção Regional do Centro, Enfermeiro Amílcar Carvalho, e contou com a participação do Jornalista Rui Avelar, do Presidente do Infarmed, dos bastonários da Ordem dos Enfermeiros, da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Farmacêuticos e ainda de um representante da Associação dos Administradores Hospitalares. A colocação do problema pelo moderador da mesa, a grande qualidade das comunicações individuais, bem como das respostas às questões da assembleia resultaram em momentos de excelência, que vieram a provar a pertinência do tema, mesmo àqueles que pensavam dizer este respeito apenas a países do terceiro mundo. Mas para o final estava igualmente guardado um momento muito especial: a sessão pública de lançamento da nova edição do livro Código Deontológico do Enfermeiro, cujo subtítulo é, desta feita, Dos Comentários à Análise de Casos. A sessão foi precedida da atribuição do título de membro honorário a várias associações de enfermeiros, pela presidente do Conselho Jurisdicional, Enfermeira Lucília Nunes. Esta nova edição do Código Deontológico, está aí disponível para todos os enfermeiros, podendo revelar-se como um precioso auxiliar no dia-a-dia, nomeadamente quando houver necessidade de tomar decisões ético-deontológicas. Esta obra deve-se, de forma diferente, aos vários membros do Conselho Jurisdicional e, especialmente, ao trabalho e à magistral coordenação da sua presidente. Reunião com o Conselho de Administração do Hospital Santo André, S. A. Leira O Conselho Directivo e o Conselho de Enfermagem da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros reuniram-se com o Conselho de Administração do Hospital Santo André, S. A. Leiria, no passado dia 8 de Junho de 2005, pelas 13 horas e 15 minutos, com o objectivo de esclarecer a posição da instituição relativamente à dispensa dos seus enfermeiros, que pertencem aos órgãos sociais da Ordem. Após a apresentação de todos os argumentos a favor da dispensa dos elementos referidos, para o desenvolvimento de actividades promovidas pela Ordem, assim como a referência ao Artigo 76, n.º 1, alínea d) do Estatuto, o Conselho de Administração manteve a posição de não dispensa, referindo ser a sua postura idêntica relativamente a outras associações profissionais congéneres. Mediante autorização do Enfermeiro- -Director foi efectuada uma visita pelo hospital com o objectivo de o conhecer e de estabelecer contactos com os colegas, durante o exercício das suas funções. Neste âmbito, foram visitados os serviços de urgência, ortopedia, medicina I e também a Unidade de Cuidados Especiais Pediátricos (UCEP), que pretendia auscultar a Ordem relativamente a metodologias para o cálculo de recursos de enfermagem. Quanto a esta visita institucional, não programada, entendemos que o saldo foi muito positivo, pelo acolhimento e pela disponibilidade com que os colegas nos receberam e pelas questões colocadas. Encontros de Enfermagem de Cuidados Gerais e Especialidades Continuando a procurar cumprir o seu plano de actividades, e a fim de identificar, partilhar e discutir projectos e experiências de excelência, que contribuem para a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados aos cidadãos, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros realizará, no último trimestre de 2005, os Encontros de Enfermagem de Cuidados Gerais: no distrito da Guarda, a 30 Setembro; em Castelo Branco, a 28 de Outubro; em Aveiro, a 18 de Novembro; e em Coimbra, a 14 de Dezembro. Ocorrerá uma conferência inaugural sobre as competências do enfermeiro de cuidados gerais, em cada um destes encontros.

32 Destaque regional Região Centro 31 Os Encontros de Enfermeiros Especialistas realizar-se-ão, por sua vez, em Coimbra, em local a designar, nas seguintes datas: Especialidade em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica 13 de Outubro; Especialidade em Enfermagem Comunitária 10 de Novembro; Especialidade em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica 7 de Dezembro. Se pretende partilhar a sua experiência, poderá ainda fazê-lo, enviando a sua proposta para a morada de ou para a morada postal da Secção Regional do Centro. Curso básico de fotografia Com início em Setembro, o curso terá uma duração total de 40 horas e decorrerá na sede da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros. Objectivos Leituras da imagem Sensibilização para a observação da imagem tridimensional e do respectivo transporte para a imagem bidimensional. Análise e crítica da imagem. Formas de ver com o objectivo de se obterem registos fotográficos. Aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de uma sensibilidade que resulte na transmissão de uma dimensão estética à fotografia, para além das soluções de natureza técnica. Técnica fotográfica Cada pessoa deverá passar a dominar algumas técnicas partindo do conhecimento das capacidades mecânicas do aparelho fotográfico: tempo de exposição (obturador); profundidade de campo (diafragma); distância focal... e outros aspectos técnicos de conhecimento indispensável para se obterem registos fotográficos. Photoshop Considerando que já muitos alunos começam o curso com uma câmara digital e que, mesmo os que ainda não usam, a breve prazo passarão a ser utilizadores das tecnologias digitais, do programa faz parte formação em Photoshop. Trabalhos práticos Alguns exercícios de concretização dos conhecimentos adquiridos. Análise dos trabalhos efectuados Discussão dos trabalhos realizados. Conteúdo programático Leituras da imagem. Nascimento de uma nova arte, história da fotografia quatro horas. Teoria Educação visual: organização da fotografia, composição, estruturação da imagem, funções da fotografia, estilos e abordagem pessoais, observação: forma, textura, padrão, cor, movimento seis horas. Teoria Iniciação à técnica: objectivas, aberturas, obturadores, profundidade de campo, profundidade de foco seis horas. Teoria Iniciação à técnica: luz, como se formam as imagens quatro horas. Sessão prática de fotografias em exteriores cinco horas. Análise das imagens e discussão uma hora. Photoshop seis horas. Análise de resultados e discussão uma hora. Revisões seis horas. Custo total do curso 140,00. O pagamento do curso pode efectuar-se por duas vezes: 50% no início e 50 % no final das primeiras 20 horas. Se o pagamento for totalmente liquidado antes do início do curso, o custo será de 100,00. As inscrições deverão efectuar-se na Secção Regional do Centro, nas horas normais do expediente (das 9 h às 17 h), até ao final do mês de Agosto. Workshops O Enfermeiro de Família / Indicadores de Qualidade em CSP A Ordem dos Enfermeiros, nomeadamente a Comissão de Especialidade de Enfermagem Comunitária em articulação com a Secção Regional do Centro, promoveu a realização de dois workshops sub-regionais, na Sub- -Região de Saúde de Aveiro e da Guarda, cujos temas foram: O Enfermeiro de Família / Indicadores de Qualidade em CSP. Estes workshops destinavam-se aos enfermeiros-gestores das instituições referidas. Da avaliação destes momentos de trabalho conjunto ressaltou a importância e actualidade da temática para a aferição de conceitos, a reflexão sobre novas metodologias de intervenção e sobre a necessidade de estas discussões serem alargadas aos contextos dos centros de saúde. Foram ainda apontados alguns constrangimentos à implementação do modelo, que se prendem essencialmente com a falta de recursos humanos, de viaturas e com algumas dificuldades relativas à estrutura física. Realizar-se-ão ainda mais quatro workshops, nas restantes sub-regiões de saúde da Região Centro (Viseu 29-9; Leiria 11-10; Castelo Branco e Coimbra 13-10). oe

33 32 Destaque regional Região Madeira Secção Regional da Região Autónoma da Madeira Principais actividades Como habitualmente, faremos, neste espaço, referência a algumas das actividades mais importantes levadas a cabo pela Secção Regional da RAM da Ordem dos Enfermeiros (SRRAMOE), bem como enunciaremos aquelas que em breve iremos realizar. Além da continuação das mencionadas na Revista anterior, salientamos, pela sua relevância, a realização, no passado dia 18 de Março, do Conselho Directivo Nacional, que teve lugar na RAM. Realçamos, ainda, a conferência realizada sobre alguns dos aspectos transversais mais actuais com que se defrontam os enfermeiros portugueses, bem como a visita dos membros do Conselho Directivo Nacional à nova sede. De mencionar é igualmente a reunião com a Senhora Bastonária, com membros do Conselho Directivo Regional e com os presidentes dos restantes órgãos sociais regionais. Finalmente, salienta-se a conclusão da primeira fase das obras da nova sede, a ultimação do projecto de arquitectura de pormenores e a preparação do contrato para a sua finalização. Na referida conferência, em que participaram cerca de 250 enfermeiros, foram abordadas pela Senhora Bastonária e por alguns membros do Conselho Directivo Nacional diferentes temáticas, tais como: Processo de Bolonha Implicações para a Profissão ; Certificação de Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais ; Condições do Exercício Profissional ; Gestão de Serviços de Enfermagem ; Substituição de Enfermeiros por outros que não Enfermeiros ; Enfermeiros e Urgência / Emergência Pré-Hospitalar e divulgação da Linha Saúde Pública. Além destas actividades, da responsabilidade mais directa do Conselho Directivo, destacamos a realização, entre Maio e Dezembro do corrente ano, de doze encontros de reflexão sobre a prática profissional, evento com o mesmo nome, descentralizados na Ilha da Madeira e de Porto Santo. Estes encontros foram organizados pelo Conselho de Enfermagem Regional e contaram com a participação directa de enfermeiros não pertencentes aos órgãos sociais, que versaram as diferentes temáticas identificadas nos workshops previamente realizados e referidos no número anterior desta revista. Salientamos, igualmente e de seguida, algumas actividades levadas a cabo pelo Conselho Jurisdicional Regional. Colaboração na organização e dinamização do ciclo de debates intitulado Tomada de Decisão ético-deontológica, promovido pelo Conselho Jurisdicional Nacional. Análise de diversos casos da prática concreta dos enfermeiros, um deles publicado no Código Deontológico do Enfermeiro: Dos Comentários à Análise de Casos, apresentado em Viseu no último Dia Internacional do Enfermeiro, 12 de Maio. Constituição da Comissão Regional de Apoio à Reflexão Ética, formada por doze enfermeiros provenientes dos vários contextos da prática, a

34 Destaque regional Região Madeira 33 qual tem reunido periodicamente para proceder à análise de casos e ao estudo aprofundado do Código Deontológico do Enfermeiro. Serão brevemente iniciados contactos directos com os demais enfermeiros. Estes contactos terão como objectivo a interajuda na elaboração das práticas, tendo em atenção os princípios, valores e deveres do enfermeiro preconizados no seu Código Deontológico. Ainda nesta mesma área, gostaríamos de salientar que foi com orgulho que vimos um trabalho de investigação, no domínio da ética de enfermagem, desenvolvido por dois dos nossos enfermeiros Tânia Lourenço e Paulo Azevedo, ser aceite para apresentação no Congresso Mundial do ICN, ocorrido em Taiwan em Maio último. Com participação de membros de diferentes órgãos sociais da SRRAMOE e de organizações de enfermagem madeirense, designadamente Sindicato e ACEPS, destacamos a realização das comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro, que teve a sessão de abertura no dia 10, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, presidida pela Senhora Secretária Regional dos Assuntos Sociais. No âmbito destas comemorações, as organizações profissionais de enfermagem da RAM empreenderam um conjunto de actividades designadamente: divulgação de posters inerentes à temática do Dia Internacional do Enfermeiro Enfermeiros contra a falsificação de medicamentos: pela segurança do doente ; distribuição gratuita de uma brochura do Conselho Internacional dos Enfermeiros nos serviços de saúde da RAM, no sentido de uma maior sensibilização de todos para este problema e para o papel determinante dos enfermeiros neste fenómeno; apresentação e divulgação de um folheto informativo destinado ao cidadão; realização, no dia 10 de Maio, logo após a sessão de abertura, de um painel subordinado ao tema A Contrafacção Medicamentosa e a Segurança do Cidadão, no qual participaram a directora do Serviço de Defesa do Consumidor e os representantes regionais da Ordem dos Farmacêuticos, Médicos, Advogados e Enfermeiros; realização, no dia 12 de Maio, de uma homenagem aos enfermeiros falecidos, visitas aos enfermeiros doentes e no final do dia, uma cerimónia religiosa e uma confraternização no salão paroquial da Nazaré. A encerrar as comemorações, destacamos a conferência proferida pela Senhora Enfermeira Directora Idalina Gouveia, sobre o papel do enfermeiro na gestão do regímen terapêutico, à qual se seguiu um jantar de convívio entre os participantes. Entre as actividades organizadas com a participação de membros de diferentes órgãos estão os passeios pedestres. Foram assim realizados dois passeios, nos dias 9 de Abril e 21 de Maio, dos quais os colegas participantes guardam graciosas recordações. No que se refere a eventos mais próximos, salientamos a realização de uma reunião de membros órgãos sociais,

35 34 Destaque regional Região Madeira no dia 22 de Junho, para avaliação das actividades do primeiro semestre e programação do segundo. É de referir, igualmente, a realização de um passeio-conferência com a Senhora Bastonária, no próximo dia 25 de Junho, bem como a realização de visitas institucionais a um centro de saúde localizado no Norte da Ilha da Madeira e à Casa de Saúde de S. João de Deus (hospital psiquiátrico). Neste mesmo dia, contamos ainda proceder à assinatura do contrato com a empresa construtora para a conclusão da segunda e última fase da edificação da nova sede da SRRAMOE. Um especial destaque para a workshop organizada em colaboração com as direcções de enfermagem do Serviço Regional de Saúde e a SRRAMOE destinado aos enfermeiros da área da gestão e representantes dos enfermeiros de cuidados gerais de todas as unidades do Serviço Regional de Saúde e Segurança Social, escolas superiores de Enfermagem, Estabelecimento Prisional e algumas IPSS onde trabalham enfermeiros a tempo integral, designadamente Casa de Saúde S. João de Deus e Câmara Pestana. Este workshop destinou-se, fundamentalmente, a debater as diferentes questões do exercício profissional à luz dos padrões de qualidade definidos pela Ordem dos Enfermeiros. Contou com a presença, além da Senhora Bastonária, da Senhora Enfermeira Helena Almeida e de quatro enfermeiros de cuidados gerais, que apresentaram a sua reflexão sobre este mesmo tema, sendo duas enfermeiras dos cuidados de saúde primários (de um centro de saúde rural e outro urbano) e dois dos cuidados hospitalares (Hospital dos Marmeleiros e Hospital da Cruz de Carvalho). Finalmente, é de destacar a divulgação do livro Código Deontológico do Enfermeiro: Dos Comentários à Análise de Casos, que foi efectuada no dia 28 de Junho, pelas 16 h 30 m, no local do workshop Hotel Tivoli Ocean Park, com a presença da nossa Digníssima Bastonária e da Presidente do Conselho Jurisdicional, Enfermeira Lucília Nunes. O livro pode ser adquirido pelos enfermeiros madeirenses e porto-santenses através da sede da SRRAMOE, ao mesmo preço do continente. A todos expressamos as nossas cordiais saudações e desejamos muito boas e retemperadoras férias de Verão. oe TSUNAMI Fundo de solidariedade criado pela Ordem dos Enfermeiros Na sua primeira reunião de 2005, o Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros não pôde deixar de reflectir sobre os trágicos acontecimentos que, no dia 26 de Dezembro de 2004, envolveram milhões de pessoas do sudeste asiático. Na tentativa de minorar o sofrimento dos que naquele ponto do globo foram vítimas da destruição, da morte e da doença, o Conselho Directivo decidiu dar corpo à solidariedade dos enfermeiros portugueses. No dia 12 de Janeiro, foi aberta uma conta bancária onde foi depositado o valor correspondente a 50 cêntimos por cada membro inscrito, no dia 26 de Dezembro. Apelou-se depois aos enfermeiros que contribuíssem para aumentar este montante, o que fizeram generosamente. O fundo reunido, no total de ,42 euros, será entregue à UNICEF, organização que, sendo uma organização das Nações Unidas, tem uma área de intervenção especialmente dedicada a minorar as consequências da tragédia asiática.

36 Destaque regional Região Norte 35 Secção Regional do Norte Actividades em destaque Tendo em vista a concretização dos planos de actividades dos órgãos sociais, quer a nível nacional quer a nível regional, desenvolveram-se várias actividades durante o primeiro semestre de 2005, entre as quais destacamos as que se seguem. O Fórum de Bolonha realizou-se no dia 19 de Janeiro, no Auditório do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. Na sequência dos desenvolvimentos relacionados com o processo de Bolonha, a Ordem dos Enfermeiros (OE) promoveu espaços de debate regionais para explicitar e analisar as propostas dos diferentes grupos de trabalho: o Grupo da Área de Conhecimento da Enfermagem do Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior (MCIES), o Grupo nomeado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e a OE. A Bastonária, Enfermeira Maria Augusta de Sousa, deu início ao Fórum com uma breve abordagem ao processo de Bolonha e ao quadro de referência da profissão. Seguiu-se um painel com os representantes do Grupo da Área de Conhecimento da Enfermagem do MCIES e da OE, onde foram apresentados os prós e os contras de cada proposta. O processo de Bolonha constitui uma oportunidade para a reestruturação do ensino superior, e a implementação das decisões dele decorrentes obriga à análise das implicações para a Enfermagem. Durante o debate realizado, destacou-se a necessidade de continuar a discutir e a aprofundar estas questões com os enfermeiros. O workshop Valorização e Consolidação dos Campos de Intervenção dos Enfermeiros, organizado pela OE, realizou-se no Auditório da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, no dia 4 de Março. Estiveram presentes os vários membros dos órgãos sociais nacionais e regionais com o objectivo de: discutir as questões relacionadas com o exercício profissional baseado na autonomia e na responsabilidade, em consonância com o quadro de referência da OE; analisar os modelos de organização de cuidados, o papel e as competências do enfermeiro e do enfermeiro- -chefe; identificar as dificuldades na consolidação dos campos de intervenção dos enfermeiros com base no actual quadro de referência da OE; contribuir para a definição das linhas de acção futuras, com vista a valorizar os cuidados de enfermagem baseados na autonomia e na responsabilidade e de acordo com o quadro de referência da OE. O ciclo de debates intitulado A Tomada de Decisão Ético-Deontológica: Análise de Casos realizou-se no Auditório da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, no dia 5 de Março. Este debate teve a participação activa dos enfermeiros, que aproveitaram a análise de casos para exporem as suas dúvidas e clarificarem alguns conceitos. Na Assembleia Regional realizada no Auditório do Instituto Superior de Engenharia do Porto, no dia 12 de Março, estiveram presentes 80 enfermeiros. Para além da aprovação do Relatório e Contas referentes ao ano de 2004 e do Plano de Actividades e Orçamento para o ano de 2005, foi ainda apresentado o ponto de situação das obras de recuperação da sede da Secção Regional do Norte (SRN). O Conselho de Enfermagem (CE), em colaboração com o Conselho de Enfermagem Regional (CER), organizou, na sede da SRN, uma reunião preparatória do seminário Padrões de Qualidade um instrumento para a melhoria contínua da qualidade. Esta reunião, realizada no dia 8 de Abril, destinou-se aos vários membros dos órgãos sociais regionais e aos membros da Região Norte que integram as Comissões de Especialidade, Cuidados Gerais e Formação. Os objectivos desta reunião foram os seguintes: promover a apropriação, pelos membros dos órgãos sociais da Ordem, do enquadramento conceptual e dos enunciados descritivos dos padrões; criar sinergias que permitam contribuir para a implementação, nos contextos onde os enfermeiros prestam cuidados, de programas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados

37 36 Destaque regional Região Norte de enfermagem, em consonância com o plano de acção da OE e as competências estatuídas dos seus órgãos. O programa foi desenvolvido da seguinte forma: apresentação e análise do caminho percorrido para a definição dos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem; análise, reflexão e discussão dos conceitos que enformam o enquadramento conceptual, bem como dos enunciados descritivos; apresentação do projecto a desenvolver: objectivos, actividades, metodologia e calendarização; síntese final. O seminário Padrões de Qualidade um instrumento para a melhoria contínua da qualidade, organizado pelo CE em colaboração com o CER, realizou-se no Auditório da Escola Superior de Enfermagem da Imaculada Conceição, no Porto, durante a manhã do dia 22 de Abril. Estiveram presentes 334 enfermeiros das várias instituições de saúde e de ensino da Região Norte. Este seminário teve como objectivos: divulgar e promover a apropriação do enquadramento conceptual e dos enunciados descritivos dos padrões de qualidade; criar sinergias que permitam contribuir para a implementação, nos contextos onde os enfermeiros prestam cuidados, de programas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem, tendo como referência os padrões de qualidade; promover um exercício profissional baseado na autonomia e responsabilidade, que evidencie o impacte e a importância dos cuidados de enfermagem. Durante a tarde, realizou-se uma reunião com os enfermeiros-directores das instituições de saúde e com os presidentes dos conselhos directivos das escolas superiores de enfermagem para se divulgar o projecto delineado pela OE. Esta reunião visou a promoção e a implementação de programas de melhoria contínua da qualidade e a constituição de um conjunto de indicadores que permitam traduzir os ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de enfermagem. Neste sentido, foi efectuada a apresentação do projecto, bem como a abordagem aos aspectos relacionados com a sua operacionalização / desenvolvimento, e a identificação de elementos-chave, como potenciais formadores / colaboradores para a qualidade e para o acompanhamento do projecto a nível institucional. Em representação das diversas instituições, estiveram presentes 36 enfermeiros. A avaliação desta reunião foi positiva, na medida em que os presentes manifestaram interesse pelo projecto e disponibilidade para posteriormente estabelecerem parcerias com a OE. Representações No que respeita à participação, a SRN esteve representada em vários eventos, entre os quais se destacam os que se seguem. As escolas superiores de enfermagem têm solicitado cada vez mais a colaboração da SRN para abordar especialmente junto dos alunos finalistas do curso de licenciatura em Enfermagem questões relacionadas com o desenvolvimento profissional, a importância da Ordem dos Enfermeiros como associação pública, as respectivas atribuições, o Código Deontológico, entre outros aspectos. Para darmos resposta a estas solicitações, participámos em vários eventos na Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Braga, na Escola Superior de Enfermagem Cidade do Porto, na Escola Superior de Enfermagem D. Ana Guedes, na Escola Superior de Enfermagem de Santa Maria e na Escola Superior de Saúde Jean Piaget Nordeste. Participaram, no Congresso Luso- -Brasileiro de Estudos Jornalísticos intitulado Mesa Redonda Jornalismo, Medicina e Saúde: Que Interacção?, a Ordem dos Enfermeiros (representada pela Enfermeira Margarida Filipe), a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Farmacêuticos, o Sindicato dos Jornalistas e um professor de jornalismo de uma universidade espanhola. Este congresso decorreu na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, no dia 17 de Março. No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde, realizou-se uma mesa redonda sobre Projectos Inovadores na Área da Saúde Materna e Infantil na Escola Superior de Enfermagem, no Porto, a 7 de Abril. A Presidente do Conselho Directivo Regional, Enfermeira Margarida Filipe, apresentou os resultados do estudo sobre o Projecto de Cuidados Continuados: da Concepção ao Nascimento, pedido pela SRN à Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade do Porto. Relativamente às comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro, a SRN promoveu o debate Segurança do Medicamento, o tema proposto pelo International Council of Nurses (ICN) para este ano. O objectivo foi sensibilizar os enfermeiros para a falsificação de medicamentos e para

38 Destaque regional Região Norte 37 a protecção do doente. Neste sentido, realizou-se, no dia 12 de Maio, no Auditório do Hospital Magalhães Lemos, uma mesa redonda sobre o tema referido, com representantes da Ordem dos Farmacêuticos (Dr. José Pinto Correia Presidente do Conselho Regional do Norte), da Ordem dos Médicos (Dr. José Pedro Moreira da Silva Presidente do Conselho Regional do Norte) e da Ordem dos Enfermeiros (Enfermeira Ana Maria Costa Mota). Foram ainda abordados os temas Gerir o processo terapêutico, pela Enfermeira Manuela Maria Morais Rodrigues, e A vida sem medicamentos. A vida com medicamentos, pelo utente Domingos Soares Castro. A convite do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, o presidente do CER, Enfermeiro José Carlos Baltazar, abordou o tema Perspectiva Actual das Especialidades em Enfermagem. A Presidente do CDR participou na Mesa Redonda Avaliação das Condições de Trabalho dos Enfermeiros, realizada na Universidade Fernando Pessoa, no Porto. Na sua intervenção fez referência aos resultados preliminares do estudo sobre as condições de trabalho dos enfermeiros portugueses, que a OE encomendou à Universidade Católica Portuguesa, e apresentou ainda os objectivos do CD da OE nesta matéria. No caminho da qualidade... No âmbito das comemorações do aniversário do Hospital Geral de Santo António, S. A., realizou-se a cerimónia de entrega do Diploma da Acreditação Total pelo King s Fund, com a presença do Presidente da Administração Regional do Norte (ARS) e do Presidente do Instituto da qualidade em Saúde (IQS). De seguida, foi estabelecida uma parceria entre a Ordem dos Enfermeiros e o Hospital Geral de Santo António no Porto, tendo sido assinado, pela Bastonária, Enfermeira Maria Augusta de Sousa e pelo Presidente do Conselho de Administração, Dr. Fernando Sollari Allegro, o protocolo no âmbito do desenvolvimento do projecto Padrões de Qualidade dos Cuidados e Sistemas de Informação de Enfermagem. Nesta cerimónia, em representação do CDR, esteve presente a Enfermeira Mara Rocha. A assinatura deste protocolo é um passo importante para a concretização do programa de acção, no que se refere ao exercício profissional, nomeadamente na promoção da qualidade dos cuidados de enfermagem e dos sistemas de informação. A Escola Superior de Enfermagem de Santa Maria, no Porto, obteve a certificação pela ISO-NP 9001 de 2000 (APCER empresa certificadora). Na cerimónia de entrega do certificado de qualidade, realizada no dia 7 de Abril, esteve presente, em representação da Bastonária, o presidente do Conselho de Enfermagem Regional. Visitas institucionais Com o lema Mais Perto de Si, continuámos o plano de visitas às seguintes instituições: Unidade de Saúde de Barrocas (Centro de Saúde de Paranhos Porto), Hospital Maria Pia, Maternidade Júlio Dinis, Hospital de Famalicão, S. A., Hospital Geral de Santo António, S. A., e Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil Porto. A avaliação destas visitas tem sido muito positiva, na medida em que nos permitem conhecer melhor as instituições, os contextos e, ainda, as dificuldades, potencialidades e expectativas dos enfermeiros da região. Divulgação A Ordem dos Enfermeiros recebeu um ofício da Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, solicitando a divulgação das actividades que desenvolve. A Associação Portuguesa de Doentes de Huntington é uma instituição privada de solidariedade social que nasceu para prestar informações e dar apoio aos doentes de Huntington, seus familiares e demais pessoas afectadas, directa ou indirectamente, pela doença. Publicamos abaixo os contactos desta Associação, através dos quais os doentes e familiares poderão recorrer mais facilmente aos serviços disponibilizados. Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, Rua Dr. Afonso Costa, 32 L Alvor / Portimão Tel. / Fax: Travessa Sargento Abílio, loja 7 A Lisboa, Tel. / Fax: oe

39 38 Destaque regional Região Sul Secção Regional do Sul Participação dos membros dos órgãos sociais no 23.º Congresso do ICN Estivemos representados, na área de exposições 23.º Congresso do ICN, num stand, onde demos conta do estádio em que actualmente se encontra a enfermagem em Portugal. O stand caracterizou-se tanto por uma vertente pedagógica, na medida em que nele se podiam colher informações acerca de assuntos simples, como, por exemplo, a localização de Portugal no Mundo (a verdade é que muitas pessoas desconhecem, por completo, a localização do nosso país), como por uma vertente formativa, na medida em que se expuseram, por exemplo as etapas que a profissão cumpriu em Portugal para chegar onde chegou hoje, seja em relação à sua estrutura organizacional, seja em relação à regulação ou autonomia profissional. No que à componente científica do Congresso diz respeito, a oferta temática era abrangente. Contemplava, de facto, os mais variados temas de cariz científico. Tais temas foram abordados no sentido de serem entendidos por profissionais das mais variadas realidades culturais, sociais e económicas. O primeiro dia ficou marcado pela sessão inaugural intitulada Conferência sobre Saúde e Direitos Humanos, dirigida pelo Dr. Stephen Lewis, enviado especial das Nações Unidas para o combate à Sida em África. A comunicação apresentada evidenciou o importante papel dos enfermeiros na ligação da saúde com os direitos humanos, tendo como pano de fundo o combate à Sida em África. O apoio comunitário, papel desempenhado essencialmente por enfermeiros, é de vital importância porquanto é gritante a escassez de meios e de recursos humanos, tal como gritante é a forma como a doença afecta também os próprios profissionais. Aqui os ratios de pessoal tomam um papel secundário em favor da manutenção dos recursos humanos existentes. Uma realidade que não conhecemos em Portugal, mas que está aqui ao lado, à nossa porta. No dia 24 de Maio de 2005, neste 23.º Congresso Quadrienal do ICN, realizado em Taipé, o Enfermeiro Paulo Victorino apresentou na sessão plenária Working with homeless, em conjunto com a Senhora Bastonária, Enfermeira Maria Augusta de Sousa, o projecto ASA Apoio aos Sem-Abrigo do Centro de Saúde da Penha de França. Este é um projecto que surge na sequência de um primeiro acordo de cooperação entre o Centro de Saúde da Penha de França e o Centro de Apoio Social dos Anjos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para acompanhamento e referenciação dos utilizadores deste centro de apoio social, que necessitavam de cuidados de saúde. Devido à evolução do trabalho desenvolvido nesta área, ao decorrer de reuniões com a Polícia de Segurança Pública, bem como a todas as informações prestadas por estas forças policiais sobre a população sem-abrigo, tornou-se necessário implementar um projecto de intervenção de rua, para conhecer, no terreno, os sem-abrigo, as suas fragilidades e as suas reais necessidades. Traçaram-se, para a respectiva actuação, dois objectivos gerais: a prevenção da doença e a promoção da saúde individual e da comunidade. O propósito das abordagens no contexto vivencial da população de sem-abrigo é, de uma forma geral, promover a adopção de estilos de vida saudáveis, através da promoção da saúde e da realização de ensinos individuais e personalizados. Esta cobertura tem permitido a toda a equipa ganhar novas competências no terreno. A difusão da utilização do serviço passou a fazer-se, em grande parte, entre os sem-abrigo. O que significa que a população-alvo é parte integrante do programa. Existem, em todas as sociedades, grupos vulneráveis que são, tradicionalmente, os que pior acesso têm ao sistema de saúde. Existem inúmeros mecanismos inovadores para chegar a esta população. Este não pretende ser mais um projecto. Pretende sim ser um recurso para onde convirjam os esforços das instituições implicadas no apoio a esta população e que abra as portas a estes cidadãos, tantas vezes privados dos direitos de cidadania. Importa realçar a importância dada a este projecto por diversas entidades internacionais e nacionais, revestindo-

40 Destaque regional Região Sul 39 o agora de uma responsabilidade acrescida, quem sabe para uma implementação diferente, a nível nacional. Dos contactos estabelecidos, devemos realçar a aceitação do convite efectuado à Doutora Afaf Meleis para participar nas Jornadas da SRS, em Novembro próximo, e o convite que nos foi dirigido, à Enfermeira Guadalupe e a mim próprio, para participar no Congresso da Associación Paraguaya de Enfermeras, em Outubro próximo. Das oportunidades de contacto com os colegas dos PALOP, ficou clara a necessidade de se encetarem os contactos bilaterais o mais formal e rapidamente possível. Ficou, aliás, claro, no workshop sobre a intervenção dos enfermeiros na luta contra o HIV/Sida, promovido pela Associação Canadiana de Enfermeiros, que esta poderá ser uma vertente de aproximação com os enfermeiros africanos, já que quem suporta, na prática, o combate no terreno são esmagadoramente os enfermeiros. Das conversas tidas com os colegas de S. Tomé e de Angola, ficou afirmada a nossa disponibilidade para colaborar activamente com aquelas associações, no sentido de ajudar através da nossa experiência. Concluímos, pois, que devemos reforçar a ideia de que a participação de enfermeiros portugueses nestes eventos deve ser incentivada pela OE, através da divulgação de tópicos de interesse e mecanismos de apoio que aumentem a participação da enfermagem portuguesa neste momentos de partilha. É necessário dar visibilidade à enfermagem portuguesa, porque os nossos colegas (supostamente mais evoluídos), na sua maioria, ficam pasmados quando se aperceberam do estádio em que nos encontramos. É uma experiência a repetir e a incrementar no futuro. Bienal de Artes da SRS No desenvolvimento do plano de actividades aprovado pela Assembleia Regional de Março passado, foi proposta a realização da Bienal de Artes da SRS, que irá decorrer entre 5 e 12 de Novembro de O tema proposto é A Arte na Enfermagem; a Enfermagem na Arte, e serão aceites trabalhos de pintura, fotografia ou outra forma de expressão artística apresentados por enfermeiros ou familiares. Estamos a envidar todos os esforços no sentido de encontrar um espaço adequado à realização da exposição e com condições para as Jornadas da SRS. Contamos divulgar o local já no próximo número desta revista. O júri deste evento, bem como os prémios serão tornados públicos numa próxima edição da nossa newsletter. Contamos com a participação de todos. Jornadas de Enfermagem da SRS Vamos realizar, nos próximos dias 11 e 12 de Novembro em Lisboa, as Jornadas de Enfermagem da SRS. Esperamos que seja um momento demonstrativo da vitalidade da enfermagem da nossa secção e que permita a participação activa de todos os enfermeiros. O tema central das Jornadas será Os Sistemas de Saúde do Século XXI Área de Intervenção dos Enfermeiros. É, necessariamente, uma temática ampla para permitir uma também ampla participação. Neste sentido, disponibilizamos desde já o endereço para onde poderão ser enviados artigos, inscrição de posteres e pedidos de informação acerca das jornadas: Informe-se e garanta já a sua participação nas Jornadas da SRS. Acções de controlo do exercício profissional No âmbito das competências do CDR, têm vindo a ser realizadas visitas institucionais a hospitais, lares de idosos, casas de repouso e a outras instituições prestadoras de cuidados de enfermagem. Estas visitas têm como objectivos: fazer o acompanhamento do exercício profissional, garantir o acompanhamento dos cuidados de enfermagem, estabelecer relacionamentos com as instituições prestadoras de cuidados de enfermagem. Foram definidos para os lares de idosos e para as casas de repouso os critérios para as visitas que de seguida se indicam. Queixas apresentadas à Ordem, referentes a essas instituições. Aleatoriamente, por zonas da região. Neste aspecto, foram já percorridas algumas fases, entre as quais se destacam: a identificação de todas as instituições situadas na região sul; a construção de guiões de visitas por um grupo designado pela Ordem, a nível nacional; as visitas a diversos lares de idosos e casas de repouso. Apenas em duas instituições fomos recebidos por enfermeiros. Nas restantes, foi identificado o enfermeiro responsável pelos cuidados de enfermagem na instituição. oe

41 40 actualidade em destaque 12 de Maio art tit 36 Dia Internacional Enf Nome Enf Cargo Enf Hospital do Enfermeiro C art 2 tex joana

42 84444-Ordem.qxp 05/05/03 12:53 Page 1 Conselho Internacional de Enfermeiros Actualidade Em destaque 41 Comemorações nacionais 12 de Maio de 2005 Medicamentos Falsificados Matam PELA SEGURANÇA DOS DOENTES O Os Enfermeiros Estão Contra os Medicamentos Falsificados C elebrámos, no passado dia 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro, com um conjunto de actividades centradas no tema proposto pelo Conselho Internacional dos Enfermeiros CIE/ICN: Pela segurança dos doentes contra a falsificação de medicamentos. Os medicamentos falsificados constituem mais de 10% do total disponível no mercado mundial e tanto podem ser encontrados nos países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos (FDA) Dia Internacional do Enfermeiro 12 de Maio de 2005 As iniciativas realizadas, de âmbito nacional e regional, foram norteadas pela reflexão sobre o papel interventivo dos enfermeiros na segurança do doente, durante o regime terapêutico. Esta temática decorre do estudo efectuado acerca da situação internacional 1 da produção, distribuição, prescrição e toma de medicamentos. Este estudo tem vindo a confirmar existirem, nas diversas etapas supracitadas, factores que desvirtuam a finalidade última do medicamento para a humanidade: funciona como o suporte permanente no combate pela vida, no tratamento e combate da doença, bem como no alívio do sofrimento. Promovemos o reforço do imperativo ético e deontológico de zelar pela segurança dos doentes / cidadãos, ao qual nenhum interveniente no processo se pode alhear, seja político, produtor, prescritor e / ou prestador. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, um em cada dez medicamentos vendidos no mundo está falsificado e não faz qualquer efeito. Nos países em vias de desenvolvimento, 25 % dos medicamentos utilizados estão falsificados ou são de qualidade inferior. Os medicamentos devem ser seguros, eficazes, de boa qualidade e devem respeitar as normas e a legislação em vigor. Comprar medicamentos falsificados, nomeadamente através da Internet, ou de baixa qualidade é utilizar um recurso mal gasto. Pela natureza característica da sua profissão, no conjunto das profissões de saúde, e pelo conhecimento que suporta a sua intervenção junto dos doentes e respectivas famílias, os enfermeiros têm, em todo o mundo, uma responsabilidade específica na promoção e na verificação das condições de segurança de administração e toma de medicamentos inserido no plano terapêutico mais global. 1 Documento elaborado pelo ICN, kit DIE.

43 42 Actualidade Em destaque Deste modo, os enfermeiros portugueses juntaram-se aos colegas de todo o mundo para que as comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro fossem um marco de assunção pública na sua responsabilidade quotidiana, na defesa da segurança dos cidadãos. Asseguram, assim, no acompanhamento e na vigilância dos cidadãos, e no apoio aos mesmos, a promoção de uma gestão adequada do uso dos medicamentos. A importância e pertinência do tema inscrevem-se na preocupação dos enfermeiros face à segurança dos doentes e contra a falsificação de medicamentos. Embora em Portugal não se confirmem factores que temáticas, exposições, entre outros, que mereceram a atenção e participação, em particular, dos enfermeiros. A bela cidade de Viseu, nas terras de Viriato, acolheu a iniciativa nacional. Cidade situada no coração de Portugal, a duas horas e meia de distância de Lisboa e de Salamanca, pouco mais de uma hora do Porto e, menos de uma hora da cidade de Aveiro, Viseu recebeu-nos de braços abertos. Com o lema Contra a falsificação de medicamentos, pela segurança do doente, realizou-se uma conferência que contou com a participação de diversas desvirtuem a finalidade do medicamento, desde a produção à toma, a natureza e o dever ético e deontológico da nossa profissão determinam um olhar atento pela segurança dos cidadãos. Consubstancia-se, assim, o sentido de uma responsabilidade específica face às condições de utilização dos medicamentos inseridos no plano terapêutico mais global. A partilha desta responsabilidade com os restantes técnicos de saúde é o compromisso que a Ordem dos Enfermeiros e as restantes organizações profissionais de enfermeiros assumem perante a sociedade, em geral, e cada cidadão, em particular. A nível regional, as comemorações consubstanciaram-se na realização de conferências, palestras, feiras individualidades, bem como se levou a cabo uma mesa-redonda relativa ao lançamento do livro Código Deontológico do Enfermeiro: dos Comentários à Análise dos Casos. As temáticas apreciadas, a qualidade das comunicações e o peso sóciopolítico dos intervenientes faziam prever o êxito absoluto. Contudo, as estratégias de divulgação não permitiram desenvolver uma política de marketing que facilitasse a presença de um número significativo de enfermeiros. Apesar disto, transpareceu o empenho, a qualidade das comunicações e do debate entretanto suscitado. Transpareceu de tal forma, que foi reconhecido por todos que o momento foi de elevado nível, não restando dúvidas sobre a pertinência e importância actual do tema.

44 Actualidade Em destaque 43 O tema foi exaustivamente abordado: desde a análise do contexto dos medicamentos em Portugal à apreciação da qualidade e respectivos processos de controlo existentes, passando pela necessidade de regulação do mercado face à venda de medicamentos noutros locais que não as farmácias. Também a responsabilidade específica dos enfermeiros no assegurar da qualidade, da promoção e da verificação das condições de segurança de administração foi tema abordado, juntamente com o da toma de medicamentos, inserido no plano terapêutico mais global. Sentiu-se o pulsar sobre as questões mais actuais relacionadas com a saúde e com a política dos medicamentos enfermeira Lucília Nunes, Presidente do Conselho Jurisdicional Nacional, após desenhar o historial do Código Deontológico, recuperou um conjunto de contextos que resultaram na dinâmica e perspectivas que catalizaram a magnífica obra ora apresentada. Antes desta apresentação, procedeu-se à atribuição dos títulos de membros honorários às seguintes pessoas e associações: Enfermeira Maria José Maya Dias Pinheiro do Amaral, D. Maria Amélia da Silva Rocha da Paula Hungria, Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras, Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação, Associação para o Desenvolvimento da por parte dos bastonários e / ou seus representantes, do presidente do Infarmed e de um jornalista atento às questões da saúde em geral, e dos medicamentos, em particular. Destacase, deste ponto, a afirmação da necessidade de criar estratégias que, numa perspectiva futura, permitam concretizar uma abordagem multidisciplinar de intervenção na área da saúde. Por fim, realizámos a mesa-redonda relativa ao lançamento do livro Código Deontológico do Enfermeiro: dos Comentários à Análise dos Casos, na qual interveio o representante da Câmara Municipal, que desenhou uma alegoria à Enfermagem, com um profundo sentido estético. A sempre pela sua segurança e pela sua saúde, mais perto de si Enfermagem do Norte Alentejano, Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira, Associação dos Enfermeiros da Sala de Operações Portugueses. Neste Dia Internacional do Enfermeiro, reflectimos, pois, sobre o papel interventivo dos enfermeiros na segurança do doente durante o regime terapêutico; ponderámos abordagens de gestão da segurança do doente durante o regime terapêutico, bem como apresentámos e divulgámos o Código Deontológico, revisto e ampliado. Tudo isto, sempre fiéis ao lema: sempre pela sua segurança e pela sua saúde, mais perto de si. oe

45 44 Actualidade Em destaque A enfermagem conta* A s folhas informativas intituladas A enfermagem conta fornecem informação de referência de rápido acesso e com perspectivas internacionais da profissão de enfermagem sobre assuntos sociais e de saúde da actualidade. Erros de medicação Como evidenciado no enunciado de posição Segurança do doente do Conselho Internacional de Enfermeiros, a segurança do doente é essencial para os cuidados de enfermagem e de saúde de qualidade 1. Especialistas estimam que os erros de medicação são uma das principais causas de morte e incapacidade 2. Anualmente, morrem mais pessoas devido a erros de medicação do que em acidentes de trabalho. Alguns estudos sugerem que médicos, administradores e enfermeiros reconhecem que a segurança do doente é sobretudo uma responsabilidade da enfermagem 3. Uma vez que os enfermeiros assumem um papel central na segurança do doente, corre-se o risco de que os erros sejam atribuídos aos enfermeiros e não a falhas no sistema. No entanto, as evidências demonstram que a vigilância dos enfermeiros protege os doentes de práticas inseguras. Por exemplo, um estudo demonstrou que os enfermeiros detectaram 86% de todos os erros de medicação por parte de médicos, farmacêuticos e outros antes que os erros ocorressem 4. Uma abordagem de todo o sistema que envolva todos os membros do sistema de saúde, incluindo os seus gestores, é uma abordagem consistente para a segurança do doente. Porque é que se dão os erros de medicação? Todos os passos no tratamento de um doente envolvem a possibilidade de erro e um certo nível de risco à segurança do doente. A complexidade do actual sistema de saúde pode levantar algumas questões em relação à segurança do doente. Uma clara compreensão dos factores que levam ao aumento dos erros de medicação é o primeiro passo para os prevenir. * Tradução do original Nursing matters Medication errors, International Council of Nurses (AMT/AM). 1 International Council of Nurses. ICN Position Statement on Patient Safety. Adopted To Err is Human. Institute of Medicine. 3 Cook, F, A.; Guttmannova, K.; and Clare, (2004), An Error by any other name. American Journal of Nursing. Vol.104, No.6. pp Leape, et.al (1995), systems analysis of adverse drug events. JAMA, 274 (1), pp

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