Comunicação A ARTE DE MÃOS DADAS COM A EDUCAÇÃO. Palavras-chave: Museus/Imagens, Interdisciplinaridade, Internet

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1 Comunicação A ARTE DE MÃOS DADAS COM A EDUCAÇÃO BOLDRINI, Nanci Martinelli 1 Palavras-chave: Museus/Imagens, Interdisciplinaridade, Internet INTRODUÇÃO A Arte vem se mostrando forte aliada aos educadores indiscutivelmente, em todos os níveis de ensino-aprendizagem. Este texto tem por objetivo enfatizar a importância da Arte no processo ensino-aprendizagem, através das visitas a museus e galerias virtuais e salientar a possibilidade do uso da Internet como metodologia complementar para a leitura crítica de imagens. Inicialmente, vale ressaltar que a Arte na Educação não é mero exercício escolar, como justifica Barbosa: Se arte não fosse tão importante, não existiria desde os tempos das cavernas, resistindo a todas as tentativas de menosprezo. (1998, p. 27). Pode-se citar, ainda, a importância da arte em duas etapas fundamentais da vida do ser humano: a alfabetização e a adolescência. Na alfabetização, ocorre a necessidade de conquistar uma técnica para que a criança aprenda a ler. Não se alfabetiza apenas fazendo as crianças juntarem letras. Há uma alfabetização cultural, sem a qual a letra pouco significa (Barbosa 1998, p. 28). A leitura social, cultural e estética do meio ambiente vai dar sentido ao mundo da leitura verbal. Nesse contexto, a arte facilita o desenvolvimento psicomotor sem abafar o processo criador. A adolescência é considerada o período em que o jovem testa-se préprofissionalmente (vestibular). Mais de 25% das profissões neste país são ligadas direta ou indiretamente às artes e seu melhor desempenho depende do conhecimento que o indivíduo adquiriu nas escolas. Barbosa acrescenta: através de um fazer consciente e informado entre a história da arte, leitura de imagens e fazer artístico, torna-se possível a aprendizagem da arte (1998, p. 31). 1 IOE - Institute of Education Universidade de Londres 1

2 A leitura de imagens, há muito tempo, tem sido utilizada nos vários níveis da educação como forma de reconhecimento da humanidade, em uma temporalidade específica. A obra de arte cristaliza a substância social e, somente pode ser apreciada, quando definida e entendida pelo homem ontem, hoje e amanhã. Cabe mencionar o que Hannah Arendt salienta em seu estudo da condição humana: [...] obras de arte transcendem gloriosamente tanto os períodos como as eras em que foram criadas e as funções às quais foram originalmente criadas para servir (Arendt apud Barbosa, 1998, p. XII). A arte na escola deve formar o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte, mas não é tarefa fácil aos educadores atingir este objetivo. Embora o profissional desta área tenha acesso a todos os níveis educacionais (desde 2003 os graduados em Arte são responsáveis pela arte-educação do Ensino Fundamental até o Ensino Médio), muitos entraves têm ocorrido no intento de proporcionar uma boa formação para os alunos. Dentre os vários problemas, pode-se citar: a idéia errônea sobre a real função da Arte nas escolas, a má qualidade na formação dos profissionais, a falta de material e estrutura. O intuito desta pesquisa, porém, não é apontar os erros e desacertos do sistema educacional, mas sugerir novas idéias para que os atuais arte educadores da área proporcionem aos seus alunos o entendimento da vida através da sensibilidade e da arte. Desde 1990, a educação tem enfrentado novos desafios: a quantidade de informações advindas de novas tecnologias requisitou dos profissionais uma readaptação para colocar a educação a serviço da cidadania. A educação não pode ser mais um simples amontoado de conhecimentos; o objetivo geral da educação brasileira deve estar atrelado ao desenvolvimento contemporâneo, focando as competências que permitam ao indivíduo ser agente de seu conhecimento e participante ativo do mundo que o cerca. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), as competências incluem: Habilidade de se envolver em pensamento abstrato, o desenvolvimento e organização do pensamento, em oposição ao pensamento fragmentado; criatividade e curiosidade; habilidade de pensar em múltiplas alternativas para resolver um problema, em outras palavras, desenvolvimento do pensamento crítico, sabendo se comunicar e construir o conhecimento. (Ministério da Educação, 2004, p. 6) 2

3 Não é casual que a Arte cite tanto a história da arte, num momento em que se propõe a revalorização da história nos currículos escolares. A idéia da arte pela arte proposta pelos movimentos abstracionistas dos anos 50 foi substituída por uma postura mais crítica e atenta à vida social, num momento em que a arte-educação incorpora a necessidade de conferir ao aluno uma possibilidade mais crítica e atenta. Segundo Berg: uma sociedade só é artisticamente desenvolvida, quando, ao lado de uma produção artística de alta qualidade, há também uma alta capacidade de entendimento desta produção pelo público (Berg apud Barbosa, 1998, p. XIII). A partir deste pressuposto, imagens de história da Arte têm sido introduzidas com freqüência nos programas curriculares e projetos pedagógicos, com o objetivo de despertar a curiosidade e a criatividade, além de proporcionar aos alunos conhecimento a respeito dos períodos históricos aos quais pertençam as obras, bem como técnicas empregadas, identificação do artista, museus, seus acervos etc. Em arte, há várias formas de aprender sobre os elementos estéticos se considerarmos que esta disciplina deve explorar várias linguagens como a música, o teatro, a dança e as artes visuais. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) também sugere que a Informática seja utilizada na educação, como apoio para os componentes curriculares de forma que o estudante faça desta linguagem um elemento de sua cultura. Neste novo contexto, em que a Internet interliga o mundo e leva todos a qualquer lugar, acabaram-se as fronteiras para não participar de tudo que acontece. É possível ao educador receber informativos e boletins sobre várias instituições e museus; visitar exposições distanciadas pelo tempo e pela localização que não permitiram a presença; participar de lista de discussões; pesquisar artistas, movimentos artísticos antigos e novos, novos materiais e tecnologias; além de ler revistas e artigos. Desta forma, o professor contemporâneo pode ter uma boa vivência cultural através do hábito de procura e pesquisa, imprescindíveis para a prática docente. Um professor dinâmico e atualizado mostra o reflexo desta postura em suas aulas que se tornam mais instigantes e o aluno mais investigativo, trazendo um bom resultado no processo de ensino-aprendizagem. Mesmo considerando que a Informática é a mais recente das linguagens, ela não deve substituir nenhuma outra, pelo contrário, deve complementá-las no sentido de auxiliar as outras formas de comunicação, visto que a informática não 3

4 compreende apenas um laboratório de computadores, mas uma realidade que cerca a educação atual. Em educação, as mudanças não acontecem tão rapidamente quanto no mundo tecnológico; mesmo assim, a arte-educação e a Informática podem ser aliadas no processo ensino-aprendizagem, pois uma pequena porcentagem da população estudantil visita museus ou assiste a concertos, mas uma grande maioria de alunos acessa a Internet e este acesso pode ser considerado como uma grande conquista para a arte-educação atual. PRÁTICAS COLABORATIVAS ENTRE EDUCAÇÃO, MUSEUS E GALERIAS O efetivo exercício da arte-educação deverá envolver a prática pedagógica do educador pressupondo o uso do pensamento abstrato, a intuição, a sensibilidade e a imaginação. Educar é criar possibilidades de construção e produção de conhecimento, tornando os estudantes conscientes e críticos sobre sua cultura. É sob estes aspectos que esta pesquisa abordará a utilização de visitas monitoradas a museus e galerias como ponto de partida ou estímulo gerador em projetos pedagógicos. Seguem dois exemplos práticos da utilização de visitas a museus e galerias em escolas: 1 - Take one picture Galeria Nacional de Londres Há dez anos consecutivos, a Galeria Nacional de Londres escolhe uma pintura de seu acervo para auxiliar o trabalho intracurricular das escolas primárias da Inglaterra. O projeto recebe o nome de Take one Picture que, em português, pode ser traduzido por: Pegue uma imagem. Professores de várias partes do país vão à Galeria, situada na capital Londres, para discutir com os membros do Departamento de Educação sobre a pintura escolhida naquele ano. Os professores de arte recebem orientação na Galeria para desenvolverem o projeto pedagógico em suas escolas, envolvendo várias disciplinas além da arte, como literatura, história e outras. De volta às escolas, os professores de várias disciplinas analisam a imagem escolhida através do recurso da Informática (Internet) e constroem um mapa conceitual, sendo que cada professor procura as 4

5 possibilidades de envolvimento com a imagem da Galeria Nacional a ser utilizada pelos alunos naquele ano. Vale lembrar que os projetos pedagógicos envolvem várias formas de linguagem como, por exemplo, teatro, musica, dança, artes plásticas e literatura. O resultado do Take one picture é exibido nas escolas e devidamente registrado, disponibilizado através de um DVD produzido e vendido na própria Galeria, assim como no website interativo <www.takeonepicture.org.uk>, onde se pode encontrar depoimentos de professores, resultado dos projetos, imagens digitalizadas e espaço para sugestões. O Take one picture pode ser adaptado e aplicado à realidade da arte-educação brasileira proporcionando inovações na utilização da leitura de imagens. 2 - Uso de imagens em sala de aula Museu Lasar Segall Atualmente no Brasil, há vários Museus que oferecem ações educativas, como, por exemplo, o Museu Lasar Segall, que funciona na antiga casa do artista, situada na capital paulista. O Museu oferece uma variedade de cursos gratuitos para os interessados em arte, tendo inclusive um módulo especialmente destinado aos professores que querem conhecer seu acervo e utilizá-lo em projetos pedagógicos. No curso intitulado Subsídios para utilização do material Lasar Segall em sala de aula, os monitores de arte fornecem um curso de oito horas, focando a biografia do artista, os estilos seguidos pelo artista em seus trabalhos, obras mais significativas, bem como a apreciação das obras expostas no museu. Os professores que participam deste módulo recebem material de apoio com imagens de pinturas, gravuras e esculturas produzidas por Segall, assim como orientações para utilização destas figuras em unidades didáticas, em sala de aula. As etapas referentes a cada unidade didática estão esclarecidas de forma que para cada imagem artística, o professor deverá desenvolver a unidade didática estruturada em quatro itens: apreciação, contextualização, reflexão/discussão e atividades, conforme segue: Apreciação: apresenta algumas sugestões de perguntas que visam ampliar a capacidade dos alunos de descrever, analisar, interpretar e julgar imagens, em diversos contextos. O professor deverá utilizá-las como ponto de partida para a leitura da imagem e orientar a discussão. 5

6 Contextualização: apresenta informações que situam a importância da obra analisada no contexto da época e da vida de Lasar Segall (História da Arte). Reflexão/discussão: apresenta informações que possibilitam um exercício verbal de análise, reflexão e construção de idéias sobre conteúdos e temas relativos à obra e suas possíveis associações com aspectos estéticos experimentados e compartilhados pelo grupo, durante a atividade. Atividade: é composta por idéias que envolvem o fazer artístico, gerando uma produção por intermédio da qual os professores podem avaliar se os conteúdos foram aprendidos. As idéias apresentadas poderão ser alteradas e ampliadas, de acordo com os interesses e faixa etária dos alunos e segundo as necessidades de cada professor em adaptá-las às suas realidades. Segundo Grinspum, é imprescindível que os trabalhos realizados pelos alunos sejam expostos para dividir o resultado com a comunidade escolar, ressaltando os aspectos desenvolvidos durante o projeto (Grinspum, 2005, p. 8). 2.1.Projeto: Conhecendo um Museu Os alunos das 5ªs séries A B e C da E.E. Profª Olympia Barth de Oliveira, onde leciono desde 2005, terão a oportunidade de visitar o Museu Lasar Segall, como etapa conclusiva de um projeto que inclui a utilização da Informática como subsídio para a visita virtual ao referido museu. O quadro a seguir mostra um esboço do projeto: Acesso virtual (antes da visita) Visita Monitorada ao Museu Lasar Segall (SP) Acesso virtual (depois da visita) 6

7 Os alunos terão a oportunidade de utilizar a Internet e sites de busca no laboratório de Informática para tomar conhecimento sobre o Museu Lasar Segall, explorando o site do Museu. Através de um estudo dirigido, reunirão informações como: biografia, estilo, produção artística do pintor. Na disciplina de Português,farão a representação teatral sobre a vida de Segall. Os alunos serão convidados a participar da visita ao Museu, onde os monitores fazem leituras críticas de algumas obras do pintor. Os alunos terão ainda a oportunidade de vivenciar experiências adquiridas no acesso virtual, ver as obras e conhecer o espaço físico do museu. A visita está prevista para o dia 22 de novembro de De volta à escola, os alunos trabalharão no laboratório de informática e na sala de aula (em duplas), observando obras do referido artista. Serão desenvolvidos os itens de uma unidade didática para cada imagem, assim como a atividade Quadro Vivo, com fotografias dos alunos representando os personagens das obras. Haverá uma exposição dos trabalhos na escola. A realidade brasileira vivida pelos professores comprova que muitos alunos não têm acesso aos Museus e Galerias, seja pela distância que separa as escolas dos grandes centros urbanos onde estes estão situados ou mesmo pela falta de recursos econômicos dos alunos e das escolas para concretizar tais visitas. Nesses casos, o acesso virtual passa a ser considerado como uma solução que possibilita a visitação aos acervos dos museus, locais que os alunos dificilmente teriam a possibilidade de visitar. Dependendo do objetivo que se queira alcançar no projeto pedagógico, as visitas virtuais podem, inclusive, chegar ao âmbito internacional. Partindo da visita virtual, o professor pode utilizar a leitura de imagens como estímulo gerador para projetos pedagógicos, procurando adequar os trabalhos à realidade dos alunos e da comunidade escolar. CONCLUSÃO As práticas artísticas que utilizam leitura de imagens através da música, da dança, das artes visuais, e do teatro, aliadas à nova linguagem da Informática, 7

8 podem ser positivas no desenvolvimento da identidade dos jovens e construção da cidadania dentro do sistema educacional brasileiro. A arte-educação compreende a necessidade da contextualização da obra de arte e do fazer artístico, imprescindíveis na atuação dos alunos em sala de aula e no mundo que os cerca. A arte-educação deve promover a consciência da pluralidade social, conduzindo os alunos ao contato com os valores culturais e competências do mundo do qual eles são parte atuante. O mais importante, porém, é que cada educador descubra seu caminho para a utilização da educação como ferramenta para humanizar e sensibilizar a sociedade em que se vive. Para tanto, é necessário que sejam oferecidos subsídios para a formação dos professores de arte, alicerçando a importância da arte na vida do ser humano, de forma consciente e significativa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BARBOSA, Ana Mae. A imagem no Ensino da Arte Anos oitenta e novos tempos. 3.ed. São Paulo: Perspectiva, 1998, 134p. BOLDRINI, Nanci M. The feminizations of the teaching profession: influences on Brazilian Art Education. Dissertação do Programa de Mestrado realizado no IOE (Institute of Education Instituto de Educação) na Universidade de Londres, 2006, 87p. GRINSPUM, Denise. Lasar Segall. Material Didático - Área de Ação Educativa, Inspirado no material didático produzido pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos, The Art Institute of Chicago. NATIONAL GALLERY DVD COLLECTION. Ten years experience of the Take one picture Scheme, Disponível em Acesso em outubro de PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (PCN) Ensino Médio. Ministério da Educação Brasileira, Disponível em <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pcning.pdf.> Acesso em fevereiro de

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